domingo, 27 de outubro de 2013

"VIGARISTAS, EXIBICIONISTAS E O JORNALISMO ANALFABETO"


Tenho a sensação que o mau perder do PSD-M, particularmente, desta gentinha da cúpula política regional, que tanta dificuldade estão a demonstrar para digerir a derrota de 29 de Setembro, terá, brevemente, desenvolvimentos interessantes. Quando digo interessantes é no sentido trágico da vida e da vivência democrática. Há uma série de indicadores e de aspectos já conhecidos que ainda andam pelo adro. O habitual, embora multiplicado por n vezes. O que há anos fizeram à Câmara Municipal de Machico e também à do Porto Santo ainda está na memória de muitos, pelo que fácil será adivinhar o que não andará a ser congeminado no sentido de sufocar as autarquias cujos eleitores decidiram escolher outros caminhos na construção do seu futuro. É já sensível a existência de um ambiente pesado, de subtis perseguições, de querer ostensivamente bloquear o trabalho das novas equipas saídas do último acto eleitoral. O tiro de partida já foi dado pelo presidente do governo e do PSD ao exigir oposição "séria". Com alguma perversidade da minha parte, eu diria que Deus os conserve até 2015. Continuem assim, continuem a demonstrar aquilo que realmente são, não desistam, pois há que provar ao povo os enganos de 37 anos de continuada presença. As autarquias vão sobreviver, através do bom senso e da qualidade do trabalho que, certamente, irão desenvolver, já o que resta deste regime cairá de podre como tantos outros caíram. Continuem a disparar, mantenham essa fúria que se transforma em ódio e vómito sobre o povo, pois esse será o melhor caminho para a vossa auto-destruição. Na peneira do tempo irá passar a qualidade e o farelo terá outros destinos menos nobres. 

A política não pode ser exercida
nem com raiva nem com ódios

Não se trata apenas de chamar a si, governo, por exemplo, o jardim de S. Luzia (Hinton), pois trata-se apenas de um sinal, mas fomentar uma política de pressão para que as empresas exijam das câmaras a liquidação das dívidas por serviços prestados ou bens fornecidos, aí o problema apresenta outros contornos. Criaram ou fomentaram as dívidas, colocaram milhões de euros à deriva, pediram emprestado (PAEF) e agora forçam os pagamentos quase imediatos. Prevejo que os processos na Justiça aumentem. Esquecem-se que não têm moral para o fazer ou assim actuar, face a milhares de facturas pregadas no tecto do gabinete do secretário das Finanças. O tal que, em tempo devido, não reportou à República alguns milhões. Esquecem-se que é sujo e indigno forçar, por exemplo, o pagamento da energia eléctrica pelos consumos da iluminação pública, quando hospitais e escolas, entre outros, também têm significativos atrasos nos pagamentos. E se fosse só a energia eléctrica! E pelos consumos de água? E se pagassem, tal como está previsto na tabela de taxas e licenças, a ocupação do solo e do espaço aéreo pela passagem de toda a cablagem? Não sei quem ficaria a perder! Os que prometem "guerra" aos executivos legitimamente eleitos, já agora, talvez fosse interessante começarem a pagar as dívidas da Fundação à Câmara, à Electricidade da Madeira e aos bolseiros!
Depois, são as manifestações escritas, desde aquela do secretário Manuel António a impor seis milhões à Câmara de Machico se esta decidir não alinhar com a "Empresa Águas e Resíduos da Madeira", até o episódio de ontem, de muito mau gosto, do secretariado regional do PSD, relativamente a uma posição do Dr. Raimundo Quintal. O geógrafo escreveu: "(...) O mesmo governo que abandonou a histórica Quinta Magnólia, que continua a regar com água potável, que não paga à câmara, a Quinta das Cruzes, que é incapaz de travar a degradação do Jardim Botânico, onde mantém em inqualificáveis condições de cativeiro centenas de aves exóticas, que não é capaz de arranjar uma rotunda à entrada do porto, não tem autoridade política e técnica para retirar à Câmara do Funchal a gestão do Jardim de Santa Luzia (...)". A resposta veio célere, em comunicado sob o título "Não contem connosco para as vossas aldrabices". Chama mentiroso a Raimundo Quintal e que "(...) desprezará os vigaristas, os exibicionistas e o jornalismo analfabeto". Dizer a verdade é próprio de vigaristas e transmiti uma opinião enquadra-se no jornalismo analfabeto. Esclarecedor. Ou será que há gentinha preocupada porque sete dos onze telefones deixaram de ter linha directa aos senhores deste sub-regime da democracia? Eu penso que sim, que o problema reside aí, no receio de perderem espaços de enriquecimento empresarial quando o mercado é muito mais vasto e os mais pequenos terão de sobreviver. Penso que não se trata apenas de uma questão política. Ela existe, obviamente que sim, mas existe muito mais do que a aparência.
Com alguma perversidade da minha parte, eu diria que Deus os conserve até 2015. Continuem assim, continuem a demonstrar aquilo que realmente são, não desistam, pois há que provar ao povo os enganos de 37 anos de continuada presença. As autarquias vão sobreviver, através do bom senso e da qualidade do trabalho que, certamente, irão desenvolver, já o que resta deste regime cairá de podre como tantos outros caíram. Continuem a disparar, mantenham essa fúria que se transforma em ódio e vómito sobre o povo, pois esse será o melhor caminho para a vossa auto-destruição. Na peneira do tempo irá passar a qualidade e o farelo terá outros destinos menos nobres. 
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

jv disse...

Caro João André Escórcio, percebo perfeitamente que isto estaria para acontecer e que se intensificará no futuro, mas penso que toda e qualquer acção ou procedimento que seja tratado de maneira diferente e discriminatório ao que era para as antigas gestões camarárias, deveria ser de imediato tornado público de tal modo que pudesse chegar ao conhecimento do maior numero de agregados,(mesmo,porta a porta, com a distribuição de boletins informativos) nem que para isso a militância de cidadania se tenha de mobilizar. O mesmo deveria ser feito para as actas de todas as reuniões de orgãos autárquicos.
Foi o que se fez e se faz numa freguesia que é gerida por um grupo de independentes que já vai no seu terceiro mandato.
Resultou e de que maneira, com o comportamento muito semelhante com aquele que nos relata.
Três ou quatro voluntários( na distribuição) por freguesia podem fazer um excelente trabalho.
Um braço
Jv

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu oportuno comentário.
Concordo integralmente consigo.
Tentarei chegar a sua opinião a quem tem responsabilidades políticas.
Muito obrigado, uma vez mais.