sábado, 31 de outubro de 2015

COM QUE LATA SUBTRAEM 52 MILHÕES DE EUROS


Já se sabia, mas agora foi dito de viva voz pelo secretário regional dos Assuntos Parlamentares: todos os madeirenses vão ter de pagar € 52.000.000,00, correspondentes às dívidas do Jornal da Madeira. Diz o secretário Dr. Sérgio Marques que estes milhões se inscrevem no processo de reestruturação, digo eu agora, para colocar a zero o contador das dívidas da empresa, para depois entregá-la a um privado que seguirá, certamente, a mesma linha editorial. Pessoalmente, não tenho quaisquer dúvidas. Aliás, li na peça do DN: "Sérgio Marques reforçou a intenção de garantir o pluralismo na comunicação social (...)". Ora, para o governo PSD isto pode significar que, abusivamente, o DN se enquadra em um posicionamento ideológico contrário ao do governo, pelo que terá de existir a garantia de pluralismo! Resta saber quem estará na calha para continuar a fazer do JM o órgão de comunicação social almofada do governo. Cinquenta e dois milhões corresponde a um grande euro milhões que sai direitinho dos nossos impostos. Não é exagero dizer que são subtraídos à pobreza. 

O JM leva 52 milhões
e vão buscar à banca 30 milhões!

Múltiplas questões podem e devem ser colocadas. Eis algumas ao correr do pensamento: o que tem a ver um governo sério e transparente com o pluralismo da comunicação social? O Jornal da Madeira, enquanto empresa, é diferente de todas as outras empresas em dificuldade? Vão pagar os passivos dessas empresas? O passivo do Diário de Notícias, por exemplo? E a anunciada redução para 28 trabalhadores faz-se de que maneira? Através de negociação? Se esse é o procedimento, quanto é que isso custará? A redução faz-se por incorporação directa nos quadros das várias secretarias governo? Se é assim, é legítimo que se questione: com que legitimidade? Muitas mais questões podem e devem ser colocadas. Simplesmente porque todos os madeirenses, inclusive, as empresas, são confrontados com uma enorme carga fiscal e, ainda por cima, vão ter de pagar as megalomanias políticas no quadro da "propaganda ilícita" do governo regional da Madeira. Que cada leitor retire as conclusões. Eu já retirei as minhas.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

ENTRE A "RENOVAÇÃO" E O PAPEL "RENOVA"


O Director do DIÁRIO, Dr. Ricardo Oliveira, manifestamente ofendido, acabou por escrever um texto doce, explicativo e não justificativo, directo mas não ressabiado, que li e reli, mastigando palavra a palavra, trazendo em memória a longa história inscrita na matriz genética de quem por aí anda, há quarenta anos, fazendo de conta que bem governa. Daí que não estranhe a repetição dos actos, a mal formação congénita, onde não há "renovação" que assista e quebre. É assim. Em uma das passagens do artigo, salienta o director do DN: "(...) Temos dado notícia da aselhice constante. Daí que alguns prefiram insultar o “pulha do director” do DIÁRIO do que honrar os compromissos que assumiram. Nem todos temos estudos ao nível da malta do Gabinete mas sabemos que não é relegando para segundo plano os mais capazes que a meritocracia se instala, que não é dispensando os visionários que se legitimam fantochadas, que não é na adega que se faz vinho! Um mandato vive de obras e um Presidente de inaugurações. Mesmo em tempo de vacas magras, não são os olhos azuis que ganham eleições. São os favores e as cunhas que a família social-democrata instituiu e dos quais ainda é refém. Não estou à espera de desculpas por parte de quem o poder foi oferecido à conta de estatutos que não resultam do sufrágio livre. Nunca 300 valeram tão pouco. Só que enquanto este "pulha" dá a cara, os honestos e íntegros refugiam-se no anonimato cobarde. (...)"


Não conheço a profundidade do que se passa nem quero saber. Detesto a bisbilhotice. Só que este texto tem muito que se lhe diga. Foram tantos, ao longo de anos, insultados e ofendidos, até perseguidos, oposicionistas que chamando a atenção e intervindo democraticamente foram encostados à parede com vilipêndios de caixão à cova e ameaças na Justiça. Pois é, pergunto, alguém poderia esperar alguma coisa diferente, quando a máquina é a mesma, o óleo é de idêntica marca e as peças substituídas foram conseguidas sabe Deus como? Para mim, mero observador, o que durante anos fizeram aos outros está a rebentar nas próprias mãos, no sarilho de uma unidade inexistente, nos silêncios que dizem tudo e nas pinturas externas com tintas de baixíssima qualidade. As paredes apresentam fissuras e parece não haver bombeiros que cheguem para tanta ignição. Há mais maquilhagem que governo. Qualquer pessoa atenta sabia que o futuro seria assim. Mas houve quem os levasse ao colo até à Vigia do povo, pois agora é que era, a tal "renovação" que se ficou pela mudança de casaco! Ganharam pela diferença mínima, mais por demérito de quem deveria ter construído uma alternativa de sucesso do que por mérito das propostas que, se as houve, não dei por elas! Mas ganharam pelo que têm o dever de governar. Mas governar sem atropelos, sem ofensas a ninguém, deixando os vícios legislativos de lado, os do chumbo pelo chumbo. Deve ser difícil para quem sempre andou politicamente drogado, estrábico relativamente à democracia e à coisa pública. Pode ser complicado, talvez, só que os tempos são outros, os olhos abriram-se, a democracia começa a evidenciar outros contornos e exigências, pelo que "pulha", "canalha" e palavrinhas afins devem ser banidas. A minha solidariedade ao Dr. Ricardo Oliveira.
Ilustração: Google Imagens. 
Texto integral em: 
http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/opiniao/547103-gabinetes-sem-estudos#comment-658532

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

LIGAÇÕES AÉREAS: É A "RENOVAÇÃO" ESTÚPIDO!


O secretário regional da Economia, Turismo e Cultura da Madeira foi à Assembleia Legislativa e, lamentavelmente, voltou a meter os pés pelas mãos. Para além do não reconhecimento político que a Portaria veio a despoletar tarifas exageradas, da história dos 60 dias para o reembolso, falou da questão dos pagamentos com cartão de crédito. Em síntese, do que me apercebi, só quem pagar em dinheiro vivo terá reembolso imediato; quem pagar com cartão de crédito terá de esperar 60 dias. RIDÍCULO! O secretário parte do princípio que o cartão de crédito não é um meio LEGAL de pagamento e esquece-se que em uma significativa parte das compras online, o meio de pagamento é o cartão de crédito. Sinceramente, já não há paciência para aturar certos governantes. Como, há dias, me dizia um amigo: "é a "RENOVAÇÃO" estúpido!


Quanto aos preços das viagens é óbvio que estamos a ser devorados. Pagamos o preço estipulado (ia dizer, concertado), perdemos, a favor do Estado, os juros durante 60 dias e quase "proíbem" a utilização do cartão de crédito. No DN-Madeira li um comentário assinado por A.M.P. que subscrevo e ajuda à reflexão:
"Utilizando a ferramenta Skyscanner.net, fiz uma simulação para os seguintes voos (ida-e-volta) para os dias 23 de Dezembro e 4 de Janeiro. A comparação é baseada nos preços mais baratos disponíveis nesses dias, independentemente do horário, companhia aérea ou agência de viagens que está a vender o bilhete.
Lisboa - Funchal - 497€
Lisboa - Ponta Delgada - 158€
Paris - Corsega - 249€
Roma - Sicilia - 148€
Madrid - Palma Mallorca - 87€
Madrid - Las Palmas - 331€
Madrid - Tenerife - 332€
A insularidade pesa, mas pesa mais do lado de cá. E é de notar, que nalguns dos casos acima é possível combinar outros meios transporte, por exemplo, autocarro/comboio/ferry.
Não tenho qualquer dúvida que existe concertação de preços entre as companhias aéreas. A TAP um ano antes bloqueia as tarifas Discount e Basic, só disponibilizando as tarifas mais caras. As restantes ajustam-se a este facto. A Transavia hoje, dia 27 de Outubro, só disponibiliza comercialmente uma viagem diária para a época natalícia desde o Porto quando provavelmente já tem slots para dois voos diários. E a easyJet de um conjunto de 600 rotas, Lisboa-Funchal é a mais cara nesse período. (...)"
E se o senhor secretário ouvisse as pessoas e demonstrasse uma atitude política mais séria? E se chegasse a um acordo de SUSPENSÃO da Portaria? E se o Governo recuasse e mantivesse os € 60,00 de subsídio enquanto outra solução não é acordada? É que ESTA TRAPALHADA, NÃO!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

EDUCAÇÃO: ERIC HANUSHEK VEIO FAZER UM FAVOR POLÍTICO AO MINISTRO NUNO CRATO


Estou a achar uma imensa piada a estes convidados, penso eu, com o selo de Nuno Crato, que têm aparecido em Portugal a fazer a apologia de uma política, pergunta-se, de quem? De Nuno Crato, obviamente! Agora foi um tal americano Eric Hanushek que veio propor a substituição de, apenas, 4% dos professores "menos eficazes", os "menos eficazes" de todos, salientou, para verem o salto qualitativo nos resultados dos alunos. Segundo li, Eric Hanushek é um economista que se apresenta como especialista em economia da educação. "Em um dos gráficos mostrou: o impacto de afastar entre 6% e 10% dos professores “menos eficazes” colocaria o país deste investigador (USA), ao nível da Finlândia, um dos que têm melhores resultados educativos do mundo (só atrás da Coreia do Sul, Hong Kong, Singapura e Xangai)". Na visão de Hanushek, "é preciso, desde logo, ter sistemas educativos onde os alunos sejam avaliados com exames centralizados — para que se tenha noção do que sabem “à entrada de um ciclo de ensino e, depois, à saída do ciclo de ensino” — de forma a medir a eficácia dos professores. Sugestão para Portugal: "Manter e até aumentar o sistema de exames."


