segunda-feira, 31 de agosto de 2009

CIDADES E LUGARES 546. PORVOO/FINLÂNDIA


O bairro histórico de Porvoo, com as suas casas em madeira, constitui Património da Humanidade (UNESCO). Posted by Picasa

EDUCAÇÃO

Recebi, a propósito de um texto que aqui publiquei, um comentário, que agradeço, mas com o qual não estou de acordo face à respectiva argumentação. Escreveu o meu leitor:
"Li algures que o PS propõe no seu programa a obrigatoriedade do 12º ano. Não acreditei e fui confirmar. Não é que está lá mesmo isso escrito? Claro que é um erro de palmatória. Mas, não o sendo, como pretendem implementar esse absurdo? Recentemente (e bem) passou-se a obrigar todos a ficar 12 anos no sistema (dos 6 aos 18 anos). Assegurar que todos terão sucesso garantido, ano após ano, sem qualquer retenção até ao 12º ano é de uma impossibilidade total. Só mesmo quem não saiba o que é uma escola e não conheça os nossos alunos... O ridículo está instalado no Programa do PS, através desta medida. Quem não conseguir (só quem não conhece o assunto é poderá dizer que todos são - hoje - capazes) e quem não quiser continuar a estudar após alguns insucessos ficará eternamente obrigado a ficar na Escola até concluir o 12º ano? Esta medida só pode ser um equívoco. Mas como? Não há responsáveis conhecedores na execução do vosso programa?"
Ora bem, nunca se deve dizer "eu não tenho dúvidas", simplesmente porque há sempre dúvidas seja qual for a matéria em discussão. Então, no plano da investigação, constitui um erro grave ler um trabalho em que o seu autor escreva, "portanto, não há dúvida que...", repito, porque a dúvida deve acompanhar-nos a todo o momento. Sublinho este aspecto para dizer que é sempre muito complexo, mesmo quando politicamente nos perfilamos, enquadrar-se no campo que quase obriga a não vermos o óbvio. E eu, sinceramente, todos os dias, embora vinculado a um partido, faço tudo para que não me vendem os olhos. Não sou, por isso, uma pessoa de certezas absolutas.
Sabe, certamente, o meu Caro leitor que o problema do analfabetismo é uma das causas primeiras do fracasso das nações. Por isso olhamos, por exemplo, para os povos nórdicos, aqueles que na Europa de hoje nos servem de alguma ou muita referência, e o que constatamos é que acabaram com analfabetismo há mais de um século. Portugal, por exemplo, em 1974, tinha mais de metade da população analfabeta. E este aspecto (muito haveria a dizer sobre esta matéria) condicionou todo o nosso desenvolvimento económico e, obviamente, social e cultural. Ainda hoje andamos à procura do ritmo, do rigor, da disciplina e da mentalidade que nos leve a perceber que só através da Educação, desde a básica à universitária, poderemos ter um país próspero. Mas uma Educação, repito, de rigor, que saiba separar o essencial do acessório, exigente e de grande qualidade. Só por aí entendo que se possa substituir o Velho Portugal por um Portugal Novo.
É evidente que isto não pressupõe apenas estar na Escola, isto é, escolarizar, através de uma oferta educativa generalizada; implica, sobretudo, EDUCAR que é muito mais do que obrigar ou garantir o 12º ano como patamar mínimo. O nosso calcanhar de Aquiles está precisamente aqui, porque sempre se confundiu escolarizar com a missão de educar. Colocar crianças ou jovens na Escola é fácil, educá-las é muito mais complicado. Depreende-se do meu posicionamento que importará determinar o que fazer, para que valha a pena o esforço do país ou da região no sentido de ter uma população desperta para todos os dias acrescentar qualquer coisa ao conhecimento adquirido. Aqui reside o busílis da questão. E esses aspectos há muito que estão equacionados pelos investigadores e pelo próprio conhecimento que advém da prática.
Há três aspectos (entre outros) que considero determinantes:
  • Novas políticas de família, pois sem uma actuação a montante da Escola não é possível inverter a mentalidade existente. Ademais a Escola não pode nem deve ser remediadora social, nem a Acção Social Escolar deve constituir a mezinha que disfarce os males do sistema.
  • Uma nova concepção organizacional da Escola, tornando-a motivadora e aliciante. Isto implica uma ampla autonomia dos estabelecimentos de educação e de ensino, um baixo número de alunos por escola e por turma e uma formação inicial de professores mais condizente com os desígnios do sistema educativo.
  • Uma profunda revisão curricular e programática.

Ao lado destes três vectores muitos outros têm de ser considerados como fundamentais na construção do edifício educativo. Portanto, não posso e não devo ser redutor no processo de educação. Quanto mais melhor. Quanto mais gente formada e bem formada melhor, mais sucesso teremos. Olhemos para a Madeira e tenhamos consciência do alto grau de iliteracia, das taxas de abandono e de insucesso e quanto isso está a condicionar o nosso desenvolvimento! Não devemos, por isso, lamentar ou colocar reticências à obrigatoriedade do 12º ano, mas saber e exigir procedimentos políticos que conduzam ao sucesso. O drama está aqui e depende da maior ou menor visão dos políticos. Fico por aqui, neste assunto onde há tanto pano para mangas.

domingo, 30 de agosto de 2009

CIDADES E LUGARES 545. PORVOO/FINLÂNDIA

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CADA TIRO CADA MELRO...

É caso para dizer... cada tiro cada melro!
Sempre que a Drª Manuela Ferreira Leite (PSD) abre a boca parece que está a falar contra o Governo da Região Autónoma da Madeira.
Basta substituir "quatro anos e meio" por trinta e três anos e "o Estado" por a Região A. da Madeira.

"Nestes quatro anos e meio, o Estado transformou-se de modo insustentável numa máquina ao serviço do poder e dos que o ocupa, dos que protege e dos que lhe são submissos, com raras e honrosas excepções que só confirmam a regra".

Mas, não haverá para aí nenhum espelho e um pouco de sensatez e de pudor?

O INSULTO

Uma relação decente com a verdade sabe que o insulto não é, por princípio, verdadeiro; sabe que a natureza do insulto é rastejante.

