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sábado, 21 de setembro de 2024
Os homens devem estar loucos
sexta-feira, 20 de setembro de 2024
"AB INITIO"
Eu sei que perante a lei e todos os normativos, somos iguais. A Lei é gerada pelos representantes dos cidadãos em sede de Assembleia da República. Mas também sei que até sentença transitada em julgado todos são inocentes. A presunção de inocência tem de acompanhar todos os processos. Trata-se de um pressuposto que todos deveriam dominar. Ser detido para ser ouvido é uma coisa; outra, é ser arguido, julgado e condenado. Há gente sobre as quais recaem dúvidas, que é ouvida e, mais tarde, absolvida. Entretanto, ficaram na lama através de julgamentos públicos apressados.
Lamento o que tenho vindo a assistir. Como se fossem criminosos de sangue, de um qualquer tráfico ou com uma gravosa história penal, vejo-os tapando a cara e algemados, rodeados de tantos agentes e guardas prisionais agarrando-os pelo braço e, neste quadro, questiono-me, para quê este espectáculo montado pela Justiça? Porque podem fugir ou criar distúrbios? Esquecem-se que há famílias, que há pais, filhos e netos, amigos, entre outros, com todas as repercussões negativas que daí resultam.
quarta-feira, 11 de setembro de 2024
Os “11 de Setembro” ao longo dos tempos
A ideia inicial de um simples revisitar, de forma simbólica, o Golpe Militar do Chile e o Atentado às Torres Gémeas, qualquer deles, um acto de terrorismo puro, surgiu de muitos investigadores defenderem que estes dois acontecimentos trouxeram ao Mundo mudanças profundas duradouras, designadamente descredibilizando o “Mundo do Poder” indiciando o seu declínio, incentivando a prazo um novo Mundo em ebulição.
A publicação deste artigo de opinião coincide em data com dois acontecimentos de primordial importância mundial, relativamente recentes: o Golpe Militar do Chile, no ano de 1973, comandado por Pinochet, pouco antes do nosso 25 de Abril, que derrubou o regime constitucional existente, no decorrer do qual morre o Presidente Salvador Allende e o Atentado às Torres Gémeas em Nova York, em 2001, com milhares de mortos.
sexta-feira, 6 de setembro de 2024
Cortesia e civilidade
Há qualquer coisa de esquisito no comportamento político do presidente do governo regional da Madeira. Ele é membro, por inerência, do Conselho de Estado e lidera o governo da Madeira, portanto, não só do ponto de vista político, mas também da cordialidade e respeito que devem nortear os detentores de funções da maior importância pública, as relações institucionais devem ser pautadas pela maior reverência e deferência. Sem hipocrisias, acrescento. A propósito dos recentes incêndios, perguntar "o que é que ele (Presidente da República) vem fazer?" e ao mesmo tempo dar a resposta, que o Chefe de Estado "não tem nada para ver" na ilha, e que é "só mato queimado", parece-me que atinge um grau de muito pouca cortesia e civilidade.
O Senhor Presidente da República desloca-se a qualquer ponto do país sem ter de ouvir seja quem for, embora a polidez institucional imponha um contacto prévio, até por razões protocolares. Estas situações deixa-me preocupado, pelo efeito negativo que produz junto da população, sobretudo na mais jovem. Parece que tudo é possível, que ser educado é coisa fora de época ou de prazo e que não existem graus de responsabilidade nos patamares da organização política.
sexta-feira, 30 de agosto de 2024
Vazio
As eleições presidenciais são lá para Janeiro de 2025, mas o frenesi já começou com nomes lançados por um partido. Não sei se para queimá-los em lume brando ou se trata de uma pontual excitação política para marcar terreno ou para ver se têm pernas para andar! Seja qual for a intenção, considero extemporâneo tal preocupação. Por dois motivos: primeiro, porque distam dezessete meses do acto eleitoral; segundo, porque uma candidatura presidencial, embora nada a isso obrigue, deve emergir da sociedade, da iniciativa pessoal e não especificamente pela "bondade" dos partidos políticos. Após a assunção das candidaturas, aí sim, podem os partidos manifestar a sua adesão, de acordo com os seus posicionamentos ideológicos. Seria mais sensato, sustento, que assim fosse.
É certo que temos portugueses ao mais alto nível do exercício da política. Neste momento, António Guterres enquanto Secretário-Geral da ONU ou António Costa, brevemente, na liderança do Conselho Europeu. Mas falta-nos outros da estirpe de Mário Soares, Álvaro Cunhal até Adriano Moreira, cidadãos de percurso notável que já não se encontram no mundo dos vivos. É evidente que existem, na sociedade, figuras de topo, de indiscutível mérito, cultural e académico, em vários sectores, com opinião e sentido de serviço à comunidade, mas lá está, as trituradoras máquinas partidárias afugenta-as, não permitindo que contribuam de forma exemplar para o sucesso da sociedade. Creio que estamos a nivelar por baixo. É o banco de suplentes a funcionar.
