sábado, 31 de maio de 2014

TERMINA HOJE O PRAZO




São intervenções destas, sustentáveis, tecnicamente conhecedoras, que credibilizam um partido que quer ser poder. O Dr. Carlos Pereira é a única via que o PS-Madeira dispõe para defrontar o poder que governa há quase quarenta anos.

VÍTOR BENTO PENSA QUE FALTA DAR RELIGIÃO À ECONOMIA



Então, o "Deus Mercado" o que é? Não é o "senhor" de tudo, o caminho da salvação, depois de a todos nos crucificarem? O que penso, ao contrário deste Bento, Amigo de Cavaco Silva e membro do Conselho de Estado, é que estamos nas mãos de uma seita que nos rouba e imola, sempre com a palavra que o céu está mesmo ali ao virar da esquina!
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

SE EU ESTIVESSE NO LUGAR DE SEGURO...


(...) Mas, se lá, um vitorioso, provavelmente sairá, pergunto, na Federação da Madeira, um líder que perdeu as eleições europeias, o que deverá fazer quando, também no horizonte, estão as legislativas regionais? Quando é sintomática a dificuldade em juntar os partidos políticos para uma coligação sob a égide do actual líder do PS? Quando o seu nível de aceitação popular não permite acalentar a hipótese de "mudança" no próximo ano? Regresso ao princípio: se eu estivesse nesse lugar convocaria um congresso. Já. E pelas mesmas razões não concorreria. Finalmente, li a edição de hoje do DN-Madeira. Apesar de não ter qualquer responsabilidade política no PS-Madeira, a quem apenas pago as quotas, desde já anuncio que votarei no Dr. Carlos Pereira, caso venha a candidatar-se, por entender que é a única solução na construção de uma alternativa, inclusive, com possibilidades de acordos com outras forças políticas.


Se eu estivesse no lugar de Seguro, perante duas eleições vitoriosas e depois de três anos a credibilizar o partido, no próximo Sábado, na Comissão Nacional, por paradoxal que pareça, colocaria o lugar à disposição dos militantes e convocaria eleições. Uma posição, esta sim, irrevogável". E mais, não concorreria à liderança. Apenas saía, em alta, apesar de, naturalmente, contar com muitos apoios. Seguro deveria assumir esta posição, magoado, é certo, mas, em nome do PS e do futuro do país, sair pela porta grande e no momento certo. Esse constituiria um acto político que não está ao alcance de muitos, porque é necessária uma alta dose de desprendimento político. Sejam quais forem as causas e as pressões exercidas. Não se trata de fraqueza nem de calculismo, trata-se apenas de uma resposta para não perturbar e prolongar uma crise interna quando as legislativas nacionais estão no horizonte. 
Seguro é vítima, também, de uma comunicação social que, desde a primeira hora, não o entendeu. Eu diria que Seguro não caiu em graça. Com poucas excepções, jornalistas e comentadores alinharam pelo mesmo diapasão, mas a verdade é que ganhou as autárquicas e as Europeias. Mesmo assim, a cabeça dos eleitores está feita: este não... venha outro. Costa, neste caso, gera empatia com o eleitorado, vá lá saber-se porquê! Aliás, o mesmo aconteceu com Sócrates. Foi visado, maltratado e responsabilizado, quando se sabia e hoje confirma-se que a crise foi externa, não teve origem no governo da República, que foi uma crise que varreu e continua a varrer a Europa, agravado pelo chumbo do PEC IV que veio a determinar a entrada da Troika em Portugal. Mas a cabeça do povo eleitor foi feita!
Ora, quando isto é tão evidente, julgo, no caso em apreço, que,a Seguro, só lhe restará a saída com a noção do dever cumprido. Envolver-se na questiúncula interna poderá resultar, entre outras, uma de três consequências: primeira, uma sua vitória, por pouco, deixando o partido internamente dividido. Perguntar-se-á, à posteriori, para que serviu o congresso? Se a situação já não era famosa tenderá a degradar-se; segundo, uma vitória tangencial de Costa não favorecerá a necessária unidade interna; terceiro, em qualquer dos casos, dificuldades acrescidas nas eleições legislativas nacionais do próximo ano. Portanto, não vejo outra saída para António José Seguro que não a sua "saída limpa" deste processo.
Mas, se lá, um vitorioso, provavelmente sairá, pergunto, na Federação da Madeira, um líder que perdeu as eleições europeias, o que deverá fazer quando, também no horizonte, estão as legislativas regionais? Quando é sintomática a dificuldade em juntar os partidos políticos para uma nova coligação sob a égide do actual líder do PS? Quando o seu nível de aceitação popular não permite acalentar a hipótese de "mudança" no próximo ano? Regresso ao princípio: se eu estivesse nesse lugar convocaria um congresso. Já. E pelas mesmas razões não concorreria.
Finalmente, li a edição de hoje do DN-Madeira. Apesar de não ter qualquer responsabilidade política no PS-Madeira, a quem apenas pago as quotas, desde já anuncio que votarei no Dr. Carlos Pereira, caso venha a candidatar-se, por entender que é a única solução na construção de uma alternativa, inclusive, com possibilidades de acordos com outras forças políticas.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

CÂMARA MUNICIPAL DO FUNCHAL, TOCA AO TRABALHO EM UNIDADE, PORQUE NÃO EXISTE MARGEM PARA ERROS.


No início da crise escrevi: "(...) Desconheço as causas mais profundas da situação. Daí que não emita qualquer juízo de valor. Sei do essencial que tem sido veiculado pelos órgãos de comunicação social. Enquanto cidadão gostaria de perceber o que se encontra por detrás deste quadro negro. Simplesmente porque acho esquisito, desbaratar em pouco mais de seis meses, o capital de MUDANÇA saído da lotaria dos votos. Esquisito, porque cinco pessoas foram eleitas de acordo com um excelente PROGRAMA, e bastaria que por aí se guiassem, com rigor e determinação. Apenas isso. Tal não está a acontecer e daí que, politicamente, ninguém possa ignorar a realidade". Escrevi e mantenho esse posicionamento. Disse, na altura, que, naquele quadro, repito, naquele quadro, porque houve uns senhores de crítica mal intencionada, a solução seria partir para eleições intercalares. Hoje, porém, a situação parece ser diferente com a renúncia ao mandato de três vereadores, facto que abriu espaço para a recomposição da equipa inicialmente eleita. Isto significa que o Dr. Paulo Cafôfo ganhou, na expressão do DN-Madeira, um novo "fôlego". É evidente que desconheço os meandros desta crise, as suas causas, não as difundidas através de comunicados, mas a que se aproximam da realidade. A história parece-me ser mais complexa. Tudo isto entristeceu-me, deixou-me e deixa-me, ainda, irritado porque, parece-me óbvio, que os munícipes do Funchal e a Madeira em geral estavam e estão de olhos postos na "MUDANÇA" visando outras inadiáveis mudanças. Oxalá que, depois da tempestade, este seja um tempo de bonança.


A renúncia aos mandatos foi uma solução prestigiante para os três vereadores que, insatisfeitos, fizeram tal opção, garantindo, dessa forma, a governabilidade da Câmara. Independentemente das suas razões, trata-se de uma atitude de grande elevação democrática e, sobretudo, de sentido de responsabilidade perante a ansiada "MUDANÇA". Espero, doravante, se, entretanto, não existirem outros desenvolvimentos negativos, duas coisas: primeiro, que os elementos chamados ao executivo, em pelouros tão sensíveis quanto os que estão em causa, cumpram, técnica e politicamente, de forma irrepreensível; em segundo lugar, que ninguém se esqueça que os eleitores são capazes de perdoar uma vez, mas não perdoarão uma segunda crise. Eu diria que não existe margem para erros. 
Os novos vereadores executivos gozarão, inclusive, de um período muito curto de benefício da dúvida, de "estado de graça", pelo que, todos terão de fazer "horas extras" para garantirem a normalidade de funcionamento e a concretização do programa da "MUDANÇA". Desde já, felicidades.
Ilustração:  Google Imagens. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

DEBATE SOBRE O ESTADO DA REGIÃO

PORTUGAL NO CAMINHO DA SOPA COMUNITÁRIA!


"No período pós-25 de Abril de 1974, a mistificação política nunca atingiu os níveis que hoje atinge. Mistificação consiste em fazer alguém acreditar numa mentira. A mentira é que o processo da troika terminou com êxito, que Portugal tem hoje melhores condições para se desenvolver como país europeu e que a reforma do Estado proposta garante a criação de uma sociedade mais equitativa. Que o sucesso da troika seja o outro lado da hecatombe social que se abate sobre os portugueses empobrecidos; que as novas condições de desenvolvimento sejam as típicas de um país subdesenvolvido (emigração, trabalho e velhice sem direitos) que tínhamos deixado de ser; que a reforma do Estado proposta seja aquela que os países latino-americanos rejeitaram nos últimos 15 anos precisamente para construir sociedades mais equitativas — nada disso é relevante para a mídia ou entra no discurso político. No momento em que o país vive um momento político idêntico ao do Verão quente de 1975, só que de sentido político oposto, o Partido Socialista (PS), sem a coragem de então, pede que seja tornado público o conteúdo da carta de intenções com que se concluem os trabalhos da troika. Não se trata de enfrentar a mentira com a verdade, mas antes de certificar que a mentira é verdadeira. Com razão, o primeiro ministro Passos Coelho responde que a carta não contém nada de novo nem de extraordinário. Basta consultar a letter of intent da Irlanda de 29 de Novembro de 2013. A carta é a expressão do compromisso do país a aceitar como verdades as mentiras que acima referi e de agir em conformidade nas próximas décadas. (...)"


