Adsense

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

AUTONOMIA A PATACO


Eu não aceito a venda da Autonomia a pataco. Há uma História de Homens e de Mulheres, muito antes de 1974, que enquanto uns defendiam o Estado Novo, com artigos de opinião (vide "Voz da Madeira"), outros defendiam a Autonomia e foram perseguidos. Em memória desses e das minhas convicções, não estou disposto a perder o que foi conquistado.

Uma greve contra os mentores
deste desequilibrado Mundo.
Dia de greve geral. Um direito Constitucional dos trabalhádores. Pessoalmente, estou em greve contra este Mundo, contra os seus mentores e não apenas contra o País e contra a Região. E digo isto, porque a honestidade política leva-me a dizer que o ataque à população deve-se a muitos factores externos, a uma profundíssima crise internacional que levou, de uma ponta à outra do Planeta, à utilização de medidas extremamente penalizadoras para a esmagadora maioria do Povo que não contribuiu para essa crise. E a honestidade também leva-me a dizer que foi este mesmo governo da República que fez recuar o défice para 2,6 quando ele se situava em 6,83 no tempo dos governos do PSD e do CDS. Para não ir mais longe, ao tempo das vacas gordas, com o Primeiro-Ministro Cavaco Silva a deixar um défice de 8,9 do PIB. Isto é passado mas convém lembrar.
É evidente que ninguém aceita medidas penalizadoras de conquistas e de direitos conseguidos. Eu não aceito porque tenho uma outra visão do Mundo e da presença do Homem nesta efémera passagem do Homem pelo Mundo. E aqui o problema é muito claro: ou a Madeira utiliza a sua Autonomia para marcar a diferença, ou, então, despede-se da Autonomia e devolve-a à República, aliás, como parece que querem fazer com a Educação e com a Saúde.
Eu não aceito a venda da Autonomia a pataco. Há uma História de Homens e de Mulheres, muito antes de 1974, que enquanto uns defendiam o Estado Novo, com artigos de opinião (vide "Voz da Madeira"), outros defendiam a Autonomia e foram perseguidos. Em memória desses e das minhas convicções, não estou disposto a perder o que foi conquistado.
Entendo, portanto, que é aqui, na REGIÃO AUTÓNOMA, que este Governo  tem de decidir: ou tem capacidade para encontrar estabilizadores das medidas de austeridade, ou, se não tem, deve repensar se quer continuar a governar. Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

UM NOVO HOTEL NO PORTO SANTO?


E temos razões de sobra para esta audição. Não vamos em histórias, porque já foram construídos dezenas de restaurantes pelas Sociedades de Desenvolvimento, em concorrência desleal com o sector privado, pelo que esta intenção deve ser devidamente esclarecida.


A AMEAÇA COMO "SOLUÇÃO"


Não o preocupou um livro lançado pelo Deputado Edgar Silva, dramático, porque põe a nu uma das maiores vergonhas sociais da Madeira-Nova, que se arrasta no tempo, mas quanto aos médicos e enfermeiros abespinhou-se de imediato. Curioso!


A terrível mania de quero
mando e posso.
Isto acaba mal!
Os regimes com tiques ditatoriais são assim, não analisam e não tentam resolver, seguem a via mais fácil, o "fuzilamento" na praça pública dos direitos e das pessoas. Não interessa saber quantos se manifestaram, mas quem organizou a manifestação. Rola-se a cabeça desse(s) e pronto, problema resolvido, através da intimidação e do medo. Por essa via tentam desmobilizar, fazer esquecer as razões mais profundas do grito de revolta, deixando junto do Povo a ideia de que são uns energúmenos os sujeitos que não querem trabalhar e, por isso, a empresa, mais cedo que tarde, "vai se ver livre de gente que perturba e não quer trabalhar". Estou a escrever sobre a greve dos médicos ortopedistas e, naturalmente, sobre as declarações do Presidente do Governo Regional.
Já andava a estranhar que o assunto não chegasse ao ponto da ameaça. Normalmente, quem abre a boca e tenta discordar, primeiro, é enxovalhado e, depois, ameaçado com o Tribunal. Desta vez é o despedimento. Uma declaração, penso eu, para não levar a sério e que apenas se enquadra na lógica da intimidação. Não é para levar a sério, simplesmente porque o caso é muito sério, uma vez que pode ser o rastilho para outras tomadas de posição entre os médicos das várias especialidades. Pode haver aqui o efeito de contágio e de solidariedade. E a entrar por aí seria o descalabro completo do Serviço Regional de Saúde.
Mas não deixa de ser preocupante esta tentativa de condicionamento. De bom senso seria a abertura do diálogo, sincero e disponível, com os médicos, os enfermeiros e com os parceiros sociais. De bom senso seria a negociação capaz de todos perderem um pouco para que o sistema ganhasse muito. Mas não, esta terrível mania de quero, mando e posso, esta mania de impor contra a vontade, esta necessidade de sentir que existe uma cega obediência hierárquica, esta forma de abafar os problemas, do meu ponto de vista, só trará mais problemas para resolver.
E cada dia que se passe a situação tenderá para o conflito aberto. Foi, por isso, que o PS pediu, há várias semanas, ao Senhor Representante da República, que servisse de mediador neste conflito. O problema é grave e quando o digo, não é que o domine nas suas razões mais profundas. O que sei é do domínio público, está aos olhos de todos que ninguém se entende, que o Secretário não é um interlocutor válido, que o Presidente do SESARAM não risca nada neste processo, que o Presidente do Governo lança combustível sobre o fogo e daí a necessidade de uma mediação, discreta, obviamente, porque a Região tem órgãos de governo próprio, mas necessária porque com a Saúde ninguém deve "brincar".
Não tendo nada a ver com o assunto em causa, não deixa de ser curioso, por parte do Senhor Presidente do Governo Regional, o seu silêncio relativamente à denúncia sobre a existência de prostituição infantil na Madeira, mas em relação aos médicos venha desferir a ameaça. Não o preocupou um livro lançado pelo Deputado Edgar Silva, dramático, porque põe a nu uma das maiores vergonhas sociais da Madeira-Nova, que se arrasta no tempo, mas quanto aos médicos e enfermeiros abespinhou-se de imediato. Curioso!
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

PORCO, DISSE ELE!


À política o que é da política e à Justiça o que é da Justiça. Ponto final! O que não são admissíveis são as palavras que saem boca fora. Desta vez foi a palavra "porco".

Até o verdadeiro porco
coloca uma máscara!

