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segunda-feira, 18 de março de 2013

PORTO SANTO: DA AGONIA À SALUTAR REVOLTA


(...) onde está o trabalho para cinco mil portosantenses? Hotelaria, restauração, obras públicas, onde estão elas? Se desde há uns tempos para cá já tínhamos graves problemas de sazonalidade ao nível turístico, o que é que temos agora? Onde está a promoção turística de uma das sete maravilhas de Portugal? De Portugal, sim, leram bem! Como podemos ter trabalho sem promoção turística? Como podemos ser felizes com tão pouco? Braços cruzados? Para além disto tudo, além de estarmos isolados, agrava-se com o preçário das viagens, cada vez mais dispendiosas, porquê? É simples, meus amigos, quem quer governar esta ilha é e será um "pau mandado" que vai fazer tudo o que o Sr. Dr. "Papadas" e seus barões ordenarem! É isto que desejam a Porto Santo? Com imensas pessoas em dificuldades extremas, a contar cêntimos, a recear pelo futuro dos seus descendentes, pergunto: vale a pena cruzar os braços com tamanha tristeza? (...)


Remeteram-me um texto. É de um habitante da ilha do Porto Santo. Trata-se de um grito de revolta, de indignação sobre uma terra abandonada à sua sorte. De uma terra onde é sensível um desejo de mudança, aliás, como  se deduz do artigo de opinião, da Vereadora do PS Renata Sousa, hoje publicado no DN-Madeira. 
Do extenso texto que recebi, aqui publico as partes que considerei mais importantes. Fica à reflexão dos madeirenses e dos portosantenses este grito de revolta.
"Agradeço que leiam até ao fim...
Tudo aquilo que aqui vou escrever é do conhecimento geral de todos os portosantenses (...) para que não caia em esquecimento!
ADORO o PORTO SANTO, adoro mesmo e custa-me ver tanta "podridão" num ilha tão pequena e poucos se mexem para a limpar! Não entendo o porquê de tal mentalidade, será... medo? Medo... de quê? De represálias (perder o trabalho?) Medo de ousar falar contra os políticos desta terra? Se for esse o medo, será que já pararam para pensar que hoje em dia nenhum trabalho é seguro? (...)
Voltando à mentalidade do povo portosantense, pergunto, "Onde isto vai parar?"... Perante tanta dificuldade e com fim do beco sem saída à vista, digo, já não é tempo de dar um murro em cima da mesa e gritar: BASTA!
BASTA... de promessas em vão;
BASTA... de descriminação;
BASTA... de falsos moralismos políticos e respectivas campanhas ("Vamos mudar... vamos lutar... agora é desta... Porto Santo para a frente...)
e BASTA... os comícios com música ao vivo e claro com o Sr. Dr. "Papadas" a fazer o seu discurso habitual.
Perante isto tudo, precisamos de um LÍDER. De alguém que faça frente ao Dr. "Papadas" e de alguns corjas que existem no Porto Santo que se acham intocáveis!
Precisamos de um líder presidente que não seja bafejado, nem que faça mau uso do seu poder, ou seja, que o poder não lhe suba à cabeça (...). É preciso humildade, honestidade e acima de tudo, coragem e determinação para lutar contra esta "podridão", porque para mim e agora, falo de mim, não tenho medo de enfrentar seja quem for, desde que tenha o povo a meu lado! Só assim chegamos lá!
Porto Santo foi sempre esquecido e foi alvo de monopolização dos barões do sistema, fazendo desta terra seu destino de férias, no qual colocaram portosantenses à sua mercê! O Porto Santo foi esquecido e nunca o Sr. Dr. "Papadas" pensou no povo portosantense, nem definiu prioridades para o bem do povo portosantente. Pergunto: o que é que um ser humano deseja mais na sua vida? Saúde, algum dinheiro e felicidade (pelo menos, eu penso assim). Onde está o hospital ou mini-hospital desta terra? Será que o dinheiro das infraestruturas feitas pelas sociedades (de endividamento), hoje em dia encerradas, não davam para construir um mini-hospital? Ahhh mas, relembro que ainda disseram que dada a quantidade de habitantes na ilha, construir um, fora considerado gastos supérfluos! Será que a Direção Regional de Saúde sabe fazer contas? Será que sabe quanto custa a evacuação aérea de um paciente? Fora a estada e acompanhamento médico? Etc.
Um outro exemplo, será que entre Seixal e Porto Moniz, com menos de mil habitantes, havia necessidade de dois heliportos? Esse mesmo dinheiro mal gasto, serviria muito bem Porto Santo! Onde estão as igualdades e prioridades deste nosso governante para esta terra?  (...).
(...) onde está o trabalho para cinco mil portosantenses? Hotelaria, restauração, obras públicas, onde estão elas? Se desde há uns tempos para cá já tínhamos graves problemas de sazonalidade ao nível turístico, o que é que temos agora? Onde está a promoção turística de uma das sete maravilhas de Portugal? De Portugal, sim, leram bem! Como podemos ter trabalho sem promoção turística? Como podemos ser felizes com tão pouco? Braços cruzados? Para além disto tudo, além de estarmos isolados, agrava-se com o preçário das viagens, cada vez mais dispendiosas, porquê? É simples, meus amigos, quem quer governar esta ilha é e será um "pau mandado" que vai fazer tudo o que o Sr. Dr. "Papadas" e seus barões ordenarem! É isto que desejam a Porto Santo? Com imensas pessoas em dificuldades extremas, a contar cêntimos, a recear pelo futuro dos seus descendentes, pergunto: vale a pena cruzar os braços com tamanha tristeza? E aqueles que pensam que o trabalho está assegurado, desenganem-se, isto toca a todos! Porque somos os que restam e estamos entregues a nós próprios e eu, pessoalmente, lutarei para não prolongar mais tamanha hipocrisia, falsidade e falta de empenho para que Porto Santo volte a ser o que era, uma terra produtiva, capaz de superar-se a si mesma, com a vontade e trabalho de todos nós!
Só peço aos portosantenses que não caiam em falsas campanhas políticas (dos que falam na saúde, trabalho e seus afins, transportes) (...) eu vou lutar por isto e sem medo algum! Recuso me a viver de ajuda social, recuso a entregar minha casa, recuso a temer pelo futuro dos meus filhos! (...) 
Agradeço a todos os que dedicaram um pouco do seu tempo a lerem este texto".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 17 de março de 2013

ALUNOS NA GALERIA DA ASSEMBLEIA É O PIOR QUE SE PODE OFERECER À EDUCAÇÃO


Pior do que tudo isto é a presença de alunos do ensino básico e do ensino profissional a assistir a quadros que não transportam o sinal da dignidade e do respeito. Pedem palmas para os visitantes sentados nas bancadas e, logo a seguir, oferecem-lhes um espectáculo deprimente. Pergunto, o que podem esperar os professores quando estão nas salas de aula? Como poderão exigir comportamentos pautados pelo respeito, quando os sinais que recebem é de que vale tudo? E como é que as direcções executivas autorizam visitas a uma Assembleia que não é exemplo para nada? Este quadro tem de ser radicalmente mudado. A Assembleia não deve ter donos, porém, a verdade é que está capturada por um grupo. A Assembleia é de todos os representantes do povo. É a casa da Democracia, onde se deve respirar a liberdade e a responsabilidade. A Mesa da Assembleia é formada por Deputados e não por pessoas com assumem o lema do quero, posso e mando. A Assembleia é local de trabalho político pela população e não local onde tudo se faz para esconder as realidades e as verdades.

