segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O JARDINISMO NÃO É HOJE MAIS DO QUE UM ESQUELETO ANDANTE


A verdade é que o resultado das eleições de ontem prognosticam que nada ficará como antes. Toda esta gentinha que ocupou e ocupa lugares de relevo na Administração Pública e que, directa ou indirectamente, foram correias subservientes de transmissão do poder, interpretando, ao milímetro, a vontade de um homem, todos vão começar a sentir que terão de pensar que não são donos de nada e de ninguém, que vão ter de se habituar a outras formas de comportamento político e que o exercício da política não constitui uma profissão, antes um serviço público à comunidade. A LIBERDADE chegou e, das duas, uma, ou adaptam-se ou sentir-se-ão desajustados face ao regime democrático. Mas, também, é preciso que os vitoriosos interpretem esta vitória regional com generosidade. Eu acredito que tal venha a acontecer, isto é, que toda a histórica oposição saiba apagar um passado de medos sem fim, de subtis perseguições, de ameaças, de insultos e de ofensas a tantos. É imperioso que tal aconteça, porque o pior que a Madeira poderá experimentar é a instabilidade fruto da ignição de situações que coloquem uns contra os outros. Não se pode esquecer o que aconteceu, sobretudo para correcção dos caminhos do futuro, mas a nobreza da política implica a tolerância e o respeito. Jardim perdeu e a Madeira ganhou. O jardinismo não é hoje mais do que um esqueleto andante. O povo cansou-se do palavreado, do grotesco, de um bando de interesseiros que, paulatinamente, construíram uma rede de malha muito larga por onde passaram tubarões que escravizaram o povo. Falo da política educativa, da política de saúde, da política ambiental, da política económica, da política financeira, da política social, da política de hostilidade permanente aos Órgãos de Soberania, até às políticas em defesa do ordenamento do território. O povo cansou-se dos inimigos externos, das culpas serem sempre endossadas aos outros, do discurso falacioso da Constituição da República, da ausência de assumpção de responsabilidades, cansou-se de ver peitos que pouco valem sempre cheios de ar venenoso. Acabou. 

A vitória no Funchal tem um significado
muito especial no conjunto de outras vitórias (mais seis)
ao nível Regional. O PSD perdeu, inclusive,
a liderança da Associação de Municípios.