Desconheço os pormenores, mas o assunto gira em redor de uma "acção popular" que coloca em causa a "legalidade" de transmissão do espaço público, Estádio dos Barreiros, para o domínio privado. Conheço a história, tenho um longo documento que, aliás, é público e que explica este assunto, mas não quero entrar por aí. Centro-me na linguagem do presidente do governo regional quando, a este propósito, foi abordado pela TSF. Depois de assumir que desconhecia os contornos da citada "acção popular", o presidente considerou "porco" quem a promoveu e que aquela era uma atitude contra a Madeira. 
Ora bem, pode custar ao governo ter de confrontar-se com situações destas, mas são totalmente legítimas. Em democracia o reino não é o do "come e cala-te!" Há regras que têm de ser respeitadas e, portanto, competirá ao Tribunal decidir se existe ou não fundamento. Ao presidente e a todo o governo apenas restará aguardar que a Justiça dite a decisão. Tão simples quanto isto. À política o que é da política e à Justiça o que é da Justiça. Ponto final!
O que não são admissíveis são as palavras que saem boca fora. Desta vez foi a palavra "porco". Em outras ocasiões, o descontrolo tem levado a palavras e ao calão grotesco. E trago isto aqui, porque, ainda hoje, cruzei-me com uma distinta Colega de profissão, da área da Biologia, que sempre quis ser professora. Só não se aposenta, disse-me, porque não tem ainda a idade. Seria muito penalizada. Mas lá me foi dizendo que está farta da indisciplina, das atitudes malcriadas, dos palavrões, ainda por cima com jovens do 12º ano que já deveriam ter juizinho. Disse-lhe: pois é, mas como acabar com isto, quando a Secretaria da Educação assume que está tudo bem, que não existe indisciplina e quando o presidente do governo, que deveria ser o espelho do rigor, da disciplina, da exigência, dos comportamentos adequados, é o primeiro a criar situações absolutamente inauditas. Pois é, respondeu-me.
Ilustração: Google Imagens.      

A CAMINHO DE UM ENSURDECEDOR RANGER DE DENTES!


Mas que moral, que sensatez, que tipo de cara tem um político que assim actua? Onde pára a verticalidade do comportamento político, onde está o espelho das atitudes? Ora, isto só é possível numa sociedade que não se mexe, que não desconfia, que não põe em dúvida, que não questiona, que não analisa e, por isso  não se revolta contra aquele(s) que está(ão), claramente, a enganá-la.


Será que ninguém no PSD
tem um espelho?
 

Sublinha a edição de hoje do DIÁRIO que a Madeira será campeã do défice em 2011, com 12% face a 4,6% no Continente e 3% na Região Autónoma dos Açores. E os 12% da Madeira não têm em conta algumas variáveis, pelo que o valor pode até ser superior. Mas, vamos admitir que contas feitas (ainda estão em curso), em termos de grandeza, os valores se aproximam daquelas percentagens. É a prova do descalabro regional.
Por um lado, temos o PSD, particularmente, o Presidente do Governo e toda a sua estrutura, numa estridente gritaria política contra a República, contra aqueles malvados que estão a levar o País para a bancarrota, quando ele próprio conduz a Madeira para o abismo, sem a mínima consciência do que há muito anda a fazer. São décadas de políticas erradas, de gastar o que tem e o que não tem, de abusivos endividamentos, de sucessivas chamadas de atenção por parte do Tribunal de Contas e, não obstante isso, mantém a loucura de gastar à fartasana, sem um mínimo respeito pelas prioridades. Tendo como horizonte o acto eleitoral de 2011, se sempre foi assim, agora, dir-se-á que vale tudo, que se dane a dívida de seis mil milhões, a pobreza ou o desemprego, importante é mostrar "obra" física, inaugurar, meter ali pelo meio muita espetada e vinho seco, subir para cima da carroça e discursar, arrasar tudo e todos e, por via de uma sociedade anestesiada, ganhar as eleições. A estratégia é essa. Por isso, todos os momentos são óptimos para atacar Lisboa, para massacrar com a mentira conveniente, ao ponto da mentira tornar-se na verdade conveniente. 
Mas que moral, que sensatez, que tipo de cara tem um político que assim actua? Onde pára a decência, a verticalidade do comportamento político, onde está o espelho das atitudes? Ora, isto só é possível numa sociedade que não se mexe, que não desconfia, que não põe em dúvida, que não questiona, que não analisa e, por isso mesmo, não se revolta contra aquele(s) que estão, claramente, a enganá-la. E o drama disto, já aqui o escrevi, é ver o associativismo sindical e até partidos a embarcarem nesta cantilena de desresponsabilização do governo regional da Madeira. Ah, as medidas de austeridade, pois, as medidas de austeridade! E porque razão não se insurgem contra a incapacidade do governo regional em criar medidas estabilizadoras e compensadoras de tais medidas? Será que este governo é virtual? 
Uma imagem vale mais
que mil palavras.
Tenhamos consciência que, do ponto de vista institucional, temos um "país" na Madeira. Não temos um Presidente da República, mas temos um Representante da República; não temos uma assembleia da República, mas temos uma assembleia regional; não temos um primeiro-ministro, mas temos um presidente do governo; não temos ministros, mas temos secretários; não temos secretários de Estado, mas temos directores regionais, e por aí fora... 
O que faltará, então? Respondo: falta responsabilidade política, capacidade governativa, inteligência política, respeito pelas prioridades, capacidade negocial, humildade, bom senso e respeito pelo dinheiro dos contribuintes. Ah, e menos apego ao poder pelo poder!
Este Plano e Orçamento para 2011 é, por tudo isto, um desastre. Ainda hoje participei na reunião da 5ª Comissão Especializada em Assuntos de Sociais e Saúde. Os Deputados do PSD, tal como em outras Comissões, não quiseram e não querem saber de nada. É este o Orçamento e ponto final. Discutí-lo, analisá-lo e conhecer os porquês das opções é coisa que não lhes passa pela cabeça. Estão ali para obedecer. O Secretário Regional não se apresentou para esclarecer os Deputados e tudo se resumiu a uma frase: "está em condições de ser entregue na 2ª Comissão Especializada em Economia, Finanças e Turismo". Pergunto: como pode estar em condições se não foi discutido? Se não foi debatido?
Custa-me aceitar, mas esta é uma farsa que vamos pagar cara. Porque a maior crise não é a que advém das medidas de austeridade. A maior colocar-se-á a partir de 2012, quando a dívida começar a ser paga. Aí, teremos um ensurdecedor ranger de dentes. Lamento, porque gosto muito da minha terra, mas é inevitável.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 21 de novembro de 2010

ÂNSIA DE PODER A QUALQUER PREÇO


O maquiavelismo do poder, aquela ânsia de controlar tudo e todos, a compra de algumas consciências, conduziu, depois, a que "investissem" tudo, o que tinham e o que não tinham, na fúria inauguracionista até um nome de um secretário deram a uma rua, quando ele ficará na história como o político que sem uma visão estratégica do desenvolvimento, apenas lançou cimento sobre um mar de problemas.


Machico, um concelho que não se verga.
O Povo está a tomar consciência da mentira.


Ontem percorri o Concelho de Machico. Passei por todas as freguesias. Falei com pessoas, ouvi desabafos, observei obras, soube das graves derrapagens orçamentais e dos interesses, vi muito cimento e "alcatrão" espalhado por todo o sítio e passeei os olhos pelas casas com pessoas com ar de aflição.
Foi um dia politicamente interessante, porque permitiu-me ver os desequilíbrios, as situações de deixa-andar, o bonito por fora e amargo por dentro, o desleixo que permite deixar povoações isoladas, os gastos à tripa-forra e a falta de dinheiro para as prioridades que agora se colocam. Um dia que me deixou a pensar na inesgotável capacidade de "engolir em seco" por parte do actual presidente da autarquia, depois de tudo quando andou a dizer. 
Machico é muito mais que aquela mal enquadrada e despropositada "praia amarela" e aquela ETAR que não funciona em pleno e em zona não recomendada. Machico é um turbilhão de problemas por ausência de uma estratégia pensada de forma sustentável. O maquiavelismo do poder, aquela ânsia de controlar tudo e todos, a compra de algumas consciências, conduziu, depois, a que "investissem" tudo, o que tinham e o que não tinham, na fúria inauguracionista até um nome de um secretário deram a uma rua, quando ele ficará na história como o político que sem uma visão estratégica do desenvolvimento, apenas lançou cimento sobre um mar de problemas.
Da Água de Pena ao Caniçal, de Machico ao Santo, tomei consciência do que não foi feito, tomei consciência do intencional garrote financeiro às administrações socialistas, explicaram-me a natureza e a história dos bons projectos e sublinharam-me dos erros cometidos nos últimos anos por parte de uns que interpretam o poder não como um meio para resolver os problemas das pessoas, mas como um fim em si mesmo. 