"(...) Portugal sai da Europa seguro pela trela curta do euro e do tratado orçamentário. Não pode ir muito longe. Arranjará um lugarzito na soleira da porta da Europa, um país sem-abrigo por onde passarão regularmente as carrinhos da sopa humanitária. É digno de nós, como portugueses e como europeus, que não haja alternativas a este estado das coisas? Claro que não. Estará o atual sistema político-partidário em condições de explorar essas alternativas? Claro que não. Como em democracia há sempre alternativas, o regime atual é democrático? Claro que não. Haverá então alternativas democráticas, quer a nível nacional, quer a nível europeu, a este regime autoritário? Claro que sim. Para isso, é necessário que a jangada de pedra, tão premonitória, se afaste o suficiente para romper com a trela ou para forçar que ela seja refeita de modo a dar mais margem de liberdade ao movimento da jangada. Não esqueçamos que os cães são os melhores amigos dos homens. O cão de Saramago, Constante, no momento crucial de ter de decidir, optou pela Península Ibérica".
NOTA:
Dois excertos de um recente artigo do Professor Doutor Boaventura Sousa Santos.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

PÉROLAS POLÍTICAS


A pobreza e a exclusão social, sejam quais forem os meritórios objectivos da organização em causa, não se combatem com o futebol de rua. O futebol não combate a fome de muita coisa. Essa chaga combate-se com políticas educativas sérias, estabelecendo prioridades, através de uma escola de natureza inclusiva, centrada no aluno e não na burocracia que rodeia o aluno, com uma outra visão organizacional, curricular e programática capaz de eliminar o abandono e o insucesso, combate-se com políticas sociais integradoras a montante, com políticas de emprego que libertem as pessoas da pobreza e, simultaneamente, com uma outra atenção à cultura em sentido lato.


Foi notícia a realização de um Torneio Regional de Futebol de Rua, promovido pela Associação da Madeira de Desporto para Todos, pela Direcção Regional de Juventude e Desporto e pela Câmara Municipal do Funchal. Da conferência de imprensa de apresentação retive duas pérolas: primeiro, que a competição “promove a prática desportiva como estratégia inovadora de intervenção social, no combate à pobreza e exclusão”; segundo, as declarações do secretário regional da Educação e dos Recursos Humanos que foi muito mais longe: “(...) Esta manifestação desportiva é muito importante, no combate à pobreza, exclusão e marginalização. Por isso está de parabéns a organização, a quem lanço o desafio de não só pensar em trazer a fase final do Torneio Nacional de Futebol de Rua, como também em pensar na realização do Mundial na Madeira. O desafio é colocar a cidade do Funchal no centro das atenções, realçando as boas práticas que por aqui se vão fazendo e que muitas vezes não têm a visibilidade merecida”.
Ora, a pobreza e a exclusão social, sejam quais forem os meritórios objectivos da organização em causa, não se combatem com o futebol de rua. O futebol não combate a fome de muita coisa. Essa chaga combate-se com políticas educativas sérias, estabelecendo prioridades, através de uma escola de natureza inclusiva, centrada no aluno e não na burocracia que rodeia o aluno, com uma outra visão organizacional, curricular e programática capaz de eliminar o abandono e o insucesso, combate-se com políticas sociais integradoras a montante, com políticas de emprego que libertem as pessoas da pobreza e, simultaneamente, com uma outra atenção à cultura em sentido lato. Depois, senhor secretário do estado a que isto chegou, quando os cofres da Região estão no vermelho, quando o governo não cumpre a calendarização dos contratos-programa assumidos com o associativismo, quando pede um desconto sobre o que foi prometido, quando ressalva que a atribuição de subsídios está dependente da retirada de queixas na Justiça contra o governo (chantagem), quando não há dinheiro para subsidiar iniciativas com história, pergunto, como pode vir falar da internacionalização de uma competição? Patético! Deveria preocupar-se, primeiro, com tudo o que falta nas escolas, com o crescente desespero dos professores e com as enormes carências sociais. Começar por aí, convenhamos, é bem mais difícil.
NOTA: 
Artigo de opinião da minha autoria publicado na edição de hoje do DN-Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 25 de maio de 2014

HÁ BOMBA POR PERTO!


Nunca Alberto João Jardim escreveu um artigo politicamente tão acutilante como o de hoje. Apenas isto: "Pschiu! Hoje não há conversa. Vamos votar!" Sublime. Fantástico. Ele que até em dia de eleições costumava inaugurar obras públicas e privadas, desta vez, decidiu não encher colunas de habituais vómitos políticos. Das três, uma: ou tomou juizinho, ou já não tem nada para dizer, muito menos para inaugurar! Ou um misto das três, se bem que juizinho político é coisa que nunca apresentou, nem na montra nem no armazém. De qualquer forma, no plano do debate político, foi uma atitude de higienização mental para muitos que passam os olhos pelos seus escritos. Seria fastidioso, no dia de hoje, ler historietas da maçonaria, da "perseguição" da família Blandy e dos que pertencem à Madeira Velha. Se não lhe desse para outra coisa, para pegar na esferográfica e despachar meia dúzia de tiros contra os que tentam retirar-lhe o tapete da quintinha onde diz trabalhar pela Madeira. 


No entanto, este silêncio, politicamente, pode ter um outro significado. Será um passo atrás para dar dois em frente? Ás vezes os silêncios são ensurdecedores. E neste caso, que jogadas estará a desenhar para mais um qualquer xeque-mate? E a quem? Naquele saco de gatos no qual o PSD-Madeira está transformado, onde a ninhada cresce e  se arranha por desespero, se esta atitude de "Pschiu! Hoje não há conversa",  à cautela, transporta o significado do receio pelos resultados que venham a se verificar fechadas as urnas? Nem uma palavra contra a abstenção, na perspectiva de, pelo menos os seus, darem corda aos sapatos e comparecerem. Estranho. Ou há "gato escondido..." ou perdeu a seu retrato de "único importante"! Seja como for, repito, no jornal pago pelos nossos impostos, desta vez esteve muito bem, pelo menos não incomodou! Mas há bomba por perto!
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 24 de maio de 2014

A IMPORTÂNCIA DE VOTAR


Por maiores que sejam os atropelos, por mais evidente que seja o facto desta Europa não servir as populações que a integram, a verdade é que, por enquanto, estamos nela e, por isso mesmo, necessário se torna votar contra os interesses dos directórios que nos espezinham com palavras muitas vezes doces. Esta gente tem de ser corrida. 




Li,do Antropólogo e Historiador Panagiotis Grigoriou (Le Monde Diplomatique) um importante artigo sobre a Grécia. A páginas tantas, destaca: "(...) Num jornal de Atenas, esta oferta de emprego:em Creta procura-se "criada de quarto, sem salário, em troca de alojamento e comida". 
Esta é a consequência das troikas que por aí andam e dos tiros de Bruxelas contra o direito ao trabalho, todos apostados naquilo que se designa por "dumping social". Uma vergonha. Votemos contra esta gente.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

FICOU CHORAMINGÃO COM O DÓI, DÓI...




O Dr. Jardim ficou choramingão com o "dói, dói..." do cartaz do PND. Interessante, aquela força toda manifestada, durante anos, pela boca fora, aquele ar altivo, aquela crítica sistemática às instituições que deveriam acabar, perdeu-se pelo caminho. Agora, um simples cartaz (Dói, não dói? Vota nos mesmos) motivou uma queixinha a Lisboa. Foi-se o sentido de humor e emergiu, tal como o "azeite" do Bloco de Esquerda (de uma campanha passada) a verdadeira face do "chefe". Quando é de ataque aos outros, tudo bem; quando os outros, subtilmente, pisam-lhe onde dói, alto e parem o baile. Sofre tanto com as dores.
É evidente que dói e é evidente que este governo anda a azedar desde 1978. Imagine ele perante tanto enxovalho feito a tantos adversários e ao longo de tantos anos, a capacidade que não tem sido necessária para aguentar e resistir quase sem pio! 
O que me leva a pensar que a recente reclamação junto da Comissão Nacional de Eleições, constitui um momento politicamente interessante, pois é revelador que a ave perdeu penas, estão velhas e gastas, já não sendo capaz de grandes voos. Anda de ramo(s) em ramo(s). Agora pede socorro por um simples cartaz cheio de humor, politicamente acutilante mas que não ofende, pois sugere que os madeirenses, se não lhes tem doído, pois então, "votem nos mesmos".  

quinta-feira, 22 de maio de 2014

GLENN MILLER

25 DE MAIO - ELEIÇÕES EUROPEIAS. NÃO TRANSFORMAR O SONHO EM PESADELO!


"NÃO faça nas URNAS o que costuma fazer na sanita, pois na sanita você faz a descarga e não vê mais, mas nas urnas você leva 4 anos a ver a merda que fez".