O paleio deste "especialista" é conhecido, como é conhecida a práxis de Nuno Crato: menos professores, exames de acesso ao exercício da docência para desprestígio da universidade, turmas enormes, avaliação exaustiva dos professores, exames aos alunos e ranking's de estabelecimentos de ensino. Ora bem, pergunto, legitimamente, e se nós substituíssemos, em toda a Europa, inclusive na América, entre os 6% e os 10% dos economistas que estão a gerar a falência das sociedades, bem patente na crescente falta de emprego e na concomitante pobreza? É-me legítimo colocar esta pergunta, repito. O convite a este senhor feito pela Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, do meu ponto de vista, é desprestigiante para a própria instituição Gulbenkian. Pode saber de Economia, mas de Educação e de Sistemas Educativos melhor seria estar calado. Eu diria que os organizadores (!) foram enganados. E tratando-se de um economista, desde logo julgo que deveria consultar o Nobel da Economia em 2000, James Heckman, e os seus textos sobre o investimento em Educação. Talvez mudasse de opinião!
Parafraseando o Professor Abel Salazar e a sua frase no contexto da medicina: economista que só sabe de economia, nem de economia sabe! É que Eric Hanushek demonstrou desconhecer tudo o que os investigadores em educação, autores, professores, psicólogos, pedagogos, pedopsiquiatras, sociólogos e especialistas em organização laboral e familiar têm vindo a sublinhar sobre o que deve ser a Educação (no sistema educativo) no tempo do nosso tempo. Eric Hanushek secundariza os baixos níveis sociais e culturais que chegam à escola portuguesa e o "milagre" que muitos professores fazem para que o desastre não seja maior. Eric Hanushek opta pela visão simplista e redutora tal como o ainda Ministro Nuno Crato optou: se não sabem Português ou Matemática, não vale a pena ir às causas, facultam-se mais horas de "trabalho", portanto, mais escola, no pressuposto que se não vai a bem, vai a mal! Como se mais escola significasse melhor escola. Um aluno polaco, país que ele enaltece, por exemplo, tem 731 horas de aulas por ano; em Portugal, para o mesmo ano, tem 827 horas! E nem assim os resultados aparecem. Porquê, Dr. Eric Hanushek?
Aliás, com tanta investigação produzida em Portugal, com tantos autores de relevante qualidade que temos, com tanta literatura disponível, com tantos professores experientes, para quê chamar um americano, ainda por cima para nada acrescentar? Ah, percebo, Eric Hanushek veio a convite, talvez pago, para dizer o que o ministro quer que oiçamos. É a voz que vem da América. E tem a lata de falar da Finlândia. Conhecerá Eric Hanushek o que se passa na Finlândia? Deixo aqui uma parte de um texto que publiquei em Junho e que, em síntese, é o contrário do que veio propor a Portugal: "(...) Na Finlândia (existem outras experiências de sucesso em vários países) o professor é um moderador, um jogador atento e um criador de fenómenos que conduzem à descoberta. “(…) A ideia é não ser o professor a ensinar tudo”. Dizem os alunos: “é mais fácil compreender a matéria do que só de ouvido. Somos treinados para sermos independentes e para irmos à procura de respostas”. Leio: “(…) a aula decorre, mas não é Niina Vänttä a dar as ordens, apresenta a matéria ou perde tempo a mandar calar os alunos”. E o interessante, note o leitor, é que começam na escola aos sete anos, aprendem e estão no topo da avaliação PISA; só têm exames no final do secundário, por isso, não há stress, ansiedade ou nervosismo entre alunos e professores; só 3,8% dos alunos repetem um ano ao longo de todo o percurso escolar, contra 34,3% em Portugal; em toda a Europa são os que menos tempo passam na escola (média de 703 horas por ano, quando em Portugal são 803); dez páginas chegam para salientar o que os alunos precisam de saber do 1º ao 9º ano (qualquer disciplina), enquanto em Portugal são necessárias 110 páginas; rejeitam a sistemática “medição de resultados” (avaliação); 83% da população adulta tem o secundário, quando em Portugal ronda 38% (uma simples inversão de algarismos); são os professores que fazem o planeamento e definem as metodologias de aprendizagem e não uns estranhos à vivência escolar sentados no conforto dos gabinetes. Palavras de uma professora: “a sociedade mudou muito e os estudantes precisam de competências diferentes para quando forem trabalhar. No mundo real não existe a Matemática, a Biologia, a Química, não existem disciplinas escolares, mas fenómenos complexos, aos quais não podemos dar resposta como se fossem perguntas de resposta múltipla (…)”. Daí que os conhecimentos tenham de ser trabalhados de forma integrada. Mais, porque a Educação é necessária ao desenvolvimento, ela é pública, todo o ensino do pré-escolar ao superior é gratuito, incluindo as refeições, o transporte e os manuais. O número de alunos por escola situa-se entre os 200 e os 300. Os professores são vistos pelos alunos como “superautoridades” e é mais difícil ter acesso ao curso universitário de professor do que entrar para Medicina, leio no trabalho da jornalista Isabel leiria. Conheço a Finlândia e nada disto me é estranho. (...)". O problema português é, senhor "investigador" Eric Hanushek, sobretudo, económico, social, de autonomia das escolas, de investimento sério na escola pública, é curricular e programático, em síntese, como disse o Professor José Pacheco, o problema é de "uma escola com alunos do Século XXI, com professores do Século XX, mas com metodologias superiormente impostas implementadas desde o Século XIX".
Se me cruzasse com este "investigador" Eric Hanushek pedia-lhe: por favor, não diga disparates e não culpe os professores. Já temos por aqui um Crato, há quatro anos, a infernizar a vida de alunos, professores, encarregados de educação, sindicatos e investigadores. Goze o clima ameno de Portugal e regresse ao seu país onde pode vender as suas teses!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

PRESIDENCIAIS. PORTUGAL PRECISA DE UM PRESIDENTE DISTANTE DO SUBTERRÂNEO DA POLÍTICA


Marcelo Rebelo de Sousa é, no plano político, um produto da comunicação social. Não o conheço, pessoalmente, daí que possa estar a incorrer em um qualquer erro de apreciação. Mas por aquilo que vou seguindo, desde a história (lamentável, mas caracterizadora) da tal vichyssoise servida em Belém (aqui), do Professor Marcelo tenho a ideia de ser, repito, politicamente, uma pessoa que passa os olhos por toda a comunicação social, tem uma boa lista de contactos telefónicos que o informam em detalhe e um razoável poder de verbalização das suas sínteses. Pouco mais do que isso. Foi presidente do PSD sem sucesso e tem andado por aí, nos últimos anos, como comentador de assuntos de natureza política. Deu notas semanais (!) e apresentou centenas de livros, transmitindo uma imagem de uma vastíssima cultura (?).

Professor Doutor Sampaio da Nóvoa

Nele não acredito. E o que me incomoda enquanto cidadão é que alguns querem levá-lo ao colo até Belém. Não tenho presente uma única iniciativa sua que tivesse marcado um tempo. Ademais, a minha posição é cada vez mais clara: precisamos de um Presidente político e jamais partidário. Precisamos de alguém que prime pela novidade, que não tivesse andado nem ande pelos corredores e pelo bas-fond dos partidos. Precisamos de um Presidente que seja o contrário do que tem sido o Professor Cavaco Silva, um político que nunca conseguiu despir a sua capa partidária, demonstrou arrogância e algum indisfarçável ódio por quem o combateu. O momento que atravessamos exige alguém com bom senso, que seja socialmente respeitado, que tenha idoneidade académica, uma grande sensibilidade pelas causas sociais, seja capaz de ouvir e de não ter língua travada neste mundo extremamente conturbado, alguém que não fique deslumbrado e que se venda aos primeiros com quem tiver de tropeçar. A Presidência no Portugal de hoje dispensa, permitam-me a expressão, toda a rataria interesseira que se move no quadro das correias de transmissão dos inúmeros poderes nacionais e externos. É, por tudo isto, que não acredito no Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Considero-o demasiado plástico, ou melhor, feito de uma plasticina que não me agrada. Prefiro a independência de alguém que brota da sociedade, em cujo currículo não exista percursos politicamente duvidosos. 
Há muito que defini a minha posição. Estou com o candidato Professor Sampaio da Nóvoa, por quatro essenciais motivos: provém da academia onde tem um trabalho reconhecido pelos seus pares; sabe e já o denunciou em inúmeras oportunidades, que a Educação e a Ciência são o melhor caminho para Portugal crescer e desenvolver-se; é humilde, sabe ouvir e tem uma enorme sensibilidade social; finalmente, porque aprecio a sua independência. Não é que encontre mal algum nos candidatos que emergem dos partidos, respeito-os, só que, no momento que atravessamos, extremamente complexo, o distanciamento e a capacidade de abrangência parecem-me relevantes. Enfim, se Marcelo, "o humilde servo de Salazar", pensa que tem isto no papo logo à primeira volta, desengane-se! Quero lá saber que prescinda de algumas ditas "mordomias" atribuídas aos Presidentes da República após deixarem o cargo! Essa é das balelas populistas que não colhem. Aliás, sustento que um Presidente, após ter desempenhado a sua função, deve usufruir da dignidade inerente à mais alta Magistratura desempenhada, até porque continuará a ter tarefas de relevância no plano interno e externo. Até por aí, Marcelo não convence.
Ilustração: Google Imagens.   