O insulto é milenar. Há compêndios desde o humor insultuoso àquele mais frontal, corrosivo, prenhe de maldade e de idiota imbecilidade. Até há autores que fazem o elogio do insulto. Não vou por aí. Identifico-me com Jorge Forbes, do Instituto Freudiano, que "há um certo prazer, uma cumplicidade do obsessivo com o insulto. Freud pensava que tal prazer o defende da paranóia. Ao escutar alguém dizer que ele é filho da mãe, o obsessivo imagina que podia ter sido pior. O insulto defende-o do superego terrível".
Independentemente de um melhor enquadramento sobretudo na teoria psiquiátrica, no plano político, o insultante demonstra uma desmedida ambição, eu diria, uma neurose obsessiva pela vitória e pelo poder a qualquer preço mesmo que isso corresponda ao espezinhamento dos demais. O insultante não olha para si, não tem bom senso, razoabilidade discursiva, pouco ralado está com o direito ao bom nome e à credibilidade social dos outros, por isso não tem contemplações, ofende, subtil ou directamente, através de um nariz empinado, altivo e de uns olhos que tudo vê de cima para baixo. E o Povo, coitado, pelas múltiplas e variadas grilhetas impostas, invadido, bloqueado e arrolhado nos seus direitos, manietado e despersonalizado pelos tentáculos do poder, aplaude e ri das palhaçadas por ausência de conhecimento da marosca e do negócio que o enreda. Por isso, acha piada ao disparate e a quem, consigo, salta, canta e toma um "seco" com um "dente" de gaiado. Como se o exercício da política fosse um espectáculo de ilusionismo ou comparável a uma rodada de cerveja com tremoços e anedotas de permeio. Aquilo que é importante, a capacidade de análise às partes do todo, as propostas para atenuar o drama do desemprego, a asfixia dos comerciantes, a pobreza, uma melhor educação ou um melhor sistema de saúde, isso, fica para depois, já que a importância dada a esse Povo esgota-se no dia das eleições.
Quem assim se comporta sabe que, nesta sociedade, de plateias amorfas e de colunas de plasticina, o insulto é mais credível que o elogio. Talvez, por isso, seja incorrigível. A atestar, as décadas de violência verbal, de condicionamento da palavra, os inquietantes silêncios, os discursos encrespados, grotescos, autistas, asnáticos, azedos e cheios de palavras assassinas. Porque a culpa é sempre dos outros.
Eu sei, muitos sabem, o que é ser insultado por ter opinião diferente. Agustina Bessa-Luís sintetiza bem o que se sente: "pode-se não recordar os insultos; mas guarda-se deles um amargo de experiência, feia como uma cicatriz". É por isso que me revolto contra esta forma de fazer política, de tudo valer na utilização da palavra como pretexto para o enxovalho. Não se contextualizam os assuntos, não se discorda através de uma argumentação persuasiva e de um contraponto eficaz, antes encena-se e convida-se ao ódio e à intolerância.
Estou com André Barata da Associação para o Desenvolvimento Económico e Social: "(…) não reajas ao insulto, mas nunca deixes de reagir contra quem dele faça a apologia. Uma relação decente com a verdade sabe que o insulto não é, por princípio, verdadeiro; sabe que a natureza do insulto é rastejante".
O problema é que há uma viciosa cadeia de interesses instalada e uma cultura que conduz a que "as pilhérias variem consoante a sofisticação de quem as profere. O roto gosta de troçar do nu, o pobre zomba do remediado, o zé-povinho faz da política uma galhofa", como li em Maria T. Mónica. Para mal de todos, uns dominam e ampliam bem esta característica, no pressuposto que a liberdade de expressão é sinónima de liberdade para insultar.
Nota:
Opinião da minha autoria publicada na edição de hoje o DN-Madeira.

sábado, 29 de agosto de 2009

CIDADES E LUGARES 544. PORVOO/FINLÂNDIA

A cidade de Porvoo é muito antiga. A parte histórica, como já tive a oportunidade de referir, contitui um dos tesouros da arquitectura filandesa. O seu plano urbanístico mantém-se praticamente igual ao que tinha na Idade Média. As casas de madeira e os arruamentos estreitos e bem conservados, despertam, naturalmente, muita curiosidade.
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ALCATRÃO A MAIS E ORGANIZAÇÃO A MENOS

Duas notas:
1ª Muito dinheiro se gasta na Via Litoral. Acho que não há mês que, um pouco por toda a sua extensão, não seja repavimentada. Alcatrão, custe o que custar, é coisa que parece que tem de ser gasto. Obrigatoriamente. Pode até fazer parte do contrato mas não deixa de ser curioso o que ali acontece. Tapetes em bom estado são removidos como quem muda de camisa. Alguém paga (todos nós) e alguém recebe (sempre os mesmos). Poderão até argumentar que se trata de uma questão de segurança. Não me parece. E se a questão é de segurança, numa via a espaços muito perigosa, sem possibilidade de escapatória numa situação de emergência, então reduzam os limites de velocidade. Não faz sentido o que ali se passa, diariamente, em termos de velocidade excessiva e de acidentes. Só mais um aspecto: se a eventual degradação do piso é de natureza técnica, averiguem o que se está a passar. Há qualquer coisa que não bate certo!
2ª A propósito de asfalto, ouvi ontem o Senhor Presidente da Câmara do Funchal dizer que as repavimentações em curso na cidade do Funchal não têm nada a ver com a proximidade das eleições. Como vulgarmente se diz: "Cá nada!". É óbvio que se não tivesse ele não precisaria de o dizer.
Há quatro anos foi o mesmo. Apenas porque a Câmara não tem um plano de repavimentações e, sobretudo de manutenção das estradas. Nunca teve. Eu estive na Vereação durante três mandatos e sei como tudo acontece. Da mesma forma, dirá o Senhor Presidente, que as visitas diárias a obras em curso, desde parques infantis, escolas e estradas, não têm nada a ver com a campanha eleitoral. Repito: "Cá nada!". É evidente que têm e muito. Aí sim, há uma programação interna para tentar vender o peixe, como soe dizer-se. Mas tudo bem...
Em contraponto a esta preocupação para mostrar algum trabalho e sobretudo imagem, preocupado deveria estar o executivo da Câmara com a cada vez maior lentidão dos processos para aprovação. Saltam de mesa em mesa, de departamento para departamento e as pessoas, que precisam de resolver as situações, até pela necessidade de compromissos bancários, esperam e desesperam, por exemplo, por uma simples licença de habitabilidade. Para mim as coisas são muito claras: um processo entrado tem de ser rapidamente analisado. Há um tempo próprio que não pode nem deve ser protelado. Até no respeito pela Lei. Se não está conforme o dever da Câmara é o de comunicar e exigir os procedimentos legais necessários. O que não pode é a Câmara complicar a vida do cidadão, por demoras excessivas e inexplicáveis. Por aí também se mede a eficiência e o respeito pelos munícipes. Tudo isto consequência de um modelo de gestão e administração ultrapassado e de um sentido organizacional que a Câmara nunca teve e que hoje fá-la rebentar pelas costuras. Mas isso não é visitável.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

CIDADES E LUGARES 543. PORVOO/FINLÂNDIA

Centro Histórico de Porvoo. Igreja. Posted by Picasa

"FEDERAR DESCONTENTAMENTOS" NÃO CHEGA

Concordo com o comentário do Dr. Augusto Santos Silva relativamente à apresentação do programa eleitoral do PSD por parte da sua presidente, Drª Manuela Ferreira Leite. Disse o porta-voz socialista: o objectivo do programa "é tentar federar descontentamentos sectoriais, prometendo tudo a todos os descontentes".
De facto, ao ouvi-la, fiquei com essa ideia. No essencial, não trouxe nada de novo, apesar do seu ar grave e circunspecto. Por exemplo, falar da necessidade de um novo "paradigma económico" parece-me muito vago, pois a expressão ao querer dizer tudo acaba por não dizer nada. E o povo não quer saber de vacuidades, quer antes conhecer processos concretos que o façam decidir entre os vários projectos em causa. Mas este sector, porque não sou especialista em economia e finanças, deixo-o para quem o domina. Porém, sublinho que a Drª Manuela Ferreira Leite foi Ministra de Estado e das Finanças do XV Governo, entre 2002 e 2004, tendo deixado as finanças públicas com um défice superior a 6,5%. Todos nos recordamos disso. E mais, que foi uma ministra que não desencadeou processos na raiz dos problemas, antes tentou colmatar o défice à custa de receitas extraordinárias, fundamentalmente com a venda de património. Não tem, por isso, pelo menos do meu ponto de vista, muita credibilidade política nesse campo.
Já no sector da Educação li as propostas apresentadas e não poderei dizer que, ali e acolá, não concorde com algumas medidas. Mas quando fala do Estatuto da Carreira Docente e, na sequência deste, no processo de avaliação de desempenho dos docentes, aí, a líder do PSD evidencia, como sublinha o Dr. Augusto Santos Silva, apenas uma preocupação em prometer tudo junto do descontentamento existente. E digo isto porque se a situação no sector educativo não não é agradável, a Drª Ferreira Leite tem enormes responsabilidades históricas nesse processo. É que ela foi também Ministra da Educação entre 7 de Dezembro de 1993 a 28 de Outubro de 1995, num período de maioria absoluta do PSD. Aliás, o Professor Cavaco Silva foi Primeiro-Ministro durante dez anos nos quais se incluem duas maiorias absolutas. Só nesses dez anos o Professor Cavaco nomeou cinco Ministros da Educação: João de Deus Pinheiro, Roberto Carneiro, Diamantino Durão, Couto dos Santos e Manuela Ferreira Leite. Isto é, num período crucial da governação do País, nenhum deles soube estruturar a Educação em termos de futuro. Se tivessem tido visão, indiscutivelmente, catorze anos depois, poderíamos agora estar a colher os investimentos feitos. Nem os quatro que a precederam nem a Drª Ferreira Leite demonstrou capacidade para tocar no âmago dos problemas, enfrentá-los e, consequentemente, lançar as linhas orientadoras do futuro. Portanto, é fácil agora tentar, políticamente, conquistar algum descontentamento. Só que o problema da Educação não se esgota no Estatuto e na Avaliação de Desempenho. É muito mais complexo do que isso e, sobre as múltiplas matérias, há naquele programa um profundíssimo vazio conceptual.
Mas não há como aguardar pelos debates. Aí se descobrirão as verdades de cada um.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

