quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

UM NOVO ANO COM SAÚDE PARA TODOS



Dentro de poucas horas deixaremos 2014 para trás. Um ano muito difícil para a maioria da população. Por mais que me esforce não encontro razões para que o próximo seja substancialmente diferente. Até porque, a engrenagem política internacional não permite, sejamos claros, uma mudança que esbata o silencioso conflito que invade as nossas vidas. No entanto, que o fogo seja de ESPERANÇA e que todos tenhamos um ano de SAÚDE. No essencial, o que mais interessa. No resto, a "luta continuará".
Ilustração: Arquivo próprio

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

E AGORA?


Os dados estão irreversivelmente lançados. Os madeirenses e portosantenses sabem, doravante, no plano político, o menu das próximas eleições legislativas. De um lado, o PSD-M com uma nova liderança, do outro, o CDS-PP e, a julgar pelo já divulgado, uma coligação à esquerda. Integrando quem e liderada por quem, não se sabe. Ou bem me engano ou estamos face a uma oportunidade perdida. Isto é, os dados levam-me a deduzir que se correm dois entre outros riscos: primeiro, embora pintado de fresco, a possibilidade de continuação do jardinismo. Os mesmos que geraram a gravíssima situação da Região, com perda quase total da sua AUTONOMIA em variadíssimos domínios, poderão vir a ser os mesmos que, travestidos, se apresentam como salvadores; segundo, a possibilidade de uma coligação de interesses pós-eleitoral entre o PSD-M e o CDS-Madeira a qual, pode vir a garantir uma maioria absoluta na Assembleia. Simplesmente porque, à esquerda, é crível que o CDS-PP não desejará juntar forças. E se assim for, adeus alternativa política.


O PS-Madeira não quis partir para um acordo com o CDS e restantes partidos, porque não conseguiu ultrapassar as diferenças e as desinteligências nascidas no decorrer das últimas autárquicas e essa situação, presumo, pode vir a ser fatal. E o jardinismo que é, como se sabe, muito mais complexo e extenso que o seu criador, poderá ter, desta feita, um largo terreno fofo para cavar. 
Quem não tem memória curta sabe o que foram os anos de PSD na Câmara do Funchal. Já não falo sequer da dívida superior a noventa milhões de euros, falo, sobretudo, da descaracterização do Funchal e da sua peculiar identidade histórico-cultural, o pavoroso e insustentável panorama das zonas altas, as questões relacionadas com a mobilidade, as sistemáticas violações ao Plano Director Municipal e a ausência de rigoroso planeamento urbanístico. E tudo isto aconteceu, obedecendo a interesses de variadíssima ordem, às pressões, à incapacidade de dizer não ao governo regional. A postura foi a de manter sempre um ar fleumático, imperturbável enquanto tudo ia acontecendo.
Portanto, a questão é agora saber se os madeirenses se deixarão enrolar pelo discurso e pelas palavras de circunstância, para enfeitar, para transmitir uma sensação de ruptura que, estou certo, nunca acontecerá. O jardinismo é um extenso e pesado polvo, tem ramificações em todo o lado, porque há milhares de dependentes, directos e indirectos, dessa máquina pacientemente montada. Parafraseando Vasco Santana dir-se-á que palavras e programas há muitos! A nova liderança irá, certamente, mexer nas bordas do prato, como convém, procederá a alterações, mas o coração da máquina baterá ao ritmo dos últimos quarenta anos. Aliás, estiveram todos envolvidos, aplaudiram, chumbaram milhares de propostas da oposição, desde a Assembleia Legislativa até às Assembleias Municipais e de Freguesia, esmagaram adversários políticos, silenciaram, perseguiram, criaram situações abstrusas na comunicação social, compraram uma herdade, enfim, fizeram o que quiseram e entenderam e, agora, surgem como se fossem puros e com uma auréola imaculada! Não são e muitas contas políticas têm no cartório! Incompreensivelmente, os mesmos de ontem estão hoje aí a querer disputar o futuro. 
A pobreza que espere sentada, os empresários que mantenham a angústia diária, os desempregados que espreitem a possibilidade da emigração, quem tem facturas por liquidar que continue à espera, a escola pública que aguente e o sistema de saúde que aguarde, porque a força dos interesses político-partidários obstará qualquer sentido de verdadeira e consistente mudança. 
Defendo que qualquer MUDANÇA nunca é feita a partir dos que sempre estiveram, mas a partir de quem está fora e que pode trazer a inovação, a criatividade, a capacidade de negociação, a independência, o serviço público com alma, o sentido do equilíbrio, o respeito pelos princípios e valores do desenvolvimento, no essencial, a definição de um rumo ideológico portador de futuro. Portanto, neste processo, lamento que a oposição e todos aqueles da nossa sociedade, pessoas independentes e de valor, que podem operacionalizar esse novo rumo, se mantenham amorfas como se nada tivesse a ver com elas. Irão chorar sobre o leite derramado.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A DESADEQUAÇÃO DO SISTEMA EDUCATIVO QUE UTILIZA OS INSTRUMENTOS DE ONTEM NA EDUCAÇÃO DE HOJE



Aiden é meu sobrinho. Tem dois anos. Vive nos Estados Unidos. Vejo-o de IPad nas mãos, com os indicadores e polegares a percorrerem programas. De imediato assaltam-me um extenso rol de questões, entre a desadequação de um sistema educativo que teima, como escreveu Toffler, "(...) em meter o mundo embrionário de amanhã nos cubículos convencionais de ontem". Mais, ainda, a desadequação sustentada em "velhas maneiras de pensar, velhas fórmulas, velhos dogmas e velhas ideologias, que muito queridos ou úteis que tenham sido no passado, já não se coadunam com os factos (...)" do mundo que vivemos. Carlos Fuentes coloca a questão: "estamos a morrer ou a nascer"? É neste pressuposto que entendo que o sistema está a morrer e os políticos pouco ralados estão em romper com o passado no sentido de fazê-lo (re)nascer. Disse-me um Professor que muito admirei (Paula Brito): "Como pode uma escola sempre igual competir com a vida que é sempre diferente? O desencontro é inevitável". Pois é, continuamos entretidos numa Escola curricular e programaticamente desadequada, utilizando os métodos de ontem, por isso mesmo incapazes de perceber o que há muito se passa para além dos muros da escola! A Escola que deveria ser o motor da sociedade, hoje é claramente rebocada pela sociedade. Tanto que há a dizer e a fazer sobre este sistema!

domingo, 28 de dezembro de 2014

JÁ NÃO ESCRAVOS, MAS IRMÃOS


Este assunto ganha cada vez mais pertinência, ainda mais se pensarmos que vivemos num mundo cheio de barbaridade, de pobreza, de exploração do homem pelo homem e de uma falta tremenda de respeito de uns pelos outros. A escravidão volta com toda a força. Quando se pensava que o desenvolvimento humano podia conduzir a humanidade para uma sã convivência, onde os valores democráticos ditavam a conduta humana, afinal, vemos a barbárie cada vez mais generalizada, a corrupção torna-se pão de cada dia, impondo como referência de sucesso a falta de respeito e o roubo descarado, mesmo que isso ponha em causa a justiça, o bem comum e faça mergulhar na pobreza povos inteiros.


A mensagem do Papa Francisco justifica a reflexão sobre a necessidade da fraternidade humana a partir deste pressuposto: «Infelizmente, o flagelo generalizado da exploração do homem pelo homem fere gravemente a vida de comunhão e a vocação a tecer relações interpessoais marcadas pelo respeito, a justiça e a caridade. Tal fenómeno abominável, que leva a espezinhar os direitos fundamentais do outro e a aniquilar a sua liberdade e dignidade, assume múltiplas formas sobre as quais desejo deter-me, brevemente, para que, à luz da Palavra de Deus, possamos considerar todos os homens, «já não escravos, mas irmãos» (nº 1).
Por isso, as denúncias não se fazem esperar. O Papa diz: «Penso em tantos trabalhadores e trabalhadoras, mesmo menores, escravizados nos mais diversos sectores, a nível formal e informal», por isso, pensamos em tantos trabalhadores entre nós, aqueles que têm a sorte de ainda terem trabalho, que são humilhados, insultados na sua dignidade, explorados a todos os níveis. Quantos estão assinar papéis e mais papéis como se tivessem recebido, mas no fim não receberam nada e se receberam não viram o justo valor? Quantos estão a trabalhar várias horas ao dia sem que recebam qualquer compensação por esse trabalho extra? Quantos andam a pedinchar trabalho por todo o lado e são recebidos com palavras brutas, má criação e arrogância? Quantos neste mundo não encontram leis e entidades que os protejam como deve ser? – A exploração dos trabalhadores intensificou-se com a desumanidade neoliberal que enlouqueceu muitos governantes.
Perante a desgraça da emigração e migração dos povos que procuram melhores condições de vida diz o Papa Francisco: «Penso também nas condições de vida de muitos migrantes que, ao longo do seu trajecto dramático, padecem a fome, são privados da liberdade, despojados dos seus bens ou abusados física e sexualmente». Face à tragédia que tem sido os últimos tempos entre nós com a emigração deve fazer-nos pensar a sério esta questão. Continua o Papa: «Penso no “trabalho escravo”», que a mobilidade de hoje está a gerar por todo o lado. Há «as pessoas obrigadas a prostituírem-se, entre as quais se contam muitos menores, e nas escravas e escravos sexuais; nas mulheres forçadas a casar-se, quer as que são vendidas para casamento quer as que são deixadas em sucessão a um familiar por morte do marido, sem que tenham o direito de dar ou não o próprio consentimento».
Há também «menores e adultos, que são objecto de tráfico e comercialização para remoção de órgãos, para serem recrutados como soldados, para servirem de pedintes, para actividades ilegais como a produção ou venda de drogas, ou para formas disfarçadas de adopção internacional». E os «que são raptados e mantidos em cativeiro por grupos terroristas, servindo os seus objectivos como combatentes ou, especialmente no que diz respeito às meninas e mulheres, como escravas sexuais. Muitos deles desaparecem, alguns são vendidos várias vezes, torturados, mutilados ou mortos».
NOTA:
Um artigo do Padre José Luís Rodrigues, hoje publicado no DN-Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