Uma Assembleia
mergulhada no vazio!
As últimas sessões da Assembleia Legislativa da Madeira constituíram o espelho da decadência da Região. Ontem, visionei alguns largos momentos disponíveis no youtube e, sinceramente, apesar do primeiro órgão de governo próprio não poder encerrar portas, no plano meramente abstracto, apetece-me dizer fechem para balanço. A sensação que transporto é que cada dia será pior. Simplesmente porque os problemas têm uma raiz profunda que se alastrou durante anos, através de uma maioria absoluta que partidarizou a Assembleia, que instituiu o princípio de que "aqui mandamos nós" e que, de alto a baixo, criou uma mentalidade de subserviência a um outro poder nas mãos do "vigia da quinta", na feliz designação do Padre Martins Júnior. Tudo aquilo é envolvido por uma membrana de medo, de cochichos pelas esquinas que atravessa todos os andares e todos quantos ali trabalham, o que favorece um ar irrespirável. E tanto fizeram e tanto semearam que, agora, estão a levar com a tempestade. Essa espécie de "tsunami" político continuará, com contornos cada vez mais graves, porque, sejamos claros, a panela de pressão imposta não teve em conta a necessidade de válvulas de escape. O poder absoluto tornou-se em razão absoluta, facto que ultrapassa as mais elementares regras do funcionamento da democracia. 
E assim é vê-los, os da maioria política, quando o copo extravasa, abanando a cabeça em sinal de descontentamento, como se não tivessem nada a ver, a montante, com tudo quanto semearam. Não tiveram nem têm, pensam, responsabilidades com as sucessivas alterações do Regimento, sempre no sentido de coarctar a palavra da oposição, não têm responsabilidades quando os pedidos de inquérito são liminarmente chumbados ou elaborados como fato à medida dos interesses do poder regional, quando todas as propostas são chumbadas, quando os regimentos específicos dos debates são elaborados pela maioria parlamentar e aprovados por essa mesma maioria, quando é sensível um comportamento rígido com os deputados da oposição e de grande tolerância com os da maioria, quando a esquerda política, intencionalmente, é sentada à direita do hemiciclo, quando nos momentos solenes, no dia da Região, por exemplo, só o poder tem direito a discursar, quando comemoram o 25 de Novembro e secundarizam o 25 de Abril. Estes entre tantos aspectos têm, aos poucos, conduzido a situações absolutamente execráveis num parlamento que deveria ser de significativa elevação. Para a maioria política as oposições apenas servem para enfeitar e conceder uma tonalidade pública democrática. Portanto, lamento o que ali se passa, mas não posso passar ao lado das causas mais evidentes geradoras daquele circo de péssima qualidade que a maioria política impôs ao longo de 37 longos anos.
Oxalá os professores
saibam fazer a desconstrução
do que a Assembleia lhes oferece.
Pior do que tudo isto é a presença de alunos do ensino básico e do ensino profissional a assistir a quadros que não transportam o sinal da dignidade e do respeito. Pedem palmas para os visitantes sentados nas bancadas e, logo a seguir, oferecem-lhes um espectáculo deprimente. Pergunto, o que podem esperar os professores quando estão nas salas de aula? Como poderão exigir comportamentos pautados pelo respeito, quando os sinais que recebem é de que vale tudo? E como é que as direcções executivas autorizam visitas a uma Assembleia que não é exemplo para nada?
Ora, este quadro tem de ser radicalmente mudado. A Assembleia não deve ter donos, porém, a verdade é que está capturada por um grupo. A Assembleia é de todos os representantes do povo. É a casa da Democracia, onde se deve respirar a liberdade e a responsabilidade. A Mesa da Assembleia é formada por Deputados e não por pessoas com assumem o lema do quero, posso e mando. A Assembleia é local de trabalho político pela população e não local onde tudo se faz para esconder as realidades e as verdades. Destas pessoas não há que esperar melhor senão a continuação da lengalenga que andam a cantarolar há muitos anos. Daí que, para que a Região possa voltar a ser respeitada precisa de um novo quadro parlamentar só possível com eleições legislativas regionais, onde quem nos trouxe a esta situação degradante, passe para a bancada da oposição. Há que construir um tempo novo que ponha fim a esta ditadura de uns quantos que vivem no quadro da democracia mas sem um mínimo respeito por ela.
Ilustração: Arquivo próprio (1) e Google Imagens (2).

sábado, 16 de março de 2013

DR. VENTURA GARCÊS, PERCEBA, O POVO QUER FAZER "DELETE" NA POLÍTICA DO GOVERNO!


É evidente que o Secretário não foi o último a saber das leviandades e do respectivo buraco orçamental. Ele sabia, claro que sabia. É politicamente cúmplice, obviamente que sim. Não tem desculpa, claro que não tem. Toda a gente sabe que aquelas situações não acontecem num governo que está sujeito à Lei que tipifica, no plano criminal, desmandos daquela natureza. E se aconteceram, a única leitura que pode ser feita é que o Secretário está a sentir que a Justiça pode vir a caminho e, por isso, manifesta o desejo de querer saltar do barco como político que não teve nada a ver com a "festa do regime". Daí que, toca a lavar as mãos e sacudir as responsabilidades para outrem. Só que, entre adultos, não é assim, Senhor Secretário. Tem culpas, claro que as tem. E se o desejo era a de saltar do barco que afundava, há muito deveria ter falado a verdade, apontando o nome dos responsáveis e afastando-se das funções que ocupa. Ficaria, não digo, ilibado, mas com uma culpa atenuada, enquanto denunciante. Se ficou e deu cobertura, obviamente, que é tão responsável político quanto os outros.


Ele, no centro do vulcão,
não teve nada a ver com as "obras"...
Perguntem a um dos dois, dirá!
Em plena Assembleia, como se todos os cidadãos fossem uns pacóvios, o Secretário das Finanças, a propósito da dívida escondida, desculpou-se dizendo aos deputados que a antiga Secretaria do Equipamento Social tinha um sistema informático que funcionava de forma autónoma do restante sistema que servia o Governo, pelo que havia falhas que dificultavam o controlo de determinadas operações. Esta é uma das tais desculpas esfarrapadas que se voltam contra o próprio que as declara. Vou tentar decompor: primeiro, admitindo que os sistemas, incompreensivelmente, eram distintos, o que faziam o presidente do governo e os secretários à mesa do conselho de governo que tem uma periodicidade semanal? Jogavam às cartas, contavam anedotas ou de como combater a oposição? Segundo, o Secretário andou todos esses anos distraído com as Resoluções publicadas no Jornal Oficial? Terceiro, o Secretário não tinha conhecimento dos concursos públicos e não era, no mínimo, consultado para verificar a cabimentação orçamental de natureza plurianual? Quarto, não foi o Secretário que teve a bênção do presidente do governo como político da sua total confiança, que apresentou e defendeu, na Assembleia, o Plano e Orçamento da Região e os Rectificativos, depois de estabelecer, internamente, até onde cada secretaria podia ir? Quinto, o Secretário não participou nas inaugurações das tais obras, não passou os olhos pela comunicação social sobre as mesmas e de que tanto costuma falar na Assembleia, tomando, por aí conhecimento das mesmas? Sexto, e por que razão o sistema era autónomo? Nunca se questionou, nunca assumiu que não podia ser assim? Que numa secretária, fundamentalmente de "obras", as finanças tinham necessidade de controlar toda a facturação? Se não actuou, que razões levaram a não actuar?
É evidente que o Secretário não foi o último a saber das leviandades e do respectivo buraco orçamental. Ele sabia, claro que sabia. É politicamente cúmplice, obviamente que sim. Não tem desculpa política, claro que não tem. Toda a gente sabe que aquelas situações não acontecem num governo que está sujeito à Lei que tipifica, no plano criminal, desmandos daquela natureza. E se aconteceram, a única leitura que pode ser feita é que o Secretário está a sentir que a Justiça pode vir a caminho e, por isso, manifesta o desejo de querer saltar do barco como político que não teve nada a ver com a "festa do regime". Daí que, toca a lavar as mãos e sacudir as responsabilidades para outrem. Só que, entre adultos, não é assim, Senhor Secretário. Tem culpas, claro que as tem. E se o desejo era a de saltar do barco que afundava, há muito deveria ter falado a verdade, apontando o nome dos responsáveis e afastando-se das funções que ocupa. Ficaria, não digo, ilibado, mas com uma culpa atenuada, enquanto denunciante. Se ficou e deu cobertura, obviamente, que é tão responsável político quanto os outros. 
Alguém, com um mínimo de seriedade nestas coisas, distante das questões meramente partidárias, consegue engolir essa história da incompatibilidade dos sistemas informáticos? Não vê o Secretário que isso é motivo de chacota? Que hoje as instituições trabalham em rede e que até já existem "mercearias" modernas que estão ligadas aos fornecedores? Um amigo meu, informático, disse-me que, de tanto rir, teve uma enxaqueca! Perdoai-lhes Senhor...
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 15 de março de 2013

OS AL CAPONES DOS NOVOS TEMPOS... TANTO SANGUE SEM UM ÚNICO TIRO!


Milhões de portugueses que não foram sequer clientes do BPN, do Banco Privado ou do Banif, entre outros, estão a pagar dos seus impostos aquilo que outros tramaram nas suas costas, como é o caso da Madeira. Estamos a pagar a factura interna, mas também a factura externa imposta por directórios que querem lá saber da pobreza e da exclusão social! Que razões justificam a generalidade dos portugueses terem de pagar uma coisa para a qual não contribuíram? Equidade, o tanas! Alguém rouba e, por equidade, temos de pagar o buraco? Que razões justificam, perante isto, a mudez do Presidente da República em toda esta história tenebrosa que condena toda a classe média à pobreza, e os pobres à condição de vida miserável? E no meio desta selvajaria, deste gangsterismo, deste núcleo de Al Capones dos novos tempos que matam sem um único tiro, vemos três figurinhas, politicamente repelentes, a entrar no País sob a capa de técnicos da troika, para imporem como é que temos de viver. E o governo aceita. E o governo verga-se. Quando, na verdade, não emprestaram dinheiro a Portugal, venderam sim dinheiro a Portugal. E se venderam, tal como qualquer cidadão quando contratualiza com um banco, tem de haver um ajustamento entre o devedor e o credor. Nunca desta maneira. Mas com a maior desfaçatez dizem que é preciso cortar aqui e ali e o governo corta aqui, ali e acolá! Sempre mais um pouco. E o povo encolhe-se, e o povo emagrece, e o povo suicida-se ao ritmo de cinco por dia, e as crianças passam fome, e os desempregados aumentam, e os empresários desesperam, e os idosos sentem que retiram a protecção à sua velhice, e os jovens emigram, e os sectores estratégicos do Estado e não só são desmantelados para deleite e lucro dos privados. Raios os partam.