Aproxima-se o dia das eleições europeias. Domingo, temos o dever de reservar um tempo para cumprir o que a Democracia exige de todos os cidadãos. Dizer que são todos os mesmos, que a trafulhice anda por aí, que o descrédito dos políticos é evidente e que nada melhorará com novos protagonistas, não constitui solução. Não votar significa entregar o poder, de bandeja, a quem não gostamos, ou porque nos roubaram, saquearam ou diminuíram direitos sociais conquistados com muita luta; não votar significa dizer sim à transformação do sonho europeu num pesadelo europeu. E nós estamos a viver esse pesadelo consubstanciado numa clara agressão aos povos, onde deixou de existir solidariedade no âmbito do sentido de comunidade, mas espezinhamento para favorecimento dos grandes interesses financeiros. Não falo de igualdade entre as nações, mas de solidariedade comunitária, o que é bem diferente. É perverso que os directórios europeus, liderados por grupos que sabem de onde vêm, o que pretendem e para onde seguem, entrarem no país para nos dominarem a seu bel-prazer. Tenhamos presente o texto de Frédéric Panier, Economista na Universidade de Stanfort, Califórnia, a propósito dos "arranjos contratuais, que pretende fragmentar as solidariedades nacionais (in Le Monde Diplomatique): "(...) Os arranjos contratuais, igualmente conhecidos pelo nome "Instrumentos de Convergência e Competitividade" assentam num princípio simples: em troca de incentivos financeiros, os estados europeus serão convidados a assinar contratos de reformas macroeconómicas com a Comissão. Estes compromissos incidirão sobre os sectores social, económico ou fiscal, independentemente das competências transferidas para as instituições europeias. Assim, tendo em conta as prioridades actuais da Comissão, é fácil imaginar que a concessão de "vantagens financeiras" pode vir a ser condicionada à eliminação de medidas de protecção do emprego, a reduções das despesas sociais, ou a benefícios fiscais às empresas... ". Isto, segundo o Partido Socialista Europeu (PSE), Sergeï Stanichev, que assegura que ele poderá "fazer desaparecer as disposições sociais em todos os Estados Membros, um atrás do outro, medida atrás de medida". 
É pois contra esta vergonhosa teia de interesses europeus que devemos lutar. A única arma que dispomos é a do voto. Domingo temos o dever de dizer NÃO a estes senhores que dominam politicamente a Europa. Eu irei votar.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O DESESPERO DE PAULO PORTAS E A CAMPANHA ELEITORAL NEGATIVA


Não foi José Sócrates que chamou a Troika, mas sim Passos Coelho e Paulo Portas, ávidos que estavam para chegar ao poder. Foram estes senhores que chumbaram o PEC IV e abriram as portas a uma crise política gerada externamente. O PEC IV, já foi explicado, constituía a solução, no caso português, negociada em Berlim, com o BCE e com Angela Merkel. Daí que, não fosse o chumbo ao PEC IV, o FMI não entraria em Portugal. Se alguém lutou para que Portugal não ficasse sob o domínio da troika, esse político chama-se José Sócrates. Dos outros, reza a História, pela fome de poder, chumbaram essa negociação, aliás, idêntica àquela que Espanha seguiu. Em síntese, a História é esta. E se não tivessem derrubado o governo, provavelmente, não teria sido necessária tanta austeridade e tanta ausência de respeito pela população. Mas ele (Paulo Portas), descaradamente, atira-se a José Sócrates falando de tentativa de "glorificação". 

Políticos que não falam a verdade.

Paulo Portas pediu aos eleitores: "Usem democraticamente o direito à indignação. O que é que isso quer dizer? Domingo não fiquem em casa, vão votar serenamente e travem o caminho desta glorificação de José Sócrates" (...) "Eu apelo aos eleitores para pensarem bem quando virem José Sócrates, o homem que chamou a ‘troika', o homem que assinou o memorando, o homem que nos levou ao precipício financeiro e que nos custou toda esta austeridade, na próxima sexta-feira, ser levado em ombros pelo PS. Pensem bem". Esta é a campanha negativa de Paulo Portas, com uma declaração que não corresponde à verdade. Não foi José Sócrates que chamou a Troika, mas sim Passos Coelho e Paulo Portas, ávidos que estavam para chegar ao poder. Foram estes senhores que chumbaram o PEC IV e abriram as portas a uma crise política gerada externamente. O PEC IV, já foi explicado, constituía a solução, no caso português, negociada em Berlim, com o BCE e com Angela Merkel. Daí que o FMI não entrava em Portugal. Se alguém lutou para que Portugal não ficasse sob o domínio da troika, esse político chama-se José Sócrates. Dos outros, reza a História, pela fome de poder, chumbaram essa negociação idêntica àquela que Espanha seguiu. Em síntese, a História é esta. E se não tivessem derrubado o governo, provavelmente, não teria sido necessária tanta austeridade e tanta ausência de respeito pela população. Mas ele, descaradamente, atira-se a José Sócrates falando de tentativa de glorificação. 
De facto, ninguém olha para uma árvore que não dá frutos. E se fala da glorificação de José Sócrates é porque, no essencial, tem presente que o caminho seguido pela direita foi de total irresponsabilidade, que redundou em frustração e que o povo já se apercebeu que foi enganado. Paulo Portas tem, assim, medo da presença de José Sócrates, ao mesmo tempo que adivinha que o "direito à indignação" manifestar-se-á num voto contra o PSD/CDS, enquanto primeira etapa das legislativas nacionais a terem lugar em 2015. Faz, portanto, do ataque a sua defesa. Ele sabe que as maldades contra o povo perpetradas nos últimos três anos, maldades bem expressas na destruição de postos de trabalho, no aumento da dívida externa, apesar dos pesadíssimos sacrifícios e de uma austeridade que roubou milhões de portugueses, pagam-se nas urnas. E estou convencido que vai pagá-las com juros.
Por tudo isto, não dou muita relevância àquelas declarações. Enquadro-as numa atitude de desespero eleitoral. Todavia, pergunto, como pode ser tão mentiroso! É que sobre Passos Coelho não havia dúvidas. Este, já ultrapassou a cena do "irrevogável" e do "cisma grisalho", colocando-se, agora, no patamar da mentira grosseira.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 20 de maio de 2014

CAVACO E AMÉRICO - TÃO PARECIDOS QUE ESTÃO!


Estão cada vez mais parecidos. A recente declaração do Presidente da República Cavaco Silva, no regresso da sua visita à China ("Eu bem tentei, mas ainda não foi desta que consegui grandes progressos a comer com pauzinhos"), trouxe-me à memória outra triste figura do Estado, o Almirante Américo de Deus Rodrigues Thomaz, último presidente do Estado Novo, que a Revolução de Abril depôs. Américo ficou conhecido pelas suas declarações patéticas ditas, ainda por cima, com um tom quase monocórdico e irritante. Cavaco segue-lhe o rasto, mastiga e mastiga, enrola e não sai nada. Se o Almirante, conhecido, também, pelo corta-fitas, era exímio a fugir dos assuntos que, politicamente, não interessavam abordar, Cavaco segue-lhe o rasto. Os tempos são diferentes, os contextos também, mas ambos são expoentes no exercício de funções que não coloquem em causa a “Causa”. Ambos, repito, em tempos diferentes, mas “A bem da Nação”, são figuras a tempo inteiro do circo montado, são contorcionistas, malabaristas, trapezistas e até “palhaços” sem graça alguma. Muito pouco os separa. Cavaco, até, inscreveu-se na PIDE/DGS (os documentos circulam na NET) e perfila uma ala claramente ultraliberal, onde o capital vale muito mais que as pessoas. Américo era uma figura decorativa do Estado, subordinado ao governo; Cavaco segue-lhe o rasto ao permitir que a dupla Passos/Portas faça o quer e entende. Américo tinha uma mulher, Gertrudes, que andava à sua beira por tudo quanto era sítio e solenidade; Cavaco tem uma Maria intrometida que não conhece o seu papel secundário. Também aqui não existem diferenças substanciais. Américo foi ridicularizado pelos portugueses; Cavaco segue-lhe o rasto, bastando para tal que se leia o desencanto dos portugueses, bem patente nas redes sociais. Américo foi corrido e Cavaco será.

Fiz uma busca através do Google e, tal como esperava, encontrei frases de ambos que testemunham o que acabo de escrever. Seleccionei algumas:
Cavaco Silva: “Ontem, reparava no sorriso das vacas que estavam satisfeitíssimas, olhando para o pasto e verificando aquele que começava a ficar mais verdejante”.
Cavaco Silva: “Como nos vamos livrar deles (funcionários públicos)? Reformá-los não resolve porque deixam de descontar para a CGA e diminui as receitas de IRS. Só resta esperar que acabem por morrer”.
Cavaco Silva: “Quando, no dia 13 de Maio, surgiu a notícia de que finalmente a 7.ª avaliação (Troika) tinha sido mandada para trás das costas e que estava aberto o caminho para a extensão das maturidades, a minha mulher disse-me: 'Ó meu caro – ela [Maria Cavaco Silva] trata-me de outra forma – isto é com certeza influência de Nossa Senhora de Fátima, porque hoje é dia 13".

segunda-feira, 19 de maio de 2014

PARA O SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO O CONHECIMENTO ENTRA A 100 E SAI A 200!


Hoje começa a tortura dos exames. O ano lectivo escolar termina no final de Junho, mas a paranónia dos exames do 4º e 6º anos aí está! Repito aqui a declaração do Professor Sérgio Niza que disse que "o ministério da Educação é de uma ignorância que faz medo". Concordo, totalmente, não apenas pelo essencial daquela declaração, mas sobretudo quando se cruzam as preocupações do ministro com tantos investigadores e professores que, para além da formação inicial, revelam a experiência acumulada da sua prática pedagógica. É claro que do ministro não há nada a esperar e com ele os educadores e professores da Região Autónoma da Madeira passam bem. O que já não é tolerável é que a Madeira disponha de um governo regional que aceita uma política que contraria tudo quanto está estudado sobre esta matéria. 


