quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

DE POVO SUPERIOR A CACHORRO


A verdade é que não somos superiores em nada, mas também ninguém venha dizer que somos pata-rapadas e que ladramos! Somos um povo com uma enorme dignidade, com orgulho num passado construído com as suas mãos, gente humilde que foi espezinhada por novos colonos que se apoderaram do poder e que geraram uma mentalidade que obrigou a que durante estes trinta anos, paulatinamente, tivesse recebido transfusões, qual metáfora, de uma espécie de sangue escravo. Só que esse povo sedado e mergulhado numa longa noite, parece estar a acordar para a realidade, ou para a verdade de todos estes anos, e de olhos mais atentos, começa a dizer basta, pois nem somos o que ele de facto pensa, nem superiores queremos ser. Apenas desejamos a dignidade, o trabalho e a felicidade. A designação de "povo superior" foi, portanto, uma balela. Talvez mais certa esteja, porque compaginada com a sua verdadeira política, a tal designação que se aproxima da cachorrada mal agradecida! Tudo para lamentar, mas para fazer parte da História de um povo que teve a infelicidade de ser governada por um político e um grupo de gente que não serviu os interesses dos madeirenses e porto-santenses.


O povo começa a romper a teia
O título tem autor. Ouvi esta chamada de atenção através de um debate na RTP-Madeira onde participou o Deputado do PS-M, Dr. Carlos Pereira. Muitas vezes, na velocidade do tempo, dos acontecimentos e da notícia que existe no instante, arrumamos alguns assuntos em uma prateleira muito distante do que nos consome no presente, e necessário se torna que alguém vá a esse passado e tenha a capacidade de produzir a síntese inteligente que diz muito. Ora, o mesmo político que caracterizou a nossa gente de "povo superior" é o mesmo que, há dias, teve um desabafo abaixo de cão. Nesse dia, o tal "povo superior", segundo o presidente do governo, face a uma manifestação de desagrado, estaria a ladrar. Declaração que nada tem de esquisito. Aliás, essas caracterizações, de superior ou de cachorro, pouco me dizem. Se, na altura que considerou este ser um povo superior, foi hilariante, agora, atestando-o de canino domestico, eu diria que esta variação extrema do humor tem uma caracterização que me escuso definir. 
O que me preocupa é que este tipo de actuação faz parte da acção política no quadro do relacionamento psicológico com os eleitores e não só. Se, num primeiro momento, quando o dinheiro abundava e a construção civil não parava, politicamente, o seu mentor entendeu ser necessário oferecer um reforço positivo de ordem psicológica, convencendo-os que o mundo terminava ali, na Ponta de S. Lourenço, que outros não existiam com as qualidades dos madeirenses, por aí subordinando-os à sua vontade e a um engenhoso crescimento que parecia não acabar, num segundo momento, atirou-se às pessoas querendo, certamente, dizer-lhes: aqui mando eu e vocês não passam de uns pata-rapadas. Foi a afirmação do quero, posso e mando e de um poder absoluto sobre as suas vidas. 
A verdade é que não somos superiores em nada, mas também ninguém venha dizer que somos pata-rapadas e que ladramos! Somos um povo com uma enorme dignidade, com orgulho num passado construído com as suas mãos, gente humilde que foi espezinhada por novos colonos que se apoderaram do poder e que geraram uma mentalidade que obrigou a que durante estes trinta anos, paulatinamente, tivesse recebido transfusões, qual metáfora, de uma espécie de sangue escravo. Só que esse povo sedado e mergulhado numa longa noite, parece estar a acordar para a realidade, ou para a verdade de todos estes anos, e de olhos mais atentos, começa a dizer basta, pois nem somos o que ele de facto pensa, nem superiores queremos ser. Apenas desejamos a dignidade, o trabalho e a felicidade.
A designação de "povo superior" foi, portanto, uma balela. Talvez mais certa esteja, porque compaginada com a sua verdadeira política, a tal designação que se aproxima da cachorrada mal agradecida! Tudo para lamentar, mas para fazer parte da História de um povo que teve a infelicidade de ser governada por um político e um grupo de gente que não serviu os interesses dos madeirenses e porto-santenses.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

UMA MAIORIA POLÍTICA QUE SABE CONJUGAR O VERBO ESCONDER!


Agora é com o inquérito ao SESARAM. Novamente, bloquearam audições e esconderam documentos importantes na elaboração de um relatório sério, honesto e digno de uma Assembleia enquanto primeiro órgão de governo próprio e fiscalizador dos actos do governo. A maioria entende que a audição A ou o documento B não se justificam e, pronto, é feita a sua vontade por força da sua escassa maioria. Que vergonha e que tão rasteirinhos são os deputados(as) que assim pensam e determinam. No fundo negam o lugar para o qual foram eleitos, em defesa, única e exclusiva, do lugar que, temporariamente, ocupam. Se isto é ser deputado... vou ali e já volto! É por isso que a descredibilização aumenta e é por isso que o povo olha para a Assembleia como qualquer coisa desnecessária, por se tratar de um apêndice do governo.  E a apendicite vem a caminho. Há já por aí muitas dores abdominais. Ora, estando o sistema de saúde em colapso (ler aqui a edição do DN-Madeira) natural seria que ninguém tentasse esconder a verdade. Mas escondem. Quando o sistema ainda funciona porque há médicos, enfermeiros e outro pessoal que lutam diariamente pelo serviço público, note-se, apesar dos roubos, repito, roubos descarados na carteira mensal daqueles profissionais, em total abdicação dos valores da Autonomia política e administrativa; quando o sistema evidencia carências de toda a ordem; quando fazem tábua rasa dos alertas das ordens e sindicatos; quando há uma gigantesca dívida que ninguém sabe como pagar; quando rebentaram com o sector privado que deveria merecer uma cauteloso e profícuo relacionamento de interesse bilateral, inclusive, no quadro orçamental, o PSD-M foge a tudo isto, dispensa tudo e apresenta o relatório que lhe interessa. 


Este teatro acabará por sair muito caro
Esta maioria política na Assembleia Legislativa da Madeira ainda não percebeu que está por pouco. Que mais cedo do que possa pensar, terá como destino a situação de partido de oposição. É natural que assim aconteça em função dos vários indicadores disponíveis. As pessoas estão fartas. Apesar disso, continua arrogante, de nariz empinado, aliás como acontece(u) em todos os regimes em fim de ciclo. Não estranhei, por isso, a atitude de bloqueio na recente Comissão Parlamentar de Inquérito à Gestão Financeira e à Direcção Clínica do Serviço de Saúde da Região (SESARAM) e do Instituto de Administração da Saúde (IASAÚDE). Tratou-se do comportamento habitual. Ou impedem a realização dos inquéritos parlamentares por iniciativa isolada de um partido ou, quando os têm de viabilizar por força regimental, bloqueiam a audição das instituições, de políticos e outros, limitam o acesso à documentação, para, depois, apresentarem um relatório final à medida dos interesses do "patrão". Quem não se lembra do inquérito que pretendia saber, até ao último cêntimo, a verdade sobre as contas da região, apresentado pelo PS-M? Esconderam tudo, impediram a audição de figuras necessárias à compreensão dos processos, bloquearam a informação não disponibilizando os documentos necessários e, finalmente, o relatório ficou-se por meia-dúzia de linhas elaborado no sentido de transmitir a ideia que tudo estava bem. E não estava. Pouco tempo depois rebentou o escândalo que determinou a operação "Cuba Livre". E quem não se lembra do inquérito à comunicação social que teve como núcleo de investigação o Jornal da Madeira? O inquérito morreu no mesmo dia que nasceu e novo fatinho à medida foi elaborado através de um relatório absolutamente escandaloso, contraditório e de clara aldrabice política.
Agora é com o inquérito ao SESARAM. Novamente, bloquearam audições e esconderam documentos importantes na elaboração de um relatório sério, honesto e digno de uma Assembleia enquanto primeiro órgão de governo próprio e fiscalizador dos actos do governo. A maioria entende que a audição A ou o documento B não se justificam e, pronto, é feita a sua vontade por força da sua escassa maioria. Que vergonha e que tão rasteirinhos são os deputados(as) que assim pensam e determinam. No fundo negam o lugar para o qual foram eleitos, em defesa, única e exclusiva, do lugar que, temporariamente, ocupam. Se isto é ser deputado... vou ali e já volto! É por isso que a descredibilização aumenta e é por isso que o povo olha para a Assembleia como qualquer coisa desnecessária, por se tratar de um apêndice do governo. E a apendicite vem a caminho. Há já por aí muitas dores abdominais.
Ora, estando o sistema de saúde em colapso (ler aqui a edição do DN-Madeira) natural seria que ninguém tentasse esconder a verdade. Mas escondem. Quando o sistema ainda funciona porque há médicos, enfermeiros e outro pessoal que lutam diariamente pelo serviço público, note-se, apesar dos roubos, repito, roubos descarados na carteira mensal daqueles profissionais, em total abdicação dos valores da Autonomia política e administrativa; quando o sistema evidencia carências de toda a ordem; quando fazem tábua rasa dos alertas das ordens e sindicatos; quando há uma gigantesca dívida que ninguém sabe como pagar; quando rebentaram com o sector privado que deveria merecer uma cauteloso e profícuo relacionamento de interesse bilateral, inclusive, no quadro orçamental, o PSD-M foge a tudo isto, dispensa tudo e apresenta o relatório que lhe interessa. 
Um dia e não falta muito vão estar na oposição! Será interessante acompanhar o seu comportamento. Que gente politicamente insana!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A MOÇÃO DE CONFIANÇA É UM ATESTADO DE DOENÇA A UM CORPO POLITICAMENTE MORIBUNDO


Não são os movimentos da República que desejam ver o presidente do governo regional fora da chefia do governo. Errado está quem assim pensa. O processo de sucessivas loucuras, a ofensa gratuita e permanente, a incapacidade gestionária, a clara ausência de visão sobre o futuro onde se impunha uma transformação graduada no tempo e respeitadora das prioridades, é que estão na raiz do descalabro em todos os sectores e áreas da governação. Jardim definiu-se como o "único importante" desta terra, logo terá de ser responsabilizado pelas "acções e omissões" dos seus governos. Jardim criou na Região, do ponto de vista institucional, a estrutura de um país, governou sempre com maioria absoluta, contou sempre, embora refilando por mais, com muitos milhões da União Europeia e da República, controlou toda a sociedade, espezinhou politicamente todos quantos tentaram dizer que o rei ia nu, agora, vem com a treta da "Moção de Confiança", a qual como é óbvio, será aprovada pela diferença de três deputados. Confiança em quê, num governo que desgraçou a Região? Confiança num governo que escondeu contas por pagar? Confiança num governo, alegadamente, a contas com a Justiça? Confiança quando não desfruta da confiança de mais de metade da população da Madeira? Demitam-se!

