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quinta-feira, 7 de junho de 2012

UMA FOTOGRAFIA IMPOSSÍVEL NO PARLAMENTO DA MADEIRA


Um encontro de trabalho e uma fotografia impossível no Parlamento da Região Autónoma da Madeira. Aqui, os Deputados estão proibidos de utilizar as suas instalações, isto é, utilizar a casa para a qual foram eleitos pelo povo para desempenharem funções políticas. Há dias, foram obrigados a reunir no exterior, a propósito da assinatura de um protocolo assumido entre todos os partidos da oposição. Na Assembleia da República, o líder parlamentar do PS na República, reuniu com o presidente do PS-M, com o líder do grupo parlamentar do PS na ALRAM e com o Deputado Dr. Jacinto Serrão, tendo como assunto principal a situação do Jornal da Madeira, único órgão de comunicação social do País apoiado que é editado à custa dos impostos dos madeirenses. A Assembleia da República é entendida como a CASA DA DEMOCRACIA, aqui, na Assembleia Legislativa da Madeira, a CASA DO PSD-MADEIRA. Isto vai acabar, ora se vai!
Ilustração: Foto publicada pelo DN-Madeira.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

RESULTADOS PARA PENSAR E MUITO... (II)


No essencial, que leitura política é possível e que repercussões podem acontecer, a partir de 46.247 votos (39,01%) depositados no candidato José Manuel Coelho. As leituras deste processo não podem ser levianas. Deverão ser, meticulosamente, estudadas, até como pressuposto de tornar esta situação de clara fraqueza da restante oposição, particularmente do PS-Madeira, numa grande oportunidade. E pode constituir uma oportunidade.


A partir da reeleição do Professor Cavaco Silva vários cenários são possíveis. Refiro-me à República, mas também e sobretudo ao contexto político na Região Autónoma da Madeira. Desde logo, um certo azedume no discurso de vitória do Presidente da República, deixa antever doravante uma crispação entre Belém e S. Bento. Penso que será inevitável. O Professor Cavaco convive mal com a crítica, e isso ficou bem patente ao longo da campanha, onde procurou fugir a todas as questões embaraçosas. Ainda esta manhã, o Senhor Bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, produziu, de forma contundente, uma leitura semelhante à que aqui faço, portanto, não estarei longe da realidade se admitir que o Professor Cavaco Silva, de orgulho ferido e pressionado pelos influentes do seu partido de origem, ávidos de poder, conduza todo este processo no sentido da marcação de eleições antecipadas. Muito dificilmente não o fará, aliás, a avaliar pela maré eleitoral que concede ao PSD significativa vantagem. As suas palavras de ontem, pedindo a denúncia daqueles que o confrontaram com diversas situações, prognosticam que alguma coisa irá acontecer. As palavras ditas não são neutras, envolvem um significado e uma tensão que devem ser consideradas.
E a acontecer qualquer decisão, obviamente que se repercutirá na condução política da Região Autónoma da Madeira. Se, porventura, este mandato socialista for interrompido, restará saber, em um tempo tão curto, como reagirão os eleitores em função do seu sentido de voto quer para a República quer para as regionais de Outubro. No essencial, que leitura política é possível e que repercussões podem acontecer, a partir de 46.247 votos (39,01%) depositados no candidato José Manuel Coelho. As leituras deste processo não podem ser levianas. Deverão ser, meticulosamente, estudadas, até como pressuposto de tornar esta situação de clara fraqueza da restante oposição, particularmente do PS-Madeira, numa grande oportunidade. E pode constituir uma oportunidade. Mas, dir-se-á que o tempo corre contra quem tem a obrigação de apresentar um alternativa credível, até porque o quadro, inclusive, sociológico, é extremamente complexo e exigente. Os cenários a delinear são vários, não bastando, de forma apriorística, como ainda ontem aqui fiz, sublinhar que os resultados espelham a consequência de 34 anos de jardinismo. Temos de ir mais longe e traçar três cenários fundamentais que consubstanciem a resposta a três outras perguntas: o que fazer caso o Presidente da República dissolva o Parlamento? O que fazer, caso o resultado do PND, na eventualidade de eleições legislativas nacionais, for expressivo, enquanto continuidade do protesto?  O que fazer, nos próximos seis meses, para romper com 36 anos de governo PSD, independentemente das situações anteriores?
Tratam-se de três cenários (existirão outros ou a reformulação destes) que aqui deixo ao correr do pensamento, apenas para dizer que há uma absoluta necessidade de rever tudo, colocar tudo em causa e partir de forma estruturada e muito reflectida. Não é fácil, sobretudo porque a engrenagem nesta terra embora velha está oleada, mas é possível com inteligência, determinação e através da qualidade dos actores políticos. Espero não ficar desiludido!
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