UM BOM NATAL



Não gosto da hipocrisia nem das palavras que apenas são ditas por força da época, pois sei que, para muitos, pelas mais diversas razões, este não será um Bom Natal. Porém, sejam quais forem as circunstâncias, que a Palavra de Cristo, sobretudo aquelas que falam de AMOR E JUSTIÇA constituam a força necessária para que a ESPERANÇA more no coração de todos.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

CREDORES OU SAQUEADORES?


Li: "O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou, hoje, que 2014 foi um ano "bastante intenso" em que o Governo conseguiu completar "tarefas muito importantes" para o país "sem suscitar dúvidas" aos credores e "preservando a paz social". Começo pelo fim: paz social, onde? Será que o primeiro-ministro, tal como o outro que por lá passou (Cavaquinho), não lê jornais, não tem dúvidas e raramente se engana? Não tem noção do estado de ruptura social no qual mergulhámos, com direitos constitucionais restringidos, roubo nas pensões, desemprego e emigração? 


E, perante isto, como poderiam os saqueadores do FMI, os da Europa, os da Banca e os ditos "investidores" terem dúvidas sobre os pressupostos do saque? Alguém, nestes últimos anos, assumiu, frontalmente, que a dívida é para ser paga, mas desde que renegociada e de acordo com as possibilidades do País? Alguém fez lembrar a esses senhorios que a crise foi intencionalmente gerada e que ela varreu toda a Europa? Alguém fez lembrar que há quem esteja a beneficiar com a crise e os constrangimentos dos países mais pobres?
Foram nessas as "tarefas muito importantes" que Passos Coelho/Paulo Portas trabalharam muito "intensamente" tendo conseguido passar a dívida que rondava os 90% do PIB para cerca de 135%! Que lata... 
Ilustração: Google Imagens. Legenda: "Um nariz que cresce, cresce!"

domingo, 21 de dezembro de 2014

EM FRANÇA, A PARTIR DE 2016, OS ALUNOS PODEM DEIXAR DE SER AVALIADOS COM NOTAS


Noticia o DN/Portugal: "O Conselho Superior dos Programas, em França, elaborou uma proposta para abolir este sistema, que foi debatida durante dois dias e cujo o relatório das conclusões vai ser entregue ao ministro da Educação em Janeiro. Por cá, também há adeptos da avaliação formativa (mais virada para a análise dos pontos fortes e fracos dos alunos do que para a sua quantificação numa nota) e o Conselho Nacional de Educação (CNE) vai receber um debate sobre o tema no dia 5 de Janeiro." 


Trata-se de um assunto que há muito venho defendendo. Inclusive, através de diploma, exprimi esse posicionamento na Assembleia Legislativa. Para já, no Ensino Básico, constitui um autêntico disparate uma avaliação quantitativa à qual se junta a paranóia dos exames no final dos três ciclos iniciais. Curiosamente, há dias, acompanhando a defesa de uma avaliação sujeita a um outro paradigma, o meu neto que agora frequenta o 6º ano, no decorrer das conversas que vou mantendo com ele, surpreendeu-me com a seguinte declaração: "há coisas que eu sei que os meus professores nem sonham que sei". Pois, é isso, o que me queres dizer é que esta escola está desadequada, complementei. E, se calhar, há assuntos que tu sabes que os teus professores não sabem. Concordou! A desadequação é total. Por isso, é-me difícil aceitar que se mantenha um modelo, entendido como único, e que a inteligência política não perceba e não queira perceber que existem outros paradigmas mas integradores e de excelência. 
Em 2009, propus, na Assembleia o Regime Jurídico do Sistema Educativo Regional. No nº 1 do Artigo 9º, que enquadra o Sistema de Avaliação das Aprendizagens, pode-se ler:
"No ensino básico, o processo de avaliação das aprendizagens dos alunos é de natureza contínua e formativa e a sua arquitectura, caracteriza-se por formas simples mas objectivas, centradas nas competências adquiridas, da responsabilidade do Conselho Pedagógico de cada estabelecimento de educação e de ensino, ouvidos os respectivos departamentos disciplinares."
Infelizmente, o documento fui chumbado pelo PSD-Madeira. Em França, em 2014, há uma proposta nesse sentido e, em Portugal, no início de Janeiro, o tema estará em debate.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 20 de dezembro de 2014

SOBRE O SERVIÇO PÚBLICO DE TELEVISÃO "NENHUMA DEMOCRACIA SOBREVIVE SE NÃO PUSERMOS COBRO À OMNIPOTÊNCIA"


"(...) Os senhores da aldeia têm a sua própria agenda política e resistem a quaisquer mudanças económicas e sociais que não se ajustem aos seus interesses financeiros. Juntos eles exercem um poder homogeneizante sobre as ideias, a cultura e o comércio que afectam as maiores populações de que se tem conhecimento desde sempre. Nem César, nem Hitler, nem Roosevelt nem qualquer Papa tiveram tanto poder como eles para moldar a informação da qual tantas pessoas dependem para tomar decisões sobre as mais variadas matérias: desde em quem votar até ao que comer". Na verdade, os gestores dos media criam, processam, refinam e presidem à circulação de imagens e informações que determinam as nossas crenças e atitudes e, em última instância, os nossos comportamentos" (...) "os gestores dos media tornaram-se gestores das mentes".


Meu Caro e distinto Amigo Nelson Pestana, 
Destaco o teu posicionamento sobre o que ontem aqui deixei. Quero agradecer o teu comentário porque me permite ir um pouco mais além.
De facto, estudei o "Serviço Público de Rádio e Televisão". Auscultei muitas pessoas do topo da televisão portuguesa, figuras que estudaram e deixaram obras, outros autores que publicaram sobre esta temática, vasculhei muita documentação sobre os canais públicos e privados, sobretudo na Europa, tudo no âmbito de uma Dissertação sobre aquele tema. Tenho, por isso, uma opinião (a minha verdade entre tantas verdades) sobre o que concluí dever ser a "informação diária" e a "informação não diária". E porque sei que o debate destas questões, sobretudo a partidária, transporta muitas emoções e posicionamentos, intencionalmente, coloquei duas perguntas no meu texto. Apenas duas perguntas, porque julgo conhecer não apenas a realidade política regional e nacional, mas fundamentalmente os critérios que devem nortear a informação. Fugi, por isso, ao envolvimento e à emoção partidária, aprendendo com Umberto Eco que advertiu que a civilização democrática "se salvará se da linguagem da imagem fizer um estímulo à reflexão crítica e não um convite à hipnose". E li, também, meu Caro Nelson, em K. Popper e J. Condry, no livro "Televisão, um perigo para a democracia", "(...) que a democracia consiste em submeter o poder político a um controlo. É essa a sua característica essencial. Numa democracia não deveria existir nenhum poder político incontrolado. Ora, a televisão tornou-se hoje em dia um poder colossal; podemos mesmo dizer que é potencialmente o mais importante de todos, como se tivesse substituído a voz de Deus. E será assim enquanto continuarmos a suportar os seus abusos (...) pois nenhuma democracia pode sobreviver se não pusermos cobro a esta omnipotência". Um outro, Jacques Piveteau (in L'Extase de la Television), a páginas tantas, sublinhou que a televisão é geradora de "efeitos hemiplégicos no seio da família". É, por isso, que os defensores da cultura clássica referem que a imagem é sempre geradora de um certo tipo de escravidão.
Desculpa-me, Caro Nelson, mas não resisto a transcrever Ben Baddikian, citado no livro de Jorge de Campos, "A Caixa Negra": "(...) Os senhores da aldeia têm a sua própria agenda política e resistem a quaisquer mudanças económicas e sociais que não se ajustem aos seus interesses financeiros. Juntos eles exercem um poder homogeneizante sobre as ideias, a cultura e o comércio que afectam as maiores populações de que se tem conhecimento desde sempre. Nem César, nem Hitler, nem Roosevelt nem qualquer Papa tiveram tanto poder como eles para moldar a informação da qual tantas pessoas dependem para tomar decisões sobre as mais variadas matérias: desde em quem votar até ao que comer". Na verdade, os gestores dos media criam, processam, refinam e presidem à circulação de imagens e informações que determinam as nossas crenças e atitudes e, em última instância, os nossos comportamentos" (...) "os gestores dos media tornaram-se gestores das mentes".
Perante estes pressupostos exige-se, penso eu, equilíbrio, sobretudo num serviço público. A RTP não é privada! Porque uma eleição interna de um partido não é semelhante a um congresso partidário, tampouco idêntico a um acto eleitoral regional ou nacional para apurar os representantes do Povo em uma Assembleia Legislativa. Uma eleição interna é um assunto que deve ser tratado, no âmbito da informação diária, e com muita boa vontade, de um "especial informação" para divulgação dos resultados, mas nada mais do que isso. Ontem, o "serviço público" ofereceu aos madeirenses e portosantenses um tempo de emissão que quase ultrapassou o tempo de emissão de umas eleições regionais. Curiosamente, um dos factos importantes da semana política, a grave perturbação vivida no sistema regional de Saúde, foi abafada, completamente, por uma eleição partidária onde estão envolvidos aqueles que conduziram o sistema de saúde à gravíssima situação em que se encontra. E este facto, entre tantos outros, não é inocente. Na política o que parece é, dai que Umberto Eco tenha razão quando sublinha o "efeito de hipnose". E a Democracia, como reconhecerás, é muito mais do que uma eleição interna de um partido.
Meu Amigo, estou distante da actividade partidária. E sinto-me bem ao ter decidido manter as convicções, cada vez mais profundas e enraizadas em princípios e valores sociais, mas longe das emoções que, muitas vezes, a muitos, fazem perder o sentido do bom senso. A ela não voltarei porque há um tempo para estar e um tempo para ser espectador atento.
Um grande abraço de muita Amizade, consideração e estima pessoal. Bom Natal.
NOTA:
Resposta a um comentário publicado na minha página de Facebook.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