O "bailinho" será agora outro!
O desespero a que ponto chega. Um governo, com maioria absoluta, apresentar uma "Moção de Confiança". Hilariante. No dia agendado, vinte e cinco deputados vão pintar de cores frescas e garridas aquilo que é negro. Só aqui. Ou então, o próprio presidente do governo e líder do PSD não tem confiança no seu grupo parlamentar. É uma hipótese a considerar. No meio disto, talvez, de uma forma pouco atenta, segui ontem numa peça da RTP-Madeira, sublinhando que daquela forma o PSD "esvaziava" as "Moções de Censura" apresentadas ou a apresentar pela oposição. Não esvazia nada, absolutamente nada. Se, na de "confiança", a maioria, tal como já referi, utilizará o tempo disponível para colocar Jardim no altar, com a oposição a contrariar os argumentos apresentados, nas de "censura" assistir-se-à ao ataque da oposição com a maioria a defender-se. Com um pormenor: é que a oposição, estrategicamente, não deverá fazer muito fogo na "Moção de Confiança", enquanto que, na volta, com mais tempo, fará a desconstrução das políticas do governo regional. Portanto, a posição do governo não esvazia rigorosamente nada. Esquisito, sim, sentirem a necessidade de utilização da sua própria maioria para, no essencial, dizerem "daqui não saio, daqui ninguém me tira"! A "Moção de Confiança" acaba por constituir um atestado de doença de um corpo politicamente moribundo.
Ainda hoje, na edição do DN-Madeira, uma vez mais, ficou clara a situação de falência técnica do sistema regional de saúde com mais de 540 milhões de euros em dívida e 15.000 cirurgias em lista de espera! É assim na Saúde, mas é assim na Educação, onde não há dinheiro para nada, porque a prioridade é, aos poucos, ir pagando as facturas da louca "obra" realizada. É assim na Saúde, é assim na Educação, mas também no sistema empresarial, com falências em catadupa, com 25.000 desempregados fora aqueles que emigraram. Quando todo o sistema político, económico, financeiro e social está em evidente colapso, vem o governo apresentar uma "Moção de Confiança". Trata-se de uma política de contornos hilariantes e esquizofrénicos, corolário de 37 anos consecutivos de governo absoluto e insensível.
Ora, não são os movimentos da República que desejam ver o presidente do governo regional fora da chefia do governo. Errado está quem assim pensa. O processo de sucessivas loucuras, a ofensa gratuita e permanente, a incapacidade gestionária, a clara ausência de visão sobre o futuro onde se impunha uma transformação graduada no tempo e respeitadora das prioridades, é que estão na raiz do descalabro em todos os sectores e áreas da governação. Jardim definiu-se como o "único importante" desta terra, logo terá de ser responsabilizado pelas "acções e omissões" dos seus governos. Jardim criou na Região, do ponto de vista institucional, a estrutura de um país, governou sempre com maioria absoluta, contou sempre, embora refilando por mais, com muitos milhões da União Europeia e da República, controlou toda a sociedade, espezinhou politicamente todos quantos tentaram dizer que o rei ia nu, agora, vem com a treta da "Moção de Confiança", a qual como é óbvio, será aprovada pela diferença de três deputados. Confiança em quê, num governo que desgraçou a Região? Confiança num governo que escondeu contas por pagar? Confiança num governo, alegadamente, a contas com a Justiça? Confiança quando não desfruta da confiança de mais de metade da população da Madeira? Demitam-se!
Ilustração: Google Imagens.

IMUNIDADE


Esconder-se e dar respostas que sugerem a culpabilização de outros, atirar-se ao povo designando-o de "cachorro", considerar que se trata de "calúnias" e de "'garotices" constituem atitudes politicamente indignas, que deixam um rasto de descredibilização no exercício da política.

Todos responsáveis... menos ele!
Os julgamentos na praça pública, quantas vezes sem o exacto conhecimento de todos os contornos de uma dada investigação, são perversos, destruidores e muito difíceis de reversão da imagem e do bom nome de quem aí se vê envolvido. Mas também é inaceitável que um político, detentor de um cargo, se refugie na imunidade para não explicar o que a Justiça entende como matéria de investigação. Não conheço as páginas do processo "Cuba Livre" (não gosto desta designação), escrevo, portanto, em abstracto. No rol dos envolvidos podem estar o presidente do governo regional, secretários, deputados ou outros, certo é que não estão acima da Lei. Ora, quando, no caso em apreço, o presidente do governo contrapõe que não é "técnico de contas do governo", numa atitude de clara desresponsabilização na matéria motivo de investigação, enquanto cidadão, olho para tal declaração e apenas me sobressai a leitura de um político que receia qualquer coisa. Aliás, pareceu-me apavorado por ter de descer do pedestal com trinta e tantos degraus e sentar-se frente a um investigador, certamente, com uma longa lista de pertinentes questões. Um político que não teme "pelas acções e omissões" da governação, não espera que o chamem para depor, antes, aos olhos do povo, afirma a total disponibilidade para explicar a matéria sob suspeita. Inclusive, em sua própria defesa. Esconder-se e dar respostas que sugerem a culpabilização de outros, atirar-se ao povo designando-o de "cachorro", considerar que se trata de "calúnias" e de "'garotices" constituem atitudes politicamente indignas, que deixam um rasto de descredibilização no exercício da política. Ademais, é esta mesma figura que, relativamente aos adversários políticos, lhes move processos a torto e a direito, deles exigindo indemnizações por alegados actos difamatórios. 
Os cidadãos têm o direito de conhecer a verdade, até porque "os titulares de cargos políticos respondem política, civil e criminalmente pelas acções e omissões que pratiquem (…)". Portanto, toca a disponibilizar-se para a investigação, porque o povo quer saber a verdade. A bem ou a mal terá de o fazer.
Nota: Artigo de opinião, da minha autoria, publicado na edição de hoje do DN-Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

UM GOVERNO SOB SUSPEITA DEVE DEMITIR-SE


No processo que envolve o governo existe uma gravíssima mancha política que já não pode ser apagada. E essa é que conta. As questões relacionadas com a Justiça é um outro campo de análise. É que não se trata de um membro do governo visado por uma determinada conduta, mas sim, alegadamente, todo o executivo. Portanto, a partir do momento que se verifique uma decisão do Ministério Público, parece-me óbvio que o governo regional, por sua iniciativa, deve apresentar a sua demissão, pois deixa de ter a credibilidade necessária que se exige a quem governa. Não vale a pena andarem com paleio, com fait-divers, com frases enquadradas no âmbito da "tranquilidade da consciência", porque a mancha existe e desde há muito. 


É evidente que os mandatos devem ser levados até ao fim. Mas também é verdade que existem situações excepcionais que devem levar a considerar a necessidade de uma clarificação. Essas situações são de natureza múltipla, todavia, existe uma que é determinante, aquela que coloca um governo sob suspeição por atitudes menos correctas na condução dos processos de política financeira. Simplesmente porque se trata da gestão do dinheiro público proveniente dos impostos de todos. E aí não há volta a dar quando a Justiça coloca o poder eleito sob investigação. Sobretudo, ainda, quando há um rol muito extenso de pública e notória inversão das prioridades políticas que convergem e dão força a essa suspeita de alegada "prevaricação". Num quadro destes, um governo, sublinho, que deve estar sempre acima de qualquer olhar enviesado, não deve continuar a governar. Deve sim, afastar-se e os seus membros disponibilizarem-se para a investigação que a Justiça entenda por necessária. Não se trata de condenar antes de ser condenado, mas o exercício da política deve ser norteado por princípios éticos e morais e de superior distanciamento entre os poderes legislativo e o judicial.
Não se trata de "garotices" e de "calúnias" como afirmou o presidente do governo regional, mas de uma investigação assente em alegadas condutas que não se coadunam com o legalmente definido. E por mais voltas que o presidente do governo dê, por mais que tente dissimular, a dúvida está instalada junto do povo eleitor a partir do "buraco" criado e da não apresentação de contas em tempo devido. De nada vale os secretários virem afirmar a sua inocência, quando todos faziam e fazem parte de um executivo que aceitou e deliberou determinados comportamentos. Eu fui vereador sem pelouro da Câmara Municipal do Funchal. Ainda há poucas semanas fui chamado a pronunciar-me sobre uma decisão que a Câmara tinha assumido por unanimidade e que o Ministério Público entendeu investigar. O processo decorre há quase dez anos e lá tive de ir esclarecer o meu ponto de vista, apesar de ser um vereador da oposição e sem pelouro atribuído. Poderia daqui se inferir a nula responsabilidade da minha parte, mas não, o executivo, com ou sem pelouro, é colectivamente responsável pelas decisões. E assim deve ser. 
No processo que envolve o governo existe uma gravíssima mancha política que já não pode ser apagada. E essa é que conta. As questões relacionadas com a Justiça é um outro campo de análise. É que não se trata de um membro do governo visado por uma determinada conduta, mas sim, alegadamente, todo o executivo. Portanto, a partir do momento que se verifique uma decisão do Ministério Público, parece-me óbvio que o governo regional, por sua iniciativa, deve apresentar a sua demissão, pois deixa de ter a credibilidade necessária que se exige a quem governa. Não vale a pena andarem com paleio, com fait-divers, com frases enquadradas no âmbito da "tranquilidade da consciência", porque a mancha existe e desde há muito. 
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

PORQUE SE HÁ FUMO... HÁ CERTAMENTE FOGO!

