quinta-feira, 28 de agosto de 2014

UM MOMENTO HISTÓRICO


Regresso ao assunto: os madeirenses e porto-santenses estão a atravessar um momento histórico depois de 38 anos de governo de um só partido. Ou aproveitam esta oportunidade ou correm o sério risco de terem pela frente mais uns anos de "laranja amarga". Os mesmos que sob a batuta do "chefe" conduziram o processo, vergando-se e deleitando-se com as vitórias e os lugares políticos, são os mesmos que hoje se colocam ao fresco como não tendo nada a ver com o produto da sua sementeira. No essencial dizem agora aquilo que a generalidade da oposição andou a dizer durante tantos anos. Não acrescentam rigorosamente nada ao pensamento político de crescimento e desenvolvimento da Madeira, naquilo que é estrutural, como evidenciam a realidade sentida, desde sempre, sobre a forma como o seu partido sempre funcionou e estabeleceu os laços com o povo da região. E se quanto à primeira parte os partidos têm sido muito claros, já quanto à segunda não deixa de ser interessante, por uma necessidade de poder, aquilo que agora enaltecem.   

Inteligência política, precisa-se!
A população dispensa todos aqueles
que gerem espaços de interesse pessoal. 

Sobre as maroscas que se diz andarem por detrás da cortina, entre os protagonistas Jardim e Jaime, a "novela" continuou hoje, no DN-Madeira, com mais umas cenas que prometem interessantes capítulos lá para o final de Outono. 
Sérgio Marques - "Cúpula instalada quer perpetuar-se no poder".
Miguel Albuquerque - “O PSD pode implodir e até desaparecer” (...) A ser verdade o que diz a notícia, achamos que se está a brincar com coisas sérias (...)”.
Miguel de Sousa - O povo não está para aturar mais abusos" (...) “Estão a brincar com o fogo. (...) O povo não está para aturar mais abusos” (...) “Jaime Ramos fez do PSD um partido que enjeita a democracia, usa métodos que não são transparentes e ferem a verdade da democracia interna”.
Esta é a realidade. A realidade do conflito interno que tem muitos significados e que não ficará por aqui. Após as eleições prevejo que seja pior. Sem querer fazer futurologia, parece-me óbvio que João Jardim não aceitará ficar a governar a Região com um líder partidário que lhe é politicamente hostil e, no plano das relações pessoais, pouco agradável. E a contrária, relativamente a qualquer um dos outros é verdadeira, sobretudo porque existem promessas para cumprir, mesmo em final de mandato. A situação é claramente explosiva. As relações internas, sobre as quais apenas se conhece missa-metade, estou em crer que tornarão insuportáveis as relações do novo líder (haverá?) com a Assembleia, com o Governo, ou com os dois, o que determinará o colapso da estrutura. Resta saber o que fará a dupla Jardim/Jaime face aos muitos interesses que estão em jogo, sobretudo externos.
No meio desta confusão de fim de ciclo, a questão é determinar como é que a oposição está organizada no sentido de oferecer aos madeirenses, por antecipação, uma alternativa credível. O DN-Madeira deu um primeiro passo ao despoletar um inquérito online: "Deve haver eleições no PS-M após a escolha do líder nacional do partido?" Às 12 horas desta Quinta-feira, 60% tinham votado que sim, 27% que não e 13% "só se o António Costa ganhar" as primárias que decorrem ao nível nacional.
Ora bem, esta "sondagem" constituiu apenas um indicador. Não mais do que isso. Mas é um indicador. E pelos meus contactos, é convicção minha que uma sondagem, com todo o rigor científico, não se afastará daqueles indicadores. O PS pode, então, estar a construir a sua própria derrota. Que lamento. É evidente que desconheço as eventuais negociações que possam estar a ser feitas com outros partidos. Pelas informações que me chegam, o CDS-PP não parece interessado desde que o PS-M mantenha o líder que preside aos seus destinos. E esse é um outro indicador que me leva a prognosticar que nada de bom vem a caminho. Dos outros partidos pouco ou nada se sabe, para além do facto do CDS/PP ser um pretendente natural do PSD-M no que diz respeito à repartição do poder. O namoro existe. Preocupante. E assim, no essencial, a pergunta que fica talvez seja esta: na possibilidade de haver eleições legislativas regionais em Março e não em Outubro, encontrando-se o PSD-M em estilhaços depois de 38 anos de liderança consecutiva, na presença de sondagens e de indicadores que não são favoráveis, face à negativa imagem que o PSD/CDS têm no governo da República com influência directa na Região, que silenciosas manobras políticas se escondem que conduzem a que o PS-Madeira, partido fulcral no futuro da Região, não se mexa no sentido da construção de uma alternativa? Gostaria de conhecer a resposta.
Ilustração: Google Imagens.

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