quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O "EVANGELISTA" AJJ


O "evangelista" AJJ baralha conceitos, deixa as cartas marcadas, vende o produto e nem conta se dá das incoerências, como se todos fossem saloios. Complementa com a frase: "Temos de ser persistentes e determinados na orientação que estabelecemos para continuarmos a fazer obra desportiva na Madeira". Mas, qual obra? A obra da dívida, a obra que deixou, trinta e tal anos depois, 77% da população distante da cultura desportiva? A obra da incultura? A obra que deixou os benévolos dirigentes desportivos em uma situação desesperante? A obra de cinco anos de atrasos nas transferências financeiras acordadas?


Duas notas políticas neste início de manhã.
Segundo o "evangelista" AJJ o sofrimento da população madeirense fica a dever-se "à loucura do Mundo". Uma declaração produzida à margem da inauguração das instalações de uma Academia de Bilhar. Perante esta douta opinião, se lá estivesse, mostrava-lhe a bola preta!
Ora bem, não foi a sua loucura, a sua inaptidão para traçar o crescimento e o desenvolvimento com sustentabilidade, não foi a fúria inauguracionista que dominou o seu pensamento estratégico, não foi a ausência de planeamento sustentável que originou o grave desequilíbrio nas contas públicas, não foi a estratégia de ganhar eleições que dominou o pensamento político, não foi a sua política de multiplicar o leque dos dependentes para que os tivesse sempre em rédea curta, desde a Igreja ao associativismo desportivo e cultural, nada disso, foi "a loucura do Mundo" a causa das causas do sofrimento do povo da Madeira. É espantoso! Comporta-se como o menino traquinas que perde o ano, chega a casa e diz: eu perdi, mas um António e o Francisco também perderam!!! Oh homem, pelo menos e por agora, prepare-se em casa, antes de dizer disparates que permitem deixar o rabo de fora. Porque toda a gente, mesmo aqueles presos à máquina partidária já começam a ter dificuldades em engolir a mentira oferecida em papel de celofane.
A atual situação financeira dos clubes continua envolvida em sinais trágicos. Cada vez que o "evangelista" AJJ fala, mesmo quando pretende "trocar por miúdos" as ideias, crescem as desconfianças e fica visível o olho da tempestade. Ora, o problema não está na redução de 15% nas transferências, não está em novas regras a apresentar até Maio que, no essencial, manterão este quadro que se mostrou trágico ao longo dos anos, o problema situa-se ao nível do paradigma global e específico que se deseja para o desporto. Em poucas palavras, ou o governo quer um desporto ao serviço do desenvolvimento ou um desporto ao serviço da política. A opção joga-se entre estes dois caminhos. E o que me parece é que o "evangelista" AJJ quer continuar na lógica de um desporto ao serviço da política, o tal modelo que gerou a tragédia do sistema. Quando assume o protecionismo da competição nacional e internacional, isto é, o "apoio àquelas modalidades que trazem títulos nacionais para a Madeira, sejam individuais ou colectivos", pois (...) "quem não tem resultados até agora não vale a pena, pois temos de cortar para não prejudicar outros", ideias estas complementadas com o seu posicionamento relativamente à formação, sublinhando que há que apostar no atleta madeirense em detrimento da "importação" de atletas de fora da Região, o "evangelista" demonstra que não sabe o que significa as etapas da formação, onde devem ter lugar e como é que elas se organizam ao longo dos anos. No essencial, este terceiro vetor da sua política, articula-se, uma vez mais, com o seu pensamento político, isto é, menos continentais e estrangeiros, é certo, mas uma aposta nos naturais com o objetivo de representarem a Madeira. O "evangelista" AJJ baralha conceitos, deixa as cartas marcadas, vende o produto e nem conta se dá das incoerências, como se todos fossem saloios. Complementa com a frase: "Temos de ser persistentes e determinados na orientação que estabelecemos para continuarmos a fazer obra desportiva na Madeira". Mas, qual obra? A obra da dívida, a obra que deixou, trinta e tal anos depois, 77% da população distante da cultura desportiva? A obra da incultura? A obra que deixou os benévolos dirigentes desportivos em uma situação desesperante? A obra de cinco anos de atrasos nas transferências financeiras acordadas?
O que o "evangelista" AJJ deveria ter assumido, nesta fase de grandes constrangimentos, por um lado, era o erro da sua política para o desporto, mas para isso teria de ter grandeza e humildade, por outro, calendarizar e pagar tudo o que está para trás e apresentar, em síntese, um paradigma de desenvolvimento do desporto baseado, prioritariamente, no desporto escolar e, acessoriamente, na interface com o desporto federado. Mas nisso nem o "evangelista" AJJ está interessado, nem o secretário da Educação domina.
Ilustração: Google Imagens.

4 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Já deve ter reparado que há vários dias que não comento estes seus escritos.
Quero esclarecer que não o tenho feito por duas razões: a primeira é a de concordar em absoluto com o que diz; a outra é a falta de pachorra para aturar tanta asneira jardinista.
Estou farto!

João André Escórcio disse...

Caríssimo Coronel,
Já somos uns quantos com a mesma predisposição. Há dias que me apetece deixar de escrever face à "asneirite" aguda que por ainda anda à solta. Depois, há qualquer coisa que me empurra para continuar a meter o pauzinho na engrenagem. Mas cansa, eu sei que cansa. Até parece que nós é que estamos a ver o filme ao contrário! Como disse e bem, já não há pachorra.
Um abraço.

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

AJJ faz-me lembrar aqueles alunos a quem os professores já não se davam ao trabalho de marcar faltas nem assinalar os erros nos testes. Porque não tinham recuperação possível.

João André Escórcio disse...

Nem mais!