segunda-feira, 20 de maio de 2013

JÁ NÃO É SÓ O GOVERNO QUE DEVE IR EMBORA... O PRESIDENTE TAMBÉM.


Ainda hoje li a síntese de um estudo que dá conta que os portugueses vão precisar de trabalhar este ano mais de cinco meses, até ao dia 04 de Junho, para pagar impostos e só daí em diante o salário se torna verdadeiro rendimento líquido. Paga, por um lado, e retiram-lhe direitos sociais, por outro. Paga, trabalha mais horas e agora, como se não bastassem todas as agressões anteriores, aos funcionários públicos, querem penalizá-los com 4% nos salários de 2014, ao mesmo tempo que manifestam interesse em reduzir 10% nas aposentações anteriores a 2005. Perante isto, o Presidente dá-se por satisfeito com o rumo do País, entende que assim está bem, que não há fome, que o País "ai aguenta, aguenta..." e, no extremo, Nossa Senhora de Fátima resolverá esta situação que pertence ao domínio dos comportamentos dos homens e mulheres que por aqui andam. Ele brincou e brinca, abusivamente, com o domínio da transcendência e da fé apenas para mascarar uma complexa situação que só poderá ser resolvida com atitudes políticas sérias, honestas e que fazem apelo à inteligência e à negociação. 


Este Presidente da República banalizou a importância do Conselho de Estado. Do essencial das suas competências ressaltam a audição sobre a dissolução das Assembleias da República e das Regiões Autónomas, sobre a demissão do governo, sobre a declaração de guerra e feitura da paz, sobre determinados actos do Presidente da República interino e aconselhamento do Presidente da República no exercício das suas funções, quando este lho solicitar. Estes são os pontos fundamentais que justificam a convocação do Conselho de Estado. Ora, num momento de gravíssimas dificuldades, de um governo a duas e mais vozes, de um claro descalabro da dívida em percentagem do PIB, de acelerado crescimento do  desemprego e de persistente recessão, o Presidente convoca o Conselho para uma inexplicável abordagem sobre o futuro do pós-troika. Ou é declaradamente incompetente, ou tem uma agenda própria, ou está ao serviço de outros interesses ideológicos ou está a fazer do povo uns parvalhões que não sabem o que se está a passar. Ou, então, reflecte um mix de tudo isto, envolvido com o celofane da importância do fim da sétima avaliação da troika, enquanto "inspiração" de Nossa Senhora de Fátima, a 13 de Maio. Uma mensagem que me chegou dizia que "nem o Almirante Américo Tomáz foi tão longe"! Bastaria que colocasse como ponto único da agenda de trabalhos: "análise à situação política" e isso poderia envolver as questões mais pertinentes que hoje se colocam ao povo. Pelo contrário, solicita uma audição e aconselhamento para um pós-troika, que bem longe vem, quando tudo leva a crer que este governo, extremamente corroído por dentro, pode cair mais mês menos mês. É o sentimento que existe junto do povo, mas é também esse o sentimento que cresce junto de comentadores e jornalistas. Poucos, muito poucos, acreditam nesta receita austera que está a devorar os portugueses.
Ainda hoje li a síntese de um estudo que dá conta que os portugueses vão precisar de trabalhar este ano mais de cinco meses, até ao dia 04 de Junho, para pagar impostos e só daí em diante o salário se torna verdadeiro rendimento líquido. Paga, por um lado, e retiram-lhe direitos sociais, por outro. Paga, trabalha mais horas e agora, como se não bastassem todas as agressões anteriores, aos funcionários públicos, querem penalizá-los com 4% nos salários de 2014, ao mesmo tempo que manifestam interesse em reduzir 10% nas aposentações anteriores a 2005. Perante isto, o Presidente dá-se por satisfeito com o rumo do País, entende que assim está bem, que não há fome, que o País "ai aguenta, aguenta..." e, no extremo, Nossa Senhora de Fátima resolverá esta situação que pertence ao domínio dos comportamentos dos homens e mulheres que por aqui andam. Ele brincou e brinca, abusivamente, com o domínio da transcendência e da fé apenas para mascarar uma complexa situação que só poderá ser resolvida com atitudes políticas sérias, honestas e que fazem apelo à inteligência e à negociação. 
Ilustração: Google Imagens.

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