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

DESONESTIDADE POLÍTICA: A PREVISÃO DE 35% DE DEVOLUÇÃO DA SOBRETAXA PASSOU PARA 9,5%! OU COMO POVO É ENGANADO...



Podem explicar como quiserem que não deixa um rasto de desonestidade política. Assume o "Jornal de Negócios" que "embora o Governo só tenha começado a divulgar a estimativa de devolução da sobretaxa a partir de Junho, tem estimativas desde Fevereiro". Ora, as estimativas "mostram-se irregulares de mês para mês". Por exemplo, em Fevereiro a estimativa era de devolução de 37%, tendo caído para 7,9% em Março. Mas o Governo só anunciou as previsões nos dois meses antes das eleições. E foi de Junho a Agosto que elas melhoraram (...) Até sexta feira, a previsão anunciada pelo Governo era de que a devolução da sobretaxa seria de 35,3%". Sabe-se que, agora, é de 9,5%.
Trata-se de um duplo roubo fiscal. Primeiro, foi a aplicação de uma sobretaxa de IRS, de 3,5%, criada como medida extraordinária para obter mais receita pública e combater o défice orçamental; depois, em plena campanha eleitoral, a forma como engodaram o povinho com uma falsa promessa. Das duas, uma: ou se tratou de uma grosseira mentira em função das conhecidas variações ou, de estatística e contas estamos conversados.
Honesto teria sido o silêncio. E ainda desejam uma negociação para se manterem no poder...
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 25 de outubro de 2015

"ANATOMIA DE UM GOLPE" - UM ARTIGO DE ISABEL MOREIRA


"A comunicação que o Presidente da República (PR) fez ao país, a 22 de julho, sobre a marcação das eleições legislativas, expunha claramente o seguinte critério político: “É extremamente desejável que o próximo Governo disponha de apoio maioritário e consistente na Assembleia da República”. O exemplo europeu era invocado em apoio desse critério: “Os governos de 26 países da União Europeia dispõem de apoio parlamentar maioritário. Não há nenhum motivo para que Portugal seja uma exceção àquilo que acontece em todos os Estados-membros da União Europeia.” Com esse critério político, o PR impõe uma tarefa aos partidos: “Alcançar um governo estável é uma tarefa que compete inteiramente às forças partidárias, como se verifica em todas as democracias europeias.” E sublinha o mecanismo essencial dessa tarefa: “Este é o tempo do compromisso.”


Perante os resultados eleitorais, que não elegem maiorias de governo, nem primeiros-ministros, mas deputados, ficou claro que ocorreu um caso único na nossa história de 40 anos que não admite a invocação de tradições: o partido mais votado não corresponde ao maior grupo parlamentar; teve a segunda maior derrota da sua história; PS, PCP, PEV e BE formaram uma maioria parlamentar correspondente à gigantesca maioria de votos que expressaram uma vontade inequívoca de mudança de política em Portugal; e o PR não pode dissolver a AR.
Na linha dos critérios de Cavaco, e tendo em conta os resultados eleitorais, perante um caso inédito, António Costa, mandatado democraticamente pelo PS e pelo que anunciara no seu programa e nas eleições, trabalhou para um compromisso entre partidos, visando um apoio parlamentar maioritário a uma solução de governo consistente e estável. Fê-lo num quadro de democracia parlamentar, na qual o Governo responde politicamente perante a AR e não perante o PR.
O PS, PCP, o PEV e o BE informaram o PR que tinham construído um acordo sólido e duradouro e de que não deixariam passar na AR o programa de governo de Passos, caso este fosse indigitado. É por isso, de resto, que o PR é obrigado a ouvir os partidos.
É para isso: para saber das suas propostas e intenções e não para tomar chá. Cavaco não solicitou ao PS a apresentação do conteúdo desse acordo, nem indicou nenhum prazo dentro do qual quereria conhecer esse acordo. De resto, o advogado de uma solução rápida e estável, olhou para as eleições a 4 de Outubro e teve o primeiro contacto formal com o PS sobre a formação do novo governo 16 dias depois.
Já escrevi acerca da total legitimidade e da lógica intrínseca dentro do sistema da indigitação da solução mais estável, a de um Governo de esquerda com maioria parlamentar.
Releva no entanto do carácter de quem diz o contrário ser quem defendeu isto mesmo.
O agora indignado Paulo Portas - “ignorante” de que a circunstância da eleição democrática de Ferro Rodrigues para Presidente da AR tem dois precedentes -, em debate televisivo com Passos Coelho, defendeu a tese de que a direita coligada governaria se PSD e CDS tivessem maioria absoluta no Parlamento, mesmo que o PS tivesse ganho. Dizia: “o que interessa é quem apresenta uma maioria parlamentar ao Presidente da República”.
Nuno Morais Sarmento, em entrevista à Rádio Renascença, declarava perentoriamente que o Presidente da República não devia dar posse ao partido mais votado se este não assegurasse um governo de maioria absoluta.
Bagão Félix, em entrevista ao jornal “i”, dizia: “há uma solução, que é um governo PSD, CDS e PCP”.  E acrescentava: “Não me repugnava que, num governo deste tipo, o PCP tivesse uma pasta social ou do trabalho. Jerónimo de Sousa é um homem sincero, um homem autêntico, um político sério. A certa altura sinto-me asfixiado pelas soluções equacionáveis. Precisamos de abrir o horizonte teórico das soluções. Sendo absolutamente não comunista, respeito o atual PCP e não o ponho no gueto.”
Portanto: a direita ataca agora o que não lhe convém, em contradição com o que defendeu por sua conveniência, ela sim, de sede despudorada de poder.
Cavaco, perante os critérios que definiu e perante, repito, a configuração única na nossa história parlamentar, começou por chamar apenas o líder do seu Partido. Começaram nesse momento os sinais de uma política de seita.
Na quinta-feira, porém, Cavaco esmagou o regime. Da seita deu um salto para o golpe. E fez isto:
- confundiu propositadamente programas legítimos de partidos políticos com programas de governo;
- discursou em tom de alarme como se estivéssemos em estado de sítio;
- tentou sequestrar a casa da democracia onde se formam as possibilidades de governo;
- coagiu o PS e os seus deputados;
- discursivamente ilegalizou três partidos políticos;
- vetou à indigência um milhão de portugueses.
Ontem, uma mulher na rua, chorando de raiva, dizia que descobrira que para Cavaco ela não existia. E com razão. Porque para um golpista nem toda a gente é gente.
Não há memória de um político ter envergonhado tanto a República, o Estado de direito democrático, a Constituição e a sua própria função.
Ontem, ao ser eleito como Presidente da AR Ferro Rodrigues, por expressíssima maioria parlamentar, por voto secreto, ficou demonstrado que cada voto é um voto, cada deputado tem igual dignidade, não há partidos de primeira e de segunda e que a esquerda é a garantia de estabilidade.
Cavaco, no entanto, lançou, não a vida política, mas primeiro a vida de cada portuguesa e de cada português, numa situação de instabilidade patética e dolosa.
E agora, Cavaco? Cai Passos Coelho e não indigita um Governo com maioria parlamentar porque tem lá comunistas? Vai um governo de iniciativa presidencial que é chumbado no dia seguinte na AR? Vai um governo de gestão que não foi a opção de quinta-feira, para ser uma opção de um outro demitido, em violação da Constituição, entrando imediatamente em vigor todas as normas suspensas, vivendo o país em duodécimos e com uma maioria de esquerda parlamentar a inviabilizar com toda a legitimidade tamanho absurdo?
Não somos nós que não merecemos Cavaco. É Cavaco que não nos merece."
Ilustração: Google Imagens.
NOTA
Artigo de opinião da autoria da Deputada Isabel Moreira (PS), publicado na edição online do EXPRESSO, aqui reproduzido com a devida vénia.

sábado, 24 de outubro de 2015

ROUBO NO PREÇO DAS PASSAGENS COM A CUMPLICIDADE DO GOVERNO DA MADEIRA


O problema das tarifas nas ligações aéreas da Madeira para o exterior é um escândalo político. Só o secretário regional da Economia teima em não compreender. Ontem, desta vez o grupo parlamentar do CDS/PP, trouxe a público o caso de um estudante que, "a dois meses do Natal, vai pagar € 649,98 para se deslocar à Madeira no dia 18 de Dezembro e voltar a Lisboa no dia 3 de Janeiro de 2016. Para o secretário os problemas relacionados com os elevados custos das viagens na altura do Natal não são novos, sempre foi assim! Espantoso. No online do DN uma senhora que assina "Revoltada", comentou: "Ir a Paris no dia 18 de Dezembro e regressar no dia 2 e Janeiro/2016 com o percurso Lisboa/Paris/Lisboa custa apenas € 149,00. Outro que assina "Novas Velhas Politicas", salientou: "É verdade que os preços não são novos mas porque é que não se previu isso na tão famosa e tão detestada lei do subsídio de mobilidade? Se os preços não são novos, era de esperar desta nova geração de políticos novas soluções. O que aconteceu? Aumentou-se o problema. Nem estudantes a vir à casa no Natal e o Turismo quero ver como se irá comportar. Um voo para a Madeira de Lisboa ou Porto passou a ter preços que dá para ir à África do Sul, Venezuela, Brasil, Moçambique, Dubai, Índia". De novo a "Revoltada": "(...) Falta de rigor e seriedade foi o que não tiveram, quando criaram a Portaria que regula esse subsídio de mobilidade. Deveriam ter salvaguardado, pelo menos os estudantes. Eu não quero receber esses € 335,00 porque eu não tenho € 558,00 para comprar a passagem. Qual é a parte que o Sr. Secretário ainda não percebeu ? (...)" 