O Primeiro-Ministro ficou ofendido pelo facto da Deputada Luísa Apolónia, do partido "Os Verdes", na Assembleia da República, ter referido a palavra "roubo" quando se reportou aos cortes de que são vítimas os portugueses em geral. Não foi a primeira vez que se sentiu incomodado. Felizmente, a Presidente da Assembleia não considerou existir, em função da contextualização, qualquer ofensa. Pessoalmente, digo mais, não se trata de um roubo revestido de legalidade, mas de um confisco. Este governo, em abstracto, não rouba, confisca, isto é, apodera-se dos bens particulares de pessoas indefesas. Não há memória, entre os vivos, de um saque tão premeditado e tão escandaloso. Pé ante pé, ou melhor, de mãozinha subtil, mês após mês, vão retirando aquilo que não pertence ao Estado, que é produto do trabalho com direitos, a não ser que já nos tivessem "nacionalizado". O escândalo deste confisco não está apenas espelhado nas gravosas tabelas de IRS, nas sucessivas taxas e sobretaxas aplicadas, umas por cima das outras onde nada escapa e, ainda, na contribuição extraordinária de solidariedade. O confisco vai mais longe e de forma despudorada. Ele está, por exemplo, nesse vergonhoso IMI, onde milhares de portugueses, espremeram os seus recursos até à última gota para terem a sua habitação e, agora, num ápice, sentem que passaram a pagar uma renda ao Estado. Os valores pagos em Maio e em Setembro, divididos por doze meses configuram que, todos quantos se atreveram a ter casa própria, é hoje inquilino do Estado. Os portugueses pagaram o terreno, pagaram os materiais e a construção, pagaram as taxas municipais, pagaram tudo e, agora, surge o Estado, sorrateiramente, e quase que chama seu aquilo que foi construído pelos cidadãos com enorme sacrifício. Mas há mais. Já não falo sequer do IVA, das taxas moderadoras, do que andam a fazer à saúde e à educação, já não falo do corte sujo nos direitos sociais, iniciado com o perverso código do trabalho onde o trabalhador é, a todo o momento, uma peça descartável, falo antes da constatação do empobrecimento crescente, no desespero das famílias e das pessoas que passam fome, enquanto um grupo come e vive do dinheiro da especulação alardeando, cada vez mais, a ostentação muitas vezes obscena. Isto é roubo, senhor primeiro-ministro (intencionalmente com letra minúscula), isto é um saque que não poupa reformados e pensionistas, gente que durante quarenta e mais anos entregou ao Estado os seus impostos para que agora veja o dinheiro que lhe pertence confiscado. Isto não tem outro nome, é roubo e saque premeditado, por mais que lhe custe ouvir.
Não é "ROUBO",
mas um confisco. Oiça bem...
CONFISCO
Milhões de portugueses que não foram sequer clientes do BPN, do Banco Privado ou do Banif, entre outros, estão a pagar dos seus impostos aquilo que outros tramaram nas suas costas, como é o caso da Madeira. Estamos a pagar a factura interna, mas também a factura externa imposta por directórios que querem lá saber da pobreza e da exclusão social! Que razões justificam a generalidade dos portugueses terem de pagar uma coisa para a qual não contribuíram? Equidade, o tanas! Alguém rouba e, por equidade, temos de pagar o buraco? Que razões justificam, perante isto, a mudez do Presidente da República em toda esta história tenebrosa que condena toda a classe média à pobreza, e os pobres à condição de vida miserável? E no meio desta selvajaria, deste gangsterismo, deste núcleo de Al Capones dos novos tempos que matam sem um único tiro, vemos três figurinhas, politicamente repelentes, entrarem no País sob a capa de técnicos da troika, para imporem como é que temos de viver. E o governo aceita. E o governo verga-se. Quando, na verdade, não emprestaram dinheiro a Portugal, venderam sim dinheiro a Portugal. E se venderam, tal como qualquer cidadão quando contratualiza com um banco, tem de haver um ajustamento entre o devedor e o credor. Nunca desta maneira. Mas com a maior desfaçatez dizem que é preciso cortar aqui e ali e o governo corta aqui, ali e acolá! Sempre mais um pouco. E o povo encolhe-se, e o povo emagrece, e o povo suicida-se ao ritmo de cinco por dia, e as crianças passam fome, e os desempregados aumentam, e os empresários desesperam, e os idosos sentem que retiram a protecção à sua velhice, e os jovens emigram, e os sectores estratégicos do Estado e não só são desmantelados para deleite e lucro dos privados. Raios os partam.
E por aqui fico, do muito que gostaria de dizer, mas oportunidades não faltarão.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 14 de março de 2013

40 ANOS A GOVERNAR À VISTA. SEMPRE FOI PATRÃO DE COSTA, NUNCA DE ALTO MAR!


O governo menosprezou os conhecimentos certos, aqueles que são predizíveis, desprezou os incertos que obrigam a planos de contingência e secundarizou os desconhecidos, por exemplo, uma situação de crise, que obriga, naturalmente, a uma grande capacidade de adaptação e de resposta adequada a novas situações. Tudo isto foi esquecido, foi deixado de lado, não quiseram saber, por isso, chegámos à falência e à necessidade de responder às perguntas iniciais: onde estamos, onde queremos chegar e que passos teremos de dar para lá chegar! Questões que aprendi, enquanto aluno, e assim transmiti como docente. E sempre disse aos meus alunos que quem processar as mesmas soluções que utilizou no passado não pode esperar obter outros resultados senão aqueles que já foram obtidos no passado. Politicamente, foi o que este governo sempre fez, porque nunca sentiu a necessidade de assumir políticas assentes numa visão sustentável e portadora de futuro. O governo nunca se importou em fazer com que o futuro acontecesse, isto é, foi gerindo pelas estrelas, nunca se agarrou aos instrumento de bordo e, portanto, encalhou e só resta desmantelá-lo e mandá-lo para sucata.


Este Governo da Madeira mais parece
um navio encalhado! Resta desmantelá-lo
e mandá-lo para sucata.
Consta que o PSD-M, obviamente, o governo, porque não se sabe onde começa um e termina outro, decidiu proceder a um estudo, "uma grande reflexão" sobre o futuro da Madeira e do próprio partido. No essencial pretende saber "o que é que a Madeira pode ser no futuro", simplesmente porque, assume a voz do dono, "a Madeira não vai ser no futuro o que Lisboa quiser", mas sim "aquilo que o povo madeirense decidir". Mais: "(...) o futuro é uma coisa muito séria para deixarmos ser só o coração a falar". Espantoso. Uma vez mais, subtilmente, é a voz da independência a falar. Mas não é isso o mais importante. Espantoso é saber que quase quarenta anos depois, o PSD e, por extensão, o governo, precisam de um estudo que os guie para o futuro. Se olharmos na perspectiva contrária, dir-se-á que, durante quarenta anos, guiaram-se pelas estrelas desprezando todos os instrumentos que o conhecimento científico e as respectivas técnicas operativas foi disponibilizando. Desde logo, a resposta a três perguntas simples mas profundas: onde estou, onde quero chegar e que passos tenho de dar para lá chegar. Seria da resposta a estas questões, onde entram múltiplas variáveis que deveriam ser totalmente escalpelizadas, que deveriam ter definido a criação de um futuro possível. Um futuro que, obviamente, necessitava de ser planeado através de uma rede integrada que consubstanciasse, com a maior coerência, o funcionamento dos sistemas e das organizações. E nada foi feito, ou melhor, guiaram-se pelas estrelas. Depois, é elementar, não se pode falar de gestão se a função do planeamento não estiver considerada. Tal como não se poderá falar de planeamento se não estiver, também e simultaneamente, considerado um apertado sistema de controlo. Li, algures, que um dos garantes de estarmos na presença de um gestor de sucesso, eu diria, público ou privado, pode ser indicado pela sua habilidade para implementar processos de planeamento. Por aproximação à Região, eu diria que se trata de uma atitude política e ideológica correlacionada com a realidade económica, financeira e social que se desejaria transformar ou implementar. Pelo testemunho dos indicadores, por essa navegação à vista, fica então claro que os instrumentos de planeamento foram secundarizados. E por aqui se chegou à falência.
Digamos que o planeamento deveria ter sido considerado como um instrumento de gestão, mas também e sobretudo como um instrumento de desenvolvimento. E não foi, daí a necessidade, quase quarenta anos depois, de estudar o que se está a passar no sentido de conseguir a primeira resposta à pergunta inicial: onde estamos?
Foi pela ausência de respostas e de planeamento que o quadro se tornou negro. Tivesse o governo sustentado toda a sua acção política no planeamento e hoje a situação seria outra. Porque o planeamento, na sua essência, corresponde a um controlo sobre o futuro; à existência de um diagnóstico da situação; a uma visão de conjunto sobre os problemas; à detecção antecipada dos problemas; à intervenção na causa dos problemas; a evitar situações isoladas e desarticuladas de um quadro geral; à determinação das prioridades; à obrigatoriedade de trabalhar por objectivos; à integração das políticas sectoriais nas políticas gerais; à mobilização das pessoas através da participação; à coordenação da gestão corrente; à rendibilização dos equipamentos, enfim, a uma série de preocupações que evitam ou mesmo limitam todo e qualquer ambiente gestionário determinado por impulsos. E não estou a falar de um planeamento formal, pesado, inflexível ao ponto de prejudicar as mudanças que têm de ser rápidas, num mundo onde a surpresa acontece a todo o momento. Nada disso. O planeamento tem de existir sobretudo com o pensamento da sua importância para a concretização dos objectivos estratégicos. Depois, existem os processos de adaptação às circunstâncias, os quais se forem devidamente conduzidos, podem definir a estrada do sucesso. O planeamento não é uma solução mágica, porque o futuro está em constante elaboração, mas é um compromisso determinante na estrutura das decisões. Ora, os dados provam a inexistência de planeamento e uma gestão claramente por impulsos.
O governo menosprezou os conhecimentos certos, aqueles que são predizíveis, desprezou os incertos que obrigam a planos de contingência e secundarizou os desconhecidos, por exemplo, uma situação de crise, que obriga, naturalmente, a uma grande capacidade de adaptação e de resposta adequada a novas situações. Tudo isto foi esquecido, foi deixado de lado, não quiseram saber, por isso, chegámos à falência e à necessidade de responder às perguntas iniciais: onde estamos, onde queremos chegar e que passos teremos de dar para lá chegar! Questões que aprendi, enquanto aluno, e assim transmiti como docente. E sempre disse aos meus alunos que quem processar as mesmas soluções que utilizou no passado não pode esperar obter outros resultados senão aqueles que já foram obtidos no passado. Politicamente, foi o que este governo sempre fez, porque nunca sentiu a necessidade de assumir políticas assentes numa visão sustentável e portadora de futuro. O governo nunca se importou em fazer com que o futuro acontecesse, isto é, foi gerindo pelas estrelas, nunca se agarrou aos instrumento de bordo e, portanto, encalhou e só resta desmantelá-lo e mandá-lo para sucata.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 13 de março de 2013

