quarta-feira, 29 de abril de 2015

UM ESTADO DENTRO DO ESTADO


Nada está a mudar, infelizmente. Ou melhor, enfeitam o prato, mas o menu a servir é o mesmo. Li a anormalidade do número de nomeações para as secretarias regionais. Uma enormidade! Temos, de facto, para pouco mais de 250.000 habitantes, do ponto de vista institucional, um Estado dentro do Estado. Não faz sentido. E o facto da dignidade jurídica de Região Autónoma dever ser considerada, parece-me óbvio que o bom senso deveria prevalecer. Não alinho pelo posicionamento de Marcelo Rebelo de Sousa que um dia disse que a Madeira era uma grande autarquia, mas defendo, no quadro autonómico, equilíbrio na arquitectura da estrutura institucional. A Região tem menos população que o concelho de  Sintra, entre tantos outros, é verdade, mas é uma Região Autónoma com órgãos de governo próprio. Embora assim sendo, repito, bastaria uma dose de bom senso no reajustamento. São milhões que se evaporam no cumprimento da orgânica estabelecida para as várias secretarias, quando falta dinheiro para atender às necessidades mais primárias da população. 


E que são muitas. Um novo governo não deveria, por isso, apenas preencher lugares, mas tomar a iniciativa de corrigir a dimensão das estruturas de natureza política que não fazem sentido. Uns dirão que isto é demagogia. Não, não é. Apenas a realidade sentida. Seria um dos primeiros passos em tempo de crise severa, de cofre vazio, de perda da Autonomia e de uma colossal dívida. O exemplo deveria partir de quem governa com a promessa de "renovação". Ao fim ao cabo todos começamos a ver que o baralho é o mesmo, simplesmente as cartas é que foram redistribuídas, mantendo-se a mesma maneira de jogar. Há serviços a mais, chefias a mais e até chefes de si próprios. Os papéis circulam, muitas vezes com posições algo contraditórias, que não ajudam, antes complexificam e burocratizam os sistemas. Para além do tempo, perde-se dinheiro. Aguardemos pela tal reforma do sistema político!
Ilustração: Google Imagens.

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