FUTEBOL NO PAÍS BASCO E A VITÓRIA DO NACIONAL

Podem as razões serem múltiplas do ponto de vista político. Não as conheço com toda a segurança para poder comentar, mas desde logo assumo que CONCORDO com o princípio. Li, hoje, na última página do DN-M que, no País Basco (Região Autónoma de Espanha), no futebol, privilegiam os praticantes locais aos estrangeiros. Do meu ponto de vista trata-se de uma medida inteligente.
O futebol profissional, este futebol apenas para alguns, este futebol de disparatados milhões, este futebol que está a levar à falência clubes históricos, este futebol sorvedor de dinheiros públicos que tanta falta fazem a outras prioridades, este futebol miragem para jovens que julgam ali estar o futuro, este futebol não tem o meu apoio. Quem lá consegue andar, porque tem meios próprios para isso, que se aguente. Os outros devem rever posições e organizar-se de acordo com as suas possibilidades. O que por aí anda é uma vergonha, de dívidas acumuladas, processos na Justiça e de praticantes enganados por promessas e contratos não cumpridos.
É o caso da Madeira. Uma Região pobre, dependente, com uma monstruosa dívida, diariamente a solicitar do Estado mais dinheiro, mas que desde 1980 gasta muitos milhões para manter estruturas de futebol profissional claramente inconsequentes. Eu, pelo menos, não me deixo levar pela situação efémera da vitória do Nacional sobre o Zenit. Porque sei quanto custou a todos os madeirenses até agora o montante dos valores aplicados. E sei quantas carências e prioridades subsistem para as quais não há um cêntimo nos cofres. E sei, já que se fala de desporto, como anda o desporto educativo escolar, isto é, a prática desportiva dos nossos, dos que aqui nasceram e frequentam a escola pública. Sei os cêntimos que contam e as limitações impostas pela Secretaria Regional da Educação. Não me curvo perante esta vitória do Nacional, com uma equipa cheia de continentais e estrangeiros, paga, fundamentalmente, pelo erário público, mas curvo-me perante vários os madeirenses, muitas vezes sem meios, que atingem o podium das competições nacionais e internacionais.
Tomemos consciência de duas coisas: primeiro, precisamos de ter uma população que sinta a prática física e o desporto como bem cultural (e não temos); segundo, somos uma Região de múltiplas carências e, por isso mesmo, o pouco dinheiro existente deve ser destinado ao desenvolvimento económico e às prioridades sociais e culturais. Quero lá saber da Liga Europa quando temos gente a passar muito mal. É uma questão de respeito pelos direitos do Homem.
Por isso, no País Basco, a opção está correcta.

CIDADES E LUGARES 542. PORVOO/FINLÂNDIA


Porvoo é uma cidade finlandesa equidestante do aeroporto de Vantaa e da capital Helsínquia. É Património da Humanidade (UNESCO). É a segunda cidade mais antiga depois de Turku e conta com cerca de 50.000 habitantes. O bairro antigo, todo em madeira, é lindíssimo. Vale bem a pena uma demorada visita.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

ELEIÇÕES À PORTA

Aproximam-se dois actos eleitorais de extrema importância para a Região: as legislativas nacionais e as autárquicas. Dois momentos que correspondem ao exame das equipas que lideraram, num primeiro momento, o Governo da República, depois, as autarquias de todo o país. Gostaria que estes momentos de dever democrático fossem considerados determinantes para todos, no pleno respeito pelas convicções políticas de cada um. Por aqui, infelizmente, não serão. Com muita mágoa e sem que daí se depreenda que sou portador de alguma verdade, gostaria de ver o POVO da minha terra mais adulto, mais maduro, mais consciente das realidades, menos partidário e com mais capacidade para olhar em redor, para as propostas políticas de todos os quadrantes. Gostaria de ver a Madeira profunda mais esclarecida, menos dependente, com outra capacidade de análise e com uma postura de, claramente, através da sua arma, o voto, dizer: não brinquem connosco!.
Só que isso não vai acontecer para mal de todos os que aqui vivem. A Escola não educou, apenas escolarizou e mal. Tal como no outro tempo, o medo anda por aí, a teia das dependências é monumental, o discurso político é condicionador e por mais que os partidos da oposição se esforcem, numa louca correria diária para transmitir outras verdades, o Povo consciencializou e endeusou a figura de um homem. E quando a este registo se chega tudo se torna muito complicado. A mensagem, as outras verdades, dificilmente atingem aqueles que dela mais precisam. É o que vejo e sinto nas campanhas eleitorais: é mais o brinde, a esferográfica, o caderno, a bandeira, o boné, etc., que estão em causa do que tentar conhecer e perceber as propostas. Isto é dramático.
Fui durante vários anos vice-presidente do PS e secretário-geral. Programei e participei em muitas campanhas. Apenas uma vez recebi, na sede, na circunstância um jovem universitário, sem filiação partidária, que vinha à procura do programa de candidatura. Queria saber o que nós defendíamos. Disse-me: quero ler para esclarecer-me porque quero votar em consciência na minha primeira ida às urnas. Para mim foi um momento de raro contentamento político. Em contraponto, nessa mesma campanha, programei um comício no largo da Assembleia. Fugi aos "artistas" da música popular considerada "pimba". Convidei o Sérgio Godinho e antes da sua actuação coloquei um conjunto madeirense de reconhecida qualidade. Andava eu por ali, quando, a páginas tantas, um sujeito abeirou-se e disse-me: "quando é que isto começa? Estão para ali a ensaiar há tanto tempo!". Bom, o espectáculo desse grupo já se tinha iniciado há vinte minutos.
Como esta, guardo outras situações, umas de lamentável e grosseira provocação, outras de ignorância que, testemunham, genericamente, as incapacidades que se reflectem no dia do acto eleitoral. É, por isso, pelas experiências vividas e que continuo a viver, que transporto o amargo da noite das eleições com o veredicto do dito Povo que, há mais de três décadas, vota, maioritariamente, no mesmo partido. Como se não existissem mais opções. Como se tudo se esgotasse na palavra de um homem. Como se todas as equipas candidatas e todos os programas apresentados não tivessem valor. Como se neste percurso de trinta e três anos de poder absoluto não exitam manchas, atropelos, perseguições e políticas desastradas!
Apesar disso, continuo a manter a esperança que um dia será. Não por mim, mas por esta terra que amo. E porque tenho essa esperança e porque tenho consciência que o povo está a passar mal, acredito que nos dois próximos actos eleitorais, apesar dos constrangimentos, sobretudo culturais, o povo, paradoxalmente, poderá dizer basta, cansado de tanta lengalenga.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

FINLÂNDIA (I)