FOI À TOSQUIA E SAIU TOSQUIADO


Ora, a situação é muito grave e ele sabe que é. A situação é de falência da Madeira e ele sabe que é. A situação é explosiva por falta de pão e ele sabe que é. A situação é dramática quando o povo enfrenta não só as consequências da insularidade, mas também as consequências de uma dupla austeridade, e ele sabe que é. E não assume, não enfrenta, não propõe medidas que possam, já não digo solucionar, mas pelo menos esbater a crise que está dentro das casas dos madeirenses e porto-santenses. A sua estratégia é a de um Presidente da ex-Junta Geral. A sua estratégia é a de, quando ainda pode, fintar e logo de seguida chutar para longe, para as bananeiras! Está dentro de campo, mas não se descobre uma entrega séria ao jogo, uma intenção honesta, vejo sim um jogador acabado, sem pernas e sem fôlego, que quer a bola longe dos seus pés, que quer estar onde a bola não está. Eu diria que há nele um pouco de António Variações, no "Estou Além". Repare o leitor na letra da canção: (...) "Não consigo dominar; Este estado de ansiedade; A pressa de chegar; P'ra não chegar tarde; Não sei de que é que eu fujo; Será desta solidão (...)". Está politicamente preso, penso eu, não por convicções, mas pela máquina que montou e pelo monstro que criou que o devora a todo o instante. A sua governação está a ser consumida em lume brando e é irreversível. Ficará politicamente só e nem os próprios beneficiários do sistema que implementou lhe darão a mão. Saltarão para outro salva-vidas, aliás, como é recorrente na política.

Eu sou o "Único Importante!"
O Presidente do Governo Regional é um homem perdido no seu próprio labirinto. É um político entregue a si próprio, apanhado na teia que foi tecendo desde há muitos anos. É um homem em delírio, fazendo um último esforço para garantir a sobrevivência política. É um político que esbraceja, interrompe  e ofende quando os seus adversários falam, o que é mau sinal. É um político que se sujeita a uma ida à tosquia para sair, literalmente, tosquiado. De nada valeu o derradeiro número de contorcionismo em função dos gravíssimos indicadores que existem sobre a situação política, económica, financeira e social da Madeira. Um político que, ao longo da manhã de ontem, no decorrer da Moção de Confiança, denunciou total fragilidade ao não tocar nos assuntos fundamentais, nos temas que afligem os madeirenses, na questão do desemprego, na gritante pobreza, na dívida que está por pagar, no drama dos empresários, na situação de dois sectores a braços com problemas muito sérios, a Educação e a Saúde, isto é, não falou nas soluções que todos os madeirenses e porto-santenses, inocentemente, deveriam estar à espera. Foi uma manhã oca, sem conteúdo, desesperante, que não trouxe nada de novo, por isso mesmo repetitiva, com chavões já escutados e com as palavras lunáticas de sempre. No final, eu diria que saiu "fumo negro" na chaminé da Assembleia!
Eu diria que se tratou de mais um regresso ao passado do que uma moção e debate portadores de futuro. A Oposição deu cabo dele, com argumentos advindos da realidade, do sofrimento das pessoas, quer elas sejam empresárias quer sejam apenas trabalhadoras. Da parte do Presidente do Governo assisti a um jogo de permanente defesa, atirando para bem longe a bola das responsabilidades políticas. Durante todo este pseudo-debate assisti a actos de pura ilusão como se a Madeira não tivesse tido, ao longo de 37 anos consecutivos, Autonomia Político-Administrativa, uma Assembleia, um governo, orçamento próprio e milhões vindos da Europa e do orçamento de Estado. Parece que nada disto existiu e existe e, portanto, que não há responsáveis políticos pela situação a que se chegou. Para ele, a responsabilidade pela situação é da família Blandy, da comunicação social, da maçonaria e de uns tipos da República como tentou fazer crer. Só encontrei uma verdade ao longo das intervenções do presidente do governo: a terminar, fugiu-lhe a boca para a verdade. Disse uma coisa certa: "eu não levo estas coisas a sério". A partir daqui penso que estava tudo dito!
Ora, a situação é muito grave e ele sabe que é. A situação é de falência da Madeira e ele sabe que é. A situação é explosiva por falta de pão e ele sabe que é. A situação é dramática quando o povo enfrenta não só as consequências da insularidade, mas também as consequências de uma dupla austeridade, e ele sabe que é. E não assume, não enfrenta, não é sincero, não propõe medidas que possam, já não digo solucionar, mas pelo menos esbater a crise que está dentro das casas dos madeirenses e porto-santenses. A sua estratégia é a de um Presidente da ex-Junta Geral. Com uma diferença: se, naquele tempo, assim se comportasse há muito teria sido chamado a contas. A sua estratégia é a de, quando ainda pode, fintar e logo de seguida chutar para longe, para as bananeiras! Está dentro de campo, mas não se descobre uma entrega séria ao jogo, uma intenção honesta, vejo sim um jogador acabado, sem pernas e sem fôlego, que quer a bola longe dos seus pés, que quer estar onde a bola não está. Eu diria que há nele um pouco de António Variações, no "Estou Além". Repare o leitor na letra da canção:
"Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
(...)
Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
(...)
Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou (...)

O Dr. Alberto João Jardim, na tribuna e fora dela, evidencia estes sinais, este estado de ansiedade, esta perturbação de ver que o povo, de forma crescente, quer vê-lo longe, desequipado, mas não consegue "partir para outro lugar". Está politicamente preso, penso eu, não por convicções, mas pela máquina que montou e pelo monstro que criou que o devora a todo o instante. A sua governação está a ser consumida em lume brando e é irreversível. Ficará politicamente só e nem os próprios beneficiários do sistema que implementou lhe darão a mão. Saltarão para outro salva-vidas, aliás, como é recorrente na política.
Ilustração: DN-Madeira, com a devida vénia.

terça-feira, 12 de março de 2013

A FOME NÃO PODE ESPERAR


Em função da História dos comportamentos do governo, acredito mais no Ministério do que na treta justificada pelo Secretário. Sendo assim, um governo que desperdiça, em tempo real, mais de um milhão de euros no combate às necessidades primárias, não tem perdão.  O que se deduz da denúncia do Ministério é que preferem esconder a fome do que dizer que existe fome na Madeira. E perante isto, o povo que procura trabalho leva com mais um epíteto: "vadios". Já foram "cachorros" e agora "vadios que vivem sem trabalhar e à custa dos impostos" e ainda ousam vir para rua "fazer barulho". Há, naquelas declarações, qualquer coisa de povo errante, que anda por aí a ladrar, e a investir sem açaime, porque libertou-se do dono, fugiu porque conseguiu roer a trela que o senhorio colocou há muitos anos.  Quando ele se refere ao povo como gente que ladra e  vadios, só é possível contextualizar essa caracterização com aquele que, ao fim e ao cabo, é tido como o animal mais amigo do homem. E nem esse o quer. Ademais, os cães são aquilo que os donos querem que sejam, pelo que, neste caso, já nem reconhecem o "dono".