Em 2013 deixei aqui um texto que, no essencial, sublinhava: "(...) É preciso redescobrir o signicado de ir à escola, de estudar. Mercado de trabalho e status social são questões que devem deixar de nortear as políticas educacionais. A sociedade valoriza muito mais o trabalho cooperativo, mas a escola forma alunos muito mais focados no trabalho individual" (...) A maioria dos grandes pensadores que deixaram um legado para a humanidade seguiram caminhos muito diferentes do convencionalmente estabelecido". Portanto, a questão central não pode circunscrever-se aos exames, mas à mudança do sentido de Escola. Mudança de paradigma que é difícil, sublinho, não só porque os políticos não se interrogam, mas porque há uma mentalidade formatada e encaixotada que impede desde logo a discussão séria dos assuntos. E se os centros universitários de formação e investigação bem lutam por uma mudança, a verdade é que se trata de uma luta desigual, simplesmente porque, por ignorância altifalante, os decisores não querem ouvir". E o secretário da Educação não quer ouvir. Pior, ainda, quando são realizados encontros, seminários, conferências, enfim, tantas iniciativas onde são assumidas posições que contrariam as actuais directrizes, todavia, ao secretário, eu diria que tais reflexões entram a 100 e saem a 200! Regressarei a este assunto.
Outros textos sobre esta matéria em:
http://comqueentao.blogspot.pt/2013/01/exames-no-ensino-basico-nao-obrigado.html
http://comqueentao.blogspot.pt/2013/05/os-exames-que-nunca-deveriam-ser.html
http://comqueentao.blogspot.pt/2013/05/exames-de-1-ciclo-e-ereccao-da_2.html
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 18 de maio de 2014

AI JUNKER... JUNKER...



Li: "O candidato do Partido Popular Europeu (PPE) à presidência da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, defendeu que Portugal fez "um excelente trabalho", com uma "impressionante" "saída limpa", afirmando que os resultados vão chegar à vida das pessoas (...) "sei que o plano de resgate foi fortemente criticado, mas os resultados agora estão aí, ainda não estão aí tão rapidamente no que às pessoas diz respeito, mas vão chegar. O desemprego está a diminuir, as trocas comerciais com o estrangeiro estão a melhorar, as exportações estão a melhorar, todos os indicadores apontam para uma melhor situação (...)". Em poucas palavras: a direita política, quase radical, é assim. Pouco se rala com a pobreza, com o desemprego e com a emigração forçada. O que interessa é abrir as portas ao grande capital, privatizar tudo o que cheire a dinheiro e permitir a especulação dos mercados. Da felicidade dos povos a direita tem um entendimento muito limitado. Basta olhar para Portugal e aquilatarmo-nos do que este governo Passos/Portas fez em três anos. Foram alguns meses de campanha a prometer o Céu e mil dias a roubar, descaradamente, quem vive do seu trabalho. Os indicadores estão também aí: aumento da mortalidade, diminuição da natalidade, salários em queda, carga fiscal insuportável, pobreza e falta de esperança. E continua este Junker a prometer o Céu! 
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 17 de maio de 2014

O FUTURO QUE QUEREMOS


É notória a perda de rendimentos dos visitantes europeus. Não interessam se são franceses, se portugueses, os alemães e holandeses terão perdido menos, mas mesmo assim, já se nota na Madeira que os que nos visitam já não são quem eram. E se esta mudança se nota na forma como os turistas gastam, nota-se ainda mais no que fazem, no que querem fazer, e ainda mais no que sabem e no que querem saber.


Li e aconselho a ler este importante artigo (DN-Madeira) do Guia de Turismo Roberto Loja. Ao longo da sua leitura há que relacionar as suas palavras com tudo o que nos rodeia e que nos leva, certamente, a dizer NÃO a esta Europa. 
"Nestas últimas semanas tenho tido, como guia intérprete, oportunidade de trabalhar com vários grupos distintos, de várias nacionalidades e de vários estratos sociais. Reformados (muitos, franceses, ingleses, alemães, holandeses, portugueses, israelitas,…), famílias em férias (menos, portugueses, americanos, franceses, …), médicos (poucos). Tive de tudo um pouco, oriundos de maior parte do primeiro mundo, poucos do “segundo” mundo e ainda menos do terceiro. Os interesses destes visitantes eram tão variados quanto as suas origens e como as suas bolsas.
É notória a perda de rendimentos dos visitantes europeus. Não interessam se são franceses, se portugueses, os alemães e holandeses terão perdido menos, mas mesmo assim, já se nota na Madeira que os que nos visitam já não são quem eram. E se esta mudança se nota na forma como os turistas gastam, nota-se ainda mais no que fazem, no que querem fazer, e ainda mais no que sabem e no que querem saber.
E é por achar que esta mudança é má para nós, e porque é resultado de alterações substanciais na maneira de ser e de estar europeias, que acho que é importante que todos os europeus se reúnam para fazer das próximas eleições europeias uma enorme manifestação de cidadania, com participações recorde em toda a Europa. E que o novo Parlamento Europeu que vai sair destas eleições se reja por princípios mais solidários e mais democráticos que o mero fluxo de capitais.
A minha utopia? Que se dêem passos decisivos para assegurar mais justiça, mais e melhor democracia, mais e melhor cidadania, mais e melhor participação, mais emprego, mais igualdade, mais solidariedade, e mais liberdade, numa Europa que seja acima de tudo integradora e equitativa do que tem sido. Duma Europa que acabe com as diferenças entre pequenos e grandes, pobres e ricos, fracos e poderosos. Duma Europa menos Durão Barroso e mais Jacques Delors. Duma Europa mais social e mais socializante".

sexta-feira, 16 de maio de 2014

ESTEJA DESCANSADO SENHOR VICE-PRESIDENTE NINGUÉM ESQUECERÁ O 20 DE FEVEREIRO


Em visita a uma obra, o vice-presidente do governo regional da Madeira, Dr. João Cunha e Silva, disparou: “(…) Há quem se esqueça muito rapidamente do que aconteceu no dia 20 de Fevereiro, há quem se esqueça dessa tragédia, há quem se esqueça que morreram 50 pessoas e que nós precisamos de trabalhar muito para evitar tragédias dessa dimensão”. Ora bem, ninguém se esquece ou esquecerá. Todos estão lembrados e guardam em memória activa esse trágico dia. O problema, por isso, é outro, não é de esquecimento, mas sim de avaliação da incúria de um governo que, ao longo de trinta e tal anos, desrespeitou os instrumentos de planeamento e que se permitiu, de braço dado com as autarquias locais, fechar os olhos ou assobiar para o lado, relativamente à necessidade de um rigoroso controlo no que concerne à defesa de pessoas e bens. 


Foram trinta e tal anos de ofensas aos movimentos ecologistas, aos geólogos, aos geógrafos, aos académicos e aos políticos da oposição, que tantas vezes chamaram à atenção para os erros que estavam a ser cometidos. Disso, Senhor vice, ninguém se esquece. Se outra tivesse sido a responsabilidade política, possivelmente, não teriam morrido tantas pessoas; se outra tivesse sido a responsabilidade política do governo, as sucessivas chamadas de atenção tinham tido eco e as obras de protecção há muito estariam concretizadas. É disso que ninguém se esquece. Ninguém se esquece que andam a mudar, radical e perigosamente a baía do Funchal, quando a necessidade primeira seria, com o dinheiro da Lei de Meios, acudir as pessoas que vivem em zonas de risco ou que ainda se encontram desalojadas. Esteja descansado que, politicamente, ninguém se esquecerá da incúria, do laxismo, dos discursos ocos, da inversão das prioridades e do “planeamento directo” realizado nos adros das igrejas em tempo de campanha eleitoral. Foram anos que bastava pedir, porque, para os senhores, estava em causa, não a defesa das pessoas, mas a eleição seguinte. Portanto, de nada valerá passar uma esponja sobre o passado, mascarar as situações, sacudir as responsabilidades, porque as pessoas conhecem as razões que conduziram a que a tragédia não fosse atenuada.
Ilustração: Google Imagens.

CIDADES E LUGARES 747 - LEIDEN/HOLANDA



Catedral de St. Peters, em Leiden - Holanda.
"A história do Pieterskerk começa por volta de 1100. A construção da actual Pieterskerk começou em 1390 e continuou por cerca de 175 anos. O coro foi concluído e consagrado em 1412. Construção na nave e laterais corredores seguido pouco tempo depois, e em 1450 foram acrescentados corredores laterais adicionais. A igreja foi concluída em sua maioria em 1500".
Foto de arquivo pessoal.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

ELEIÇÕES INTERCALARES


A situação política a que a Câmara do Funchal chegou, determina uma absoluta necessidade de partir para eleições intercalares. Vou por partes: não é a MUDANÇA política no Funchal e na Região que está em causa, mas sim os recentes protagonistas dessa viragem histórica. A MUDANÇA constitui uma NECESSIDADE absoluta, porque quase quarenta anos de poder monocolor deixaram um rasto de mais de seis mil milhões de dívidas (estamos a pagar uma dupla e penosa austeridade devido a esses senhores), pobreza, desemprego, conluios, ofensas, perseguições, utilização indevida dos dinheiros públicos (Jornal da Madeira, por exemplo) governamentalização das instituições públicas e privadas, um governo a contas com a Justiça (processo Cuba Livre) e permanentemente sujeito a críticas por parte do Tribunal de Contas. Ora, se isto não é motivo de MUDANÇA urgente, pergunto, o que necessário será para concluir que, quem esteve, de forma absoluta no governo e nas autarquias, deve ser claramente afastado? Daí que, “MUDANÇA” seja uma coisa e protagonistas outra.