O DEDO NA FERIDA QUE SANGRA


O povo hipnotizado. Quando o dedo aponta à beleza do luar, o cretino, idiota, fica a mirar o dedo; o regime aponta à crise continental e o madeirense, superior, olha mesmo o continente, fingindo não ver a sua própria desgraça.

Acabo de ler a Opinião do Jornalista Luís Calisto, publicada na edição de ontem do DN-Madeira. Um texto fantástico que dá para pensar. Não é o sujeito A ou B, ligado ao partido X que escreve. É o Jornalista, o observador, a pessoa independente, aquele que leva uma vida inteira a conhecer os meandros desta preocupante história.
A importantância deste seu texto, compaginado com outros que, semanalmente, qual dedo, perfura as feridas que sangram, constitui uma lição para muita gente que anda por aí distraída, acomodada ou a pagar favores. Particularmente este texto tem o condão de trazer para aqui, para o centro do debate político, as questões internas, que só a cegueira ou oportunismo conduz à sua descontextualização, endossando para a República aquilo que tem uma responsabilidade local, como se não dispuséssemos de de órgãos de governo próprio. 
Aqui fica um excerto, "para memória futura":
"Para anestesiar as hostes locais, chefe ilhéu preocupa-se com a ruína - do Continente. A maioria parlamentar descortina situações alarmantes - na Lusitânia. Aves de rapina volitando na órbita real imprecam o governo - nacional. O jornal do regime, que é regional, despeja libelos arrasadores sobre o executivo - o de lá, socialista. Cavalgando o mote, a Igreja foca as desgraças infligidas ao povo - no país. Domingo, o pároco de Machico zurziu o Estado Social, que permite ao rico "explorar uma maioria cada vez mais pobre". Aberrações com melhor visibilidade à distância. A prédica desancou "governantes incompetentes" e "bispos sonolentos". Raspanete oportuno para a situação nacional, porém mais-que-perfeito seria se chicoteasse a Madeira, sem arrebiques. Como ouvir o pregador assestar bocas de fogo para lá, sobre uma "governação que cria ódios e opressão", e não evocar o aparelho que, aqui mesmo, deita sebo debaixo da corsa desconjuntada a caminho do abismo?"
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 20 de novembro de 2010

O ORÇAMENTO REGIONAL NAS COMISSÕES ESPECIALIZADAS


Depois, vem a 2ª Comissão, onde o Secretário do Plano e Finanças responde ao que quer e entende, e uma maioria absolutíssima determina "que o Plano e Orçamento está em condições de subir a plenário". Uma farsa, porque, de permeio nada é discutido com seriedade.

Era o que faltava
discutir as razões
do Plano e Orçamento!
Na Assembleia Legislativa da Madeira, o Plano e Orçamento da Região para 2011, anda de comissão especializada em comissão especializada e, pergunta-se, para quê? Um perfeito logro.
Os Deputados reúnem para fazer-de-conta que estão a estudar o Orçamento. Uma falácia. Meia dúzia de minutos depois de iniciada a reunião sai o veredicto: "está em condições de ser entregue à 2ª Comissão de Economia, Finanças e Turismo". 
Chegar a uma Comissão e questionar o Plano e Orçamento, querer discuti-lo, saber porque razão é assim e não de outra maneira, questionar as opções que estão por detrás dos números, esse é trabalho em vão, por um lado, porque os deputados desconhecem os pressupostos em que assentam as opções, por outro, o Secretário Regional de cada sector da governação, não se apresenta na Comissão para discutir a razão de ser das suas opções. Na Assembleia da República e na Região Autónoma dos Açores a música é outra. Os ministros vão à Assembleia, os secretários regionais sentam-se frente aos deputados para esclarecer. Aqui, não, o papel das ditas Comissões Especializadas, é higiénico! Passa por ali por uma questão de cumprimento de uma formalidade.
Depois, vem a 2ª Comissão, onde o Secretário do Plano e Finanças responde ao que quer e entende, e uma maioria absolutíssima determina "que o Plano e Orçamento está em condições de subir a plenário". Uma farsa, porque, de permeio nada é discutido com seriedade. A maioria curva-se ao governo e à oposição pouco lhe resta do que "meter o pauzinho na engrenagem", votando contra. Assim, não vamos longe, nem no plano democrático nem no plano de um Orçamento que sirva os interesses da Madeira. Se estamos à beira de um abismo, a sensação que tenho é que querem dar um passo em frente.
Ilustração: Google Imagens.

MANUEL ALEGRE, UM HOMEM DE VALORES!


A direita política tem essa inteligência histórica e basta olhar para os protagonistas da situação em que o Mundo se encontra. Esse desvario não se deve à esquerda política, à esquerda dos princípios, dos valores, do desenvolvimento sustentável, à esquerda que olha, primeiro para o ser antes do ter. A direita política gosta muito da "caridadezinha", a esquerda política assenta a sua postura nos direitos do Homem. 


Relativamente à declaração do candidato à Presidência da República, Manuel Alegre, que ontem aqui transcrevi, recebi uma mensagem de um leitor, identificado por "Idealista", com o seguinte teor: "Linda afirmação... Mas com que dinheiro? Já não produzimos nada, continuamos a subsidiar indigentes e todo esse sistema (o SNS, a Escola, a SSP, a justa causa) à conta de dinheiro de outros. Hoje esse dinheiro acabou. E, pior, vai ter de ser pago o que gastamos em anos e anos deste socialismo. Manuel Alegre é a direcção errada. A aceleração na direcção oposta à que precisamos, em direcção ao abismo".
Trata-se de uma posição que respeito e que corresponde a um determinado posicionamento ideológico. Há quem defenda precisamente o contrário. No campo das convicções ou dos posicionamentos partidários, todas as observações devem ser tidas em conta, o que não significa que não tenhamos de perceber e compreender as razões que nos leva a determinadas considerações. Sabe, Meu Caro "Idealista", eu sou um moderado, não me deixo levar nem por ilusões (por idealismo!), por paixões, tampouco por perniciosos extremismos. O que sei, porque a vida me ensinou e pela História política que vou lendo, observando e digerindo, que a direita política sempre foi serenamente calculista, sempre foi paciente e sempre soube conduzir o processo para, depois, no momento certo, impor as suas regras. A direita política, inclusive, em síntese, ao longo da História, soube sempre criar situações, qual engodo, para, depois, poder assumir o controlo. O engodo das facilidades não sustentáveis no sentido de levar os trabalhadores, de uma maneira geral, a "picar" o anzol da sua própria falência. E aplaudiram, de pé, as medidas que foram surgindo sem terem a noção, por ausência de dados contextuais, que estavam a ser conduzidos para uma efémera "felicidade". A direita política tem essa inteligência histórica e basta olhar para os protagonistas da situação em que o Mundo se encontra. Esse desvario não se deve à esquerda política, à esquerda dos princípios, dos valores, do desenvolvimento sustentável, à esquerda que olha, primeiro para o ser antes do ter. A direita política gosta muito da "caridadezinha", a esquerda política assenta a sua postura nos direitos do Homem. 
Agora, é verdade que uma certa esquerda se deixou resvalar para os pantanosos campos da direita, ao jeito de "maria-vai-com-as-outras". E, hoje, está envolvida em sérios e comprometedores "pecados" políticos. Eu lamento, porque entendo ser necessária uma nova ordem política no nosso País, na Europa e no Mundo. E essa mudança é pela esquerda política, pela moderação, pelo bom senso, pelo respeito, pela capacidade de dizer NÃO ao desvario. Pessoalmente, entendo que esse não é apanágio da direita, esteja ela pintada de fresco ou com traços mais conservadores. Porque os princípios são os mesmos, mesmo que, agora, até já apliquem a palavra solidariedade no discurso político. É, por isso, que Manuel Alegre, sendo um Homem que integrou, desde há muitos anos os valores do Humanismo, será capaz de travar esta onda de interesses que não correspondem aos interesses da maioria do Povo. Prefiro em Belém um Presidente que não tenha as três propriedades da água, isto é, que não seja insípido, incolor e inodoro!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

