quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

NÃO HÁ PERDÃO PARA O GOVERNO REGIONAL


Sabia-se das carências de materiais de consumo corrente hospitalar, sabia-se das dificuldades na disponibilização de alguns medicamentos, mas, sinceramente, não me passava pela cabeça que fosse tão grave ao ponto de atingir os doentes do foro oncológico. É demais. O que daqui se conclui é que os decisores políticos estão a brincar com o sistema de saúde e com um inalienável direito do ser humano. Não venham com histórias que o sistema de saúde é caro, blá, blá, blá, blá, porque a doença tem um peso social muito mais pesado a todos os níveis. É caro mas é um direito e um dever prioritário no ato governativo. Não pode ser secundarizado por insensibilidade, desleixo ou ausência de uma clara definição das prioridades.



No meio de tanta notícia e de comentários sobre a complexa realidade que nos rodeia, de natureza económica e financeira, situação que, descontroladamente, está a devorar o direito à felicidade das pessoas, uma notícia acabo de ler que me chocou e prostrou. Como é possível, no hospital do Funchal, verificarem-se atrasos nos tratamentos de quimioterapia por rutura de "stock" dos necessários medicamentos? Como é que isto é possível e como entender esta situação? 
Do meu ponto de vista não há desculpa para quem, politicamente, nos trouxe a esta dolorosa situação. Não há dinheiro para os medicamentos que combatam a terrível doença, medicamentos que devolvam a esperança de vida às pessoas, mas há milhões e milhões para, por exemplo, enterrar na marina do Lugar de Baixo, no novo cais acostável do Funchal, em piscinas e futebóis! Que sentimento de humanidade e de prioridades têm estes governantes? A peça jornalística do DN mexeu comigo. Porque, hoje, estão lá pessoas que necessitam, a tempo e horas, de tais fármacos, amanhã, poderei ser eu. Inadmissível.
Sabia-se das carências de materiais de consumo corrente hospitalar, sabia-se das dificuldades na disponibilização de alguns medicamentos, mas, sinceramente, não me passava pela cabeça que fosse tão grave ao ponto de atingir os doentes do foro oncológico. É demais. O que daqui se conclui é que os decisores políticos estão a brincar com o sistema de saúde e com um inalienável direito do ser humano. Não venham com histórias que o sistema de saúde é caro, blá, blá, blá, blá, porque a doença tem um peso social muito mais pesado a todos os níveis. É caro mas é um direito e um dever prioritário no ato governativo. Não pode ser secundarizado por insensibilidade, desleixo ou ausência de uma clara definição das prioridades. Quando, esta semana, assistimos a reuniões do movimento associativo desportivo, reclamando financiamentos para manter os quadros competitivos nacionais, questiono se essas pessoas estão a interpretar bem a prioridade do desporto de rendimento elevado relativamente às carências do sistema de saúde? Não coloco em causa a legitimidade das reivindicações e das aflições dos dirigentes desportivos, mas, convenhamos, tudo é muito relativo. E a haver algum dinheiro esse é, em primeiríssimo lugar, para quem sofre em uma cama de hospital ou no silêncio das suas habitações. Não me venham com histórias.
Ainda ontem vi, na televisão, o governo regional, em peso, muito preocupado com as declarações da Chanceler Merkel. Ora, preocupado deveria o governo estar com as situações que deveriam ter resposta urgente. A Chanceler disse o óbvio, isto é, que, doravante, os fundos estruturais europeus têm de ser dirigidos para a economia, para as empresas e não para algumas obras que, eu também, considero não prioritárias. E é pelo fato do governo não pagar às empresas que existe rutura de "stock". Valha-nos a sinceridade do Presidente do SESARAM que falou a verdade. Não se colocou com disfarces, não tentou tapar o Sol com a peneira, disse, claramente, que há rutura e que há tratamentos atrasados, porque as dívidas são gigantescas. Valha-nos isso, pois talvez por aí, os decisores políticos abram os olhos e dêem corda aos sapatos para resolverem esta e outras situações prioritárias.
Ilustração: Google Imagens.

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