sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

"NÃO SE PODE TER TUDO"


Ontem, a Senhora Ministra das Finanças arengou qualquer coisa neste sentido: "(...) persistimos e estamos a chegar onde queríamos (...) nós somos ensinados desde pequeninos que não se pode ter tudo. E, frequentemente, achamos que isso é muito injusto, mas aprendemos (...) que nada se faz sem trabalho e, depois, curiosamente, alguns chegam a adultos e esquecem-se. (...)". Senti uma revolta perante estas palavras acompanhadas de um sorriso que transmite algum cinismo e hipocrisia. Ela falou para uma plateia de deputados do seu partido (PSD) e, certamente, para convidados da mesma área política. Deveria falar para uma plateia 600.000 desempregados, mais uma legião de de centenas de milhar que emigraram porque, aqui, nem ao mínimo tiveram direito; deveria falar para os milhares de alunos dos estabelecimentos de educação e ensino onde falta muito; deveria falar para todos quantos deixam os medicamentos no balcão das farmácias ou para todo o pessoal de saúde que, profissionalmente, vivem no fio da navalha; deveria falar para os pensionistas que, nos últimos anos, foram espoliados sem dó nem piedade. Pois, "não se pode ter tudo", mas há direitos inalienáveis. O direito ao trabalho, o direito à Educação, o direito à Saúde, o direito de não verem debitadas, mensalmente, nas nossas contas, valores face aos quais o povo não tem qualquer responsabilidade. 

Deveria escutar as vozes da sociedade

Eu sei, todos sabemos, que estão "a chegar onde queriam". Estão a chegar ao desmantelamento do estado social, à privatização de tudo o que mexe, à venda do País ao desbarato permitindo que entrem por aí adentro uma horda de estrangeiros que vêm comer a carne, ao ponto do homem que aqui nasceu ser apenas uma peça descartável na vergonhosa engrenagem que estas políticas defendem. Nem ao trabalho têm direito. E mesmo tendo trabalho não deixam de estar encurralados no círculo vicioso da pobreza. A Senhora Ministra deveria ter vergonha na cara e não dizer tanto disparate. Assumiu: "(...) hoje em dia olho para o trânsito com novos olhos. Em vez de pensar no tempo que estou a perder, penso no significado que isto tem na recuperação da actividade económica". Como se esse fosse um indicador de progresso e de bem-estar social. Há frases que mexem com o mais pacato cidadão quando analisadas cautelosamente. Senhora Ministra, brinque e entretenha-se lá com os números das suas folhas de "Excel", mas não ofenda a esmagadora maioria dos portugueses que não querem "ter tudo", apenas querem o mínimo. E explique, também, como é que os milionários crescem a um ritmo idêntico ao do crescimento da pobreza. Nunca mais é Outubro...!
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A MERCANTILIZAÇÃO DO DIREITO À EDUCAÇÃO



"(...) Contraditoriamente, quanto mais se expandem a adopção das liberdades, os valores e a convivência democráticas, mais acelera a mundialização prepotente das regras da mercantilização dos homens e das mulheres. Para os cultores da nova economia, os homens e as mulheres são considerados hoje meros "recursos" da actividade económica. Esvai-se a ideia do trabalho humano, transformador e criativo. Os humanos são apenas empregáveis ou não".
Professor Sérgio Niza - Escritos sobre Educação. Pág. 389.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

OS MAIS FRÁGEIS A UM CANTO NUM GOVERNO QUE SE DIZ SOCIAL



Duas notícias (RTP-Madeira) que causam repulsa:
Primeira: crianças diferentes, com necessidades educativas especiais, estão há quinze dias em casa porque as carrinhas de transporte estão inoperacionais. De dez apenas duas estão em condições, ouvi o Director Regional assumir.
Segunda: o "médico de família" não chega a todas as crianças institucionalizadas.
Entretanto, enquanto isto acontece, o governo despeja mais uns milhões no futebol profissional e o Jornal da Madeira continua a receber, todos os meses, os milhares para a propaganda política. 
Os mais frágeis ficam a um canto num governo que se diz social!. Espantoso.
E o Presidente do Governo diz-se preocupado "por ver o País conformado". Lá, aqui não!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

GRÉCIA: "CAIU O CARMO E A TRINDADE"


Cheira a ditadura. Para uns quantos fazedores de opinião, parece que só existe uma solução: a dos mercados, o da especulação financeira, a Europa dos ricos e a dos pobres, a Europa dos que impõem e a dos que se submetem, a dos senhorios e a dos escravos. Transmitem a ideia que não existe alternativa à chantagem. E ela existe, obviamente que existe. Nas ditaduras é que se vive segundo um "modelo" único. Em democracia as soluções são múltiplas.


Todos os países têm as suas debilidades. Na Grécia, pelo que vou lendo, muita coisa terá de mudar, mas na Europa também. E foi neste quadro que Alexis Tsipras sublinhou: "(...) A humilhação nacional acabou. O memorando acabou. A chantagem acabou. A subserviência acabou (...)". Interpreto esta declaração como um aviso à navegação europeia onde crescem os movimentos que dizem CHEGA. Como irão resolver o problema, esse é da responsabilidade dos gregos. A eles diz respeito a construção do seu futuro, não a comentadores que transmitem a ideia da inexistência de soluções. Muito menos ao Primeiro-Ministro de Portugal. 
Agora, que a Europa vai ter de mudar, disso não tenho dúvidas.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O INÍCIO DO FIM DO "MASOQUISMO" ECONÓMICO E FINANCEIRO



"A Grécia vira a página da austeridade e deixa a Europa a fazer contas" - edição de hoje do PÚBLICO. O Povo é assim, sofre, sofre, até aplaude quem lhe vergasta, por vezes demonstra que até gosta, mas um dia diz chega! Agora, dizem, mas eles são corruptos, assentaram as suas vidas na fraude e na evasão fiscal, pois, e quem analisa as causas desses comportamentos? 
Os ventos da Grécia estão a espalhar-se e esta Europa ou muda ou será mudada. Os gregos elevaram a voz para tentar travar a dinâmica destrutiva. Ninguém aguenta a austeridade que favorece o anormal crescimento de milionários à custa da especulação financeira e do empobrecimento de milhões. A VIDA não é para aquilo que estamos a assistir. A VIDA tem de ser de luta, sim, de trabalho com deveres, mas com direitos, tem de ser de felicidade e de ESPERANÇA. 
Gostei da vitória do Syriza e oxalá que o "deus mercado" tome juizinho!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 25 de janeiro de 2015

"O SINERGISMO DE ALBUQUERQUE"


"Li de ponta a ponta a moção do novo líder do PSD que, agora, todos acham que é o maior só porque venceu as eleições internas no PSD. Até há uns idiotas úteis que se dizem da oposição que vão atrás da cantiga. A moção de Miguel Albuquerque a determinada altura fala na necessidade de sinergismo na área da saúde. A palavra chamou-me à atenção e fui ao dicionário tentar perceber o que é sinergismo. O Dicionário Universal da Texto Editora diz que sinergismo é “...a doutrina sobre a qual a salvação do homem é conseguida pela colaboração da graça divina com a vontade do homem”. No meio de dezenas de generalidades da moção que me dei à maçada de ler, valeu esta pérola linguística e doutrinária. O resto, 59 páginas e muitas fotos, é uma autêntica decepção. Palavras, palavras, e mais palavras, frases sem sentido, evidências e banalidades. Ah, tem aquela da “Bacia do Atlântico como Província Estratégica” – que se alguém souber traduzir que mande para o nosso Diário. Leiam-se alguns destaques da moção: “A Madeira tem de assumir uma nova dinâmica de simpatia externa e atractividade internacional”.

