segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"O ÓDIO DE CLASSE É HOJE DOS RICOS CONTRA OS POBRES"


Adormecem a pensar no assunto e chegam ao ministério ávidos de lançar perversamente, mais uma "novidade". São pessoas que estão bem na vida e que sabem que uma vez o "trabalhinho" feito, voarão para outras posições empresariais, europeias e até mundiais, como "pagamento" pelo jogo sujo a que se subordinaram. Essa gente não tem dó nem piedade dos que sofrem, como ainda ontem vi, numa reportagem da RTP 1, pobres lamentando-se de terem apenas uma "meia-refeição" diária para sobreviver. Pessoas que foram encurraladas no círculo vicioso da pobreza, porque falharam as políticas de família e as políticas de educação. Associadas a estas, as políticas de organização da sociedade no sentido de uma resposta decente e consistente do direito ao trabalho. Se o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, na sua habitual vozearia "pepediana", raramente acerta, já o Professor Freitas do Amaral tocou no ponto certo e foi mais longe ao prever a queda deste governo ao longo de 2013. Nem é preciso ter uma bola de cristal, pois o caminho que isto está a levar, inevitavelmente, conduzirá ao rompimento do contrato estabelecido com a troika internacional. Ao contrário de imporem, serão eles próprios a perceberem, em sua própria defesa, que não se pode matar um povo (este e outros que estão a passar pelo mesmo), porque os mercados (malditos mercados) assim exigem. Os credores compreenderão que os devedores têm de ter tempo, têm direito aos patamares de uma dignidade mínima e que os povos mais frágeis não podem ser triturados nessa economia de casino.
 
 
Agora, junta-se mais uma: o subsídio de refeição contará para efeitos de IRS. Muitas vezes fico a pensar, não nas sucessivas maldades que andam, diariamente, a fabricar, mas se esta gente que orienta o país está em perfeitas condições de saúde, de acordo com o conceito da OMS. Parece existir em certas mentes um instinto de malvadez, de perseguição, de castigo sobre o semelhante, de gozo sobre uma população indefesa e sucessivamente arrastada para a pobreza, sinónima de miséria. O rol de tons sádicos parece infindável, pois cada dia surge mais um toque, mais uma novidade contra a sobrevivência. O Professor Freitas do Amaral tem absoluta razão quando afirma que "o ódio de classe é hoje dos ricos contra os pobres". Fico com a ideia que mais que um olhar governativo para a construção de um futuro sustentável, há políticos cuja única preocupação é a de descobrir onde sacar mais aos pobres contribuintes. Adormecem a pensar no assunto e chegam ao ministério ávidos de lançar perversamente, mais uma "novidade". São pessoas que estão bem na vida e que sabem que uma vez o "trabalhinho" feito, voarão para outras posições empresariais, europeias e até mundiais, como "pagamento" pelo jogo sujo a que se subordinaram. Essa gente não tem dó nem piedade dos que sofrem, como ainda ontem vi, numa reportagem da RTP 1, pobres lamentando-se de terem apenas uma "meia-refeição" diária para sobreviver. Pessoas que foram encurraladas no círculo vicioso da pobreza, porque falharam as políticas de família e as políticas de educação. Associadas a estas, as políticas de organização da sociedade no sentido de uma resposta decente e consistente do direito ao trabalho.
Se o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, na sua habitual vozearia "pepediana", raramente acerta, já o Professor Freitas do Amaral tocou no ponto certo e foi mais longe ao prever a queda deste governo ao longo de 2013. Nem é preciso ter uma bola de cristal, pois o caminho que isto está a levar, inevitavelmente, conduzirá ao rompimento do contrato estabelecido com a troika internacional. Ao contrário de imporem, serão eles próprios a perceberem, em sua própria defesa, que não se pode matar um povo (este e outros que estão a passar pelo mesmo), porque os mercados (malditos mercados) assim exigem. Os credores compreenderão que os devedores têm de ter tempo, têm direito aos patamares de uma dignidade mínima e que os povos mais frágeis não podem ser triturados nesta economia de casino. Vão ter de negociar os juros e o tempo para pagar os empréstimos feitos. Eleições antecipadas serão, por isso, o caminho natural. Antes disso, como salientava a Jornalista Clara Ferreira Alves no último Eixo do Mal, a violência crescerá, mesmo que a polícia de choque corra as manifestações à bastonada, apanhando pela frente não apenas as minorias violentas, desnorteadas e agressivas, mas também gente de postura correcta e com direito à indignação. Só aí o Presidente da República acordará da sua longa sonolência política. Talvez lhe venha à memória a história dos "secos e dos molhados". Ele acordará com os Tribunais cheios de processos por incumprimento das dívidas fiscais, cheios de processos de insolvência e todos os sectores, do empresarial ao social, em guerra aberta contra uma gente politicamente desprezível que está a fazer do povo gato-sapato. E por aqui fico, porque sinto a revolta a invadir-me.
Ilustração: Google Imagens.

1 comentário:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Ao que chegámos! E não vamos ficar por aí.
Isto fez-me lembrar uma cançoneta brasileira, já com mais de cinquenta anos, que terminava assim:
"Se alguém fizer da lua coisa sua,
Essa luz que vem da Lua
Nós teremos que pagar."