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quinta-feira, 30 de junho de 2022
A luta antiaborto é uma luta pelo poder político?
sexta-feira, 24 de junho de 2022
Ursula von Der Leyen pensa mesmo em democracia?
Por
estatuadesal
Pedro Tadeu*
Fui ler a entrevista coletiva que a presidente da Comissão Europeia deu a vários órgãos de comunicação social. Logo na terceira frase, reproduzida pelo jornal Público, a senhora dispara esta pérola: "Tem de haver apoio militar (à Ucrânia) e estamos a fazer a nossa parte com cerca de 2000 milhões de euros canalizados pelo Mecanismo de Apoio à Paz".
quarta-feira, 22 de junho de 2022
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Como sempre acontece com tudo, a guerra na Ucrânia vai perdendo aos poucos o monopólio das atenções. Para tudo dizer em poucas e cruéis palavras, já estamos todos fartos da guerra na Ucrânia. Mas seguramente ninguém mais do que os ucranianos: mais de 4 milhões permanecem ainda exilados no estrangeiro e, embora muitos tenham já regressado, o que encontram em muitos casos e muitos lados é um país desfeito e cujo futuro próximo não parece ser outro senão o contínuo troar dos canhões e a destruição paulatina de qualquer hipótese de regresso a uma vida normal.
segunda-feira, 13 de junho de 2022
A guerra na Ucrânia marca o fim do século americano
Por
Mike Whitney, in UNZ,
"A ferocidade do confronto na Ucrânia mostra que estamos a falar de muito mais do que do destino do regime de Kiev. A arquitetura de toda a ordem mundial está em jogo. (Sergei Naryshkin, Diretor de Inteligência Estrangeira).
A verdadeira razão pela qual o dólar continuou a ser a principal moeda mundial é a cartelização dos bancos centrais. Os bancos centrais ocidentais são um monopólio, de facto, dirigido por uma pequena cabala de corredores de fundo que coordenam e conluiam a política monetária a fim de preservar o seu domínio maníaco sobre os mercados financeiros e a economia mundial. É uma Máfia Monetária e, como George Carlin disse: "Tu e eu não fazemos parte dela. Tu e eu não estamos no clube grande. Em resumo: É a manipulação implacável das taxas de juro, previsões e flexibilização quantitativa (QE) que tem mantido o dólar no seu alto mas imerecido pedestal.
quarta-feira, 8 de junho de 2022
Açores e Madeira na senda de Charles Darwin
Em 1996, mais de um século depois, a Igreja acaba por admitir que a Teoria da Evolução de Darwin não era incompatível com a “fé cristã”. A curiosidade orientada é, pois, uma grande ferramenta e virtude de procura do conhecimento.
1. A demografia, entendida como os movimentos de aumento ou de redução da população e dos fluxos inter-grupos da espécie humana, é considerada por alguns estudiosos como uma das quatro forças globais e motoras que têm vindo, a ritmos diferentes, a moldar o planeta Terra, ao longo dos muitos milhares de anos da sua existência.
Será que algures no tempo vai dar-se uma inflexão ou, utilizando uma linguagem muito conhecida destes anos de Covid-19, será que a população humana vai entrar em planalto deslizante? Tema este, aliás, importante pois fez aparecer o malthusianismo com Thomas Malthus com quem Darwin se cruzou na fundamentação da sua Teoria e outros mais recentes como Paul Elrlich, biólogo da Stanford University, os dos excessos da população mundial a preconizar que “centenas de milhões de pessoas iam morrer de fome”.