O comunicado do secretário regional da Economia, li no DN-Madeira: "(...) reforça, ainda, que querer insistir na confusão destas realidades não contribui para o esclarecimento da população e revela falta de rigor e seriedade". Quer dizer, a população é que é burra ou pouco inteligente. É precisamente aqui que me quero situar. É que há muita gente que está farta deste tipo de governantes que julgam ser portadores da verdade, que não admitem o erro e que teimam em persistir naquilo que julgam ser um posicionamento correcto. Do meu ponto de vista, tem razão o Deputado António Lopes da Fonseca, quando exige que o Dr. Eduardo Jesus apresente aos madeirenses "um pedido de desculpas pela sua imprudência". 
Sendo uma questão POLÍTICA ficaria bem ao governante a humildade de assumir que o assunto é complexo, que tem múltiplas variáveis e que tudo está a fazer para corrigir aquilo que a prática veio a determinar constituir um erro. Só que isso é difícil, não é? Mas é por aí que os Homens se distinguem: "A humildade é a única base sólida de todas as virtudes" - Confúcio
Li, também, esta pérola extraída do comunicado: "(...) se é certo que uma vinda a 18 de Dezembro e uma ida a 3 de Janeiro custará, no caso referenciado pelo líder parlamentar do CDS, 649,98 euros, uma simulação feita já esta tarde revela que a alteração de um dia na vinda e de um dia no regresso (17 de Dezembro e 4 de Janeiro) faz o custo da passagem diminuir para 421,98 euros (valor a que acresce 50 euros para bagagem de porão)". E o governante saberá, por exemplo, que em qualquer caso, estudantes, consultas médicas, profissionais de qualquer ramo ou mesmo férias, poderão ter compromissos assumidos no dia 17 de Dezembro e no dia 04 de Janeiro? Politicamente, repito, politicamente, só posso considerar uma infantilidade.
Esta Portaria é um desastre para os madeirenses, todos o dizem, porque o roubo no preço das passagens é evidente, com a agravante do governo regional ser cúmplice. Suspendam a Portaria, rapidamente, e enquanto não produzirem um documento que salvaguarde quem vive na Região, mantenham a anterior que, face a esta apresentava outras vantagens para o residente. 
Ilustração: Arquivo próprio.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O DISCURSO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, A FALTA DE INTELIGÊNCIA E AUSÊNCIA DE RESPEITO


A decisão já era aguardada. O que não era previsível foi o tom odioso e crispado, a divisão entre bons e maus portugueses, a ofensa e mesmo humilhação ao PCP e BE que, somados, juntam mais de 20% dos eleitores, como salienta o jornal Público, até a voz de “apelo à rebelião dos deputados do PS”, o desrespeito pela Constituição da República e os deveres de isenção do Chefe de Estado. 


A indigitação do Dr. Passos Coelho não surpreende, grave é a sua atitude mesquinha e até rancorosa. Um Presidente que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição e que deveria ser reconhecido como o Presidente de todos os portugueses, acabou, uma vez mais, por denunciar o seu facciosismo através de um discurso concordante com as suas convicções partidárias e secundarizando outras leituras políticas sobre a construção do nosso futuro colectivo. O Presidente demonstrou, assim, a raiz do seu pensamento, onde a convivência democrática suscita dúvidas sem fim. 
Escolheu um caminho, mas podia-nos ter poupado a um certo vómito político; escolheu e está no seu pleno direito, mas poderia, também, evitado que o país se arraste em uma crise política. Os próximos tempos serão, politicamente, da sua inteira responsabilidade. Uma coisa é certa, se não desejava, agora, sim, reforçou a posição do PS e a união de toda a esquerda. Entretanto, três moções de rejeição ao Programa de Governo estão a caminho e este próximo governo terá, apenas, umas semanas. Resta saber quem irá aceitar ser ministro por uns dias. Dir-se-á que o Presidente foi à caça e foi caçado! Que irritante e péssimo político este.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O PRESIDENTE CAVACO É UM POLÍTICO DE DIREITA, NÃO ESQUEÇAMOS ISSO!


A decisão do Presidente da República, parece-me óbvia, corresponderá à indigitação do Dr. Passos Coelho para formar governo. Se outra for a sua decisão, pela primeira vez, o Presidente não será previsível. Tenho como assumido que a costela partidária será absolutamente determinante, por teimosia, mesmo que, presumo que tenha consciência, o próximo governo tenha, no invólucro, um curto prazo de validade. Se assim for, perguntar-se-á, que necessidade teve em deixar o processo se arrastar? Pura perda de tempo. 

Há muito que a decisão está tomada!

A sua decisão fundamentar-se-á em alegadas situações anteriores, mas mais do que isso, na posição dos seus partidários assessores, na generalidade dos comentadores, pseudo-analistas, jornalistas e outros que, de forma cega, remam a favor de uma situação minoritária no parlamento. Estou convicto que o Presidente passará ao lado do facto de ser o Parlamento a base do nosso sistema político, que é dali que emerge o governo e que a ele se subordina durante a legislatura, portanto, que à ausência de uma maioria parlamentar acrescem dificuldades na governação. Talvez acredite que essa clara fragilidade será a melhor "oportunidade" para o seu partido, porventura a pior para o povo, uma vez que da pressão internacional (tal como fizeram à Grécia) possa vir a resultar em 2016 novas eleições e a possibilidade de uma nova maioria de direita. Não sei se assim pensa e será, apenas este é um cenário de um filme, quando também reconheço não ter dotes de realizador.
É evidente que não me é indiferente um governo de direita ou de esquerda. A direita conheço-a bem. Acena, sempre, com o futuro, o bem-estar e a felicidade que só os mercados nos poderão trazer e que está ali mesmo ao virar da esquina; na prática, o que tenho constatado, é o crescimento do número de pobres, o desemprego, o trabalho precário, a emigração, a diminuição dos direitos sociais ao mesmo tempo que dispara o número de milionários. A esquerda de que falo e que defendo, é a esquerda dos princípios e dos valores humanistas, a esquerda que incomoda os poderes de raiz absoluta e nefasta, a esquerda que nutre sensibilidade pelos mais vulneráveis, que não rouba nos direitos do Homem, não pratica o esbulho nem permite que se intrometam na administração e gestão na Nação Portuguesa com uma História quase milenar. Diálogo e concertação sim, imposições e subordinações, não! É nessa esquerda moderada, de bom senso, que respeita e que exige respeito no quadro internacional que eu acredito e  defendo. O Presidente, certamente, não caminhará por aí. Ele é um político de direita que até disse, algures no tempo, lamentavelmente, que a sua(s) reforma(s) "não chega(m) para pagar as suas despesas". E as dos outros?
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

ENTRE FIGURAS ÍNTEGRAS E POLÍTICOS TRAVESTIDOS


A 11 de Agosto de 2012 escrevi um texto sobre os 50 anos de sacerdócio do Padre Martins Junior. Entretanto, passaram-se mais três anos e o Bispo António Carrilho, nomeado para a Diocese do Funchal a 8 de Março de 2007, há oito anos, continua em um ensurdecedor silêncio sobre a vergonhosa suspensão "ad Divinis" do Padre Martins, história muito bem desenvolvida e documentada no livro "Olhares múltiplos sobre um Homem de Causas". Uma suspensão que conta já com quase 40 longos anos. Nem o julgam em Tribunal Eclesiástico nem lhe pedem públicas desculpas pela situação criada que não abona, rigorosamente nada, a favor da Igreja de Cristo. 


