sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O SECRETISMO DAS VIAGENS


A presidência do governo não constitui, embora muitas vezes pareça, uma sociedade secreta, gerida segundo códigos obscuros, cuja informação apenas circula na rede fechada do círculo de amigos. A presidência não é a casa particular do presidente, onde pode definir as regras que quer e entende. A presidência, ela própria encerra regras que devem ser escrupulosamente respeitadas. Regras que resultam da vida e da vivência democráticas. E uma dessas regras é a da transparência, pois todos os cidadãos têm o direito de conhecer todos os passos do governo. É o caso das viagens do presidente.
  
Se as deslocações são oficiais, logo, são pagas
pelos contribuintes, logo, têm o direito de
conhecer as justificações e resultados.
Elementar, meu caro...
Um governante tem a obrigação de assumir uma total e rigorosa transparência dos seus atos políticos. Ninguém tem nada a ver com a vida privada do governante, desde que norteada pelo recato, princípios e valores de conduta, mas no que toca à sua função política, aí, tudo toca mais fininho. Não é admissível, por exemplo, a permanente dúvida, sobre onde pára o presidente do governo regional, o que foi fazer ali ou acolá, que interesse político terão as suas viagens, enfim, aí, quem governa, não pode deixar margem para interpretações dúbias, divagações e especulações públicas. A presidência do governo não constitui, embora muitas vezes pareça, uma sociedade secreta, gerida segundo códigos obscuros, cuja informação apenas circula na rede fechada do círculo de amigos cúmplices. A presidência não é a casa particular do presidente, onde pode definir as regras que quer e entende. A presidência, ela própria encerra regras básicas que devem ser escrupulosamente respeitadas. Regras que resultam da vida e da vivência democráticas. E uma dessas regras é a da transparência, pois todos os cidadãos têm o direito de conhecer todos os passos do governo. É o caso das viagens do presidente. Desde logo, ao sair da Região deveria, no mínimo, informar a Assembleia Legislativa, indicando o programa e o essencial que justifica a deslocação. No meu entendimento, deveria pedir autorização à Assembleia, porque dela depende. Mas, enfim, neste quadro de secundarização do parlamento regional, repito, no mínimo, deveria informar. Mas nem a isso se predispõe e, daí que, volta e meia temos este folhetim do presidente em Bruxelas. Estará em Bruxelas, ninguém sabe! O que foi fazer, qual a sua agenda, também ninguém sabe. O secretismo é total, pelo que qualquer cidadão interrogar-se-á, afinal, que raio de encontros terá em Bruxelas ou em qualquer outra capital europeia e qual o seu real interesse para a Região Autónoma?
Ora, se uma situação destas acontecesse na República, coitado do Primeiro-Ministro! Tinha, com toda a certeza, a comunicação social à perna e a esmiuçar todas as viagens, alegadamente, de trabalho e os encargos das mesmas. Mas, aqui, nem no regresso a população tem o direito de conhecer a síntese do que andou a fazer. Muito menos os parlamentares. Transparência para quê, se ele se autoconsidera de U.I. (único importante)?
Ilustração: Arquivo próprio.

7 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Parece-me nítido que o senhor anda a ver se consegue um tacho, para sair por cima, como se costuma dizer. Mas, pelos vistos, ninguém o quer. O mais provável é que só lhe estejam a oferecer lugares de contínuo ou de porteiro. Daí o secretismo.
Só lhe resta ir para Paris estudar filosofia. Aí terá pelo menos um colega para o ajudar...

João André Escórcio disse...

Meu Caríssimo,
Sinceramente, se se trata de ironia, não atingi.
E quanto à Filosofia, a minha é outra, é a da defesa do bem comum, porque nunca me coloquei na fila dos tachos e tudo na vida foi conseguido com esforço e dedicação.
Ah... e muitos dissabores.

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Claro que "o senhor" de que falo é o tal das viagens secretas.
Se tiver que dizer algo a seu (André Escórcio)respeito, fa-lo-ei diretcamente e sem rodeios, embora com o devido respeito, como é meu lema.

Peço desculpa por o ter induzido a engano.

João André Escórcio disse...

Obrigado. Percebi.
Um abraço de muita consideração e estima.

João André Escórcio disse...

Caríssimo Cor. Vouga,
Li melhor, contextualizei e é evidente que eu é que tive uma leitura abusiva do seu comentário. Acontece. Eu é que peço desculpa.
Um abraço.

Vilhão Burro disse...

Senhor Professor
Por aquilo que aqui tenho lido, fiquei muito admirado com o entendimento que deu ao comentário do Senhor Coronel Fernando Vouga.
Habituado, como está, a lidar com a maioritária cambada carroceira da ALRAM, o Senhor Professor fez uma leitura apressada e desfasada da personalidade FRONTAL daquele CAVALEIRO e CAVALHEIRO. Ainda bem que tudo ficou esclarecido, como é próprio entre pessoas de bem. Agora estou mais descansado. Era bom que os meus compadres aprendessem com estes bons exemplos.
Os meus cumprimentos aos dois Senhores.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Acredite que ainda sinto um nó na garganta pela leitura apressada que fiz ao comentário. Estou fora da Região e o pouco tempo para ler, reler e contextualizar acaba por originar lapsos destes.
Já apresentei desculpas ao Senhor Coronel Fernando Vouga, pessoa que tenho, como sabe, em altíssima consideração.
Obrigado pelo texto.