Desconheço as causas mais profundas da situação. Daí que não emita qualquer juízo de valor. Sei do essencial que tem sido veiculado pelos órgãos de comunicação social. Enquanto cidadão gostaria de perceber o que se encontra por detrás deste quadro negro. Simplesmente porque acho esquisito, desbaratar em pouco mais de seis meses, o capital de MUDANÇA saído da lotaria dos votos. Esquisito, porque cinco pessoas foram eleitas de acordo com um excelente PROGRAMA, e bastaria que por aí se guiassem, com rigor e determinação. Apenas isso. Tal não está a acontecer e daí que, politicamente, ninguém possa ignorar a realidade. 
Escrevo revoltado porque não admiti, como hipótese, um cenário como o que tem vindo a público. Revolta porque milhares de funchalenses souberam dizer basta; revolta porque uma situação destas poderá comprometer o futuro pelo qual tantos milhares ansiaram. E sendo assim, manda a minha dignidade democrática e a minha LIBERDADE que eu assuma a necessidade do povo ser consultado em eleições intercalares. Não há outra saída possível. Mas, repito, não é a MUDANÇA que está em causa, mas sim um processo que falhou. E há que tentar novamente. Os do passado, esses, não são a solução para o futuro. São apenas passado.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

CURVADOS AO JEITO DO BAILE PESADO


Há personagens, não é que me revoltem, mas pelas quais acabo por sentir alguma pena. Se, em matéria de política, podemos ou devemos ter pena! Seja como for digito ao correr do pensamento. Tenho-me cruzado com muitas figuras. Umas por amizade nascida após Abril de 1974, outras que determinadas circunstâncias vieram a “corrigir” os seus azimutes políticos. Algumas diziam do PSD o que “Maomé não disse do toucinho”; outras, que consideraram que as convicções político-ideológicas não se coadunavam com as verdades primeiras. Destas últimas rigorosamente nada me opõe. Seguiram o seu trajecto, sem interesses e sem jogadas pré-idealizadas no tabuleiro do xadrez político. Do outro grupo são tantos aqueles que mandaram as convicções às malvas, silenciosamente e com mil e um cuidados foram mudando de cor e mudando a carapaça até ao momento de espreitarem uma oportunidade de algum poder por mais ínfimo que fosse. 


Não me refiro aos de meia tabela para baixo que, por necessidade ou porque, por exemplo, um familiar precisava de emprego e o cartão constituía um importante passaporte (houve tempos assim), subjugaram-se a esse aceno do “vem por aqui”, refiro-me aos outros, àqueles que não precisavam, nem do exercício da política nem dos favores, que inicialmente eram uma voz crítica independente ou situada no espaço da esquerda política, que zurziam forte e feio “no senhor governo” e nas trapaças que se adivinhavam, que por mim passavam e diziam entre outras coisas: “a luta continua”, que apregoavam princípios e valores sociais, que se mostravam intolerantes para com certos políticos, esses, sim, porventura acabo por ter pena. Venderam-se aos bocados como bem explicou Sttau Monteiro no capítulo “O homem vende-se”, no livro “Angústia para o Jantar”: "(...) O homem vende-se aos bocados, a prestações, dia a dia. Muitos, ao fim dum tempo, já nem sabem que estão a vender-se: atingem uma posição que os obriga a defender interesses contrários a tudo o que sempre sustentaram, e são comprados por essa posição (…)”.
Quando leio determinados artigos de opinião, quando os vejo na passerelle do poder ou por aí próximos, lutando pelo dinheirinho ou espreitando uma posição, sinceramente, sinto pena. Muita pena, vê-los rastejar ou simplesmente curvados ao jeito do baile pesado.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 13 de maio de 2014

O DR. MIGUEL DE SOUSA SABE QUE, EM CONFLITOS INTERNOS E PAZ PODRE, O PSD DÁ 10-0 À "MUDANÇA"


O Dr. Miguel de Sousa é um homem político com muita lata ou então de memória política muito curta. Li a parte inicial do seu texto de ontem: "Desintegra-se a coligação que lidera a Câmara Municipal do Funchal. Como previsto e anunciado. Sem respeito pelos eleitores que, por uma ou outra razão, resolveram dar confiança a quem parece não merecer (...)". Esta a frase inicial do seu texto. Confesso que desisti do resto. Não sei o que escreveu. Nem me interessa, sobretudo porque o Dr. Miguel de Sousa, demonstrou, uma vez mais, uma ausência de memória, repito, política. Eu, sinceramente, prefiro esta realidade da Câmara do Funchal, com possibilidades de solução, porque não existem organizações perfeitas, do que um governo que anda há trinta e tal anos em paz podre e em sucessivos equívocos. O Dr. Miguel Sousa sabe, ora se sabe, porque é que o governo ainda não caiu. Hoje, por exemplo, e este é apenas um exemplo, posiciona-se contra o Jornal da Madeira, mas sabe o que tem significado o JM na permanente campanha em favor de gente que, também hoje, não lhe merece consideração e respeito. Nem pessoal. E o Dr. Miguel de Sousa também sabe, porque é vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, o que tem sido a governamentalização do primeiro Órgão de Governo Próprio. A vergonha em que se transformou, com quase duzentos projectos agendados e não discutidos, para além da captura de uma casa de todos por um único partido. 


Quando se jogam pedras à casa do vizinho, diz a sabedoria popular que devemos olhar para os nossos telhados de vidro. E o PSD no poder, sabe o Dr. Miguel de Sousa, que os telhados estão todos esburacados. Não foi eu que escrevi, também por exemplo, que "Jaime Ramos, no jornal pago pelo PSD, fala em candidatos que agora cospem no prato que lhes deu e dá de comer. AHAHAH. Nada seria mais cómico se não fosse sério. Quem será que comeu do orçamento ao longo de todos estes anos de fartura financeira? Porque não denunciou? Ou se auto-denunciou? Se calhar o Sr. Ramos gostaria que tudo continuasse na mesma, debaixo do seu controlo. Engana-se" (Miguel de Sousa). Não fui eu que falei, desprezando o povo eleitor, seja ele qual for, de "um povo com um palito nos dentes e a boca a cheirar a bacalhau" (presidente do governo). E não fui eu que assumi que "(...) devem tudo a Jardim" (Deputada Ana Serralha). E estas são apenas frases que trago quase de memória. O historial de conflitos internos e de paz podre, muito podre, o Dr. Miguel Sousa, sabe que o PSD dá 10-0 à "MUDANÇA". 
A política faz-se com acutilância mas com seriedade. E no campo da seriedade, sabe o Dr. Miguel de Sousa que quem colocou o Funchal com uma dívida de noventa e quatro milhões de euros não foi a "MUDANÇA". Que a actual equipa deve merecer crítica pelo facto de não ter sabido garantir a desejada união, obviamente que sim. Todavia, rejeito, quando fala de desintegração "como previsto e anunciado. Sem respeito pelos eleitores (...)". Porque no outro lado da barricada a desintegração é pública e notória a avaliar pelas declarações políticas.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

NÃO EXISTEM ORGANIZAÇÕES PERFEITAS


Não sei se os recentes acontecimentos na Câmara do Funchal são a consequência ou não de um "perfeito" e perverso trabalhinho de bastidores através de grupos ocultos. Só a História o dirá. Mas, seja em que percentagem for, mesmo que ínfima, se tal aconteceu, só me parece existir uma saída para a situação: partir do pressuposto que não existem organizações perfeitas. Nem políticas nem empresariais. Só resta, portanto, uma saída à Câmara Municipal do Funchal: retirar a energia negativa aos desacordos e potenciar os acordos. Isto é, transformar o desacordo numa oportunidade. Esse regresso à normalidade, com todos, sem exclusões, precisa de bom senso, altruísmo e uma grande dose de sábia humildade. E ninguém ficará beliscado, se tudo for explicado, com elevação, qualidade, dignidade e sem ressentimentos. A hora é de diálogo e não de confrontação.


No dia 18 de Fevereiro de 2009 escrevi um texto exactamente subordinado a esse tema. No essencial continua actual. Deixo-o aqui, em síntese, na esperança que a Coligação MUDANÇA o entenda, bem como os eleitores em geral.

