segunda-feira, 26 de novembro de 2012

CONVERSA DE TROLHA


Todos sabem, seja qual for o contexto de análise, que ao longo da sua velha e caduca governação, tudo girou em função da sua batuta. Sempre falou na primeira pessoa do singular e os secretários paus-mandados do processo. A ele se deve a confusão entre o conceito de escolarização e o de educação; a ele terão de ser assacadas responsabilidades pelas graves assimetrias sociais, onde a pobreza só poderia ser travada com investimento na Educação; a ele fica a dever-se a ausência de um paradigma económico sustentável e portador de futuro; a ele se deve a situação a que se chegou de perda de Autonomia, dívida pública e dupla austeridade.
 
O analfabetismo
é a "pena máxima" para um povo!
O ainda presidente do governo regional lamentou-se "ser o bombo da festa" e que, doravante, será mais exigente pois está ali “(…) para trabalhar depressa, para desenrascar (…)”. Está explicada, digo eu, a falência do sistema educativo. O seu trabalhinho de “desenrascanço” gerou 24.602 pessoas sem qualquer habilitação, entre os quais contam-se 16.767 habitantes analfabetos e, tragicamente, 84.100 apenas com o 1º ciclo do ensino básico. Eu diria que a sua conversa é, portanto, de trolha, do sujeito que “desenrasca”, mas que não quer ser responsável por esta “obra” de sua autoria. Trinta e seis anos depois, antecipando-se aos números do INE, atirou para outros as suas responsabilidades, porque, disse, não tem "pachorra” para engolir os “erros da Administração Pública que nem sequer sabia que existiam”. Ora, todos sabem, seja qual for o contexto de análise, que ao longo da sua velha e caduca governação, tudo girou em função da sua batuta. Sempre falou na primeira pessoa do singular e os secretários paus-mandados do processo. A ele se deve a confusão entre o conceito de escolarização e o de educação; a ele terão de ser assacadas responsabilidades pelas graves assimetrias sociais, onde a pobreza só poderia ser travada com investimento na Educação; a ele fica a dever-se a ausência de um paradigma económico sustentável e portador de futuro; a ele se deve a situação a que se chegou de perda de Autonomia, dívida pública e dupla austeridade.
Há uma subjacente leitura política face aos números caracterizadores da Educação na Madeira. Um povo analfabeto ou com habilitações mínimas mais fácil se torna manipulá-lo e conduzi-lo aos desígnios ideológicos de um político. Esqueceu-se que o futuro não se constrói tendo por base o “desenrascanço” e que a família, a formação com rigor, qualidade e exigência era a grande “obra” a “inaugurar”. Ou então, não se esqueceu e partiu do pressuposto, egoísta, que quem a seguir vier apague a luz e feche a porta.
Ilustração: Google Imagens.
NOTA: Opinião da minha autoria publicada na edição de hoje do DN-Madeira.

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