terça-feira, 18 de junho de 2013

PROFESSORES DA MADEIRA: DEPOIS NÃO SE QUEIXEM!


Penso que o essencial sobre a greve dos professores já foi dito: desde a teimosia do ministério de Nuno Crato à atitude miserável de atirar milhares de funcionários públicos para um regime de mobilidade, onde se enquadram, também, milhares de professores, cujo Estatuto designa-os, qual paradoxo, pela sua importância, como um "corpo especial da Administração Pública". Com todo o direito de dizerem não à greve, apenas digo que, mais tarde, os que não aderiram, não venham se queixar do governo assim e do governo assado! Quando forem atirados para o desemprego não se queixem. Aceitem, com naturalidade essa situação. Não chorem e não pensem que, naquele dia 17 de Junho, deveriam ter paralisado, porque enquanto um exame pode ser realizado uns dias depois, um emprego não se ganha no dia seguinte ao despedimento. De nada valerá esse choro sobre o leite derramado. E faltar no dia 27, no dia da greve geral, terá um "cheirinho" a hipocrisia pois pode ser tarde demais. Há momentos chave em determinados processos. O destino de muitos já está traçado por este governo estúpido que trata a Educação e os Professores como qualquer coisa absolutamente descartável. Lembrem-se que deveriam ter presente que os computadores são cegos e debitarão as listas da mobilidade especial sem contemplações, mesmo para aqueles que ontem prestaram serviço de exames.  Lembrem-se que deveriam ter equacionado melhor que as 40 horas obrigarão a mais trabalho na escola, mais reuniões e mais burocracia para além das horas lectivas, a juntar a todo o trabalho de casa de preparação de aulas e correcção de testes (um professor com cinco turmas de 25 alunos tem para cima de 375 testes para corrigir por período escolar, ou seja, mais de 1000 por ano lectivo, fora outros trabalhos) e, portanto, restará menor tempo para a vida familiar, para os filhos e para a formação contínua e estudo. A não ser que levem a cama para a escola!


Enquanto ex-professor, desempenho que abracei, definitivamente, em 1974, sinto pena que muitos colegas não consigam ver o óbvio e se deixem enredar nas palavras hipócritas que enquadram o discurso dos "superiores interesses dos alunos". Infelizmente, há professores para os quais "os superiores interesses dos professores" não contam; o direito ao trabalho não existe; passar de professor efectivo para a mobilidade especial é coisa de somenos importância; a traição ao direito a uma escola pública, inclusiva e de excelência, é pura retórica; ao invés de reduzir o número de alunos por turma, aumentá-las tem a sua justificação; ter carreiras congeladas, enfim, dirão, não venham tempos piores; à sucessiva retirada de direitos sociais, pensam que não há porta que se feche e janela que não se abra, enfim, por aí adiante. Repito, tarde ou cedo, não se queixem. Se forem conduzidos para a mobilidade especial agradeçam, alegremente, ao Crato, ao Passos e ao Jaime. Assim escrevo porque sou um cidadão livre, que nunca teve medo e que, embora aposentado, é sindicalizado, com as quotas em dia, e mais, porque ninguém me pode acusar de ter estado, politicamente, por exemplo, com a Ministra Maria de Lurdes Rodrigues (PS). As questões da educação sempre as politizei e nunca as partidarizei.
Tal como acima escrevi, tais professores têm o direito de assim pensar, pelo que, no plano individual, ninguém lhes deverá apontar o dedo, pois é tão legítimo fazer greve como comparecer ao trabalho. A decisão é individual e de consciência. Aliás, os professores são todos maiores e vacinados. Apenas, sublinho e repito, mais tarde, não se queixem, não chorem, não se atirem a quem os colocou nessa situação de despedidos, não lamentem viverem da solidariedade dos pais e avós e não fiquem desencantados por terem de emigrar. Respeito a decisão individual, mas tenho dificuldade em compreender o medo nesta hora de uma total agressividade aos professores, daí que alguns entendam que é melhor entregar o "ouro ao bandido". No pressuposto que o "bandido" vai zelar pelos nossos interesses!
Como nota de rodapé, parabéns aos professores do Porto Santo, um abraço aos da Escola Básica e Secundária do Carmo em Câmara de Lobos e a todos quantos paralisaram em defesa de um Sistema Educativo de qualidade que não pode dispensar professores.
Ilustração: Google Imagens.

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