Estou de regresso. Para trás deixei a Finlândia. Da Escandinávia (alargada: Suécia e Noruega, mas também a Dinamarca e a Finlândia) faltava-me ver, sentir e perceber, tanto quanto possível, o povo, a sua cultura e a estrutura política finlandesa.
Sinceramente, gostei e disso fui fazendo um relato diário neste blogue. Independentemente de outros aspectos muito mais profundos e que tentarei aqui desenvolver sempre que a propósito vier, gostei deste povo, pela sua serenidade, respeito, cordialidade e atitude cívica. Na Finlândia tudo parece estar no lugar certo. Não há uma sofreguidão pelo crescimento e desenvolvimento insustentáveis. Podem, obviamente que sim (qual o país que não tem) ter os seus problemas, mas o que ressalta, a quem visita e por ali permanece algum tempo, é a sensação de bem-estar económico, social e cultural. Há disciplina e rigor, certamente conquistados pela compreensão das pessoas, mas consequência também de numa altíssima qualidade do seu sistema educativo. Isso é sensível na relação com as pessoas, no quotidiano desde as grandes às pequenas cidades.
Com uma densidade populacional relativamente baixa, de 17 habitantes por km2 (5 milhões de habitantes), com 3/4 de floresta (ouro verde), 190.000 lagos e 180.000 ilhas, a Finlândia tinha todas as possibilidades de se tornar mais um país igual aos outros, isto é, de usurpação e destruição do espaço para dar lugar ao crescimento desenfreado. Pelo contrário, é sensível visível um enorme respeito pela natureza e uma mentalidade que admite que o desenvolvimento humano é possível quando assente em princípios e valores que olhem o Homem como o centro de todas as políticas.
Em média, conduzi cerca de 300 km por dia por estradas de dois sentidos e por algumas (poucas) auto-estradas. A principal autoestrada é a que liga Helsínquia a Turku. Não há (não senti) na Finlândia esta paranóia pela via rápida, pela auto-estrada e pelo andar depressa. Há respeito pela sinalização, pelos 40, 50, 60, 80, 100 ou 120 km/hora. E se o indicado é 60 km/hora, genericamente, há respeito na velocidade e em guardar as distâncias entre veículos. Entre um vermelho e um verde não pressenti que um mais apressado me tivesse apitado, dito algum palavrão ou gesto impróprio. Não vi polícias na rua (possivelmente não andam fardados) nem homens e mulheres na limpeza urbana. E as cidades estão limpas. Nos supermercados não vendem bebidas alcoólicas. Estas estão reservadas com condicionamento no acesso a espaços "Alko". Vi muita gente, de todas as idades, nas ciclovias no interior das cidades mas também nos percursos em ciclovia, ao lado das estradas, ora pedalando, ora patinando ou apenas caminhando ou correndo.
Olhei para os painéis publicitários das lojas de venda de imobiliário. Fiquei com o sentimento que as casas são, genericamente, mais baratas do que por aqui. Não existe ordenado mínimo nacional mas, disse-me uma recepcionista, que € 1.000,00 é considerado um salário baixo. A contratualização é feita caso a caso e dentro do mesmo ramo podem existir diferenças. Nos supermercados a oferta é diversificada. Tanto se encontra, por exemplo, fruta de qualidade, toda a € 1,00/kg como se pode, em outros, encontrar a mesma qualidade muito mais cara. A rede de oferta é ampla com predominância, nos preços, para os supermercados LIDL. Isto para sublinhar que para além de, mensalmente, auferirem muito mais, podem fazer uma vida com qualidade e a custos baixos. Evidentemente que quem se senta num restaurante sente a diferença mas isso, também é sensível, logo que se entra no aeroporto de Lisboa. Eu que, quando viajo, não entro em restaurantes (e por aqui é muito raro) obviamente que pouco me interessam os menus e os respectivos preços.
Voltarei com mais alguns aspectos desta minha descoberta em terras da Finlândia.

domingo, 23 de agosto de 2009

FESTA DA LIBERDADE

Dois discursos antagónicos: o do líder do PSD-M, Dr. Alberto João Jardim e o do Engº José Sócrates, Secretário-Geral do PS. Um de clara ofensa rasteira, o outro, na defesa de princípios e de valores. Um agressivo, o outro, sereno. No Porto Santo foi sempre a malhar com histórias de homossexuais pelo meio; na Fonte do Bispo, os argumentos e as propostas de governação. Daí que, pelo que me chegou, José Sócrates tenha razão: "o insulto degrada a democracia e a liberdade. É a arma dos fracos". Concordo.
José Sócrates tocou no ponto certo. É que o líder do PSD-M está no seu direito de não gostar de José Sócrates enquanto político e governante. A forma com que exprime essa discordância não pode ou não devia, em circunstância alguma, ser grotesca e desrespeitosa. Hipoteticamente, vá lá pensar-se na situação contrária. O que não diria o líder regional e que processos judiciais já não teria o Secretário-Geral do PS!
A verdade, porém, é que o Povo continua a ser invadido, espezinhado e bloqueado nos seus direitos, continua a não ter efectivo conhecimento da marosca em que esta enredado e, por isso, continua a achar piada, como se de um espectáculo circense se tratasse, àquele homem que não respeita, que diz disparates, que salta, canta e toma um "seco" com um "dente" de gaiado. Aquilo que é importante, as propostas para atenuar o desemprego, a asfixia dos comerciantes, a pobreza, uma melhor educação e um melhor sistema de saúde, isso, fica para depois, já que a importância dada Povo esgota-se no dia das eleições. Até quando?

sábado, 22 de agosto de 2009

CIDADES E LUGARES 541. HELSÍNQUIA/FINLÂNDIA



Ainda há dias aqui escrevi sobre os novos hábitos a aprender na circulação no interior das cidades. Quem por aí fora vai sabe que a bicicleta é um meio de transporte imprescindível. É barato e promove a saúde.
É evidente que há cidades planas e que, em outras, a sua utilização é mais condicionada. É o caso do Funchal cujo anfiteatro torna a situação menos facilitadora. Mas há, como tenho vindo a dizer, três grandes corredores (da Pontinha ao Corpo Santo; do Mercado ao Infante e do Campo da Barca ao final da Carreira, entre outros) que deveriam estar servidos de ciclovias. Mas há quantos anos se diz isto! Há quantos anos se fala numa política séria e integrada ao nível da mobilidade, do tráfego e dos transportes, como uma das prioridades da cidade?
Esta foto é de ontem, na zona mais nobre de Helsínquia. Ali próximo está a estação de caminhos de ferro, o museu de Belas Artes, o museu de Arte Contemporânea, o Palácio de Cristal, o Parlamento, o Centro comercial de Kamppi, enfim, um conjunto de edifícios e de serviços que tornam toda aquela zona amplamente movimentada. Mas as ciclovias estão lá. E as pessoas respeitam os percursos para quem se desloca em bicicleta. Uma questão cultural!
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ASFIXIA DEMOCRÁTICA

A Drª Manuela Ferreira Leite sublinhou ontem que Portugal vive numa "asfixia democrática muito complexa". Interessante, muito interessante, esta declaração. Se, no espaço continental português, onde há debate democrático de quinze em quinze dias na Assembleia e transmitido em directo, onde o governo não tem um órgão de comunicação social pago pelos contribuintes, onde ninguém diz que trabalha no governo mas no ministério tal, onde todo o associativismo é livre e multicolor no aspecto partidário, onde, com regularidade, temos assistido à alternância no poder, pergunto, afinal, se a líder do PSD não deveria substituir a palavra Portugal por Madeira, por corresponder, exactamente, àquilo que é a sua convicção sobre os constrangimentos à liberdade e à vida e vivência democráticas?
Das duas, uma: ou a Drª Ferreira Leite considera ser a Madeira um caso perdido e, portanto, eles que resolvam o seu problema no quadro da Autonomia, ou, então, faltar-lhe-á uma dimensão nacional no seu discurso político. A não ser assim, o que emerge é uma profunda e redutora visão sectária da actividade política onde tudo está bem desde que eu seja poder.
Revolto-me contra esta mentalidade, esta forma de exercício da actividade política, onde parece valer tudo para garantir ou chegar ao poder. A base e os fundamentos programáticos que deveriam alimentar o discurso e o convencimento dos eleitores ficam a um canto, porque a primeira dimensão é das palavras ocas de sentido e geradoras de desconfiança. É por isso que os eleitores fogem das urnas e é por isso, também, que os políticos estão desacreditados na opinião pública. Falam de cidadania, de participação mas os exemplos que são dados acabam por, não sei se intencionalmente, por afastar as pessoas mas criando espaço para alguns garantirem a satisfação dos seus interesses. É a política no seu pior. O meu caminho nunca foi e não é esse. Tal como em 1993, quando me candidatei à presidência da Câmara do Funchal continuo a assumir o princípio: "As pessoas em primeiro lugar".