UMA VERGONHA


Quero vários jornais com as suas linhas editoriais e não o pensamento único. A abertura de um inquérito parlamentar na Assembleia da República está, obviamente, em cima da mesa. Isto não fica por aqui.


O tema "Comunicação Social na Região Autónoma da Madeira" está ao rubro. Esta tarde participei numa reunião com o Conselho de Gerência da Empresa Diário de Notícias. Interessou-me conhecer melhor a realidade. Entretanto, em Lisboa, através do CDS/PP, foi aprovada a audição das administrações dos jornais regionais da Madeira, no sentido de serem ouvidas na comissão de Ética, Sociedade e Cultura da Assembleia da República. Curiosamente, ou talvez não, o PSD votou contra esta proposta. Lá, esgravatam tudo no sentido de comprometer o Primeiro-Ministro no caso TVI/PT, mas aqui, onde existem factos absolutamente inacreditáveis, mantêm um vergonhoso silêncio. Lá, para o PSD, existe interferência, aqui, como ainda ontem assumiu o Dr. Savino Correia, Deputado do PSD, "se há Região no Mundo onde há mais pluralismo é a Madeira". Eu diria mais, embora ironicamente, Senhor Deputado: equidade e distanciamento total no relacionamento com os órgãos de comunicação social. Basta este exemplo: entre 2007 e Março de 2010, contas feitas, o Jornal da Madeira levou de publicidade institucional (paga pelo governo) 600,85 páginas, enquanto o seu concorrente de mercado, o DN, publicou 42,38 páginas. Aqui está a demostração da equidade. E no plano da informação/comunicação, no Jornal da Madeira, sabe o Senhor Deputado Dr. Savino Correia, que só escrevem articulistas militantes ou apaniguados do PSD, numa demonstração, uma vez mais com ironia, de inequívoco pluralismo ideológico! Isto, para além, segundo o Tribunal de Contas, a Empresa Jornal da Madeira, controlada pelo governo regional, apresentar um prejuízo anual entre 3,3 e 4,1 milhões de euros, apesar de receber cerca de quatro milhões por ano de financiamento. E o que dizer das empresas de comunicação social com produtos não diários, como é o caso do Tribuna da Madeira?
O objectivo parece-me claro: criar um garrote financeiro até o ponto de desaparecerem do mercado. Neste quadro de impossibilidade de uma gestão equilibrada, o DN está à beira de novos despedimentos nos seus quadros, enquanto o vizinho do outro lado da rua, segue imune às críticas, sem qualquer problema, porque alguém pagará as facturas.
Não vou deixar que o assunto fique por aí. Colaborarei em todas as acções que conduzam ao respeito pelas leis do mercado, na defesa dos postos de trabalho e, por extensão, na defesa da liberdade de expressão. Defendo uma comunicação social livre, responsável, construída por livres-pensadores. Quero vários jornais com as suas linhas editoriais e não o pensamento único. A abertura de um inquérito parlamentar na Assembleia da República está, obviamente, em cima da mesa. Isto não fica por aqui.
Nota:
Acabo de ouvir o Presidente do Governo sobre esta matéria. Sinceramente, uma tristeza. Falou de favores do DN (Grupo Blandy) ao líder do CDS/PP, promocionais da sua figura (falava de José Manuel Rodrigues) no sentido da sua eleição para a Assembleia da República. E que hoje, está a pagar esse favor, tentando acabar com o Jornal da Madeira. Logo, digo eu, o CDS, próximo da Igreja Católica, a quem o Jornal também interessa. Onde chega o poder inventivo do Senhor Presidente!
Mas ouvi, também, o Dr. Guilherme Silva, Deputado na República, pelo PSD-M, dizer que aquelas audições que decorrerão na AR, não têm sentido, que o assunto pertence à Assembleia Legislativa da Madeira. Mais, ainda, que estão a ultrapassar a Autonomia e que esta situação pertence àqueles que são perdedores nos actos eleitorais. A pergunta que se coloca é esta: votará, o PSD-M, favoravelmente, na Assembleia Legislativa da Madeira, uma Comissão de Inquérito solicitada pelo PS-M para "análise, avaliação e responsabilização do actual quadro caracterizador da comunicação social na Região Autónoma da Madeira", requerimento que subirá a plenário já na próxima Terça-feira? Obviamente que não votará.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 29 de novembro de 2009