MANUEL ALEGRE PRESIDENTE


"Eu disse, repito e daqui até ao fim direi muito claramente: se eu for eleito Presidente da República, não permitirei que nenhum Governo, seja ele qual for, ponha em causa o serviço nacional de saúde, a escola pública, a segurança social pública, o conceito de justa causa".


OBJECTIVO: LAVAGEM AO CÉREBRO!


Para quê, então, mergulhar nessa Madeira real? Para quê, se o problema é todo do Continente? Para quê  diagnosticar, analisar, produzir e emitir, se se toma por verdade absoluta o discurso da maioria que empurra tudo para Lisboa? Para quê meter-se em "aventuras" se o "chefe" ou "chefes" não apreciarão o nosso comportamento profissional? Importante é, por múltiplas razões, a região demarcada do "rum"!

Eis a receita:
"brainwash" permanente.
Ontem, após o TELEJORNAL da RTP-Madeira, escrevi aqui um texto de revolta pelo que assisti. E continuo revoltado porque constitui descaramento a mais a forma e o conteúdo da informação diária. Vamos lá por partes.
A RTP-Madeira justifica-se se souber produzir com qualidade e marcar a diferença. E essa produção, obviamente, não pode sustentar-se, apenas, naquilo que eu designo por "televisão sentada", isto é, entrevistas e debates de estúdio. Mas alguém suporta, ou, no mínimo, haverá bom senso, em horário nobre, à terça (este é, apenas, um exemplo) colocar dois programas seguidos ("Entrevista" e "Parlamento") de estúdio?
Ora, a "televisão sentada" deve ter os seus espaços próprios (quantidade não é sinónima de qualidade), de resto importantes quando bem feitos, mas a televisão é sobretudo movimento e dinamismo. Dois exemplos recentes: primeiro, uma coisa é uma entrevista de estúdio com o Dr. Edgar Silva, a propósito da prostituição infantil (excelente intervenção, pela coragem de tocar num tema de extrema gravidade e delicadeza), outra, é perante o silêncio político e social, meter pés ao caminho e realizar a incómoda reportagem sobre a realidade; segundo, ontem, teve foros de "denúncia" a situação de catástrofe social em que está mergulhado o Porto Santo (que, para a RTP-Madeira, valeu 31'' sem qualquer enquadramento), outra, é, perante a denúncia, equacionar, de imediato, no próprio TJ, o dramatismo da situação, desenvolvendo, depois, o respectivo trabalho de reportagem, indo ao âmago do problema. Só que, o problema é que nem uma nem outra reportagem o "serviço público" pode fazer, porque está amarrado, condicionado, bloqueado por forças exteriores que a impossibilitam ir mais longe. Mas estes são dois exemplos, os mais próximos, talvez, porque, face a um Orçamento que aí está, penalizador dos madeirenses e porto-santenses, Orçamento Regional este que vai determinar a vida de toda a população não apenas em 2011, mas nos próximos anos, parece que ninguém dele quer saber. Ontem, viu-se, através da entrevista ao Doutor Luís Campos e Cunha. O objectivo foi claro: malhar em Lisboa para que o PSD passe aqui incólume. 
Uma RTP que escolheu o caminho mais fácil!
É por isso que a RTP-Madeira, agora mais do que nunca, transformou-se num centro, não de produção de assuntos sérios, mas de claro bloqueio, que apenas favorece quem governa. A Região está de pantanas no plano económico, financeiro, social e cultural, mas para o "serviço público" a imagem que passa é a de "AJJ na Região das maravilhas". Por aqui está tudo bem, tudo arrumadinho, aqui é que se respira bem-estar e desenvolvimento humano, pois o desemprego é aquele que o secretário dos Recursos Humanos apregoa, a pobreza constitui uma invenção da "esquerdalhada", as falências são normais, 1040 dias para pagar as facturas da saúde constitui um prazo absolutamente aceitável, enfim, tudo funciona em um quadro de absoluta "tranquilidade", trazendo à colação o seleccionador nacional de futebol. Para quê, então, mergulhar nessa Madeira real? Para quê, se o problema é todo do Continente? Para quê  diagnosticar, analisar, produzir e emitir, se se toma por verdade absoluta o discurso da maioria que empurra tudo para Lisboa? Para quê meter-se em "aventuras" se o "chefe" ou "chefes" não apreciarão o nosso comportamento profissional? Importante é, por múltiplas razões, a região demarcada do "rum"! Ora aí está uma grande conquista da Autonomia!
É por estas e por muitas outras, por ausência de uma identidade própria, que de tempos em tempos surge a ameaça de isto se tornar em uma "janela" da RTP, em Lisboa. É por essa ausência de uma matriz conducente a uma identidade própria que se passa pelos restaurantes, bares, etc. e só muito raramente os televisores estão sintonizados na Madeira. Pobre RTP, ao ponto a que chegou!
Ilustração: Google Imagens. 

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

RTP: BASTA, BASTA E BASTA!


Mas não, a RTP-Madeira preferiu o mais fácil e menos comprometedor: falou de lá, do Continente, quase como uma extensão do presidente do governo. Ninguém no PSD teria feito melhor. Foi a chamada entrevista perfeita, isolou a Madeira de qualquer responsabilidade, como se esta terra não tivesse Assembleia, Governo e orçamento próprio, e colocou o problema bem longe. Um fatinho à medida dos interesses da RTP.