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

UMA CÂMARA LENTA... NOS 501 ANOS DA CIDADE

Hoje é dia de aniversário da Cidade do Funchal. Mais um ano da minha cidade e mais um ano de total desencanto. Mais um ano com responsáveis autárquicos a disfarçarem clamorosos erros de planeamento, de abandono e de progressiva destruição do nosso património, de discursos enganadores e de promessas não cumpridas. O habitual. Há trinta e tal anos que é assim. Trinta e tal anos com a chancela da mesma cor política e, portanto, com toda a responsabilidade dos que por lá andam na Presidência e respectiva Vereação a tempo inteiro, obviamente, fazendo ouvidos de mercador ao que outros afirmam à mesa das sessões plenárias e, publicamente, têm vindo a alertar.
Nos últimos dias tenho tido a possibilidade de visitar cidades de grande e de média dimensão bem como localidades da Finlândia e da Estónia. Felizmente, todos os anos, por esta altura, dedico um tempo de férias para conhecer, perguntar, ler e inteirar-me sobre as cidades, aldeias e culturas, que a vida me tem proporcionado visitar e compreender. Não há momento que não olhe para qualquer coisa que me desperta a atenção e que, simultaneamente, não traga em memória, por comparação, o que se passa na minha cidade. E a pergunta que me assalta é sempre a mesma: por que raio somos assim, que nem os bons exemplos de preservação e de respeito pela identidade somos capazes de adoptar? Por que raio alguns políticos só vêem nos materiais de construção o desenvolvimento? Por que raio não entendem que cada vez menos as pessoas visitam as cidades onde tudo é igual às outras, no nosso caso, muitas vezes para pior? Por que raio não entendem que a "cimentização" da paisagem (a zona do Lido, por exemplo, está um completo descalabro) cada vez vende menos e a cultura, isto é, a identidade das cidades, cada vez vende mais? Por que raio não respeitam o sentido de escala da nossa cidade? Por que raio querem fazer de uma cidade pequena, implantada numa orografia complexa, um espaço de megalomanias sem sentido, sem alma, isto é, uma cidade cheia de coisas mas vazia de significado? Por que raio ainda não entenderam que as zonas altas da cidade não precisam, num primeiro momento, da oferta aos mais pobres, qual dádiva com os olhos postos no dia das eleições, de projectos, de telha, cimento, areia, blocos e ferro? Que, o que é fundamental, em primeiro lugar, é requalificar de forma integrada, no sentido de, a prazo, dispormos de uma cidade equilibrada na organização espacial e infra-estrutural. É difícil entender por que raio não entendem! Mas eu entendo, tal como tantos outros que se preocupam com a cidade.
Embora distante, li, esta manhã, o Dr. Bruno Pereira, Vice-presidente da Câmara, dizer que "(...) sem querer transformar estas questões numa lista de obras, a verdade é que gastamos por 250 mil euros em alargamentos de veredas, temos 13 centros comunitários, ginásios seniores. Fazemos o que é possível com o dinheiro que temos. Entendo que é difícil explicar a uma população que leva a garrafa de gás as costas que tem de esperar mais um tempo pelo alargamento da vereda (...)". Ora bem, com o devido respeito que tenho pela pessoa e pelo autarca, teria sido melhor que não dissesse nada. Porque este tipo de declaração prova que a Câmara não tem uma ideia para o futuro da cidade. Ela está ao nível do alargamento da vereda, o que é lamentável. Ela está estreita, cada vez mais estreita no seu pensamento estratégico. Mas diz mais, repetindo o que disse há um ano: "(...) deve existir solidariedade regional para com as zonas mais afastadas e com menos população, mas o Governo Regional deve ter sempre em conta a proporcionalidade na distribuição de verbas. Deve existir um equilíbrio entre estes dois princípios". Ora, isto que é hoje sublinhado pelo Dr. Bruno Pereira, a vereação do PS na Câmara anda a dizer e a deixar escrito em acta há dezasseis anos. Portanto, porque são da mesma cor política (e mesmo que não fossem) digo, agora, ENTENDAM-SE!
A cidade não pode ser uma coutada de uns poucos, mas na verdade é. A cidade não pode ser vendida aos bocados e aos interesses, mas na verdade é. A cidade não basta estar "bonita" ("limpinha") por fora quando está corroída por dentro nos planos económico, social e cultural. A cidade deveria ser hoje muito mais do que automóveis em circulação, intranquilidade, poluição visual e sonora, mas na verdade é. A cidade não deveria ser pobre (a população) mas na verdade é pelos desequilíbrios gerados no seu crescimento pela ausência de planeamento. A cidade não deveria desprezar um compromisso com o emprego, mas, infelizmente encolhe os ombros. A cidade deveria cuidar dos centros históricos, das acessibilidades, do tráfego e dos transportes, e de facto não cuida.
Esta cidade, a continuar assim, está condenada. Há uma absoluta necessidade de mudar de actores políticos. Mudar para outros que garantam pelo seu entusiasmo, inovação, criatividade e sentido de responsabilidade uma cidade onde valha a pena viver. Está nas mãos dos eleitores.

CIDADES E LUGARES 538 A 540. HELSÍNQUIA/FINLÂNDIA



A igreja Temppeliaukio é fantástica. Quando lá entrei, com as devidas diferenças, fez-me lembrar algumas obras notáveis deixadas pelo Arquitecto César Manrique, fundamentalmente na Ilha de Lanzarote.
A Igreja está situada no bairro Kallio e é um dos monumentos mais visitados em Helsínquia. As paredes deste austero templo foram trabalhadas na rocha e, por isso, apresentam uma arquitectura que mexe connosco, pela força da pedra, pelo desenho e pelas formas arquitectadas.
O Temppeliaukio Kirkko foi projetado pelos arquitectos irmãos Timo e Tuomo Suomalainen e concluído em 1969.
Ali se realizam concertos pela acústica que também dispõe. Posted by Picasa

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

AUTONOMIA RAPTADA

Acabo de ler, apressadamente, o DN-M. A "opinião" do meu Amigo Dr. Carlos Pereira merece uma visita e leitura atenta. Deixo aqui um excerto do mesmo.
"(...) Uma empresa com sede na Madeira que queira beneficiar das vantagens fiscais que a autonomia encerra tem de mudar a sede para os Açores porque naquela Região o IRC é 20% inferior à Madeira. Mais. Se essa empresa estiver disponível para transferir a sede para o interior de Portugal Continental pode até beneficiar de taxas de IRC na ordem dos 10%, i.e., menos 7,5 pp que a taxa na RAM.
Uma empresa na Madeira que queira beneficiar de transportes marítimos mais baratos terá de transferir toda a sua operação para os Açores, onde a sensibilidade do Governo permitiu encontrar uma solução que reduz drasticamente este custo estrutural das empresas ultra-periféricas. Em alternativa, fixa-se no Continente.
Uma autarquia na Madeira que queira exercer o seu poder fiscal e tranferir, no quadro da nova lei das finanças locais, para os munícipes parte do IRS (pelo menos 5%) não o pode fazer, pela intransigência do Governo do PSD em legislar sobre esta matéria. Os munícipes do continente podem usufruir destas facilidades.
Um funcionário público ou um professor na Madeira que tenham a vontade legítima de verem o seu tempo de serviço entre 2004 e 2008 descongelado e o desejo de receber os respectivos retroactivos, têm de se mudar para a administração pública dos Açores, porque Alberto João Jardim não encontra razões objectivas para facilitar a vida aos madeirenses".
E o culpado de tudo isto é o Engº Sócrates e a Constituição!!!