EM TOTAL SOLIDARIEDADE PARA COM OS OFENDIDOS


O(s) autor(es) que coloquem a mão na consciência e pensem um pouco se gostariam de ver a sua vida vasculhada e completamente destruída em meia-dúzia de linhas. É que parece que há gente sem pudor e que se alimenta do estrume, do esgoto, da infâmia, da porcaria politicamente nauseabunda. Façam esse esforço. Um esforço introspectivo, cerrem os olhos e pensem se melhor não será discordar dos outros pontos de vista, de forma incisiva, mas com o natural respeito pelas pessoas. A Democracia e a concomitante Liberdade não significam a capacidade de cada um fazer e dizer o que lhe dá na real gana. Há uma linha de fronteira limitadora do que é admissível do que é desprezível e socialmente punível. Quem assim age denuncia que alguma coisa se esvai entre os dedos ou, então, a soldo de alguém, comete o erro de atentar contra o seu semelhante, porventura, quando são imensos os telhados de vidro de quem escreve. 


O insulto gratuito e a maledicência constituem
um regresso, nunca uma atitude própria
do Homem bem formado.
Os blogues são espaços de comunicação que devem ser utilizados com seriedade e rigor. Uma coisa é a crítica, mesmo que acirrada e mordaz, outra, a sua utilização para ataques pessoais do mais miserável e cretino que alguém possa imaginar; uma coisa é a denúncia de casos e situações de natureza política que têm a ver com o colectivo que todos formamos, outra é visar pessoas, entrando na esfera pessoal, denegrindo percursos de vida através da palavra mentirosa. 
A qualquer pessoa, minimamente bem formada, mete nojo o que por aí anda. Ainda por cima, sem rosto, de forma anónima, seja lá quem for, de um momento para outro vê-se na lama, no esgoto que alguns entendem transformar o debate que pode ser contundente, mas liberto do mau cheiro. Não sei, porque não sou especialista nas áreas da saúde, mas saudáveis não são as pessoas que entram pela maledicência de raiz ordinária. Vi e não vi, li e não li, apenas, por respeito pelo ser humano e pela sua dignidade das pessoas ofendidas, apaguei e denunciei. Ponto final. 
O(s) autor(es) que coloquem a mão na consciência e pensem um pouco se gostariam de ver a sua vida vasculhada e completamente destruída em meia-dúzia de linhas. É que parece que há gente sem pudor e que se alimenta do estrume, do esgoto, da infâmia, da porcaria politicamente nauseabunda. Façam esse esforço. Um esforço introspectivo, cerrem os olhos e pensem se melhor não será discordar dos outros pontos de vista, de forma incisiva, mas com o natural respeito pelas pessoas. A Democracia e a concomitante Liberdade não significam a capacidade de cada um fazer e dizer o que lhe dá na real gana. Há uma linha de fronteira limitadora do que é admissível do que é desprezível e socialmente punível. Quem assim age denuncia que alguma coisa se esvai entre os dedos ou, então, a soldo de alguém, comete o erro de atentar contra o seu semelhante, porventura, quando são imensos os telhados de vidro de quem escreve. 
Mesmo quando os tempos não são de feição para o poder que há muito se governa, aqueles que o defendem pelos mais variados interesses pessoais ou de grupo, devem subordinar-se às regras da Democracia e às regras do debate plural sem que daí se possa deduzir que esse é um campo de vale tudo! Não vale. Há limites impostos, éticos e morais, de responsabilidade e de respeito pelo ser humano que não podem, em circunstância alguma, serem pisados quanto mais ultrapassados. 
E por aqui fico em total solidariedade para com os ofendidos. 
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

OS "CACHORROS" TAMBÉM VOTAM...


Foi esse povo humilde, descamisado, que ao longo dos anos foi acreditando na sua palavra, que foi tratado abaixo de cão. Num momento que, alegadamente, ele e muitos dos seus pares de governo serão chamados a explicar, perante a Justiça, "os actos e omissões" de muitos anos de governação, quem deveria ter a sensatez de conduzir o processo político com responsabilidade, acaba por fazer exactamente o contrário, dando uma imagem pública de "perdido a velas e perdido a remos". Depois disto, resta-lhe a saída pela porta dos fundos. Se tem, ainda, do ponto de vista político, um pingo de vergonha e de sensatez, deve partir, colocar o lugar à disposição, libertar-se e libertar o povo, todavia, com a dignidade de enfrentar as situações que a Justiça pretende ver esclarecidas.


A partir de agora pressuponho que seja sempre a descer na credibilidade. Aliás, que já era pouca. Quando o Presidente do Governo Regional da Madeira dirige-se ao povo dizendo que "(...) Não vale a pena ladrar, porque ainda não aprenderam a ser cachorros", penso que, politicamente, acabou. Enquanto houve dinheiro, enquanto jorraram muitos milhões que abafaram os reais problemas, o Dr. Jardim cantou de galo, andou por aí sempre de crista empinada, moveu processos a quem o colocou em causa, agora, mais cedo que tarde, a contas com a Justiça (deduz-se da comunicação social), ensaia, desesperadamente, uma nova estratégia, a do ataque às pessoas humildes, carenciadas, desempregadas, muitas com fome de tudo! 
O que ontem se passou no bairro da Nazaré, trata-se de uma miserável afronta precisamente a muitos daqueles que lhe garantiram vitórias eleitorais. Foi esse povo humilde, "descamisado", que ao longo dos anos acreditou na sua palavra, que foi tratado abaixo de cão. Num momento que, alegadamente, ele e muitos dos seus pares de governo serão chamados a explicar, perante a Justiça, "os actos e omissões" de muitos anos de governação, quem deveria ter a sensatez de conduzir o processo político com responsabilidade, acaba por fazer exactamente o contrário, dando uma imagem pública de "perdido a velas e perdido a remos". Depois disto, resta-lhe a saída pela porta dos fundos. Se tem, ainda, do ponto de vista político, um pingo de vergonha e de sensatez, deve partir, colocar o lugar à disposição, libertar-se e libertar o povo, todavia, com a dignidade de enfrentar as situações que a Justiça pretende ver esclarecidas.
Sei, no entanto, que tal não irá acontecer. Não conheço quem viva e sinta o poder, o desejo de parar. Chega a um ponto que o poder funciona como uma droga, cujos tremores só são atenuados com doses acrescidas. O poder fascina, pior ainda, quando a longevidade é significativa. Aí, todos os outros confrades sentem a necessidade daquele que distribui outros poderes, pequenos ou grandes. A sua retirada pode significar a saída de muitos que vivem à mesa do orçamento e, assim, sendo mais chefe do que líder, torna-se presa fácil da teia que ele próprio montou. O Dr. Jardim está confrontado entre a desesperada pressão interna e o iminente conflito social. Quando isto acontece, quando a fase do desespero toma conta da serenidade, mais fácil se torna cair em cima dos mais frágeis. Oxalá, não estejam já alguns a tentar descobrir os cabeças da manifestação popular. Oxalá!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

SENHOR DIRECTOR REGIONAL, NÃO A UMA ESCOLA REMEDIADORA SOCIAL


Pelo caminho que a Região e o País seguem só poderemos esperar crescimento, não da economia, mas do desemprego, da pobreza e, concomitantemente, da indisciplina e, logo mais, da violência. Não tenhamos grandes dúvidas a este respeito. E assim sendo, amanhã, em vez de dez equipas, precisarão de vinte e, mais tarde, de trinta, quarenta... por aí fora para combater a indisciplina. Andarão sempre a reboque dos problemas. Ademais, o melhor combate à indisciplina na escola deve partir de uma nova organização interna dos estabelecimentos de ensino. "A diferenciação resolve-se através da organização pedagógica da escola e não do currículo, diz-nos o Professor Catedrático João Formosinho. Esse é o caminho. Ora, este sistema organizacional foi ultrapassado e nem conta os responsáveis políticos se deram que mantinham os instrumentos de ontem para resolver as questões de hoje. Com edifícios sobrelotados, com mil e muitos alunos, com turmas a abarrotar, com uma clara perseguição aos professores, dispensando-os quando são necessários, com uma Escola fechada sobre si própria que não interage com todos os outros sistemas, que funciona por interruptor, isto é, alguém no governo despacha e ela cumpre, nesta escola despersonalizada, de números, tendencialmente impessoal, que não consegue gerar o ambiente necessário pelo "conhecimento poderoso", autónoma apenas no papel, pergunto, o que poderão fazer os Psicólogos? Atenuar a dor, sim, mas nunca no sentido de resolverem o problema que é muito mais grave e profundo. E o Dr. João Estanqueiro, certamente, sabe que assim é!