Foi o Bispo Francisco Santana que o suspendeu. Por vingança política, sabe-se hoje. Um Bispo mais político e de perfil ideológico que o próprio PPD-Madeira da altura. Em um texto do Dr. Gregório Gouveia, no qual faz a resenha dos acontecimentos, li: "(...) As homilias de D. Francisco Santana promoveram mais polémica política separatista do que, propriamente, a divulgação dos ensinamenros de fé da Igreja Católica Apostólica Romana. Na mensagem de Ano Novo de 1975 foi peremptório ao questionar: “o povo madeirense, agitado durante este último ano por aventureiros manipulados contra a vontade do Povo, estará condenado a ser uma província do novo «ultramar português», para ficar reduzido a uma colónia que pouco ou nada conta para a Mãe Pátria, a não ser para lhe fornecer muito do seu sangue e trabalho?" Neste contexto, o Padre Martins Junior era um homem a abater, pela postura que evidenciava. Francisco Santana perseguiu-o, salienta Gregório Gouveia: "(...) A acção política do padre Martins levou o Bispo, em 5 de Novembro de 1974, a intimá-lo a entregar a chave da Igreja da Ribeira Seca, onde era pároco. Mandou polícias cercarem a igreja durante 18 dias. Os paroquianos não cederam, nem concordaram com a ordem do Bispo. Uma manifestação junto do Paço Episcopal foi a forma mais visível de apoio ao pároco. Francisco Santana não hesita em suspender o padre Martins "ad Divinis" (...)".
E assim a Diocese mantém a situação. O Povo da Ribeira Seca continua de mãos dadas com o Padre Martins, porque intuiu que "o sangue do padre é o povo". Do lado da hierarquia, Francisco Santana há muito faleceu, sucedeu-lhe o Bispo Teodoro Faria e o Bispo António Cavaco Carrilho. E vergonhosa suspensão continua. Repito, nem o julgam nem lhe pedem perdão. Será que o Papa Francisco conhece esta pouca-vergonha?
Em Agosto de 2011, (aqui) o Padre Martins concedeu uma entrevista ao DIÁRIO onde foi muito claro: "(...) Que amarras estão a segurar essa revogação da suspensão? Tenho estado calado durante cinco anos. Prometi-lhe que nunca levaria a comunicação social lá [ao Paço Episcopal] como ele me pediu. Pediu-me que não fizesse declarações públicas. Cumpri escrupulosamente. Terminou o interregno. Acabou-se. Agora vou falar. Esta Igreja que me fez sentar no banco dos réus, num processo que é só do foro eclesiástico. Esta Igreja que pede ao poder político para me sentar no banco dos réus. Ninguém pode servir a dois Senhores. Ou se serve a Cristo ou se serve o Poder. A Igreja é sempre aliada do Poder vigente, mormente na Madeira. Há alguma dúvida? Disse-o ao Sr. Bispo numa das muitas conversas que tenho tido no Paço Episcopal. Disse-lhe uma vez 'Já estou cansado de conhecer estas pedrinhas' [alusão ao empedrado do Paço Episcopal]. Mas, não ata nem desata, não se chega a nada. A população já me disse 'não vá lá mais, não é preciso, não precisamos nada disso para nos salvarmos. Qual é a solução? É a revogação do despacho de D. Francisco Santana ou um julgamento através do Tribunal Eclesiástico? A solução é que me julguem. O Tribunal Eclesiástico é a sede própria. Digam qual foi o meu crime. Fui retirado da Ribeira Seca pelo Sr Bispo Dom Francisco Santana. Digo Dom em tom de ultraje, mesmo para enxovalhar. Um Bispo chamar-se Dom, francamente. São representantes de Cristo mas arrogam-se. Querem ser reis. (...)"
Sinto uma profunda tristeza pelo comportamento de algumas figuras que deveriam ser ÍNTEGRAS. E não são. São políticos travestidos. Lamento.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

OS MEDOS DA IGREJA CATÓLICA EM PORTUGAL. UMA VOZ LIVRE EM DEFESA DOS MAIS VULNERÁVEIS.


Nutro pelo Padre José Luís Rodrigues uma enorme consideração, estima e reconhecimento pela sua claríssima opção pela Mensagem que, diariamente, a todos nos deixa. Não é de direita, do centro, da esquerda ou um "perigoso esquerdista". É um Homem que interpreta a Palavra com seriedade, com honestidade e que faz dela uma arma contra as injustiças e contra quem explora sem o mínimo de sentimento humanista. Gosto da sua frontalidade, porque me baptizaram e porque sigo o essencial de Cristo. O catolicismo diz-me pouco, porém Cristo diz-me muito. Não sou apegado a rituais, é verdade, mas sinto que a nossa breve passagem pela Terra exige um compromisso com e pelos outros. Para quê uma saca cheia de notas, contas em off-shores, vida excêntrica, vida controlada na luta sôfrega pelo dinheiro que faz mais dinheiro, quando, em um ápice, tudo fica por aí. Nem em cheque podemos levá-lo! É por isso que gosto do Padre José Luís. Gosto da sua lucidez, da sua interpretação dos factos e da sua opção pelos mais vulneráveis. Gosto da defesa pela dignidade das pessoas, da sua visão global e local e com as suas reflexões, aprendo.


Li um seu texto que exprime essa capacidade de quem não se refugia na toca. Dirigiu-se ao Senhor Cardeal Manuel Clemente a propósito da formação do novo governo de Portugal:

"Até a Igreja treme com a hipótese de vir uma coligação de esquerda. Isto está cada vez mais divertido. O Cardeal Clemente falou e disse isto entre outras coisas: «Juntando essa coligação ao PS isto forma uma grande maioria no próximo Parlamento. Parece-me mais natural que o acordo surja dentro deste conjunto do que fora deste conjunto» (Rádio Renascença). Ah sim, engana-se redondamente sr. Cardeal, essa é uma possibilidade, mas há mais…
O Sr. Cardeal, está preocupado que se faça uma maioria à esquerda no Parlamento. Deve achar que ainda estamos nos tempos do PREC e nos anos a seguir em que a Igreja Católica fez o trabalho sujo de uma «catequese» em que se diabolizava os comunistas e tudo o que fosse da esquerda. Os tempos são outros e vivemos numa democracia mais ou menos consolidada. Por isso, sr. Cardeal, acreditemos que nesse âmbito, há muitas alternativas e que todas elas são legítimas se resultam da vontade eleitoral. Nada de medos, a não ser que a Igreja Portuguesa esteja seriamente comprometida com esta coligação. O que me parece ser esse o seu medo e de muitos bispos de Portugal. No meu caso, continuo divertido e agora ainda mais depois dos seus receios e da sua jogada pela direita".
Para quê mais palavras? Quando muitos da hierarquia amocham, andam por aí sem qualquer posição de análise que faça despertar consciências intencionalmente adormecidas, o Padre José Luís Rodrigues (existem outros que negam o silêncio cúmplice) fala e escreve com o desassombro de um homem livre que apenas segue a Palavra. Padre José Luís, um enorme ABRAÇO de respeito, amizade e consideração. Ponto final.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

PORQUE A MEMÓRIA DE ALGUNS PARECE SER MUITO CURTA

«O Dr. Paulo Portas explicou na televisão, em debate com o Dr. Pedro Passos Coelho, que quem forma governo é quem tem maioria no Parlamento mesmo que não esteja lá o Partido que ganhou as eleições.»

Posted by Partido Socialista - Sede Nacional on Sexta-feira, 16 de Outubro de 2015

domingo, 18 de outubro de 2015

ARCO DA GOVERNAÇÃO, QUE DESIGNAÇÃO TÃO ESTÚPIDA!


"Sempre me perturbou a designação que por aí se ouve, desde políticos a jornalistas, passando por comentadores e eleitores em geral: "os partidos do arco da governação". Com o devido respeito pelas pessoas que utilizam, recorrentemente, aquela expressão, sublinho que a considero estúpida e sem qualquer sentido. É evidente que percebo o que querem exprimir, mas quando a utilizam estão, obviamente, a circunscrever a democracia a dois ou três partidos, passando todas as restantes correntes de pensamento a meros enfeites do processo democrático. É que a expressão induz no erro e influencia os comportamentos eleitorais. De tanto a repetirem, o eleitor pode ser levado a pensar que só A ou B podem ser poder político e que C ou D podem servir de bengalinha na lógica de que os "ovos não devem ser colocados todos no mesmo cesto". E isto tem conduzido, não podemos ignorar, a um pensamento político quase unanimista por toda a Europa, onde muitas vezes não se percebe onde terminam os princípios e valores de um partido político e começa o outro. 


Quando falam do "arco da governação" estão, pois, a afunilar o pensamento quase único. 
Jorge de Campos, in A Caixa Negra, cita Jacques Piveteau: "(...) o espectacular transformou-se numa droga cujos efeitos não podem acalmar-se senão através do consumo sempre acrescido de doses cada vez maiores". Se o espectacular assim é, também o é a repetição do pensamento. De múltiplas formas fazem promover uma e só uma verdade. E a este propósito, K. Popper e J. Condry, no livro Televisão – um perigo para a democracia, alertam, por exemplo, para o facto da televisão ser, hoje, "incapaz de ensinar o que é necessário à sua evolução" (desenvolvimento), talvez porque transmitem a verdade conveniente! Por seu turno, Umberto Eco, in Apocalípticos e Integrados, adverte que a "civilização democrática salvar-se-á se da linguagem da imagem se fizer um estímulo à reflexão crítica e não um convite à hipnose". O que porém acontece é que, na linha de pensamento de Aor da Cunha, servem para "moldar, esticar ou comprimir imagens com textos que reproduzam a vida política, social, cultural e económica à sua maneira, conforme os critérios ideológicos e particulares do momento não só dos jornalistas, mas também segundo os "proprietários" dos emissores (…)". Há como que uma lógica ditatorial do pensamento único. Daí o "arco da governação". E os outros pensamentos? Ora, temos a Europa e uma grande parte do Mundo que temos porque há gente que "não conta". Que apenas compõem o ramalhete. (...)"
Ilustração: Google Imagens.
NOTA
Texto, da minha autoria, aqui publicado em 12 de Dezembro de 2013. Neste momento alguns continuam a pensar,  inclusive o Presidente da República, que só o PSD, o CDS e o PS podem formar governo. 

sábado, 17 de outubro de 2015

INSPECÇÃO NA EDUCAÇÃO. PRONTO, FINALMENTE O PROBLEMA ESTÁ RESOLVIDO!