Fumo, apenas fumo...

Temos que arreganhar mais a taxa! “Os madeirenses e portosantenses precisam urgentemente de se unir em torno de uma estratégia (...)”. Querem ver que vão acabar com o mar da Travessa. “A Madeira tem obrigatoriamente de ocupar um papel central e estruturante no sistema Atlântico”. Será que alguém pode descodificar! “A Madeira tem de apostar em novos sectores, aptos a captar capitais”. Será que podemos saber quais? No Turismo “É preciso definir uma estratégia correcta, rasgar novos horizontes, mobilizar energias capazes de recuperar deficiências e atrasos e responder a desafios que já aí estão”. Mas o candidato não deveria saber qual é a estratégia e propô-la? “É urgente a implementação de uma política de transportes que seja capaz de reduzir o custo dos transportes”.
Que novidade! Mas que soluções? “A formação das nossas crianças, jovens e adultos deverá contemplar as tecnologias, a cultura e os idiomas que nos permitam ser competitivos num mundo global”. Mas não é isso que está a ser feito? Talvez falte o mandarim meu caro líder. “A criatividade e a inovação deverão constituir-se como prioridades para se obter a transformação da sociedade madeirense e porto-santense”. Agora o povo da ilha irmã vem com um hífen, mas continuam as generalidades. Quanto à Cultura: “é essencial para garantir uma comunidade mais equilibrada e mais preparada para lidar criativamente com os fenómenos contemporâneos”. Será que podia explicar melhor?
Finalmente: “os objectivos da política desportiva regional devem estar inseridos numa Visão e Missão de desenvolvimento global da Região”. Será que alguém percebe o que é isto. Quando isto é “Renovação de Mentalidades, de Atitudes e de Objectivos”, eu vou ali e já venho. Isto é um vazio sem propostas concretas e soluções exequíveis. Isto é superficialidade pura e dura! A moção do Jaime Ramos ao menos era mais precisa. E é com este líder que o PSD pretende ter maioria absoluta? Francamente! Isto é conversa de café!"
NOTA
"Carta do leitor", assinada por Fátima Câmara, publicada na edição de hoje do DN-Madeira e aqui reproduzida com a devida vénia.

sábado, 24 de janeiro de 2015

PARA BONS ENTENDEDORES



Há muito mais projectos que nos unem do que situações que nos separam. De que é que estão à espera?
A História será implacável. No dia 29 de Março de 2015, ao início da noite, o povo, grande juiz, ditará a sua sentença!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

DRAGUI NO LEITO DA MORTE


Há hoje muita gente a celebrar um funeral. A impressão de dinheiro pelo BCE não quer dizer nada a não ser mais austeridade – dinheiro não faz dinheiro nem evita a queda da taxa média de lucro, deflação nos preços de produção. A impressão de dinheiro nos EUA em 2008 – quantitative easing – teve efeitos porque os EUA têm a maior produtividade do mundo, os chineses a produzir a preço de ditadura do PC Chinês e tijela de arroz, e, sobretudo, e acima de tudo, porque o salário médio nos EUA sofreu uma queda histórica de 25% desde 2008 e foi essa queda, o salário, o único valor real, que pagou a impressão desse dinheiro. Ou seja, a salvação do capitalismo norte-americano, e por arrasto do comércio mundial, foi feita a partir do segundo semestre de 2009 com uma queda abrupta no salário, dada pelo aumento do desemprego, desde logo. Quem imprime dinheiro imprime papel, que não vale nada a não ser que se reduza o custo unitário do trabalho para garantir esse papel impresso.


Hoje quando vejo, à esquerda e à direita, celebrarem esta medida, falando de coisas sem qualquer veracidade económica, penso numa metáfora caseira. Tenho flores nas varandas que a minha mãe – engenheira genética florestal, um papa no tema portanto – me diz que estão mal, sol a mais, sol a menos, água a mais, água a menos, nutrientes, o que é certo é que elas só estão mesmo bonitas quando vou de férias e são cuidadas…pela minha mãe. Um dia destes vinguei-me, cheguei a casa e vi o Hibiscus resplandecente de flores e liguei-lhe, afinal “também eu sabia cuidar das flores!”. Ela respondeu-me: “Está a morrer, as plantas quando estão a morrer desatam a reproduzir-se”. Dragui imprime dinheiro para evitar um 1929 – que já está aqui, e sabemo-lo exactamente porque ele…está a imprimir dinheiro. E dinheiro não é valor. O nosso desafio hoje não é salvar o capitalismo europeu, morto. É salvar-nos da sua salvação, uma guerra 39-45. E sobretudo construir uma alternativa que não seja, como foram as do passado, como na URSS, um pesadelo. Era sobre isso, podemos ou não construir sociedades justas, iguais e livres, que devíamos estar todos juntos a pensar, dia e noite, e não a bater palmas ao Hibiscus a mostrar o seu brilho no leito da morte.
NOTA:  Artigo de Raquel Varela: 
https://raquelcardeiravarela.wordpress.com/2015/01/22/dragui-no-leito-da-morte/

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

OXALÁ ESTEJA EU ERRADO!


Recebi este comentário (anónimo) que transcrevo:
"Caro Professor André Escórcio,
Tenho o maior respeito e consideração por si, pois os anos de luta contra o regime opressor do Jardinismo em que deu a cara pelo PS merecem o meu agradecimento. Mas no último ano tenho assistido a uma campanha da sua parte contra a atual direção do PS, que me leva a pensar se neste momento terá real interesse na mudança de cor política na região. É evidente que estas negociações finais não estão a correr bem ao partido socialista, talvez com alguma culpa do atual líder, mas principalmente porque os restantes partidos não têm um real interesse na mudança, mas sim garantir o seu lugarzinho. E os interesses de outros não se consegue controlar. Relembro que no passado recente em que o PS adoptou uma estratégia em que candidatou alguém que não o líder, o resultado foi o que está representado na Assembleia".


