sábado, 25 de fevereiro de 2012

AS CONTRADIÇÕES DO GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA


Experimentem passear pelo Funchal, à noite, e vão ver três coisas desgraçadas: o aumento de pessoas a dormir na rua, a quantidade de lojas fechadas e prédios desabitados e gente à procura de comer no caixote do lixo. Entretanto, gastam-se 30 contos para cobrir cada metro quadrado de parede dos túneis. Isto é criminoso. Por outro lado, há escolas que já pediram a ajuda dos pais para material, em particular papel de fotocópia, sendo conhecidos os problemas existentes para o pagamento das despesas correntes e a fornecedores".


Acabo de ler uma importante entrevista no DN-Madeira, cuja figura central é a Drª Violante Saramago Matos. A entrevista tem como mote o 20 de Fevereiro, mas centra-se, também, em outras questões de primeiríssima importância, sobre o planeamento, por exemplo. Duas páginas que aconselho ler. Mas este DN, todos os dias, traz-nos notícias e factos que nos deixam a pensar. Aliás, um dos exercícios de leitura que habitualmente faço, é o do cruzamento da informação. E hoje, uma vez mais, dei comigo a cruzar duas peças muito reveladoras do caos governativo a que chegámos. Atentemos:
Da entrevista: "Luxos inexplicáveis? - questiona o jornalista. "Parece que esta terra se alimenta de petróleo. Nós não temos pão, não temos dinheiro para dar de comer às pessoas. Experimentem passear pelo Funchal, à noite, e vão ver três coisas desgraçadas: o aumento de pessoas a dormir na rua, a quantidade de lojas fechadas e prédios desabitados e gente à procura de comer no caixote do lixo. Entretanto, gastam-se 30 contos para cobrir cada metro quadrado de parede dos túneis. Isto é criminoso. Há aqui corrupção, não sei onde está, mas alguém tem de me explicar qual é a lógica de, numa terra de fome, se forrar paredes. Há mecanismos quase criminosos, há gente que deveria estar sentada no tribunal a responder pelo que tem feito".
Da notícia: "A Escola 2+3 do Estreito deixa de fornecer almoço" (...) "Apesar da autonomia das escolas, neste momento, estas encontram-se de 'mãos atadas', já que qualquer contratação, seja de professores ou de outra ordem, tem de passar pela Secretaria do Plano e Finanças. Uma imposição que gera uma maior burocracia e que limita a acção das escolas. A isso juntam-se as dificuldades financeiras, já que as escolas não estão a receber a totalidade das verbas do orçamento regional a que teriam direito. Tal como o DIÁRIO já noticiou, há escolas que já pediram a ajuda dos pais para material, em particular papel de fotocópia, sendo conhecidos os problemas existentes para o pagamento das despesas correntes e a fornecedores".
Túneis, cota 500, vias rápidas, vias expresso, centros cívicos, marinas, praias amarelas, trinta e tal campos de futebol, piscinas por todo o sítio, escolas megalómanas, obras, algumas, faraónicas, enfim, houve dinheiro para tudo no mais cretino desrespeito pelas prioridades e pelo crecimento e pelo desenvolvimento sustentáveis. Mas, como se sabe, o dinheiro sempre foi um recurso escasso. Um dia teria de faltar e está a faltar. As escolas devem muitos milhões, de água, de electricidade, aos fornecedores em geral, desde o gás aos restantes bens consumíveis. E agora, aliás, já não é a primeira vez, as refeições vão ser cortadas naquela escola. E é na escola que muitos tomam a única refeição quente do dia! A Drª Violante tem razão quando salienta que o comportamento do governo dá muitas vezes a entender que parece que esta terra tem petróleo!
Ilustração: Google Imagens.

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