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sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Cortesia e civilidade

 

Há qualquer coisa de esquisito no comportamento político do presidente do governo regional da Madeira. Ele é membro, por inerência, do Conselho de Estado e lidera o governo da Madeira, portanto, não só do ponto de vista político, mas também da cordialidade e respeito que devem nortear os detentores de funções da maior importância pública, as relações institucionais devem ser pautadas pela maior reverência e deferência. Sem hipocrisias, acrescento. A propósito dos recentes incêndios, perguntar "o que é que ele (Presidente da República) vem fazer?" e ao mesmo tempo dar a resposta, que o Chefe de Estado "não tem nada para ver" na ilha, e que é "só mato queimado", parece-me que atinge um grau de muito pouca cortesia e civilidade.



O Senhor Presidente da República desloca-se a qualquer ponto do país sem ter de ouvir seja quem for, embora a polidez institucional imponha um contacto prévio, até por razões protocolares. Estas situações deixa-me preocupado, pelo efeito negativo que produz junto da população, sobretudo na mais jovem. Parece que tudo é possível, que ser educado é coisa fora de época ou de prazo e que não existem graus de responsabilidade nos patamares da organização política.

Depois, queixamo-nos do aluno que é mal educado para com o professor ou que os filhos não respeitam os pais e avós. São anos e anos de atitudes muito pouco pensadas, de ofensas públicas que começam na Assembleia dos representantes do povo e se estende pelo discurso político de circunstância. O que podemos esperar, pergunto?

Ilustração: Google Imagens

segunda-feira, 25 de julho de 2022

O Estado da Região - Carta aberta


Por
Nuno Morna

Exmo. Sr. Presidente do
Governo Regional da Madeira



Esperando que se encontre tudo bem com a sua saúde e a dos seus, escrevo-lhe com toda a frontalidade, sobre vários assuntos que me mexem com a inteligência que, sendo pouca ou muita, é a que tenho. Como V. Exa. bem sabe, não me move qualquer questão pessoal, mas tão só o posicionamento político que tenho, de clara oposição ao seu governo.

Para muitos madeirenses, dos quais me excluo, V. Exa. representou esperança. Uma ruptura com o passado, mudando o paradigma do modo de fazer política, de nela estar, no modo de a viver. Repare que ali, num instante, mesmo no início até parecia ser o que íamos ter. Cordialidade, respeito pela diferença, procura de consensos. Sol de pouca dura.

Ouvi-o a falar no último debate mensal na Assembleia Regional. Tentei criar alguma empatia com o seu discurso. Tão marcante foi, que já nem me lembro sobre o que era. Fui-me concentrando e consegui chegar a uma espécie de Nirvana, onde só estávamos os dois. Fiquei por ali até que terminou de falar. Foi aí que me veio uma epifania: um de nós dois está errado. E pela primeira vez na vida tive a certeza de que não era eu.

Nos seus mandatos como Presidente do Governo, a cada quatro anos, penso que a coisa não pode piorar. Mas piora.

Nas últimas regionais, por um muito breve momento, pensei que V. Exa., e o seu partido, iriam ter que aprender a governar em minoria. O bem que isso vos faria. E a todos nós. O momento durou até a RTP passar para a sede do CDS e mostrar a festa que lá ia, por perderem milhares de votos e metade dos deputados, sobrando os suficientes para um casamento pecaminoso, contranatura. Aquilo não era uma sede partidária, era um prostíbulo.

Ao fim destes quase dois mandatos, os seus governos nada fizeram que proporcione desenvolvimento e criação de riqueza. A pandemia não serve como desculpa. Somos a região do país com maior risco de pobreza. Continua o predomínio da monocultura do turismo.

Em quase 8 anos teria tido mais do que tempo para avançar com o estudo e implementação de um sistema fiscal próprio de fiscalidade reduzida. Teve mais do que tempo de aplicar o que a lei já prevê, baixando todos os impostos em 30%.

Anunciou com pompa e circunstância o fim do PAEF, no final de 2015, mas manteve a canga sobre o pescoço dos contribuintes.

Mostrou um quero, mando e posso inaceitável durante a pandemia, pondo em causa as liberdades de cada um e “marimbando-se” para o que a constituição, mãe de todas as leis, determina. Tudo baseado em “achismos”, sem qualquer tipo de cientificidade. “Essa história dos direitos individuais é uma palermice”, lembra-se?

A agricultura empobrece quem a pratica e são cada vez mais os terrenos ao abandono.

Nas pescas, o panorama é tão mau, que me reservo para um escrito só sobre isso.

Manteve a estratégia, que vinha do seu antecessor, que tanto criticou, de manter a desigualdade económica para estabelecer uma base firme de apoio, baseada na dependência. As pessoas ficam agradecidas ao seu poder pífio, por este lhes dar o que é seu de direito. Isto é assim porque, infelizmente, muitos dependem do cabaz da Junta e/ou da Câmara, da Casa do Povo, dos subsídios do Estado, da habitação social. Desta amálgama que os convence da gratidão que têm de demonstrar, aderindo a valores impostos pela dependência, aceitando de cabeça baixa um código de hierarquia e visão de mundo, fruto de uma vil propaganda que os convence da caridade, da bondade de quem os aguenta pobres e sem perspectivas. Isto é socialismo.

Na educação, salvo raras e honrosas excepções, que se devem ao esforço das comunidades educativas (alunos, país, professores, funcionários), reina um vazio de ideias, um protagonismo autofágico.

Na saúde aumentaram as listas de espera em todas as valências. A pandemia não pode ser usada, outra vez, como desculpa. Não se pode fechar a saúde devido a uma doença. V. Exa. fê-lo.

Os apoios às empresas foram um poço de burocracia onde ainda, muitas delas, andam enroladas. A banca executou empréstimos que cumpriam critérios de fundo perdido, porque o Governo Regional, não lhes transpira confiança. Tanto assim é, que exigiram garantias pessoais aos empresários.

A região vive um enorme problema de drogas sintéticas que levará, no futuro, a uma geração de inúteis. Os números não mentem e os casos de saúde mental irreversíveis, internados em instituições, por causa destas drogas, são cada vez mais.

A “construção a custos controlados”, que V. Exa. pomposamente anuncia, só pode ser um gozo. Que raio de “custos controlados” são esses que apresentam preços correntes de mercado? Numa terra com um enorme déficit de equilíbrio populacional “achar” que a tipologia T1 dá para as pessoas iniciarem a sua vida, é de uma falta de sentido de governação a toda a prova.

Permita-me que lhe diga que “passear” pelas páginas das redes sociais do Governo Regional não difere em nada das páginas de um qualquer influencer, a debitar informação sobre produtos que promove. É triste, para não dizer ridículo.

V. Exa., como responsável máximo do Governo, permitiu que a administração pública se tivesse transformado numa verdadeira agência de emprego, onde prevalece o nepotismo, o amiguismo e os cartões partidários. A nomeação indiscriminada de pessoas sem qualificação para lugares de conselho técnico e a duvidosa qualidade dos dirigentes é prática corrente.

O seu Governo é forte com os fracos e agachado com os fortes. Os exemplos são mais que muitos, desde a palhaçada com o ferry, até ao pseudoacordo de operação do Porto do Caniçal, passando pela falta de fiscalização e acção na extração de inertes. Entre outros.

Já uma vez falei dos seus entusiasmos: o Toco, o Brava Valley, o Centro de Inteligência Artificial, as criptomoedas. E agora o túnel, o túnel que esventrará a cidade, com saídas para todos os lados. Deixou-se hiperpovoar uma zona do Funchal, sem acautelar a rede de entradas e saídas, e depois lá vem um entusiasmo que nunca será feito, mas que dará pano para mangas durante este aninho e picos que faltam para as regionais.