CUIDADO, PORQUE O MOMENTO É MUITO COMPLEXO (II)

Subordinado a este título, ainda ontem publiquei um texto de sincera preocupação política. Curiosamente, hoje, a Drª Júlia Caré, ex-Deputada na Assembleia da República, assina um artigo de opinião no qual, de uma forma mais explícita do que a minha, coloca o seu pensamento exactamente naquelas que foram e são as minhas preocupações sobre o momento que atravessamos. Aqui fica um excerto do artigo que pode ser lido na íntegra aqui.
"(...) A democracia precisa de maiorias mais ou menos alargadas para se constituir em governo da polis, mas enriquece-se ainda mais com as diferentes tonalidades e o respeito das minorias. Um elevado sentido de Estado e superior cultura democrática exigem que quem governa saiba aceitar os contributos da oposição, mas esta também deve respeitar o direito de o executivo eleito querer cumprir o seu programa sufragado nas urnas. Bom senso, precisa-se. A complexidade e dimensão dos problemas estruturais e conjunturais de um país como o nosso, eivado de desfasamentos e contrastes, exigem o engajado compromisso de todos. A qualidade da democracia mede-se pelo grau de tolerância para com a diferença de opinião, num desejável equilíbrio de sensibilidades políticas".

sábado, 28 de novembro de 2009

CUIDADO, PORQUE O MOMENTO É MUITO COMPLEXO

Os primeiros sinais de desestabilização estão aí. O que ontem se passou na Assembleia da República não dignifica o exercício da política de forma séria. A ideia que restou, pelo menos a partir das reportagens que tive a oportunidade de seguir, foi a predisposição da oposição em gerar graves embaraços de natureza orçamental, aproveitando a oportunidade do partido do governo estar em minoria na Assembleia.
Dir-se-á que é legítima a posição dos partidos da oposição, mas não menos legítimo é o pressuposto que o governo não pode estar a governar a partir das decisões da Assembleia. Chegará a um ponto de ruptura e de impossibilidade governativa. Aliás, o Ministro Teixeira dos Santos, mais do que o próprio Primeiro-Ministro, já deu o primeiro sinal. A manter-se uma situação destas, cujas posições me parecem mais partidárias do que políticas, este governo não cumprirá a Legislatura. Tornar-se-á incomportável gerir o País. Apenas um exemplo da "guerra" partidária que está em curso: por cá, aquando da liberalização nas ligações aéreas, a Secretária Regional considerou o momento de "histórico" e, hoje, vem sublinhar que "a proposta aprovada "vai introduzir um rácio de justiça maior relativamente às despesas efectuadas por cada um dos madeirenses no que diz respeito a uma viagem entre a Madeira e o continente porque será proporcional à despesa realmente efectuada". Na altura teve em mãos um extenso e bem fundamentado relatório de uma equipa que estudou este problema e apontou soluções muito equilibradas, às quais fez ouvidos de mercador. Agora, partidariamente, apresenta-se defensora de uma lógica de funcionamento do processo que, em tempo devido, não teve a serenidade e a coragem política necessárias para negociar em defesa dos madeirenses e porto-santenses. É evidente que também defendo uma revisão de todo este processo, mas através de uma via negocial que, no actual contexto, necessita de serenidade política e não de confronto partidário. Mas este é, apenas, um aspecto. Há muitos outros.
Eu sei que a procissão ainda no adro vai. O meu posicionamento sobre todas as matérias em causa e que foram intencionalmente "chutadas" para o Continente (uma delas, a que diz respeito à atribuição de € 65,00 de complemento de pensão aos pensionistas, que os Açores resolveram no âmbito da sua Autonomia suportando os encargos através do Orçamento Regional que, para isso, dispõe de verbas do Estado tal como a Madeira) é que terá de existir uma grande consciência política sobre a consistência das matérias em causa, e menos posicionamentos partidários que poderão levar o País, já de si em crise, a mergulhar em uma preocupante situação de ingovernabilidade. Poder e oposição têm, por isso, de assumir uma grande responsabilidade nas decisões. Olhar apenas para o partido sem a mínima preocupação de olhar para o País no contexto da Europa e do Mundo que estamos a viver, parece-me de muito pouco bom senso.