Segui as declarações do Director Regional de Educação, Dr. João Estanqueiro. Agradou-me uma parte das suas palavras, sobretudo quando sublinhou que estamos a viver em um "mundo de um só governo". Tem razão. Há muito que aqui teço considerações a esse respeito. Desde os primórdios dos anos 90, depois no interessante livro de Alvin Toffler (A Terceira Vaga 1984, entre outros autores), no qual aborda as vagas do passado e a vaga que aí vinha, a era do conhecimento e domínio tecnológico, da informação e comunicação, a era da completa ruptura com o passado, transportadora de tendências para a globalização e subordinação dos povos a meia-dúzia de directórios, que sabemos desse perigo de um "mundo de um só governo". Directórios que acabaram por definir, na expressão mais simples, desde o que comer, ao que vestir e até em quem votar. A engrenagem foi e é perfeita no quadro da subordinação do Homem à economia e não de uma economia ao serviço do Homem. Por aí, embora considere que muito haveria a dizer ou a especificar sobre esta matéria, estou de acordo com a posição do Dr. João Estanqueiro. E também estou, como corolário destas políticas de gente sem rosto, que milhões estejam hoje a sofrer as consequências da ganância, do dinheiro que não tem pátria, do egoísmo e da incapacidade dos mais fracos conseguirem realizar o necessário contraponto de sobrevivência. Gente que deslocaliza empresas de um para outro dia, gera o desemprego, faz crescer a pobreza e, naturalmente, o desespero. Tornou-se absolutamente natural que a Escola acabasse por reflectir a crescente onda de desesperança das famílias e, daí, o crescimento da indisciplina. É o corolário natural de quem está sob múltiplos factores de pressão. Disse o Director Regional: "A desagregação familiar, os problemas na família no fundo são trazidos para a escola, local onde o aluno passa mais tempo" (...) "São problemas decorrentes deste mundo em que praticamente não se olha às pessoas, olha-se só para a economia". Exacto. Assino por baixo.
Agora, já não assino por baixo quando sublinha, genérica e de forma abrangente, que "(...) vemos os nossos políticos falarem nas televisões e praticamente se esquecem que as pessoas existem. O que existe é apenas a parte económica e isso começa a ser assustador". Mas quais políticos, pergunto. Os de fora da Região? Sim, é verdade. E os de dentro da Região, responsáveis há mais de trinta anos pela organização social, pela economia, pelas finanças, pela educação, pela saúde, pelo sistema empresarial, pelo despesismo desenfreado, pela inversão das prioridades, enfim, o governo do qual o Dr. João Estanqueiro faz parte, não teve nem tem nada a ver com o que se está a passar numa Região que já foi autónoma e dispôs de todos os meios para que as taxas de desemprego e de pobreza não fossem aquelas que são? Então este governo não foi o causador do insucesso e do abandono quando de educação se fala? Não é este governo responsável por 85.000 não disporem mais do que o 2º ciclo do Ensino Básico? Se o Dr. João Estanqueiro está a falar, também, dos políticos do governo regional a que pertence, aí retiro este parágrafo e tenho-lhe a dizer que acertou no alvo. Se assim é, tiro-lhe o chapéu pela coragem que demonstrou no nesse acto de "mea culpa". Simplesmente porque há grandes e significativas responsabilidades locais, porque confundiram, entre muitos aspectos, crescimento com desenvolvimento. O sistema educativo que hoje temos na Madeira é, indiscutivelmente, a consequência de uma falta de visão e de atempada negociação. Prevaleceu a construção dos edifícios e não o que lá se faz portador de futuro. Interessou inaugurar e não criar as condições para o sucesso. E uma das condições era a de tornar o sistema educativo, não como reserva absoluta de competência legislativa da República, mas reserva relativa. Passaram-se trinta e tal anos, com várias revisões constitucionais, e nunca avançaram para uma caracterização de um país e três sistemas, apenas convergentes na matriz essencial. Não souberam fazer isso, como, por cá, onde era possível avançar em tantas áreas e domínios, sublinho, sem constrangimentos de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, não o fizeram, por incúria, irresponsabilidade e visão de futuro.
Finalmente, o Dr. João Estanqueiro perante este quadro de desastre político, económico, financeiro, social e cultural, quase apela à escola para que seja remediadora social. Não concordo. Quando sublinha que acredita na "capacidade das escolas para enfrentarem estes novos desafios, nomeadamente através das equipas multidisciplinares que foram constituídas e que actuam sempre de forma pró-activa" - reportava-se, obviamente, à indisciplina consequência dos problemas de uma sociedade desestruturada - considero que labora num erro grosseiro de análise. A Escola tem uma vocação e uma missão e não deve ser, repito, remediadora social. O governo é que tem de ir à raiz dos problemas e actuar de forma a gerar outros caminhos no sentido do bem-estar. Coisa que nunca fez! Embora as equipas constituídas, de acção pró-activa, sejam bem-vindas, elas não podem nem devem entrar para girar no círculo vicioso dos problemas resultantes das tensões sociais. Pelo caminho que a Região e o País seguem só poderemos esperar crescimento, não da economia, mas do desemprego, da pobreza e, concomitantemente, da indisciplina e, logo mais, da violência. Não tenhamos grandes dúvidas a este respeito. E assim sendo, amanhã, em vez de dez equipas, precisarão de vinte e, mais tarde, de trinta, quarenta... por aí fora. Andarão sempre a reboque dos problemas. Ademais, o melhor combate à indisciplina na escola deve partir de uma nova organização interna dos estabelecimentos de ensino. "A diferenciação resolve-se através da organização pedagógica da escola e não do currículo, diz-nos o Professor Catedrático João Formosinho. Esse é o caminho. Ora, este sistema organizacional foi ultrapassado e nem conta os responsáveis políticos se deram que mantinham os instrumentos de ontem para resolver as questões de hoje. Com edifícios sobrelotados, com mil e muitos alunos, com turmas a abarrotar, com uma clara perseguição aos professores, dispensando-os quando são necessários, com uma Escola fechada sobre si própria que não interage com todos os outros sistemas, que funciona por interruptor, isto é, alguém no governo despacha e ela cumpre, nesta escola despersonalizada, de números, tendencialmente impessoal, que não consegue gerar o ambiente necessário pelo "conhecimento poderoso", pergunto, o que poderão fazer os Psicólogos? Atenuar a dor, sim, mas nunca no sentido de resolverem o problema que é muito mais grave e profundo. E o Dr. João Estanqueiro, certamente, sabe que assim é!
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

"NÃO SOU TÉCNICO DE CONTAS DO GOVERNO"


Mais sensato teria sido se assumisse que está disponível para qualquer investigação. As suas responsabilidades políticas, no quadro do governo a que preside, implicam uma total disponibilidade para responder a todas as questões formuladas. Não pode, por isso, sacudir as responsabilidades para outrem, dizendo não ser "técnico de contas do governo", o mesmo, porventura, poderá significar que a responsabilidade é do secretário das finanças. Se assim quis dizer, também é criticável a sua atitude, pois que o secretário foi por si escolhido, dele tem dito que deposita a máxima confiança e, ademais, todos sabemos que nada se faz nesta região sem o aval do presidente do governo. Mas aquela expressão parece-me ter sido dita, como tantas outras, da boca para fora. Pela televisão vi-o com um ar de grande preocupação. O seu fácies isso demonstrou, muito distante do ar confiante e absoluto de outros tempos. Aliás, quando disse: "(...) o que é o inquérito Cuba Livre? Querem fazer política vão fazer para outro lado", o presidente demonstrou uma clara preocupação. Por um lado, porque sabe a investigação está em curso, daí que aquela interrogação seja despropositada; por outro, este é um caso político e de Justiça. A Justiça não está a fazer política com um caso, apenas está a investigar uma situação que tem uma raiz política.


Não está em causa se foi ou não solicitada a suspensão da imunidade ao Presidente do Governo Regional da Madeira, em função das investigações em curso no âmbito da operação "Cuba Livre" (não gosto desta designação); e não está em causa sequer se, entretanto, já foi ou não considerado arguido neste processo. Esses aspectos considero-os marginais porque a seu tempo serão conhecidos. E se houver matéria para tal, o Dr. Alberto João Jardim não é um cidadão acima da lei, pelo que tem o dever de, em sede própria, junto do poder judicial, explicar todas as dúvidas que os investigadores considerem necessários esclarecer. O que, para já é absolutamente anormal é dizer "(...) não sei nada disso [Cuba livre] nem sou técnico de contas do governo". Mais sensato teria sido se assumisse que está disponível para qualquer investigação. As suas responsabilidades políticas, no quadro do governo a que preside, implicam uma total disponibilidade para responder a todas as questões formuladas. Não pode, por isso, sacudir as responsabilidades para outrem, dizendo não ser "técnico de contas do governo", o mesmo, porventura, poderá significar que a responsabilidade é do secretário das finanças. Se assim quis dizer, também é criticável a sua atitude, pois que o secretário foi por si escolhido, dele tem dito que deposita a máxima confiança e, ademais, todos sabemos que nada se faz nesta região sem o aval do presidente do governo. 
Mas aquela expressão parece-me ter sido dita, como tantas outras, da boca para fora. Pela televisão vi-o com um ar de grande preocupação. O seu fácies isso demonstrou, muito distante do ar altivo, confiante e absoluto de outros tempos. Aliás, quando disse: "(...) o que é o inquérito Cuba Livre? Querem fazer política vão fazer para outro lado", o presidente demonstrou uma clara preocupação. Por um lado, porque sabe que a investigação está em curso, daí que aquela interrogação seja despropositada; por outro, este é um caso político e de Justiça. A Justiça não está a fazer política com um caso, apenas está a investigar uma situação que tem uma raiz política. A Justiça não pode ir "para outro lado", pregar para outra freguesia, porque não é ente político, ela tem de estar onde, alegadamente, existem casos que justificam uma actuação. Para além do mais, ao convidá-la a ir "para outro lado", o presidente do governo demonstrou duas coisas: desde logo, o sentido de estar acima de tudo e de todos; depois, que a Madeira deve ter a sua própria Justiça, aspecto desde há muito por si reclamado, apenas deixando para a República os Tribunais de Relação. Digamos que, mesmo os assuntos de raiz política, passíveis de criminalização, por aqui tenderiam a ser enterrados!
Esta procissão ainda não saiu ao adro, mas pressuponho que vai sair. Não digo isto no sentido de um julgamento antecipado. À Justiça o que a ela pertence. Enquanto cidadão tenho apenas todo o interesse em conhecer o processo e, neste caso, ninguém pode fugir às suas responsabilidades. Ter maioria absoluta não significa ter poder absoluto, pelo que o Presidente do Governo, no caso de ser solicitado o levantamento da sua imunidade, não deve refugiar-se e continuar a despejar para cima de outros a sua responsabilidade relativamente aos actos de governação. Deve ser o primeiro a disponibilizar-se e a esclarecer tudo, mas tudo. Estranho é a pressa da Assembleia em produzir um comunicado, quando, enquanto primeiro órgão de poder da Região, deveria acautelar a sua imagem de poder legislativo e fiscalizador do governo. Pareceu-me um comunicado por encomenda, o que não fica bem a uma instituição que deveria também querer saber toda a verdade. Mas, enfim, aguardemos pelos próximos capítulos.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A DEMOCRACIA SÓ PODE SER EXPLICADA POR DEMOCRATAS