CIDADES E LUGARES 535 A 537. SUOMENLINNA/FINLÂNDIA



Suomenlinna é uma das maiores fortalezas marítimas do mundo. A cidade guarnição, construída, no Século XVIII, frente ao litoral de Helsínquia, está incluída na lista de Património Mundial da Unesco. Acede-se a Suomenlinna através de barco, com saída do cais de cidade de Helsínquia a cada 20/30 minutos. O trajecto é de cerca de 20 minutos.
A fortaleza data de 1748, quando a Suécia, que dominava a actual Finlândia desde 1550, decidiu construí-la para se defender da crescente ameaça russa. Todavia, em 1809 a Rússia acabou por conquistar a Finlândia e só em 1917 o país viria a tornar-se independente.
A primeira foto foi feita a partir de um grande painel que se encontra à entrada de um dos museus de Suomenlinna. A qualidade, por isso, não é boa, mas mostra as características da fortaleza. O seu interior vale bem a pena uma visita. Posted by Picasa

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

AZUL E AMARELO... E A HISTÓRIA?

Do acompanhamento diário, mesmo à distância, que tento fazer da comunicação social da Madeira, no meu pouco tempo disponível, tem-me apetecido comentar vários e importantes assuntos. Tenho vindo a guardá-los para mais tarde. Porém, um deles, parecendo de menor importância, do meu ponto de vista, não é, e, por isso, apresto-me, desde logo, a tecer algumas considerações. Trata-se do facto do Marítimo ter actuado de azul e amarelo, no Estádio da Luz, frente ao Benfica, cores apresentadas enquanto equipamento alternativo. Repito, não é de menor importância este aspecto. E não é, porque esta opção corresponde, certamente, a uma imposição de alguém, porque ela tem uma intenção política, negociada, bem definida e, sendo assim, corresponde a uma atitude manifestamente totalitária, como quem, subtilmente, quer dizer, aqui quem manda sou eu. Isto é, sem palavras, sem discursos, sem espavento, a provocação está a ser conduzida e o caminho continua a ser definido, porque há uma pessoa que não gosta de perder nos objectivos que traça, não esquece e não perdoa a monumental e histórica vaia no Estádio dos Barreiros. Significa isto que há uma personagem neste processo que continua a impor a sua vontade, em todos os sectores da sociedade e um conjunto de indivíduos, com responsabilidades, que se vergam à sua vontade ditatorial.
Se assim não é, então, pergunto, como se justifica a atitude da direcção do Marítimo? O respeito pela identidade e pela história do clube? O que de facto transparece é que o Marítimo está a ser utilizado e vendido a retalho, aos interesses políticos de uma série de pessoas imbuídas do mesmo espírito político-partidário e que à revelia dos associados e de uma série de princípios e valores, estão a atraiçoar a mais elementar identidade de um clube com 100 anos de actividade. Trata-se de um negócio: dá-me dinheiro que faço o que quiseres! Esta é a mais baixa e repugnante prostituição do associativismo desportivo com história.
E já que falo de história... esta é uma questão que bule com a história. Lembro-me, não sei se com total razão, o que me dizia o saudosíssimo verde-rubro Senhor Adelino Rodrigues, que o Marítimo era o único clube em Portugal que podia utilizar as cores da bandeira Nacional (as reais) por ter sido fundado antes de 05 de Outubro de 1910. Emerge daqui, também, o espezinhamento da história e a cega luta contra o Continente, através do Marítimo contra as cores nacionais, impondo o azul e amarelo da Região. Ao ponto a que isto chegou!
Mas também há outras leituras que podem ser feitas a partir desta atitude. É que cada vez mais o mentor de tudo isto está aflito com esta política desportiva que engendrou ou, pelo menos, apoiou, está aflito com os milhões gastos (não investidos) sem retorno e, por isso, quer a todo o custo enveredar pela solução mais barata e que corresponde aos seus desígnios políticos: um clube representativo e ponto final.
Entendo que esse é um caminho errado. O que o governo tem de fazer é sair das SAD’s, porque os dinheiros públicos têm de ser investidos em sectores e áreas prioritárias, na educação, na saúde, no sistema empresarial gerador de postos de trabalho, no turismo, no conhecimento, na erradicação da pobreza, enfim, em tudo o que possa ter retorno económico, social e cultural. Nunca no futebol profissional. Até porque há vários estudos que provam que o futebol da Madeira não é promocional do ponto de vista turístico. São os inquéritos feitos junto dos turistas, traduzidos em estudos elaborados por licenciados pela Universidade da Madeira, em várias épocas turísticas do ano, que provam isso mesmo. É mentira que a Madeira seja conhecida lá fora pelo futebol, mas sobretudo, entre outros aspectos, como um destino de natureza e tranquilidade. Resulta daqui que ao governo compete, nesta Região, pobre, sem dinheiro, assimétrica, com mais de 12.000 desempregados, investir em outros sectores e áreas e, no que ao desporto diz respeito, no desporto educativo escolar sinónimo de cultura, de princípios e de valores para a vida.
Sou sócio do Marítimo há 59 anos. Mas não é esse aspecto que se torna importante e que faz estar contra o azul e amarelo. Hoje, perdoe-me o leitor a expressão, estou-me nas tintas para esse facto, seja amarelo e azul, verde e vermelho ou outra cor qualquer. O que me preocupa é tudo quanto se esconde por detrás deste tipo de manifestações, o bast-fond político, neste caso, destruidores da identidade do clube e da cultura associativa. Actuar da forma como actuam, a cultura fica ao nível do bar do Henrique. O que é pena!

domingo, 16 de agosto de 2009

CIDADES E LUGARES 533 A 534. PARGAS/FINLÂNDIA

Pelo Sul da Finlândia, ao longo do extenso arquipélago, encontramos várias cidades de pequena dimensão muito agradáveis.
Pargas (Parainen) é uma cidade costeira numa zona bilingue (finlandês e sueco) com uma fascinante paisagem e alguns pontos de interesse cultural. Uma das suas riquezas é a igreja de granito.
Em todas estas povoações costeiras existem marinas de várias dimensões.
Pargas não é excepção.
Há muitos anos que procurava conhecer a Finândia. Está a exceder as minhas expectativas, pela natureza pura e tranquila, os bosques virgens e milhares lagos a reluzirem. A constante diversidade das paisagens torna a Finlândia um lugar fascinante pela sua atmosfera calma e com muito espaço para cerca de cinco milhões de habitantes.
Por outro lado, o civismo e a educação fascinam-me. Há múltiplos factores que concorrem para isso, um dos quais o seu sistema educativo que conheço na sua arquitectura fundamental. Basta dizer que as habilidades dos adolescentes finlandeses em matemática, ciências e leitura são classificadas como as melhores entre os 40 países associados, no mais recente estudo PISA da OCDE sobre crianças em idade escolar do mundo inteiro. PISA, constitui uma avaliação trienal de alunos de 15 anos nos principais países industrializados, organizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Mais tarde voltarei a este assunto. Posted by Picasa

sábado, 15 de agosto de 2009

CIDADES E LUGARES 531 A 532. NAANTALI/FINLÂNDIA

Naantali é uma pequena cidade a 18 km de Turku. É um destino turístico onde se destaca a marina e toda a sua envolvência e, ainda, um bairro em madeira de uma qualidade excepcional.
Todos os anos aqui se realizam grandes festivais de música.
Há excelentes restaurantes, galerias de arte e, a pouca distância, do outro lado do rio, situa-se “Kulturanta” que é a residência de Verão do Presidente da República. Os jardins são espectaculares. A entrada, apenas através de
guia, custa, neste momento, € 9,00.
A partir de Naantali pode-se passar de ilha para ilha ao longo do extenso arquipélago frente a Turku.
As ilhas são ligadas por pontes e por barcos que transportam, gratuitamente, passageiros e veículos.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