A RTP-Madeira está a produzir
um fatinho à medida dos interesses
do Governo Regional.
É público e notório.
Acabo de assistir ao Telejornal da RTP-Madeira. Uma vergonha. Basta de clara protecção ao governo do PSD-Madeira e de ofensa clara aos partidos da oposição. BASTA!
Assisti a uma entrevista ao Dr. Luís Campos Cunha, um economista que foi Ministro das Finanças do XVII Governo Constitucional. Tratando-se do TELEJORNAL da Madeira, lógica e obviamente, que a este Catedrático deveriam ser colocadas questões relacionadas com a Madeira, com a dívida da Região que já vai em seis mil milhões, com a política de "factoring", com as opções de criação das Sociedades de Desenvolvimento e Empresas Minicipais, com as políticas do Centro Internacional de Negócios da Madeira, sobre a política de impostos e de como sair desta gravíssima situação em função da Autonomia, enfim, a jornalista tinha tanto por onde explorar no sentido desta figura trazer o novo, através da opinião abalizada. Mas não, a RTP-Madeira preferiu o mais fácil e menos comprometedor: falou de lá, do Continente, quase como uma extensão do presidente do governo. Ninguém no PSD teria feito melhor. Foi a chamada entrevista perfeita, isolou a Madeira de qualquer responsabilidade, como se esta terra não tivesse Assembleia, Governo e orçamento próprio, e colocou o problema bem longe. Um fatinho à medida dos interesses da RTP. Não estou aqui, até porque não gosto, a fazer uma avaliação subjectiva e partidária, apenas estou a constatar. Comentadores sobre a política nacional já temos tantos e em vários canais. Aqui, espera-se a análise e o comentário sério, fundamentado e profundo sobre a realidade da Madeira. Ou não será assim?
Ora, o que se passou é, do meu ponto de vista, intencional, pois não acredito que seja por ausência de qualidade profissional. Enquanto espectador da RTP-Madeira interessa-me seguir o que se passa na minha terra e que alguém me traga análises que estão para além da minha capacidade de observação. Tomar "conhecimento" do conhecido não me interessa e, certamente, não interessará à maioria dos espectadores. É intencional, repito, todo este formato de Telejornal. Nos dias de plenário na Assembleia, qualquer actividade parlamentar já não merece cobertura noticiosa e já começaram a faltar a iniciativas partidárias. Ainda ontem li uma, muito importante, que ocorreu no Concelho de Santa Cruz, sobre a dramática situação financeira da Câmara local, assunto que não mereceu a atenção da RTP e, ainda hoje, face a uma outra situação, ainda mais dramática que está a ser vivida no Porto Santo, que aqui já dei nota em anteriores textos, a reportagem não mereceu mais do uns míseros 31''.  Isto para não falar, por exemplo, de, ainda ontem, na sequência da apresentação do Orçamento da Região, não ter procurado as naturais e importantes reações dos partidos da oposição. Ora, isto tem uma intenção e enquadra-se no âmbito da perseguição a uns e da protecção a outros, melhor dizendo, protecção ao Governo Regional. Não brinquem com as pessoas, porque a televisão é pública e é paga por todos nós. BASTA!
Ilustração: Google Imagens.

PORTO SANTO: ANGÚSTIA NUMA CIDADE "FANTASMA" (II)

PORTO SANTO: ANGÚSTIA NUMA CIDADE "FANTASMA" (I)


Tratou-se de uma "estratégia" de fumo que se dissipou com o tempo. Do meu ponto de vista foi, politicamente, "criminoso" o que ali se fez. Se antes sabia-se da sazonalidade em termos turísticos, agora nem sazonalidade existe.


O Porto Santo é, hoje,
"um Deus me acuda"
 
Estou a chegar do Porto Santo. Venho constrangido, de coração apertado. Chega a ser comovente para quem tem alguma sensibilidade económica e social. O Porto Santo vive um momento de angústia colectiva. Não há qualquer exagero nestas palavras. Não há movimento, a economia está paralizada, o desemprego é aflitivo e, naturalmente, a pobreza cresce. Alguns indicadores mais visíveis: hotéis fechados, outros a 10% (se estiverem) de ocupação, 92% das empresas em insolvência técnica, mais de 13% de desemprego, atrasos significativos nos pagamentos fiscais e de segurança social, problemas judiciais em crescendo resultantes de incumprimentos diversos, habitações devolvidas à banca, enfim, um quadro absolutamente catastrófico. O tempo das vacas gordas, das obras e mais obras, sobretudo as da Sociedade de Desenvolvimento que geraram emprego na construção civil, lá se foi, o tempo das promessas do governo regional da Madeira que geraram expectativas de futuro morreu e, hoje, as gentes do Porto Santo, tem os olhos pregados numa profunda crise, ainda muito antes, de lhes cair em cima as medidas de austeridade. 
Os relatos que escutei foram dramáticos e não há, repito, qualquer exagero. São reais e detectáveis aos olhos de quem conjuga os sinais. E o que mais magoa e me entristece é que tudo aquilo que está a acontecer é consequência de uma total ausência de um plano estratégico. O Governo não soube criar e denuncia que não tem um caminho definido, uma estratégia portadora de futuro para aquela ilha. Enquanto o dinheiro circulou, na esteira das obras públicas, a situação real foi esbatida, todavia, hoje é sensível que esse mesmo dinheiro não se reflectiu nas pessoas. Tratou-se de uma "estratégia" de fumo que se dissipou com o tempo.
Do meu ponto de vista foi, politicamente, "criminoso" o que ali se fez. Se antes sabia-se da sazonalidade em termos turísticos, agora nem sazonalidade existe. São as ligações áereas e marítimas que estão por resolver, a vergonhosa política de preços de quem quer ou tem necessidade de sair da ilha, facto que coloca os habitantes do Porto Santo a terem de pagar preços exorbitantes, são os problemas da promoção turística, são os problemas da formação, da revitalização do comércio (e isso é possível), da fixação dos jovens, dos monstros que estão construídos, inacabados ou sem utilização turística, enfim, o Porto Santo é, hoje, um "Deus me acuda". Politicamente, não há perdão para quem permitiu o actual quadro. É indisfaçável a angústia que paira no Porto Santo e, por momentos, senti-me numa cidade "fantasma".
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

PEDIR A BENÇÃO?


O Engº João Proença, com esta sua atitude, demonstrou ser um aliado, não um defensor de causas, pois se o fosse distanciava-se de um político responsável pelo estado do desemprego na Madeira e por toda a fragilidade política em que os madeirenses e porto-santenses vivem, consequência de trinta e tal anos de governo absoluto.