CÂMARA DO FUNCHAL TEM O ORÇAMENTO APROVADO E O PLANO CHUMBADO!


Esquisito? Não. Não tem nada de esquisito. Tem muito de politiquice e zero de responsabilidade. Gostaria que me esclarecessem, nem que seja fazendo um desenho, de como é possível aprovar o orçamento e o plano de actividades não. Uma abstenção no plano, porque, enfim, esta ou aquela opção não se coaduna com uma determinada posição política, vá que não vá. Chumbar o plano de actividades e dizer sim ao orçamento que o suporta, a maioria dos funchalenses, certamente, que não perceberá. 


Mas alguns percebem o chumbo, sobretudo o maior partido da oposição (PSD), cujo líder na bancada da Assembleia, o Dr. Domingos Abreu, reclamou "maior abertura e diálogo". E vai daí... chumbo em cima! Mas alguém acreditará que não houve suficiente "abertura e diálogo", quando o CDS/PP negociou e viu as suas propostas incluídas? 
E nesta historieta não deixa de ser interessante que o PSD venha pedir "abertura e diálogo" quando, ao longo de trinta e tal anos ininterruptos, se fechou a inúmeras propostas da oposição. Mesmo que possam dizer ao contrário, o que se deduz é querem o poder a qualquer preço e, por isso, vale tudo. E no exercício da política NÃO VALE TUDO.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

APRESENTAÇÃO DE CUMPRIMENTOS TRANSFORMADOS EM MOMENTOS DE PROPAGANDA POLÍTICA


Nem a época natalícia escapa. Tudo serve para afirmar posições políticas, arrotar umas quantas frases que já cansam, porque facilmente se percebe onde os seus mentores querem chegar. Desta vez chocou-me este aproveitamento político sem nível. Uma cerimónia protocolar de Bom Natal, que deveria ser tudo menos de fingimento a roçar a hipocrisia, que deveria ser sincera, portanto, muito para além do quadro institucional, traduziu-se em uma repelente e desenquadrada propaganda política. Se o Natal é aquilo que li e ouvi, pois bem, pode o presidente do governo ir a todas as Missas do Parto, pode curvar-se junto do Bispo António Carrilho, pode dizer o que disse ao Representante da República ou pode, ainda, fazer aquele "espectáculo" na Assembleia Legislativa, que o Povo, aquele povo que sente e vive o Nascimento de Jesus e que segue a Sua Palavra, obviamente que o manda, como soe dizer-se, dar uma volta ao bilhar grande. 


Ora bem, o Senhor Representante da República pode ser um convicto social-democrata, pode ser militante ou simpatizante, pode ter uma especial consideração pelo ainda presidente do governo regional desde o tempo de estudante, mas  isso não lhe garante o direito institucional de assumir declarações deste tipo: "(...) Espero que não seja a última vez que nos encontramos numa cerimónia deste tipo, talvez já não como presidente do Governo Regional, mas estou convencido de que o futuro está à sua espera, em cenários diversos e estimulantes e espero que saiba abraçar esses desafios". O lugar institucional de Representante da República, assim creio, implica distanciamento político. Recebeu o falso livrinho político do deve e do haver dos 500 anos. Até nisto a propaganda funcionou ao mais alto nível das instituições políticas. Deveria também ler "Jardim, a Grande Fraude", sugiro. 
Por outro lado, o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, primeiro órgão de governo próprio, na frente de Jardim, afirmou: "(...) A minha primeira nacionalidade é madeirense e só depois portuguesa". Pode o presidente da Assembleia, no respeitável plano pessoal, defender a independência da Madeira ou o conceito de Estado Federado, não deve, no plano institucional, assumir uma declaração que, para além de ser um tiro de pólvora seca nacional, é sobretudo provocadora e motivadora de péssimas relações entre a Madeira e os Órgãos de Soberania. Recordou que o mundo vive "tempos de confusão", com muitos "ismos" que devem ser contrariados. "Tempos de germanismos, de egoísmos, de liberalismo, de oportunismos, de golpismos". Certo. Concordo. Faltou, apenas, juntar os tempos de jardinismo! O que Jardim fez pela Região "está à vista de quem quer ver" e "ninguém pode tirar", acentuou. Pois, ninguém pode tirar a dívida assustadora, as limitações de ordem democrática, a governamentalização da Assembleia, ninguém lhe pode tirar a obstinação por uma Região passada ao ferro uniformizador que esmagou a identidade própria e a diferença, uma Região que deveria ser um exemplo nacional e europeu a todos os níveis e que hoje é vista com desconfiança e, por isso mesmo, desrespeitada.
O Natal tem, para mim, um significado diferente e os  cumprimentos de Natal deveriam trazer no seu bojo, não a política barata, a pataco, o discurso que não vai além da troca de galhardetes, mas o discurso da Palavra e do essencial que possa configurar a ESPERANÇA de um povo que anda à nora! 
Ilustração: Google Imagens.  

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

SOU CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA TAP. SE É BOM PARA O PRIVADO, POR QUE RAZÃO NÃO É BOM PARA O ESTADO?


E não estou só. Há muita gente, políticos, comentadores e portugueses em geral que são de opinião que as privatizações já foram longe de mais. O nosso País começa a ficar irreconhecível, face à entrega aos interesses estrangeiros dos nossos sectores estratégicos. Estamos a ficar sem os anéis e sem os dedos!


A TAP é um desses sectores estratégicos. 
Sei que, inevitável e paulatinamente, passámos a viver em um mundo global (ainda bem) e que pertencemos a uma comunidade europeia, mas rejeito, liminarmente, que deixemos de ter fronteiras, percamos a nossa identidade nacional, sejamos um joguete no meio dos grandes e obscuros interesses económicos e financeiros, que nos imponham como devemos ser, que deixemos de ter direito de escolha sobre os caminhos do futuro e que fiquemos, tal como a maioria dos países da UE, subordinados a uma cartilha (direito europeu) que nos devora a cada instante. Sou europeísta, mas não por uma UE dominada e dominadora. No mesmo plano coloco o FMI, hoje uma instituição completamente desenquadrada dos objectivos que conduziram à sua criação em 1944. 
Regresso à TAP. Escutei o comentário, na SIC, de Miguel Sousa Tavares, que se mostrou a favor de "qualquer medida que se possa tomar contra a privatização da TAP" (...) "Não vi até hoje uma única razão sólida para a privatização da TAP (...) O que tenho visto é uma estratégia que parece conduzir à liquidação da TAP." Miguel Sousa Tavares é contra a privatização, logo, a favor da greve anunciada pela plataforma sindical. 
Ora, toda a greve, seja em que sector for, por altura do Natal ou em qualquer outra época do ano, naturalmente que prejudica o país. Mas é uma arma que os cidadãos têm para dizerem basta. Ainda ontem, a Bélgica paralisou de Norte a Sul, como protesto ao recém-empossado governo de direita para reduzir em 11 mil milhões de euros os gastos nos próximos anos e aumentar em dois anos a idade de reforma. Disseram basta, chega! 
O mais interessante é o governo português alinhar pelo come e cala-te (da Troika para o País e do governo para os cidadãos) ao mesmo tempo que pede bom senso aos sindicatos, quando ele, governo, notoriamente não o tem. E a questão é sempre esta: se é bom para o privado, por que razão não é bom para o Estado?
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

INSENSIBILIDADE SOCIAL


O Deputado Nuno Magalhães (CDS/PP), citando M. Thatcher, disse que "o socialismo acaba quando termina o dinheiro dos outros". Para já não lhe fica bem este tipo de declaração. Se é verdade o discurso oficial, o CDS/PP diz-se social e que segue a doutrina social da Igreja. Percebe-se, então, que as posições flutuam de acordo com as circunstâncias políticas. Independentemente disso, coloco uma pergunta: mas qual dinheiro dos outros? O dinheiro que é roubado, descaradamente, todos os meses, para alimentar o círculo vicioso de uma austeridade imposta, devido a uma crise FABRICADA externamente? Qual dinheiro dos outros, quando cresce a pobreza e se multiplicam os milionários? 