O problema não está na Assembleia ir à escola, pois, do meu ponto de vista, a questão é muito mais vasta e complexa. A pedagogia da democracia resolve-se com professores completamente livres e empenhados na transformação organizacional dos estabelecimentos de educação e ensino, de tal forma que a transversalidade dos conteúdos constituam meios poderosíssimos no sentido da conquista de uma mentalidade verdadeiramente democrática. Uma Escola que não é democrática, no sentido mais extenso do conceito, não está em condições de poder fazer a pedagogia da democracia. Uma escola livresca, de manuais e de avaliações, uma escola de toca-entra-toca-sai, onde interessam mais as respostas do que as perguntas, obviamente que não consegue libertar no sentido de uma espiral para fora tendo o aluno no centro dessa espiral. Aliás, parece-me sensível um paradoxo que conduz à pergunta: como pode a Assembleia querer falar de democracia se ela própria não é democrática?


Li que a Assembleia Legislativa da Madeira terá pela 124ª vez visitado uma escola no âmbito da iniciativa, segundo me apercebi, "A Assembleia vai à escola". Lamento ter que dizê-lo, mas este tipo de iniciativa vale zero. Insere-se mais no quadro de "um número político", integrado no programa circense da política regional, do que propriamente uma iniciativa com consistência pedagógica no que concerne à vida e vivência da Democracia. É das tais iniciativas que nascem, vivem e morrem no instante. São absolutamente neutras e, portanto, delas não se pode esperar qualquer consequência benéfica para o entendimento do exercício da política. Trata-se, repito, de "um número" inconsequente.
O problema não está na Assembleia ir à escola, pois, do meu ponto de vista, a questão é muito mais vasta e complexa. Nem é seu mister por aí enveredar. A pedagogia da democracia resolve-se com professores completamente livres e empenhados na transformação organizacional dos estabelecimentos de educação e ensino, de tal forma que a transversalidade dos conteúdos constituam meios poderosíssimos no sentido da conquista de uma mentalidade verdadeiramente democrática. Uma Escola que não é democrática, no sentido mais extenso do conceito, não está em condições de poder fazer a pedagogia da democracia. Uma escola livresca, de manuais e de avaliações, uma escola de toca-entra-toca-sai, onde interessam mais as respostas do que as perguntas, obviamente que não consegue libertar no sentido de uma espiral para fora tendo o aluno no centro dessa espiral. 
A escola de hoje, aliás, de sempre, embora pintada de fresco, essa espiral tende a ser feita de fora para dentro, condicionando e enredando o aluno naquilo que interessa ao poder político. Crianças despertas para o mundo serão, naturalmente, adultos com uma visão alargada dos problemas, que sabem cruzar tudo o que lhes apresentam, capazes de produzirem sínteses e de saberem dizer não, quando assim o entenderem. E a verdade é que, desde há muito, subtilmente, os políticos rejeitam-na, condicionando a liberdade da escola, oferecendo uma autonomia mitigada ao jeito da notável síntese do Professor Licínio Lima: "sejam autónomos nas decisões que já tomámos por vós". É esta escola condicionada e condicionante, antidemocrática, com parcos meios, de sentido vertical, que também é geradora de medos sem fim. Quantos professores me confidenciaram os seus receios em abordagens no quadro da democracia, não vá ser mal interpretado no seio da escola e até junto dos pais dos seus alunos! Uma coisa, por exemplo, no quadro da História, é abordagem da "Revolução Francesa"; outra, por extensão, a sua contextualização histórica trazida até aos nossos dias. Ficar pelas datas não chega e este é apenas um exemplo. A pedagogia da democracia e da respectiva existência de órgãos democráticos passa, inevitavelmente, pela liberdade, pela mentalidade, pela responsabilidade, pela autonomia, por uma outra organização dos estabelecimentos de educação e ensino e não pelos actos condicionadores que fazem da escola um ponto de encontro e, raramente, um ponto de partida.
Pode a Assembleia percorrer todas as escolas da Região que nada adiantará. Aliás, parece-me sensível um paradoxo que conduz à pergunta: como pode a Assembleia querer falar de democracia se ela própria não é democrática? A democracia formal tem terminado na contagem dos votos que estabelece o número dos eleitos por cada força partidária concorrente. E a DEMOCRACIA é muito mais do que isso. Quando não se discute de forma séria e empenhada, quando a decisões têm mais a ver com os interesses partidários do que propriamente com os interesses do povo eleitor, quando a Assembleia se demite de investigar, quando a irracionalidade do "chumbo" das propostas é prevalecente, mesmo que de bons conteúdos se trate, quando a Assembleia se deixa ultrapassar pelo governo, questiono, que importância e que efeitos terão as explicações oferecidas aos meninos? Treta, apenas fumo que o vento leva!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

CIDADES E LUGARES 712 - ÓPERA DE BUDAPESTE/HUNGRIA



O Teatro de Ópera de Budapeste é uma das mais importantes relíquias da cidade. Foi inaugurado em 27 de Setembro de 1884, com a presença do Imperador Francisco José. 
Clique na foto para ampliá-la.
Foto de arquivo pessoal.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

COITADO, RELVAS NÃO CONSEGUE DORMIR BEM!


"O desemprego e o desemprego jovem tiram-me o sono. Não sou insensível. Insensível são aqueles que no discurso se preocupam com o desemprego e na prática nada fazem". Coitadinho do senhor Miguel Relvas que não consegue adormecer, ele que aconselhou aos jovens para terem os olhos no Mundo. Isto é, de uma forma eufemística disse aos jovens, à força do nosso País, emigrem, não fiquem cá, vão "morrer" para longe. E, curiosamente, falou deste assunto em Penela, no centro-interior de Portugal, onde a desertificação acontece, onde não é necessário o governo sugerir a busca do ganha pão para além das fronteiras, pois os próprios habitantes há muito assim decidiram. Disse o ministro Relvas: vive-se "um tempo de incerteza em Portugal como em toda a Europa" e o país "precisa necessariamente de exportar e precisa de encontrar novos mercados". Precisa, no seu entendimento, de "exportar" também inteligência, os seus recursos humanos e, naturalmente, o que ainda consegue produzir. Ele, Relvas, a quem o desemprego jovem lhe tira o sono, não o choca assistir a tanto jovem, de qualidade, a exercer a sua actividade fora do país, jovens reconhecidos em variadíssimas áreas técnicas e científicas, obrigados que andam a desempenhar lá fora o que este governo não garante cá dentro! Foi Miguel Relvas que disse: quando vejo os jovens lá fora, fica-me a "sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão".