Respeito o seu anonimato, mas confesso que preferia debater um assunto desta importância, porque está em causa o futuro da Madeira, olhos nos olhos, sem qualquer receio de uma crítica sobre os posicionamentos. Mas respeito, sobretudo porque conheço e todos nós sentimos a existência de uma liberdade condicionada. Agradeço-lhe, porém, o facto de ter escrito e de enaltecer a minha acção política ao longo de muitos anos. Não fiz mais do que seguir as minhas convicções políticas. Todos(as) temos esse dever de cidadania.
Ora, o exercício da política não se compadece de jogos de bastidores assentes na disputa de lugares remunerados. O exercício da política visa conduzir a sociedade para o seu bem-estar. Os egoísmos e os alinhamentos com grupos nunca proporcionaram bons resultados. E deles sempre fugi, por entender que o exercício da política constitui um serviço à comunidade e não um emprego para a vida. O meu emprego foi a docência que abracei. A História do processo demonstra-o. De acordo com esta minha forma de estar na política tenho-me mantido activo, é verdade, mas numa lógica de chamada de atenção para os perigos que estão a ser corridos. Não estou contra ninguém do Partido Socialista, como é demonstrável pela forma como escrevo, mas há quem, internamente, julgo eu, pense na lógica de que se ele chama à atenção é porque está contra nós. Nada de mais errado até por dois motivos: primeiro, a liberdade nasceu em 1974; segundo, um partido fechado sobre si mesmo é um partido tendencialmente morto. O problema é, portanto, outro, de um olhar sobre a realidade sociológica concreta. O PS-Madeira chegou a ter resultados eleitorais acima dos 30%, que lhe permitia acalentar a esperança de ganhar actos eleitorais. Hoje, o quadro é bem diferente por múltiplas razões, umas internas e outras de natureza externa. Obviamente que não excluo responsabilidades pessoais. Poderia ter feito mais, talvez, mas fiz o que pude, colaborei e esse sentimento transporto-o.
Todos nós sabíamos que o Dr. Jardim ia cair. Depois de um primeiro despique onde venceu o Dr. Miguel Albuquerque à tangente, era óbvio que o segundo "round" seria inevitável a mudança de líder entre aqueles que conduziram a Madeira ao colapso. Era a sobrevivência política do PSD que estaria em jogo. Portanto, a oposição e, particularmente, o PS, dispôs de dois anos para preparar uma alternativa de governo. E o que aconteceu? Deixaram o marfim correr e nem quando o PSD-M entrou em colapso com seis candidaturas, verifiquei esse ímpeto de "agora ou nunca". Alguns acreditaram que os social-democratas devorar-se-iam na disputa interna. Ignoraram que o jardinismo é muito maior que Jardim! Perderam a oportunidade de, serenamente, construir uma alternativa que, parece-me óbvio, se elaborada a tempo, marcaria a agenda política, estava na dianteira e colocaria hoje o PSD-M numa situação eleitoral ingrata. Mas isto é o que eu penso e ninguém me pode condenar por, democraticamente, exprimir a leitura que faço da situação. Oxalá esteja eu errado.
Acabo de ler, no Jornal I uma entrevista com o presidente do PS-M Vítor Freitas. Perguntou o jornalista: - No cenário de uma vitória com maioria relativa, admite governar nessa situação? Resposta: "Prefiro governar com maioria relativa a fazer qualquer coligação com a direita. O PSD na Madeira é hoje mais "passos-coelhista" e o CDS "paulo-portista". A Madeira não precisa de colonos nacionais à frente dos seus destinos. As soluções para o futuro da Madeira têm que passar pela esquerda e não pela direita. É melhor governar em maioria relativa do que fazer alianças à direita". Repito, perante esta posição só lhe desejo que consiga a vitória, mesmo que relativa, apesar dos estudos de opinião não serem muito favoráveis. Se esse é o caminho e se a vitória acontecer, aqui estarei para dar os parabéns e assumir quanto errado estava. Em suma, o que desejo, referindo-me ao seu texto, é que se encontre uma solução pois os mesmos que conduziram a Madeira ao desastre e a uma dupla e severa austeridade, não devem ser alternativa a si próprios. Todavia, uma coisa é o que eu desejo, outra a realidade sociológica. A ver vamos. Da minha parte, nem mais uma palavra sobre este assunto.
Só como nota de rodapé, quero sublinhar que me envolvi nas eleições de 2011. Ajudei a elaborar um programa de governo e a projectar uma excelente equipa de governo. De sete deputados, o PS passou para seis. Retirei as minhas ilacções políticas. Afastei-me, de vez! Acabou. Não pertenço, sequer, aos órgãos do PS-M. Escrevo, apenas, como cidadão, com convicções socialistas e nada mais.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

MERGULHADO NA MAIS PROFUNDA DESILUSÃO POLÍTICA


É esse o meu "estado"! Desilusão porque olho para trás e interrogo-me se valeu a pena andar preocupado com a "coisa pública"; desilusão por ver a sociedade onde me integro, na generalidade, a vociferar contra isto e aquilo, mas a permitir a "continuidade", como se fosse possível descobrir um "messias" entre os que condenaram esta terra à dupla austeridade; desilusão ao ver alguns, de quem dependia gerar as condições de uma alternativa política de qualidade, completamente desesperados e incapazes de, humildemente, reconhecerem que são um produto fora de prazo; desilusão pela falta de respeito pela memória histórica, por tantos oposicionistas que lutaram pela liberdade, pela democracia, pelo desenvolvimento, que foram presos, torturados e exilados, gente que hoje olha para certos que metem dó, ao se comportarem tal como outros, em velhos tempos, que "lutavam" apenas pela sua vidinha. 


Uma desilusão que, estou certo, vamos pagar bem cara, porque ali não existe nenhum "messias". A sua música política é a mesma, só que em altos decibéis. Por isso mesmo, qual paradoxo, o "messias" fala baixinho, como que a querer passar despercebido. Quanto menos se mexer, melhor - pensará. 
Amigo meu disse-me, um dia, que se o Al Capone regressasse, a primeira pergunta que faria talvez fosse esta: "como é possível fazer tanto sangue, sem um único tiro?" Estou convicto que a metáfora está certa e que o "sangue" vai continuar sem um único "tiro". E a população, como sempre aconteceu, acabará empurrada pela onda do menos mau e por aquilo que lhe bombardeiam nos ouvidos.
Porque este é o meu "estado", hoje, excepcionalmente, vou ser frontal: de que esteve e ainda está à espera o presidente do PS-Madeira? Que a luta de muitos e de muitos anos se desmorone? Quais os seus verdadeiros interesses? Que valores políticos o orientam? Que estratégia zigzagueante é essa, reflectida na atitude de vários partidos e movimentos, que coloca em causa uma solução portadora de futuro? Quem aconselha o Presidente do PS-Madeira ou quem é o estratego mor desta teimosia politicamente suicidária? O líder dos socialistas madeirenses não anda na rua, não contacta com as pessoas e não consegue perceber, pelos sinais, que existe uma onda que não o favorece? E a Comissão Política e o Secretariado deixam-se ir para um buraco de difícil regresso?
Esta é a minha mais profunda desilusão política, quando há soluções. Bastaria um pouco de humildade política e de uma vista com capacidade para além do horizonte!
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

UM GOVERNO GERADOR DE POBREZA


Jornal de Notícias: "Salários da Função Pública caem o dobro dos privados. Baixaram 22% no Estado e 11,6% no sector privado, desde 2011. O valor médio dos salários em Portugal é metade do praticado na zona euro". E dizem, com total desplante, que a austeridade tem valido a pena e que o bem-estar para todos está mesmo ali ao virar da esquina! Até o Presidente da República alinha na mentira.

domingo, 18 de janeiro de 2015

2014 E A DEGENERESCÊNCIA DO ENSINO PÚBLICO


É obra a que este Governo, marcado pela arrogância e contumaz na mentira, produziu em três anos e meio de desgoverno: um empobrecimento e uma emigração sem paralelo recente, finanças e economia centradas na transferência de capital para o estrangeiro e, sobretudo, um sistema de ensino público em desagregação, dilacerado pelo retrocesso inimaginável, fria e calculadamente promovido, medida após medida. 