Darwin, ao pôr em causa, com esta sua tese científica, a versão da criação divina da Igreja, torna-se o cientista mais “odiado” do mundo. A sua Teoria da Evolução sofre grande oposição por muito tempo e assim continuará. Refira-se, no entanto, que as estruturas supremas da Igreja foram um pouco mais comedidas, pois já tinham um precedente com a história “do sol em volta da terra” em que tiveram de recuar, após uma acirrada perseguição aos que discordavam da posição da Igreja.
terça-feira, 7 de junho de 2022
HÁ MOMENTOS DE VIDA INESQUECÍVEIS
Acabo de viver um fim-de-semana face ao qual tenho muitas dificuldades em contar as emoções. Não as vou narrar. Ficam para mim. Talvez de forma egoísta, talvez, mas o que é pessoal deve ser preservado. Apenas adianto que foram momentos extraordinários, vividos e sentidos, profundamente, numa profusão de sentimentos que nem em sonho alguma vez me passou. Estou grato por isso a todos quantos fizeram parte da minha incontida felicidade. Aliás, a vida, toda ela devia ser construída assim, no equilíbrio, no respeito pela diversidade, serenamente e sem insultos ou provocações, subtis ou descaradas, no amor, na tolerância e na liberdade.
Vivi dois dias fantásticos, no seio de familiares e amigos, ao todo vinte, de uma enorme espiritualidade, eu diria melhor, de uma interioridade que, em determinados momentos conduziu à lágrima traduzida numa pequena frase: valeu a pena. Foi um dos meus melhores momentos de vida, um "flash back" muito rápido, numa agitação de sentimentos saborosos, mesmo tendo em conta que a vida não é uma linha recta, assemelha-se, sim, a um sismógrafo cuja agulha regista oscilações normais com outras mais sensíveis e, algumas vezes, perturbadoras.
No meio desta abundância de energias vividas, um Homem, o meu distinto Amigo Padre José Martins Júnior. Um Homem fantástico, porque é diferente. Culto e simples, envolvente e de uma enorme sedução. A Palavra ecoa de uma forma penetrante, mexe e remexe, pela contextualização na vida, pela sabedoria traduzida de forma empática, pela eloquência e persuasão sem qualquer toque de ausência de generosidade. A beleza das suas palavras, o conhecimento transversal narrado "por miúdos", o humor e a história que complementa o raciocínio, leva-me a dizer que todo ele é som, é música e é poesia que contagia. Obrigado Padre. Com os seus 84 anos fico feliz pela sua energia e pela doçura do seu comportamento.
“Há gente que fica na história
Da história da gente
E outras de quem nem o nome
Lembramos ouvir”
terça-feira, 31 de maio de 2022
A DEMOLIÇÃO DE UMA CICLOVIA
Designo isto por vergonha, desplante, ofensa, acto ditatorial, falência de pensamento relativamente ao futuro, atrevimento, ignorância, tudo isto me vem à cabeça quando assisto à demolição de uma ciclovia. Custa-me aceitar o desperdício dos valores investidos, que constitui dinheiro dos impostos de todos, mas ainda menos aceito é que, em tempo de novos hábitos a aprender, destruam neste caso uma ciclovia visando uma, dizem, melhor circulação automóvel. Isto caracteriza a personalidade de vista curta, persistência em convicções próprias e não colectivas, ignorância sobre todos os efeitos para as cidades e até para a saúde dos cidadãos.
Mesmo em cidades como o Funchal, orograficamente complexas, com uma pressão automóvel significativa, quer nos percursos pendulares quer nos horizontais, as ciclovias são o futuro, onde for possível construí-las. É um trabalho a prazo, pois quem tem hoje dez, quinze anos, terá vinte, vinte, cinco num lapso de dez anos. São os tais novos hábitos a aprender.
Deram cabo dos "park & ride", de um sistema de estacionamento e transporte que viria a diminuir os efeitos do automóvel no centro do Funchal e, agora, a ciclovia. Somados todos os automóveis em circulação, uns encostados aos outros, a Madeira tem o equivalente à distância entre Lisboa e Viana do Castelo. Ninguém toma consciência disto?
Tinha alguma esperança, confesso, que a ciclovia que atravessava a Ponto dos Socorridos, tarde ou cedo, pudesse vir a ligar os três percursos planos do Funchal (Pontinha - Zona Antiga da cidade / Mercado - Infante / Campo da Barca / Carreira. Mas não, a caterpílar começo a funcionar, por exagero da minha parte, só falta, agora, regressar aos estacionamentos nas placas da Avenida Arriaga ou no Chafariz.