O Dr. Nuno Magalhães tinha apenas dois anos quando se deu o 25 de Abril. Não sabe nada sobre os 48 anos de ditadura feroz, sobre a estúpida guerra colonial, sobre o analfabetismo e sobre a ausência de direitos. Não sabe nada sobre as significativas bolsas de pobreza que, hoje, se alastram por todo o país e que têm conduzido a uma emigração semelhante àquela que se verificou há 50 anos. E o mais triste do seu discurso, é que ele foi eleito pelo Círculo Eleitoral de Setúbal, zona do país desde há muito martirizada pela fome. O Deputado parece seguir a lógica política que defende o princípio que determina: primeiro, há que alimentar os tubarões para, depois, os pobres possam ter alguma coisa que vá caindo do faustoso banquete dos senhorios! Não é esse o meu caminho.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 14 de dezembro de 2014

"TODOS DIFERENTES, TODOS IGUAIS"


Há para aí uns senhores que desejam chegar ao poder e falam que "é preciso saber respeitar o legado histórico de Alberto João Jardim", classificam-no de "herói até o ano 2000", de um período de "enorme  fulgor", "de uma revolução largamente positiva na região" (...) no quadro do "desenvolvimento que a Madeira conheceu" e que "agora não é momento de olhar para o passado, mas de perspetivar o futuro". Depois, como que a marcar uma ligeiríssima diferença entre iguais, a criticazinha que, enfim, foi pena não ter havido renovação e  que o seu modelo está "esgotado". Como se houvesse ou possa vir a existir alguma diferença entre Jardim antes de 2000, Jardim depois de 2000 e um qualquer outro da mesma área política, depois de 2014. Do meu ponto de vista, todos fazem jus ao slogan da Beneton: "todos diferentes, todos iguais", politicamente, claro. No essencial, aquilo que os une, os princípios e valores políticos e partidários, apresentam-se transversais. A figura de Miguel de Sousa que, pelo seu discurso consubstanciado em artigos de opinião indigeríveis por João Jardim, no momento da verdade, isto é, no momento de dizer NÃO ao Orçamento da Região para 2015, vergou-se, votando, favoravelmente, ao lado de Jardim. Ah, apresentou uma "declaração de voto", quando se sabe que tais declarações não têm nem valor nem significado político. Votou a favor, ponto final. Todos os candidatos que, directa ou indirectamente, estão no hemiciclo votaram a favor. Ponto final! 


Tiveram nas mãos a possibilidade de demonstrarem a diferença sobre o que realmente desejam para o futuro, mas encolheram-se dando, uma vez mais, um voto de confiança a Jardim. Podiam ter obrigado o governo a uma negociação na Assembleia, ouvindo os seus pares da bancada da maioria bem como as propostas da oposição; podiam ter imposto, ali mesmo, as regras daquilo que dizem ser um "novo ciclo", mas não, encolheram-se, não esgotaram sequer os tempos atribuídos, chumbaram tudo em sede de "debate" na especialidade e com uma distinta lata política, vêm cá para fora assumir a diferença com um discurso politicamente desonesto. Esta declaração diz tudo ou quase tudo: "(...) depois disso, dada a má qualidade da sua equipa de governo, foi o desastre", porque enterraram a Madeira "em dívida pública e obras que têm tanto de absurdas como de desnecessárias".
Após quarenta anos de domínio político, de controlo quase absoluto das instituições públicas e privadas, da governamentalização da Assembleia, depois de todos terem estado à beira da mesa do orçamento, face, ainda, ao silêncio político entre 2000 e 2014, a questão que se coloca é se estes entes políticos demonstram alguma credibilidade para falarem, com autoridade, de um "novo ciclo"?! Não têm e, por isso mesmo, considero-os as seis cabeças de um monstro designado por jardinismo. Umas cabeças mais brandas, outras mais acutilantes, outras, ainda, que pensam por outras cabeças, mas todas envolvidas e polvilhadas com os pozinhos do jardinismo.
Cabe à oposição, custe o que custar, acabar com esta treta da venda de gato por lebre. Enquanto é tempo e esse tempo está a esgotar-se.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

DE QUE ESTÃO À ESPERA OS MILITANTES DO PARTIDO SOCIALISTA DA MADEIRA?


Falo, diariamente, com pessoas que ultrapassam o meu círculo familiar. E a pergunta sacramental que, inevitavelmente, vem à baila é aquela que coloquei em título. Sinceramente, não sei do que estão à espera. E a questão que coloco é se ainda existe partido! Partido no sentido de estruturas concelhias com pensamento político capaz de olhar para a possibilidade de eleições legislativas antecipadas e de assumir uma estratégia que conduza ao poder, não pelo poder, mas ao poder com capacidade de transformar o rumo do descalabro que a Madeira segue há vários anos. As estruturas existem, então não sei, mas não se movimentam em torno de uma causa maior.


Perante um lunático e sem credibilidade Plano e Orçamento em discussão na Assembleia, face à recusa pública de vários partidos políticos, alguns dos quais com peso eleitoral e, ainda, de grupos que lideram as autarquias, em juntarem as suas forças ao partido socialista, deixa-me perplexo o silêncio, como se o próximo acto eleitoral fosse, como soe dizer-se, favas contadas. E mais do que isso, lamento profundamente, que pessoas, sempre com um pé dentro e outro fora, com herdadas tendências sebastiânicas, façam campanha, ao mais alto nível, contra o Deputado Carlos Pereira, do meu ponto de vista, o único com a qualidade e credibilidade necessárias para unir as forças políticas, apresentar um programa e liderar um processo. No mínimo, o que parece ressaltar é que este caldinho morno interessa a alguns. Inaceitável e desesperante.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

ORÇAMENTO DA REGIÃO E A VACA QUE NÃO ERA VACA!


Acabo de ouvir, sublinho, com uma paciência de santo, a intervenção do secretário regional do Plano e Finanças, Dr. Ventura Garcês, a propósito do Orçamento da região para 2015. Foram 45' seguidos para dar "resposta" às perguntas dos deputados. Não se tratou de um debate, sublinho, mas de perguntas seguidas de um monocórdico discurso em que o secretário fez surf às questões, tentando levar a água ao seu moinho. 


Estava eu a ouvi-lo, como se nada tivesse para fazer, e no pensamento trazia uma história que vivi Sábado passado. Na Ribeira Brava entrei num bar para petiscar um saboroso polvo que lá fazem. A páginas tantas, ao balcão, dois homens falavam dos políticos. Um deles, entre outras coisas, disse mais ou menos isto: todos os políticos, para o serem, têm de roubar. No momento do pagamento olhei para a animada conversa, pedi desculpa, intrometi-me e disse-lhes: desculpe, mas há muita gente séria no exercício da política. Mas concordo que exista muita fortuna mal explicada. Mas o povo é que os tem de pôr a andar. Bom, ali fiquei o tempo suficiente para uma animada e interessante conversa. A certa altura ele despachou a metáfora: sabe, os políticos são como aquela história que se conta de um sujeito que, em cima do palco, falava da "vaca que não era vaca, a vaca que era vaca, a vaca que por ser vaca não era bem vaca, isto é, sempre a fugir ao que interessava ouvir (...)". 
Pois, o secretário Ventura Garcês falou 45', mas sobre aquilo que aos madeirenses e portosantenses diz respeito, melhor que a sua intervenção foi o polvinho (verdadeiro) que petisquei. O outro POLVO que por aí anda, parafraseando o senhor da Ribeira Brava, é um polvo que não é polvo, é um polvo que é polvo, é um polvo que por ser polvo não era bem polvo... enfim, ninguém terá percebido o que o senhor secretário regional disse! 
Melhor também não poderia esperar, quando foi este mesmo secretário que não reportou mais de mil milhões às instâncias devidas. As facturas ficaram na gaveta! Como acreditar neste Plano e Orçamento?
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

ALBERTO JOÃO JARDIM É UM "LÍDER" FRACO. É MAIS "CHEFE" QUE LÍDER!