Não tenho e poucos certamente terão algum respeito político pelo Ministro Miguel Relvas. Desde a forma como chegou a "Licenciado" (para mim trata-se do senhor Miguel Relvas) até à sua prática política, sinceramente, não gosto. Relativamente à sua licenciatura, preocupa-me o facto de uma universidade garanta um diploma sem o "aluno" sentar o rabinho na sala de aula a ouvir os docentes, isto é, garanta um título académico baseado em quatro exames(!) e 32 equivalências, por créditos atribuídos ao seu currículo profissional. "A avaliação das "competências adquiridas ao longo da vida" teve em conta os nove cargos que o ministro ocupou seja como membro da delegação portuguesa da NATO, entre 1999 a 2002 ou como secretário da direcção do grupo parlamentar do PSD entre 1987 e 2001. Até contou a avaliação do "exercício de funções privadas, empresariais e de intervenção social e cultural", pelo que o antigo "aluno" da Lusófona adquiriu equivalências a mais 15 disciplinas". É obra! No final disto, onze de média! Como chegaram a este valor, que ponderações e que critérios foram utilizados? Simplesmente, aberrante. Escrevi a 05.07.2012 um texto sobre esta matéria e aí não quero regressar. E se dele volto a falar é apenas pelas suas declarações no decorrer do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), em Lisboa, quando questionado sobre os elevados valores do desemprego entre os jovens, que ronda já os 40%: "O desemprego e o desemprego jovem tiram-me o sono. Não sou insensível. Insensível são aqueles que no discurso se preocupam com o desemprego e na prática nada fazem". Coitadinho do senhor Miguel Relvas que não consegue adormecer, ele que aconselhou aos jovens para terem os olhos no Mundo. Isto é, de uma forma eufemística disse aos jovens, à força do nosso País, emigrem, não fiquem cá, vão "morrer" para longe. E, curiosamente, falou deste assunto em Penela, no centro-interior de Portugal, onde a desertificação acontece, onde não é necessário o governo sugerir a busca do ganha pão para além das fronteiras, pois os próprios habitantes há muito assim decidiram. Disse, nessa altura, o ministro Relvas: vive-se "um tempo de incerteza em Portugal como em toda a Europa" e o país "precisa necessariamente de exportar e precisa de encontrar novos mercados". Precisa, no seu entendimento, de "exportar" também inteligência, os seus recursos humanos e, naturalmente, o que ainda consegue produzir. Ele, Relvas, a quem o desemprego jovem lhe tira o sono, não o choca assistir a tanto jovem, de qualidade, a exercer a sua actividade fora do país, jovens reconhecidos em variadíssimas áreas técnicas e científicas, obrigados que andam a desempenhar lá fora o que este governo não garante cá dentro! Foi Miguel Relvas que disse: quando vejo os jovens lá fora, fica-me a "sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão". 
Miguel Relvas dá-me a ideia de um vendedor de banha da cobra com dois discursos distintos: um para o povo e outro que guia os seus interesses. Espertalhão, conseguiu um diploma que deveria ser devolvido, se Bolonha fosse outra coisa e não aquilo que é; chega a ministro e sugere aos jovens o caminho da emigração; agora, com 40% de jovens no desemprego ou à procura de um primeiro emprego, diz-se com noites mal passadas devido a tão grave preocupação. Mas é este ministro, assobiado em todo o sítio onde aparece, que tem os cordelinhos da governação do País. É este homem, que deseja a privatização de todos os sectores estratégicos do País, que não se lhe vê uma única ideia no sentido de tornar próspera a vida dos portugueses. Por mim, certamente, em nome de milhares de jovens, vá embora, emigre, porque se a vida de emigrante é boa, talvez seja uma forma de começar a dormir bem!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

DRAMÁTICO



O gráfico apresentado na edição de hoje do DN-Madeira é verdadeiramente DRAMÁTICO. O problema é que não vemos o governo regional minimamente preocupado. Vão "empurrando com a barriga", dizendo que Lisboa é a culpada e, como se aqueles números não fossem extremamente preocupantes, continuam por aí a gastar onde não devem. Dificilmente alguém poderá, com alguma exactidão, prognosticar qual a cifra do desemprego até ao final do ano.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

"CONTENCIOSO DAS AUTONOMIAS". APENAS PALEIO PORQUE O PROBLEMA É OUTRO.


Do meu ponto de vista, não existe qualquer "contencioso autonómico". O que existe e sempre existiu foi uma incapacidade política para negociar e gerir a Autonomia numa perspectiva de evolução contínua. De crescer autonomicamente com responsabilidade e sem criar graves problemas ao País a que todos pertencemos. Problemas sobretudo de natureza orçamental. Por isso, quando vêm com a treta do "contencioso das autonomias" parece que por lá estão os maus e, por aqui, os santos! Não é esse o meu entendimento. Se quero ser respeitado tenho que me dar ao respeito. Só assim posso ter moral para falar, negociar, exigir e progredir. Não é que por lá não existam olhos enviesados, não é que por lá, não abundem políticos que não entendam Portugal nas ilhas, a especificidade e o direito de querermos ser diferentes, o problema é outro, a questão é a luta tonta e sem nível que durante anos norteou o discurso político entre a Madeira e a República. Se Alberto João Jardim tivesse um pouco de pudor já tinha abandonado, ou melhor, apresentado a sua demissão, tal como em 2007, agora, por outras razões, entre as quais a sua pública e notória incapacidade para sair do buraco onde nos meteu.

"Contencioso das Autonomias"!
Estamos é a pagar a luta
tonta e sem nível.
Exacto. "Jardim não se demite como em 2007, porque concorda com a Lei das Finanças Regionais". Esta declaração do líder do PS-Madeira, Victor Freitas, acerta no alvo. E porquê? Ele sabe o que andou a fazer durante mais de três dezenas de anos, sabe que, aqui sim, viveu muito acima das suas possibilidades enquanto governante, sabe que andou sempre a "espingardar" com a República, sabe que, em 2007, pela onda que se estava a formar junto da população, as suas hipóteses de vitória eram menores nas eleições seguintes, sabe que, politicamente, mentiu sobre a realidade e sabe, também, que escondeu dos eleitores a verdadeira situação das contas públicas. Ele sabe de tudo isto e muito mais, pelo que não tem agora outro remédio senão amouchar, qual pretensa águia velhinha que não vai além de voos muito rastejantes. A dívida, a gravíssima situação da taxa de desemprego e a galopante pobreza não lhe concedem possibilidades de manutenção de um estado altivo e de nariz empinado. Tem de aceitar tudo, inclusive, a Lei das Finanças Regionais, a tal que vai retirar aos madeirenses 345 milhões em quatro anos. E numa encenação pobre e ridícula, tendo em conta o passado, os deputados na Assembleia da República votaram contra a Lei. Não poderiam fazer outra coisa para salvar as aparências. Quem deve, no plano da governação o que a Madeira deve, é evidente que não está em condições de negociar seja o que for. E o pior, ainda, é o CDS/PP que continua com dois discursos, um na República e outro na Madeira. Eu sei que, politicamente, a situação é incómoda, mas está aos olhos de quem quiser ver, através de alguns indicadores, que a posição do presidente do CDS-Madeira, José Manuel Rodrigues, tem muito que se lhe diga.Trata-se de um discurso tipo uma no cravo, outra na ferradura, isto é, não se coligam, enfraquecendo a oposição, talvez na esperança de um acordo pós-eleitoral com aqueles que nos trouxeram até aqui; por outro, trata-se de um discurso preocupante, quando leio a defesa do "contencioso das autonomias", exactamente, a mesma expressão utilizada por Alberto João Jardim durante largos anos. 
Ora, do meu ponto de vista, não existe qualquer "contencioso autonómico". O que existe e sempre existiu foi  uma incapacidade política para negociar e gerir a Autonomia numa perspectiva de evolução contínua. De crescer autonomicamente com responsabilidade e sem criar graves problemas ao País a que todos pertencemos. Problemas sobretudo de natureza orçamental. Por isso, quando vêm com a treta do "contencioso das autonomias" parece que por lá estão os maus e, por aqui, os santos! Não é esse o meu entendimento. Se quero ser respeitado tenho que me dar ao respeito. Só assim posso ter moral para falar, negociar, exigir e progredir. Não é que por lá não existam olhos enviesados, não é que por lá, não abundem políticos que não entendam Portugal nas ilhas, a especificidade e o direito de querermos ser diferentes, o problema é outro, a questão é a luta tonta e sem nível que durante anos norteou o discurso político entre a Madeira e a República. Se Alberto João Jardim tivesse um pouco de pudor já tinha abandonado, ou melhor, apresentado a sua demissão, tal como em 2007, agora, por outras razões, entre as quais a sua pública e notória incapacidade para sair do buraco onde nos meteu.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

EM CADA 100... 20 ESTÃO DESEMPREGADOS!



FIM DE ESTRADA

Ontem li um texto do Jornalista Ricardo Duarte Freitas, absolutamente esclarecedor da situação que se vive. Peço-lhe licença para aqui publicar uma parte que considerei significativa. Tem muito a ver com as políticas seguidas, onde a Economia foi esquecida. A preocupação foi construir, a torto e a direito, gastando à grande e à francesa, o que conduziu, sublinha o Jornalista, à "falência da ‘Madeira Nova’, essa fábrica ilusionista que mais desempregados produziu no sector da construção civil". Vale a pena ler.  
"(...) A orografia explica muita coisa, mas não explica tudo. Mais duro do que o basalto é a cabeça de um desgoverno obcecado em tirar proveitos e dividendos da política de asfalto sobre betão armado que foi realmente estruturante durante duas décadas mas que nos últimos anos vem alinhando cadernos de encargos de obras com calendários eleitorais e iludindo o povo. Fizeram-se as estradas que podíamos ter e aquelas que não podíamos pagar. A quem serve o túnel da via expresso em São Vicente, um corredor de mercadorias perigosas com mais de 2.400 metros onde não há uma única boca-de-incêndio sequer? A quem serve os 40 milhões de euros em juros reclamados pelas construtoras? Quem responde pela dívida de 247 milhões e pelas fases de sete empreitadas das vias expresso, paradas no norte e oeste da ilha? No fim de estrada está a falência da ‘Madeira Nova’, essa fábrica ilusionista que mais desempregados produziu no sector da construção civil. O desígnio do desenvolvimento sustentável preconizado durante décadas resume-se hoje a túneis sem luz ao fundo e estradas sem saída. É assustador que uma região com as características geográficas e com a importância turística que a Madeira tem despreze tanto a componente segurança na sua rede rodoviária regional. Como pode a região da União Europeia com mais túneis por área dar-se ao luxo de dispensar-se de cumprir os requisitos mínimos de segurança sugeridos numa Directiva Comunitária? (...)"

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

19,7% DE DESEMPREGO. E AQUI VAMOS!


Então o Sócrates foi culpado pelo estado a que o País chegou (hoje já dizem por aí, volta que estás perdoado), apenas por seis anos de governação, e aqui, a caminho de quarenta anos de poder absoluto, de quem é a culpa? Morrerá solteira? Alberto João Jardim, em todos os actos eleitorais legislativos, não dispôs de maioria absoluta? O PSD-M não teve, por isso, maioria parlamentar para fazer o que quis e entendeu? Não montou uma monumental engrenagem de secretarias, direcções regionais, institutos, sociedades de desenvolvimento, o controlo de todos os municípios e de quase todas as juntas de freguesia, casas do povo, clubes, enfim, tudo o que por cá abanasse não foi controlado? Não dispôs de um Jornal da Madeira para a sua propaganda? Não contou com fundos europeus que, inclusive, levou um secretário a confidenciar-me que "dinheiro é coisa que não falta"? Mais, tal como um dia disse, não dispôs dos Bispos que interessavam à Madeira? Então a culpa é de Lisboa? Que raio de governante este que não assume as culpas, com humildade? Por que não vai vender o seu peixe para outra freguesia? Deixe-nos da mão! Reforme-se da política e vá embora. Já não há quem o aguente. 


