domingo, 26 de fevereiro de 2012

APARENTEMENTE NORMAL


O que ele quer e já desenhou em pensamento, admito, não é publicável. Para já. Parece existir aqui um compasso de espera relativamente a qualquer coisa e, de permeio, dizendo-se “teso”, surge divertido durante o desfile de carnaval, gozando com a situação e demonstrando um à-vontade que, repito, para um político aparentemente normal, não deixa de ter uma curiosa leitura.


Diz o "chefe" que a sua vida política, já lá vão 35 de poder contínuo, nunca teve anos fáceis. Este é apenas mais um, dirá. Não vou nessa cantiga. Há aqui qualquer coisa estranha, pelo que a sua atitude descontraída parece-me reveladora de uma qualquer estratégia que não descortino. Mas existe. Um ser político, aparentemente normal, perante o descalabro diário de toda a estrutura por ele próprio engendrada, das duas, uma: ou pirava-se do poder, alegando ausência de condições para governar, ou tem, em actividade, o desenvolvimento de uma estratégia. Os artigos de opinião publicados no JM, onde se inclui, há dias, o patético e miserável ataque à família Blandy, constituem uma máscara carnavalesca que esconde outros desígnios da sua paixão dominante. Desconfio que a verdade escondida esteja muito para além do blá, blá de circunstância e da ronda pelas capelas dos apóstolos. O que ele quer e já desenhou em pensamento, admito, não é publicável. Para já. Parece existir aqui um compasso de espera relativamente a qualquer coisa e, de permeio, dizendo-se “teso”, surge divertido durante o desfile de carnaval, gozando com a situação e demonstrando um à-vontade que, repito, para um político aparentemente normal, não deixa de ter uma curiosa leitura.
Os sinais emitidos pelo “chefe” são terrivelmente preocupantes. Já não falo da legião de novos pobres, do desemprego que alastra, da saúde em completa falência, das escolas sem um cêntimo, falo da contínua ausência de medidas, do drama das empresas que não facturam, das aflições familiares, da emigração forçada e da perda de esperança. Um ser político aparentemente normal não brinca com assuntos sérios, daí, que andará o “chefe” a engendrar?
Ilustração: Google Imagens.
NOTA:
Artigo de opinião, da minha autoria, publicado na edição de hoje do DN.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Se Jardim está a engendrar qualquer coisa, está de parabéns. Porque, do antecedente, nunca engendrou nada. Era tudo em cima do joelho e de acordo com a çaça ao voto.

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
É bem verdade, porém, à luz da História, interessa saber se o que anda a engendrar visa os interesses do Povo, ou aqueles que apenas são partidários e de manutenção do poder absoluto. Tenho, obviamente, curiosidade nesse campo. Como diz e bem... se os seus objetivos apenas se centram na "caça ao voto".