Esta secretaria regional de Educação da Madeira parece ter adoptado o slogan: "cada tiro cada melro" ou "cada cavadela, cada minhoca". Agora é a paranóia da Inspecção Regional de Educação. Quarenta anos depois descobriu um papel de "avaliação diagnóstica" visando a melhoria do sistema educativo. Ontem, lançaram esta pérola: "(...) A ideia é actuarmos numa lógica integrada, actuarmos com pressupostos e princípios que possam fornecer instrumentos para os decisores para que possamos ter uma gestão apontada ao sucesso" (...) "Se fizermos bem à primeira temos a garantia do sucesso organizacional e individual", salientou o secretário. Uma pérola, repito. 


Ora, a inspecção sempre existiu, desde o tempo da "outra senhora" pelo que se pergunta: da inspecção resultou alguma coisa em benefício do sistema? Nada. Desde a regionalização do sistema até hoje, a inspecção funcionou e resolveu alguma coisa substantiva? Nada. E assim, pergunto, é por essa via, a da inspecção, que irão "melhorar os resultados dos alunos, diminuir a taxa de abandono precoce e diminuir os focos de indisciplina? Não. 
As questões do insucesso escolar, a taxa de abandono e a indisciplina, preocupações da secretaria, dizem, têm causas profundas que não competem à inspecção diagnosticar e propor metodologias. Esse drama no qual a escola mergulhou tem raízes políticas, económicas, financeiras, sociais e culturais. E todas essas razões há muito que estão diagnosticadas e propostas as intervenções necessárias, a montante do sistema e de forma integrada. Aliás, deveriam ler desde monografias de Licenciatura, a Dissertações de Mestrado até Teses de Doutoramento. Há milhares de documentos escritos. Daí que, ontem, digo eu, a secretaria da Educação apenas cumpriu mais um número político. Importante, mais uma vez o digo, teria sido o governo dizer o que pretende fazer deste velho e caduco sistema educativo. Que "sonho" tem para o sistema. Que medidas pretende implementar, com prudência e cadência temporal no sentido de uma aprendizagem para a vida e não apenas para exames. Que sistema pretendem para a Região, para que a regionalização valha a pena.
Mas não, a secretaria o que pretende é inspeccionar o erro para que o erro continue, agora embrulhado, talvez, em papel de celofane colorido. Eu que leccionei tantos anos, que vivi a escola e que ainda ando apaixonado por tudo quanto à Educação e ao sistema educativo diz respeito, olho para isto, suspiro e questiono-me: por que te ralas? Só que não consigo. A minha vida foi vivida dentro da escola e quando confronto o disparate com o que vou lendo de tantos com quem aprendo, apetece-me gritar aos ouvidos desta trupe geringonça que não consegue, no mínimo, pegar o fio à meada e começar. Atente-se no título da iniciativa: "Missão e Perspectiva para o ano lectivo 2015/2016". Isto diz alguma coisa? A mim, NÃO. Mas de uma coisa estou certo: no final do ano surgirão relatórios muito embelezados, mas ocos, porque, tal como outros, manterão o erro primeiro, isto é, a falta de coragem para mexer onde deve ser mexido! 
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

"TODOS ME QUEREM E EU QUERO O MEU BEM…"







Senso&Consenso: "TODOS ME QUEREM E EU QUERO O MEU BEM…":                 Não é cantiga de amor a que hoje me traz ao vosso convívio. Longe disso. Nem será também de escárnio e maldizer. Tal...

"AQUI SE FAZEM, AQUI SE PAGAM"


Provavelmente que não se trata de uma qualquer vingança, mas uma entre outras possíveis leituras da situação que resulta do último acto eleitoral. Já aqui salientei que se o problema se designa por ESTABILIDADE POLÍTICA ao longo dos próximos quatro anos, que me parece ser mais consistente uma plataforma de esquerda do que uma coligação, embora vencedora legítima, mas minoritária no Parlamento. Mas isso que resolva o Presidente da República. Está lá para isso, com o solene compromisso de não ser sectário e partidário, antes defensor dos interesses nacionais em nome de todo o povo português. Estou até convencido que o Presidente indigitará o Dr. Passos Coelho. Que o faça, mas também que assuma as suas responsabilidades face a um governo, sem base parlamentar de apoio, portanto, com prazo datado no invólucro. 


A questão que agora Passos Coelho/Paulo Portas colocam e dramatizam, de não quererem governar com o programa dos outros e, sobretudo, todo o chinfrim que têm feito na sequência das reuniões inter-partidárias, faz-me trazer à memória tudo quanto fizeram há quatro anos, aquando do chumbo do PEC IV e o manifesto desejo de irem ao "pote". As declarações feitas na altura estão disponíveis no youtube, daí que ache estranho que se sintam magoados. Em 2011 também havia um governo legitimamente eleito e nem consideração tiveram pela avassaladora crise, sublinho, gerada fora do país e que arrastou muitos para uma situação de enorme complexidade. A sofreguidão pelo poder falou mais alto. Agora estão a expiar os pecados políticos de ontem. Não acredito que seja por vingança, mas estão a sentir, lá isso estão, a total ausência de compreensão e de solidariedade manifestada em 2011. Caso para dizer: "aqui se fazem, aqui se pagam".
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

SENHOR SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO, MENTIR É FEIO, MUITO FEIO!


Em Agosto, uma primeira página do DN-Madeira titulou: "Bons e Maus alunos em turmas separadas". Um assunto que levantou uma grande celeuma. Nas páginas interiores, a peça desenvolveu, com grande rigor, os resultados dos alunos. Com toda a certeza não foi o jornalista que os inventou. E no texto li, como facto consumado: "O próximo ano lectivo começa com projectos-piloto em pelo menos cinco escolas da Madeira, modelos experimentais com o objectivo de melhorar a prestação dos alunos e simultaneamente a das instituições de ensino. (...) Os directores e a Secretaria de Educação esperam que o tempo prove que poderá ser a resposta para inverter anos de maus resultados, conseguindo o melhor de cada aluno (...) Este ensino mais personalizado prevê, por exemplo, a possibilidade de mais de um professor por sala, sendo de esperar também um aumento na contratação com esta medida (...) A Secretaria de Educação definiu como objectivos a melhoria nas avaliações, a redução do abandono escolar e da indisciplina. Estes projectos-piloto vão neste sentido e foram ao que tudo indica aprovados pela tutela (...) Com estes projectos, os directores, com a Secretaria, querem identificar as dificuldades o mais cedo possível, actuar o quanto antes de forma a corrigir o percurso que de outra forma acaba em más avaliações e traumas (...) Ao que o DIÁRIO apurou, o secretário regional de Educação, Jorge Carvalho, vê com grande expectativa os resultados destas intervenções diferenciadas nas escolas (...)". Ontem, o mesmo secretário da Educação, depois de tanta voz que se colocou contra aquela posição, assumiu, em audição parlamentar: "Não há nenhuma diferenciação entre alunos maus e alunos bons (…) não existe nenhum projeto nesse sentido" (...) Esse "projeto não é da secretaria" Regional de Educação (...)".



Não tenho palavras para qualificar, politicamente, a desconformidade destas posições. Está completamente fora de qualquer hipótese ter sido o DIÁRIO responsável pela estratégia política, mas os dados e o interesse em fazer avançar aquilo que designaram por projecto-piloto, obviamente, que tem uma paternidade. Até porque não foi desmentida nos dias seguintes. 
Não vou aqui tecer considerações sobre esta questão no quadro pedagógico. Já o fiz em tempo oportuno. O que me preocupa é a mentira, ou melhor, sobre quem está a mentir dentro da própria secretaria, quem deu o seu aval a uma iniciativa (mesmo que fosse de escola) e mais do que isso, as razões científicas que conduziram a esse aval. Mentir é feio, muito feio! Mais ainda, quando só dois meses depois da notícia, na esteira do posicionamento até de investigadores da Universidade da Madeira, surja, laconicamente, a posição oficial que "não existe nenhum projecto nesse sentido". Fico com a ideia de alguém ter remado para terra depois da alta pressão a que foi sujeito. 
Doravante, questiono, quem irá acreditar em uma qualquer decisão da Secretaria Regional da Educação? Restará sempre a dúvida. Eu que defendo a autonomia dos estabelecimentos de educação e ensino e não uma autonomia mitigada e de sucessivos constrangimentos, sustento também que existem determinadas opções que não devem ficar ao livre arbítrio das escolas. No mínimo, a tutela tem o dever de equacionar, fazer pensar, recolher depoimentos de autores, investigadores e pensadores em matéria de sistema educativo, para depois então acautelar o seu aval a projectos que só, aparentemente, podem ser considerados necessários. Ontem, mais do que fugir à realidade publicada, o secretário tinha o dever de explicar aos deputados, no plano científico, as razões que o levaram, em Agosto, dizer que via esta iniciativa com grande expectativa. E por aqui fico.
Ilustração: DN-Madeira.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

"O HUMILDE SERVO DE SALAZAR"


Esta carta deve ser partilhada por o maior número de pessoas, até para conhecer melhor aquele que "pretende ser o futuro Presidente da República".