Contava...!
E como sempre acontece a culpa é das políticas de Lisboa, disse o presidente do governo regional, agora a inaugurar umas ruelas no Jardim do Mar. "Já se sabe que é preocupante, as coisas como estão, já se esperava isto. Se não há margem para a Região fazer mais investimento, obviamente que essa é a consequência". Ele nem pensa que o zé povinho é capaz de se interrogar: mas, afinal, a Região que tem um espaço geográfico limitadíssimo e uma área habitacional condicionada, onde é que ele, mais cedo do que tarde, lançaria obras? No Paul da Serra? Mais túneis, marinas, piscinas e centros cívicos? Ou será que o que se está a passar é a consequência de uma grosseira falta de planeamento e de uma claríssima falta de respeito pelo cumprimento dos mais elementares princípios do desenvolvimento? Então o Sócrates foi culpado pelo estado a que o País chegou (hoje já dizem por aí, volta que estás perdoado), apenas por seis anos de governação, e aqui, a caminho de quarenta anos de poder absoluto, de quem é a culpa? Morrerá solteira? Alberto João Jardim, em todos os actos eleitorais legislativos, não dispôs de maioria absoluta? O PSD-M não teve, por isso, maioria parlamentar para fazer o que quis e entendeu? Não montou uma monumental engrenagem de secretarias, direcções regionais, institutos, sociedades de desenvolvimento, o controlo de todos os municípios e de quase todas as juntas de freguesia, casas do povo, clubes, enfim, tudo o que por cá abanasse não foi controlado? Não dispôs de um Jornal da Madeira para a sua propaganda? Não contou com fundos europeus que, inclusive, levou um secretário a confidenciar-me que "dinheiro é coisa que não falta"? Mais, tal como um dia disse, não dispôs dos Bispos que interessavam à Madeira? Então a culpa é de Lisboa? Que raio de governante este que não assume as culpas, com humildade? Por que não vai vender o seu peixe para outra freguesia? Deixe-nos da mão! Reforme-se da política e vá embora. Já não há quem o aguente. 
Quando a taxa de desemprego era muito inferior aos 10%, na Assembleia Legislativa foram tantas e tantas as chamadas de atenção, tantos os alertas que a Região caminhava para uma situação insustentável. Negaram, sistematicamente. E lá aparecia o secretário Brazão de Castro, em um titânico esforço de tira daqui e põe acolá, martelando os números, para que a taxa nunca fosse a verdadeira. Foi assim durante anos, mas todos sabíamos que ela crescia e um dia a verdade seria conhecida. O próprio INE desconfiou e chamou a si essa responsabilidade e, hoje, a Madeira está em cima dos 20% (22.636 desempregados). Lamentavelmente irá crescer ao longo deste ano. E o "chefe das Angústias", no meio deste carnaval governativo trapalhão, serenamente, diz que não tem nada a ver com isso, que a culpa é de Lisboa. 
Se este político fosse sério teria de justificar, no Parlamento, esta situação de completa ruptura económica e social. Teria de ir ali não só justificar como apresentar as respectivas soluções. Mas não, fica na quinta, enclausurado, preparando umas bocas, pequenas ou grandes, ou, então, apertando as porcas aos parafusos que se vão soltando na Rua dos Netos. Que tristeza e que modelo de governação infame que trata todos por estúpidos, conduz o povo à pobreza ao mesmo tempo que sacode dos ombros as suas responsabilidades. Quantos dias faltam para a mudança?
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A NORMAL ANORMALIDADE...


O problema é saber se o povo vai continuar a bater palmas a um político e a todo o seu séquito depois de ter ficado entalado, espremido e sem possibilidades de contornar as situações de aflição. Se esse povo, descoberto o logro em que caiu, continuará a abanar a bandeirinha e, de joelhos, nas urnas, deitará o voto naquele que o "entroikou". O problema é saber se o povo vai olhar para a situação, se conseguirá produzir uma síntese e correr, por muitos anos, esta gentinha sôfrega de poder e de benesses à custa dos que pouco ou nada têm. O problema reside aí, na continuação ou na mudança capaz de eliminar os erros, negociar a situação difícil e complexa e, a prazo, devolver um quadro de felicidade ao povo desta terra. Creio que é muito difícil. As raízes são profundas e extensas, no sangue corre uma certa mentalidade de escravo, o analfabetismo existe e a Igreja não ajuda, apenas pede "fé e oração". Mas apesar da dificuldade, apesar do caminho ser muito estreito, penso que é possível romper este círculo vicioso, esta canga que colocaram no povo, este contínuo baile pesado, curvado e de nariz junto aos joelhos. 


Uma região, com cerca de 260.000 habitantes, dever mais de seis mil milhões de euros, fora as parcerias público-privadas, é coisa muito preocupante, mas já era conhecido. Mas ter facturas por pagar há quase seis anos, isso é politicamente imperdoável. Na prática significa que um fornecedor espera mais de 2000 dias para ver a cor do dinheiro em função de um dado fornecimento. E o que mais deixa estupefacto um cidadão cumpridor das suas responsabilidades é o presidente do governo, ainda ontem, com uma incomensurável lata política, no cortejo trapalhão, ter dito: "alguma vez me viu incomodado com as críticas"? Pois, o dinheiro não é dele, as empresas não são dele e o desemprego é, porventura, da responsabilidade de Lisboa. Ele até nem presidente foi do governo regional! Incomodado devem ficar os pobres desta terra, os que estão a ser duplamente espoliados pelas loucuras políticas cometidas em nome de um crescimento que não se transformou em desenvolvimento humano. Como pode um sujeito absolutamente normal no que concerne à responsabilidade política, assumir que não se incomoda, se calhar que dorme bem, quando há gente aflita no sistema empresarial, gente que não tem outra alternativa senão dispensar trabalhadores engrossando a longa listagem dos condenados à pobreza? Que ausência de sentimento e de fuga às responsabilidades, que displicência evidenciam todos aqueles que erraram e que não fazem um mínimo esforço de correcção da agulha da governação? Raios os partam todos!
O problema é saber se o povo vai continuar a bater palmas a um político e a todo o seu séquito depois de ter ficado entalado, espremido e sem possibilidades de contornar as situações de aflição. Se esse povo, descoberto o logro em que caiu, continuará a abanar a bandeirinha e, de joelhos, nas urnas, deitará o voto naquele que o "entroikou". O problema é saber se o povo vai olhar para a situação, se conseguirá produzir uma síntese e correr, por muitos anos, esta gentinha sôfrega de poder e de benesses à custa dos que pouco ou nada têm. O problema reside aí, na continuação ou na mudança capaz de eliminar os erros, negociar a situação difícil e complexa e, a prazo, devolver um quadro de felicidade ao povo desta terra. Creio que é muito difícil. As raízes são profundas e extensas, no sangue corre uma certa mentalidade de escravo, o analfabetismo existe e a Igreja não ajuda, apenas pede "fé e oração". Mas apesar da dificuldade, apesar do caminho ser muito estreito, penso que é possível romper este círculo vicioso, esta canga que colocaram no povo, este contínuo baile pesado, curvado e de nariz junto aos joelhos. É possível se muitos da nossa sociedade olharem para si próprios, deixarem os egoísmos e libertarem-se desta pouca-vergonha, deste pântano para o qual ele nos conduziu. Se estão à espera de um milagre, através da entrega a outros nomes na praça que apesar de terem lido o mesmo livrinho do chefe durante todos estes anos, apresentam-se como solução, desenganem-se os que assim possam pensar. A farinha é igual, o rol dos amigos o mesmo, os interesses idênticos e as possíveis coligações pós-eleitorais irão dar à mesma praça onde todos convivem e desenham o futuro. Uma mudança impõe políticas diferentes, estratégias diferentes e actores diferentes. Só vejo esse caminho.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

DAS "VIDAS À DERIVA", AO ASSALTO À TELEVISÃO, PASSANDO PELOS SILÊNCIOS CÚMPLICES


Os tais senhores também andam por aqui, passeiam-se há muitos anos na Região. Estão identificados, governam e governam-se. Parecendo "perdidos a velas e a remos", retomam um novo fôlego e toca a controlar o resto da comunicação social. "Serviço Público" independente e capaz de ir ao fundo das questões, isso não, pensam. Isso constituiria colocar em xeque muitos interesses e, sobretudo, abrir os olhos a muita gente. Importante, para além do Jornal da Madeira, é tomar de assalto a televisão, colocar lá quem bem querem e entendem, fazendo da comunicação social os grandes "gestores das mentes" da próxima fase política. Tudo com o aval de Lisboa, com o enervante silêncio do Presidente da República, mas tudo no prosseguimento desse controlo da sociedade que interessa a uns quantos, também aqui, nesta região, aos tais que se estão nas tintas para o desemprego de milhares desde que aumentem a sua riqueza por via directa ou indirecta.


