terça-feira, 28 de abril de 2015

VISITAS TIMEX... QUE NÃO ADIANTAM NEM ATRASAM


Vamos lá ser claros: o convite ao primeiro-ministro Passos Coelho para visitar, oficialmente, a Madeira, que vantagens trará ao povo da Região? Servirá para o governo da República assumir uma parte da dívida da Madeira? Provavelmente, não! Servirá para anunciar a abertura de novos procedimentos sobre tantas obras megalómanas, responsabilizando quem as subscreveu? Provavelmente, não! E o convite do Presidente do Governo ao Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para deslocar-se à Madeira, adiantará alguma coisa? Zero. Quanto muito servirá para que ele se aperceba do desvario das contas regionais e para exigir responsabilidades. A avaliar por visitas anteriores tudo isto não passa de folclore político. Importante seria que o presidente do governo regional da Madeira tratasse de conhecer, em pormenor, a realidade das contas da Região. Simplesmente porque não as conhece, ou melhor, ninguém as conhece ao cêntimo. E sem dinheiro, nada feito! Ah, não pode, porque o actual secretário das Finanças fez parte do anterior elenco governativo. Pois, compreendo, mas é por aí, custe o que custar e doa a quem doer que tudo deve ser enquadrado. Passos Coelho não virá assumir rigorosamente nada, naquilo que é estruturalmente preocupante, tampouco Juncker, mexerá uma palha face às políticas europeias na conjugação das restantes Regiões Ultraperiféricas. 

A estrada é muito longa e muitos são os buracos.
Nas Finanças da Madeira,
o governo sai de um e cai no outro. 

E sendo assim, a verdade é que ainda não vi qualquer preocupação no sentido do governo perceber a realidade e não aquela que tem sido veiculada. Existirão mais buracos e facturas não reportadas? Parece-me óbvio que quem chega ao poder, pressupostamente tendo lido os dossiês e tendo objectivos a atingir nos próximos quatro anos, deseje conhecer onde está. Só a partir daí poderá definir, no quadro dos objectivos, as metas (objectivos quantificáveis) possíveis. Se assim não acontecer, governará à vista e, talvez, pelas estrelas. 
Politicamente, a questão é saber porque é que o presidente do governo não quer conhecer a realidade, quando a história do processo aconselha prudência. Alguém poderá ignorar que, numa altura que badalavam contas equilibradas, foram descobertos mais de mil milhões não reportados às instâncias devidas? Só este aspecto aconselharia uma tomada de decisão, talvez a primeira, e não convites a este e àquele que são do tipo timex: nem adiantam nem atrasam! Ao não fazê-lo, o novo presidente do governo torna-se solidário com as loucuras anteriores, mas pior, ficará sem argumentos políticos para a ineficácia das políticas que deseje implementar. 
Ora, mais semana menos semana vão começar a cair, em catadupa, propostas na Assembleia. Uma já lá está: o aumento do salário mínimo regional (PCP). E não demorá muito e saltará para a mesa do debate, por exemplo, a velha questão do complemento de pensão regional para os de mais baixas pensões, ou, ainda, as questões relacionadas com a acção social educativa, a reposição do subsídio de insularidade ou, ainda, como é que a Região vai pagar os juros e o capital da dívida, suportar a parte dos encargos de um novo hospital, terminar as obras iniciadas, fazer a manutenção do que anda por aí em progressiva degradação, colocar infra-estruturas paradas em funcionamento, entre tantas e tantas situações em todos os sectores, áreas e domínios da governação. E quando os outros secretários quiserem propor seja o que for? Ora bem, se o governo não conhece a realidade como poderá seguir um caminho? Alguém poderá acreditar nas contas do anterior governo, manchado que está pela dúvida que, inclusive, deu lugar ao processo designado por "Cuba Livre"? Assunto para acompanhar nos próximos tempos.
Ilustração: Google Imagens.

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