Foi esta a sociedade que construímos, de uma forma afunilada, onde tudo começa e termina numa partidarite aguda. Hoje somos vítimas de uma clique que, genericamente, galopa no terreno dos interesses pessoais, de grupos mais ou menos fechados, e não no espaço de uma democracia aberta, livre e consistente. Dificilmente outro podia ter sido o resultado, quando a Escola, neste meio século de vivência democrática, não soube educar para uma cidadania activa e culta capaz de impor o respeito às organizações partidárias.
Ainda sobre a Escola, cinquenta anos depois, a propósito dos últimos incêndios, chocou-me assistir à linguagem verbal de um entrevistado, cuja televisão não teve outro remédio senão legendar. O senhor pareceu-me ter menos de 60 anos, portanto, teria dez quando o anterior regime foi derrubado. Não me refiro às características regionais ou locais da fala, mas ao conteúdo e à capacidade de transmissão de um pensamento minimamente escorreito. Isso aprende-se, independentemente do concelho, freguesia ou sítio onde se vive. Como é possível estarmos, ainda, nesse patamar da legenda para ser entendido.
Ora, as organizações partidárias andam a leste destes problemas, genericamente vivem viradas para si próprias, quando elas são importantes enquanto estruturas que emergem da democracia representativa. Como se lê na obra de Robert Michels [1911], Sociologia dos Partidos Políticos (1982), elas acabaram por sedimentar "numa estrutura altamente burocratizada, comandada por um conjunto de dirigentes profissionais muito mais preocupados com a manutenção das suas posições internas e com a sobrevivência da organização, do que com os objectivos políticos que inspiraram a sua criação" (...) "quem diz organização diz oligarquia", acrescenta Michels.
Para reflectir!
Ilustração: Google Imagens.
quinta-feira, 22 de agosto de 2024
Fogos e os novos "lápis azul"
Caro presidente Dr. Filipe Gonçalves e toda a direcção da delegação na Madeira do Sindicato dos Jornalistas: parabéns. Parabéns pela coragem na denúncia de um "clima de pressões e restrições" no acompanhamento dos fogos florestais. Pressões que "atingem, também, os responsáveis pelos órgãos de comunicação social, que são pressionados a desmentir notícias que depois se confirmam serem verdadeiras".
Contornam a liberdade com traços engenhosos, quase sem deixar rasto, emergindo como santos de um processo prenhe de enganos. Julgam que todos estão à venda e que controlando-os conseguem sobreviver no pântano da política.
Está entranhado no modo de exercer a política. A muitos corre-lhes nas veias esse sentido de domínio, de perversão da democracia, por interesses pessoais e de grupo, atacando na causa, para que ninguém tome conhecimento da realidade. O lamaçal tem de ser escondido ou disfarçado aos olhos dos eleitores. Faz parte da engrenagem da "máfia boazinha". Neste caso, o que é patente ao comum dos cidadãos é o crónico desastre na floresta, mas aos olhos de uns quantos estamos perante um caso de absoluto "sucesso". Isto é, por um lado, evitam que os jornalistas descrevam a realidade, por outro, de megafone na mão, falam da excelência do trabalho feito. Esquecem-se que os jornalistas não são "pés de microfone"!
Estou certo que não conheço "da missa nem a metade", melhor dizendo, o que por aí, intencionalmente, se esconde. Mas, porque nada é eterno, tenho a sensação que, um dia, na abertura dos armários ou dos "arquivos mortos" cairão, em catadupa, centenas de dossiês escondidos ou ignorados pela tal subtileza dos discursos ao longo de 48 anos. Trata-se de uma mera convicção minha a avaliar pelo "clima de pressões e restrições" agora claramente denunciados.
Pegando da expressão popular, quando se fala da noite de 31 de Dezembro e a propósito de algo que nos desencanta, noutros espaços políticos, estou certo que este governo não chegaria "a ver o fogo"! Porque dói ver tanta devastação e ter consciência das dezenas de anos para uma total recuperação.
