quarta-feira, 6 de maio de 2015

A CAMPANHA DO MEDO


Não há intervenção política dos vários membros do governo que não esteja envolvida no síndrome do medo: prestem atenção, não queiram voltar a 2011, lembrem-se do que o anterior governo fez, cuidado porque pode estar de volta um novo resgate, reparem que eles prometem uma coisa e fazem outra, enfim, todos os dias somos confrontados com uma insuportável lengalenga. Como se o regime democrático não despoletasse alternativas e todos nós, portugueses, estivéssemos satisfeitos com a produção política dos últimos quatro anos. Se Passos Coelho, Paulo Portas e outros vivessem em Hollywood provavelmente conseguiriam o "óscar" de melhores actores!


O medo anda aí. A intoxicação é permanente no sentido de coarctar a livre leitura das situações políticas. Há uma clara e deliberada intenção de suave empobrecimento ao mesmo tempo que garantem que, amanhã, o desemprego será residual, a pobreza esbatida e que a felicidade fará parte das nossas vidas. A engrenagem é perfeita e a desmontagem da máquina de propaganda extremamente complexa. Ainda hoje, a edição do Jornal de Notícias adianta que "(...) cada português aufere 79% do rendimento médio dos europeus". Mas quantos sabem disto? Todavia, temos, cada vez mais, uma impiedosa e sufocante carga fiscal, impeditiva do crescimento das pequenas e médias empresas e, por essa via, bloqueadora das altas taxas de desemprego. Mas não é tudo. Despudoradamente, retiram direitos sociais, bloqueiam carreiras profissionais, mantêm a obcecada atitude de servilismo perante os gulosos mercados, como se alternativa não existisse a este estado que comprime e onde não há lugar à esperança. É sempre a mesma treta: amanhã, sim! Mais ou menos a história do dístico na taberna: "amanhã fia-se, hoje não". Daí a instigação do medo, a lembrança, o estado a que chegámos cuja culpa é sempre dos outros. Quem por esses caminhos anda, parece-me óbvio que a muitos não convence. Pelo contrário, fazem despoletar outras lembranças, outras promessas, outras compaginações sobre a luta acontecida contra o PEC IV, o desejo de saltarem para o poder a qualquer preço, para hoje aqui chegarmos piores do que então estávamos, apesar de todos os sacrifícios. Intencionalmente, não falam da fabricada crise internacional, do crescimento que então tínhamos e do défice abaixo dos 3%, mas são céleres a dizer que foi o anterior governo que chamou a "troika" ao mesmo tempo que ignoram todos os actuais e péssimos indicadores económicos e sociais. Medo e baixa política é o que se passa debaixo dos nossos olhos de cidadãos espectadores e indefesos.
Ilustração: Google Imagens.

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