CIDADES E LUGARES 529 A 530. TALLINN/ESTÓNIA

Tallinn, capital da Estónia, é uma encantadora cidade medieval e moderna. Para quem está, por exemplo, em Helsínquia, pode tomar o “Express Linda Line” e, em noventa minutos, está na cidade de Tallinn. Ida e volta custa € 40,00. Decidir sobre o que é melhor em Tallinn é muito difícil. É evidente que o maior orgulho da cidade está no seu centro histórico, um fascinante bairro construído por ruas, casas, torres e praças centenárias que parecem saídas de um livro de contos. Tallinn é romântica e medieval mas também ultramoderna e tecnológica. Foi este o
país que criou o Skype e onde a internet é livre em toda a cidade. A cidade antiga é relativamente pequena embora permita ver cerca de setenta pontos diferentes. Evidentemente que uns pontos históricos são de visita obrigatória e outros, naturalmente, nem tanto. Esta tarde preferi começar pela praça central, isto é, pelo coração da cidade antiga.
O edifício da Câmara Municipal constitui o exemplar gótico mais conservado do Norte da Europa. O roteiro, para quem opta por um pouco mais de 24 horas na cidade, obriga a fazer opções. No meu caso segui para a Igreja de San Olaf, uma igreja do Século XIII. Da sua torre contempla-se uma extraordinária vista sobre a cidade. Depois, o Castelo Toompea, sede do governo, a Catedral Alexander Nevsky, uma majestosa catedral ortodoxa russa, construída em 1900, a ópera nacional da Estónia, a rua antiquíssima de Santa Catarina, o pátio dos maestros, enfim, há muito para ver nesta maravilhosa old town.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

DAS CICLOVIAS ÀS ACÇÕES POPULARES

Algumas notas e comentários a partir da leitura que fui fazendo da comunicação social da nossa Região nos últimos dias que por aqui deambulo entre cidades e localidades da Finlândia.
1º CICLOVIA.
O troço da Estrada Monumental entre o Forum Madeira e a Rotunda da ASSICOM, nos Piornais, será inaugurado no dia 19 de Setembro. Esta ciclovia, anunciada pela Câmara do Funchal, lamentavelmente, dá-me vontade, não sei se de rir ou de “chorar”. Para já esta ciclovia foi pensada no meu segundo mandato de Vereador na Câmara. Já lá vão mais de dez anos. Mas o problema não é só esse. É que essa ciclovia é de interesse reduzido em função da importância que as ciclovias têm quando integradas numa perspectiva global de mobilidade e trânsito nas cidades. No caso do Funchal, esta ciclovia e a própria linha designada por “Eco” constitui um penso numa ferida gravíssima que é o do trânsito na cidade do Funchal. Não vou aqui abordar, globalmente, a complexa questão do trânsito. Já o fiz em um outro momento e neste blogue. Tão-somente quero aqui uma vez mais dizer que há muito que a Câmara deveria ter assumido a questão do trânsito como prioritária e a verdade é que nunca o fez. Concretamente:
a) A implementação do Park & Ride com a criação dos parques periféricos;
b) Ligações rápidas e regulares ao centro do Funchal;
c) Limitação da circulação automóvel abaixo da cota 40;
d) Criação de ciclovias, para já nos três percursos planos do Funchal: Pontinha-Empresa de Electricidade; Mercado-Infante; Campo da Barca-Carreira;
e) Criação de uma rede de transportes escolares;
f) Limitação do estacionamento de superfície na baixa funchalense;
g) Implementação do metro de superfície aos concelhos limítrofes do Funchal.
Isto para dizer que há novos hábitos a aprender pela população e uma nova política que só pode ser interpretada por novos actores políticos que se mostrem interessados numa actuação inteligente e portadora de futuro. Estas administrações já demonstraram que não sabem ou não querem fazer.
Mas sobre este assunto muito haveria a dizer. Urge, portanto, um debate profundo e sério.
2º A CARTA DO DR. MARQUES DA SILVA.
O meu Amigo e antigo docente Dr. Marques da Silva escreveu uma carta do leitor que li com muito agrado: “Tenho pensado muito no Funchal. A nossa cidade está a ser vítima de pragas, agora que nos aproximamos do seu 501º aniversário. Pragas de que só se conhecem os efeitos, são várias: a praga da droga, através de bandidos que a transportam para esta cidade e que aqui vai tragicamente reflectir-se, sobretudo, nas populações mais jovens; a praga do mosquito "aedes egipty" que martiriza continuamente as populações, nomeadamente os habitantes da infeliz freguesia de Santa Luzia e que pode revelar-se muito mais funesta se se realizar a conjunção de factores que originem a febre do "dengue"; a última praga é a intolerância política que assume uma tónica de certo modo maquiavélica, na protecção ao "JM" com o falso objectivo de fomentar a pluralidade de opiniões como hipocritamente os partidários do PSD regional defendem, quando o que se pretende, realmente, é destruir o "DN", fazendo calar uma voz crítica (…)”.
3º OUTRA DO DR. GUILHERME SILVA.
No último artigo de opinião do candidato do PSD à Assembleia da República e, ainda, Vice-Presidente do Parlamento Nacional, fala do Engº José Sócrates como um “refinado ilusionista”. Dois comentários: primeiro, não é próprio de um vice-presidente da Assembleia da República, pelo lugar que ocupa, referir-se a um primeiro-ministro com expressões daquela natureza; em segundo lugar, parece que o Dr. Guilherme Silva não tem espelho. Já não digo sequer para se olhar mas para ver o que se passa com o seu líder na Madeira. Dois aspectos que deveriam levar o candidato a reflectir sobre os seus posicionamentos quando resolve escrever. Quanto ao artigo de opinião no seu conjunto, enfim, o melhor é lê-lo mas ao longo do texto ter sempre presente o que se passa na Região Autónoma da Madeira. Basta isso!
4º ACÇÕES POPULARES.
O presidente do Governo pediu aos empresários que têm sido alvo de acções populares para, depois de terem vencido esses processos nos tribunais, darem início a processos judiciais contra os autores dessas mesmas acções. Ora bem, nem precisaria de o dizer, uma vez que esse problema, segundo julgo saber, está previsto. A intenção do Presidente do Governo é outra, é a de intimidar e a de instituir o medo junto das pessoas. E isto é muito grave.
As suas declarações é evidente que não têm nada de estranho pois sabe-se o que “a casa consome”, mas continua a ser preocupante o facto de o presidente continuar, abusivamente, a limitar os direitos de cidadania. As acções populares são, do meu ponto de vista, o último reduto de defesa do cidadão. E tenhamos presente, por exemplo, o facto de, na mesma sessão em que o presidente do governo disse tal disparate, o presidente da Câmara de Santa Cruz ter sido peremptório ao pedir a redução dos prazos legais que permitam a apresentação de acções populares. Para o autarca, a legislação actual tem vindo a reduzir o volume de investimentos privados na Região. Deduz-se assim que, o que lhes move é o interesse pela “obra” independentemente das mesmas se enquadrarem ou não nos princípios que devem sustentar o verdadeiro desenvolvimento e o respeito pela legalidade.

