segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O QUE ESCONDE FRANCISCO ASSIS?


Tinha pelo socialista Dr. Francisco Assis consideração política. Sinceramente, desiludiu-me. Ele que é Eurodeputado eleito nas listas do Partido Socialista, a convite do Dr. António José Seguro, então secretário-geral, independentemente das circunstâncias, deveria assumir um posicionamento político mais cordato com a liderança do Dr. António Costa. Não é que não tenha direito a comentar e até de colocar algumas reticências relativamente à conjugação de entendimentos políticos entre o PS, o BE e o PCP. A forma como o faz é que, em minha opinião, se torna partidariamente reprovável. Assumiu: "(...) Vou reunir-me com militantes de várias zonas do País que discordam do rumo que está a ser seguido". Ele que tem o dever de lealdade para com os órgãos legitimamente eleitos; ele que parecia defender princípios e valores da esquerda, afinal, acabou por denunciar que está mais próximo do PSD do que propriamente da carta de princípios do Partido Socialista. Repito, o dever de lealdade é fundamental em qualquer instituição partidária liderada pelo sufrágio directo dos seus militantes e simpatizantes. Não se trata de uma "agremiação" de bairro, que se pode dar ao luxo de mudar o líder entre uma rodada e outra, mas de uma instituição política da qual dependem, quando governantes, todos os portugueses. Francisco Assis, até pela função que ocupa deveria ser ponderado.


É nos órgãos que se esgrimem posições e é nos órgãos que se votam as políticas estratégicas. Nunca na praça pública sobretudo em assuntos complexos dos quais depende a vida dos portugueses. Quem não considera que este é o rumo certo, obviamente que tem uma caminho: o da demissão dos lugares, não se vinculando às políticas que estão a ser seguidas.
A questão é esta: e se, eventualmente, o Presidente da República der posse a um governo liderado pelo Partido Socialista e com uma base parlamentar acordada com o BE e o PCP, e que esse governo consegue demonstrar, no final do mandato, que melhorou a vida dos portugueses ao mesmo tempo que melhorou o terrível défice que nos persegue? E se esta nova experiência política constituir um exemplo para outros povos europeus? Pergunto, finalmente, em que posição política ficará o Dr. Francisco Assis? Tenho dificuldades em perceber os seus fundamentos quando assume que as "soluções" do acordo inter-partidário terão como "inevitável consequência a albanização" de Portugal. E disse mais, que esta ligação à esquerda constitui a mais "despudorada expressão de ambição desmedida pelo exercício do poder". Ecoam-me palavras ditas por Passos Coelho, por Paulo Portas ou Paulo Rangel, entre outros. Lamento. Falta-lhe a humildade do Santo com o mesmo nome.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Violante Saramago Matos disse...

Olha André,debato-me com uma dúvida e por isso aqui ficam duas perguntas (às quais não precisas de responder)

1.Porque é que estes tipos continuam no PS e não migram assim para o PSD ou para o CDS?
2. Ou continuam no PS, justamente para com acções de sabotagem e canalhice, facilitarem a vida ao PSD e ao CDS?

Desculpa a frontalidade, mas - já bem sabes - não fui definitivamente feita para diplomata.
Abraço
Violante

João André Escórcio disse...

Amiga Violante, as questões são exactamente essas. Falta aqui muita transparência no comportamento político.