Aliás, para que fique claro, há tantas matérias da responsabilidade da governação socialista com as quais tenho mantido posicionamentos não concordantes. A de maior evidência tem sido na Educação. Mas também, por exemplo, no Código de Trabalho e em todo o processo que teve a ver com os comportamentos de algumas instituições bancárias. Há aspectos que não posso aceitar em função dos princípios e valores que me guiam. O que me leva a reflectir sobre o que ontem se passou na Assembleia da República é a sensação que tenho que este caminho que a oposição está a seguir, não se fundamenta no rigor político mas na obediência partidária na defesa de espaços de influência e de impacte na opinião pública no pressuposto que, por aí, somarão mais uns votos.
Ora bem, ainda estamos no início de um processo para que possa retirar outro tipo de conclusões mas, os primeiros sinais começam a ser preocupantes. O poder socialista tem de saber ouvir e negociar mas a oposição também tem de saber até onde poderá esticar o elástico. Se assim não acontecer, tenham consciência que serão cúmplices do desastre. Isto preocupa-me sobretudo porque o momento é muito complexo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

PALAVRA DO SENHOR!

A propósito do Programa de Governo ontem apresentado na Assembleia da República, o presidente do governo regional da Madeira, dentro do seu registo discursivo habitual, segundo a edição de hoje do Jornal da Madeira, sublinha que: "só vi uma hora de debate antes do almoço", concluindo que o que observou são "sempre as mesmas histórias. A avaliação dos professores, questões relacionadas com leis do trabalho e com o subsídio de desemprego. Agora, confesso que durante a hora e tal que vi o Programa de Governo, a classe política parece-me hoje um grande deserto", justificando de seguida: "primeiro, não se debate as grandes questões do país, que reformas são preciso fazer para o país tornar a alavancar economicamente e em termos de emprego. Segundo, não aparecem as sugestões e as decisões firmes necessárias para se transformar Portugal". Portanto, "o pouco que eu vi da discussão foi mais do mesmo", avaliou. O presidente recordou, ainda, de ter ouvido "um indivíduo qualquer a dizer asneiras sobre o Centro Internacional de Negócios da Madeira", mas esse momento também não o surpreendeu "porque é uma classe política decadente e que diz asneiras".
Vou dar de barato estas declarações e vou mais longe dizendo que há muita coisa desesperante no nosso País mas, não fico por aí, tenho, obrigatoriamente, que estabelecer o contraponto. Pergunto, então, e por aqui, nesta Região AUTÓNOMA? Estes trinta anos de repetições, de incapacidades, de logros políticos, de castração cultural, de repetitivo modelo económico, de dívidas a pagar pelas gerações vindouras, de chumbos sistemáticos a excelentes propostas da oposição, de um sistema educativo que produziu péssimos resultados, de uma agricultura e pescas em contracção, de uma indústria turística que se vê em palpos de aranha, de um pobreza crescente e de um desemprego que não estanca, enfim, para além das infra-estruturas (desde que haja dinheiro, empreiteiros não faltam) o que resta da sua governação? Para além disso, porque trago em memória os sucessivos debates de programa de governo do PSD-M na Assembleia da Madeira e, ainda, os quase intermináveis discursos do Presidente a encerrar aquela espécie de debates sectoriais, interrogo-me, por um lado, o que tem sido feito para alterar o quadro dramático em que nos encontramos e se na Assembleia da República aquilo não tem mais nível político do que aqui se passa! Mais ainda, com tanta crítica aos parlamentares de lá e respectivo governo, pergunto, como é que este homem, este providencial da política ainda não conseguiu espaço Nacional? Curioso, não?

