segunda-feira, 19 de maio de 2014

PARA O SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO O CONHECIMENTO ENTRA A 100 E SAI A 200!


Hoje começa a tortura dos exames. O ano lectivo escolar termina no final de Junho, mas a paranónia dos exames do 4º e 6º anos aí está! Repito aqui a declaração do Professor Sérgio Niza que disse que "o ministério da Educação é de uma ignorância que faz medo". Concordo, totalmente, não apenas pelo essencial daquela declaração, mas sobretudo quando se cruzam as preocupações do ministro com tantos investigadores e professores que, para além da formação inicial, revelam a experiência acumulada da sua prática pedagógica. É claro que do ministro não há nada a esperar e com ele os educadores e professores da Região Autónoma da Madeira passam bem. O que já não é tolerável é que a Madeira disponha de um governo regional que aceita uma política que contraria tudo quanto está estudado sobre esta matéria. 


Em 2013 deixei aqui um texto que, no essencial, sublinhava: "(...) É preciso redescobrir o signicado de ir à escola, de estudar. Mercado de trabalho e status social são questões que devem deixar de nortear as políticas educacionais. A sociedade valoriza muito mais o trabalho cooperativo, mas a escola forma alunos muito mais focados no trabalho individual" (...) A maioria dos grandes pensadores que deixaram um legado para a humanidade seguiram caminhos muito diferentes do convencionalmente estabelecido". Portanto, a questão central não pode circunscrever-se aos exames, mas à mudança do sentido de Escola. Mudança de paradigma que é difícil, sublinho, não só porque os políticos não se interrogam, mas porque há uma mentalidade formatada e encaixotada que impede desde logo a discussão séria dos assuntos. E se os centros universitários de formação e investigação bem lutam por uma mudança, a verdade é que se trata de uma luta desigual, simplesmente porque, por ignorância altifalante, os decisores não querem ouvir". E o secretário da Educação não quer ouvir. Pior, ainda, quando são realizados encontros, seminários, conferências, enfim, tantas iniciativas onde são assumidas posições que contrariam as actuais directrizes, todavia, ao secretário, eu diria que tais reflexões entram a 100 e saem a 200! Regressarei a este assunto.
Outros textos sobre esta matéria em:
http://comqueentao.blogspot.pt/2013/01/exames-no-ensino-basico-nao-obrigado.html
http://comqueentao.blogspot.pt/2013/05/os-exames-que-nunca-deveriam-ser.html
http://comqueentao.blogspot.pt/2013/05/exames-de-1-ciclo-e-ereccao-da_2.html
Ilustração: Google Imagens.

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