O espectáculo público pelo poder interno do PSD-M está cada vez mais interessante. O texto do Dr. Miguel de Sousa, hoje publicado na página de opinião do DN-Madeira, a par de outros tantos, constitui a manifestação clara que Alberto João Jardim sempre foi um líder fraco. Politicamente foi um "chefe" nunca um líder político. Foi um homem que pensou na eleição seguinte e nunca na geração seguinte. Foi um político forte com os mais fracos e extremamente fraco com os mais fortes. O texto de hoje começa assim: "Cunha e Silva, em 10 de Abril, prometeu “mudar o que deve ser mudado”. Manuel António Correia, em 2 de Dezembro, diz “mudar aquilo que deve ser mudado”. A diferença é “aquilo”. Igual é tudo o resto. A falta de coragem em identificar e enunciar o que está mal e tem de ser mudado urgentemente, dadas as suas responsabilidades directas nestes últimos 14 anos de governação. Dizer o que deve ser mudado implicava reconhecer o que está errado. Era acusar o seu próprio governo das muitas más decisões e dinheiro mal gasto, perdido e pago pelos contribuintes. Não têm essa categoria. Ao contrário, andam por aí como “inocentes” da maior catástrofe financeira da História da Madeira, quando são os seus maiores e mais directos responsáveis: os que nos levaram ao Inferno da dívida sem que os seus investimentos sirvam seja lá para o que for. Campo de golfe da Ponta do Pargo (35 milhões nem para golfe nem para nada), marina do Lugar de Baixo (120), lagoa Santo da Serra, central de lixo no Porto Novo, centros cívicos, piscinas, restaurantes, bares, parque aquático, as bioalgas no Porto Santo (conhecidas pela fábrica do caldo verde), obras inacabadas, etc. Sem pudor ainda andam naquela de fazer adjudicações só para enganar as pessoas, como se elas fossem parvas e ainda dessem credibilidade a qualquer iniciativa desses dois cavalheiros, quais “anjos da morte” do nosso dinheiro. Prometem, em vésperas de eleições, construir a Escola Secundária da Ribeira Brava (já devia estar concluída e a funcionar) e traíram a promessa de construção de uma escola nova em Porto Santo. Isto é uma pouca vergonha. Até já nem o Secretário da Educação fala. Temos de acabar rápido com isto. A Madeira não aguenta mais asneiras. É o povo que paga. Não são eles! (...)".


Em outras ocasiões, outros, nem dizendo 5% do que este candidato assume, foram postos a andar num ápice. Rua, foi a sua palavra de ordem. Com este, Alberto João Jardim amocha. Assobia para o lado como se nada tivesse a ver com aquilo. O "chefe" encolhe-se. Faz de conta que as palavras pertencem à oposição, tantas foram as vezes que os partidos equacionaram e chamaram à atenção para as loucuras megalómanas do governo chefiado por Jardim. Ora, se ele, Jardim, não enfrenta o candidato, a pergunta que ressalta exprime-se em uma única palavra: porquê? Que razões o levam ao silêncio? Tem medo de quê? Que saberá o candidato, que já foi vice-presidente do governo e secretário e ainda é vice-presidente da Assembleia Legislativa, para levar Jardim a preferir falar do tempo e não dos erros da sua governação, agora denunciados, não pela oposição, mas por um dos mais significativos elementos da estrutura hierárquica social-democrata? Nem um pio! Engole em seco e discursa no mesmo tom de há quase quarenta anos. Os "chefes" são normalmente assim, escouceiam para baixo e têm medo de quem os enfrenta. Os líderes, esses, têm uma outra configuração, impõem-se pelo exemplo, assumem e responsabilizam-se pelos erros, não intimidam, antes acalmam, não chutam para longe os problemas, antes focalizam-se nas soluções, são pessoas que sabem delegar, não chamam a si todos os êxitos, antes repartem com a equipa, não discursam no singular, antes no plural, os líderes, enfim, são pessoas autênticas que, pelo exemplo, são capazes de produzir outros líderes. Jardim não conseguiu nada disto. Foge a sete pés de Miguel de Sousa, como durante anos fugiu da Assembleia Legislativa e dos debates na televisão ou na rádio. Sempre teve pés de barro. 
Li em David Cohen, as paranóias das organizações (os partidos são organizações), isto é, as doenças organizacionais que acabam, por aproximação ao exercício da política, por afectar o povo, destroem a moral dos colaboradores (militantes) e podem ser a raiz para a destruição da liderança e para o desmantelamento de uma organização: o comportamento frenético, a depressão, a depressão frenética, a esquizofrenia, a paranóia, o comportamento neurótico e a intoxicação. Cohen sugeria que, neste quadro, colocassem a empresa (o partido) no divã, pela desordem, o caos e a falência. Por isso, a pergunta persiste: que medo(s) persegue Jardim?
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 7 de dezembro de 2014

"OS PORTUGUESES SOFREM EM SILÊNCIO"


Li no Expresso: "Psicólogos alarmados com tantos bancários nas consultas". Nada que me seja estranho. Existem centenas, porventura milhares de documentos escritos e de declarações que provam a instabilidade emocional de milhões de trabalhadores. E isto vem, com acentuação progressiva, desde os finais dos anos 80. A declaração que li de um bancário, "(...) começamos a receber ameaças de clientes às 08:30 e às 09:30 começam as pressões do chefe a perguntar o que já fizemos" (BES) é, no essencial, semelhante ao que a minha gestora de conta (BES), hoje aposentada, já tem uns anos, me disse: estou farta, cansada, só quero ir embora, porque isto está a dar cabo da minha vida. Falou-me, exactamente, das pressões das chefias ao jeito: "o que é que já vendeu hoje". Referiu, ao Expresso, uma funcionária: "se tenho de abrir dez contas novas até ao meio-dia, a essa hora a chefia pergunta se está feito e, se não está, diz logo se não somos capazes, não servimos para mais nada". São os bancários que se queixam, mas são também os professores (entre outras profissões) onde, em 2013, metade dos quais apresentava sintomas de exaustão (síndrome de Burnout).


Justificam-se, assim, 279.000.000 de doses de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos consumidos, em Portugal, ao longo de 2013. Um valor que é o maior da Europa. E porquê? A resposta, embora no essencial, está no Expresso através do Dr. Álvaro de Carvalho, Director do Programa Nacional de Saúde Mental: "(...) É dada mais prioridade ao trabalho e à economia do que aos afectos. A motivação para a vida pode estar hoje mais comprometida". E sendo assim, como corolário, 22% dos portugueses sofrem de perturbações psiquiátricas, uma das prevalências mais altas do mundo. Não sei as causas, mas ainda ontem foi noticiado que, na Madeira, se verificou mais um suicídio. Um entre muitos que constituem um drama em Portugal.
Curiosamente, este trabalho publicado no Expresso acontece na mesma semana durante a qual o Primeiro-Ministro, Passos Coelho, sublinhou que, face à crise, "quem se lixou não foi o mexilhão". Ora, uma das provas está aí. Não foi a alta finança que se lixou, não foram os milionários que sofreram e até, pelo aumento dos milionários, parece até que foi ao contrário. Portanto, quem se "lixou" foram os da hierarquia a partir do vértice estratégico até ao centro operacional. E tudo porquê? Porque o que está em causa é essa desmedida ambição pelo lucro de um vértice estratégico que impõe uma produtividade a partir da definição de prévios objectivos individuais. Deixou de estar em causa o rigor e o sentido de pertença à empresa. Pouco interessa aos administradores se existem ou não condições económicas, financeiras, sociais e culturais para a produtividade, para eles o que está em causa é a imposição cega e quantas vezes desumana, através da ameaça de exclusão, mesmo quando o trabalho é realizado com disciplina e rigor. "Os portugueses sofrem em silêncio", assume o responsável pela Saúde Mental, enquanto para uns quantos a dor e o sofrimento não contam.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 6 de dezembro de 2014

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA RECEBE PESSOAS PELA PORTA DOS FUNDOS?