domingo, 5 de julho de 2009

GESTOS E ATITUDES

Leio no PÚBLICO que a publicação de fotos de Berlusconi poderão vir a ensombrar a próxima reunião do G8 que terá lugar que de 8 a 10 de Julho em L'Acquila.
"Decorre uma autêntica corrida ao trabalho de Antonello Zappadu, que fez 5.000 fotografias dos convidados do actual primeiro-ministro em Villa Certosa, na Sardenha, durante os anos de 2007 e 2008, quando ele era chefe da oposição, noticia hoje "The Sunday Times", segundo o qual esta documentação poderá embaraçar Berlusconi nos dias que antecedem a cimeira dos principais países industrializados". Algumas dessas fotos são conhecidas pois circulam na Net.
Este meu post tem apenas a ver com os últimos acontecimentos na Assembleia da República e que ditaram o afastamento, por idêntico gesto, do ex-ministro da Economia Manuel Pinho. Sobre esta lamentável atitude já me pronunciei. Considero-a lamentável. Como são lamentáveis os que acontecem, rotineiramente, na Assembleia Legislativa da Madeira e que passam sem a mínima crítica, repúdio e consequências políticas. Manuel Pinho não é o "rei dos gestos". Prova-se.
Agora, o que me parece claro é que um político, seja qual for o seu patamar de intervenção no processo político, tem de constituir um exemplo.
Eu sei que é difícil o debate político e que, muitas vezes, exige "nervos de aço" perante a maldade das palavras ditas, a baixeza do significado, ter de ouvir ofensas do mais reles e ordinário, suportar comentários sobre a vida privada das pessoas, enfim, é difícil aguentar quando a mentira e a deturpação dos factos constitui, vezes sem conta, a primeira linha da argumentação política. Mas mesmo assim necessário se torna uma atitude de elevação seguindo o princípio que as palavras e os gestos ficam com quem as diz e os pratica. Este é um aspecto. O outro é que, um pouco por todo o lado, para além dos gestos, das palavras e das atitudes, são os próprios políticos que estão a dar cabo da sua própria imagem, não só pelo que dizem e fazem mas também pelas indecorosas ligações corruptas num salve-se quem puder que conduz à sua total descredibilização. Olhemos em redor e tenhamos consciência do que por aí, há muito, acontece. Eu sou adepto de umas "MÃOS LIMPAS", custe o que custar e doa a quem doer.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A FRONTEIRA ENTRE O HUMOR E A MÁ EDUCAÇÃO

