domingo, 5 de junho de 2016

O PS MAIS NÃO ESTÁ A FAZER DO QUE CUMPRIR A SUA "CARTA DE PRINCÍPIOS"



O Dr. Francisco Assis tem uma posição que, discordando, aceito. Em democracia é assim: o respeito pela diferença de opinião constitui um direito inalienável. Foi coerente, entrou no congresso do PS e disse o que pensa. Lamentavelmente foi apupado. Teria sido melhor o silêncio ou a ausência de aplausos. Eu, se lá estivesse, não me teria manifestado. Era a minha resposta perante a discordância de opinião. Mas a política e as paixões conduzem a manifestações muitas vezes carregadas de uma certa irracionalidade. Eu, quando desempenhei funções políticas, também estive, várias vezes, no campo da discordância. Em algumas situações o tempo deu-me razão. Em outras, mais tarde, pedi desculpa pelos equívocos e análises erradas. Neste caso, penso que o Dr. Francisco Assis não tem razão. Está a cometer um erro de análise. Simplesmente porque, no plano ideológico, o PS não é um partido de direita, mas um partido de esquerda que abrange, no pleno respeito pela sua "Carta de Princípios", uma grande parte do eleitorado do centro. Se as águas tinham de ser separadas, o Dr. António Costa fê-las, correctamente, reposicionando o PS na sua vertente moderada e em função do seu património histórico, onde se enquadra uma enorme e sensata preocupação pelas pessoas e pelas questões sociais. Aliás, interrogo-me: então, são ideológicos os acordos à esquerda e deixam de o ser os acordos à direita? Meu Caro Francisco Assis, tenha presente o que a coligação PSD/CDS fez ao povo português durante quatro anos. Para que serviu tanta austeridade, se ninguém sentiu qualquer melhoria em função do esforço pedido? E a crise, foi fabricada externamente, ou somos todos culpados pelo desastre que varreu tantos países na Europa? E as ziguezagueantes políticas europeias face às quais perdemos muito da nossa identidade de país quase milenar? Ficou a dever-se à esquerda ou à direita? 
Ilustração: Google Imagens. 

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