Dr. Alberto João Jardim: 
"Eu quando me encontro com o senhor Presidente da República entro pela porta de trás, nunca entro pela porta da frente, que é a maneira de eu poder conversar à vontade".
Fecho o zoom e a ser verdade, concluo: 
Primeiro: o Senhor Presidente da República recebe, institucionalmente, o presidente do governo regional pela porta dos fundos? Esquisito. Mas se é verdade existe uma claríssima falta de respeito bi-lateral, onde a falta de transparência parece-me óbvia. De um lado e do outro!
Segundo: quem assim actua ou permite, parece-me transportar a experiência de muita porta de trás na Madeira. E essas é que geram um desconforto muito grande. A questão que um cidadão pode colocar talvez seja a seguinte: existirá alguma relação entre a porta dos fundos e o interesse em manter-se no poder?
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

DECEPCIONANTES AS OPÇÕES DO DR. FRANCISCO ASSIS (PS)


Tinha uma enorme consideração política pelo Dr. Francisco Assis (PS). Eu disse, tinha! Desejaria mantê-la, admitindo que não compreendi a sua mensagem. Causou-me espanto a sua opção por um acordo pós-eleitoral com o PSD de Passos Coelho, caso o PS não obtenha maioria absoluta, e não com os partidos à esquerda do partido socialista. Isto é, o Dr. Francisco Assis prefere estar ao lado de quem tanto mal fez ao País (https://www.youtube.com/watch?v=gNu5BBAdQec) e não ao lado de uma alternativa construída a pensar nos dramas do povo português, entre outros povos. O Dr. Francisco Assis prefere as lógicas de Juncker (Presidente da Comissão Europeia) e seus satélites da direita política, os que trituram os povos com redobradas austeridades, do que ajudar na criação de uma alternativa onde pontifique o respeito dos "mercados" pelos países e não o seu contrário. 


O Dr. Francisco Assis prefere uma espécie de "Maria vai com as outras" do que posicionar-se como um aliado dos explorados contra uma máfia de raiz internacional que faz da ganância o seu rumo. O Dr. Francisco Assis prefere dar a mão à direita que se diz social para consumo interno, mas que a todo o momento nos encosta à parede retirando direitos sociais que custaram sangue durante dezenas de anos. O Dr. Francisco Assis, socialista que bateu palmas ao discurso de Juncker, ajudou-me a perder um pouco da esperança em uma ruptura com este sistema político que nivela por baixo, gera pobreza, faz da emigração o altar do sacrifício para trezentos mil portugueses por ano, permite que proliferem políticos como Passos Coelho, Paulo Portas e outros que antes das eleições de 2011, mentindo, tanta promessa fizeram e que vão deixar o poder pior do que antes da crise fabricada externamente.
Não, meu Caro Dr. Francisco Assis, a Europa precisa de novos equilíbrios políticos. Uma Europa toda pela direita, onde nem Holland se safa, é uma Europa sem contraponto e que se ajusta aos gulosos interesses de uma corja que sabendo, nada quer saber do que é o direito à felicidade mínima dos povos. 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

POR UM "INEXPLICÁVEL" PODER, O POLÍTICO TRANSFORMOU-SE EM CARTEIRO


Cada vez mais gosto de olhar os animais! 

Na vida há um tempo para tudo. Especificamente, no exercício da política, existe um tempo para estar e outro para sair. Os que lá se mantêm com inimagináveis tendências eternas lá saberão porquê! Independentemente das motivações e justificações que só a História desvendará, há um incontido desejo de poder que lhes corre no venenoso sangue. Quem por esses caminhos seguiu ou segue, exemplos bastantes nos dizem que acabou mal. Saem empurrados, pela porta pequena e muito estreita. É o que irá acontecer quando, desesperadamente, o político se transforma em uma espécie de carteiro, suplicando, oiçam-me, salvem-me deste desastre, porque, de contrário, vou ao fundo mas levo todos vocês comigo! 
A vida e o povo, que são a essência do trabalho político, mereciam muito mais do que este triste espectáculo.
Ilustração: Arquivo próprio/Quinta Pedagógica - Prazeres/Madeira.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

DESCARADO ROUBO


O assunto não é novo. Todos sabemos que o Estado nos devora com impostos directos e indirectos, aplica-nos taxas e sobretaxas, reduz os proveitos do trabalho, congela carreiras, rasga as contratualizações com pensionistas e aposentados, em suma, encosta-nos à parede sem possibilidade de reacção. No final do mês debitam nas nossas contas sem que tenhamos dado o aval. Com esta tendência para rapar onde já pouco existe, esmaga os pobres e empurra a classe média para a zona das crescentes dificuldades ou mesmo da pobreza. 


Julgo que todos estamos de acordo com uma cruzada contra a fraude, a evasão fiscal, o branqueamento de capitais e todos os enriquecimentos sem uma justificação convincente. E existe, por aí, muita coisa mal explicada! Qualquer pessoa honesta, que não falha perante os exagerados compromissos impostos pelos "impostos", obviamente que concordará com a atitude de qualquer governação em seguir o rasto de muito dinheiro que corre sem que se conheça a sua proveniência. Pacífico, digo eu. 
O problema é que essa mesma governação não quer saber do esforço de milhares de trabalhadores honestos, os tais que são encostados à parede mas que ainda, com receio do futuro, amealham algum dinheiro e entregam-no à guarda de uma instituição bancária. Pergunto: que justificação plausível, sobretudo para valores baixos, findo o prazo de uma contratualização de um qualquer produto (não especulativo), descaradamente, aplicar 28% sobre os juros? Imagine-se um produto de poupança, repito, de poupança, que ganhou, ao final da contratualização, € 630,00, que razões justificam que subtraia € 176,00? É um Estado ladrão, um Estado que rouba duas vezes: em um primeiro momento, esmaga e, não satisfeito, em um segundo momento, rouba sem nada ter produzido.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

1640 - A RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA



Hoje deveria ser um dia de comemoração de uma data histórica, aquela que nos devolveu a independência do Reino de Portugal, relativamente à dinastia filipina castelhana, com a instauração da IV Dinastia Portuguesa e com a aclamação de D. João IV. Mas nem isso a dupla Passos Coelho/Paulo Portas respeita. Acabaram com o feriado nacional e, naturalmente, com as manifestações históricas. Melhor dizendo, tentam acabar com a memória, como se este dia de trabalho viesse a resolver o problema de fundo da complexa situação em que nos encontramos. Muito mal vamos quando alguns políticos de circunstância passam uma borracha sobre datas que nos deveriam orgulhar. 
Ilustração: Google Imagens. 

domingo, 30 de novembro de 2014

UM GOVERNO COM POLÍTICAS EM ZIG-ZAG... AFINAL, É NECESSÁRIO UM NOVO HOSPITAL


O governo regional da Madeira tem o dever de explicar-se. Afinal, que razões substantivas, as verdadeiras, levaram a abandonar o projecto do novo hospital, em S. Rita, investir nos terrenos anexos ao velho hospital, acabar com quase toda a iniciativa privada convencionada, com quase toda a capacidade instalada (o direito à saúde está muito para além do local onde é prestado) e apostar em um hospital de sucessivos remendos. O governo tem o dever de contar TODA A VERDADE e não apenas a verdade conveniente. 


Recordo o que já escrevi em 2011:
"(...) Podem acrescentar o que quiserem, podem expropriar terrenos de bananeiras, casario, etc., porque o que ali estão a fazer são efectivamente remendos. Fica melhor, pois fica. Torna-se mais operacional em determinadas áreas, ninguém coloca em causa. Mas não deixa de constituir um remendo. Dizem as Ordens dos Médicos e dos Enfermeiros, dizem os Sindicatos, dizem os especialistas em construções hospitalares, dizem os que zelam pela SEGURANÇA, só o Secretário diz, por conveniência política, exactamente o contrário, para contornar o clamoroso erro que foi a não construção do novo hospital. A posição do governo regional é, de facto, delirante! "(...) Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção ia para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir,que oito consórcios mostraram-se interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o actual secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica; no entanto, o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constatou-se o recuo, todavia, de trapalhada em trapalhada (...)".
Finalmente, 13 ANOS DEPOIS, o governo volta a referir que é necessário. Então, o que se passou, que interesses estiveram em jogo e que interesses estão hoje em jogo? Certamente que não são os interesses dos utentes.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 29 de novembro de 2014

FEIO, MUITO FEIO! ÀS VEZES É MELHOR ESTAR CALADO


Há situações que me irritam. Talvez porque a palavra solidariedade muito me diga. Li o que o líder do PS-Madeira disse sobre o ex-Secretário-Geral do PS, Engº José Sócrates (DN-Madeira): "As pessoas conhecem-nos, já cortámos há muitos anos com o engenheiro José Sócrates (...)". Ora bem, eu vou considerar que se tratou de um deslize muito infeliz. Simplesmente porque há circunstâncias que obrigam, quer no plano da responsabilidade institucional, quer no das relações interpares, a uma grande contenção nas palavras. Aquela frase é chocante, até porque pode conduzir a uma outra leitura: se cortou com o antigo secretário-geral, também deve estar em corte com o actual, uma vez que não o apoiou nas primárias. E pode, ainda, conduzir a um segunda leitura, esta mais arrepiante: uma condenação pública sem julgamento.


