segunda-feira, 11 de abril de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA - ANTES DE FALAR, POR FAVOR, PENSE!


Há governantes que, em um outro espaço territorial, já não o seriam. Porque a Educação é mais escrutinada. Há quem tenha competência para exercer a docência e bem, mas por aí ficar, porque ser governante implica muito mais que o conhecimento específico e científico de uma determinada área. A contrária também é verdadeira: há quem, embora com conhecimento, por razões várias, não se ajeite à função docente, porém, enquanto gestor denuncie visão dos problemas e acrescentada capacidade de mobilização e concretização dos projectos. Perguntará o leitor, mas a que propósito vem este texto? Pois, é que li mais uma daquelas declarações do secretário da Educação da Madeira e fiquei na mesma. Ou não fiquei! Disse: "(...) aquilo que devemos ter presente são as nossas opções em termos de futuro e não as condições que são oferecidas (…)".


Ora, às dificuldades enunciadas e bem pelo presidente do Conselho Executivo da Escola Francisco Barreto, na Fajã de Ovelha, que, segundo o DN, criticou "as reformas do sector educativo e as políticas de natalidade e de emprego existentes", respondeu o secretário com uma posição de certa forma enigmática e de interpretação contraditória. Pergunto, a construção do futuro colectivo não dependerá das "condições que são oferecidas", as de natureza geral e as específicas? É óbvio que sim. Mas podemos ir mais longe, questionando, ainda: quais são as opções portadoras de futuro que o secretário defende? Alguém as conhecerá? Existirá algum plano integrado, envolvendo vários sectores, a partir do qual se possa concluir que, a prazo, os resultados serão diferentes dos de hoje? Eu que sigo a política educativa não vejo moita de onde saia coelho! Um ano de governação e a estrutura do pensamento político mantém-se. "Tudo como dantes, no quartel general em Abrantes" pode ser o aforismo que melhor caracteriza a situação da política educativa na Madeira.
Seria compreensível que o secretário sobrevalorizasse as opções em termos de futuro ao mesmo tempo que pedisse paciência para as circunstâncias, leia-se constrangimentos, do presente, sejam quais forem, mas para isso tinha de ser conhecido o caminho escolhido pelo governo na construção desse futuro. E isso não só não é conhecido, como pelo andar da carruagem durante o último ano, facilmente se depreende que a repetição do passado é preferível a qualquer paulatina mudança. É pena, porque continuam a brincar com o sector educativo. 
Nota
Ler texto do DN neste endereço: 
http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/580159/madeira/580187-faja-de-ovelha-lanca-criticas-a-educacao
Ilustração: Google Imagens.

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