Ninguém tem responsabilidade por nada. É o inimigo externo, é o outro, é a natureza, são factores indeterminados, há sempre desculpa para tudo. V. Exa., e os que o rodeiam, nunca saberão o bem que sabe assumir o erro, aprendendo com isso.

Uma coisa lhe concedo, V. Exa. não é jardinista. Falta-lhe o empenho porque mais preguiçoso. Merece ser albuquerquista, que é um modo de estar na política com ar enfadado, falar de tudo “achando” sempre qualquer coisa, não fazer quase nada porque dá trabalho, e olhar para os outros com o desprezo de quem “acha” que tudo sabe. O Sr. Presidente, é um fruto de azar. Do azar que tivemos, e temos, em o ter como presidente. São muitos os caminhos trilhados pela falta de sorte. Alguns submetem-se-lhe e não reagem; outros conformam-se e alheiam-se; há mesmo os que encontram em variadas formas de misticismo a válvula de escape e o sossego da consciência; os que desesperam, vivem em estado de frustração negacionista; os invejosos arrastam-se na maledicência do entre boca; os que se humilham hipocritamente; a desconfiança tornou-se o centro de tudo, ninguém diz, nem faz nada, sem olhar por cima do ombro; os que o seguem cegamente, mergulham nas suas megalomanias entusiásticas esfregando-se histericamente; os vaidosos da proximidade babam-se com tanto conhecimento; e há os que vêem na mentira e no banditismo político o clímax do vale tudo até tirar olhos.


Muitas vezes os perdedores também ganham, e o Sr. Presidente é um perdedor que nos arrasta para o fundo. As suas, muito poucas, vitórias (a esmagadora maioria delas eleitorais), exprimem bem o dito: “de vitória em vitória, até à derrota final”. Energia tem V. Exa., mas aparenta deixar que esta seja devorada por uma enorme vaidade e por um inexplicável desprezo por quem não partilha consigo esse “brilhantismo”.

V. Exa., Sr. Presidente, é o gestor de um governo descompassado. Máquinas dessincronizadas, a destempo, engrenagens que não encaixam umas nas outras, levando a um resultado de soma zero. O que nos oferece é uma estatolatria digna de um vulgar socialismo, do qual é evidente o resultado.

Fique descansado, não tenho a ilusão de que vá mudar alguma coisa num futuro próximo, mas, ainda assim, permita-me a ousadia de um conselho: pense mais e “ache” menos.

Atenciosamente,
Nuno Morna

Ilustração: Google Imagens/Funchal Notícias

quinta-feira, 21 de abril de 2022

"Vale a pena estarmos integrados na República?"


Esta foi uma pergunta do Senhor Presidente do governo regional da Madeira (Dnotícias - edição de hoje). Trata-se de uma quase "proclamação oficial", que não tem nada de inocente, a poucas horas das comemorações do 25 de Abril. Mais do que uma proclamação, eu diria que se trata de uma provocação. Muitos já estão habituados a estes disparos de circunstância ao jeito daquele fraquinho que olha para o sujeito com quase dois metros e pede aos que o rodeiam que o agarrem, para não desfazer o seu putativo opositor. É um paleio com muitos anos e que volta e meia é metido a martelo no discurso político. Infelizmente!




Custa-me aceitar este tipo de exteriorização, desde logo, por quatro motivos: primeiro, porque o Senhor Presidente do governo é membro do Conselho de Estado e daí que, por todos os motivos, lhe sejam acrescidas as responsabilidades de contenção verbal; em segundo lugar, porque um político deve nortear a sua acção pelo diálogo saudavelmente teimoso nos vários dossiês, mas nos espaços próprios, de tal forma que da contraposição e contradição das ideias possa resultar caminhos de solução; em terceiro lugar, olhando para trás, a monumental dívida acumulada de seis mil milhões de euros (hoje cinco mil milhões, salvo erro), onde sobressai uma contabilidade paralela, que não concede margem para cantar de galo; em quarto lugar, finalmente, quando se questiona a possibilidade deste deixar de ser um espaço territorial português, o político deve assumir, com coragem, com que economia viveremos, quem suportará, por exemplo, a segurança social, todas as instituições de segurança, a Justiça, a Educação, a Saúde, enfim, tudo o que constitui, e bem, neste momento, responsabilidade do Estado.
Melhor seria o diálogo assertivo, olhos nos olhos, sem azedumes para consumo local, porque, pergunta-se, o que seria da Madeira, nos seus "mecanismos de desenvolvimento", se não fosse o Estado a que pertencemos e todas as negociações europeias em prol desta terra!
Ilustração: Google Imagens - Pin de Isabel Neves.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Assobia para o lado...


FACTO

"Não sou pressionável, não ando nervoso nem histérico (...) se querem um governante que ande ao sabor da opinião pública, não sou eu" - excerto das declarações públicas do Senhor Presidente do Governo Regional, a propósito de algumas petições oriundas, segundo o Dnotícias, de pais, encarregados de educação e dirigentes culturais.

COMENTÁRIO


Uns mais do que outros, dependendo das circunstâncias e dos interesses políticos em jogo, os poderes são sempre pressionáveis. Aliás, o lobismo, isto é, o trabalhinho de lóbi, de corredor, o exercício da influência que visa interferir, subtil e até descaradamente, nas decisões políticas, o que é senão um exercício de pressão? Por cá, a história de dezenas de anos, se fosse contada, com todos os pormenores, daria para um manual de venda assegurada. Portanto, seja qual for o contexto, aquelas são declarações para o exterior que, obviamente, não encontram sustentação na práxis política.

Por outro lado, na política é normal dizer-se que "o que parece é". Ora, o Senhor presidente do governo ao dizer que não é pressionável, pode estar a transmitir, exactamente, o contrário. Adiante.

Aliás, à luz dos princípios e dos valores democráticos, é fundamental que as lideranças políticas saibam escutar a voz que brota das manifestações populares, tenham ou não razão substantiva. Desvalorizá-las, menorizá-las não é próprio de um sistema (democrático) que apenas utiliza os eleitores no dia de eleições. E sendo assim, a uma liderança com credibilidade, compete-lhe, apenas, analisar e comunicar de forma persuasiva.

Nem de propósito. Ainda há pouco, de regresso a casa, ouvi o rapper Carlão no seu "Assobia para o Lado"... 

"(...) A maioria não está necessáriamente certa
Questiona o que te dizem, mantém-te alerta (...) 
(...) Não percas muito tempo a pensar no que vão dizer
Por aí, na dúvida sorri (...)" e... assobia para o lado!

Talvez esta seja a resposta que uma significativa parte da população dará. 
Finalmente, um líder não é um chefe. Para Katzenbach (1996) o líder é uma pessoa que pela sua palavra ou pelo seu exemplo pessoal, influencia os pensamentos, comportamentos e/ou sentimentos de um significativo número de pessoas".

Neste contexto, eu também "assobio para o lado" porque a mesma figura que aparece sentada à mesa, com todo o governo, para almoçar a tradicional sandes de carne de vinho e alhos, infringindo a regra do distanciamento social, é a mesma que ainda ontem declarou: "(Vi) situações perfeitamente absurdas de pessoas a tomar copos em bares, uns em cima dos outros". Katzenbach tem razão quando fala do "exemplo pessoal" como meio de "influenciar os pensamentos, COMPORTAMENTOS e/ou sentimentos de um significativo número de pessoas". 

Não se trata, pois, de "andar ao sabor da opinião pública", mas de ter comportamentos irrepreensíveis, saber escutar e saber decidir.

Há, pelo menos, seis constantes no exercício da liderança. Deixo aqui apenas uma: "todos os líderes devem construir e comunicar, convincentemente, uma história clara e persuasiva". Daquela forma, não, quem ouve a história acaba por "assobiar para o lado".

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Resistência?


FACTO

O Presidente do Governo Regional apontou o dedo ao PS, acusando o partido nacional de tentar "se manter a todo o custo no poder". Falou que a República trata "os madeirenses como portugueses de segunda" e que estamos "como no tempo da ditadura". Falou, ainda, de "mediocridade vigente" exclamou sobre a "gente a que estamos entregues" e sublinhou que, neste quadro, a Madeira "é resistência".