Não há fome, mas as pessoas fazem fila, expõem-se
por um cabaz que só resolve por poucos dias!
FACTO:
Li, na edição de ontem do DN-Madeira que, em 2012, foram atribuídos 1,2 milhões de euros para funcionamento das cantinas sociais e que a Madeira apenas aproveitou 8% dessa verba. Assumiu o Ministério: "(...) Por despacho de 27/06/2012 do secretário de Estado da Solidariedade Social, foi aprovada e definida para 2012, uma dotação de 1.281.582 euros para a Região Autónoma da Madeira no âmbito do Programa de Emergência Alimentar" (...) "A execução foi de apenas 100.000 euros sendo que a Madeira nunca solicitou em 2012 mais verba para além da executada". Ou seja, a Região executou apenas 8% do valor atribuído, salienta a Jornalista Sandra Cardoso do DN. Curiosamente, o secretário dos Assuntos Sociais da Madeira, tinha assumido, em Janeiro último, que a Região apresentou 11 candidaturas, mas que o Ministério apenas atribuiu 100 mil euros que davam para abrir três cantinas". Entretanto, hoje, vem o Secretário confirmar que até ao final de 2012, a Região não tinha recebido quaisquer outras verbas embora estivesse definido pela Secretaria de Estado que seriam entregues 1,2 milhões no total e que face à posição da Secretaria de Estado, a SRAS estranhava que fosse necessário que tal verba tivesse que ser solicitada pela Região, quando o valor da dotação já tinha sido aprovada pelo Governo da República. Ora, trata-se de uma desculpa esfarrapada, quando se sabe que, em outras situações, desde que cheire a dinheiro, ninguém neste governo pára enquanto o cheque não entra nos cofres.
COMENTÁRIO:
Em função da História dos comportamentos do governo, acredito mais no Ministério do que na treta do Secretário. Sendo assim, um governo que desta forma trata as necessidades primárias, não tem perdão. O que deduzo daquela situação é que preferem esconder a fome do que dizer que existe fome na Madeira. Na perspectiva do poder, assumir a realidade significaria demonstrar a total falência do sistema político que venderam durante trinta e tal anos. Não estão para aí virados. Quando li aquela peça jornalística e a resposta da Secretaria sintetizei que não existe outra aberração tão grave por parte de um governo do que tirar o pão da boca de quem nada tem. E das duas uma: ou este assunto é totalmente escalpelizado, sem desculpas esfarrapadas, ou o Ministro ou o Secretário não têm condições para continuar a governar. Doa a quem doer este é um dos assuntos que, politica e socialmente, não podem passar em vão. Os madeirenses e porto-santenses têm o direito de saber toda a verdade. Justifica-se, por isso, uma comissão de inquérito na Assembleia Legislativa da Madeira e torna-se, fundamental, que as instituições de solidariedade social questionem o secretário sobre esta pouca-vergonha. Agora percebe-se, entre outros exemplos, porque não queriam uma cantina social no Funchal. Não basta as instituições virem para a televisão e para os jornais dizerem que há cada vez mais pobres e que não sabem como combater as necessidades. Não basta pedir a solidariedade à porta dos supermercados, quando o governo, alegadamente, deixa deslizar mais de um milhão de euros em 2012, quando a fome não pode esperar. Alguém tem de ser julgado politicamente e alguém tem de assumir as responsabilidades.
Há que aguardar pelo desenvolvimento deste caso. O Ministério posicionou-se, resta agora determinar o grau de "verdade" do contraponto feito pelo secretário regional. Mas, um político que disse, em tempos, quando a pobreza já evidenciava uma expressão numérica muito grave, que, na Madeira, a respectiva taxa rondaria os 4%, não me espanta nada, rigorosamente nada, que evidencie uma continuada tendência para esconder a realidade.
Mas nada disto me admira. Já aqui o disse e volto a reafirmar que o círculo vicioso da pobreza só pode ser rompido com um investimento muito sério na Educação. E isso não aconteceu nem está a acontecer. Escolarizaram, por obrigação constitucional, mas não criaram os pressupostos necessários para que cada cidadão tomasse as rédeas do seu próprio futuro. Os indicadores não deixam margem para dúvidas, desde o analfabetismo (quase 17.000), às frágeis habilitações académicas de uma significativa parte da população, que impedem uma resposta adequada a este novo mundo, até ao preocupante abandono do sistema educativo, passando, até, pela posição que a Escola da Madeira, globalmente, ocupa no contexto nacional. Politicamente, eu diria que uma certa estupidificação do povo foi intencional: procuraram controlar o sistema de alto a baixo, impediram a autonomia dos estabelecimentos de educação e ensino, reduzindo-lhes a capacidade de manobra de inovação e criatividade, encurralaram-nos em dívidas, não se preocuparam nem definiram políticas relativamente a tudo o que acontece a montante do sistema educativo (nas famílias), apenas porque queriam uma população ignorante e dependente onde é mais fácil semear uma doutrina, tal como no tempo salazarista, cujo mentor apregoava: “pobre mas honrado”, máxima enquadrada na moral do regime de então.
E perante isto, o povo que procura trabalho leva com mais um epíteto: "vadios". Já foram "cachorros" e agora "vadios que vivem sem trabalhar e à custa dos impostos" e ainda ousam vir para rua "fazer barulho". Há, naquelas declarações, qualquer coisa de povo errante, que anda por aí a ladrar, e a investir sem açaime, porque libertou-se do dono, fugiu porque conseguiu roer a trela que o senhorio colocou há muitos anos.  Quando ele se refere ao povo como gente que ladra e  vadios, só é possível contextualizar essa caracterização com aquele que, ao fim e ao cabo, é tido como o animal mais amigo do homem. E nem esse o quer. Ademais, os cães são aquilo que os donos querem que sejam, pelo que, neste caso, já nem reconhecem o "dono".
Assuntos que esta manhã, na Assembleia, espero, que com o tempo ilimitado que o presidente tem para falar (que grande democracia esta!) não se esqueça de esclarecer a situação da fome e do desleixo em não aproveitar os fundos disponíveis.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 11 de março de 2013

A RIDÍCULA MOÇÃO DE CENSURA


O teatro está montado, o palco "engalanado" como se de uma sessão solene se tratasse. Os actores passaram o fim-de-semana a preparar, milimétrica e articuladamente, os seus textos, para amanhã cumprirem o número do desespero, num circo que funciona debaixo de uma tenta velha e esburacada. Até nas bancadas não vão querer outros espectadores que não os da família. Jovens que mais parecem velhos, consta, vão ali deleitar-se com os números de equilibrismo, de contorcionismo, de malabarismo e de palhaçadas ridículas. À saída talvez tenham direito a um espeto com algodão de açúcar. Que tristeza! Sem darem por isso, os personagens movimentam-se nos bastidores, demonstrando aflição quando deveriam apresentar total serenidade. Diz o Povo que "quem não deve não teme", daí que este estado de ebulição tenha um enorme significado político. O problema é que enquanto andam no teatrinho a Região afunda-se, os empresários passam horas sem facturar e, nos dias certos, têm de pagar a Segurança Social, o IVA, os empregados, etc.; o desemprego cresce e as instituições de solidariedade social não têm mãos a medir para esbater a fome. Enquanto andam no teatro da sobrevivência política, junto do povo as tensões aumentam, as consultas de psiquiatria disparam e a desesperança pela vida cresce. Será que esta gente está no seu perfeito juízo?

O vazio da Assembleia corresponde
ao vazio da Moção de Confiança 
Amanhã é o dia da "Moção de Confiança" apresentada pelo governo regional da Madeira. Galerias cheias, segundo dizem, por jovens da JSD, talvez com receio que uns quantos por lá apareçam a cantar a Grândola, uma maioria preparada para fazer o folclore do costume e dizem, também, ser dia de um aparato policial em redor da Assembleia porque o governo ali se desloca para provar que sua própria maioria lhe dá apoio incondicional. Quando há polícia a mais significa que o poder anda com medo das manifestações de desagrado. Entretanto, para compor esta ridícula cena, o Conselho Regional, no passado Sábado, reuniu para expressar "a sua solidariedade e confiança a todos os membros e ex-membros do Governo Regional que vêm sendo objecto de mais uma manobra de instrumentalização do aparelho de justiça para fins políticos, mal que o regime constitucional nunca conseguiu expurgar até agora". E o comunicado diz mais... que o "Conselho subscreve a Moção de Confiança apresentada pelo Governo Regional, visto a sua actividade, políticas e opções terem vindo sempre em favor do Povo Madeirense". Que dizer? Lindo, espectacular e digno de um regime absoluto e ditatorial. Resta saber quem escreveu o texto do Conselho Regional! Terá sido o próprio autor da Moção de Confiança? É uma das hipóteses.
Como se isto não bastasse, a Procuradoria veio dizer que o processo "Cuba Livre" não tem arguidos e prazos definidos. Por enquanto, penso eu. Por outro lado, fala-se, por aí, numa "manifestação espontânea" de empresários do regime, políticos e outros sentados à mesa do orçamento, unidos no sentido da defesa do "patrão" em função das "maldades" de Lisboa! Onde é que eu já vi este filme... talvez um pouco antes de 1974, com a brigada do reumático em salamaleques de apoio a Marcelo Caetano. Portanto, o mentor deste teatrinho, no essencial, o que pretende é chegar a Terça-feira, com vestes brancas e com uma auréola de total pureza política. Amanhã será então o dia da maioria gritar bem alto, na sede que já foi da Autonomia, por um lado, a inocência política do político benfeitor, do político estadista, do político imaculado ao qual todos se devem curvar e agradecer; por outro, será o dia de um cerrado ataque aos de "cuba livre", aos oposicionistas, essa corja que não consegue enxergar a "obra"; será dia, também, de vociferar perante todos quantos não entendem que a Constituição é verdadeira culpada por não terem ido tão longe quanto desejariam, isto é, a culpada pelo desemprego, pelas falências das empresas, pela pobreza, pelas faltas nos hospitais e nas escolas, pelas dívidas, enfim, a malvada Constituição foi o empecilho que a todos tramou. 
O teatro está montado, o palco "engalanado" como se de uma sessão solene se tratasse. Os actores passaram o fim-de-semana a preparar, milimétrica e articuladamente, os seus textos, para amanhã cumprirem o número do desespero, num circo debaixo de uma tenta velha e esburacada. Até nas bancadas não vão querer outros espectadores que não os da família. Jovens que mais parecem velhos, consta, vão ali aplaudir os números de equilibrismo, de contorcionismo, de malabarismo e de palhaçadas ridículas. À saída talvez tenham direito a um espeto com algodão de açúcar. Que tristeza! 
Sem darem por isso, os personagens movimentam-se nos bastidores, demonstrando aflição quando deveriam apresentar total serenidade. Diz o Povo que "quem não deve não teme", daí que este estado de ebulição tenha um enorme significado político. O problema é que enquanto andam a dar música ao povo, a Região afunda-se, os empresários passam horas sem facturar, embora nos dias certos têm de pagar a Segurança Social, o IVA, os empregados, etc.; o desemprego cresce e as instituições de solidariedade social não têm mãos a medir para esbater a fome. Enquanto andam no teatro da sobrevivência política, junto do povo as tensões aumentam, as consultas de psiquiatria disparam e a desesperança pela vida cresce. Será que esta gente que ocupa lugares políticos está no seu perfeito juízo?
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 10 de março de 2013

O POVO É QUE NÃO QUER TRABALHAR...