O Engº João Proença
veio dar uma mãozinha
ao Presidente do Governo.
Esta foi a imagem que me ficou!
Tenho, confesso, muita dificuldade em compreender a UGT. O Sindicato do qual sou sócio desde há muitos anos (SPM), felizmente, digo-o sem qualquer constrangimento político-partidário, pelo trabalho que faz, deixa-me satisfeito. O Sindicato de Professores da Madeira, enquadrado na FENPROF e esta, por sua vez na CGTP, tem-se mostrado actuante na defesa dos interesses da classe. Se há, aqui e ali, alguma coisa com a qual discordo, no cômputo geral, aquilo que fica como balanço da actividade na defesa da classe docente, agrada-me, sobremaneira. 
E vem isto a propósito do facto da UGT, através do seu Secretário-Geral, o Engº João Proença, esta tarde ter tido um encontro com o Presidente do Governo Regional. Num tempo de apelo à greve do dia 24, considero absolutamente natural que venha à Madeira estabelecer os necessários contactos com as estruturas locais filiadas na sua organização. Até aí, como dirigente sindical, não fez mais do que o seu dever. Agora, aproveitar a oportunidade para subir até à Quinta-Vigia, aí, confesso, embrulha-me o estômago. Se outros foram os assuntos a tratar que não os da greve, obviamente, que deveria escolher outro momento, nunca este pela proximidade da mesma. Até porque, o Presidente do Governo apoia-a sem reservas, porque está em causa a sua permanente luta contra o Continente. O Engº João Proença, com esta sua atitude, demonstrou ser um aliado, não um defensor de causas, pois se o fosse distanciava-se de um político responsável pelo estado do desemprego na Madeira e por toda a fragilidade política em que os madeirenses e porto-santenses vivem, consequência de trinta e tal anos de governo absoluto. Veio à Madeira conceder-lhe a oportunidade de poder "malhar" na República, passando uma esponja sobre as suas responsabilidades políticas locais. O Engº João Proença, numa outra oportunidade, venha à Região e peça audiências ao Vice-Presidente do Governo para que este lhe explique o modelo económico gerador de desemprego e, já agora, ao Secretário dos Recursos Humanos, para que ele possa explicar como desenvolveu a sua teoria matemática e estatística, em que o desemprego cresce mas as taxas baixam. 
Da mesma forma que não há almoços grátis, este encontro, muito pouco institucional, será pago no primeiro virar de esquina. Aposto.
Há situações que me desiludem completamente. Não é este o sentido que tenho da política, muito menos da política sindical. Amigos, amigos, negócios à parte.
Ilustração: Google Imagens.

TOCAM HARPA COM A MADEIRA A "ARDER"


Sempre ouvi dizer que não é possível cantar e assobiar ao mesmo tempo. É esta sabedoria popular que deveria pautar a orientação deste Orçamento Regional, cuja opção deveria ser pela ruptura com o passado, ponderada, é certo, mas firme e convincente.

As inaugurações estão
primeiro lugar 
que o bem-estar
do Povo.
A grande Obra deste Orçamento Regional ara 2011 deveria ser a da celebração do ser humano. Não e nunca a obra da continuação do cimento, salvo a da protecção de pessoas e bens na decorrência dos trágicos acontecimentos de 20 de Fevereiro. A grande Obra deveria ser a da obra social e a do emprego, ambas em simultâneo, com um corte "radical" onde não é prioritário. Estou a falar das Sociedades de Desenvolvimento e das empresas públicas, todas falidas, dos diversos futebóis que por aí andam e da política de subsídios sem retorno económico e social. Estou a falar de uma urgente reconfiguração do quadro organizacional de toda a estrutura administrativa e de um corte abrupto nas tais obras que apenas alimentam os cofres dos mesmos de sempre, enquanto a maioria dos empresários ou abrem falência ou vivem com o credo na boca. Quer isto dizer que deveria ser o Governo Regional a dar o primeiro exemplo de austeridade. Aliás, sempre ouvi dizer que não é possível cantar e assobiar ao mesmo tempo. É esta sabedoria popular que deveria pautar a orientação deste Orçamento Regional, cuja opção deveria ser pela ruptura com o passado, de forma ponderada, é certo, mas firme e convincente. 
Não faz qualquer sentido, é abstruso, insensato, politicamente inqualificável que tenhamos um Orçamento que nega a AUTONOMIA e a existência de órgãos de governo próprio. Nega a Autonomia porque é incapaz de se responsabilizar e de gerar as condições que justifiquem a própria AUTONOMIA. Esta palavra de grande significado para os insulanos e para tantos que ao longo da História lutaram, morre dia-a-dia pela inércia de um punhado de homens e mulheres que decidiram, há muito, colocar à frente dos interesses desta terra, os seus próprios interesses. Este Orçamento constitui a negação das carências de um Povo que sofre, constitui um ataque aos pobres, aos desempregados e aos empresários, para que se mantenha o regabofe inauguracionista e a protecção e manutenção do sistema. Se a Região está mal, com este Orçamento ficará pior. As escolas continuarão sem dinheiro para os seus projectos educativos, o sistema de saúde, falido, continuará a pedir aos utentes (isto já acontece há muito) os medicamentos em falta no Hospital e manter-se-ão as necessidades de consumíveis, o sector do turismo continuará a sua sensível agonia, enquanto meia-dúzia continuará a tocar harpa face a uma Região que "arde".
Tem razão o Presidente.
O gesto de "roubo" diz tudo.
Há um ataque do seu governo
 à população da Madeira.
Já não falo sequer no quadro do meu posicionamento partidário. Falo e escrevo enquanto cidadão preocupado que olha para a sociedade e nela descobre os sinais da falência, dos constrangimentos e do sofrimento, visível, estampada nos rostos espalhados por esta encosta fora. Há fome, meus senhores e isto merece sinais concretos de protecção por parte de um governo que foi eleito para governar a Madeira e que, por isso mesmo, não pode, porque constitui uma desonestidade, continuar a atirar as responsabilidades para longe da Região. O Orçamento é um instrumento gerado na Região e é aqui que devem ser estipuladas as prioridades e as medidas de sustentabilidade em todos os sectores, áreas e domínios da actividade governativa. Por favor, parem com a teimosia e com o esbanjamento. Ponham o egoísmo e a intolerância de lado. Olhem para as prioridades.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A PROPÓSITO DE SONOLÊNCIA


Distinto Cónego, sabe tão bem quanto eu a importância que a Igreja Católica madeirense e, particularmente, os dois anteriores Bispos, tiveram na sonolência deste Povo.

E a sonolência do Povo
a quem se deve?
As declarações do Senhor Cónego Manuel Martins, nas Homilías de Domingo passado, foram pouco certeiras. Quis-me parecer que o Senhor Cónego ao se referir "aos governantes incompetentes e bispos sonolentos" colocou no centro das suas declarações os "profissionais" da política no espaço Continental. Perdoar-me-á se esta minha leitura parte de um pressuposto incorrecto. Foi a minha dedução da leitura que fiz, até porque, seria deselegante da sua parte, atacar o Bispo do Funchal. E essa dedução leva-me a dizer que o tiro não foi certeiro, pois o Senhor Cónego não pode nem deve esquecer-se que esta Região tem uma Assembleia própria, um Governo próprio e um Orçamento próprio. E sendo assim, quem há 36 anos anda a governar de forma "incompetente" e quem ajudou a cimentar essa incompetência está identificado. E mais, Distinto Cónego, por quem tenho uma enorme simpatia, sabe tão bem quanto eu a importância que a Igreja Católica madeirense e, particularmente, os dois anteriores Bispos, tiveram na sonolência deste Povo. Por aqui, os Senhores Bispos, com todo o respeito, não estiveram sonolentos, antes souberam conduzir o rebanho segundo a batuta política do governo regional.  E se há uma pobreza em crescendo que, aliás, o Senhor Cónego Manuel Martins tem sido um dos grandes denunciadores, essas pessoas que, diariamente, lhe batem à porta, primeiro, na Sé, depois, em Machico, são filhas legítimas de uma política madeirense que a isso conduziu. Parece-me, então, que a sonolência está mesmo aqui ao nosso lado e convém não descartá-la. Enveredar por esse caminho significa negar a existência de órgãos de governo próprio. Houve e há muito profissionalismo incompetente, inclusive, na própria Igreja a que pertenço. 
Ilustração: Google Imagens.