BREVE COMENTÁRIO

Do meu ponto de vista, há declarações que não ajudam nada. Podem até existir, aqui e ali, neste ou naquele dossiê, algumas razões de queixa, da mesma forma que, por aqui, muitos madeirenses, empresários ou não, apontam o dedo a esta governação. Há, até, quem fale de "donos da Autonomia" há quase meio século. Ademais, continuo a insistir, que este formato de actuação política, sempre mal disposto e agressivo, não abona nada em favor de soluções. Antes geram insanáveis clivagens.
Comparar a apregoada "Madeira Nova" com os comportamentos da ditatura Salazar/Caetano é da maior falta de rigor histórico. Parece-me ininteligível. Mas o pior é atirar para este governo da República, de querer manter o poder a todo o custo. O que dizer, então, do que por aqui se passa há 44 anos? Ambos os governos, o de lá e o de cá são legítimos, pois sufragados em eleições para o efeito. Mais. É tão legítimo a esquerda política governar na República, como é legítimo a direita política governar na Madeira. 
Lamentavelmente, sinto que estamos a afundar, se não nos delicados problemas da governação, pelo menos no discurso político. Discurso que já cansa. 
Ah, fique claro que nunca me senti português de segunda e jamais quero ser um madeirense apostado na independência da Madeira (o que significa a palavra "resistência" no contexto destas declarações?).
Ilustração: Google Imagens.



domingo, 21 de junho de 2020

Presidenciais de 2021


FACTO

A propósito de uma sondagem entre presumíveis candidatos à Presidência da República, o Dr. Miguel Albuquerque surge com, apenas, 2,5% das intenções de voto. Perante o alegado resultado, o seu comentário foi imediato: estou duplamente “bastante satisfeito” (...) sobretudo por ver “o candidato do regime”, Marcelo Rebelo de Sousa (69,6%), aquém do resultado alcançado por Mário Soares na reeleição para o cargo, em 1991, onde obteve 70,35% dos votos. (...) “Eu sem fazer nada tenho 2 e tal por cento e o candidato do regime não chega ao Dr. Soares depois de andar tanto tempo em propaganda balofa”, regozijou-se. (...) Mesmo andando “por aí todos os dias em propaganda, ainda não chegou à votação do Dr. Soares e pelos vistos penso que não vai chegar”, vaticinou. - Fonte dnotícias.

COMENTÁRIO

É óbvio que o Dr. Miguel Albuquerque tem toda a legitimidade para assumir uma candidatura. Não pode é esquecer-se que é presidente do governo regional e, por inerência, Conselheiro de Estado. E neste particular é-lhe exigida, política e socialmente, uma atitude sensata, serena e distante de qualquer sentido mais ou menos ofensivo. Choca-me quando atira, por exemplo, que "o candidato do regime não chega ao Dr. Soares depois de andar tanto tempo em propaganda balofa”. A expressão "propaganda balofa" traz no seu bojo uma intenção política mais vasta e desadequada quando a Madeira precisa, urgentemente, de paz institucional. Não precisa de mais guerra e de provocações sem sentido. A comparação com Mário Soares, associada à mensagem de que Marcelo é um "candidato do regime", para além de desadequadas, ofende a inteligência dos portugueses que são soberanos nas suas escolhas.
Isto preocupa-me, simplesmente porque nem a primeira figura do Estado merece respeito por parte de pessoas com responsabilidades políticas. Não estamos em campanha eleitoral, Dr. Miguel Albuquerque! Pergunto: como é que vai enfrentar o Presidente da República em uma próxima visita a Belém, por assuntos de natureza regional ou, então, no quadro de Conselheiro de Estado? Tais situações só prejudicam a Região, disso não tenho a menor dúvida, porque, independentemente de todos saberem separar as situações, a verdade é que "quem não se sente não é filho de boa gente". 
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

COM ESTE PALAVREADO A REGIÃO NÃO VAI LONGE


FACTO

"Albuquerque considera a entrevista de Costa um "rol de aldrabices". 
Fonte: DN-Madeira.

COMENTÁRIO


Com este palavreado a Região da Madeira não vai longe. Li a entrevista do Dr. António Costa, Primeiro-Ministro e Secretário-Geral do PS, concedida ao DN-Madeira. Por não possuir o total domínio dos dossiês, confesso que tinha algumas reservas na relação Região da Madeira-República, derivado do facto, também, de quase diariamente ser bombardeado com declarações no quadro do "inimigo externo", isto é, tudo o que está bem feito na Região a nós (governo) se deve; tudo o resto é consequência daqueles malvados da República! São já muitos anos a escutar esta musiquinha, enfadonha e repetitiva. Entretanto, o visado veio à Madeira, contou o outro lado da história, esclareceu várias situações, as quais não encaixam no habitual e truculento discurso regional. E zás, o que ele disse é um "rol de aldrabices".
Depois de ler a entrevista e de reler algumas passagens, vários dossiês, pelo menos para mim, ficaram mais claros, pois passei a dispor de um contraponto político. E neste interesse em conhecer tudo em pormenor, aguardei pela natural resposta política do governo regional. Esperava que ela constituísse um novo contraponto que me (nos) ajudasse a melhor decifrar os vários enquadramentos. De resto, era fundamental que assim fosse, tim-tim-por-tim-tim, com dados e argumentos consistentes. Poderia o governo realizar uma conferência de imprensa ou elaborar um comunicado, mas não, preferiu, à margem de uma inauguração, disparar mais com o fígado do que com a cabeça. A entrevista é um "rol de aldrabices", disse o presidente.
Ora bem, admitamos que o seu pensamento crítico por aí se enquadra. Só que a sua responsabilidade política implicaria que não entrasse pelo lado da ofensa, como se o seu interlocutor fosse "um espertalhão, um trapaceiro, um ladrão, um parasita, um velhaco, um oportunista, um patife, um burlista, um intrujão, um trambiqueiro, um explorador", eu sei lá, basta ir ao dicionário e verificar o significado de aldrabão. Quem pratica uma aldrabice é, naturalmente, um aldrabão. Certo? Com aquele palavreado a Região não vai longe. Perderá sempre e nunca se afirmará no quadro autonómico. 

Ora, o sentimento com que fiquei, até que outros dados sejam disponibilizados, é que o presidente do governo foi apanhado. Ou melhor, o seu governo. Normalmente, quando falham os argumentos, alguns partem para a ofensa. O que é grave quando se trata de pessoas que lideram instituições ao mais alto nível. Neste caso, ambos pertencem ao Conselho de Estado. Confirmou-se, desta feita, a "dupla personalidade" de que falava o secretário-geral do Partido Socialista. 
É claro que, no exercício da política, ninguém espera "abraços e beijos" entre concorrentes com bases ideológicas distintas. Porém, uma coisa é o direito ao pensamento livre e diferenciado, outra a má educação mesmo que à distância. Seja a quem for e porque motivos forem. Aliás, quem anda há muitos anos pela política deveria saber que o povo detesta a ofensa. Foi chão que poucas uvas deu! De que serviu, questiono, o tal "contencioso das autonomias"? Ainda não interiorizaram que o formato de fazer política ao longo de quarenta anos, pertence a um passado irrepetível. Hoje, esse povo exige decência e argumentos consistentes. Repito, com aquele palavreado a Região não vai longe. Exigir e não ser subserviente é uma coisa. Detesto quem ande com o "chapéu na mão". Outra bem diferente é ser agressivo. E isto é para ambos os lados da  barricada. Trata-se, no essencial, de uma questão de adultez política.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Quando um Conselheiro de Estado divide os portugueses entre bons e maus...