Por mais tolerante e flexível que um povo seja, parece-me muito difícil que aceite duas ofensas num espaço muito curto de tempo. Ele nem deu tempo para que se esquecessem do epíteto de "cachorros" e, anteontem, no essencial, disse que querem "facilidades e não querem trabalhar". Isto num momento que a estatística dá conta de 25.000 desempregados e poucas ou nenhumas são as ofertas de emprego. É caso para o povo da Madeira perguntar: afinal, quem é que não trabalha, o que procura emprego e não encontra, ou aquele que tem o poder nas mãos e não mexe uma palha para que a economia funcione e para que os empresários tenham confiança? Mais, ainda, foram os desempregados que geraram a monumental dívida da Madeira de mais de seis mil milhões de euros? Foram os desempregados que esconderam milhões das contas públicas ao ponto de hoje todo o governo estar na Justiça sob suspeita? Foram os desempregados os culpados por tanta falência e por tanta insolvência? Ele sabe de tudo isto e, portanto, aquela declaração é uma espécie de contra-ataque à ruidosa manifestação que há poucos dias teve frente à sua porta.


Sempre teve especial predilecção
pelo bombo. Acabado o Carnaval
o bombo agora é o povo!
FACTO:
Disse o Presidente do Governo Regional da Madeira: (...) há uma voz da "rua que vocifera mas só quer facilidades e não quer trabalhar". 
COMENTÁRIO:
Não sei se é de ter pena, pois de um político, em função das suas atitudes que lesam o interesse de todos, julgo que não devemos ter. O que a democracia ordena e o povo deve cumprir é forçar o despejo do lugar que ocupa. E a vida continuará, porque de insubstituíveis estão os cemitérios cheios. Portanto, há um momento que me invade um sentimento de pena, não no quadro político, sobretudo porque nunca tive dúvidas sobre os seus caminhos, mas por ver um homem arrastar-se pelos corredores ao ponto de vir a sair pela porta dos fundos. Bem ou mal há um tempo para estar e um tempo para dizer chega. Ele não soube dizer chega, a partir daí será a população a indicar-lhe o caminho da rua.
Ora, por mais tolerante e flexível que um povo seja, parece-me muito difícil que aceite duas ofensas num espaço muito curto de tempo. Ele nem deu tempo para que se esquecessem do epíteto de "cachorros" e anteontem, no essencial, disse que "querem facilidades e não querem trabalhar". Isto num momento que a estatística dá conta de 25.000 desempregados e poucas ou nenhumas são as ofertas de emprego. É caso para o povo da Madeira perguntar: afinal, quem é que não trabalha, o que procura emprego e não encontra, ou aquele que tem o poder nas mãos e não mexe uma palha para que a economia funcione e para que os empresários tenham confiança? Mais, ainda, foram os desempregados que geraram a monumental dívida da Madeira de mais de seis mil milhões de euros? Foram os desempregados que esconderam milhões das contas públicas ao ponto de hoje todo o governo estar na Justiça sob suspeita? Foram os desempregados os culpados por tanta insolvência e por tanta falência?
Ele sabe de tudo isto e, portanto, aquela declaração é uma espécie de contra-ataque à ruidosa manifestação que há poucos dias teve frente à sua porta. É certo que custa ouvir: "Cachorro és tu! (...) "Alberto, escuta, o povo está em luta!" (...) "Mentiroso, mentiroso, tu és um mentiroso" (Entoado com a sonoridade de Campeões, Campeões, nós somos campeões) (...) "Rua, rua, rua!" (...) "Vem cá fora, vem cá fora, vem cá fora!" (...) "Ditador! Ditador! Ditador! Ditador!" (...) "Está na hora, está na hora, está na hora do governo ir embora!", repito, custa, mas é a vida! Ele nunca pensou que quem o aplaudiu, que quem agitou a bandeirinha no Chão da Lagoa e quem nele depositou o voto, hoje se sinta enganado e vocifere contra a sua presença no exercício da política. Os mesmos que aceitaram o paleio do "povo superior" é o mesmo que hoje enche as ruas a pedir trabalho e pão. Os mesmos que se deixaram ir na cantiga da "Madeira Nova" olham-no de forma enviesada, sentindo os enganos de muitos anos. É a vida! 
É evidente que quem não trabalha é este governo, não aqueles que as suas políticas afastaram do mundo laboral. Quem não trabalha são aqueles que apesar do desastre económico, financeiro e social, continuam a se pavonear nos meios de comunicação social como se nada estivesse a acontecer. Quem não trabalha são aqueles que nada decidem nas reuniões plenárias do governo. Quem não trabalha é aquele que anda sempre  a se desculpar com a Constituição da República, como não tivesse sido a mesma Constituição que lhe permitiu a tal obra de que tanto se vangloria. Treta, conversa fiada, digo eu.  Ele e todo o governo é que não trabalha, pois os outros, os desempregados, esses têm de fazer-se à vida, ao biscate, à luta diária, mais que não seja para bater à porta das instituições a fim de receber o pão negado por quem deveria criar as condições de estabilidade laboral. Cantem, cantem, agora... "paz, pão, povo e liberdade!"   
Por quanto tempo o povo vai admitir isto?
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 9 de março de 2013

MARINA DO LUGAR DE BAIXO. NEM MAIS UM CÊNTIMO.


Esse dinheiro não cai da árvore das patacas, alegadamente, plantada na Quinta Vigia ou no edifício da antiga Junta Geral. Ele provém dos impostos dos madeirenses e porto-santenses que apertam, por um lado, para o governo atirá-lo ao mar, por outro. São já muitos e muitos milhões que tanta falta fazem em sectores e áreas de prioridade absoluta. Cada euro ali gasto é quase uma refeição que se nega a um pobre. Das sucessivas imagens que vão sendo publicadas fica-me a convicção que melhor seria o governo assumir que errou e, ali, nem mais um cêntimo. Mais vale partir o resto, deixar aquele espaço para deleite da natureza ou, para memória futura, deixá-lo aos caprichos das ondas do mar, para que os vindouros tenham em consideração, enquanto mensagem, que com a natureza não se brinca, muito menos com o dinheiro público.

Confesso a minha ignorância nos assuntos relacionados com o mar, construção de marinas e obras em geral. Mas, quem governa, não faça da população uma cambada de estúpidos. O que qualquer madeirense se apercebe, mesmo sem qualquer rigor científico, é que aquela marina não tem solução. Cada vez que a agitação marítima é forte, lá vão uns milhões para recuperar o prejuízo. E esse dinheiro não cai da árvore das patacas, alegadamente, plantada na Quinta Vigia ou no edifício da antiga Junta Geral. Ele provém dos impostos dos madeirenses e porto-santenses que apertam, por um lado, para o governo atirá-lo ao mar, por outro. São já muitos e muitos milhões que tanta falta fazem em sectores e áreas de prioridade absoluta. Das sucessivas imagens que vão sendo publicadas fica-me a convicção que melhor seria o governo assumir que errou e, ali, nem mais um cêntimo. Mais vale partir o resto, deixar aquele espaço para deleite da natureza ou, para memória futura, deixá-lo aos caprichos das ondas do mar, para que os vindouros tenham em consideração, enquanto mensagem, que com a natureza não se brinca, muito menos com o dinheiro público. 
Acabou. Ponham um ponto final naquele sorvedouro de dinheiro. Não insistam. Aliás, penso que aquela marina deveria ser motivo de um profundo inquérito político em sede de Assembleia Legislativa. Há que apurar as razões históricas e substantivas que conduziram à sua construção. E, caso o relatório final transcenda a esfera política, deve ser motivo de análise a outros níveis. É evidente que qualquer pessoa sabe que, no quadro desta maioria política, não tem viabilidade qualquer inquérito sério. Mas lá virá o dia que esta maioria será, finalmente, oposição, e aí estarão reunidas as condições para que se perceba tudo relativamente a esta teimosia de continuar a gastar onde é sensível que é dinheiro deitado ao mar. Simplesmente porque cada euro ali gasto é quase uma refeição que se nega a um pobre. Mais que não seja, por isso mesmo.
NOTA: 
Este texto foi escrito ao princípio da manhã de ontem. Mal sabia que o Presidente do PS-Madeira, ao final da manhã, produziria uma intervenção com a qual concordo em absoluto: "o grupo parlamentar do PS vai apresentar na Assembleia Legislativa da Madeira uma proposta de resolução "para proibir o GR de continuar a investir na marina do Lugar de Baixo".
Ilustração: Foto do blogue Fénix do Atlântico e Google Imagens.

sexta-feira, 8 de março de 2013

08 DE MARÇO


Por princípio não gosto de comemorações como a de hoje. Simplesmente porque, em função de direitos e deveres iguais, o ser humano deve ser celebrado todos os dias. Mas também é verdade que, apesar de todas as lutas, as desigualdades persistem. Segundo números da Comissão Europeia, as mulheres portuguesas só conseguem atingir o salário dos homens com mais 65 dias de trabalho. Em Portugal, as mulheres ganham menos 18 por cento do que os homens. Fora tudo o resto!