Não abasta apregoar a defesa do ambiente. Os actos é que contam. E daí perguntar o que pensará a secretária do Ambiente sobre esta inaudita destruição? E a população?
Ilustração: Google Imagens.
sábado, 28 de maio de 2022
Agora vejo ao longe
Por
estatuadesal
Miguel Sousa Tavares,
Esta semana vim a Lisboa — uma semana bem escolhida, a semana dos jacarandás em flor. Já não vinha aqui há dois meses, desde que me mudei, de armas e bagagens, para o Sul-Sul, onde Portugal acaba. Não foi um impulso nem uma decisão covid. Foi um projecto de vida, longamente meditado e amadurecido, que passou por um ano de busca de um local onde plantar uma casa e depois por dois anos de construção da casa, imaginada, desenhada e acabada ao mais pequeno pormenor ao longo de incansáveis viagens e infinitas noites acordado — durante e apesar dos dois anos de covid e confinamentos e dificuldades de toda a ordem. Mas a casa fez-se e plantaram-se árvores, nasceu um jardim, um pequeno pinhal, uma vinha, terraços, fontes, um mar, um céu de estrelas e uma ilusão de eternidade ou de felicidade em frente e para sempre. Mas tudo tem um preço: nada disto teria sido possível sem as redes sociais. E é disto que eu vos quero dar testemunho, não dar exemplo: nada disto me teria sido possível se ao longo destes anos eu tivesse perdido um minuto que fosse nas redes sociais. Eu jamais estive no Facebook, no Twitter, no Instagram, no TikTok, no WhatsApp, no Não Sei Quê — um minuto que fosse. E sabem que mais? Não apenas tenho sobrevivido como tenho aproveitado para viver. Para aproveitar o tempo assim não desperdiçado para imaginar, sonhar, meditar, fazer, construir.
Agora, lá onde vivo, acordo de manhã, tomo um duche num chuveiro que tem uma janela de onde vejo os melros, os rabilongos, as rolas e os coelhos, depois vou até à aldeia, onde compro os três jornais em papel que leio todos os dias (mais os três que leio online, porque, sim, a net eu uso como instrumento de trabalho), e sento-me a tomar o pequeno-almoço, conversando com os velhos da terra, avaliando de que lado vai soprar o vento e se é dia para ir à praia ou ao mercado do peixe, e em tudo isso eu posso perder tempo porque não tenho de postar fotografias a dizer onde estou nem de escrever posts ou de alimentar as minhas contas de correspondência com gente que não está ali a conversar comigo cara a cara. Assim fazendo, sei que estou vivo e não apenas a imaginar que estou a viver. Porém, é verdade que na sua instantânea sabedoria, na sua irreprimível ânsia de jamais chegarem atrasados ao lado certo de cada causa, os das redes sociais vêem tudo muito mais depressa e muito mais irremediavelmente do que eu, que me tomo de vagares, de dúvidas ou de memórias que tento esclarecer nos livros da estante, de pensamentos ao luar ou de perguntas estúpidas que faço a mim mesmo, sem “amigos” de Twitter para me socorrerem. E, por isso, perdoem-me se me ocorrem comentários porventura tão deslocados como os que abaixo se seguem.