O lapso da funcionária da Escola Secundária Alberto Sampaio, de Braga, quando em dia de Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades, vulgo PACC, tratou professores vexados por “meninos” e lhes ordenou que fizessem “fila indiana sem stress”, tem o valor simbólico de um triple play: a natureza ideológica de uma política, o claudicar de uma classe profissional e a baixeza de um ministro. 
Em três anos e meio desta legislatura foram retirados ao financiamento do ensino público 3.294 milhões de euros e despedidos colectivamente 30.464 professores. O ano de 2014 destaca-se do conjunto por ter exacerbado os dois ódios de estimação de Nuno Crato: a escola pública e a Ciência, onde, de uma penada e com uma avaliação trapaceira, foi liquidado o trabalho criterioso de Mariano Gago. Alguns episódios, de entre tantos, merecem destaque no balanço do ano, por reveladores de um modo de estar e fazer política. 
Quando, presente o contexto acima referido, Nuno Crato aceitou que o ensino público fosse penalizado com mais um corte de 700 milhões de euros no orçamento de Estado de 2015, logo se apressou (portaria nº 269/2014 de 19 de Dezembro) a garantir que o financiamento público do ensino privado não fosse beliscado com qualquer corte. 
Quando alunos e professores sofriam com o escândalo do pior lançamento de ano-lectivo de que guardamos memória, o responsável primeiro por tanta incompetência saiu de cena. Foi para Milão, para uma reunião informal sobre … telecomunicações. Remake de pequena monta do que já havia feito aquando da sétima avaliação da Troika, altura em que se ausentou três semanas. Coisa de somenos se comparada com as quatro voltas ao mundo que deu no ano em apreço. Nada, se tivermos em vista que em estudos e pareceres gastou por mês mais que um milhão de euros. Só por inércia institucional se continua a dar o título de ministro da Educação a quem se tem revelado um vulgar factotum capturado por interesses que não os da Educação pública. 
Acabado de sair de um período de resgate financeiro, sujeito a imposições de políticas por parte de organismos estrangeiros, Portugal está confrontado, no início de 2015, com números avassaladores. O volume dos juros pagos aos credores nesta legislatura (28.528 milhões de euros) é quase idêntico ao volume obtido com o corte da despesa pública mais o aumento de impostos (28.247 milhões de euros). Dito de outro modo, o empobrecimento brutal da maioria dos portugueses serviu só para pagar juros, sem que um cêntimo tenha sido abatido ao montante da dívida. 
Em três anos de aplicação de uma receita que não conseguiu cumprir um só dos seus múltiplos objectivos, a dívida da administração pública cresceu à razão média de 23.236 milhões de euros anuais, ou seja, aumentou 69.708 milhões de euros. 
O grande problema, que tudo condiciona, é, assim, o da dívida pública, sobre o qual urge o diálogo e urgem os compromissos. É mister abandonar de vez as lógicas maniqueístas para que tendem as forças partidárias e explorar as vertentes intermédias e alternativas, sendo certo que com a dimensão que tem e o crescimento económico que não temos, a dívida não é sustentável. Não adianta persistir no “custe o que custar”, que nos trouxe à exaustão, ou menosprezar, no outro extremo, as consequências da saída do euro. Chega, por uma ou outra via, de atirarmos fantasias contra a realidade. Concedo que a particularização do problema tem complexidades para especialistas em políticas monetárias e macroeconomia. Mas não precisamos de pertencer a essa elite para ver, claramente, que a nossa desejada consolidação orçamental é escrava de uma solução europeia multilateral para o problema das dívidas soberanas. 
Perante a nossa incapacidade política para equacionar cenários racionais de actuação, talvez que as próximas eleições antecipadas gregas (decididas no momento em que escrevo), e as regulares que acontecerão no Reino Unido e em Espanha, se juntem às nossas (assim os portugueses ignorem a maldição de Natal de Passos Coelho) para alterar o mapa político europeu e, assim, derrogar a feição sacra do Tratado Orçamental e do Pacto de Estabilidade e Crescimento. 
Sobrevivemos em 2014. Precisamos ter esperança no futuro e retomar capacidade de reagir para voltarmos a viver. Que renasça o orgulho profissional dos docentes. Que os professores se consciencializem de que o poder, particularmente o opressivo, só se exerce sob consentimento daqueles que lhe obedecem. 

Santana Castilho
Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

TEIMOSIA OU ESTUPIDEZ?



Um dos significados da palavra teimosia poderá ser o do apego obstinado às suas próprias ideias. É diferente, no âmbito político, de um apego cego ao caminho que se julga ser o melhor. Em múltiplas situações ser obstinado transporta consigo o fermento da determinação e do êxito. Já a cegueira, embora vendo, impede qualquer flexibilidade em busca do caminho desejável. E o que se está a passar no plano político, no quadro de uma oposição responsável, é, claramente, a opção pela cegueira. Há quem não queira ver o descalabro; há quem prefira continuar oposição do que assumir a responsabilidade governativa; há quem, levianamente, esteja nas tintas para um povo que deseja uma alternativa, ao colocar, em primeiro lugar, o interesse do grupinho; há quem se assuma como históricos oposicionistas, mas que não mexem uma palha no sentido de dizer não ao previsível descalabro; há quem se julgue traçado para altos voos, mas nunca na terra que os viu nascer; há quem pela frente assuma, de forma clarividente, uma dada situação, mas logo a seguir dê indícios de estar a tratar da sua vidinha. E, entretanto, os dias vão passando e os mesmos de sempre, os que conduziram a Região ao desastre, sintam que o terreno está fofo e nem será preciso cavar em demasia. Porque o terreno está livre de embaraçadoras pedras. Bastará um ancinho para achanar e plantar mais uns anos de enganadoras promessas. Acordem, por favor, mais que não seja, pelo respeito que a memória impõe.  

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

"O QUE MAIS ME ENCHE CÁ DENTRO É A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL" - ALBERTO JOÃO JARDIM



Todo o País se transformou, obviamente. Basta comparar com os índices de 1974. Depois da Revolução, com a abertura ao exterior, com a integração europeia, com os milhares de milhões que aqui entraram, não ter havido substanciais melhorias desses índices, seria muito grave. Porém, o problema não é esse. Interessa sobretudo avaliar, à luz de muitos indicadores, se os resultados foram ou são proporcionais ao investimento. No essencial, como se encontra a economia, as finanças, a educação, a saúde, a mentalidade, a pobreza, a emigração, enfim, todos os sectores determinantes no apuramento do "índice de desenvolvimento humano". Já agora, como estamos hoje de AUTONOMIA ou de DEPENDÊNCIA!
O Presidente do Governo demissionário sabe, então não sabe, que CRESCIMENTO é uma coisa; DESENVOLVIMENTO é outra bem diferente. Mas, habilmente, confunde-os. Do meu ponto de vista, oxalá tivesse havido aquilo que ele designa por "transformação social". Simplesmente porque não basta um olhar pouco cuidado sobre a taxa de alfabetização, a expectativa do número de anos de vida e o PIB para atestarmos do grau de bem-estar. Há muitos outros indicadores e esses não devem ser ignorados.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A RECAUCHUTAGEM DO PSD-MADEIRA


Há hoje no PSD-M um constrangimento generalizado pela fraude que representa a mensagem de renovação, violentamente imposta à opinião pública madeirense. Os militantes sociais democratas que ansiavam pela mudança no seu partido, olham para o futuro com um sorriso amarelo, perante a avassaladora presença do passado, que impõe nomes, regras, vícios, impedindo o fim das clientelas e dos interesses: as facções uniram-se para dar lugar ao PSD-M que sempre conhecemos.