Deixo aqui uma fantástica e comovente intervenção de uma jovem actriz, Joana Manuel, que pode constituir um momento de reflexão, não apenas no campo da cultura, mas em tudo o que se relaciona com a nossa vida. É o testemunho de uma MULHER. 


"Neste dia 8 de Março, mas em 1857, um enorme grupo de operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque deu início a uma greve, acompanhada de uma ocupação da fábrica. O objectivo dessa luta era a reivindicação de uma redução do horário laboral (cerca de 16 horas por dia). As mulheres defendiam 10 horas laborais de trabalho, bem como uma avaliação do seu salário, que representava um terço do salário pago aos homens. As operárias, cerca de 130, foram encerradas na fábrica e morreram queimadas. 
Esta é a génese do Dia Internacional da Mulher, que foi instituído em 1910, aquando de uma conferência internacional de mulheres, que ocorreu na Dinamarca. No entanto, só mais tarde o dia foi celebrado. O dia 8 de Março serviu então para homenagear as mulheres, com a comemoração deste dia internacional que persiste com muitas metas por cumprir. Há mais de um século que as mulheres lutam pela igualdade de direitos laborais, o que ainda permanece por cumprir. Aliás, esta diferença entre homens e mulheres é assinalada no Dia Europeu da Igualdade Salarial, comemorado a 2 de Março, para chamar à atenção para um facto: as mulheres ganham menos do que os homens, que conseguem ordenados médios 16,4 por cento superiores. Segundo números da Comissão Europeia, as mulheres portuguesas só conseguem atingir o salário dos homens com mais 65 dias de trabalho. Em Portugal, as mulheres ganham menos 18 por cento do que os homens". Texto integral aqui.

COM QUE ENTÃO... FALAR DO DESEMPREGO É APROVEITAMENTO POLÍTICO!


E por aqui? Ainda ontem ouvi o senhor deputado Jaime Filipe Ramos (PSD) dizer, na Assembleia, que "nenhum deputado desta casa deve fazer política daquilo que é uma desgraça que afecta muitas famílias. Isso é muito mau, é muito mau tentar ganhar votos com o sofrimento das famílias". Ora bem, denunciar os erros estratégicos do governo regional em matéria de política económica e de emprego, enquadrar e propor soluções "é muito mau" (...) porque isso visa "ganhar votos com o sofrimento das famílias". E se o senhor deputado com esta sistemática lengalenga política fosse cantar para outra freguesia? Então, quando o governo se vangloriava de taxas que quase significavam pleno emprego, quando os discursos na Assembleia, por parte da maioria, eram de eloquência pelo trabalho do governo, isso não significava a promoção de uma imagem com clara intenção eleitoralista? E quando a oposição salientava que tais políticas eram efémeras, que o desastre se aproximava, não correspondeu ao tempo de catalogarem a oposição de "profetas da desgraça"? Mais, ainda: pergunto, o que está o senhor deputado a fazer na Assembleia? A tapar o Sol com a peneira? A tentar esconder uma realidade que a todos preocupa? Senhor Deputado, não se lamente, pois apenas estão a levar com a tempestade que semearam. Não mais do que isso. Daí que os madeirenses estejam a pagar a factura do desnorte, do regabofe, da ausência de planeamento, da ambição política desmedida e sem controlo. Estão a pagar a factura do quero, posso e mando, pelo que não ficarei espantado se o DCIAP entender existir matéria para julgamento dos que directa ou indirectamente estiveram envolvidos na "obra" que hoje sabemos ser de aflição para todos quantos aqui vivem.

Eles riem e o povo que "aguente"
Exclama o povo: "é teimoso que nem um burro"! Pergunta o leitor: a propósito de quê? Do Primeiro-Ministro, respondo.
Oiço-o dizer que não se rende aos sinais da rua. Que não governa em função das vozes provenientes das manifestações. Ora bem, a Economia afunda, o desemprego cresce, a pobreza dispara e o homem prefere olhar para os "amigos" europeus e não para o povo que lhe deu o voto para governar. Prefere cair nas graças de uma Merkel ou de um outro político qualquer, rendido aos bastidores do palco europeu, do que defender os interesses nacionais. Segue o princípio há muito por si anunciado: temos de empobrecer! Exactamente o que outros desejam. E, de facto, estamos a empobrecer. E de que maneira! A classe média desliza, todos os dias, para situações de desespero, os descendentes regressam a casa dos pais e dos avós, os aposentados suportam os encargos dos filhos, a emigração forçada aumenta e o governo, não obstante este gravoso quadro, continua, teimosamente, no caminho conducente ao descalabro económico, financeiro e social. Fala de crescimento, mas não vislumbramos as receitas e fala de combate ao desemprego e cada vez mais ele sobe. Enquanto isto, o Presidente da República vai entretendo os portugueses com frases feitas, mostrando-se incapaz de tomar uma posição ajustada à defesa dos interesses nacionais. Não passa da lengalenga: eu disse, eu avisei! Depois de três meses de silêncio, resolveu botar discurso à porta de uma moagem que, metaforicamente, pode significar que esta situação está para moer a paciência dos portugueses durante algum tempo mais. 
E por aqui? Ainda ontem ouvi o senhor deputado Jaime Filipe Ramos (PSD) dizer, na Assembleia da Madeira, que "nenhum deputado desta casa deve fazer política daquilo que é uma desgraça que afecta muitas famílias. Isso é muito mau, é muito mau tentar ganhar votos com o sofrimento das famílias". Com que então... denunciar os erros estratégicos do governo regional em matéria de política económica e de emprego, enquadrar e propor soluções "é muito mau" (...) porque isso visa "ganhar votos com o sofrimento das famílias". E se o senhor deputado com esta sistemática lengalenga política fosse cantar para outra freguesia? Então, quando o governo se vangloriava de taxas que quase significavam pleno emprego, quando os discursos na Assembleia, por parte da maioria, eram de eloquência pelo trabalho do governo, isso não significava a promoção de uma imagem com clara intenção eleitoralista? E quando a oposição salientava que tais políticas eram efémeras, que o desastre se aproximava, que a despesa não parava de subir, não correspondeu ao tempo de catalogarem a oposição de "profetas da desgraça"? Mais, ainda: pergunto, o que está o senhor deputado a fazer na Assembleia? A tapar o Sol com a peneira? A tentar esconder uma realidade que a todos preocupa? Senhor Deputado, não se lamente, pois apenas estão a levar com a tempestade que semearam. Não mais do que isso. Daí que os madeirenses estejam a pagar a factura do desnorte, do regabofe, da ausência de planeamento, da ambição política desmedida e sem controlo. Estão a pagar a factura do quero, posso e mando, pelo que não ficarei espantado se o DCIAP entender existir matéria para julgamento dos que, directa ou indirectamente, estiveram envolvidos na "obra" que hoje sabemos ser de aflição para todos quantos aqui vivem. A "obra" que conduz, por exemplo, um cidadão da classe média, com residência fiscal na Região Autónoma da Madeira, em 2013, no acerto de contas em sede de IRS, face ao agravamento dos impostos, tenha a pagar € 673,96, quando, nos Açores, com os mesmos valores, esse cidadão terá a receber € 2.925,98. É esta a diferença pela rica obra que fizeram nas costas do povo. 
E agora, Alberto?
E o problema é que temos um vergonhoso saque da responsabilidade do governo da República, ao qual se junta a fraqueza de um governo regional, que enfiou em si próprio um colete de forças, do qual não pode libertar-se e que, por essa via, está a levar os madeirenses e porto-santenses a uma situação de desespero. O panorama social não é pior porque há idosos a contribuírem com as suas magras pensões para o orçamento familiar; há aposentados a pagar as despesas dos filhos desempregados; há mais instituições de solidariedade social do que freguesias a matar a fome de muita gente e há paróquias com um trabalho meritório no campo da solidariedade. E perante isto, os governos, o de lá (PSD/CDS) e o de cá (PSD), teimosamente, "decretam" o caminho do empobrecimento compulsivo como única via possível para tempos melhores! Que grande favor faziam ao povo se nos deixassem da mão!
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 7 de março de 2013

UMA INTERVENÇÃO POLÍTICA QUE NÃO AJUDOU NO COMBATE AO DESASTRE DO SISTEMA EDUCATIVO REGIONAL


O exercício de comunicação ontem deixado pela Deputada Vânia de Jesus inscreve-se, perdoar-me-á a forma como o caracterizo, nesse paleio que toma uma ou outra árvore pela floresta que, entendo eu, ser de desencanto do sistema educativo regional. Dirão, alguns, que se tratou de matéria política, que ela, pertencente a uma maioria política, não pode vir ali desancar no governo, que tem obrigações de solidariedade, pois, isso é verdade, mas nesse caso, continua o tal professor com razão, o melhor é estar calado. E se assim me posiciono é porque sinto que, à medida que faço esse esforço de leitura e acompanhamento dos textos dos pensadores do sector educativo, mais crescem as minhas insuficiências e interrogações. É natural que assim aconteça, o que não significa que a Senhora Deputada, como vulgarmente se diz, tenha de estar à espera da última moda para fazer um fato novo. Por aí nunca o fará, certamente. O que quero dizer é que a intervenção política, em um determinado momento, exige conhecimento e, sobretudo, profundidade na mensagem que não pode se esgotar numa certa cantilena do tipo timex, isto é, que não adianta nem atrasa.

