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terça-feira, 5 de maio de 2015

SECRETÁRIO REGIONAL DA SAÚDE: DO "HOSPITAL TUNNING" À DÚVIDA


O actual secretário regional da Saúde disse, esta manhã, que a comissão, composta por cinco pessoas, estava hoje reunida para, no prazo de 60 dias apresentar um relatório, no qual fique claro, entre outros aspectos, "se é ou não necessária a construção do novo hospital". Fiquei estupefacto. Ora bem, uma vez mais, vejamos, sumariamente, a cronologia sobre o novo hospital iniciada há catorze anos: "(...) Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção ia para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir, que oito consórcios se mostraram interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o actual secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica, no entanto, o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constatou-se o recuo, todavia, de trapalhada em trapalhada (...)". 

Secretaria Regional da Saúde
anda a "remar para terra"
no meio do nevoeiro financeiro!

Mais, ainda: assisti, em 2011, a um "Ciclo de Conferências: Um hospital para século XXI" promovido, em conjunto, pelas Ordens e Sindicatos dos Médicos e dos Enfermeiros. No decorrer dessas conferências não escutei uma palavra discordante quanto a tal necessidade. Nelas participaram engenheiros, arquitectos, técnicos especialistas e, naturalmente, médicos e enfermeiros. O actual secretário, Dr. Manuel Brito, um dos convidados, considerou as obras em curso no velho hospital como "HOSPITAL TUNNING", exemplificando que um carro topo de gama de há 60 anos, mesmo que lá se coloque umas jantes actuais, um motor moderno de um Ferrari, nunca deixará de ser um carro com 60 anos. Todos perceberam a metáfora. E foi referido, por outros participantes, que o hospital Dr. Nélio Mendonça não é seguro, não garante privacidade aos doentes, não dispõe de espaços sociais atractivos e amplos, os acessos não são funcionais, não tem flexibilidade funcional interna, apresenta dificuldades nos acessos, não tem conforto de uso, não respeita normas de segurança, que nos mesmos elevadores circulam os cadáveres, os limpos e sujos, as pessoas e que apresenta carência de espaços (salas de estar, gabinetes, vestiários, espaços de arrumos, sanitários, etc. etc.. Perante tudo isto, pergunto, que razões substantivas existem para que este secretário coloque no centro do debate a necessidade ou não de um novo hospital? Quando, nesta Comissão de cinco personalidades, identifico pelo menos quatro, com declarações públicas no sentido da construção de um novo hospital; quando o actual presidente do governo já assumiu tal obra e quando o secretário até já se posicionou no mesmo sentido, pergunto, se isto não corresponde a uma perda de tempo e a um sinal de quem anda a "remar para terra"? Não brinquem connosco!
Deixo aqui o vídeo sobre o Novo Hospital do Funchal.


















"errar é humano, mas insistir no erro é idiotice" (Julio Aukay).

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