sexta-feira, 26 de julho de 2013

ESPERA SENTADO!


A população do Funchal está, assim, confrontada entre a continuidade, o faz-de-conta que é oposição e uma atitude de mudança, sobretudo quando esta brota da independência partidária, da cidadania, de pessoas que decidiram assumir que os partidos são instrumentos, importantes, é certo, mas que a sociedade é muito mais que a filiação em uma determinada instituição.


O PSD-Madeira não tem emenda. Ao desastre político ainda pede ao povo do Funchal que lhe conceda uma maioria absoluta nas próximas eleições autárquicas. Era o que faltava! Basta ter memória, olhar em redor e ter presente o generalizado descontentamento expresso no desemprego e na pobreza; bastaria um pingo de humildade para perceber que sendo a hora política tão adversa, o pedido de uma maioria absoluta pode despoletar um efeito contrário ao pretendido. Mesmo os indecisos são capazes de reagir com um gesto à Bordalo Pinheiro ou com um "vais ter... espera sentado!" Após 37 anos de poder absoluto apelam a mais um cheque em branco para as mesmas moscas. Pressuponho que tal pedido só se justifica por sensível embaraço político, síndrome de fraqueza e de tudo ou nada, porque não me parece sensato, depois de tudo o que se descobre à vista desarmada, uma candidatura atrever-se a tanto. Não que não seja legítima tal ambição, todavia não deixa de configurar uma atitude de sobranceria que, aliás, foi tónica política de quase quarenta anos de poder absolutíssimo. Mais, como se outros não existissem, como se da cidadania activa não tivessem emergido opções credíveis, como se a memória das pessoas fosse extremamente curta, como se elas fossem idiotas e não soubessem descobrir e analisar as razões estratégicas do “vigia da quinta”, os alinhamentos que fracturaram amizades e como se ninguém percebesse o jogo político em que alguns apostam para a fase pós-eleitoral, trabalhado no bas-fond político conducente a baralhar, dar de novo e manter o poder.
A população do Funchal está, assim, confrontada entre a continuidade, o faz-de-conta que é oposição e uma atitude de mudança, sobretudo quando esta brota da independência partidária, da cidadania, de pessoas que decidiram assumir que os partidos são instrumentos, importantes, é certo, mas que a sociedade é muito mais que a filiação em uma determinada instituição.
NOTA
Opinião, da minha autoria, publicada na edição de hoje do DN-Madeira.

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