"É evidente que não existem organizações perfeitas. Todas cometem erros. Mas aí o importante é que se reconheçam os erros através de um sistema de controlo (que talvez não tenha existido no caso em apre). O reconhecimento dos erros é determinante para depois renunciar às práticas que minam a motivação dos colaboradores da organização. Uma das razões prende-se com os chamados desmotivadores do trabalho, ou seja, os factores motivacionais negativos. Esses factores minam a sua moral, desperdiçando-se, assim, o mais valioso recurso que possuímos: o talento e a criatividade. Enquadram-se aqui as pequenas ocorrências quotidianas que frustam os envolvidos no trabalho e que os induz a reduzir, consciente ou inconscientemente, a energia que utilizam para o desempenho das suas funções. Digamos que são práticas contraproducentes que se infiltram nas organizações e que, em resultado da negligência, se tornam parte integrante das suas operações normais. Os desmotivadores existem porque são permitidos e permanecem porque não são combatidos. São seis os desmotivadores mais comuns: as políticas; as expectativas obscuras; as reuniões improdutivas; a hipocrisia; as mudanças constantes e ocultação da informação.
Nós vivemos numa era de conflitos em todas as áreas da vida. Nas organizações também. Onde existem pessoas existem conflitos de ideias, de valores, de convicções, de estilos e de padrões. São aspectos que não podem ser evitados sob pena de anularem as ideias e a própria criatividade. Evitar pode significar gerar uma atmosfera de insegurança. Portanto, só resta saber gerir os conflitos, transformando os desacordos em oportunidades visando a melhoria do desempenho. E isso significa criar um clima adequado, aberto e tolerante, o que faz com que se utilizem os talentos e os recursos de cada pessoa, ao mesmo tempo que se transmite autoridade, credibilidade e capacidade para influenciar os colaboradores. O clima adequado passa por se dizer, claramente, a cada pessoa, o que se espera dela. A comunicação vaga não conduz a parte alguma ao contrário do clima adequado que conduz à criação de uma atmosfera de pertença.
Mas há que ficar atento aos sinais. Tal como um médico que tem de estar atento aos sintomas para poder fazer o diagnóstico, também o gestor tem de saber identificar os sinais. Normalmente os sinais estão divididos em duas categorias: os sintomas, que são actos inconscientes, isto é, comportamentos não intencionais associados ao conflito e as tácticas, estas, pelo contrário, que são as formas mais deliberadas das pessoas envolvidas exprimirem as suas posições.
"Sou um homem de consensos e de diálogo"
Dr. Paulo Cafôfo
em campanha eleitoral. 
Os sintomas são de difícil identificação. Mas podemos enumerar alguns: Má comunicação. As pessoas deixam de comunicar totalmente ou fazem-no superficialmente e com extrema tensão; Hostilidade entre grupos. Um sector ou área em crónico litígio com um outro; Atritos interpessoais. Manifesta-se em vários graus: desde a hostilidade calma até à agressão aberta; Escalada. O problema é "enviado para cima", não tanto para ser resolvido mas sobretudo para conseguir mais apoio; Moral em baixo. Corresponde à sensação de que “não vale a pena tentar” ou, então, “para quê maçar-me”; Controlo da informação. Deixar as pessoas às escuras. Dar-lhes a conhecer apenas aquilo que se quer que conheçam; Distorção da informação. Dizer a uns uma coisa e a outros o contrário, criando diversas versões dos factos; Mercado negro da informação. Ganhar e usar a cooperação de pessoas em posições chave para ultrapassar os canais de informação oficiais; a própria Difamação.
Portanto, perante isto, é necessário procurar as causas. E analisar as causas não é fácil como parece. Até porque, quando se detecta um conflito, há sempre uma tendência para culpar alguém que, por sua vez, retribui a acusação. Vários autores, sobre esta matéria, consideram algumas causas mais comuns dos conflitos: 1. Objectivos e ideologia. Sempre que ocorre uma interacção entre duas ou mais pessoas ou grupos, com objectivos diferentes, existe a possibilidade de conflito. Para obviar isto deve-se criar um clima de confiança e insistir na necessidade de uma concertação de esforços. 2. Território. Todos nós estamos familiarizados com a ideia de território no mundo animal. As pessoas, no interior das organizações, também. E o território não é apenas o espaço físico. O território joga com o investimento pessoal, a estima, a influência, o poder, os louros, até as próprias recompensas financeiras. 3. As hostilidade irracionais. Por exemplo, as pessoas que se irritam ou se tornam vingativas devido a atitudes menos aceitáveis de outros.
Ora bem, tudo isto para dizer que há que saber arbitrar os conflitos. Detectar um problema é apenas uma parte. E para arbitrar os conflitos, isto é, os desacordos, há uma série de princípios: 1. Reconhecer discordâncias que não são conflitos. São os chamados conflitos funcionais. E aqui prevenir é melhorar que remediar. 2. Intervir quando é necessário. Quando se tornam numa ameaça à estabilidade da organização.
Como já referi, há necessidade de tirar partido dos desacordos. É o que se chama retirar a energia dos desacordos. Tudo isto, em síntese, para sublinhar que NÃO HÁ ORGANIZAÇÕES PERFEITAS. Importante é saber gerir o lado oculto da organização através de acções preventivas. Evidentemente que há muito a desenvolver sobre esta matéria" (...).
Deixo aqui esta síntese, sem pretensões, que poderá ajudar na reflexão que urge. A minha única intenção é a de provocar a união. Tenho presente toda a esperança criada durante os meses de campanha eleitoral, em função de um programa consistente e de mudança. Eu desejo viver numa cidade feliz e não numa cidade de barões e de baronetes, de mentiras e de falcatruas. Qualquer cidadão exige honestidade, princípios e valores, ausência de poderes sem rosto, uma cidade com prioridades que coloque os funchalenses no centro das preocupações. Só isso. E é tão fácil dentro da complexidade de uma Câmara com € 94.000.000,00 de dívidas e com muitos vícios de um passado de trinta e tal anos. Vamos a isso, porque não existem organizações perfeitas.
NOTA: 
Parte (síntese) de uma aula sobre Recursos Humanos, da minha responsabilidade, no âmbito da cadeira de Gestão, do Curso de Desporto na Universidade da Madeira.

QUE NINGUÉM SE ESQUEÇA 
DESTE MEMORÁVEL MOMENTO

domingo, 11 de maio de 2014

O SECTOR DA EDUCAÇÃO E A PALHAÇADA POLÍTICA NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA MADEIRA


Anteontem abordei, de forma sumária, a questão da regionalização dos sectores educativo e de saúde e as posições que agora o governo regional assume, no sentido da República pagar os respectivos encargos. Teci as considerações que entendi pertinentes, mas o assunto, do ponto de vista político, é muito mais vasto, complexo e grave. Se é certo que a guerrilha política a nada conduz, pois reivindicar agora os milhões de euros que foram "gastos" (ou investidos?) desde 1978, no sector da Educação (Deputado Emanuel Gomes - PSD), quando os cofres do Estado estão no vermelho, o deputado em causa, com um pouco de inteligência política, deveria perceber que a situação não se resolve com folclore político, com a palhaçada de um Projecto de Resolução recomendando "o pedido de um parecer jurídico sobre a eventual inconstitucionalidade por omissão do Estado ao não transferir verbas para o financiamento do Ensino na RAM". Trata-se de uma sugestão que, ridícula que é, não passará, tal  como outros projectos, além do carimbo de entrada com destino a uma qualquer gaveta da Assembleia da República. Chamo a isto aldrabice e menoridade política desprestigiante da Assembleia Legislativa da Madeira, enquanto primeiro órgão de governo próprio. Ontem, expliquei o meu posicionamento e hoje pretendo ir um pouco mais longe.


Defendo a existência de um país e três sistemas educativos. Aliás, em 2008, a questão Constitucional vs autonomia das regiões em matéria de política educativa foi devida e profundamente equacionada. Aconteceu numa sessão que  registou a presença do Dr. Ricardo Rodrigues, na altura Deputado na Assembleia da República e ex-Secretário Regional do Governo Açoriano. A questão central era a de saber, no âmbito do Sistema Educativo, da Constituição, do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira e da Lei de Bases do Sistema Educativo, até que ponto a Madeira poderia dispor de um projecto portador de uma autonomia alargada e de raiz própria. Tratou-se de uma conferência muito importante a que se seguiu um debate muito participado e com qualidade. Nesse ano escrevi neste blogue: "Ficou claro que o problema da Madeira não ter, ainda, um sistema educativo próprio, não era Constitucional mas sim de actualização do Estatuto Político-Administrativo. A partir daí, com bom senso e habilidade política (como acontece nos Açores), seria possível chegar à convicção política dos socialistas que o País pode ter três sistemas autónomos (Continente, Região Autónoma da Madeira e Região Autónoma dos Açores) sem que daí possa resultar qualquer conflito de competências. O limite seria, apenas, a de um certificado de habilitações ser reconhecido em todo o espaço nacional. E sendo assim, todos os ciclos de ensino poderiam e deveriam ser concebidos de forma diversificada, todavia, apontando para competências finais idênticas" (...), quer no básico quer no secundário. Quer isto dizer, sumariamente, que é possível, mesmo sendo as bases do sistema educativo reserva legislativa absoluta da Assembleia da República, caminhar no sentido de um sistema que venha a proporcionar, do ponto de vista organizacional, curricular e programático, uma autonomia verdadeiramente distintiva. Há documentos, consequência de estudos sobre esta matéria que jazem nas actas das sessões da Assembleia da Madeira.
Portanto, a questão que se coloca, para além deste fait-divers medíocre de quem deve pagar o quê, é a natureza do sistema e que passos foram dados no sentido de garantir tal objectivo. Eu diria que a Região continua onde sempre esteve, isto é, se ontem preferiu, comodamente, subordinar-se às políticas educativas nacionais, algumas vezes adaptando a legislação, hoje, continua sem visão política para gerar um movimento inteligente na perspectiva de garantir, a prazo, um sistema integrado, inclusivo, universal e de qualidade irrepreensível. Desde sempre a política do governo regional assentou em um processo baseado no confronto político sem nexo, enquanto, por exemplo, nos Açores, a Autonomia cresceu e consolidou-se de forma irreversível, consequência de um Estatuto Político-Administrativo muito lato nas competências, só possível com diálogo responsável. Perguntar-se-á: mas que razões estão na base da não revisão do Estatuto? Pois, a questão é essa. A resposta é óbvia: manifestos interesses políticos e mordomias.
Aliás, a Madeira podia ter ido mais longe se, nas várias revisões constitucionais, tivesse conseguido, através desse imprescindível diálogo responsável, que, relativamente às Regiões Autónomas, as bases do sistema educativo deixassem de constituir reserva legislativa absoluta da República e passasse a ser reserva legislativa relativa da Assembleia da República. Teria constituído mais uma achega no sentido de criar espaço de manobra no que concerne às questões que se colocam nos domínios sobretudo curriculares e programáticos. Não o fizeram e hoje, pergunta-se, se se justifica a existência de uma complexa estrutura governativa regional, quando, fundamentalmente, acaba por replicar aquelas que são as decisões do ministério?
Deixei aqui alguns aspectos que têm norteado as minhas preocupações, apenas para reforçar a ideia que há muito para fazer e que essa historieta de reivindicar os milhões de euros aplicados no sector educativo não passa de uma cantilena gasta para fugir à incompetência e ao essencial das questões que se colocam na política educativa regional.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 10 de maio de 2014

POLÍTICA ABUTRE


Os autarcas eleitos pelo PSD esqueceram-se que pior que a situação de desinteligência entre o grupo “MUDANÇA” foi o que aconteceu em 1994, sete ou oito meses depois das eleições de 1993. Deveriam ter presente que o presidente eleito, Professor Virgílio Pereira (PSD), se demitiu porque o governo (PSD) não garantia o financiamento “prometido” face à então preocupante situação financeira da Câmara deixada pelo Senhor João Dantas (PSD). Comparada com a dívida de hoje, cerca de 94 milhões de euros, em 1994, um presidente eleito demitiu-se por uns trocos. No actual caso, que qualquer pessoa de bom senso não desejaria que acontecesse, não está em causa a demissão de um presidente (que deveria, em 1994, ter levado a novas eleições), mas uma retirada de confiança política a um vereador. Não discuto aqui, se bem, se mal, pois o que sei é muito pouco, não indo além do que a comunicação social recolheu. Cinjo-me, apenas, aos comportamentos políticos da oposição.


