O Secretário da Educação resolveu, hoje, publicar uma extensa justificação sobre a Tese de Doutoramento da Professora Liliana Rodrigues. Mete-se pelo desprestigiante caminho do contra-ataque. Trata-se de uma resposta que não adianta nada. Pelo contrário, enterra-o cada vez mais. As esfarrapadas justificações e a mistificação dos 114.000 alunos que não completaram o secundário (como se ele não soubesse que aqueles são números brutos), a par de outras considerações que não abonam nada a política educativa regional, acabam por denunciar o seu próprio desconforto pelo incómodo político gerado por uma investigação que colocou a nú a realidade regional, numa terra em que o governo só apregoa sucesso.
Ademais, a questão central continua a ser a do ataque a uma instituição que deveria ser prestigiada, a uma orientação científica que não deveria ser posta em causa, nem um jurí de cinco Professores Doutores que, deduz-se da posição do Secretário, foi leviano ao aprovar esta Tese. Tão grave quanto isto, a de meter ao barulho "profissionais de estatística que fizeram questão de dizer que nada tiveram a ver com aquele estudo" (seria interessante saber quem são e que empresas representam) e, ainda "dos professores da UMa que deram os parabéns à SREC por ter tido a coragem de não "comer e calar"" (teria sido nobre assumir a que departamentos pertencem esses professores e que relações têm com a Secretaria Regional).
Mas tão grave quanto isto é a leviandade da Presidência do Governo, constante do comunicado de ontem, quando afirma que há "(...) certos trabalhos académicos cuja qualidade é aferida apenas pelos votos de outros graduados pelo próprio sistema" (...) que não têm qualidade e institucionalizam "o círculo vicioso e medíocre". Isto é muito grave quando se sabe que, entre 2004 e 2008, o número de Doutores passou de 40,21% para 72,35% do total dos docentes, o que significa que dos 183 docentes, 133 são doutorados. A presidência do Governo tem, por isso, a obrigação de provar o que diz e aos doutorados, para salvaguarda do seu prestígio, deverão exigir da Presidência as provas dos favorecimentos. Mas duvido que o façam.






