"(...) Veio tipo colónia, veio meia hora falar com uns patinhos como se nós fossemos todos uns atrasados mentais à espera das lições do senhor (...)", declarou, na "festa da cebola", o presidente do governo regional da Madeira. Referia-se à presença, na Região, do secretário-geral do Partido Socialista, Dr. António Costa. 


A frase é completamente desajustada e, diria mais, manifestamente ofensiva. Vou por partes. 
Quatro aspectos gostaria de salientar nesta breve reflexão. Primeiro, uma questão de vivência democrática, porque somos portugueses do Minho ao Corvo, os partidos políticos são nacionais e, nas eleições europeias elegem-se deputados de uma lista nacional. Em segundo lugar, uma questão de educação. Aquela declaração vai ao arrepio do exemplo que deveria partir de quem tem responsabilidades de governo. De que vale a escola tentar disseminar os princípios da tolerância (ONU) isto é, "o respeito, a aceitação e o apreço pela diversidade em todos os seus âmbitos", se um governante, com 24 palavrinhas destrói, completamente, a liberdade do próximo? Terceiro, o presidente do governo regional, por inerência, é Conselheiro de Estado, logo, uma figura que, no mínimo, deve assumir uma postura de união entre os portugueses, nunca a divisão entre bons e maus madeirenses, entre bons e maus portugueses. Quarto, sendo o presidente do governo regional um importante parceiro nas negociações políticas, com que à vontade se sentará à mesa, com o Primeiro-Ministro, para discutir os dossiês da governação, quando atira a pedra da ofensa em claro desrespeito institucional?
De facto, o senhor presidente do governo regional trata os insulanos como "se nós fossemos todos uns atrasados mentais". A cópia, eu diria fotocópia, é sempre de pior qualidade que o original. E se o original da ofensa gratuita teve um tempo, que cansou e fez despertar incómodos sem fim, a fotocópia revela-se, no plano político, muito pouco inteligente e desastrada. O povo vem dando mostras que já não vai nesse tipo de paleio. Aliás, julgo que toda a oposição na Madeira aplaudiu aquela declaração do presidente do governo regional. 
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 14 de maio de 2019

"A TECNOLOGIA É A SALVAÇÃO DA HUMANIDADE"


FACTO

Disse o Senhor presidente do governo regional da Madeira: "A tecnologia é a salvação da humanidade".

COMENTÁRIO


Não vou entrar pelo domínio das convicções religiosas, no que concerne à "salvação". Apenas quero situar-me na frase para dizer, logo à partida, que a humanidade não se "salvará" através do desenvolvimento tecnológico. As tecnologias constituem, apenas, importantes instrumentos ao serviço do Homem. Mas não é através delas que o Homem, vivendo em qualquer dos Continentes, caminhará no sentido do bem-estar e da felicidade. 
Dispor de um telemóvel, de um computador, de redes inter-planetárias ou de robôs, entre tantas ferramentas, não traz, implicitamente, no seu bojo, a tal "salvação da humanidade". No contexto político e do desenvolvimento, a tecnologia, que a todos nos aproximou e permitiu importantíssimas descobertas em variadíssimos sectores, simultaneamente, veio ditar que o Mundo precisa de uma nova ordem. Não é a tecnologia que irá contrariar os dados estatísticos que nos dizem que "os 26 mais ricos têm tanto dinheiro quanto a metade mais pobre da população mundial" e que de acordo com a Oxfam, ao longo de 2018, a riqueza dos mais ricos aumentou 12%, mas a dos mais pobres caiu 11%, alargando o fosso entre ricos e pobres". Não é a tecnologia que erradicará a pobreza, a ganância e a ambição de querer mais e mais. Não é a tecnologia que limitará o desejo de guerra, a conquista, o espezinhamento dos fortes sobre os mais fracos. Não é a tecnologia que impedirá actos de corrupção à escala internacional. Bem pelo contrário. Não é a tecnologia que afastará os homens da frustração e das depressões. Não é a tecnologia que irá esbater ou acabar com 100.000 exames, cirurgias e consultas em espera na Madeira (fonte: manchete do DN-Madeira de hoje). Não é a tecnologia que travará os 27,4% de pobres da Região. Podia ir por aí fora, com números locais, nacionais e internacionais em todos os sectores,áreas e domínios do desenvolvimento. 
A "salvação da humanidade" está então nessa nova ordem mundial, a qual, convicto estou, ser de solução muito difícil. A chave pode ser complexa, é certo, mas a utopia deve-nos acompanhar, enquanto processo, enquanto caminho a seguir. E o Senhor presidente deveria saber isso. Que a tecnologia corresponde ao natural desenvolvimento da ciência, repito, com expressão em tantos domínios, mas que tem sido aproveitada, não para a "salvação", isto é, para a existência de novos equilíbrios, mas para que "1% da população domine 80% da riqueza mundial" (fonte: Observador - relatório de 2017).
Ilustração: DN-Madeira

terça-feira, 12 de março de 2019

70.000 MADEIRENSES NÃO ESTÃO BEM!


Enalteceu o presidente do governo regional da Madeira: (...) "Nunca o homem viveu tão bem, tanto tempo e nunca os sintomas de pobreza, de discriminação, de abandono, de sofrimento foram tão baixos".


Esta declaração tem muito que se lhe diga. Desde logo, é evidente, no tempo de D. Afonso Henriques era extremamente complexa a vida comparada com os dias de hoje; por aí fora, já no tempo que a nossa memória alcança, no na ditadura Salazar/Caetano, a todos os níveis, a vida foi insuportável; e, ainda, tendo em consideração memórias mais recentes, nos tempos da última "troika", que o digam os portugueses em geral o que foram as agruras da vida, que conduziram a altas taxas de desemprego, pobreza e emigração forçada. À letra ou, superficialmente, aquela declaração, em abstracto, sem ter em consideração inúmeras variáveis, até parece verdadeira, só que, ela tem de ser analisada à luz das épocas e dos contextos económicos, financeiros, sociais e culturais. Daí que, a frase tenha tanto de aparência verdadeira como de totalmente falsa.
Basta que tenhamos presente os indicadores de pobreza. Em Novembro de 2018, o Instituto Nacional de Estatística dava conta que a Madeira e os Açores eram as regiões do país com valores mais elevados de risco de pobreza, nomeadamente 27,4% para a Madeira e 31,5% para os Açores. Segundo o padrão adoptado pelo INE, a taxa de risco de pobreza correspondia, em 2017, à proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos (por adulto equivalente) inferiores a 5.610 euros anuais (468 euros por mês). Fonte - Lusa/DN-Madeira/30 de Novembro. Estudos anteriores, da responsabilidade do Doutor Alfredo Bruto da Costa (1938/2016), apontavam para cerca de 30% de pobreza na Região. Portanto, as taxas estão em linha, com uma variação que fica a depender da metodologia adoptada. 
Este indicador de pobreza deveria conduzir o presidente do governo a uma moderação nas palavras, contextualizando-as, porque está ligada, de facto, à "discriminação, ao abandono e ao sofrimento". Uma coisa é o papel de celofane e o laço, outra o conteúdo estragado do chocolate! Aqueles 27,4% significam que cerca de 70.000 madeirenses não estão bem. Aliás, um outro estudo sobre a "Desigualdade Económica em Portugal, realizado pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, considerava a Região da Madeira como "a mais pobre". 
As evidências não devem ser ignoradas. Há desigualdades gritantes e assimetrias indisfarçáveis que não devem ser escamoteadas, sob pena de algumas declarações políticas de circunstância não poderem ser consideradas sérias. O facto de uma pessoa, por exemplo, estar entre os 30 mais ricos de Portugal (ver lista na revista Sábado, 20.09.2018), esse indivíduo não pode tomar o todo pela parte. É óbvio.
E se as palavras do presidente do governo regional, porque fala do Homem, têm uma abrangência planetária, também não é correcto, no tempo que estamos a viver, assumir aquela declaração, simplesmente porque os indicadores dizem-nos que os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. "(...) Os 26 mais ricos têm tanto dinheiro quanto a metade mais pobre da população mundial. De acordo com a Oxfam, ao longo de 2018, a riqueza dos mais ricos aumentou 12%, mas a dos mais pobres caiu 11%, alargando o fosso entre ricos e pobres" - Fonte Público, 21.01.2019. 
Socorro-me, finalmente, do Papa Francisco que exortou a que se ouça o grito dos pobres, "cada dia mais forte, mas também menos escutado, sufocado pelo barulho de alguns ricos". Concluo, então, que o bom senso aconselharia que o Senhor presidente do governo regional dissesse que, apesar de terem sido feitos inegáveis progressos, na ciência (esperança de vida, por exemplo) e em muitos sectores, a verdade é que temos, ainda, um longo caminho a percorrer na dignificação dos direitos do ser humano.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 26 de janeiro de 2019

O exemplo vem de cima... FALSO!