Aprendi a detestar os aproveitamentos de natureza política. Uma coisa é equacionar situações e posicionar-se de forma elevada, outra, é voar ao sabor dos ventos na tentativa de comer qualquer coisinha. A política não pode ser um espaço de mediocridades e de frases assassinas que nada acrescentam. Há pessoas que, politicamente, não cresceram, apenas copiam os péssimos exemplos do “chefe”. Obviamente que os recentes acontecimentos na Câmara do Funchal deixaram-me com um nó na garganta e merecem uma séria reflexão, sendo legítimo, por parte da oposição que esse enquadramento seja feito. O CDS/PP, e muito bem, pelo que se sabe, reuniu com o presidente da Câmara, equacionou, debateu a situação e posicionou-se de uma forma elevadíssima. Isto é, não quer pertencer ao executivo, mas deseja que a governabilidade aconteça. Poderia ter aproveitado o momento para saltar para o executivo, mas não, perdeu as eleições, deseja manter o estatuto de oposição e mais do que isso, manifestou o desejo que a Câmara continue o seu trabalho. O PSD, não, foi para o confronto rasteiro com frases deste tipo: "avisei durante a campanha eleitoral e durante estes sete meses de governação da coligação que esta era uma amálgama, um conjunto difuso de interesses e agendas, não havendo consistência, cimento, argamassa que juntasse todos estes vereadores" (…) a lista da coligação 'Mudança' está "feita para a oposição e não para governar a cidade".
Esqueceram-se os autarcas eleitos pelo PSD que pior que esta grave situação de desinteligência entre o grupo “MUDANÇA” foi o que aconteceu em 1994, sete ou oito meses depois das eleições de 1993. Deveriam ter presente que o presidente eleito, Professor Virgílio Pereira (PSD), se demitiu porque o governo (PSD) não garantia o financiamento “prometido” face à então preocupante situação financeira da Câmara deixada pelo Senhor João Dantas (PSD). Comparada com a dívida de hoje, cerca de 94 milhões de euros, em 1994, um presidente eleito demitiu-se por uns trocos. No actual caso, que qualquer pessoa de bom senso não desejaria que acontecesse, não está em causa a demissão de um presidente (que deveria, em 1994, ter levado a novas eleições), mas uma retirada de confiança política a um vereador. Não discuto aqui, se bem, se mal, pois o que sei é muito pouco, não indo além do que a comunicação social recolheu. Cinjo-me, apenas, aos comportamentos políticos da oposição. 
Passaram-se vinte anos, tempo mais do que suficiente para qualquer político ter atingido a maioridade no debate e nos posicionamentos. Alguns conseguiram, outros não. Estão amarrados à cartilha dos interesses e ao que o “chefe” determina: fogo neles, dirá! Ora, se pensam que é por aí que se credibilizam, estão enganados. Há um histórico de situações que me permite dizer que a população está farta e deseja que a “MUDANÇA” aconteça. Obviamente, sem perturbações, sem arrogâncias, sem peitos cheios de ar, sobretudo, com humildade, qualidade e respeito pelos munícipes que confiaram o voto. Até porque os mandatos devem ser cumpridos do primeiro ao último dia. Sendo assim, POLÍTICA DE ABUTRE, não!
Ilustração: Google Imagens.  

sexta-feira, 9 de maio de 2014

REGIONALIZARAM A EDUCAÇÃO E A SAÚDE AO INVÉS DE UMA ADMINISTRAÇÃO PARTILHADA. AGORA, ANDAM COM O CREDO NA BOCA!


O governo da Madeira regionalizou, há muitos anos, os sistemas de Educação e de Saúde. Hoje, reclama do País o pagamento dos encargos anuais desses sistemas. Reclama de forma inconsistente e politicamente ignorante e perigosa. E há um deputado do PSD (Emanuel Gomes) que vai nisto. Mandam-lhe dizer e ele diz, ou melhor, defende. Manda a Autonomia às malvas e toca a reivindicar o dinheirinho, porque a Constituição da República assume que a Educação e a Saúde são direitos de todos os portugueses. Pois, são! O problema é que não acautelaram os interesses da Madeira, através de uma regionalização com um enquadramento gestionário e administrativo partilhados e, agora, sem dinheiro, aqui-d'el-rei paguem a factura e nós administramos. O deputado do PSD esquece-se que quem paga manda e, pagando, obviamente que poderá impor o sistema que deseja e reivindicar uma parte dos impostos cobrados na Madeira. Perder-se-á autonomia e, mais grave, neste momento de sufoco, as receitas. O pior disto é que o PSD-M sabe que assim é, mas faz folclore com esta situação. Seria admissível, serenamente, não no quadro parlamentar regional, mas entre governos, proceder a uma revisão dos sistemas regionalizados, onde ficasse clara a defesa dos interesses autonómicos da Madeira. Levar um assunto destes ao parlamento regional constitui, apenas, uma manifestação de guerrilha institucional que a nada conduzirá (vale zero), para além de um mea culpa pelos erros não acautelados em devido tempo. O Deputado Carlos Pereira (PS) apresentou os argumentos que, do meu ponto de vista, são irrefutáveis.

 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

CUIDADO... É O FUTURO QUE ESTÁ EM JOGO


Passaram-se seis meses após a derrota eleitoral do PSD-M nas autárquicas de 2013. É muito pouco tempo para avaliar o desempenho das novas sete equipas. É preciso esperar, no mínimo, um ano, para que se possa deduzir sobre a importância dos caminhos que estão a ser percorridos. Em um concelho, desde os maiores aos mais pequenos, quer em espaço territorial, quer no número de habitantes, os problemas são, obviamente, múltiplos e complexos e, se mergulharmos na gestão corrente, aí então, não há autarca que consiga dormir descansado. É a  falta de dinheiro em contraponto com as facturas por liquidar, é a descoberta de buracos financeiros, são os problemas derivados da estrutura organizacional, é o desequilíbrio entre o desejo de cumprir o programa eleitoral e as dificuldades de toda a ordem é, ainda, o tempo necessário para as equipas se entrosarem. Mas, atenção, este primeiro ano de mandato é decisivo, porque é o futuro que está em jogo. 


Aliás, tenho vindo a notar o desconforto do PSD que não consegue esconder o embaraço entre a perda de liderança autárquica e o significativo conflito interno por entre acusações dos diversos candidatos. Mas, todos devem estar certos, que estão de olho bem aberto ao que se passa e, portanto, qualquer sinal, qualquer passo menos bem dado, constituirá um trunfo no sentido de denegrir o trabalho dos eleitos. Aos novos autarcas exige-se, assim, sangue frio, uma ampla capacidade para o diálogo intra e inter-grupos, união, tolerância, respeito, sentido de missão e uma obsessiva intenção de bem servir. Qualquer desinteligência, por menor que seja o seu significado, será negativamente ampliada. Até existe um Jornal da Madeira! E é disso que tenho receio. O futuro político na Região passa, inevitavelmente, por uma experiência bem sucedida ao nível autárquico. Perder-se no labirinto do conflito pode traduzir-se, a prazo, no desencanto dos eleitores. Por tudo isto, cuidado, muito cuidado, porque o povo demonstrou estar atento, votou, mas exige um retorno de satisfação. 
E escrevo isto porquê? Porque tenho lido algumas cartas do leitor (ainda ontem, uma), desabafos de autarcas agora na oposição que vão corroendo, artigos de opinião e até o próprio presidente do governo, ajudando à festa, disse que o povo tinha sido enganado no último acto eleitoral. Ganhar esta batalha política implica, pois, SERENIDADE, bom senso nas decisões, HUMILDADE política e ausência de ARROGÂNCIA. Que ninguém fique deslumbrado pela missão que está a cumprir. Andrew Campbell escreveu no livro "Sentido de Missão", relativamente a uma estrutura empresarial, uma frase de enorme relevância: "Temos muito poucas discussões. Porquê? Porque todos nós dependemos uns dos outros. Reconhecemos as capacidades de cada um e trocamos tarefas ou trabalhos porque somos uma equipa". Afinal, questiona o autor, qual o conceito de MISSÃO? Responde: "é o conjunto de quatro elementos, finalidade, estratégia, padrões e valores comportamentais." Digo eu, não vale a pena sair deste enquadramento. Deixo aqui, com as adaptações necessárias à actividade autárquica, 45 CONSELHOS PARA NAVEGAR EM ÁGUAS REVOLTAS.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O BRASIL ASSIMÉTRICO E O BRASIL DO MUNDIAL DE FUTEBOL


Não domino a profundidade do problema que aqui é desenvolvido. Evito, portanto, qualquer comentário adicional. Porém, pouco importa se é ou não elaborado por uma qualquer corrente de natureza política. Simplesmente porque o vídeo compagina-se com as imagens que, diariamente, chegam do grande Brasil.
Para ouvir e decifrar.