Estou afastado das lides político-partidárias desde 2011. Apenas sou um militante de base, que tem convicções e com quotas em dia. Não gosto de dar tiros para dentro, o que me leva a conter muitas vezes. Mas há limites. Quando se apregoa a solidariedade para fora torna-se obrigatório assumir uma grande solidariedade dentro de portas. As pessoas ocupam, circunstancialmente, os lugares, mas há uma memória de respeito, mesmo quando somos confrontados com situações que nos deixam angustiados. Os líderes não são figuras descartáveis, ao jeito de "rei morto, rei posto"! 
Um líder tem de ter sempre presente que não pode agradar a todos e daí que, no caso em apreço, deva ter presente duas perguntas: quantos madeirenses, neste momento, já cortaram comigo? E mesmo no interior do partido, quantos já cortaram com a minha prestação política? O tempo é de serenidade e de respeito.
Feio, muito feio. Às vezes é melhor estar calado.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

TODOS IGUAIS PERANTE A LEI, MAS...


Pelo meu posicionamento político-partidário obviamente que não me é fácil aceitar os acontecimentos dos últimos dias. Sinto, como já aqui referi, um misto de desilusão e de frustração. Porém, no plano político, não deixo de colocar em um dos pratos da balança o que de bom foi realizado pelo Engº José Sócrates durante os seus seis anos de Primeiro-Ministro e, no outro, o que me deixou reticências, embora, só quem tenha responsabilidades de governação do País esteja em condições de dominar todas as complexidades. Tenho como plenamente assumido que o saldo desse tempo de governação foi positivo. Penso não ser honesto apenas agarrar-se ao que de menos bom foi realizado, ignorando o lado positivo da governação. Mais, não me parece sério atribuir-lhe exclusivas culpas pela situação a que o país chegou quando tudo se deveu ao colapso ecónomico e financeiro externo que acabou por varrer uma grande parte dos países europeus. Tenhamos presente que Espanha, por exemplo, tinha tido um superávit nas contas do Estado e com o início e a marcha da crise foi o que todos sabem. E José Sócrates não era primeiro-ministro desses países que, ainda hoje, tentam ultrapassar a agonia fabricada externamente. Não é sério passar ao lado de um facto: quando José Sócrates chegou a Primeiro-Ministro, o défice das contas públicas situava-se em 6,83% e sob a sua responsabilidade conseguiu passá-lo para 2,6% em 2007 e 2008, sem colocar em causa as constitucionais preocupações sociais. 

JORNADAS PARLAMENTARES
nas quais participei.

De memória relembro algumas medidas: a baixa no preço de 4.000 medicamentos que significou uma poupança para os portugueses de 726 milhões de euros. Neste aspecto, em quatro anos, aumentou de 8% para 19% o crescimento na prescrição dos genéricos; o Complemento Solidário para Idosos, instrumento poderoso para atenuar a pobreza de 200.000 portugueses (na altura); o apoio pré-natal; o Salário Mínimo que cresceu 20% nesses 4 anos; o Abono de Família, uma das prestações mais importantes que cresceu 25% conjugado com o 13º mês dessa prestação social; a Acção Social Escolar, baseada nos escalões do abono de família, e que veio a beneficiar milhares de alunos e suas famílias; o investimento em equipamentos sociais, com cerca de 500 novos equipamentos; a rede de cuidados continuados, com o aumento de 8.000 camas; o apoio à parentalidade, onde a licença passou de cinco para dez dias, acrescido de mais um mês caso o pai ficasse com a criança; a reforma da segurança social permitindo safar o País que se encontrava no abismo para uma situação de garantia de futuro; a política de energias renováveis; a obrigatoriedade do 12º ano; a renovação do parque escolar; o substancial apoio à ciência e tecnologia como nunca tinha acontecido; a política de aproveitamento da energia hídrica, enfim, não é sério esconder esta realidade. Nos apoios à Região da Madeira que o diga o presidente do governo regional. Criticou a Lei das Finanças Regionais, mas nunca dispôs de tanto dinheiro quanto nesse período. E não foi apenas por via da Lei de Meios! Portanto, foi, do meu ponto de vista, com todos os erros que possam ser-lhe apontados, um bom Primeiro-Ministro. 
Perseguiram-no desde o primeiro momento envolvendo-o em tantas maroscas que em nada deram. O ex-Procurador Geral da República, Dr. Pinto Monteiro, ainda no passado Domingo, foi muito claro. Pediu para consultarem os processos que são públicos. José Sócrates, hoje, é indiciado por outros alegados crimes. Não me pronuncio porque desconheço o processo e só quando dirimidos em sede de audiências de julgamento poderão ficar ou não provadas as acusações. Até lá, a contenção deve ser palavra de ordem. O que me permito criticar são as condições da sua prisão preventiva. Ainda ontem, na TSF, criticando a decisão, o Dr. Daniel Proença de Carvalho, cito de cor: (...) mal vai o Ministério Público, depois de um ano de investigação, não possua elementos suficientemente consistentes dos crimes alegadamente praticados (...). Discurso que vale para todos os "arguidos". É a opinião de um advogado de referência. Mas vou mais longe. É evidente que todos nós somos iguais perante a lei, mas José Sócrates foi Primeiro-Ministro. Não me parece digno, face à presunção de inocência, que seja "enjaulado", como ainda ontem li, numa cela com duche frio (se quiser água quente tem de deslocar-se ao balneário colectivo), lado a lado com um serial-killer que cumpre 25 anos de cadeia. Não é digno que se coloque, segundo a comunicação social, um ex-primeiro-ministro numa cela de 12 metros quadrados, com uma cama, um armário e uma divisória para a casa de banho onde há um lavatório, uma sanita e um duche. Sócrates, nesta fase do processo, está apenas indiciado, repito. E na qualidade de ex-primeiro-ministro, a dignidade do homem político que desempenhou altas responsabilidades no Estado, deveria obrigar a um cuidado redobrado na forma de defender a sua imagem até ao julgamento. Não aceito e razão tem o ex-Bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. Marinho Pinto, quando sublinhou: "Em Portugal quem está a contas com a justiça não fica sob a alçada da lei", acrescentando que, na verdade, um arguido fica nas mãos dos magistrados. E "se o magistrado tiver a cultura do Dr. Carlos Alexandre tem 99% de probabilidade de ir parar à cadeia". Digo eu, mesmo considerando a presunção de inocência. Até porque, repito, apesar dos indícios, definitivas serão as audiências de julgamento que provarão ou não os crimes de que está acusado. 
Daqui resulta que José Sócrates mesmo que venha a ser absolvido, não nos esqueçamos que é uma das hipóteses, já está julgado. Foi preso e a dúvida permanecerá. A sua carreira política acabou, mesmo sem julgamento. Ora, um país, mesmo considerando a separação de poderes, que permite este enxovalho a uma sua destacada figura política, evidencia total ausência de respeito pelos cidadãos e mais do que isso, ausência de princípios por aqueles que o serviram ao mais alto nível político. À Justiça o que é da Justiça, mas a Justiça, no seu dever de imparcialidade e de defesa dos cidadãos, não pode estar discricionariamente nas mãos dos Magistrados. Alto e parem o baile. A Justiça também é POLÍTICA, porque dela deriva dos poderes Legislativo e Executivo. Daí a necessidade de uma supervisão. Por quem e através de que instrumentos, não me compete dizê-lo. Simplesmente porque não sei.
NOTAS:
1. Este texto, repito, para que não subsistam dúvidas, não constitui uma defesa cega do Engº José Sócrates. Não conheço o processo, não sou jurista e apenas sou um cidadão com opinião. Se for considerado corrupto, que pague pelos erros. Até lá exijo respeito e dignidade. Assim me posiciono por dois motivos: primeiro, porque não gostaria de ver um Presidente da República ou um presidente do Governo Regional numa situação tão aviltante; segundo, porque revolta-me um julgamento popular antes do julgamento. No caso de Sócrates não se trata de um confessado crime de sangue, mas de um indício de crime de alegada corrupção e de branqueamento de capitais. E neste caso, pergunto, quantos deles andam por aí a aguardar julgamento em liberdade! Quantos?
2. Para o Presidente da República, nada se passa. As instituições estão a funcionar com normalidade - disse. Chego a pensar que este homem ainda não tomou posse!
3. Declaração do Engº José Sócrates: "Há cinco dias "fora do mundo", tomo agora consciência de que, como é habitual, as imputações e as "circunstâncias" devidamente selecionadas contra mim pela acusação ocupam os jornais e as televisões. Essas "fugas" de informação são crime. Contra a Justiça, é certo; mas também contra mim.
Não espero que os jornais, a quem elas aproveitam e ocupam, denunciem o crime e o quanto ele põe em causa os ditames da lealdade processual e os princípios do processo justo. Por isso, será em legítima defesa que irei, conforme for entendendo, desmentir as falsidades lançadas sobre mim e responsabilizar os que as engendraram.
A minha detenção para interrogatório foi um abuso e o espetáculo montado em torno dela uma infâmia; as imputações que me são dirigidas são absurdas, injustas e infundamentadas; a decisão de me colocar em prisão preventiva é injustificada e constitui uma humilhação gratuita.
Aqui está toda uma lição de vida: aqui está o verdadeiro poder - de prender e de libertar. Mas, em contrapartida, não raro a prepotência atraiçoa o prepotente.
Defender-me-ei com as armas do Estado de Direito - são as únicas em que acredito. Este é um caso da Justiça e é com a Justiça Democrática que será resolvido.
Não tenho dúvidas que este caso tem também contornos políticos e sensibilizam-me as manifestações de solidariedade de tantos camaradas e amigos. Mas quero o que for político à margem deste debate. Este processo é comigo e só comigo. Qualquer envolvimento do Partido Socialista só me prejudicaria, prejudicaria o Partido e prejudicaria a Democracia.
Este processo só agora começou.
Évora, 26 de Novembro de 2014
José Sócrates»
Ilustração: Arquivo próprio.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O 25 DE NOVEMBRO E O DISCURSO DO DEPUTADO EMANUEL GOMES (PSD)