A Senhora Deputada Vânia de Jesus (PSD-M) fez, na manhã de ontem, uma intervenção sobre política educativa na Madeira. Ao longo da extensa comunicação lembrei-me de um professor que um dia, na minha faculdade, no decorrer de uma aula, assumiu que ali, nas suas aulas, todos tinham razão, todavia, teriam de justificá-la cientificamente. Quis o Professor dizer que teríamos, primeiro, de fazer um esforço de estudo e de compreensão dos temas para os podermos discutir. De resto, através de paleio, de blá, blá e de redacções de trazer por casa melhor seria não abrirmos a boca. Pensei eu, no mínimo, não entrava mosca! Essa posição acompanhou-me sempre e sempre tive receio de abordagens superficiais. Quando não se faz um esforço de estudo, na verdade, é melhor estar calado, porque a impreparação e a leviandade, tal como azeite, acaba por vir ao de cima.
O exercício de comunicação ontem deixado pela Deputada Vânia de Jesus inscreve-se, perdoar-me-á a forma como o caracterizo, nesse paleio sem substância, porque não acrescenta, não reflecte e porque toma a árvore pela floresta. E a floresta hoje é de desencanto pelo sistema educativo regional. Dirão, alguns, que se tratou de matéria política, que a Deputada, pertencente a uma maioria política, não podia vir ali desancar no governo, que a Deputada tem obrigações de solidariedade, senão... pois, isso é verdade, mas nesse caso, continua o tal professor com razão, o melhor é estar calado. E se assim me posiciono é porque sinto que, à medida que faço esse esforço de leitura e acompanhamento dos textos dos pensadores do sector educativo, mais crescem as minhas insuficiências e interrogações. É natural que assim aconteça, o que não significa que a Senhora Deputada, como vulgarmente se diz, tenha de estar à espera da última moda para fazer um fato novo. Por aí nunca o fará, certamente. Deve falar, mas com alguma substância, de tal forma que fique alguma coisa! O que quero dizer é que a intervenção política, em um determinado momento, exige conhecimento e, sobretudo, profundidade na mensagem que não pode se esgotar numa certa cantilena do tipo timex, isto é, que não adianta nem atrasa. Explicito, apenas com dois exemplos, politicamente, muito comezinhos: primeiro, a questão da gratuitidade no acesso ao sistema educativo. Em síntese, disse que as famílias que maior disponibilidade financeira dispõem devem pagar para que outros possam ver garantido o acesso e, provavelmente, o sucesso. Questiono: a Deputada, porventura, pensou no que disse? Interrogou-se sobre o problema da dupla tributação? Interrogou-se sobre a justiça fiscal que é feita em sede de IRS, isto é, quem ganha mais desconta mais e que a contrária também é verdadeira? E que a partir daí o acesso deve ser igual? Que não faz sentido pagar duas vezes e que a segunda já equivale a uma penalização e não a um imposto compreensível? Interrogou-se sobre a gratuitidade do sistema em outros países que acabaram com o analfabetismo há mais de um século?; segundo, o tal pioneirismo da Escola a Tempo Inteiro (ETI). Conhecerá a Deputada o que pensam sobre esta opção, os professores, os psicólogos, os psiquiatras, os investigadores em matéria de desenvolvimento da criança? Deixo, aqui, algumas reflexões:
Professor Doutor Santana Castilho, da Escola Superior de Educação de Santarém, investigador: as Escolas a Tempo Inteiro são uma “aberração pedagógica e social que nacionalizou crianças e legitimou a escravização dos pais”. 
Dr. Eduardo Sá, Psicólogo Clínico: "As crianças estão em vias de extinção (...) cada vez mais as crianças estão a passar por um conjunto de situações que não são muito razoáveis (...) Cada vez mais as crianças não são crianças. As crianças têm hoje uma relação com o brincar que é cada vez mais uma relação de fim-de-semana e brincar é uma actividade muito séria para que seja feita apenas ao fim de semana. Passam cada vez mais horas na escola, o que não é adequado... aquilo que me preocupa é que mais escola, sobretudo como ela está a ser vivida, signifique menos infância e quanto menos infância, mais nos arriscamos a construir pessoas magoadas com a vida. Quanto mais longa e mais rica for a infância mais saudável será a adultez (...) os pais estão muito enganados ao pensarem que mais escola significa mais educação (...) neste momento a infância começa a ser perigosamente a escola e, de repente, há toda uma vertente tecnocrática como se o que estivesse em primeiro lugar fosse toda a formação e depois viver a vida. Isto é um absurdo".
Dr. Daniel Sampaio, psiquiatra e estudioso das questões educativas: “(…) não estaremos a remediar à pressa um mal-estar civilizacional, pedindo aos professores (mais uma vez) que substituam a família? Se os pais têm maus horários, não deveriam reivindicar melhores condições de trabalho, que passassem, por exemplo, pelo encurtamento da hora de almoço, de modo a poderem chegar mais cedo, a tempo de estar com os filhos? Não deveria ser esse um projecto de luta das associações de pais? (…) Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família".
Doutor Paulo Guinote: "(...) Por isso, a Escola a Tempo Inteiro é apenas algo que se destina a apaziguar as “famílias” que, cada vez mais, são obrigadas a trabalhar em condições mais precárias e vulneráveis. Que não podem faltar, sob pena de perda do posto de trabalho no final do contrato. Que são obrigadas a cumprir horários incompatíveis com uma vida familiar harmoniosas. Numa altura em que, cada vez mais, as famílias são menos do que nucleares. A Escola a Tempo Inteiro é um óptimo contributo para todos os empresários e empregadores que defendem a desregulação - pelo abuso - do horário de trabalho dos seus empregados. Se é isso que vai desenvolver o país? Abrindo mais umas dezenas de centros comerciais para as “famílias” tentarem desaguar as frustrações ao fim de semana? Quem defende as “famílias” deveria defender, em coerência com os seus princípios, que o Estado protegesse a vida das ditas “famílias” a partir da melhoria das suas condições de vida. A defesa da Escola a Tempo Inteiro é a admissão de um fracasso, de uma derrota e não o seu contrário (...)".
Frei Fernando Ventura: “(…) estamos a pagar facturas altíssimas (…) estamos a criar gerações de “monstros”. Estamos a criar gerações de jovens sem memória. Estamos a criar gerações de pessoas sem história. E quando a memória e a história não se encontram, nós temos os cataclismos sociais. As nossas crianças desde os três meses estão nos berçários, nos infantários, porque têm de estar porque os pais precisam, desesperadamente, de ter dois e três empregos para sobreviverem (…) a história dos novos e dos velhos não se encontra, as crianças não têm voz, as crianças não têm sequer pais, porque têm de trabalhar “25 horas por dia” se for preciso. (…) É esta estrutura por dentro que precisa de mudar (…)”. 
Deixei aqui cinco declarações sobre as ETI. Terá a Deputada se questionado antes da abordagem que fez, sublinho, com uma espantosa convicção, ao ponto de dizer que "temos as melhores respostas"? Não temos, Senhora Deputada. Temos sim uma boa resposta para um problema errado! Desta forma, com as ETI  estão a crescer as famílias a meio tempo, em contraponto à Escola a Tempo Inteiro! Então, questionará, como solucionar o problema? Respondo-lhe: com uma nova organização social. E sobre isso, onde muito há a dizer, apenas lhe digo que a Região, pela dimensão do seu território e número de habitantes, poderia ser um exemplo nacional e europeu. Poderia, mas não é.  
Não vou aqui tecer considerações sobre outros aspectos da intervenção política. Cada vez estou mais distante do paleio político de circunstância, claramente para entreter, paleio em que a maioria política na Assembleia há muito se especializou. Até porque sempre defendi que com a política educativa ninguém deve brincar. A Educação é de discussão política e não de debate partidário. É um assunto demasiado sério e apesar de o ser, infelizmente, o que noto é que continuam a brincar. E por brincarem é que chegámos a 2011 com 85.000 habitantes apenas com segundo ciclo do básico e quase 17.000 analfabetos. O INE "revelou que embora na última década tenha diminuído em todas as regiões do país a população com 15 anos ou mais sem qualquer nível de escolaridade, a Madeira apresentou o segundo valor mais elevado (13%), acima da média nacional (10%). A Região também apresentou a segunda maior proporção do país de jovens que abandonou o ensino apenas com o 9º ano de escolaridade: 27% (22% no total do país) - DN-Madeira. Senhora Deputada, são dados muito preocupantes que deveriam aconselhar a não utilização da demagogia fácil, do elogio sem sentido e das ladainhas de louvor a um sistema que está moribundo e que sobrevive graças ao engenho dos professores. 
Ilustração: Google Imagens.