O Miguel de Sousa ofereceu o programa ao actual líder que, segundo ele, não tinha programa e nem sequer sabia falar; o Jaime Ramos distrai as atenções para abrir caminho ao outro Jaime, o filho, que aproveita para impôr os seus nomes numa futura ALRAM; o João e Silva sonha com a Assembleia Legislativa da RAM e marimba-se para a sua convicção das negociatas; o Manuel António negoceia duramente para manter-se em jogo; enquanto o Sérgio Marques acomoda-se ao supremo do cinismo do PSD-M: um gabinete de estudos. Não, não é uma acusação de oportunismo grosseiro. É mesmo cuidar da vidinha e o resto que se lixe: a renovação, a limpeza, as soluções distintas que abalariam as cumplicidades construídas em 36 anos, o dialogo, o debate, a tolerância, os madeirenses.
Depois do monumental plágio dos programas da oposição, prepara-se a monumental cosmética: um PSD-M trasvestido de novo, cheio de trapos velhos. Entre contrapartidas para uns e outros, o novo líder do PSD-M é o somatório dos adversários que combateu e a soma quase perfeita do PSD de Jardim. Na prática, tudo igual. No essencial nada mudou. Outra vez a uma só voz, contra a alternância. O Congresso colou o que faltava: O PSD do novo líder quer ser interlocutor de Passos Coelho, esse destruidor de esperanças que maltratou os madeirenses; aplaudiu a divida irresponsável que matou a economia; subscreveu o PAEF-RAM e eleva a herói, tornando-o no Presidente do PSD até ao fim dos seus dias, o vilão da divida oculta que poucas horas antes era o símbolo da revolta no PSD-M e da desgraça dos madeirenses, disseram todos eles!.
Afinal, nada de novo, era tudo um bluff demolidor. A campanha esfumou-se e a dura realidade é que o PSD-M de Jardim não acabou. 
No fim, contentam-se com uma inevitável mudança de estilo. Essa pitada minúscula, com pequenas alterações de comportamento, serve para esconder a dimensão extraordinária da semelhança. Uma cosmética escaldante, ajustada ao homem da máquina do PSD-M, o companheiro de sempre de Jardim, que sorri hipocritamente por continuar a mandar no seu partido.
Ilustração: Google Imagens.
NOTA
Artigo de opinião, assinado pelo Deputado do PS-M, Carlos Pereira, publicado na edição de ontem do DN-Madeira.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

SÓCRATES DEVE SER IMEDIATAMENTE LIBERTADO - UM ARTIGO DE ARNALDO DE MATOS


Não gosto nem nunca gostei de Sócrates. Todos os que me conhecem sabem muito bem que estive sempre frontalmente contra a política do partido socialista e contra o governo de Sócrates durante todo o tempo em que Sócrates chefiou esse governo. Sócrates não é o único, mas é, conjuntamente com o governo de traição nacional Coelho/Portas, um dos principais responsáveis pelo estado de bancarrota, de caos político, de pobreza, de desemprego e de miséria em que se encontra o país. Acontece que Sócrates é hoje um preso político, com o n.º 44 do estabelecimento prisional de Évora, às ordens do juiz do tribunal especial unipessoal denominado Tribunal Central de Instrução Criminal, tribunal que, tal como os seus congéneres dos tempos da inquisição e do fascismo, pode manter Sócrates na prisão, sem culpa formada e sem julgamento, por um tempo superior aquele em que os tribunais plenários do regime salazarista conseguiam aí manter os inimigos do regime.


