terça-feira, 2 de julho de 2013

"A MADEIRA VIVE SITUAÇÃO DE DISCRIMINAÇÃO POLÍTICA"?


O mais caricato é o historiador Alberto Vieira, escolhido a dedo, subordinar a intervenção na sessão solene do Dia da Região ao difícil relacionamento entre a Região e Lisboa, emergindo da sua exposição, pasmo, a utilização das receitas do açúcar, ao longo de séculos, bem como o envio de milhares de madeirenses para os cenários de guerra. Esclarecedor! Dizendo, não dizendo, que porventura o Continente deve mais à Madeira do que o contrário. Um trabalhinho político claramente encomendado, melhor, um fatinho à medida. Como se isso resolvesse alguma coisa. Como se pudéssemos culpabilizar a Monarquia e a República, esta, sobretudo, no tempo de Oliveira Salazar, como causas remotas do estado de dependência a que a Madeira chegou. Eu diria que, politicamente, se trata de uma visão estrábica de analisar os problemas. Certo é que a Madeira tem 37 anos de governo próprio, sustentado em um único partido (PSD), que fez o que quis e entendeu, foi cego, surdo e mudo aos alertas de toda a oposição, desbaratou dinheiro e gerou uma dupla austeridade que não há memória. Ora bem, o palavreado de ontem que, em muitos, suscitava paixões e, em outros, o benefício da dúvida, nos dias que correm está ultrapassado. A descoberta está feita e o logro denunciado. Insistirem na mesma tecla apenas significa que estão a construir a arma da sua própria autodestruição.

O povo precisa de pão.
Dispensa o paleio!
Se, como deveria ser correcto, toda a oposição política pudesse ter direito à palavra no DIA DA REGIÃO, ficaria provado que a Madeira não vive uma situação de "discriminação política". Obviamente, a montante das consequências  encontram-se as causas para que a perda de autonomia seja tal que, hoje, a Região Autónoma da Madeira configure a ideia de "mera circunscrição administrativa", como sublinhou o Presidente da Assembleia. A pesadíssima dívida de mais de oito mil milhões de euros, se incluirmos as PPP (Parcerias Público-Privadas), o facto de terem sido escondidas facturas no valor superior a mil milhões de euros e, ainda, a constante agressividade do discurso político, fazem com que a Região seja olhada com alguma desconfiança. Disse o Presidente da Assembleia Legislativa, com a arma das palavras apontada para o exterior, que "o sonho tornou-se num pesadelo", a Europa das "dívidas soberanas", "orçamentalista", "insensível aos dramas sociais" coloca-nos a todos em uma profundíssima depressão. É verdade que sim. E por aqui? O sonho alimentado durante anos de uma sociedade equitativa foi culpa de quem? Da República? Quem gastou o que tinha e não tinha? Quem não soube estruturar uma economia sustentável, hoje, visivelmente sem rumo? Quem rebentou com o Centro Internacional de Negócios da Madeira? Quem, por tudo isto, gerou 25.000 desempregados, fora os que já emigraram, empresas em situação muito delicada e uma pobreza que dói? Foi a República ou os órgãos próprios de governo da Região? Quem é que entregou a Autonomia e o livro de cheques ao Ministério das Finanças?
E o mais caricato é o historiador Alberto Vieira, escolhido a dedo, subordinar a intervenção na sessão solene do Dia da Região, ao difícil relacionamento entre a Região e Lisboa, emergindo da sua exposição, pasmo, a utilização das receitas do açúcar, ao longo de séculos, bem como o envio de milhares de madeirenses para os cenários de guerra. Esclarecedor! Dizendo, não dizendo, que porventura o Continente deve mais à Madeira do que o contrário. Um trabalhinho político claramente encomendado, melhor, um fatinho à medida. Como se isso resolvesse alguma coisa. Como se pudéssemos culpabilizar a Monarquia e a República, esta, sobretudo, no tempo de Oliveira Salazar, como causas remotas do estado a que a Madeira chegou. Eu diria que, politicamente, se trata de uma visão estrábica de analisar os problemas. Certo é que a Madeira tem 37 anos de governo próprio, sustentado em um único partido (PSD), que fez o que quis e entendeu, foi cego, surdo e mudo aos alertas de toda a oposição, desbaratou dinheiro e gerou uma dupla austeridade que não há memória. Ora bem, o palavreado de ontem que, em muitos, suscitava paixões e em outros, o benefício da dúvida, nos dias que correm está ultrapassado. A descoberta está feita e o logro denunciado. Insistirem na mesma tecla apenas significa que estão a construir a arma da sua própria autodestruição.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

O que aqui vou escrever aplica-se tanto às pessoas como às instituições.

Ao longo da minha vida, que já vai longa (demasiado longa para o Estado...), conheci muitos falhados. Eram-no e continuam a ser pelas mais variadas razões e seria fastidioso e contraproducente mencioná-las neste espaço. Mas todos eles têm uma característica comum. Nunca são culpados de nada.

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Assino por baixo.