Tudo ou quase tudo sobre como educar tem a família como elemento indispensável. É ali, desde o nascimento, que se inicia o processo de aculturação, isto é, de acordo com todos os estímulos, o novo membro acultura-se na cultura dos pais. Ele é recebido em uma determinada cultura, paulatinamente, entra em contacto com ela e vai interiorizando essa cultura. Pierre Bourdieu fala do conceito de "habitus" que não é muito diferente do conceito "código" apresentado por Bernstein. Uma criança nasce e, desde logo, fica inserida em um processo de sociabilização, isto é, à medida que  se vai apercebendo do mundo, vai também captando o que é que as outras pessoas esperam dela. Sociabiliza-se. Existe, aqui, uma inculturação, que possibilita conhecer as normas. De início, não entra, obviamente, nesse jogo, mas aos poucos interioriza os comportamentos que os outros esperam dela. 


Interiorizam as tais normas, os princípios, os valores, entre muitas, as maneiras de falar e de sentir. Já Bernstein partiu para este estudo no quadro de um conceito sócio-linguístico. Daí o "código" como elemento de decifração. Fico por aqui, porque, o que aqui me traz, não são os estudos nesta área, mas a família como elemento fundamental de um ser com uma educação assente, no mínimo, em princípios e valores.
Quem entra em uma escola reconhece que há um longo caminho a percorrer de sociabilização a montante da própria escola. E não é o factor pobreza, de per si, que influencia, negativa e determinantemente, tantos e sensíveis comportamentos inadequados. Conhecemos pessoas que, sendo pobres, evidenciam uma postura irrepreensível. Mas há uma sociabilização que tem sido descurada, um "habitus" que não existe, daí, na esteira de Bourdieu, a sua inexistência provoca que as disposições não sejam duráveis, porque não foram, até inconscientemente, interiorizadas as experiências vividas. Dir-se-á que não existe uma matriz de suporte que venha a integrar todas as experiências futuras. E isto acaba por ser determinante a todos os níveis. Quando esta interiorização falha, no seio da família, nem a escola pode suprir tais carências. Pode atenuar, é certo, mas não resolve. Mas vamos ao que interessa.
No DN-Madeira de ontem li duas frases que deixam qualquer pessoa inquieta:

"Marcelo está preocupado em andar a passear de camião 
   e a fazer jogos de bastidores para ser reeleito" 

"É tempo de tomar uma posição sobre esta pouca-vergonha. Nós votámos 
para o Presidente da República, não para tirar selfies"  

Não vou aqui referenciar os respectivos autores, mas são da mais alta hierarquia política do governo e da Assembleia. Frases que formam nódoas que só saem com benzina, parafraseando Eça. Ininteligível. Nem o Senhor Presidente da República escapa a esta desonra, vexame, eu diria, insulto público. É que não se trata do amigo do lado e de gabinete, de um desabafo feito dentro de paredes, mas um ultraje público ao mais alto Magistrado da Nação. Mesmo considerando razões de queixa (!), convenhamos que não é assim que, democraticamente, se exprime a discordância. O Sociólogo Pierre Bourdieu (1930/2002) tinha razão e, pena minha, nem a família, nem a escola, nem os políticos eleitos ajudam a resolver o problema das normas segundo as quais a nossa matriz comportamental se estrutura. O que fazer?
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 2 de dezembro de 2018

DELÍRIOS POLÍTICOS


"A Autonomia não é algo que seja irreversível" (...) a nossa Autonomia está sempre sob ameaça porque vocês vivem num Estado que é centralista que quer voltar a mandar na Madeira". Palavras do presidente do governo da Madeira, dirigida aos alunos na Escola Secundária Bispo D. Manuel Ferreira Cabral, em Santana.


Este é o síndrome que explica desnorte, não ter nada de importante para dizer, fraqueza política, superficialidade, seguidismo passadista, concomitantemente, a manutenção daquela falida ideia que tenta espalhar o medo junto da população. Os inimigos de lá que andam sempre à espreita de tramar a Madeira, são capazes, até, a  qualquer momento, de rasgar a Constituição da República para garantir a hegemonia do Estado! Ora, isto não tem qualquer sentido e acaba por ser muito grave quando dito frente a jovens em formação. Mas a música é sempre a mesma, aprenderam-na e repetem-na, com um coro afinado (tem dias) que vem falar,  através de alguns "historiadores do reino", das centenas de anos de secundarização dos insulanos. Foi, mas já não é assim. Aliás, quem anda sempre a olhar para o passado não tem nada para oferecer para o futuro. Do meu ponto de vista, é perda de tempo desenterrar tais períodos, alguns muito cinzentos, porque os contextos e as realidades actuais são sobremaneira diferentes. As regiões são autónomas, dispõem de órgãos de governo próprio, existe um povo (600.000 nas duas regiões e muito mais do que isso nas comunidades) e existe um permanente escrutínio de vários partidos políticos e da comunicação social, para além do Presidente da República e das instituições europeias. Logo, é gratuito dizer que a Autonomia é reversível. Nem que a República virasse Monarquia, tal a simpatia já demonstrada pelo presidente do governo!
O presidente do governo deveria centrar-se na governação, afastar tais espantalhos e explicar aos jovens a Região que somos, os graves erros cometidos ao longo de 40 anos e a responsabilidade que todos os jovens têm no sentido de criarmos uma terra onde, no futuro, exista mais justiça do que direitos. Deveria ter explicado as razões da colossal dívida contraída, a necessidade de todos trabalharem no sentido de superar as desigualdades sociais e a pobreza que atinge quase 30% da população (vide edição de ontem do DN-Madeira, página 3, que explica que a Madeira tem mais 10% em risco de pobreza que a média nacional), taxa em linha com os estudos do falecido Professor Doutor Alfredo Bruto da Costa que foi um dos grandes especialistas mundiais nos estudos sobre a pobreza. E deveria ter aproveitado aquele momento para dizer aos estudantes que existe uma relação directa entre a formação académica e a pobreza. Tudo o resto são delírios políticos.
Ilustração: Google Imagens.  

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O ININTELIGÍVEL PRESIDENTE DO GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA


No plano político, cada vez mais, qualquer personagem com responsabilidades, mesmo os menos bem preparados, quando falam, devem ter noção do ricochete das palavras. É básico. No essencial, devem questionar-se, que fragilidades apresento susceptíveis de ser vítima das palavras ditas. É sinal de vulnerabilidade política, não sei se por uma angústia acumulada devido à pressão, não ter noção do escrutínio que a todo o momento é feito. Em circunstância alguma, por exemplo, um político deve dizer que estamos "preparados" para o Leslie ou outro qualquer furacão, antes ser, apenas, porta-voz dos relatórios fornecidos pelos especialistas da protecção civil. Por mais que seja feito, basta um olhar atento para as imagens devastadoras, ninguém está "preparado" para a violência de um furacão mesmo que o seu grau seja dos mais baixos. Da mesma forma, um político com responsabilidades de governo, sob pena de cair no ridículo, a propósito da recente remodelação ministerial na República, sobre a Saúde, diga que o País estava em uma "situação insustentável". É um tiro que vai, bate e faz um ricochete de morte. 