Ilustração: Google Imagens.
quarta-feira, 21 de agosto de 2024
A Alice e os incêndios na Madeira
A percepção que tenho é que o Senhor Presidente do Governo Regional da Madeira quer demonstrar assertividade, todavia, em cada intervenção demonstra que se encontra num labirinto de difícil saída política.
segunda-feira, 19 de agosto de 2024
Abutres e treinadores de bancada
De uma assentada o Senhor Presidente do Governo da Madeira despachou-nos para as Selvagens. Políticos e população foram embrulhados em "papel grosseiro" e aqui vai disto: minhas senhoras e meus senhores, mesmo os que me elegeram, calem-se porque são incultos, rudes e intratáveis. Melhor dizendo, nas suas palavras, uns são "abutres políticos" e, outros, "treinadores de bancada". Não percebem nada de fogos, muito menos de incêndios florestais. Já passei por muitos, dirá, o que poderia significar conhecimento através da experiência vivida. Pois, há quem diga que tem 20 anos de experiência (ou 20 incêndios), porém, na verdade, têm uma experiência repetida 20 vezes. O problema reside aí, quando a experiência não actualizada permite a continuidade dos erros!
Não me vou arvorar em "treinador de bancada", mas leio muitos desabafos, técnicos e científicos, que nada abonam em favor da defesa da nossa "casa comum". Ainda ontem escutei uma notável entrevista ao madeirense Engº Doutor João Baptista (RTP-Madeira), ele que é apenas um ilustre da ciência, não um "abutre" ou "treinador de bancada", onde deixou a nu as crónicas vulnerabilidades da Região. Escutei, também, a voz autorizada e frontal do geólogo Dr. Raimundo Quintal, que não o tenho por "abutre" ou "treinador de bancada", apenas um estudioso destas matérias. E, entre muitas outras, ainda hoje, li uma declaração de Joaquim Jorge, fundador do Clube dos Pensadores, que fala de um presidente "com o seu lado errático e cabotino" (...) Este senhor é um "monstrinho" a pensar e a agir. Os madeirenses que se lixem (...)".
Exclamo, enquanto espectador de bancada, o que são, afinal, 5 000 hectares ardidos! Coisa pouca, não é?
quinta-feira, 15 de agosto de 2024
O que é que a Padroeira tem a ver com isto?
Nutro um profundo respeito por todos quantos veneram a Senhora Mãe de Cristo. Mas invocá-la "em vão" considero inapropriado e, sobretudo, oportunista. O Senhor Bispo pediu "protecção e ajuda aos que combatem os fogos na Serra de Água", a Senhora Presidente da Câmara, Drª Cristina Pedra, "que lhe dê forças (para continuar) a gerir bem" e o Dr. Jorge Carvalho viu ali "uma oportunidade para agradecer todas as dádivas que nos são concedidas". Espantoso!
Será por culpa da Senhora que as árvores caiem e matam? Terá Ela culpa da corrupção dos Homens? No outro extremo, responsável pela pobreza, onde os pensionistas mais desfavorecidos, irão contar, dizem, com € 100 ou 200 Euros que sobram do banquete de outros? O que terá Ela a ver com os saneamentos dentro do mesmo partido ou com o desespero de quem precisa de uma consulta ou de um cirurgia? Será que tem responsabilidades por "permitir" disfarçados "monopólios" onde quase tudo gira em redor de meia dúzia? Terá alguma responsabilidade dos dois matutinos pertencerem ao mesmo proprietário? Será responsável pela existência de quase 30% de pobres que estendem a mão nas instituições assistenciais? Será responsável pela existência de mais de cinco mil jovens que não trabalham nem estudam? Será que é responsável pelos preços da habitação, pelos juros bancários, pela inflação provocada? Será que é a responsável pelo caos urbanístico, as perdas de água e pelo desperdício dos dinheiros públicos? Por aí fora... tanto e tanto que havia para desfiar?
A Senhora não tem culpa pelo que Homens e Mulheres fazem. Nem Ela deseja, certamente, a estupidificação dos crentes. Por um lado, presumo, que a Senhora dispense agradecimentos de circunstância; por outro, que lhe peçam seja o que for. Simplesmente porque é o ser humano, no exercício da política ou não, que têm o supremo dever de cumprir a paz entre todos. Lembram-se do Sérgio Godinho... "(...) Só há liberdade a sério quando houver... A paz, o pão, habitação, saúde, educação (...)". Não é a Padroeira a responsável por este desígnio, mas quem administra a res pública, desde a Igreja a todos os sectores e áreas da governação.
Inspirem-se na Mulher, mas não Lhe peçam nada. Nem Lhe agradeçam.
Ilustração: Google Imagens.
terça-feira, 13 de agosto de 2024
Ir ao pote
Por
Carlos Matos Gomes,
in Facebook, 13/08/2024
Ir ao pote. O meu reino por um pote. Blair e Passos Coelho são políticos guiados pela mesma luz: ir ao pote. Tony Blair, o rosto da terceira via do socialismo, levou o Partido Trabalhista do Reino Unido ao governo e venceu mais duas eleições com a promessa de continuar a política da liberal Thatcher.