2 Durante anos fiz a Avenida de Ceuta duas ou três vezes ao dia e não me lembro de ter presenciado mais do que um acidente ou atropelamento. Mas agora que ao fim de longas obras entraram em vigor os novos radares panorâmicos controlando a velocidade máxima de 50 km/hora, assisti a dois acidentes em três dias. Pergunto-me se não terá sido a distração de circular a passo de caracol numa avenida com três faixas de rodagem e que durante o dia está completamente desimpedida que os causou. Agora, um deputado municipal do Livre — aliás, ‘o’ deputado do Livre — lembrou-se de propor, e os outros da oposição de aprovar, a velocidade máxima de 40 km/hora em toda a cidade de Lisboa. Vai acontecer uma de três coisas: ou ninguém cumpre e ninguém consegue fiscalizar, ou ninguém cumpre e a polícia vai dedicar-se a um massacre fiscal sobre todos, ou todos cumprem e o trânsito ficará caótico, as filas imensas e a poluição insuportável. Mas, de caminho, o mesmo deputado e os seus prestimosos apoiantes aprovaram também a proibição de circulação na Avenida da Liberdade e ruas adjacentes aos domingos e feriados — sem estudos prévios, sem consultar ninguém, sem ponderar os interesses económicos atingidos, sem pensar se as pessoas queriam. Não há pior demagogia do que a destes impulsos pseudomodernos e politicamente correctos, e são sobretudo os partidos minúsculos que gostam de recorrer a eles para dar nas vistas: um só deputado decide sobre a vida prática de milhares ou milhões de pessoas, inchado no seu pequeno-grande poder. E os outros vão atrás, ou porque têm medo de não parecerem “modernos” ou porque a sua grande visão para a cidade é lixar a vida a quem ganhou as eleições. Podiam antes ocupar-se de causas consensuais, tais como proibir a atracagem de navios de cruzeiro, os grande poluidores do ar de Lisboa, enquanto não tivessem terminais de carga eléctricos, ou proibir a poluição visual dos guarda-sóis e cadeiras em cores berrantes dos patrocinadores nas esplanadas da cidade. Mas para isso era preciso coragem, atingir interesses organizados e concretos, não bastando a falsa coragem de atingir a população anónima e silenciosa. Ainda bem que já não vivo em Lisboa.
quarta-feira, 25 de maio de 2022
A tua verdade; a minha verdade
Apesar do que se diz, a Europa não está unida, porque as sanções avançadas até à data não tocam a todos por igual. Seria importante que se sentisse o mínimo de solidariedade.
1. Os actores-chave, no tabuleiro da política mundial, são os EUA, a Rússia e a China, embora com papéis e razões bem diferentes. Os EUA e a Rússia, nomeadamente pelo seu poderio militar nuclear, e a China, cada vez mais como potência económica e tecnológica. Fica de parte quem melhor estará a pontuar em termos de tecnologia, pois isso levaria a uma larga discussão, onde a Europa, infelizmente, está em desvantagem em quase todas as áreas, quando dispõe à partida de atributos para uma posição de vanguarda. Inoperância política, burocracia, falhas de gestão e de opções próprias explicam esta realidade.
terça-feira, 10 de maio de 2022
Uma boa notícia: crescimento real do PIB em 11,9%
As políticas de aumentos salariais seguidas pelo Governo são uma forma de retirar poder de compra aos rendimentos do trabalho pois não jogou, quando podia, com um mix de políticas: aumento de salários e alívio da fiscalidade sobre o trabalho.
1. A economia portuguesa cresceu em termos reais 11,9% no primeiro trimestre de 2022 face a igual período do ano anterior, e 2,6% quando comparada com o quarto trimestre de 2021. Uma boa notícia que as estimativas rápidas do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgadas em 29 de Abril último, nos proporcionam.
Olhar para estes valores de forma acautelada
Com pés de barro não se caminha
Os aumentos de rendimentos e a dinâmica económica
Conquistar pontos no PIB
domingo, 8 de maio de 2022
Bons pastores
Repetir que o ser humano concreto, em todas as suas coordenadas, é o primeiro caminho da Igreja ou acusar a Igreja de atraiçoar o seu próprio programa não leva a lado nenhum.
1. Comunicaram-me que, no dia 3 deste mês, o PÚBLICO e o 7Margens iam lembrar-se de que, nessa data, se cumpriram 30 anos das minhas crónicas neste jornal. Não vou falar das crónicas, mas apetece-me relembrar a introdução que escrevi para o primeiro livro, editado pelo Mário Figueirinhas [1], porque tentei exprimir, por contrastes, uma teologia que implicava uma antropologia. Há, no entanto, nessa introdução, o uso do termo homem para significar homem e mulher, mas que oculta as mulheres. Por isso, desde há muito, utilizo sempre a expressão ser humano.