"Vidas à deriva" é o excelente título atribuído pela jornalista Raquel Gonçalves a uma peça sobre aqueles que caíram no desemprego. O texto começa assim: "A frase é de Andreia, educadora de infância no desemprego deste Setembro do ano passado. Com duas filhas para criar praticamente sozinha, diz que já não faz planos. Vive um dia de cada vez, mas não esconde o calafrio daquela data exacta no calendário em que vai terminar o subsídio de desemprego". O quadro arrepia. Basta cerrar os olhos e interiorizar uma situação de desemprego face às despesas de todos os meses; interiorizar que existem filhos, habitação, alimentação, educação, saúde, água, energia, comunicações, televisão, vestuário e calçado, enfim, uma montanha de facturas que vão caindo e não ter possibilidades de equilibrar a balança; interiorizar a penosidade de uma situação desta natureza face à esperança criada e sonhos de uma vida com alguma felicidade; interiorizar a tortura psicológica de depender de outros, pais, avós, vizinhos e instituições de solidariedade social. Basta apenas isto, para nos situarmos na dor que muita gente sente. Gente que não viveu acima das suas possibilidades, mas que os senhores do mundo, assim querendo, atiraram-os, subtilmente, para o inferno da vida. Aqueles têm direito à carne, a toda a carne, os outros que se amanhem com os ossos, se houver! Um dia, estou certo, esta crise será explicada à luz da História, não a história que alguns nos querem contar ou fazer crer, mas uma outra que narrará a monumental, "inteligente" mas perversa engrenagem em que todos caímos. Ofereceram doces, muitos doces, criaram uma atmosfera de facilidades ao mesmo tempo que, matreiramente, foram retirando direitos, um aqui outro acolá, e o povo, melhor dizendo, os trabalhadores, pouco desconfiados, foram aplaudindo, não conseguiram ver longe, ao ponto de hoje estarem claramente encostados à parede. Os tais senhores, como nunca aconteceu, têm, de facto, a faca e o queijo na mão. Hoje, desesperadamente, milhares lutam pela sobrevivência, têm medo do amanhã e, apavorados, calam-se.
Os tais senhores também andam por aqui, passeiam-se há muitos anos na Região. Estão identificados, governam e governam-se. Parecendo "perdidos a velas e a remos", retomam um novo fôlego e toca a controlar o resto da comunicação social. "Serviço Público" independente e capaz de ir ao fundo das questões, isso não, pensam. Isso constituiria colocar em xeque muitos interesses e, sobretudo, abrir os olhos a muita gente. Importante, para além do Jornal da Madeira, é tomar de assalto a televisão, colocar lá quem bem querem e entendem, fazendo da comunicação social os grandes "gestores das mentes" da próxima fase política. Tudo com o aval de Lisboa, com o enervante silêncio do Presidente da República, mas tudo no prosseguimento desse controlo da sociedade que interessa a uns quantos, também aqui, nesta região, aos tais que se estão nas tintas para o desemprego de milhares desde que aumentem a sua riqueza por via directa ou indirecta. 
Ainda no passado dia 06 de Fevereiro aqui escrevi: "oxalá não tenha o Dr. Alberto feito a Ponte para que o "serviço público" seja entregue de mão beijada a quem diz o querer isento, objectivo e de qualidade, todavia à sua maneira, à maneira do Jornal da Madeira". Pelo que corre na praça, Alberto da Ponte (RTP) já terá feito o acordo com Alberto João (PSD). Deveria explicá-lo, urgentemente, na Assembleia Legislativa. São mais sete milhões, diz-se, e uns quantos despedidos! De uma assentada, a ver vamos, serão quatro milhões para o JM, mais sete para a RTP e, enquanto isto, pasme-se, as autarquias da Região apresentam uma média de 379 dias para pagar uma factura. Mas a do Porto Santo leva 864 dias! Como as empresas não suportam prazos desta natureza, as falências vão continuar a acontecer e o desemprego a aumentar. Mas o poder, esse, continuará nas mãos dos senhores que "roubam" embora vestidos a rigor. Esta próxima fase é, indiscutivelmente, a da "gestão das mentes".
É por isto e muito mais, Senhor Bispo António Carrilho, quero eu lá saber da "fé e oração" (a propósito da resignação do Papa Bento XVI), quando há tanta gente a passar mal. Mexa-se, denuncie através da Palavra, toda esta pouca-vergonha. No silêncio será cúmplice da pobreza e da desgraça das famílias.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

PETIÇÕES HÁ MUITAS...


O que a petição propõe equivale, por extensão, dizer que o Presidente do Governo, que nunca comparece na Assembleia (para além do programa de governo e do orçamento), há muito deveria estar DEMITIDO. O presidente do governo é, antes demais, um deputado eleito e só depois presidente. Logo, deveria dele partir o exemplo, de resto como acontece no parlamento dos Açores e no parlamento nacional. Para além disto, questiono, o que dizer de uma maioria parlamentar do PSD que nunca quer debater, reajustar e aprovar propostas da oposição, propostas essas de enorme interesse para a população? Que dizer de um Regimento da Assembleia que é um fatinho à medida dos interesses do PSD? Que dizer de uma maioria PSD que marca as sessões quando lhe interessa, quando deveria ser a Mesa da Assembleia a agendá-las? Que dizer de uma Assembleia que permite que seja a maioria parlamentar a apresentar e a impor os regimentos específicos de algumas sessões plenárias? Que dizer das Comissões de Inquérito que, ou são liminarmente chumbadas ou, quando realizadas, são controladas no sentido de não se saber a verdade? O que dizer de um Estatuto Político-Administrativo que não é mexido para preservar os interesses da maioria parlamentar, por exemplo, e este é apenas um exemplo, estabelecer rigorosas incompatibilidades entre o exercício da função de deputado e outras da vida privada? Pois bem, trata-se de uma petição sem pernas para andar quando há tanta porcaria por resolver naquela Assembleia.


Recebi e publico o texto de uma petição, assinada por Luís Gonçalves Fonseca, que circula na NET. Antes do meu comentário, aqui fica:
"Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira
Dr. Miguel Mendonça,
Os subscritores desta petição são cidadãos conscientes da realidade política da Madeira e preocupados com o comportamento que alguns deputados eleitos por todos os madeirenses e porto-santenses insistem em ter e a forma como tratam os madeirenses na Assembleia Legislativa da Madeira.
Os subscritores exigem que seja marcada falta injustificada, quando os deputados abandonem as sessões, seja em votação, seja em qualquer iniciativa, até que percam o mandato.
Temos assistindo constantemente à falta de certos deputados em algumas votações e só depois das propostas estarem aprovadas é que vão reivindicar e fazer demagogia na comunicação social. Se um deputado não estiver de início ao fim nas sessões deverá ser marcada falta injustificada, se o referido deputado não apresentar razões plausíveis para justificar a sua ausência do parlamento, como qualquer trabalhador tem de fazer se faltar ao trabalho. Se um trabalhador desconta no seu salário quando falta, por que razão um deputado não é obrigado a fazer o mesmo? Estas ditas formas de protesto dos deputados não são protestos, são sim uma falta de respeito com todos os madeirenses que exigem que os deputados respeitem o povo que lhes paga os altos salários de deputados. 
Pelo exposto, pede-se que seja alterado o regimento da Assembleia Legislativa da Madeira e que os deputados sejam responsabilizados pelos seus actos.
Os signatários,
Luís Gonçalves Fonseca"
COMENTÁRIO
Desde logo, presumo que o Sr. Luís Gonçalves Fonseca esteja a se referir ao acordo firmado entre toda a oposição no sentido de não debaterem e de não votarem as propostas oriundas do governo da região, quando o secretário regional proponente, ou o próprio presidente do governo, não compareça para apresentar, justificar e debater tais diplomas. Se assim é, ora bem, tenho que lhe dizer que os deputados não estão contra a Madeira. Pelo contrário, eles foram eleitos para estudar, apresentar e debater as propostas. Exactamente o que compete ao governo regional: apresentar diplomas, quando necessário, comparecer na Assembleia para debatê-las e, após aprovação, governar de acordo com a lei. A Democracia impõe que o debate aconteça em sede própria, logo, repito, o Governo tem o dever comparecer na Assembleia para apresentar e sujeitar-se ao debate com a oposição. Quando o governo não cumpre esta regra elementar da democracia, logo, é correcto que toda a oposição abandone o hemiciclo. A maioria dos deputados que suporta o governo, não deve, por princípio, representar o governo. Quem o representa é o membro do executivo e não qualquer deputado eleito. Ademais, é a Assembleia que fiscaliza o governo, sendo, por isso, o primeiro órgão de governo próprio.
O que aquela petição propõe equivale, por extensão, dizer que o Presidente do Governo, que nunca comparece na Assembleia (para além do programa de governo e do orçamento), há muito deveria estar DEMITIDO. O presidente do governo é, antes demais, um deputado eleito e só depois presidente. Logo, deveria dele partir o exemplo, de resto como acontece no parlamento dos Açores e no parlamento nacional.
Para além disto, questiono, o que dizer de uma maioria parlamentar do PSD que nunca quer debater, reajustar e aprovar propostas da oposição de enorme interesse para a população? Que dizer de um Regimento da Assembleia que é um fatinho à medida dos interesses do PSD? Que dizer de uma maioria PSD que marca as sessões quando lhe interessa, quando deveria ser a Mesa da Assembleia a agendá-las? Que dizer de uma Assembleia que permite que seja a maioria parlamentar a apresentar e a impor os regimentos específicos de algumas sessões plenárias? Que dizer das Comissões de Inquérito que, ou são liminarmente chumbadas ou, quando realizadas, são controladas no sentido de não se saber a verdade? O que dizer de um Estatuto Político-Administrativo que não é mexido para preservar os interesses da maioria parlamentar, por exemplo, e este é apenas um exemplo, estabelecer rigorosas incompatibilidades entre o exercício da função de deputado e outras da vida privada?
Pois bem, trata-se de uma petição sem pernas para andar quando há tanta porcaria por resolver naquela Assembleia.
Ilustração: Google Imagens.