sexta-feira, 20 de março de 2015

MEMÓRIA, RESPONSABILIDADE E CORAGEM


Dezenas de estudantes, entre os quais me incluo – e que poderiam ser centenas, não fosse a desadequação da lei, aliada à complexidade burocrática do processo -, votam hoje para as eleições regionais, a 9 dias da data normal e ao sexto dia de campanha. O meu voto está decidido. E não se decidiu em meia dúzia de dias, mas sim ao longo da vivência de 25 dos 39 anos de poder absoluto e com base na avaliação histórica do que nos trouxe até aqui. Aos que votam hoje e a todos os que votarão no dia 29 dirijo três apelos: à memória, à responsabilidade e à coragem. 


Um apelo à memória, para que não fiquem pela espuma dos dias e do passado recente e para que avaliem as ações, opções e convivências de quem hoje se apresenta como salvação única possível. Um apelo à responsabilidade, para que na hora de escolher um caminho para o futuro da Região, o façam conscientes das consequências do caminho errado e dos factos, causas e consequências que nos trouxeram à situação atual – de maior abandono escolar, desemprego e emigração nacional, entre muitos outros fatores. E, finalmente, um apelo à coragem. À coragem de fazer diferente, de acreditar que é possível outro qualquer caminho que não aquele que há 39 anos nos apontam como o único possível. Coragem na hora de deixar de parte o preconceito ideológico gerado durante 39 anos de absolutismo político e social e de dar o benefício da dúvida a quem quer tentar diferente, em alternativa à atribuição da certeza a quem já mostrou que faz igual. Estou certo de que os madeirenses farão pelo melhor - para si e para os seus, para os nossos e para os que virão depois. Querer mais e melhor é o normal neste processo. Mas pedir diferente de nada servirá se todos e cada um de nós não for capaz de mudar na hora de decidir o presente e o futuro da Região. Coragem!
NOTA
Artigo de opinião de João Pedro Vieira, publicado a edição de hoje do DN-Madeira. É aluno da Faculdade de Medicina e presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa.

2 comentários:

jv disse...

Eu vi hoje, a publicação duma sondagem, para as eleições de 29 março e fiquei espantado. Alguma coisa não está bem. É um fenómeno surpreendente, não sei realmente, onde está a « memória, a responsabilidade e a coragem.» Onde está o sentido crítico de cidadania, duma região que passou por tudo aquilo que passou, e que resultou nas cosequências, injustas e dolorosas, do seu presente. Será que os eleitores dexarem de o ser,e passarem ser simples adeptos partidários.
Oxalá que no dia certo, a consciencialização e o bom senso prevaleçam e se reflitem de acordo com a realidade das suas vivências
Abraço JV

João André Escórcio disse...

É evidente que a sondagem é um indicador e, como disse, surpreendente.
Nas autárquicas também foi mais ou menos assim e, depois, foi 7-4! Ninguém esperava. É claro que não existem duas eleições iguais, pelo que, é possível que se verifique um resultado negativamente surpreendente. A mim deixa-me de certa forma perplexo. A rede tentacular é muito extensa e complexa. Aguardemos, mas não creio que venha boa coisa a caminho. Um abraço.