Não é a primeira vez e não será a última. Não me cansarei de fazer lembrar o que o Deputado do PSD, Dr. Emanuel Gomes, dizia, quando era militante e vereador eleito pelo PS, da Câmara Municipal de Machico, e o que agora assume enquanto deputado do PSD. Relembro, não por questões partidárias (cada um segue o caminho político como quer e entende), mas deve fazê-lo com memória. O que não acontece com este senhor deputado que, sistematicamente, cai em contradição relativamente aos "genuínos" (terão sido?) posicionamentos de outrora. Ontem destacou o "orgulho" que o partido deve ter na sua história: (...) Passados estes quarenta anos o PSD-Madeira tem orgulho da sua história e ostenta com vaidade, porque não dizê-lo, todo o trabalho que fez pelo desenvolvimento desta Região Autónoma. Foi uma realização ciclópica que mudou a Madeira e o Porto Santo, que transformou a vida dos madeirenses e portosantenses, e que agora muitos, por razões políticas ou pessoais querem menosprezar, desconsiderar e até vilipendiar, só porque a Região e os seus cidadãos vivem momentos financeiros bem difíceis (...)". Isto é, fez um elogio à governação e um ataque cerrado às candidaturas internas, mostrando-se "mais papista que o papa" (Jardim)!


Mas nem sempre foi assim. Há uns anos, o mesmo senhor deputado não enxergava o PSD-Madeira. E escreveu um texto, quando era Vereador da Câmara de Machico, onde atacou, sem dó nem piedade, o PSD e, concretamente, o Dr. Jardim: "(...) Eis o insustentável mas previsível desfecho de uma política ardilosamente montada, por quem, no velho estilo do tudo sabe, tudo pode, tudo manda, não quer nem sombra de outras intervenções autónomas e personalizadas na vida da Região (...) Assim fizeram ao longo dos tempos todos os que teimaram em perpetuar o seu poder (...) Ele chama a si todas as campanhas eleitorais, define todas as estratégias administrativas, faz todas as promessas. A sua orientação política é piamente cultivada pelos seus pares (...) O Povo deixou-se levar nestas cantigas mas agora não vai perdoar aos verdadeiros responsáveis pela actual situação (...) No meio de tudo isto, uma terra, um povo, uma autarquia, é humilhada, maltratada e votada ao ostracismo, por uma classe política de baixo nível. Machico sempre disse não a esta política (...) Por isso tem pago a factura do seu atrevimento, do seu inalienável direito à diferença" (...)."
Já por mais de uma vez publiquei este texto e vou continuar a publicá-lo para que a decência regresse ao exercício da política. É por estas e por outras que o Povo olha para a política e para  muitos dos seus actores com desdém e afasta-se. Afinal, uma vez mais, Dr. Emanuel Gomes, em que ficamos? O Dr. Jardim é o seu deus ou as circunstâncias determinaram que fosse, em certo tempo, o seu diabo?
Ilustração: Google Imagens. 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

DESILUSÃO E FRUSTRAÇÃO


Confesso a minha desilusão e frustração política face à prisão preventiva do Eng. José Sócrates. Passo ao lado da vergonhosa Justiça tornada em um espectáculo gratuito oferecido nos últimos dias aos portugueses e a todo o Mundo. O recato e o bom senso que deveriam ser apanágio da Justiça, deu lugar à montagem de um circo ao qual ninguém ficou indiferente. Confirmaram-no e condenaram-no tantos comentadores e especialistas do Direito. O que disseram está dito e ponto final. O que me leva a escrever algumas linhas é a desilusão e frustração que me invade, embora sobre o ex-primeiro-ministro apenas existam fortes indícios de um comportamento reprovável. Ele não foi condenado e, portanto, até à sentença, tem de ser considerado um cidadão inocente. Lá mais para a frente se saberá toda a verdade. Também aqui, porque não sou especialista nem conheço o processo, não teço considerações. Agora, não fico indiferente a tudo o que está a acontecer, não apenas neste caso, mas em todos os outros que são do domínio público. Há, penso que se pode concluir, uma enorme trapaça desde a banca aos municípios, até às mais altas figuras do Estado.


E é esta trapaça que nos anda a devorar. Tantos que se apresentam como impolutos, no fundo, andam por aí revestidos de uma capa que esconde as suas verdadeiras motivações. É frustrante quando se esfumam as referências públicas de seriedade e de honestidade. Torna-se decepcionante e provocador de demissão da participação cívica, quando se olha em redor e assiste-se a um salve-se quem puder! Ora, se a Justiça de facto despertou, só espero que vá muito mais longe. Há, com toda a certeza, enriquecimentos de base ilícita, muitas riquezas mal explicadas, muitos milionários de um momento para o outro e muitas situações que podem configurar atitudes de corrupção. Não basta prender meia-dúzia para que tudo o resto continue em águas mornas, aliás, como tem sido sensível aos olhos do povo português. Há muito que sustento, aqui e lá, uma gigantesca operação "mãos limpas" porque os sinais provam que andamos a ser corroídos no direito à felicidade. O Zéca Afonso cantou os "Vampiros"... "eles comem tudo". Pois, eles, banca, as mais altas figuras do Estado e todo o sistema que anda embrulhado em papel de celofane colorido. Não é o regime democrático que está em causa, mas o sistema político que resvalou para uma situação, repito, de desilusão e de frustração.
Cuidado com aqueles que, aproveitando-se da situação, dizem que "os políticos não são todos iguais". Acredito que não sejam. Há muita gente, muita mesmo, honesta e que faz do exercício da política um serviço público à comunidade. Estão na política porque acreditam numa sociedade melhor. Os outros, com rabinhos de palha, que não se aproveitem, porque se hoje, preventivamente, alguns estão privados da liberdade, amanhã, poderão aparecer processos ligados a tanta situação impensável.
Ilustração: Google Imagens. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

ORÇAMENTO DA CÂMARA MUNICIPAL DO FUNCHAL E A AUSÊNCIA DE MEMÓRIA DO DR. BRUNO PEREIRA (PSD)


Não li o plano e orçamento para 2015 daí que este comentário apenas se situe no âmbito das declarações que escutei. O Dr. Bruno Pereira (PSD) falou de "orçamento empolado", de uma "repulsa em relação a este orçamento", porque não evidencia acrescido cuidado com as "zonas altas", com a "habitação social", com a "mobilidade" e até com a "energia". Lá terá as suas razões políticas. O que me espanta nestas declarações, ou talvez não, é a desfaçatez política de abrir a boca e dizer coisas por ausência de memória. 


E deixo aqui algumas questões: a quem se deve o desordenamento territorial das zonas altas do Funchal: a esta Vereação que preside ao município, há um ano, ou a quem lá esteve desde 1976, ininterruptamente? A quem se fica a dever as questões relacionadas com a falta de rigoroso planeamento que tornou as zonas altas em um caos urbanístico? E a quem devem ser assacadas responsabilidades por nunca ter assumido uma posição estrutural relativamente a tudo o que se relaciona com a mobilidade, quer no coração da cidade, quer no eixo longitudinal (acessibilidade aos concelhos limítrofes) quer nos pendulares? Quem é que, durante mais de trinta anos, foi negligente ao ignorar os necessários estudos de mobilidade? Quem é que acabou com os "park & ride"? E quem é que, na habitação social, deixou os bairros se degradarem? E quem é que, no tempo em que havia disponibilidade financeira, não conseguiu implementar o número de fogos que estavam aprovados? Mas há mais: quem é que deixou uma dívida de noventa e tal milhões de euros, que tem de ser urgentemente paga, uma vez que estão em causa empresas e, por extensão, pagamento de salários aos trabalhadores? E quem é que criou um organigrama da autarquia, complexo, desajustado e oneroso que leva a Câmara a ter, hoje, uma substancial despesa com os seus recursos humanos?
Repito, não li o Orçamento da Câmara, mas quando se apontam insuficiências nesta e naquela área de intervenção, necessário se torna um exercício de memória. Se existem heranças "pesadas" a da Câmara do Funchal é uma delas. Melhor teria sido que ao invés da crítica cerrada e do chumbo ao orçamento, o Dr. Bruno Pereira tivesse sido propositivo. Segundo escutei, o CDS/PP propôs, a maioria aceitou e viabilizou o orçamento. Porque a política é a arte do possível!
Ilustração: Google Imagens.