O que ontem se passou na Assembleia da República e que veio a ditar o pedido de demissão do Ministro Manuel Pinho, constitui um exemplo do dever de respeito entre parlamentares, melhor ainda, entre a maioria e as oposições. A história é conhecida e não valerá a pena tecer repetitivos comentários. Desde o Presidente da Assembleia, ao Primeiro-Ministro, passando pelo próprio Dr. Manuel Pinho, todos lamentaram o acto com palavras, algumas muito pouco simpáticas para com o autor do gesto.
Mas estava eu a seguir as imagens e na minha cabeça passou um turbilhão de situações absolutamente desagradáveis e ofensivas da dignidade, que tenho vindo a assistir na impune e inconsequente Assembleia Legislativa da Madeira. Para não falar dos incontáveis disparates ditos da boca para fora, em cima do palco comicieiro e em outras situações que o formalismo, o decoro, a etiqueta, a educação, o protocolo e a respeitabilidade pelos outros, deveria constituir irrepreensível norma. E nesta levada de ofensas têm sido verbalmente agredidos Órgãos de Soberania, titulares das mais altas instituições do Estado, ministros, secretários de Estado, líderes de partidos, enfim, as ofensas estão por aí espalhadas e constam de uma enorme listagem. Tudo passou em vão e tudo passa sem uma crítica veemente. O Senhor Presidente do Governo Regional, ouviu-o dizer que, por aqui, se trata de situações de "humor". Bom, cada um tem a dimensão da fronteira entre o humor e a má educação, entre o humor e a ofensa. Pessoalmente entendo que a Democracia implica o respeito pela diferença de opinião, dirimida com entusiasmo, convicção e de forma acalorada. Mas tem um limite, isto é, quando as palavras ou os gestos têm a intencionalidade de ferir, magoar e espezinhar o interlocutor. Aí não existe humor, há apenas má educação.

sábado, 21 de março de 2009

UMA "PONTE" BOMBARDEADA!

Não tem nada de estranho. Esta visita do Presidente da Assembleia da República à Madeira não tem rigorosamente nada a ver com a normalização das relações políticas entre os governos da Madeira e da República.
Esta história está muito mal contada e precisa de clarificação política. Tanto assim é que, hoje, o secretário-geral do PSD-M, senhor Jaime Ramos dispara para o primeiro-Ministro dizendo que "(...) temos um novo Salazar em embrião ou em desenvolvimento, pelas atitudes que toma em relação à Madeira" e o presidente do PSD-M, também presidente do governo regional, sublinha: "(...) não vale a pena assobiar porque ele é um sem-vergonha", referindo-se a José Sócrates. Como é possível estabelecer as tais "pontes", designação esta caricata, quando, diariamente, a atitude é de permanente hostilidade, de bombardeamento, inclusive, no dia da visita de um socialista, presidente da Assembleia da República?
O exercício da política precisa de gente séria para que as pessoas acreditem e tenham confiança. Na política não podem existir dois momentos: um, em cima de um palco onde se dizem barbaridades; outra, quando se recebe, num jantar oficial, uma alta figura do Estado. É por estas e outras que as pessoas cada vez mais se afastam e cada vez mais olham para o exercício da política com desconfiança.