Senhor Presidente do Conselho,
Excelência
Venho agradecer a Vossa Excelência a amabilidade que teve para comigo ao enviar-me, por intermédio da Senhora D. Jenny, alguns livros de Vossa autoria e por Vossa Excelência rubricados.
Eu, como simples aluno do primeiro ano liceal, acho que é demasiado valiosa para mim a oferta de Vossa Excelência, pois o dever do aluno e filido [sic] da M.P. é tentar melhorar-se e educar-se a si próprio por sucessivas victórias da vontade.
E para certificar a afirmação feita bastam os versos de Fernando Pessoa:
“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”.
E Senhor Presidente, para terminar esta pequena e modesta carta, desejo a Vossa Excelência muitos anos de vida, para bem da Nação Portuguesa e de todos nós.
Com o mais profundo respeito e a mais sentida gratidão,
subscreve-se o vosso humilde servo,

Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa
Lisboa, 7 de Abril de 1960
[Fonte: Torre do Tombo – Arquivo Salazar]

NOTA
Transcrito do FB de Maria Teresa Santos Tavares Góis

terça-feira, 13 de outubro de 2015

PARA A DEPUTADA SARA MADRUGA (PSD): OIÇA, REFLICTA E EMOCIONE-SE. APRENDA COM PESSOAS DA SUA IDADE QUE NÃO SÃO DEPUTADAS.


Disse esta manhã no Parlamento da Madeira: "(...) A vontade do povo é inquestionável" (...) "quem ganha as eleições, mesmo sem maioria absoluta, tem de governar". Pois, Senhora Deputada, oiça o depoimento (vídeo abaixo), igual ao de milhares da sua geração e, certamente, concluirá que está na hora de partir o espelho. Para além do vídeo, a Senhora Deputada deveria ler a cedência do PSD/CDS a muitas propostas do PS. Só lendo, porque contado é difícil acreditar.


O mais curioso é que depois de tanta ofensa ao Partido Socialista, de consecutivo enxovalho às pessoas que fizeram parte do último executivo socialista, depois de terem bombardeado o programa do PS na recente campanha eleitoral, Passos Coelho/Paulo Portas, apresentam-se a negociar com "23 propostas retiradas diretamente do programa eleitoral dos socialistas. PSD e CDS consoante os casos, aceitam, entre outras:

  1. dizer não ao plafonamento das pensões; 
  2. aceitar o aumento do salário mínimo nacional;
  3. a redução da sobretaxa de IRS mais depressa do que a coligação estava disposta a fazer (Passos propunha um faseamento em quatro anos; Costa falava em apenas dois); 
  4. o buraco (!) de 600 milhões no orçamento da Segurança Social que não implicará cortes das pensões já em pagamento; 
  5. dizer sim à necessidade de diversificar as fontes de financiamento da Segurança Social. 
  6. sim às propostas do PS como a atualização do abono família e de outros apoios sociais, nomeadamente para famílias monoparentais; 
  7. reposição dos salários dos funcionários públicos (acima de 1500 euros);
  8. não ao corte de despesas em prestações sociais não contributivas através do alargamento da condição de recurso (ou, como se lê no documento, citando o programa do PS: "reforçar e reavaliar a coerência do modelo de aplicação da condição de recurso nas prestações sociais de natureza não contributiva"). 
Afinal, o programa do PS tinha virtualidades. Pergunto: como acreditar nesta gentinha que bombardeia e, passada uma semana, aceita várias medidas, tudo para se manterem no poder? Por mim, classificaram-se, definitivamente.


Ilustração: Google Imagens + Youtube

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

ELEGEMOS DEPUTADOS, NÃO ELEGEMOS UM PRIMEIRO-MINISTRO!


Interrogo-me se estarei a analisar menos bem o problema político que estamos a enfrentar. Por mais complexas que sejam as interrogações inclino-me sempre para a mesma conclusão: se o problema designa-se por estabilidade política, se existe uma maioria de esquerda na Assembleia e se o chamado centrão tem mais contras do que a favor, por que não aceitar um governo de maioria parlamentar? Julgo não estar em erro, mas pelo menos em quatro países do UE, Luxemburgo, Dinamarca, Bélgica e Letónia os primeiros-ministros não saíram do partido vencedor. Medo da esquerda? Porquê? Porque poderão colocar em causa a onda ultraliberal que varre a Europa? Medo do "experimentalismo" político? Mas, então, pode-se esquecer que os socialistas têm sido governo com regularidade e que os restantes à sua esquerda têm uma longa história no parlamento? Não se trata de ganhar na secretaria aquilo que foi a decisão minoritária do Povo. Trata-se, antes, de garantir, com bom senso, muita ponderação e responsabilidade, iniciar um novo ciclo da nossa História democrática. Porque não? Não vejo qualquer mal nisso.


Haverá mal em defender o estado social? Haverá mal em defender políticas anti-austeridade, as medidas que contrariem o rumo para o empobrecimento? Em defender a escola pública? Em defender o sistema nacional de saúde? Haverá mal em defender o crescimento económico e uma melhor estabilidade dos postos de trabalho? Haverá algum mal em defender os reformados e pensionistas das garras de um sistema que os tem miseravelmente punido? Haverá algum mal em combater a tentativa de privatização de uma parte da segurança social no quadro dos "fundos de pensões"? Haverá algum mal em defender cuidados redobrados na privatização das riquezas nacionais? Haverá algum mal assumir, perante a Europa, que aqui mandam os portugueses, mas que respeitamos os nossos compromissos até ao último cêntimo, desde que não nos espezinhem? Haverá algum mal, como ainda hoje referiu Rui Tavares, opôr-se "aqueles que se crêem donos do sistema"? Quais são, então, os dramas (fabricados) face a um governo com políticas diferentes mas responsáveis? Só a direita é que as consegue fazer? Então, depois de quatro anos de enormes constrangimentos sociais, como foi possível agravar a dívida? Então, só agora, de corda ao pescoço, Passos e Portas admitem flexibilizar metas do défice para negociar com o PS? Só agora entenderam que devem apagar toda a ostracização política e ofensas descontextualizadas dirigidas ao PS, mormente, relembrando a todo o momento, que as causas de todos os males foram as políticas do PS e, particularmente, do ex-primeiro-ministro José Sócrates? Só agora e de forma desavergonhada?
Por mim é tarde. Prefiro uma clarificação no quadro de um novo caminho que, objectivamente, não considero contra-natura. Elegemos deputados, não elegemos um primeiro-ministro! E a composição da Assembleia, no quadro da desejada ESTABILIDADE impõe uma configuração de governo face à qual, reconheço, não estamos habituados. Mas é a democracia que deve ser respeitada, ressalvando-se o inalienável direito do PSD/CDS de governar em minoria. Se o Presidente da República aceitar, que se cumpra essa vontade e disponibilidade dessa coligação. O que não me parece correcto é que o PS conjugue esforços de entendimento face a um programa (PSD/CDS) com o qual não concorda.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 11 de outubro de 2015

PRESIDENCIAIS. MARCELO, "UM JOGADOR E ÁRBITRO AO MESMO TEMPO".


Quando ouvi o Professor Marcelo dizer: "(...) Cumprirei o meu dever moral de pagar a Portugal o que Portugal me deu", perpassou-me, de imediato que, enquanto cidadão português, a mim nada me deve, nem directa, no plano pessoal, nem indirectamente, no plano dos meus impostos. Sobre esta matéria li um comentário bem humorado do meu Amigo José Manuel Lira Caldeira que aqui reproduzo: "já revistei o rol dos fiados e verifiquei que não me deve nada". Exactamente o que se passa comigo. Ora, o Professor Marcelo tem todo o direito (e ainda bem) de candidatar-se à Presidência da República. Ficou tudo clarificado. Acabou a história de "ser árbitro e jogador ao mesmo tempo" como salientou o Professor Sampaio da Nóvoa, também candidato. Simplesmente porque, por razões éticas e de valores, disse este académico, "não se pode comentar presidenciais quando já se sabe […] que se é candidato”. E Marcelo fê-lo todo o tempo, pelo que razão tem Sampaio da Nóvoa ao sublinhar que "(...) nos últimos meses estávamos a assistir a um jogo que não era muito bonito, do ponto de vista democrático e (...) creio que em democracia o que conta muito é também a ética e os valores. Não se pode fazer de conta (...) não se pode comentar presidenciais quando já se sabe, e isso é uma decisão tomada há muito tempo, que se é candidato".

SAMPAIO DA NÓVOA
uma candidatura que nasce do Povo para o Povo.