CIDADES E LUGARES 525 A 528. TURKU/FINLÂNDIA

Turku é a cidade mais antiga da Finlândia e foi também a sua primeira capital.
Todos os momentos mais importantes estão à beira do rio, desde o excepcional castelo, na zona do porto, até à magnífica Catedral muito próxima da interessante e espaçosa praça principal.
A Catedral é a igreja mãe Luterana e um dos edifícios mais emblemáticos da História da Finlândia. É o Santuário Nacional.
A história da Catedral começa há mais de setecentos anos, quando, no Século XIII, Turku era o principal centro comercial do país. Durante a Idade Média a Igreja foi ampliada várias vezes. A parte superior do campanário foi também ampliada em diversas ocasiões. Em 1827 um grande incêndio destruiu uma parte da cidade e a própria Catedral.
As paredes e os tetos estão repletos de frescos do pintor da corte Robert Wilhelm Ekman, muito considerado por ser o iniciador da arte moderna figurativa finlandesa.
As várias capelas são extraordinárias.
Quanto ao castelo (fotos 2 e 3), construído em 1280, é o maior e mais considerado de toda a Finlândia. É considerado um dos tesouros mais valiosos da Finlândia.
Demora-se cerca de duas horas para percorrê-lo com atenção a todos os cantos e recantos e ao significado histórico desses espaços.
Já na parte final um excelente museu, com cerca de 60 metros de comprimento, com peças muito antigas, lindíssimas e, naturalmente, de grande valor.
Para além destes dois monumentos nacionais, um passeio ao longo do rio torna-se muito agradável bem como pela zona pedonal da cidade, com espaços comerciais de excelente qualidade no que diz respeito aos interiores abertos ao público, como pelo contagiante ritmo sereno com que tudo acontece.
Indiscutivelmente, uma cidade a não perder.

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terça-feira, 11 de agosto de 2009

CIDADES E LUGARES 521 A 524. TAMPERE/FINLÂNDIA

Tampere é uma cidade para Norte que dista cerca de 153 quilómetros de Turku e 166 de Helsínquia.
É uma cidade com uma larga história industrial, hoje de tecnologia moderna e de muitos eventos culturais.
Tem uma considerável dimensão e a sua posição de confluência de vários lagos concedem-lhe uma beleza singular.
Não é, todavia, uma cidade fácil para ter acesso aos locais de maior interesse, uma vez que tudo se encontra muito disperso.
Ao contrário de muitas outras cidades não tem um centro histórico consolidado, de visita obrigatória e com distâncias curtas entre os locais visitáveis. O importante, por isso mesmo, é tentar um estacionamento no centro e dispor-se a percorrer a cidade durante umas cinco/seis horas.
A arquitectura de Tampere é uma mistura de vários estilos que a tornam elegante.
A Catedral, construída no início do Século XX, a Igreja Ortodoxa (foto 2) que é um exemplar de primeira qualidade do estilo neobizantino, os vários edifícios da praça principal (foto 1) onde se encontra a Câmara Municipal e o teatro, conjugados, também, com o centro da cidade de grande vivência comercial, dão um toque harmonioso e agradável à cidade.
Enfim, uma cidade interessante mas que, pessoalmente, não regressaria. Ao contrário de outras que ficam na memória. De qualquer forma, com uma boa preparação prévia da viagem e se objectivo for itinerante, sem a preocupação de regressar no próprio dia ao local de alojamento, desta minha experiência aconselharia a passar por Tampere mas com uma condição: dirigir-se a dois ou três pontos considerados de maior interesse e seguir viagem. Há, de facto, outras cidades e locais com maior interesse. Pelo menos do meu ponto de vista.

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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

CIDADES E LUGARES 518 A 520. ARQUIPÉLAGO TURKU/FINLÂNDIA

Frente à cidade de Turku estende-se um arquipélago com cerca de 20.000 pequenas ilhas muitas das quais ligadas através de pontes ou, na maioria dos casos por embarcações que, gratuitamente, transportam veículos e pessoas (ver mapa e fotos).
Fiz o percurso entre Pargas e Mossala através de cinco desses barcos (não sei se tecnicamente assim os devo caracterizar). Tudo se processa com muita rapidez. Os percursos variam entre cinco e vinte minutos. Digamos que se trata de uma viagem onde se passa de ilha em ilha
apreciando o imenso arquipélago, a floresta (segundo li a Finlândia é o País mais verde do Mundo) e as casas, normalmente em madeira, que se distribuem por aqui e por ali devidamente enquadradas na paisagem.
Ao longo do percurso são muitos os que utilizam a bicicleta para fazer este trajecto que enche qualquer pessoa de emoções variadas.
As casas em madeira (tipo cabana) constituem um estilo de vida numa sociedade que encontrou o equilíbrio entre o ritmo de aposta numa vertiginosa tecnologia e o valor da natureza no
quadro de uma excelente consciência ecológica. Dois terços do País são constituídos por floresta.
A Finlândia é um dos países mais ricos e modernos do Mundo. Tem cerca de 5,3 milhões de habitantes distribuídos por 338.000 Km2. Tem mais de 100.000 lagos.
Aliás, toda a Escandinávia (Stockholm Archipelago, Äland e a Äboland e Westen Archipelago formam um total de cerca de 90.000 ilhas e rochedos. A experiência que hoje vivi foi fantástica, pelo menos para mim que apenas tinha conhecimento através da documentação e dos mapas.
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domingo, 9 de agosto de 2009

CIDADES E LUGARES 513 A 517. HELSÍNQUIA/FINLÂNDIA

Dividi a visita a Helsínquia em duas partes: a primeira dedicada ao centro histórico; a segunda, à fortaleza marítima de Suomenlinna e, ainda, a alguns monumentos considerados muito importantes.
Hoje, comecei pela notável Catedral Ortodoxa de Uspenski onde assisti a uma grande parte de um serviço religioso. A catedral foi finalizada em 1868. Trata-se da maior catedral ortodoxa da Europa Ocidental. A sua decoração constitui um dos exemplos mais destacados da influência russa na história da Finlândia – em 1809 a Rússia conquistou a Finlândia e, em 1917, tornou-se independente.
Depois, segui para a outra Catedral de Helsínquia (Luterana), com toda a sua fachada branca e imponente. A Praça do Senado à sua frente, espaçosa, com uma série de edifícios muito equilibrados do ponto de vista arquitectónico, logo abaixo, o edifício do Conselho de Estado, a Universidade, a Biblioteca Nacional, a Praça do Mercado, o Mercado Velho e o Palácio Presidencial.
Terminei este dia com duas visitas que me encheram: à Igreja de S. João (Johanneksenkirko - Evangélica e ao Sinebrychoff Art Museum. O museu conta com obras de vários pintores clássicos com colecções dos Séculos XVII e XVIII.
Destes primeiros dias de visita impressiona-me a serenidade deste Povo (este sim, um Povo Superior), a sua educação e cortesia, a sua cultura e a qualidade de vida que desfrutam e o civismo.
Ando por estas bandas há três dias e não vi um único polícia nas ruas. Há sinais que caracterizam a
organização social. Este, porventura, é um deles. Na estrada, cumpre-se, escrupulosamente, as velocidades indicadas. Há um irrepreensível respeito pela imposição dos 40, 50, 60 ou 120 quilómetros, no máximo, no caso das auto-estradas. Tal como acontece em outros países que visitei, aqui, nos supermercados não vendem bebidas alcoólicas. Existem, poucos, espaços comerciais especialmente vocacionados para essa venda. Interessante e importante.
Teria muito para dizer. Ficará para outra oportunidade.
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