A Terceira Via tinha apenas um objetivo: chegar ao governo, que corresponde ao ir ao pote na frase de Passos Coelho na entrevista à RTP de 17 de Fevereiro de 2011, quando desencadeou a crise da recusa à última hora do PEC IV, que o levaria ao governo.
quinta-feira, 1 de agosto de 2024
Autarquias: água, saneamento e resíduos sólidos
Uma breve nota (DN, 29 de Julho, páginas 4 e 5):
Poderemos falar numa nova etapa na geopolítica?
Por
João Abel de Freitas,
O ambiente político internacional está a evoluir de forma menos favorável à guerra na Ucrânia. O ambiente na UE está a mudar e as perspetivas americanas não caminham em melhor sentido.
quarta-feira, 17 de julho de 2024
França: tudo os uniu e agora tudo os desune
Por
João Abel de Freitas,
A ‘magia’ só será efectiva se houver um programa de desenvolvimento bem assente no terreno, que terá de ser bem negociado com os partidos e as instituições de natureza social.
Deu-se “magia” na segunda volta das Legislativas em França. O Presidente Macron, face à pesada derrota nas Eleições Europeias (9 Junho), dissolve de imediato a Assembleia Nacional e marca Legislativas para 30 de Junho e 7 de Julho (primeira e segunda volta). Face às sondagens que lhe eram, desde há muito adversas, Macron, tudo indica, trazia premeditadamente esta decisão para aquela noite.
sexta-feira, 12 de julho de 2024
Esta senhora é perigosa
Por
Miguel Sousa Tavares,
estatuadesal
Esta senhora, Lucília Gago, é perigosa. É certo que se vai embora dentro de três meses, mas a cultura que deixa instalada é, em si mesma, um perigo.
Das duas, uma: ou Lucília Gago não entende a gravidade das coisas que diz ou deixa por dizer, das coisas que cala ou consente, e isso é altamente preocupante, ou, pelo contrário, entende-o muito bem mas não o considera grave, e isso é perigoso. Mas depois de seguir atentamente a sua entrevista à RTP não me restam dúvidas algumas de que a hipótese válida é a segunda. A senhora procuradora-geral da República (PGR) não apenas defende a sua dama, os seus métodos e os seus resultados, como ainda considera quaisquer críticas à actuação do organismo a que preside nada mais nada menos do que o resultado de “uma campanha orquestrada”. Segundo o seu raciocínio, vivemos num país onde todos podem ser livremente criticados, como é próprio de uma democracia, e onde o Ministério Público (MP), que ela supostamente dirige, pode instaurar por sua única iniciativa processos de averiguações criminais ao primeiro-ministro (PM), ao Presidente da República (PR) e a quem mais entender, mas o contrário — qualquer crítica ao MP ou à PGR — só pode ser resultado de uma campanha orquestrada e necessariamente de má-fé. Porque eles são infalíveis, “altamente competentes” e não devem explicações nem pedidos de desculpas a ninguém. Mesmo que escutem a troco de nada um ministro durante quatro anos, mesmo que façam cair um Governo anunciando que o PM está sob suspeita num inquérito e depois o Tribunal da Relação reduza essa suspeita a simples ridículo, ou que mantenham durante anos suspensa a vida de pessoas suspeitas de pretensos crimes gritados para a praça pública e depois deixadas a vegetar na secretária de um procurador.
quarta-feira, 10 de julho de 2024
Em que caixa está a extrema‑direita?
Na cozinha da casa dos meus pais existiam umas caixas de lata com rótulos Arroz, Massa, Açúcar, Café… O que se encontrava no interior nunca correspondia ao rótulo. A lata que anunciava café de umas vezes tinha biscoitos, de outras nozes, a do açúcar podia ter massa ou farinha, havia uma que habitualmente servia de mealheiro e guardava moedas. Habituei-me a não confiar nos rótulos. Também passei mais de dois terços da minha vida a comer em refeitórios de instituições. Sou um consumidor de rancho geral, não espero maravilhas gastronómicas, mas procuro saber o que os cozinheiros lá colocam para evitar diarreias.
Com estas habilitações, fruto das circunstâncias, tendo a apreciar a “nobre arte da política” como um cozinhado de rancho geral elaborado com os produtos das latas que se encontram na dispensa. Hoje a política é um rancho geral produzido com uma receita de politicamente correto. As recentes eleições em Inglaterra e em França e as sondagens sobre as intenções de voto na Alemanha fornecem pistas para os clientes-consumidores que nós somos entenderem o que lhes estão a colocar no prato. O que devemos comer e o que devem rejeitar para não ficarmos doentes. Pelo menos isso: haja saúde!