OU ALINHAM OU SÃO CRUXIFICADOS


Aproveitar-se da presença da comunicação social para atacar uma pessoa indefesa diz bem da personalidade política de quem assim age. Considero aquela declaração de ontem absolutamente execrável. Mas também serviu para os apaniguados do sistema ou do regime tomarem consciência, uma vez mais, que é muito estreita a passagem entre o bom e o reles.

Sempre foi assim o que configura uma espécie de arma dos fracos. O presidente do governo regional, desde sempre, quando se vê perdido, mistura as questões políticas com as questões de natureza pessoal. Como cidadão não estou interessado em saber quais as relações de proximidade política ou outra do Dr. João Pedro Mendonça, médico ortopedista, com a hierarquia política que governa a Região. Isso, para mim, vale zero. O que já não vale é o ataque pessoal e familiar. Esse aspecto considero-o ignóbil e rasteiro. Aproveitar-se da presença da comunicação social para atacar uma pessoa indefesa diz bem da personalidade política de quem assim age. Considero aquela declaração de ontem absolutamente execrável. Mas também serviu para os apaniguados do sistema ou do regime tomarem consciência, uma vez mais, que é muito estreita a passagem entre o bom e o reles. Ou alinham ou são proscritos e aviltados na praça pública. Esta forma de actuação, permitam-me a expressão, mete-me nojo! Ainda por cima quando nada, rigorosamente nada, o presidente do governo resolveu com aquele ataque. Na Saúde tudo continua na mesma, apenas desviou a atenção da questão essencial, sublinho, os graves problemas na Saúde, para o marginal. Assim, por horas, deixou-se de falar dos problemas para falar da família Mendonça e sobre o que é que o presidente quis dizer com aquilo. Assim vai a nossa política!  
Ilustração: Google Imagens.

PARABÉNS AO DIÁRIO... UM TIRO CERTEIRO NO CORAÇÃO DOS ANTI-LIBERDADE


A "lapidação" de que tem sido alvo, numa espécie de condenação lenta à morte, pelos novos corsários da ilha, bem vestidos e falantes, teve a resposta de um tribunal independente que o distingue como o melhor. Não há recurso que valha aos apedrejamentos quando os factos falam por si.

Indiscutivelmente que se trata de um orgulho para a Madeira ter um órgão de comunicação social, o DIÁRIO, com a distinção de jornal local europeu de 2010, segundo o "European Newspaper Award".
Orgulho pela qualidade só possível através de um corpo de jornalistas que lhe emprestam, todos os dias, a forma e os conteúdos. Não é fácil chegar ao topo desta hierarquia na era da informação e da comunicação. Se lá está é porque foi eleito entre milhares e isso significa um notável esforço da sua administração e do sentido de pertença de todos quantos lá trabalham.
Esta notável posição do DIÁRIO no "ranking" dos órgãos de comunicação social constitui um "tiro" de morte no presidente do governo, primeiro responsável pelas perseguições de que este matutino tem sido alvo. Preseguições directas e indirectas, umas através de inflamantes declarações, outras, perpetradas com o vergonhoso apoio financeiro público ao Jornal da Madeira que, na sua essência, distorce as regras do mercado. A resposta está aí no facto do dinheiro não poder comprar tudo. Neste caso não comprou a dignidade e a responsabilidade de cumprir o sonho de  Alfredo César de Oliveira, na longínqua quarta-feira, de 11 de Outubro de 1876, já lá vão 134 anos.
A "lapidação" de que tem sido alvo, numa espécie de condenação lenta à morte, pelos novos corsários da ilha, bem vestidos e falantes, teve a resposta de um "tribunal" independente que o distinguiu como o melhor. Não há recurso que valha aos apedrejamentos quando os factos falam por si. Os mentores, quais invasores, sofreram uma pesada derrota e, portanto, devem habituar-se à Democracia e ao respeito que os órgãos de comunicação social devem merecer, quando é sensível um balanço geral de rigor, de independência, de equilíbrio, de investigação e de abertura. Parabéns ao DIÁRIO... tratou-se de um tiro certeiro no coração de uma espécie que convive mal com a LIBERDADE. 
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

DIA NACIONAL DA LÍNGUA GESTUAL


A RTP-Madeira não pode excluir dos seus serviços de notícias a língua gestual. Cerca de trezentas pessoas esperam por essa iniciativa.

NÓS GOVERNAMOS E VOCÊS PAGAM A FACTURA



O Senhor Vice-Presidente não veio falar da necessidade de acabar com tanto desperdício, com tanto esbanjamento nas Sociedades de Desenvolvimento e nas empresas públicas falidas, no descontrolo orçamental das autarquias, nas obras que não trouxeram retorno económico e social, em todos os elefantes brancos construídos e que, infelizmente, não se reduzem, apenas, à marina do Lugar de Baixo, no rio de dinheiro que corre para o Jornal da Madeira e para um futebol falido.

Não é a Educação e a Saúde
que estão em causa,
mas o estoiro nas contas públicas.
Nada de estranho nem de novo nas posições do Senhor Vice-Presidente do Governo no que concerne ao pagamento de parte ou de todas as despesas com a Educação e com a Saúde. É a tecla que já há algum tempo anda a ser repetida. No essencial, o que ele uma vez mais transmitiu foi isto: nós governamos e vocês pagam a factura. Aliviados com o peso que esses dois sectores têm no Orçamento, nova euforia inauguracionista viria a caminho, com novas obras, novos encargos e aumento da dívida. Talvez, de permeio, o pagamento de algumas facturas da longa listagem de dívidas aos fornecedores que esperam e desesperam.
O Senhor Vice-Presidente não veio falar da necessidade de acabar com tanto desperdício, com tanto esbanjamento nas Sociedades de Desenvolvimento e nas empresas públicas falidas, no descontrolo orçamental das autarquias, nas obras que não trouxeram retorno económico e social, em todos os elefantes brancos construídos e que, infelizmente, não se reduzem, apenas, à marina do Lugar de Baixo, no rio de dinheiro que corre para o Jornal da Madeira e para um futebol falido.
Depois, sinceramente, há aqui uma coisa esquisita: tudo, mas tudo o que diz respeito à Segurança Social é pago, obviamente, por Lisboa. Nem um cêntimo sai do Orçamento Regional. Ao contrário da Região Autónoma dos Açores onde, em 2010, foram inscritos 24 milhões de euros para atender a complementos de pensão, abono de família e apoio medicamentoso. Tudo o que diz respeito aos serviços da República na Região, obviamente, uma vez mais, é pago por Lisboa. Não fazia sentido que assim não fosse.  Mais. Agora, querem a Educação e a Saúde, dentro em pouco será outro sector qualquer e, pergunto, o que é que fica sob a responsabilidade regional, quando os impostos aqui gerados aqui ficam? Isto é, ficam as receitas, mais o que é devido pelo Orçamento de Estado, mais os apoios europeus, mas no campo dos encargos, outros que paguem. Não me parece que isto seja racional. Até porque quem paga impõe, resvalando a Autonomia para uma desconfortável situação.
Ora bem, o que esta situação denuncia é uma clara angústia consequência dos loucos investimentos realizados, que têm de ser liquidados, angústia por outras contratualizações que estão em curso e, pior ainda, o que vem a caminho, a partir de 2012, com o pagamento da dívida à banca. Não é a Educação e a Saúde que têm de ser pagas pela República. Sai muito mais barato que o Povo entregue o governo desta terra a outras pessoas. Precisamos, isso sim, de uma mudança de governo, com novos actores, um governo capaz de inverter este terrível descontrolo, capaz de uma revisão total na despesa corrente, capaz de definir prioridades na obra pública, capaz de olhar para o tecido empresarial e capaz de rever, totalmente, o sistema organizacional da Administração Pública regional. O caminho é outro e não o apontado pelo Vice-Presidente.
Ilustração: Google Imagens.

