sábado, 8 de agosto de 2015

QUEM CONTESTA A POLÍTICA EDUCATIVA VAI PARA A TURMA DOS BURROS!



Li as declarações do secretário da Educação sobre a polémica divisão de alunos por turmas de nível. Do paleio que não colhe, de tantas vezes repetido por outros, diz o secretário: “(…) procuramos actuar. E actuar significa procurarmos soluções e acima de tudo criar as condições necessárias para que esses alunos possam ter a possibilidade de voltar a encontrar-se no caminho do sucesso”. Das suas declarações, dois aspectos prenderam-me a atenção: 1º “a experimentação que será implementada no sistema de ensino não provém, contudo, de uma base científica”; 2º relativamente às opiniões formadas sobre este assunto, o secretário assumiu: “acima de tudo vejo-as assentes em um grande desconhecimento”. Isto é, o secretário da Educação estando na floresta e não sabendo para onde ir, tal como na Alice, responde que qualquer caminho serve. Esta posição, central no seu discurso, entronca em uma outra: eu entendo assim e quem não aceitar é ignorante. Ponto final.


São ignorantes os investigadores, os autores, os professores e todos quantos, de uma ou de outra maneira, assumem que o conhecimento é para ser utilizado e que é nas causas dos problemas que devemos actuar. A estratégia do penso rápido na política educativa nunca deu qualquer resultado, e é por isso mesmo que a Escola, que deveria ser o motor da sociedade, que implica estar na dianteira dos processos, ainda se encontra na fase de tentar dar respostas aos problemas de génese errada. Metaforicamente, a imagem que fica é a do cão ou a do gato a quererem agarrar o seu próprio rabo. Não saem dali!
E a páginas tantas dei com esta frase: “(…) o que é importante é que as escolas tenham a capacidade de identificar estas problemáticas, porque é a identificá-las que se arranjam as soluções”. Ora, os professores não são ignorantes, senhor secretário. E porque não são, há muito que, genericamente, identificaram as razões mais substantivas que conduzem ao desinteresse pela aprendizagem. Saberá o secretário o que é o projecto curricular de turma e em que bases ele é elaborado? O que está escrito em tantos relatórios dos conselhos de turma? Conhecerá as tentativas que os directores de turma fazem junto das famílias no sentido de melhorar os resultados? Conhecerá o que muitas direcções executivas, sem meios, fazem no sentido de colmatar insuficiências? E terá conhecimento das muitas horas que muitos professores disponibilizam sem qualquer gratificação? E que mesmo assim os problemas persistem?
Ora, de um político não se esperam soluções pontuais e desinseridas de uma ideia mais global. Esperam-se políticas que, a prazo longo, venham ditar melhor conhecimento, maior capacidade cultural, mudança de mentalidade e reconhecimento que vale a pena ser portador desse conhecimento. O secretário quando não centra a sua atenção nestes pressupostos e apenas assume, afuniladamente, que a solução está “no reforço de apoio pedagógico, no reforço de horas para acompanhamento de alunos ou no acrescer de um trabalho específico com alunos que necessitam de ser recuperados”, é óbvio que não percebeu que se ontem essa estratégia não deu qualquer resultado, no futuro, só poderá esperar por resultados idênticos aos do passado. Mais, ainda, o secretário não percebeu que mais escola não significa melhor escola e que o(s) problema(s) tem uma génese social que se esconde a montante da escola; não percebeu, também, que é o próprio sentido organizacional da Escola que está em causa. Disse o Professor José Pacheco: temos crianças do Século XXI, com professores do Século XX que trabalham com as metodologias (impostas) do Século XIX. Resolver aquelas e estas questões deveria constituir a missão prioritária do secretário. Dizer que os outros são ignorantes faz-me lembrar a velha história daquela mãe que assistia ao juramento de bandeira: o pelotão ia todo com o passo trocado; só o seu filho ia certo!
Finalmente, entendo que estas questões não devem ser partidarizadas. O sistema educativo é demasiado importante para jogos dessa natureza. É dele que o futuro depende. A Educação a única via capaz de romper com o ciclo vicioso da pobreza. E sendo assim, uma pergunta final: qual o pensamento do director regional de Educação? É conivente? É que já são muitas as declarações do secretário que colocam em causa um caminho do qual resulte uma Escola portadora de futuro! É o A, B, C de uma política educativa que está em causa.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Anónimo disse...

O senhor está bem para se juntar com o roberto almada e com toda a restante esquerda ideológica que é incapaz de admitir o óbvio: "malfeitores" dentro das salas de aulas deitam a perder quem quer estudar! Entenda!!
Eu não vou resolver os males da sociedade aceitando colocar na mesma sala de aula os meus filhos com o canalhedo do bairro da nogueira!! E o senhor? Quer pôr os seus netos numa com a bandidagem do estreito?
Então não seja hipócrita, desculpe lá.
Olhe, eu não gosto especialmente do Rui Caetano, mas não posso deixar de me rever na afirmação dele ontem no DN. BRAVO!!

João André Escórcio disse...

A resposta será dada, amanhã, em página própria.