sexta-feira, 20 de março de 2009

DESABAFO EM NOME DO RESPEITO PELA POLÍTICA

Sinceramente, não sei o que vem à Madeira fazer o Presidente da Assembleia da República. Visita "oficial", pergunto, porquê e a que propósito? Lançar "pontes" dizem alguns! Mais quais pontes? Definitivamente, não é por aqui que os problemas da Região se resolvem.
Que fique claro que, embora magoado, não tenho qualquer reserva mental relativamente ao Dr. Jaime Gama. Estou, isso sim, politicamente magoado pelos despropositados elogios ao Presidente do Governo Regional, elogios maiores que a própria Região, conhecendo ele e bem o que por aqui politicamente acontece. O tal "peixe de águas profundas" prefere, agora, andar à superfície, passar uma esponja sobre as palavras ditas, esquecer-se do "défice democrático" que o Dr. Mário Soares equacionou, ignorar todas as ofensas feitas à Assembleia da República (poderia aqui referir uma que fica na história mas, por decoro, não a repito) e retirar argumentos a todos quantos, desde há 30 anos, lutam por uma Região democrática, autónoma e respeitada no plano nacional. Neste aspecto, o Dr. Jaime Gama ofendeu centenas de militantes e de simpatizantes socialistas, lutadores de causas, enfim, tantos que ao longo da história recente da Autonomia viram as suas vidas profissionais comprometidas.
É tão infeliz a caracterização de "Bokassa" atribuída ao presidente do governo regional como infeliz é o branqueamento da política regional que o Dr. Jaime Gama tem vindo a fazer. Aos políticos exige-se compostura e serenidade até nos momentos mais delicados e de maior tensão. Porque rejeito liminarmente a hipocrisia, as falsas amizades ou as amizades de circunstância, não escondo quanto gostaria de perceber o porquê dos contornos mais profundos dos discursos amistosos, desta estranha lua-de-mel política e de uma visita "oficial" que de todo não se justifica. Até porque ele não pode nem está em condições de servir de "ponte" de coisa alguma. O Dr. Jaime Gama é presidente de um Órgão de Soberania e, portanto, não deve imiscuir-se nas relações políticas que têm essencialmente a ver com relacionamentos entre governos. Trata-se, portanto, de uma visita "oficial" que valerá zero, a não ser que venha aqui equacionar e sensibilizar, sem rodeios, para a qualidade da democracia na Madeira, para os desvios do Regimento da Assembleia, para a ausência do governo nos debates, para os tempos de intervenção dos deputados, coisa que, obviamente, face às circunstâncias de convidado "oficial", não fará. Irá ver e apreciar a Madeira bonita por fora e passará ao lado da Madeira doente e corroída por dentro. E, no "briefing" com o governo regional sujeitar-se-á a engolir uma parte da história da realidade madeirense. O contraponto que apenas a oposição poderá fazer ficará para depois... se houver depois! Os quinze minutos para apresentação de cumprimentos servirão, apenas, para isso mesmo.
É evidente que estou habituado a esta ausência de verticalidade política em alguns titulares de importantes Órgãos. Foi o Presidente da República que aqui esteve, que aceitou ignorar a Assembleia Legislativa, que abdicou de equacionar as questões sérias e que dele dependem, que não se coibiu de um monumental elogio à obra feita e, agora, é a segunda figura do Estado que, estrategicamente, aceita andar de braço dado com uma situação política que deveria merecer o repúdio daqueles que detêm responsabilidades ao mais alto nível. O exercício da política impõe a defesa de princípios e de valores e impõe dar-se ao respeito. Das palavras ditas aos comportamentos mais recentes torna-se evidente que eles apenas dizem respeito ao Dr. Jaime Gama. O Partido Socialista certamente que nelas não se revê. Não ignoro mas não me afastam do caminho da seriedade e da honestidade que deve prevalecer no exercício da missão de serviço público à comunidade que a política encerra. Penso, até, que nem beliscam o trabalho sério, honesto e profundo que o grupo parlamentar tem vindo a realizar na Região, apesar de todos os constrangimentos impostos. A minha consciência e, estou certo, a dos restantes membros do grupo parlamentar ao qual tenho a honra de pertencer, não está à venda!
Que passe um bom fim-de-semana!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

HONRAR A DEMOCRACIA

A Drª Júlia Caré, professora e Deputada na República pelo PS, acaba de manifestar mais uma atitude política que honra a Democracia e o partido que a elegeu. Nas duas matérias em questão (Estatuto da Carreira Docente/Avaliação de Desempenho e Código do Trabalho) a Deputada foi honesta consigo própria, honrou os seus compromissos com os eleitores e deu um importante sinal para o interior do PS no quadro de um conjunto de matérias que precisam de melhores enquadramentos políticos. Quando as circunstâncias e a tal disciplina de voto impera, dizer NÃO constitui um acto de coragem e de coerência, uma maneira de dizer, claramente, que a sua coluna não é de plasticina. Tudo isto sem colocar em causa os princípios e os valores socialistas que há muitos anos a guiam. Aprecio políticos assim. Políticos atentos aos desvios da matriz socialista, que assumem, com verticalidade, em matérias que dizem muito ao povo, posições que os honra.
São sinais importantes, sinais que causam embaraços internos, certamente, mas que ajudam a gerar ambientes de reflexão propícios à correcção de estratégias políticas mais consentâneas com o interesse nacional. De resto, nunca gostei de unanimismos. Uma coisa é, em matérias estruturantes, não colocar em causa a estratégia do governo, outra é, pontualmente, em matérias sectoriais, levantar a voz crítica, a voz da reflexão, a voz que, inclusive, defende o próprio partido. Infelizmente, há quem não entenda assim!