Das duas, uma, ou se trata de palavreado insensato ou julga que as pessoas são parvas, ou, ainda, estão no tempo que o povo engolia tudo o que vinha dos senhores e dos vários púlpitos! Passaram-se mais de quarenta anos, a comunicação social tornou-se mais profissional, as redes sociais multiplicaram a informação que cai em catadupa nos suportes tecnológicos a uma velocidade estonteante, mas ainda há quem pense que se a estratégia de ontem resultou no plano político, ela continuará a proporcionar os resultados eleitorais que desejam. Infantilidade.
Deixo o Leslie, porque já passou sem deixar marcas preocupantes, e fixo-me no sistema de saúde que não nos larga da mão. A "situação insustentável", com o dedo acusador à República, corresponde, mais ou menos, ao "roto a rir-se do esfarrapado". Não está aqui em causa o que de muito bom se faz, cá e lá, na concretização do direito constitucional à saúde, não está em causa, muitas vezes, o trabalho notável de todos os seus agentes que, com escassos recursos, respondem de forma eficaz. Está em causa, sim, a história do cobertor, que se mostra sempre curto quando abafa o pescoço e destapa os pés ou vice-versa! E aí, independentemente, da inversão de prioridades que, historicamente, o governo regional tem como marca de governação e, ainda, ser bem diferente, as necessidades para dez milhões comparativamente a uma população de 250.000 pessoas, mandaria a prudência, o respeito e sobretudo o saber-se olhar ao espelho, que se há sectores onde o governo regional AUTÓNOMO deveria estar caladinho, um deles é, exactamente, o da saúde. Em termos organizacionais e de prioridades a Madeira não é exemplo. E tanto assim é que, lá, mudaram um ministro, aqui, em três anos, mudaram três vezes de titular da pasta da saúde. E apesar disso os problemas continuam. A história do novo hospital, de lamentáveis avanços e recuos, tem dezoito anos e não é a questão central. Há muito e muito mais no interior do sistema. Ainda hoje o DN-Madeira dá conta que a "farmácia do hospital regista 37% da lista de artigos/medicamentos em falta. Isto é, faltam cerca de 900 em um universo de que se aproxima dos 2.500". Esta é uma fragilidade, quando se observa uma vaga gigantesca de subsídios e de obras em claro desrespeito pelas prioridades estruturais. E lá é que a "situação é insustentável". Sinceramente, já não há pachorra para suportar este tipo de política, como se o povo fosse uma cambada de mentecaptos. É o dizer mal por dizer, sem olhar às consequências das palavras.
Ilustração: DN-Madeira - 1ª página da edição de hoje.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

"VENDILHÕES"? QUEM SÃO? ONDE ESTÁ A "TRAMPA"?


Quarenta e dois anos depois, escutar uma intervenção daquelas, é de sentir pena. É o tipo de discurso político que exprime decadência, pela falta de conteúdo, pelo tom exageradamente comicieiro, de quem já nada tem para transmitir, sobretudo pelas palavras ditas, completamente ofensivas da dignidade das pessoas. É difícil entender, depois de tantos anos, que alguns políticos considerem mais de metade dos seus conterrâneos, burros, gente acéfala, enfim, pessoas que são "vendilhões da autonomia". É triste ver o ponto que o exercício da política chegou. Já não existe classificação possível para tanto disparate intencionalmente cometido. São todos santinhos de altar, os outros uns diabinhos...


"De um lado estamos nós, os autonomistas sociais-democratas, aqueles que desenvolveram a Madeira no passado e que continuam a desenvolver a Madeira no presente, aqueles que põem a Madeira acima do partido, a Madeira acima dos nossos egos, a Madeira acima de tudo" (...) do outro lado, "estão os comunistas e os socialistas feitos com o centralismo de Lisboa, os vendilhões da autonomia". Pela síntese do discurso, de uma assentada, a Madeira ficou (continua) dividida entre bons e maus, entre honestos e desonestos, credíveis e desacreditados, os bem-vindos e os desprezíveis, os que trabalham e os que nada fazem. É inaceitável que jovens e menos jovens, oiçam declarações chocantes da boca do presidente do governo. Quando se trata o adversário político, por exemplo, de "socialistas da trampa", pergunto se esta linguagem pertence a pessoas defensoras da dignidade dos outros e que se respeitam a si próprias? Ainda por cima, quando nutrem simpatia pelo movimento monárquico, pelo que sei, educadas para princípios, valores e relacionamento como povo distintivos, relativamente aos outros regimes -  assumem os defensores da "causa real". A não ser que se julgue possuidor de poder absoluto e faça uma distinção entre o povo e a nobreza. 
Ora, os madeirenses que têm uma opinião diferente não "cantam para enganar", não se opõem às políticas para "chegar ao poder" (...) "para entregar os méritos dos madeirenses a Lisboa e isto voltar para o passado e ser o Terreiro do Paço a mandar na Madeira". Têm , apenas, uma opinião diferente porque são DEMOCRATAS e a Constituição da República assim lhes permite. Aliás, sei que incomoda, mas têm o direito de perguntar quem foram, em concreto, na Região Autónoma, os "vendilhões da Autonomia"? Quem gerou uma situação de gravíssimo desequilíbrio financeiro que todos estamos a pagar? Foram os "socialistas da trampa", os comunistas, os democratas-cristãos, todos os restantes partidos de oposição, ou aqueles que estão no poder, ininterruptamente, há 42 anos? Seja como for, o que está aqui em causa é a linguagem. E essa é imperdoável. 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

DISFUNCIONALIDADES DO ESTADO VS DISFUNCIONALIDADES DA REGIÃO


FACTO

"A questão da mobilidade aérea é uma questão que urge resolver por parte do Estado dentro das suas obrigações constitucionais" (...) a minha obrigação é a de "remeter para quem de direito a solução do problema das disfuncionalidades do Estado" (...) "Enquanto eu for Presidente do Governo, nós não vamos assumir nunca a limitação do princípio da continuidade territorial dos madeirenses e porto-santenses (...) Não vão ser os madeirenses e os porto-santenses que vão pagar do seu bolso as disfuncionalidades do Estado". Fonte: DN-Madeira.


COMENTÁRIO

O Senhor presidente do governo regional da Madeira parece irritado. Quase todos os dias dispara, de semblante carregado, como se todo o mundo estivesse contra ele. Esquisito? Não, não é. Talvez esteja perturbado com o "negócio" da governação. É difícil, pois é, quando o passado pesa, e de que maneira! Ora, naquelas declarações, excluindo o direito constitucional da "continuidade territorial", inalienável, sublinho, porque somos tão portugueses quantos os que vivem no espaço continental, existem várias questões que se colocam. Desde logo, quem negociou a última portaria sobre a mobilidade aérea? Quem a aceitou? Quem enalteceu as virtudes de tal disposição, (quando tantas vozes se levantaram), inclusive, quem salientou que os "madeirenses nunca viajaram tanto a preços tão baratos"? Se esse tem sido o discurso da maioria, para quê tanta vozearia?
As incoerências discursivas são, portanto, evidentes, para não falar da novela hospital, pelo que me parece, então, muito pouco assertivo o presidente falar das disfuncionalidades do Estado. Que existem, obviamente. Ademais, por aqui, pergunto, quantas disfuncionalidades abundam em todos os sectores e áreas da governação? Depois, a função de presidente de um governo AUTÓNOMO é muito maior que a de simples "sinaleiro". Não basta "remeter para quem de direito", mas a de antecipar os problemas e a de os resolver. Certo estou eu que não se resolve com má disposição e com fúrias descredibilizadoras, seguindo as mesmíssimas linhas do histórico combate por palavras que, se nunca resolveram, hoje, pior ainda. Vivemos tempos de vacas magras, pelo que só através do diálogo institucional, sem chapéu na mão, convém salientar, é possível ultrapassar os graves desequilíbrios criados ao longo de quatro décadas.
Isto não significa capitulação perante os direitos constitucionais, ausência de reivindicação, cumprimento de acordos e defesa da Autonomia, difícil é aceitar o discurso de tom ofensivo, como se do outro lado estivessem os malandros e aqui os anjos imaculados! Tenha o presidente do governo presente os reconhecidos disparates por opções políticas erradas, as megalomanias, a dimensão institucional de uma região, pobre e assimétrica, equivalente a um Estado dentro do Estado, o dinheiro que por aí se esvai, os grupos económicos muito pouco sadios e transparentes, a teia de cumplicidades e a incapacidade de dizer não, a inversão das prioridades estruturais, ora tudo isto merece adequada reflexão, não sendo com paleio político superficial, cara de poucos amigos e "chutando para as bananeiras" que os problemas se resolvem. Aliás, a atitude que vem sendo seguida, de forma insistente e concertada, apenas denuncia descontrolo, aflição, angústia, pouca segurança e sobretudo esperança. E na política, a melhor defesa dos interesses de todos, nunca é o ataque! Até porque os madeirenses e os porto-santenses desde há muito estão a pagar do seu bolso as disfuncionalidades da Região.
Ilustração: Arquivo próprio.