Assim, por uma reaccionária interpretação deturpativa dos princípios constitucionais e penais em vigor, os agentes do ministério público conseguiram colocar ao serviço da acusação os juízes de instrução criminal, concebidos para exercerem uma magistratura imparcial entre os objectivos odiosos dos acusadores e os direitos legítimos da defesa.
Nos dias de hoje, o juiz de instrução criminal não passa de um serventuário da acusação pública, que vai ao ponto de abrir aos agentes do ministério público e das polícias criminais o caminho da acusação, quando ainda nem sequer acusação existe.
A coisa chegou a este patamar intolerável: o juiz de instrução criminal determina a aplicação da prisão preventiva a um sujeito, para que o ministério público e suas polícias criminais investiguem se, no caso, há crime ou não, quando na realidade o juiz de instrução só deveria determinar a aplicação da medida coactiva da prisão preventiva se o crime já tivesse sido devidamente investigado, a tal ponto que os indícios recolhidos fundamentassem uma muito forte suspeita da existência de crime.
Ora, o juiz do tribunal central de instrução criminal aplicou a Sócrates a medida de coacção de prisão preventiva para que o agente Rosário Teixeira e seus capangas pudessem investigar à vontade, sem constrangimentos nem pressas, uma suspeita que lhe tinha estimulado o nariz: este Sócrates cheira-me que é corrupto ou então cheira mal dos pés… Será?!
Sócrates, ao regressar a Lisboa de uma viagem a Paris, é preso pelos capangas do agente Rosário, à frente das câmaras de televisão que haviam sido convocadas para a festa, e levado ao super-juiz de instrução que o mandou prender preventivamente, sem ter tido a inteligência de entender que não há nunca perigo de fuga para um ex-primeiro-ministro, ainda jovem e ambicioso, pois a fuga seria a sua liquidação política definitiva e uma incontornável confissão da prática do crime que só existirá na imaginação do Rosário (cheira-me que…).
Aconteceu, porém, que o agente Rosário e o super-juiz Alexandre não têm nenhum facto com base no qual possam licitamente presumir que Sócrates pudesse ter cometido os crimes suspeitados: corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal agravada.
Estando Sócrates preso preventivamente, entram as trombetas da direita a proclamar que é preciso “deixar a justiça fazer o seu caminho” e que “não há ninguém acima da lei”.
Com estas duas teorias, a direita, que é actualmente dona e senhora de todo o aparelho judicial, com os seus super-agentes, super-polícias e super-juizes, sabe de antemão que, nas actuais condições políticas, o caminho que a justiça acabará por fazer é unicamente o caminho da direita. Ou seja, o caminho que conduziu ao arquivamento dos processos Portucale, dos Submarinos, dos Pandur, das contrapartidas dos submarinos e da dívida da Madeira desviada por Alberto João Jardim, das contra-ordenações milionárias do Millennium BCP, e haverão de conduzir ao arquivamento ou absolvição dos processos dos amigos de Cavaco no BPN e dos amigos de Coelho, Portas e Marcelo no Banco e no Grupo Espírito Santo.
Em contrapartida, estando preso Sócrates, o caminho que fará a justiça é aquele que estamos a ver nos últimos quarenta e cinco dias: dos super-juizes, dos super-agentes e dos super-polícias brotam diariamente notícias de um processo que está, contra os interesses de Sócrates, em segredo de justiça e que vai alimentando um julgamento na praça pública, sem que o visado possa defender-se.
E quando Sócrates decide, muito justamente, informar a opinião pública de que, em mês e meio de prisão, jamais o agente Rosário ou o super-juiz Alexandre lhe apontaram um único facto ou lhe apresentaram uma única prova que pudessem sustentar a suspeita de prática de crimes de corrupção, de branqueamento de capitais ou de fraude fiscal agravada, logo começou a constar na imprensa de direita - o meio pelo qual é suposto que a justiça fará o seu caminho - que Sócrates violou o segredo de justiça… Ora, mas que inteligentes são estes super-polícias, super-agentes e super-juizes!... Afinal, o segredo de justiça, violado por Sócrates, consistiu em que o agente Rosário e o super-juiz Alexandre não tinham conseguido apresentar um único facto ou uma única prova que constituíssem indícios fortes da prática dolosa dos crimes presumidos pela acusação…
Ora, como se vê, o segredo de justiça, violado por Sócrates, era o de que Rosário e Alexandre tinham violado a lei.
Mas isso, todos os portugueses já suspeitavam, antes de Sócrates denunciá-los.
Interessa pouco aqui saber se Sócrates está ou não inocente, inocência que ele reclama para si; o que aqui interessa saber é se as leis constitucionais e penais portuguesas, designadamente os direitos fundamentais dos arguidos, estão ou não manifestamente a ser violados pela acusação e pelo tribunal de instrução, e que, nestas circunstâncias, o processo em que ficou arguido José Sócrates tem sido conduzido como um processo político da direita contra aquele ex-primeiro-ministro de um governo socialista.
Sob a batuta de Rosário, de Alexandre, da procuradoria-geral da República, dos agentes do ministério público e das autoridades judiciais, a justiça que temos hoje é uma justiça política de direita, a perseguir a esquerda, mesmo que essa esquerda seja meramente formal, como o é no caso de Sócrates.
Começou outra vez a haver em Portugal uma justiça de direita, com processos políticos de direita e presos políticos de esquerda.
Não é de admirar, pois eu próprio e mais quatro centenas e meia de camaradas meus, mesmo depois do 25 de Abril, também já fomos vítimas dessa justiça.
Essa é aliás mais uma razão para que me cumpra vir aqui denunciar a justiça dos super-agentes, super-juizes e super-polícias, no fundo tudo super-pides, que estão de regresso a Portugal.
Todos os democratas devem pois exigir a libertação de Sócrates e denunciar implacavelmente a justiça de direita que a direita deseja ser deixada a fazer o seu caminho.
A direita está a pretender julgar um primeiro-ministro na justiça da direita, pela política que prosseguiu enquanto esteve no governo.
Sou absolutamente contra esse sistema fascista dos juízes e dos agentes do ministério público a julgarem a política seguida pelos políticos. E, por isso, permito-me conclamar todos os democratas a exigirem a libertação imediata de José Sócrates.
De quem definitivamente não gosto!
Sócrates, sem prisão preventiva, deve, em liberdade, esperar a acusação e defender-se dela por todos os meios legais ao seu alcance. Nem Sócrates nem ninguém deve ser julgado na praça pública. Sócrates tem direito a um processo imparcial. E até agora não o tem tido. Rosário e Alexandre - super-agente e super-juiz de tipo fascista – devem ser sujeitos a julgamento pela deturpação a que dolosamente têm sujeitado os princípios constitucionais e penais que informam o processo do Caso Marquês. Sócrates - e eles, quando também forem julgados - têm direito a um processo justo e equitativo.
Sócrates, todavia, deve ser imediatamente libertado. Já!
Arnaldo Matos - PCTP/MRPP

domingo, 11 de janeiro de 2015

PASSOS COELHO - "O HOMEM SEM QUALIDADES"

Raquel Varela considera Passos Coelho a "figura do ano". Passos Coelho que ontem apadrinhou a eleição de Miguel Albuquerque como líder do PSD-Madeira.

sábado, 10 de janeiro de 2015

"RENOVAÇÃO"



Apenas fumo. Politicamente, o "novo" implica pessoas e uma ideologia. Ora, se as pessoas são as mesmas e seguem a mesma ideologia, logo não existe qualquer acto "renovador". Apenas fumo, repito.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

SINOS QUE TOCAM PERANTE A SURDEZ POLÍTICA


Só pode estar para sair uma solução que venha de encontro à esperança que muitos madeirenses e portosantenses alimentam. Faço por não acreditar que o estridente som que os sinos estão a provocar, não incomode todos quantos não sofrem de surdez política profunda. Os dias passam-se, os mesmos de sempre fazem, calmamente, a cama onde querem voltar a deitar-se e, do outro lado, a quem compete mostrar e demonstrar a força de uma alternativa, tudo parece calminho e sem perturbações. Só pode estar em curso, penso eu, uma mobilização espectacular junto da sociedade madeirense. Quero acreditar nisso e escrevo sem qualquer ponta de ironia. Só pode ser isso, pois ao pior momento de sempre do PSD-Madeira recuso-me aceitar que àquele corresponda o pior momento de sempre da oposição. Se assim não for, tal constituirá a maior derrota da sociedade madeirense e portosantense e dos respectivos partidos e movimentos que a enquadra.


A partir do dia 12 o governo regional entrará em gestão corrente até à tomada de posse do novo governo. Significa isto que a contagem decrescente, há muito iniciada, entrará, agora, em um ritmo alucinante. Pergunto, apenas, porque tarda a resposta política? Será estratégica? É que nunca vi nada assim!
Ilustração: Google Imagens.

OPERAÇÃO PORTUÁRIA: ALBUQUERQUE NÃO CLARIFICA. É O VIRA O DISCO E TOCA O MESMO!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

JARDIM, ALBUQUERQUE E O REGIME


Recebi uma resposta formal a um meu texto que pretendi publicar num “jornal da terra”. Condição determinante para ser publicado era expurgar do texto a expressão de que Jardim “serviu o fascismo e pertence à Madeira Velha desde os tempos que em muito antecederam a Revolução de Abril de 1974”. Segundo o Diretor daquele jornal tal configuraria um ataque pessoal que ofenderia o bom nome e reputação de Alberto João Jardim.


Ele que escreveu, durante anos, na “Voz da Madeira”, órgão oficial do regime fascista, onde afirmou ser contra a democracia e o voto universal, defendeu o colonialismo, a guerra colonial e a legitimidade do regime, ele que proferiu discursos de apoio servil a Salazar, apesar de todos os seus elogios à paz fascista e da aclamação a Marcelo Caetano, ainda há quem considere ofensivo dizer que Jardim serviu o fascismo.
Por este andar, não tarda a que apareçam discursos em defesa da reputação e boa fama de Miguel Albuquerque, pois que ele nunca pertenceu ao atual regime. Dir-se-á que ele foi dirigente regional e nacional do PSD, um dos pilares da política de direita e do atual regime, da Fundação Social Democrata, colunista do “Jornal da Madeira”… Alguns tentarão dizer que, afinal, Albuquerque até nunca terá sido do regime e é publicamente conhecido como um democrata, tal como me foi agora dito sobre Jardim em relação ao fascismo.
Assim farão, para que se salvem os interesses dos senhorios do iníquo regime dominante. Assim farão, no esforço por salvar a política da direita.
Mas, nem todos aceitarão o apagamento da memória e tamanha dissimulação da verdade histórica.
Ilustração: Google Imagens.
NOTA:
Artigo de opinião publicado na edição de ontem do DN-Madeira.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O "PAPEL" DA ESCOLA...


