sexta-feira, 29 de novembro de 2013

"A MUDANÇA NÃO TEM DONO"


Como governante que foi sabe quantos foram miseravelmente atacados, ofendidos, vilipendiados na praça pública e esmagados por terem opinião diferente, por desejarem a tal "mudança" que se faz no "sentido do progresso, superação de carências extremas, recuperação de atrasos estruturais e promotora de um maior e melhor acesso e dignidade aos madeirenses em geral (...)". Certo, Dr. Domingos Abreu? Ao contrário do que possa imaginar ou mesmo querer quando refere que o "caminho não acabou ainda", presumo que deve estar enganado. O 29 de Setembro veio para ficar, por alguns anos, até que a democracia funcione em todo o seu esplendor. Quase 40 anos a escutar a música do grupo "Insubstituível" é tempo que não permite que a Democracia funcione. Ela está ferida, magoada, condicionada, por anos a fio de teimosias, subserviências, medos, projectos de vida pessoais e interesses económicos e financeiros. E neste contexto, tem toda a razão quando sublinha que "A mudança não é uma propriedade privada de alcance exclusivo a uns quantos iluminados em função de um momento particular, contexto ou posição relativa". De facto não é, mas tem sido! E isso acabou ou, tendencialmente, acabará, chamando-se manelinho, antoninho, joãozinho ou qualquer outro. Acabou! Simplesmente porque, primeiro, os eleitores despertaram e sentem-se enganados, segundo, porque começam a acreditar e a habituar-se a outros sons e outros repertórios que o grupo "Insubstituível" não sabe tocar, porque as mãos já tremem  e a palheta não resolve!


Por norma evito analisar ou criticar o que cada cidadão entende opinar nas páginas do DIÁRIO ou em qualquer outro espaço de comunicação. As opiniões são tão legítimas quanto as minhas aqui produzidas. E isto vem a propósito de um artigo assinado pelo Dr. Domingos Abreu publicado na edição de hoje do DN. Confesso que li e reli para entender o alcance das palavras escritas. A palavra chave é "mudança". Os destinatários podem ser múltiplos, desde a coligação que lidera o Funchal até ao saco de gatos em que o PSD está transformado. Excluo a primeira hipótese até porque, pressuponho, seria de muito mau gosto e oportunidade visar os novos dignitários do Funchal que no poder estão a escassas seis semanas de trabalho. Inclino-me, portanto, porque o artigo não é totalmente explícito, para uma lambuzadela ao "chefe vigia da quinta". Escreve: "(...) A Madeira terá mudado a 29 de Setembro último segundo as análises mais exuberantes no calor de um momento tão natural em democracia como deveria ser qualquer eleição. E já tantas aconteceram em democracia como estas que não foram nem mais nem menos democráticas do que outras anteriores. A mudança, em democracia não dura um dia. Faz-se todos os dias e é essa e por essa mudança que os madeirenses anseiam e sempre promoveram. O tempo, quando se olha brevemente para trás, revela mudança, imensa, enorme, grandiosa, maior que a ilha. Só a memória curta ou a falta dela não dá conta disso. Com meios, com dificuldades, com excessos, com defeitos, com desperdício, com limitações, com falhanços, com sucessos, com motivação e inclusão e com falta destas, com momentos mais claros e outros mais difusos mas, sim, com grandes e profundas mudanças, geralmente num sentido de progresso, superação de carências extremas, recuperação de atrasos estruturais e promotora de um maior e melhor acesso e dignidade aos madeirenses em geral. O caminho não acabou ainda. Aliás, e por definição, não deve ter fim, pelo que se exige continuar, procurar e fazer da mudança um modo de estar e ser. (...). 
Esta passagem parece-me constituir um claro elogio à tal "obra feita" pelo seu patrono partidário. E se se trata de um elogio para o interior do PSD e, em particular, do "chefe" e, por extensão, um aviso à navegação dos candidatos que se perfilam, o Dr. Domingos Abreu, embora no seu pleno direito de colar-se ou defender seja lá quem for, a verdade é que, utilizando as suas próprias palavras, "a memória curta", não deveria esquecer-se do estado a que a Madeira chegou, no desemprego estrutural, na pobreza gritante, na dívida que está a custar a todos os madeirenses uma dupla e severa austeridade. E como governante que foi sabe quantos foram miseravelmente atacados, ofendidos, vilipendiados na praça pública e esmagados por terem opinião diferente, por desejarem a tal "mudança" que se faz no tal "sentido de progresso, superação de carências extremas, recuperação de atrasos estruturais e promotora de um maior e melhor acesso e dignidade aos madeirenses em geral (...)". Certo, Dr. Domingos Abreu? Ao contrário do que possa imaginar ou mesmo querer, quando refere que o "caminho não acabou ainda" (que Deus nos livre!), presumo que deve estar enganado. O 29 de Setembro veio para ficar, por alguns anos, até que a democracia funcione em todo o seu esplendor. Quase 40 anos a escutar a música do grupo "Insubstituível" é tempo que não permite que a Democracia funcione. Ela está ferida, magoada, condicionada, por anos a fio de teimosias, subserviências, medos, projectos de vida pessoais e interesses económicos e financeiros. E neste contexto, tem toda a razão quando sublinha que "A mudança não é uma propriedade privada de alcance exclusivo a uns quantos iluminados em função de um momento particular, contexto ou posição relativa". De facto não é, mas tem sido! E isso acabou ou, tendencialmente, acabará, chamando-se manelinho, antoninho, joãozinho ou qualquer outro. Acabou! Simplesmente porque, primeiro, os eleitores despertaram e sentem-se enganados, segundo, porque começam a acreditar e a habituar-se a outros sons e outros repertórios que o grupo "Insubstituível" não sabe tocar, porque as mãos já tremem e a palheta não resolve!
Ilustração: Google Imagens.

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