quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2015 FOI UM ANO TERRÍVEL


Último dia do ano. Mais um, ou menos um, consoante as perspectivas! Mas este lá foi, deixando, em muitos, o amargo de uma vida que não correspondeu aos anseios, apesar dos brindes à prosperidade feitos em 2014. As filas do desemprego, os jovens e menos jovens que tiveram de emigrar, a permanente angústia de muitos pequenos e médios empresários, a dramática situação do sistema de saúde, sem dinheiro e com milhares em listas de espera, o aumento exponencial de instituições que matam a fome a milhares de famílias, a escola transformada, como já alguém sublinhou, em "alunão", em apologia ao vidrão, papelão, pilhão, etc., qualquer coisa mais parecida com depósito de crianças do que de aprendizagens significativas para a vida, o continuado esbulho aos reformados e pensionistas, a pouca-vergonha do sistema bancário onde somos vergonhosamente chamados a pagar contas de accionistas e quejandos, enfim, se olharmos para estes doze meses, questiono-me, se haverá razões substantivas para brindar a um ano que passa na esperança que 2016 seja muito melhor. Infelizmente, não será. Brindemos, obviamente, pelo menos pela saúde, porque tudo o resto, é de uma enorme interrogação. O presidente do governo regional da Madeira diz-se "confiante na capacidade de trabalho dos madeirenses em 2016". Pois, nesse aspecto não duvido. Concordo, em absoluto, que vão continuar a dar o máximo. Não tenho é confiança na capacidade de trabalho de quem tem a missão de governar. E esse é o problema.



Mas esta é a história, muito sumária, deste conturbado 2015. A realidade local, sublinho, porque se nos lembrarmos das angustiantes histórias de guerra, dos massacres, dos negócios do petróleo e das armas, dos refugiados e as consequências dramáticas das alterações climáticas, tudo aquilo que corre frente aos nossos olhos de espectadores impotentes, é de ficarmos de coração apertado. Fico por aquilo que mais me toca, mais comezinho e familiar porque muito próximo da vida e da vivência diárias. No plano pessoal, foi um ano que me marcou, negativamente, por outros motivos. Desde logo, perdi, entre outros, dois Amigos: os jornalistas Tolentino Nóbrega e o Luís Miguel França. Homens de valor por quem nutria respeito e muita consideração. Trago-os em memória, pelo que foram e pelas conversas que tivemos em tantas ocasiões. Não os posso esquecer, por uma questão de proximidade, até de princípios e de valores de vida. É vulgar dizer-se, mas é a verdade, que não estando entre nós, continuam entre nós. Um sentido abraço às suas famílias. Senti a dor da partida do Isaque Ladeira, tal como perdi uma grande Amiga, a Lídia Teixeira da Fonte Lopes, essa fantástica Mulher do meu grande Amigo Franklim, levada por uma doença fulminante. Foram anos a fio de viagens por grandes cidades, por significativos museus, catedrais e espaços que historicamente nos esmagam. Ficou-me a memória das vivências, os vários vídeos e tantos álbuns fotográficos. A vida é assim! Restou-me, o que não é pouco, a saúde, a família e a esfuziante alegria pelo nascimento do quarto neto.
Tudo o resto, a outros níveis, a mentira da nossa recuperação económica, a estúpida e "austeritária" política europeia, que tudo condiciona e impede a autonomia dos países, o caso grego e de outros países em permanente aflição, fundamentalmente por causas externas, as tensões geopolíticas, o surgimento, por desespero, de uma preocupante extrema direita pelos valores que transporta, os regimes ditatoriais que afligem, a excessiva submissão aos mercados financeiros e a força das designadas agências de rating que ofendem ao considerarem "lixo" países (povos) com a dignidade de novecentos anos de História, tudo isto e muito mais, não se apaga com um brinde e votos que 2016 seja melhor. Não será, obviamente. Tenhamos consciência que nos encontramos em um estado de aceleração nos desequilíbrios entre o norte e o sul, o litoral e o interior. E que os novos equilíbrios dependem, sobretudo, de uma vontade e consciência colectivas que está muito longe de ser assumida. Há um salve-se quem puder, preocupante e constrangedor. Brindemos pela saúde. É o melhor desejo que se pode ter e esperar!  
Ilustração: Google Imagens.

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