sábado, 23 de fevereiro de 2013

OS "CACHORROS" TAMBÉM VOTAM...


Foi esse povo humilde, descamisado, que ao longo dos anos foi acreditando na sua palavra, que foi tratado abaixo de cão. Num momento que, alegadamente, ele e muitos dos seus pares de governo serão chamados a explicar, perante a Justiça, "os actos e omissões" de muitos anos de governação, quem deveria ter a sensatez de conduzir o processo político com responsabilidade, acaba por fazer exactamente o contrário, dando uma imagem pública de "perdido a velas e perdido a remos". Depois disto, resta-lhe a saída pela porta dos fundos. Se tem, ainda, do ponto de vista político, um pingo de vergonha e de sensatez, deve partir, colocar o lugar à disposição, libertar-se e libertar o povo, todavia, com a dignidade de enfrentar as situações que a Justiça pretende ver esclarecidas.


A partir de agora pressuponho que seja sempre a descer na credibilidade. Aliás, que já era pouca. Quando o Presidente do Governo Regional da Madeira dirige-se ao povo dizendo que "(...) Não vale a pena ladrar, porque ainda não aprenderam a ser cachorros", penso que, politicamente, acabou. Enquanto houve dinheiro, enquanto jorraram muitos milhões que abafaram os reais problemas, o Dr. Jardim cantou de galo, andou por aí sempre de crista empinada, moveu processos a quem o colocou em causa, agora, mais cedo que tarde, a contas com a Justiça (deduz-se da comunicação social), ensaia, desesperadamente, uma nova estratégia, a do ataque às pessoas humildes, carenciadas, desempregadas, muitas com fome de tudo! 
O que ontem se passou no bairro da Nazaré, trata-se de uma miserável afronta precisamente a muitos daqueles que lhe garantiram vitórias eleitorais. Foi esse povo humilde, "descamisado", que ao longo dos anos acreditou na sua palavra, que foi tratado abaixo de cão. Num momento que, alegadamente, ele e muitos dos seus pares de governo serão chamados a explicar, perante a Justiça, "os actos e omissões" de muitos anos de governação, quem deveria ter a sensatez de conduzir o processo político com responsabilidade, acaba por fazer exactamente o contrário, dando uma imagem pública de "perdido a velas e perdido a remos". Depois disto, resta-lhe a saída pela porta dos fundos. Se tem, ainda, do ponto de vista político, um pingo de vergonha e de sensatez, deve partir, colocar o lugar à disposição, libertar-se e libertar o povo, todavia, com a dignidade de enfrentar as situações que a Justiça pretende ver esclarecidas.
Sei, no entanto, que tal não irá acontecer. Não conheço quem viva e sinta o poder, o desejo de parar. Chega a um ponto que o poder funciona como uma droga, cujos tremores só são atenuados com doses acrescidas. O poder fascina, pior ainda, quando a longevidade é significativa. Aí, todos os outros confrades sentem a necessidade daquele que distribui outros poderes, pequenos ou grandes. A sua retirada pode significar a saída de muitos que vivem à mesa do orçamento e, assim, sendo mais chefe do que líder, torna-se presa fácil da teia que ele próprio montou. O Dr. Jardim está confrontado entre a desesperada pressão interna e o iminente conflito social. Quando isto acontece, quando a fase do desespero toma conta da serenidade, mais fácil se torna cair em cima dos mais frágeis. Oxalá, não estejam já alguns a tentar descobrir os cabeças da manifestação popular. Oxalá!
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Desculpe lá, mas tenho de sair em defesa do Dr. Jardim. O que ele disse é verdade: aqueles que já aprenderam a ser cachorros, vulgo "povo superior", não ladram.
Pudera!!!

João André Escórcio disse...

Bem visto!