O agora candidato Marcelo Rebelo de Sousa usou e abusou da sua condição de comentador da actualidade política. Sentou-se em várias cadeiras, entre outras, a de observador de acontecimentos, a de partidário ao comparecer e tomar posição em iniciativas de campanha eleitoral do PSD/CDS, tal como, recentemente, compareceu à "festa do Avante" do PCP. 
Não vejo mal que, a convite, tivesse intervindo na designada "universidade de Verão" dos jovens social-democratas. Da mesma forma, enquanto independente, Sampaio da Nóvoa, por convite, discursou no Congresso do PS. Quantos, sem qualquer filiação partidária ou mesmo tendo-a, são convidados e pontualmente discursam e apresentam os seus pontos de vista? Faz parte da participação cívica. O caso do Professor Marcelo é completamente diferente, sublinha o Professor Sampaio da Nóvoa, "por razões éticas e morais". Mas, enfim, esses aspectos a ele dizem respeito. Marcelo sente-se bem nesse papel e a mim compete-me, apenas, apreciar este seu jogo calculista de quem há muito demonstra saber colocar as peças visando um hipotético xeque-mate. 
Conheço o Professor Marcelo da televisão. O Professor que sabe tudo: tanto fala de livros, como de bastidores da política, como de futebol. Para tudo tem resposta e, muitas vezes, certezas. Dá-me a ideia que lê todos os jornais, tem uma boa lista de contactos telefónicos, e, ao Domingo, puxa a culatra atrás e aqui vai disto! Também dá notas. Eu, mero observador, quando tenho alguma paciência para escutá-lo, determino também uma nota que nem lhe concederia ir à oral para esclarecer posições. Mas isso sou eu cidadão anónimo. Respeito, porém, outras posições de um certo endeusamento. O que para mim vale sete, para o outro pode valer dez e até mais! Não entro por aí. O que me custa aceitar é ouvir pessoas com responsabilidades políticas e outras darem como facto consumado a eleição para Presidente da República. Ao terminar um ciclo de dez anos de um presidente claramente partidário (Cavaco Silva), parece que nada aprenderam, para repetirem a dose com um outro da mesma família política e que, à luz das posições passadas, não tem condições objectivas para jurar cumprir e fazer cumprir a Constituição. A costela partidária é determinante nos momentos cruciais. Sempre foi assim.
Aliás, no momento que atravessamos, onde a crítica aos partidos políticos, com razão, sublinho, têm vindo a subir de tom, lógico seria ter na Presidência alguém que brote da sociedade, sem vínculos a ninguém, a nenhuma estrutura e que seja portador de um discurso sereno, de defesa dos mais elementares valores humanistas, portanto, que não esteja prisioneiro de grupos com profundas raízes lenhosas. Marcelo está prisioneiro. Sampaio da Nóvoa não está prisioneiro. Marcelo é o "sócio" número 3" do PSD; Nóvoa não tem filiação partidária, portanto, depende, apenas, das suas convicções de homem experiente na vida.
Desde o primeiro momento assumi que votaria no Professor Sampaio da Nóvoa. Mantenho-me fiel à leitura inicial. Agora mais que nunca. E aqui deixo um vídeo da leitura de Paulo Portas sobre Marcelo Rebelo de Sousa. Hoje, certamente, dará, irrevogavelmente, o dito por não dito. Só que esse não é o meu caminho e as palavras estão registadas.

sábado, 10 de outubro de 2015

“SE VOCÊ QUER ALGO NOVO, VOCÊ PRECISA PARAR DE FAZER ALGO VELHO" - PETER DRUCKER


Li com muito agrado uma entrevista ao Dr. Ricardo Alves, director do serviço de Psiquiatria, publicada na edição de ontem do DN-Madeira. Entre outros aspectos que merecem uma ponderada e exaustiva reflexão, registei estas passagens: "(...) Nós, tivemos a sorte de pertencer a uma geração em que tínhamos três meses de férias, brincávamos, tivemos um período de adolescência para crescer e aprender a lidar com o não e com a frustração e, hoje, isso não acontece (...) Muitas vezes as pessoas esquecem-se que só vivemos uma vez e que todos temos os nossos limites. Numa sociedade em que é tudo para ontem, há muitos casos de "burnouts" (ndr: distúrbio psíquico de carácter depressivo) estão a acontecer, em todas as áreas profissionais e até nos estudantes (...) as novas tecnologias estão a criar uma sociedade que não manifesta emoções (...)". 

Estava a interiorizar estas declarações e a lembrar-me do nosso pobre sistema educativo e da nossa esquizofrénica organização social onde se enquadra o mundo laboral. Estamos entregues a governantes de conhecimento medíocre, que repetem, mecanicamente, o erro, sem tempo para questionarem o seu próprio pensamento, atitudes e decisões. Como se mais horas de trabalho significassem maior produção ou mais horas entre as quatro paredes de uma escola pudessem redundar em melhor aprendizagem. Quanto errados estão! Depois, obviamente, pagamos com os desequilíbrios emocionais, com os estados de ansiedade e depressão. Pagamos com custos elevados no quadro do sistema de saúde, no do absentismo e no do insucesso e abandono escolar. Há anos que é assim e ninguém,  no mínimo, tenta uma reflexão. Pelo contrário, li, recentemente, uma declaração do secretário regional da Educação, a propósito do início do ano escolar, onde salientou que o próximo ano lectivo "começará mais cedo, muito mais cedo"! Como se a escola fosse um armazém, um depósito de alunos, como se mais tempo passado na escola fosse determinante na qualidade das aprendizagens e da formação global das crianças e jovens. Não é. Pelo contrário é factor de distúrbios vários, da mesma forma que, no mundo laboral, a cultura da pressa e do nanosegundo, esse mundo da pressão, do cumprimento de objectivos desconexos com a realidade, só acarretam estados de profunda intranquilidade e de insegurança. Deveriam ter presente as palavras do Professor Doutor Santana Castilho, investigador, quando sublinha que as escolas a tempo inteiro (pergunto, com os currículos e programas de hoje quais as que não são) constituem uma “aberração pedagógica e social que nacionalizou crianças e legitimou a escravização dos pais”. Escravizam as crianças que deixaram de ter tempo para serem crianças e escravizam os pais que, ou não têm trabalho ("ansiedade, depressão e suicídio") ou andam a correr de um lado para outro na busca de uma estabilidade que está no horizonte que se distancia a cada passo. Tem razão o Dr. Ricardo Alves: “(...) Podemos estar a criar uma sociedade sem emoções”. Eu diria: estamos.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O FUNERAL DE LUÍS MIGUEL FRANÇA: BASÍLIA, O MIGUEL APENAS NÃO ESTÁ PRESENTE... MAS ANDA POR AÍ!


Por amizade e dever social fui ao cemitério para um último adeus ao Amigo Luís Miguel França. Vivi, obviamente, um momento profundamente triste pela implacável morte que roubou o Miguel ao nosso convívio, mas também confortado por ter sentido que a sua Mulher Basília Pita, embora a atravessar um momento extremamente doloroso, transmitia serenidade e uma absoluta força interior para enfrentar os próximos e sempre difíceis capítulos da vida. Nestes momentos as palavras devem ser poucas para não cairmos na banalidade. Só a presença, quando sincera, diz tudo. Mas falámos e desabafámos o que, para ambos, estou certo, foi importante. De regresso, foi-me impossível não rebobinar uma cassete, tal como tantas vezes o Miguel o fez na redação da televisão, a pretexto de montar uma peça. Neste meu caso, dei comigo a juntar, de forma dispersa, alguns momentos e conversas que tivemos. 


Falei muitas vezes como o Luís Miguel França, um excelente profissional de rádio e televisão, portador de uma extraordinária voz e de um semblante que inspirava confiança na leitura das notícias. Nunca deixou qualquer rasto que demonstrasse naturais opções pessoais de natureza política ou sobre a sociedade. Foi um Jornalista acutilante mas distante. Um dia, já tem uns anos, disse-lhe mais ou menos isto: meu Amigo, parabéns pela entrevista que fez ao patrão de um grupo económico, extremamente bem preparada e profunda, mas tenho a sensação que assinou a sua sentença. Nesta terra paga quem é profissional e rejeita a auto-censura. Ele riu-se, mas percebi a sua preocupação. A verdade é que, passado algum tempo, após dois anos de mandato na Assembleia da República, para a qual foi eleito nas listas do Partido Socialista, o Luís Miguel França regressou ao seu posto de trabalho (RTP) e, claro, por falta de decência e por menoridade democrática de uns quaisquer, foi atirado para o "quarto escuro"! Esqueceram o seu passado, o facto de ter atingido o topo, de ser reconhecido e toma lá, entretém-te com reportagens que deveriam ser entregues a principiantes. Para ele foi um massacre diário. Não suportou e saiu aproveitando negociações de desvinculação dos quadros da Empresa. 
Não posso dizer que algumas graves situações profissionais tenham pesado na sua prematura morte, mas todos nós sabemos que tornamo-nos muito mais frágeis quando nos deixamos envolver pelas situações de injustiça e pela leitura da maldade. Seja qual for o peso que essas situações possam ter tido, o Luís Miguel França partiu quando tinha muito para dar (e não quiseram que ele desse). Quem ainda fica, que sinta o remorso pelo ostracismo a que o votaram, o remorso de não o terem entre os melhores que a Televisão tinha e, irremediavelmente, deixou escapar. Maldosamente, esqueceram-se que um eleito pelo Povo apenas cumpre, temporariamente, um SERVIÇO PÚBLICO À COMUNIDADE. Mais. Que o exercício da política não corresponde a uma profissão, mas a um acto de cidadania. Esqueceram-se, também, de quantos que não o sendo de "papel passado" e que se mantêm numa aparente virgindade, são mais partidários do que muitos que dizem "vou ali e já volto". Certamente que o remorso dará lugar a abraços à sua Mulher, alguns hipócritas, ao jeito, estamos contigo! Logo a ela que também tem sido vítima colateral de decisões obscuras.
Basília, mais um beijinho, extensivo à Sofia. Mantenha-se serena e determinada. O Luís apenas não está presente, mas anda por aí.