terça-feira, 11 de junho de 2013

MELHORÁMOS NA PRODUÇÃO DE CONCENTRADO DE TOMATE!


Senti vergonha daquele discurso quando tanto havia a dizer, embora sem entrar nos domínios concretos da governação. Ele é o Presidente da República, não pode nem deve, por isso, andar à volta do zero, ao jeito de "não me comprometa", através de discursos inócuos, internos e externos, decepcionantes, que não deixam nada, nenhum alerta, nenhum farol que sirva de orientação. Uma vez mais foi contra a rocha, encalhou e continuou a permitir que a tripulação desta gigante caravela continue a fazer o que lhe dá na real gana, apenas por fanatismo político-partidário. É um Presidente encalhado à procura de um salva-vidas. Mete dó! Os assobios e os apupos, para ele e para o governo são sintomáticos. Quantos vendo-os pela televisão, bem distantes, não os apuparam! Quantos? E este homem não tem olhos para ver o que se está a passar no País, não consegue ver e perceber as grandes contradições entre o FMI, a Comissão Europeia, o BCE e as vozes de tantos outros actores nos planos da economia e das finanças espalhados pelo mundo. Poderia ter um discurso político vigoroso para fora e para dentro, mas preferiu baixar até ao nível do concentrado de tomate. À pobreza do povo juntou-se a pobreza discursiva do Presidente da República!



O discurso de ontem do Presidente da República seguiu a linha por ele traçada: está um país a querer ouvi-lo falar de alhos e ele responde, politicamente, com bugalhos. Ele chama a isto "cooperação estratégica", isto é, não me venham com as tretas dos desempregados, dos pobrezinhos, dos empresários aflitos, da corja internacional que anda a colocar os pés em cima dos países mais vulneráveis, não me venham com essa das estatísticas de um país que definha, porque eu tenho as minhas próprias estatísticas. Por exemplo, as estatísticas da agricultura nos últimos vinte anos, o enorme salto quantitativo e qualitativo que demos. E assim andou, quase vinte minutos, à volta da agricultura, naquele que foi o DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS. Um discurso vazio, como é seu apanágio. Um discurso que não fica para a História, talvez fique para a agricultura, embora com muitas reticências. Um discurso longe da realidade do País. Um discurso onde até falou do concentrado de tomate (ou falta dele!). E mesmo sobre a agricultura, julgo eu, com um conjunto de frases feitas, numa clara tentativa de branqueamento do que fez durante dez anos de primeiro-ministro, período norteado pelo bloqueio através das suas opções políticas. Repito, um discurso vazio, absolutamente desadequado e ridículo, que só estaria perfeito para ser realizado no decorrer de uma qualquer sessão de uma associação de agricultores. E não sei se muitos agricultores não reagiriam negativamente, porque me parece óbvio perguntar, se tudo é tão promissor no sector primário, por que razão há tanta fome em Portugal? Para quê, então, centenas de instituições de solidariedade social? O quadro traçado foi tão colorido que me questionei, sobre a ingratidão daqueles agricultores que bloqueiam estradas com marchas lentas e que se manifestam frente à Assembleia da República! Ora, o Presidente falou da evolução dos últimos vinte anos na agricultura, quase dizia, já que ontem foi o Dia de Portugal, que isto está bem melhor que no tempo de D. Afonso Henriques.
Senti vergonha daquele discurso quando tanto havia a dizer, embora sem entrar nos domínios concretos da governação. Ele é o Presidente da República, não pode nem deve, por isso, andar à volta do zero, ao jeito de "não me comprometam", através de discursos inócuos, decepcionantes, que não deixam nada, nenhum alerta, nenhum farol que sirva de orientação. Uma vez mais foi contra a rocha, encalhou e continuou a permitir que a tripulação desta gigante caravela faça o que lhe dá na real gana, apenas por fanatismo político-partidário. É um Presidente encalhado à procura de um salva-vidas. Mete dó! Os assobios e os apupos, para ele e para o governo, são sintomáticos. E quantos vendo-os pela televisão, bem distantes, não os apuparam! Quantos? Este homem não tem olhos para ver o que se está a passar no País, não consegue ver e perceber as grandes contradições entre o FMI, a Comissão Europeia, o BCE e as vozes de tantos outros actores nos planos da economia e das finanças espalhados pelo mundo. Poderia ter um discurso político vigoroso para fora e para dentro, mas preferiu baixar até ao nível do concentrado de tomate. À pobreza do povo juntou-se a pobreza discursiva do Presidente da República!
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

O que seria de admirar era um discurso com substância. Mas Cavaco continua igual a si mesmo. Fala mas não diz nada.

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Mas é aflitivo. Poderia até ter as convicções que tem, poderia até não querer interferir, no mínimo, deveria saber transmitir segurança e uma atenção aos verdadeiros problemas das pessoas. Não sabe! Agarrou-se a Fátima, a S. Jorge e por aí fica agarrado a uma Maria que faz lembrar outros tempos e outras senhoras!
Um abraço.