sábado, 12 de maio de 2018

O PRESIDENTE DO GOVERNO DA MADEIRA ADEPTO DA VIA TOTALITÁRIA



FACTO

Título da primeira página do DN-Madeira: "Governo manda executar Câmara do Funchal em 15 milhões". Causa (em síntese): existe um contencioso, de longa data, em curso na via judicial, que opõe a Câmara do Funchal à empresa Águas e Resíduos da Madeira (ARM). Desde o tempo do Dr. Miguel Albuquerque, que, enquanto presidente da autarquia, fez, e julgo que bem, clara oposição às taxas praticadas. No seu tempo, consta (ver DN), que o Dr. Miguel Albuquerque deixou a dívida crescer até aos 30 milhões de euros à Valor Ambiente (IGA), hoje, Águas e Resíduos da Madeira (ARM).

COMENTÁRIO

Fui, durante doze anos, vereador da Câmara do Funchal no tempo do Dr. Miguel Albuquerque. Conheço essas lutas. Sei quantas instituições públicas deviam e continuam a dever à autarquia pelo fornecimento de serviços. Por exemplo, hospitais, centros de saúde, estabelecimentos de educação e ensino, entre muitos outros, sempre deveram elevados montantes. Por outro lado, enquanto a Câmara sempre foi tolerante com as dívidas do governo, porque se tratavam de serviços muito complexos, no caso dos munícipes, qualquer atraso foi sempre penalizado. 
Entretanto, o Dr. Miguel Albuquerque venceu as eleições legislativas e, consequência disso, tornou-se presidente do governo. Foi o quanto baste para se esquecer da administração por onde passou e dos dossiês face aos quais manteve aceso combate. Daí que, o mesmo que ajudou a criar uma dívida é, agora, o mesmo que mexe todos os cordelinhos judiciais no sentido de bloquear o funcionamento da principal autarquia da Madeira. Seguir-se-á, certamente, Santa Cruz e Machico!
Quinze milhões são suficientes para colocar em causa todo o funcionamento da autarquia, inclusive, os salários. Isto não é uma brincadeira de Carnaval!
Os leitores que me perdoem a expressão, mas estou-me nas tintas para as angústias em redor das próximas legislativas regionais, sobre quem serão os protagonistas, se o povo vai votar assim ou assado, porém, já não fico indiferente quando, uma atitude tresloucada, coloca em causa o normal funcionamento das instituições de serviço público.

PERGUNTAS

Primeira: Em uma Região tão pequenina farão algum sentido estas lutas intestinas? 
Segunda: Quais as razões que movem e de que padece politicamente o presidente do governo para no passado ter tido a atitude x e, hoje, a atitude y?
Terceira: Já agora, enquanto ex-presidente da Câmara do Funchal, tendo beneficiado de muitos milhões de euros, através de contratos-programa com o governo do Dr. Alberto João Jardim, facto que lhe permitiu a realização de algumas obras, porque não os assina com o Funchal? Porque prefere bloquear o seu funcionamento?
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

CONTRADIÇÕES


FACTO

O presidente do governo regional, Dr. Miguel Albuquerque, referiu que, na próxima época "desportiva", irá reforçar os valores canalizados para o futebol profissional da Madeira. 
Sensivelmente na mesma data, no decorrer da cerimónia dos 30 anos da UMa, o senhor reitor da Universidade da Madeira, Doutor José Carmo, disse que era “fundamental” o Governo Regional e as autarquias apoiarem a instituição “sem complexos”, em um momento em que os gastos se situam nos 17,5 milhões de euros anuais. Simplesmente porque, as consequências do trabalho da instituição na região é “inegável” e com “reflexos imediatos” ao nível social e na preparação dos jovens.

COMENTÁRIO

Sei, todos sabemos, das dificuldades orçamentais da Região para resolver problemas de uma indiscutível premência. Sendo certo que o recurso financeiro é sempre escasso e que o futuro colectivo depende de um rigoroso investimento na formação académica.

PERGUNTAS

As questões que se colocam, entre outras, é a de saber se as Sociedades Anónimas Desportivas (SAD's), devem ou não ser vistas como qualquer outra empresa de qualquer ramo? O que justifica as diferenças de tratamento? Concomitantemente, da formação de base à universitária, onde deverá residir a prioridade em uma Região com um défice a esse nível?
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 13 de março de 2018

SE ISTO NÃO É UM CONCERTO, ENTÃO CONSERTEM-SE!


Hoje li um artigo de opinião e duas peças jornalísticas politicamente concertadas. No cruzamento dos três articulados ficou-me a ideia que se exprime em uma só palavra: medo. Medo das próximas eleições legislativas regionais. Por um lado, o presidente do governo diz existir "um cerco à Madeira"; por outro, a deputada Sara Madruga sublinha que "Costa e o governo das esquerdas unidas continuam a fazer de conta que vão resolver (...)" os problemas da Madeira; finalmente, o articulista, ex-secretário da Economia e actual deputado na ALRAM, Eduardo Jesus, vai no mesmo sentido: "(...) hoje, mais do que nunca, é gritante a dificuldade da portugalidade neste espaço atlântico (...) A República ignora a Madeira e os madeirenses. Usa-os a seu belo prazer (...) ignorando todo o esforço concretizado na recuperação das contas públicas (...)". Eu diria que se tratou de concerto dissonante com a realidade.