A SAÍDA INTEIRA E LIMPA, ONDE EMERGIMOS DA NOITE E DA DÍVIDA


"O dia inicial inteiro e limpo/Onde emergimos da noite e do silêncio/E livres habitamos a substância do tempo". Não há página de facebook e coluna de opinião que, nos 40 anos do 25 de abril, não tenha citado o poema de Sophia de Mello Breyner. Apesar da sua beleza, até ao enjoo. Mas a excitação eleitoral do PSD está em tal estado e a capacidade de construir realidades virtuais é tanta que ainda o vou ver adaptado a este momento histórico, para celebrar a saída inteira e limpa, onde emergimos da noite e da dívida, e livres habitámos um Portugal renascido. Imagino que 17 de maio poderá vir a ser feriado e Passos Coelho até sussurrou uma inimaginável comparação com o 25 de abril.


Por Daniel Oliveira/ Expresso.
"Em Beja, o PSD já tinha feito a ilustração gráfica da intervenção de Passos Coelho. Mandou colocar um cartaz com um grande cravo ao lado, onde se rezava assim: "Ditadura nunca mais! Espírito de abril, sempre! Devolver Portugal aos portugueses! Adeus troika." Apesar do excesso de pontos de exclamação e da evidente adaptação do discurso ao target local, o cartaz corresponde à narrativa do PSD para esta campanha eleitoral: graças a este governo, estamos finalmente livres da troika. Foi um mal necessário, a culpa não foi do PSD, mas agora o futuro é nosso de novo.
Como diria Rodrigues dos Santos, fui aos "meus arquivos". E nos meus arquivos encontrei isto: "A mudança, hoje, está facilitada por aquilo que é o programa de ajustamento da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional. Está muito facilitada porque aquilo que eu tenho vindo a dizer que é preciso fazer está, em parte, neste documento. (...) De certa maneira o PSD ganhou um aliado, que foi o programa de ajustamento. (...) O nosso programa vai muito para lá do programa da troika, é verdade." Quem o disse foi Pedro Passos Coelho, a 28 de maio de 2011, ao Expresso. A troika não foi um pesadelo de que nos despedimos. Para o primeiro-ministro foi uma aliada desejada. Não para financiar o País, mas para aplicar parte do programa que ele defendia. Não vale a pena, por isso, reescrever a história.
Ontem assistimos a mais um momento de extraordinário desfasamento com a realidade, em que o governo finge que decidiu alguma coisa sobre a forma como terminamos esta primeira fase de intervenção externa. O assalto aos contribuintes ganha um novo impulso. Mas vende-se a teoria do princípio do fim da crise. Portugal estará sob vigilância até pagar 75% do montante recebido, o que atira o protetorado até 2037. Mas festeja-se a libertação. O Tratado Orçamental (também aprovado pelo Partido Socialista) impede qualquer autonomia política e financeira. Mas Portugal voltou a ser governado pelos portugueses.
E tudo isto com uma "saída limpa". Ou a saída não é limpa e teremos apoios cuja clarificação fica para depois das europeias, para não acordar os discursos populistas no norte da Europa. Ou é limpa seguida de cautelar, o que faz disto um mero intervalo. Ou é mesmo limpa, e iremos pelo cano ao primeiro susto dos mercados com qualquer coisa que aconteça na Europa ou no Mundo. O que aqui digo não é novo. Já em setembro do ano passado escrevia que "entre o segundo resgate e o suposto regresso aos mercados venha o Diabo e escolha". Olhem para a folha de pagamentos até 2023. Olhem para os dados da nossa economia. Vejam os constrangimentos a que a Europa nos obriga. Agora imaginem um qualquer abalo político na Europa que faça disparar as taxas de juro. Privados de todos os instrumentos que nos possam defender, ou a Europa está disponível para intervir rapidamente, ou ficaremos como ficámos em 2011. Talvez um pouco pior, porque estamos muito mais endividados e economicamente mais frágeis.
As taxas de juros muito baixas, que nos estão a ser cobradas, não atestam da nossa boa saúde económica e financeira. A 10 de abril, a Grécia, que está no estado em que está, colocou no mercado 3 mil milhões de euros de dívida. Teve uma procura sete vezes maior. O tesouro grego conseguiu ficar abaixo dos 5% que estavam previstos. Juros impensáveis há muito pouco tempo. Está a sair da crise, diz-se por lá. Quer saída limpa. E qualquer pessoa que olhe com o mínimo de seriedade para a situação grega só pode lamentar tanto engano. Não está a acontecer só na Grécia e em Portugal. Repete-se em Itália, Espanha, Irlanda. Todos estão a conseguir mínimos históricos para os juros das suas dívidas. Porque parece estar a crescer uma bolha especulativa com as dívidas soberanas dos países periféricos. Os mercados, com excesso de liquidez, estão em fuga das economias emergentes e é para aqui que por agora decidiram vir. O "Economist" avisa que "as economias do sul da Europa estão em pior forma do que sugere a queda das yields das obrigações" e todos se devem preparar para a possibilidade de acontecer a esta bolha o que aconteceu a todas as outras: não tendo relação com a realidade económica, acaba por rebentar.
Não é de agora que as nossas taxas de juro têm pouco a ver com o que por aqui se passa. As variações de juros dos vários países europeus em crise têm sido, tirando alguns picos momentâneos de cada uma delas, paralelas. Os juros da dívida a dez anos desceram entre maio de 2012 e maio de 2013, ao mesmo tempo que todas as metas definidas no memorando falhavam. Desceram a partir de maio de 2012 porque o BCE deixou claro que faria tudo para garantir a coesão da zona euro e anunciou as OMT. Terão subido, a partir de maio de 2013, talvez por causa do anúncio falhado de que a Reserva Federal Americana poderia diminuir o ritmo de compra de títulos. Não faltou quem atribuísse essa subida à crise política causada por Paulo Portas e à decisão do Tribunal Constitucional relativa ao Orçamento de Estado. Só que a crise política, que apanhou quase todos de surpresesa, foi em julho e o aumento dos juros em maio. A decisão do Tribunal Constitucional sobre o orçamento foi em abril. Os juros das dívidas continuaram, impassíveis, a cair depois disso. E quando, um mês depois, subiram, subiram em Portugal, Espanha e Itália. O mesmo aconteceu com a decisão do Tribunal Constitucional de dezembro do ano passado. Em vez dos efeitos terríveis que governo e a troika previam, as taxas de juro continuaram, imperturbáveis, a descer.
Claro que os contratempos internos podem ter e até já tiveram alguns efeitos na volatilidade diária das taxas de juros. Mas são marginais e pouco relevantes. O que conta é a Europa e o mundo. Era isso que eu escrevia quando os juros subiam, é isto que escrevo quando eles descem.
Não tendo mudado nada de fundamental, a não ser as taxas de juro, esta "saída limpa" ou é um engodo ou é um salto no escuro. E tem razões políticas europeias. Uma delas foi dada por Olli Rehn, nesta campanha eleitoral. O comissário finlandês, agora candidato, atacou o governo do seu país por empurrar vários países para "saídas limpas". Helsínquia terá exigido, há dois anos, garantias extraordinárias (colateral) dos países que recebem apoios. Disse então o comissário: " O pedido de colateral da Finlândia teve um impacto negativo na decisão da Irlanda e está a ter um impacto negativo na decisão de Portugal. (...) Para estes países é na prática politicamente mais sensato operar uma saída 'limpa' do programa, mesmo se é economicamente mais arriscado" . São coisas como estas, e não a brilhante situação portuguesa, que determinam a "saída limpa". O programa cautelar advinhava-se, para satisfazer o discurso dominante no norte da Europa, demasiado ruinoso para Portugal. É por isso que a nossa saída é limpa e no governo se fala de um cautelar, caso aconteça o pior. É isto e estarmos em vésperas de eleições. Ninguém, no norte da Europa, quer negociar mais programas. É que, ao contrário do que algumas pessoas mais ingénuas gostam de acreditar, o eleitoralismo está longe de ser um exclusivo nacional.
Tirando as taxas de juro, que, como aqui expliquei, pouco ou nada têm a ver com a nossa situação concreta e interna, e a balança comercial, que resulta sobretudo dos brutais efeitos da crise no consumo e nas importações, tudo o que é fundamental ou está na mesma ou ficou pior. A nossa situação económica, que se degrada desde que entrámos no euro, piorou nos últimos anos. Apesar de, numa descarada mentira, Passos Coelho ter dito ontem que o crescimento da dívida está estancado, a nossa dívida pública cresceu de 90% do PIB para 130%. A nossa dívida externa (privada e pública) continua a ser o mais grave dos nossos problemas e não se começou a resolver. O nosso sistema produtivo continua a ter os mesmos atrasos estruturais. Apenas estamos a viver muito pior. O euro continua a ter os mesmos problemas que tinha para a Europa em geral e para os países periféricos em particular. Sim, a banca alemã e francesa livrou-se da nossa dívida. Os bancos portugueses, quase todos virtualmente falidos, tiveram um balão de oxigénio. Às cavalitas desta intervenção, um grupo de fanáticos encontrou, nas suas próprias palavras, uma importante aliada na troika. Só para eles a saída terá sido limpa.
A partir de amanhã, os meus textos diários estão incluídos no Expresso Diário digital, disponível sempre depois das 18 horas. Para o Expresso, mas também para esta coluna e para mim próprio, é uma nova fase que começa.
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