DEUS ME LIVRE!


Depois, aquela sua declaração à chegada ao aeroporto constitui, ela própria, uma claríssima desautorização e secundarização do Secretário da Saúde e dos Assuntos Sociais. Coloca o Secretário como uma figura sem relevo na administração da Saúde. A declaração trata o Secretário como um mero funcionário e, nesta perspectiva, pergunto, como é que um governante permite ser assim enxovalhado?


O Governo está a colher
a tempestade que semeou
na Saúde.
Interessante. O Presidente do Governo chegou e disse mais ou menos isto: na Saúde manda o Governo e no governo mando eu. Pois bem, coisa que não se soubesse e há muito. Mas só em teoria, porque, na prática, não se vê, não me apercebo que ele mande. Não completou a frase, ficou em branco, porque até no governo já tenho dúvidas que mande alguma coisa. Aliás, em branco anda há tanto tempo, pois não se ouve a sua voz em circunstância alguma. Ou melhor, ouve-se, mas em assuntos menores e, normalmente, de longe, de cima do palco, sem confronto político e apenas para atacar e confundir as pessoas que o ouvem. Daí que o complemento directo lhe seja difícil de pronunciar.
De facto, no caso em apreço, não manda nada na Saúde e, penso eu, em muitas outras coisas. Os lóbis, talvez mandem! Se mandasse ou estivesse interessado em resolver os gravíssimos problemas, já teria assumido as suas responsabilidades de governante. Já teria pedido explicações ao Secretário, já teria, ele próprio, falado à Ordem dos Médicos, à Ordem dos Enfermeiros e até mesmo já teria falado com a Ministra da Saúde. Mais, ainda, já teria procedido a uma remodelação no seu governo, em uma espécie de refresh no computador governamental, abrindo espaço para aumento da memória cujos megabytes, pelo que se vê, esgotaram. Depois, aquela sua declaração à chegada ao aeroporto constitui, ela própria, uma claríssima desautorização e secundarização do Secretário da Saúde e dos Assuntos Sociais. Coloca o Secretário como uma figura sem relevo na administração da Saúde. Aquela declaração acaba por tratar o Secretário como um mero funcionário e, nesta perspectiva, pergunto, como é que um governante permite ser assim enxovalhado? Como é que, esta manhã, entrou ou entrará na Secretaria que "lidera"? Que leitura fazem os "subordinados" dos vários serviços relativamente à secundarização a que o presidente o vetou?
Como diz o Povo, "Deus me livre" de estar numa situação destas. Esta mesma manhã o Presidente tinha uma cartinha a colocar o lugar à disposição, dando, apenas, 24 horas para substituir-me. Mandava a dignidade e o respeito por mim próprio que assim fizesse. Sem conversas e sem confusões. Eu fazia assim, porque prezo muito a minha coluna. É o que se chama "dar-se ao respeito".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 14 de novembro de 2010

DEMAGOGIA PARA ILUDIR OS MADEIRENSES?


(...) E estando no governo quem tantas vezes utilizou a demagogia e quem, sistematicamente, promoveu uma espécie de "desenvolvimento" que hoje, aos olhos de qualquer pessoa atenta, face ao descalabro nos planos económico, financeiro, social e cultural, iludiu os madeirenses? Não foi, certamente, quem esteve, ininterruptamente, na oposição, que viu todas as suas propostas chumbadas...

O problema vem de longe...
Gastaram à tripa-forra e agora
os outros é que são culpados!
O Grupo Parlamentar do PSD saltou para o espaço do debate político, tocado, obviamente, pelas posições do Grupo Parlamentar do PS, relativamente ao Plano e Orçamento da Região para 2011. Nada mais natural. Se reagiu é porque encontrou motivos bastantes que comprometem, publicamente, a atitude do PSD no que concerne às grandes opções políticas para 2011. Se as propostas do PS não tivessem qualquer significado, obviamente, que passavam ao lado. Como passam ao lado de outros partidos representados na Assembleia. Se se atiram, permitam-me a palavra, ao Grupo Parlamentar do PS, é porque as propostas incomodam e são susceptíveis de colocar o Povo a pensar e a regir no momento do voto. Só encontro esta leitura para o desconforto, uma vez que o silêncio bem pior seria do ponto de vista político. Agora, classificar de "demagógicas" as posições que vão no sentido de "iludir os madeirenses", aí, meus senhores, penso que se torna necessário fazer uma atenta leitura para dentro para perceber e talvez concluir, afinal, quem ao longo de 36 anos esteve no governo? E estando no governo quem tantas vezes utilizou a demagogia e quem, sistematicamente, promoveu uma espécie de "desenvolvimento" que hoje, aos olhos de qualquer pessoa atenta, face ao descalabro nos planos económico, financeiro, social e cultural, manifestamente, iludiu os madeirenses? Não foi, certamente, quem esteve, ininterruptamente, na oposição, que viu todas as suas propostas chumbadas, que pode ser considerado responsável pela situação de grave desequilíbrio a que a Região chegou. 
Ilude os madeirenses
e porto-santenses
quem não tem coragem
para debater, na Assembleia,
as políticas globais e sectoriais.
Os indicadores são claros quanto à crise que, aliás, vem de muito longe e que se acentuará nos próximos anos. Infelizmente, aproximam-se tempos muito difíceis para os madeirenses e porto-santenses, com o crescimento do desemprego e com a pobreza a acentuar-se. Tudo isto, não fica a dever-se à crise internacional, à Constituição da República ou a qualquer outro fait-divers destinado a ocultar responsabilidades. Os indicadores demonstram, claramente, que desde o início desta década não houve engenho e arte políticas para encontrar o registo certo das políticas económicas no quadro da sustentabilidade da Região. Gastaram à tripa-forra no acessório, fizeram gala de inaugurações e mais inaugurações sem significado e retorno económico e social e, hoje, o caos está aí bem espelhado nos tais indicadores. A pobreza e o desemprego não surgiram por acaso, a dívida pública não apareceu por uma qualquer persecutória magia, as falências e a ausência de competitividade não foi nem é obra do acaso. Tudo tem uma história que não pode ser apagada com um simples estalido de dedos. É claro que isso custa ouvir, custa a assumir, mas é a vida real deste governo velho e gasto!
Não me restam dúvidas que quanto maior for o naufrágio desta nau à deriva, obviamente, que maiores e audíveis serão os sons dos que, a qualquer preço, se querem manter no poder. O que não devem, por uma questão de responsabilidade e até de honestidade intelectual, sacudir o peso de uma história que teve apenas e só um partido como protagonista. E se assim não é, o Presidente do Governo que venha à Assembleia, na altura do debate do Plano e Orçamento para 2011, e exponha-se, sem medo, aos deputados de quem depende. Ele que não se refugie, antes faça questão de responder a todos, de enfrentar as perguntas mesmo aquelas que lhe prendem, permitam-me a expressão, o "rabo político".
Ilustração: Google Imagens.

ELVIS COSTELLO/CHET BAKER