De tempos em tempos, perdidos nas teias da governação, há figuras que demonstram não ter unhas para a guitarra ou melhor, para este piano! E vai daí o choramingar de sempre, o discurso que empurra para outros os problemas que lhes compete resolver, aliás, como se esta não fosse uma região Autónoma, dotada de Estatuto Político-Administrativo próprio, com uma Assembleia Legislativa própria, um governo próprio e um orçamento próprio. Tudo é esquecido e, assim, toca a chutar para longe a bola dos problemas da governação, massacrando a consciência da população de tal forma que, pela ruidosa repetição, suscite a dúvida sobre a incapacidade de quem assumiu a responsabilidade de governar. Há anos que a mesma música toca nos momentos de alegado aperto ou de aproximação de eleições. Tem dias de auto-elogio, em outros, surge o ataque desengonçado. Tenho o pressentimento, a avaliar pelos resultados eleitorais e pelos estudos de opinião publicados, que uma larga percentagem da população já conhece a letra de cor e a melodia. 
"Cerco à Madeira", pergunto, em que contextos? Qual é o problema de existir um acordo político à esquerda? Não será tão legítimo quanto um acordo à direita? Terá algum fundamento dizer que este governo "faz de conta" que governa, quando todos os indicadores são, até agora, extremamente favoráveis, reconhecidos na Europa, nomeadamente, na taxa de desemprego, nas exportações, no crescimento económico, no pagamento da dívida e na devolução de rendimentos extorquidos aos portugueses? Será mentira que essas políticas da República influenciaram, positivamente, e de que maneira (!) alguns indicadores regionais? Onde está o badalado cerco, no pressuposto que a República ignora a Madeira e que usa os madeirenses? Não sinto tais constrangimentos. Vi-os, sim, no tempo de Passos Coelho/Paulo Portas, no insuportável aumento de impostos, no roubo perpetrado desde trabalhadores até aos aposentados, na emigração forçada, nas altas taxas de desemprego, por aqui, na colossal dívida escondida pelo governo da Madeira, no monumental desequilíbrio das contas das autarquias, nas obras megalómanas, na "perseguição" ou na ofensa feita a muitos que vivem ou escolheram a Madeira para viver. Será uma questão de má consciência? Não sei. O que me pareceu  é que o partido da maioria está concertado no medo. E se não, então, consertem-se.
Fonte: Edição do DN-Madeira, edição de hoje.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

SAÚDE - "A MUDANÇA DE PROTAGONISTAS VAI MESMO ACONTECER"


"O Dr. Duarte Nuno Dória foi afastado da Comissão de Dissuasão da Toxicodependência. A saída, que não resulta da vontade própria, acontece três dias depois ter dado uma opinião muito crítica, no DIÁRIO, do último domingo, sobre o que se passa na área da Saúde e dos Assuntos Sociais". Fonte: DN-Madeira. Perante uma fotografia de um corredor cheio de macas, o gestor falou de "caos",  da inexistência de planos de contingência, questionou: "o que faz o secretário da Saúde e a sua colega da Inclusão e Assuntos Sociais", reflectiu sobre as "altas problemáticas" que parecem ser um terreno de ninguém, e terminou com frontalidade: "a renovação falhou. A fase das reciclagens falhadas já acabou e a mudança de protagonistas vai mesmo acontecer". Posto isto: rua!

Pois é, o Dr. Duarte Dória foi verdadeiro, para além daquilo que quem está lá em cima aceita ou tolera como desabafo. Não disse nada que o comum dos cidadãos não saiba e que, aliás, é notícia ou motivo de peças jornalísticas quase todas as semanas. Leu, apenas, a fotografia e foi sincero, repetindo por suas palavras o desastre do sistema de saúde. 
Ao gestor, a hierarquia política não concede direitos de cidadania e de verdade. Por isso foi afastado ou convidado a sair da Comissão de Dissuasão da Toxicodependência. Isto depois de ter sido, em 2015, um fervoroso apoiante do Dr. Miguel Albuquerque. Nessa altura de campanha disse: "O dr. Miguel Albuquerque é claramente o político madeirense que tem o discurso sobre a Saúde mais bem estruturado. E tem tido uma sensibilidade muito especial para todos os problemas que tem tido conhecimento." Enganou-se. O tempo determinou que a sua leitura estava errada ou, então, há aqui dois aspectos, em alternativa, que deveriam ser politicamente esclarecidos: ou a iniciativa de afastamento partiu do Dr. Miguel Albuquerque, ou, o secretário regional da Saúde não gosta de quem o confronte com a realidade. Seja como for, tratando-se de uma figura com responsabilidades no SESARAM, há que aguardar por uma posição do grupo parlamentar do PSD, para ouvi-lo sobre os contornos desta situação que, julgo eu, está muito para além da aparência, grupo que tantas vezes é célere em procurar as razões de tudo e mais alguma coisa. Então, quando se trata da oposição...!
Ilustração: Dnotícias e Youtube

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

"SE FOR PRECISO TRABALHO 20 HORAS POR DIA"


A frase é do Dr. Miguel Albuquerque, presidente do governo regional, ao terminar esta semana onde 40 militantes foram convidados a sair pela porta dos fundos! Mas esse é um problema interno que só ao partido diz respeito. A questão que aqui coloco é outra. No jantar de Natal, do PSD, o presidente do governo falou do crescimento económico que se verifica na Madeira, da baixa da taxa de desemprego e da promessa de investimento na área social. Ora bem, o sentimento que nutro é que pode trabalhar sem descanso, que a marca negativa que ficou destes dois últimos anos parece-me irrecuperável.


No exercício da política, julgo eu, findou o tempo de enganar as pessoas através das palavras. O planeamento, no adro das igrejas, à saída das missas, foi chão que deu uvas e à gritaria em cima dos palcos, seja em que circunstância for, a maioria do povo olha com os olhos enviesados da desconfiança. Hoje, o eleitor valoriza muito mais a sinceridade, a humildade, a transparência e a competência para ir ao encontro das pessoas, do que propriamente foguetes lançados ou as frases assassinas que dizem. Os "soundbiyes" para ficarem no ouvido perderam fulgor! Uma grande parte do povo já não vai por aí, e tanto assim é que, por maior número de palcos e de situações intencional e estrategicamente criadas, a verdade é que, factualmente, em 2013 e em 2017, nas eleições autárquicas, o resultado foi inequivocamente desfavorável a um poder que tem sido absoluto. E se juntarmos a esses resultados os estudos de opinião (sondagens) publicados, prova-se, também, que o soberano povo entende que a hora é de novos protagonistas e de novas políticas. O Dr. Miguel Albuquerque não tem esta leitura, entende que o combate político deve continuar a assentar nas premissas de ontem, exactamente ao jeito jardinista. Isto é, através do discurso truculento e do combate à distância que, depois, pia fininho.
Então vejamos. Falou do crescimento económico, mas todos sabemos que este está a ser impulsionado pelas medidas do governo da República que, concomitantemente, fez baixar a taxa de desemprego, embora continue pior que a taxa nacional. Os madeirenses e porto-santenses sabem que não ficam a dever nada às políticas regionais, por clara inexistência das mesmas, mas às políticas da República que tiveram e têm repercussões na Região. Os indicadores são tantos e inegáveis. Um certo, embora ainda distante do desejável, desafogo na carteira das pessoas, fez disparar o consumo interno, logo um assinalável crescimento que está a impulsionar, moderadamente, todo o sistema empresarial. Quais foram as medidas deste governo regional? Não me lembro de uma! Presente, tenho, as sucessivas mudanças de personagens no governo, em uma dança de cadeiras sinónima de instabilidade no plano da governação.

Terceiro vector: o investimento na área social. Trata-se da bengalinha que dá jeito quando a governação anda com a proa debaixo de água. O presidente fala mas não se compromete. Será desta que os madeirenses e porto-santenses terão um IRS, já não vou mais longe, pelo menos igual ao dos Açores? Será que serão implementadas medidas defensoras do sistema empresarial e da correspondente empregabilidade? Será que os mais vulneráveis, sem andarem a pedinchar nas instituições, passarão a dispor de um valor anual, já não peço mais, igual ao dos Açores? Será que é desta que os mais pobres beneficiarão, mensalmente, no quadro do Orçamento Regional, de um complemento de pensão? Será que todos passarão a ter todos os combustíveis, já não vou muito longe, exactamente igual ao dos Açores? Será que é desta que os cerca de 1000 idosos à espera de vaga em um lar verão a luz ao fundo do túnel? Será que, nos próximos dois anos, o sistema de saúde deixará a situação de caos organizacional, gestionário e financeiro? E mais e mais...
É por isso que o povo já não vai em paleio. Mais do que as designadas "obras públicas", com inaugurações a preceito, banda e discursos, o povo quer a solução de outros problemas que têm a ver com a sua vida, com alguma felicidade enquanto por aqui andarem. Quem desviar olhar desta realidade, como diz o povo, "está feito ao bife"!
Ilustração: Google Imagens.