Li na página de FB de Maria Teresa Góis que partilhou um post de Maria Filomena:
Aluno do 9.º ano EB 2/3 - Espinho: O papel da escola na formação dos cidadãos. Resposta: O papel da escola eu axo que é igual a um papel qualquer de imprensa A4. E de certeza que é. Tem a mesma grossura e tudo. Agora se estão a falar, por exemplo, das folhas de Teste que é uma folha A3 duberada ao meio fazendo duas folhas A4, axo melhor que as folhas de teste sejam assim do que só uma folha A4, essas fichas que os professores dão são sempre folhas de formato A4 ou de formato A5 . Os testes As professoras metem sempre folhas de formato A4 mas quando são mais as professoras agrafam sempre as folhas e nunca fazem teste com folhas formato A5. Por isso eu axo que as folhas desta escola são iguais às das outras escolas ou de outras empresas.


Um texto destes dá muito que pensar. Não pelo facto de trazer algo de novo. Que o digam os professores de Português, por maior que seja o seu esforço no sentido de tornar a escrita dos alunos escorreita, compreensível e devidamente articulada. É evidente que não se deve generalizar, partindo do princípio que uma larga maioria dos alunos não consegue articular os vários elementos de um texto. Não é assim. Mas que existe um significativo défice na escrita, julgo que não sobejam dúvidas. Presumo que as lacunas advenham da falta de leitura e do exercício de escrever com muita frequência. 
Eu que não tenho formação académica na língua(s), pelos contactos que vou tendo com colegas e sobretudo pela experiência adquirida ao longo de muitos anos, julgo que se perde muito tempo com aspectos programáticos de somenos importância, tempo esse que deveria ser aproveitado para a leitura obrigatória e para o exercício da escrita. Humildemente, ressalvando a minha ignorância nesta área, defendo que é a partir da escrita que se chega à compreensão dos porquês gramaticais e não ao contrário. Mas esta é, apenas, uma posição que alimento. Se me perguntarem, hoje, a razão científica de um qualquer aspecto gramatical, não sei. Também, por convicção, escrevo no Português antes do famigerado Acordo Ortográfico. E julgo que estou certo.
Mas aquele texto traz à colação um outro défice: o da contextualização das palavras: o "papel" da escola e o "papel" onde se escreve. A incapacidade de contextualização penso estar também relacionada, entre outros factores a montante, com uma Escola que não desenvolve o sentido do discurso com coerência. O vocabulário é demasiado curto quando se aborda um jovem, ao qual se junta uma ausência de um conhecimento mais vasto que está muito para além do conhecimento do manual destinado a debitar no dia do teste. Falta alicerce a partir do qual se possam edificar os pilares do "conhecimento poderoso". Enfim, alguma coisa terá de mudar.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

NA POLÍTICA... E NÃO SÓ


Comecei a ler a edição de Inverno da Página da Educação. A páginas tantas um texto do Professor António Magalhães despertou-me a atenção. Começa assim: "Um amigo contou-me que à saída de uma conferência, sem saber bem qual a direcção do hotel em que estava instalado, viu duas pessoas que reconheceu como estando hospedadas no mesmo sítio. Caminhavam com um passo determinado e a sua segurança parecia reflectir o conhecimento do percurso; resolveu segui-los. Acontece que se perderam e, com eles, o meu amigo - nunca sigas alguém apenas porque parece que sabe para onde vai, concluiu ele. (...)"


Trata-se de uma síntese que se encaixa em múltiplas situações. Na política, por exemplo. Andam, por aí, a falar de um "novo ciclo", paradoxalmente, com um novo-velho protagonista que aposto não saber para onde vai. E vejo muitos a seguirem-no como se ele conhecesse, neste caso, o caminho do crescimento e do desenvolvimento. Quanto enganados estão! Perder-se-ão, certamente. Ora, quando não há mudança ou alterações significativas no molde, não é possível esperar outra peça que não igual à primeira. Pergunta-se: qual a sua ideologia? Em que princípios e valores se fundam os alicerces do seu pensamento político, económico, financeiro, social e cultural? Em que escola foi formado esse pensamento e quem foram os seus mestres? Que posições conhecidas sustentaram a sua práxis política ao longo dos últimos trinta anos?
Embora muito importante, não basta urbanidade. Na condução dos destinos de um povo, interessa perceber se o personagem é apenas um estratego político, ou se traz consigo uma sustentada ideologia susceptível de produzir confiança. Do meu ponto de vista, o molde que, como se sabe, é oco, só poderá facultar a forma do anterior. O pedestal pode ser diferente, mais vistoso, mais engalanado, mas todos identificarão as políticas com a anterior escultura. Por isso, "nunca sigas alguém apenas porque parece que sabe para onde vai".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 4 de janeiro de 2015

O MAIOR "CRIME" POLÍTICO DE ALBERTO JOÃO JARDIM


A dívida não sei se chegará a ser paga. Os que a ocasionaram duvido que alguma vez sejam responsabilizados, politicamente e até na Justiça. Somos assim, dizem, de "brandos costumes". No exercício da política poucas são as situações passíveis de serem consideradas crime. Foram eleitos de acordo com um programa, gastam em duvidosas prioridades e se não existirem provas de corrupção, fraude e toda aquela lengalenga dos Tribunais, ou continuam ou são substituídos por razões de manutenção da aparência. Ponto final. Temos presente a gigantesca operação designada por "Cuba Livre". Em que deu? Arquivado! Foi solicitada a abertura de instrução, é verdade, mas lá se passarão mais uns quantos anos e o resultado será, presumo, zero. Se, entretanto, não prescrever. É por múltiplas situações que se passam debaixo dos nossos olhos observadores, que qualquer cidadão olha para o quadro que se apresenta e tem sobejas razões para duvidar. E existe um outro "crime" que jamais será julgado, mas que foi cometido: o da estupidificação do povo, a sua intencional dependência, o medo, o pressuposto que se estiveres comigo, amanhã, beneficiarás de uma promoção, o controlo de um meio de comunicação social conducente ao embrutecimento, a ausência de autonomia das instituições, públicas e privadas, através de um processo subtil, manhoso e engendrado: "sejam autónomos nas decisões que já tomámos por vós", o bast-fond dos interesses económicos que só a História um dia descortinará, enfim, "em cúmulo jurídico" como soe dizer-se, estes "crimes" deveriam conduzir a uma pena máxima de afastamento do exercício da política, ditada em sentença aquando de qualquer acto eleitoral. 


Esse é o maior crime, porque não libertou a população nem a conduziu no sentido dos deveres e dos direitos e da liberdade responsável. O crime, não o de fazerem túneis viários, mas o de terem concretizado túneis nas cabeças do povo. Enquanto a outra dívida, a financeira, dizem que será paga, a dívida educativa libertadora e a dívida social, essas, marcarão a vida dos madeirenses e portosantenses durante larguíssimos anos. 
Obviamente que a Madeira regista personalidades de inquestionável valor em todos os sectores, áreas e domínios. Não é dessa excelente nata que falo. Esses andam por aí, trabalhando e emprestando qualidade, mas sem hipóteses de afirmação. Sempre que alguns tentaram exprimir a sua liberdade de pensamento foram espezinhados e ofendidos. São muitos os casos. Remeteram-se ao silêncio e a sociedade ficou mais pobre do ponto de vista do funcionamento da democracia e da construção do futuro. A própria Universidade, que sempre foi polo político, silenciou-se. De alto a baixo passou a falar baixinho! Esse é um quadro preocupante, obviamente. Mas, pior ainda são os outros, aqueles formatados nesta estúpida concepção de sociedade e com os quais se torna difícil ter um diálogo, porque deixaram a Escola demasiado cedo, porque a Escola foi mais livresca do que preparadora da descoberta, porque foram arredados para as margens, porque entraram no círculo vicioso da pobreza geradora de novos pobres, gente que não consegue cruzar a informação disponível e produzir as necessárias sínteses, pessoas que carregam as marcas da verdade única, enfim, falo desses muitos milhares sem voz ou com voz muito trémula. Falo desses que deveriam fazer a diferença e não fazem porque são dependentes. O "crime" está aí, porque a política funcionou como uma espiral de fora para dentro, condicionadora, e não como uma espiral de dentro para fora (do homem para o mundo), libertadora e capaz de suscitar pensamento estruturado. Para mim, são socialmente criminosos todos quantos condicionaram através da sua práxis política. Se, intencionalmente, o tempo o dirá. 
Esses, os responsáveis pelo "crime", surgem agora, pintados de fresco, com as cores de uma esperança salvadora, como se nada tivessem a ver com aquilo, melhor dizendo, com eles, quando lá estiveram de corpo e alma na grande tigela do regime. Foram anos consecutivos de vénias, de aprovações e de silêncios cúmplices, o que conduz a que qualquer pessoa atenta se interrogue: como é possível os mesmos serem alternativa política? O drama é, em tão pouco tempo, acordar o povo e fazê-lo acreditar que são possíveis novas políticas com outros actores. Os próximos dias são determinantes. 
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A OBRIGAÇÃO DE SER CLARIVIDENTE E DE DEIXAR DE OLHAR PARA O UMBIGO


Com eleições legislativas dentro de três meses, parece-me óbvio que a margem de manobra da oposição política regional é demasiado curta. Tantos alertaram, quando era possível, para a necessidade de contrapor, com pessoas e um programa, a previsível onda que as eleições internas no PSD-M iriam gerar. Nada aconteceu no que concerne ao contraponto forte e consistente à luta de galos entre aqueles que "venderam" a Autonomia e conduziram a Madeira à falência política e financeira. O PS alheou-se, fugiu a sete pés de umas primárias regionais, acreditando, penso eu, que o PSD sairia esfrangalhado dessa luta interna. Ignoraram o jardinismo enquanto polvo e que os interesses, pequenos ou grandes, tarde ou cedo voltariam a conjugar esforços, uma vez libertos do moribundo "chefe". Negou uma coligação abrangente e eclipsou-se da luta política alternativa. Um quadro face ao qual vou ser muito sincero: invade-me uma grande angústia política ao prever que o descalabro aconteça. Porque a questão não é ter um bom resultado, isso nem a mim nem à maioria da população para nada serve, mas uma vitória que altere o actual quadro político que vem, ininterruptamente, desde o século passado. Quem assim não vê apenas está a olhar para o seu umbigo e para a gestão de alguns lugares no hemiciclo da Assembleia. Defrauda, desta forma, a população e enterra a alternativa por mais uns largos anos. Restará saber por que razão o faz?


A margem de manobra é curta, repito, porque há uma dinâmica em curso dos mesmos de sempre, apostada em fazer esquecer o seu passado, os evidentes conluios e que alguma comunicação social aproveitou para potenciar. Por outro lado, sabe-se pela experiência e pela cultura que se enraizou, que as pessoas tendem a esquecer as lutas passadas, a pouca-vergonha, a governamentalização de todas as instituições, as ofensas e os erros estratégicos, centrando-se no presente. E que, tal como um qualquer novo produto do mercado comercial, no espaço político, são capazes de "comprar" o aparentemente novo se a figura demonstrar capacidade política e se o projecto tiver alguma credibilidade. 
Não é que a figura política que se apresenta pelo lado da continuidade reúna tais condições, bastará olhar para a situação em que foi deixada a cidade do Funchal, mas no vazio oposicionista, parece-me óbvio que o povo eleitor tenderá a votar no mal menor. O drama é esse, porque se corre o risco da história repetir-se, com umas pianolas de permeio, umas frases feitas e uma mudança de moscas para facultar a ideia que isto nada tem a ver com o passado. Mas tem e terá sempre, porque o jardinismo tem uma complexa mas evidente história de quarenta anos. Os vícios estão lá todos (os que se conhecem), as figuras são as mesmas e daí que os processos tendam a ser semelhantes. Perante isto, pergunto, o que fazer? Deixar andar? Julgo que não.
Embora o tempo escasseie há que ter respeito pelos eleitores. Por aqueles que apostaram na "mudança" nas últimas autárquicas, embora, aqui e ali, sejam sintomáticos alguns tiros nos pés que nada ajudam. Impõe-se, assim, que deixem de olhar para o umbigo, que tenham um momento de consciência e que abram espaço a uma alternativa abrangente, profundamente séria e liderada por alguém credível que possa acabar com um tempo que foi de massacre político, de omnipresença, de compadrio e medo, embora legitimado por regulares eleições. O PS da Madeira não pode ficar fechado na sua concha à espera de uma qualquer dádiva da população. As circunstâncias são tão graves que se pode estar na eminência de uma nova maioria absoluta de uma laranja que foi, continua e continuará a ser amarga. O PS-M, sozinho, não chega lá; o CDS-M pode ficar reduzido por força da imagem da coligação nacional (PSD/CDS) que se repercutiu na vida dos madeirenses e os restantes partidos, muito dificilmente consolidarão os seus eleitorados. Estarei errado? Presumo que não, embora respeite outras legítimas leituras partidárias.
Não é por acaso que o novo líder do PSD-M deseja eleições regionais o mais rapidamente possível. Ele quer fugir da onda das legislativas nacionais que poderá afectá-lo no plano eleitoral. É politicamente óbvio. Daí que nem José Manuel Rodrigues e muito menos Vítor Freitas tenham condições políticas para se imporem neste quadro absolutamente adverso. A bola, permitam-me a analogia, está nas mãos de Vítor Freitas. E neste aspecto só vejo uma saída possível: abandonar, rapidamente, a teimosia e procurar, com inteligência e humildade, uma saída para a situação, que possa conduzir os madeirenses a acreditarem, no pouco tempo que falta, que o novo ciclo de que se fala, não deve ser gerado a partir dos mesmos de sempre, mas a partir de um olhar sobre a sociedade, com novos protagonistas e programas, protagonistas oriundos das suas fileiras e com aqueles cujas qualidades técnicas e políticas a sociedade reconhece. 
Ilustração: Google Imagens.