Um velho mas discreto combatente pela DEMOCRACIA agarrou-se ao meu pescoço, num forte e sentido abraço e segredou-me: "cheguei a pensar que não assistiria a este momento". Passou a mão pelos olhos. A emoção tomou conta de mim. Há momentos que, de facto, são marcantes na vida das pessoas, desde a família à superação de tantas agruras até à vivência no colectivo no qual nos integramos. Neste particular, estamos hoje a viver um dia só comparável com o 25 de Abril. Este sub-regime do regime democrático sofreu um golpe pela via da vontade popular, o que equivale dizer que começou o desmantelamento de uma estrutura partidária tentacular que sufocou madeirenses e portosantenses durante 37 anos. O que é espantoso é que o homem que liderou todo este processo construído sobre uma permanente mentira política, ontem, impiedosamente derrotado pelo povo, assumiu não demitir-se e, pior ainda, veladamente, ter transmitido a ideia que o povo assim votou, mas que terá de assumir as responsabilidades desse voto. Eu diria que foi a cereja em cima de um bolo que tresanda, cujo prazo de validade há muito expirou. Uma declaração que é uma espécie de declaração de guerra a um povo que, claramente, não o quer por perto. Não sei se o posso classificar de ditador genuíno, mas que tem pinceladas dessa natureza, disso não tenho dúvidas.
A verdade é que o resultado das eleições de ontem prognosticam que nada ficará como antes. Toda esta gentinha que ocupou e ocupa lugares de relevo na Administração Pública e que, directa ou indirectamente, foram correias subservientes de transmissão do poder, interpretando ao milímetro, a vontade de um homem, todos vão começar a sentir que terão de pensar que não são donos de nada e de ninguém, que vão ter de se habituar a outras formas de comportamento político e que o exercício da política não constitui uma profissão, antes um serviço público à comunidade. A LIBERDADE chegou e, das duas, uma, ou adaptam-se ou sentir-se-ão desajustados face ao regime democrático. Mas, também, é preciso que os vitoriosos interpretem esta vitória regional com generosidade. Eu acredito que tal venha a acontecer, isto é, que toda a histórica oposição saiba apagar um passado de medos sem fim, de subtis perseguições, de ameaças, de insultos e de ofensas a tantos. É imperioso que tal aconteça, porque o pior que a Madeira poderá experimentar é a instabilidade fruto da ignição de situações que coloquem uns contra os outros. Não se pode esquecer o que aconteceu, sobretudo para correcção dos caminhos do futuro, mas a nobreza da política implica a tolerância e o respeito. Lembremo-nos de Mandela!
Jardim perdeu e a Madeira ganhou. O jardinismo não é hoje mais do que um esqueleto andante. O povo cansou-se do palavreado, do grotesco, de um bando de interesseiros que, paulatinamente, construíram uma rede de malha muito larga por onde passaram tubarões que escravizaram o povo. Falo da política educativa, da política de saúde, da política ambiental, da política económica, da política financeira, da política social, da política de hostilidade permanente aos Órgãos de Soberania, até às políticas de ordenamento do território. O povo cansou-se dos inimigos externos, das culpas serem sempre endossadas aos outros, do discurso falacioso da Constituição da República, da ausência de assumpção de responsabilidades, cansou-se de ver peitos que pouco valem sempre cheios de ar venenoso. Acabou. A Madeira, toda a Região, fez despoletar novos protagonistas e novas políticas, novas ideias, uma outra forma de estar no exercício da política, no pressuposto que a criatividade e a capacidade de diálogo não são privilégio de uns quantos que se apoderaram do poder. Somos muitos com qualidades bastantes para governar o colectivo de forma ambiciosa e no sentido da justiça social. Estou em crer que, ontem, o povo da Região deu um gigantesco passo no sentido de uma terra onde não haja mais direitos do que justiça.
Finalmente, três notas: uma palavra para os seis partidos desta Coligação "MUDANÇA". Foram fantásticos desde a primeira hora as direcções do PS, BE, MPT, PTP, PND e PAN. E oxalá que ninguém retire dividendos deste exemplar abraço. O Dr. Paulo Cafôfo e a sua equipa têm um mandato que precisa de ser enquadrado à luz do bom senso, até porque outras batalhas políticas se avizinham, sobretudo, a de 2015 que poderá ser a do definitivo enterro de uma política cuja megalomania gerou 25.000 desempregados, pobreza e uma colossal dívida de 6.3 mil milhões, fora mais de dois mil milhões de parcerias público-privadas; uma outra palavra para todos os lutadores dos vários partidos políticos que, ao longo de tantos anos, opuseram-se, sofreram as consequências das suas atitudes, mas mantiveram-se fiéis às suas convicções. É preciso ler, entre outras, a História do Parlamento da Madeira, as propostas apresentadas e chumbadas, a história dos insultos mais reles e ordinários, o rol de perseguições onde a própria Igreja não está imune (estou a lembrar-me dos silêncios cúmplices e, por exemplo, da suspensão, sem julgamento, do Padre Martins Júnior) e as angústias que transportaram ao longo de anos. Esta vitória é também deles, entre os quais, muitos que já partiram deste mundo sem poderem ver a concretização da normalidade democrática que, agora, dá os seus primeiros passos; terceira palavra, para os grandes vencedores em Machico, Porto Santo, Porto Moniz, S. Vicente, Santa Cruz e Santana. Um longo e difícil caminho vos espera.  
Uma nota de rodapé neste texto escrito ao correr do pensamento: ontem, abracei a Senhora D. Guida Vieira, uma dessas lutadoras, que me disse: "como o Paulo Martins gostaria de aqui estar a festejar este momento!". Está hospitalizado, mas votou. Um abraço Paulo e rápidas melhoras. Sempre em pé.
Ilustração: Google Imagens.

O FIM DA LOUCURA JARDINISTA


37 ANOS DEPOIS FEZ-SE HISTÓRIA. O DR. PAULO CAFÔFO É O PRESIDENTE ELEITO DO FUNCHAL. UMA NOITE MEMORÁVEL. VENCEU A DEMOCRACIA E ACABOU O JARDINISMO. ESTA VITÓRIA DA COLIGAÇÃO "MUDANÇA", ASSOCIADA A VÁRIAS DERROTAS (7) NA REGIÃO, COLOCA O PSD EM TOTAL FRAGILIDADE. ACABOU A ARROGÂNCIA E A PREPOTÊNCIA!



domingo, 29 de setembro de 2013

SEJA AGORA


TEM DE ACONTECER 
PORQUE TEM DE SER 
E O QUE TEM DE SER TEM MUITA FORÇA (...)
SE É PARA ACONTECER... POIS QUE SEJA AGORA!

 

sábado, 28 de setembro de 2013

DIA DE REFLEXÃO? ANTES DIA DE ESPERANÇA...


Diz a sabedoria popular que a ESPERANÇA é a última a morrer. São 10:30 horas do dia 28. Quero manter a ESPERANÇA que o REGIME imposto na Madeira está a cerca de 33 horas de ser fatalmente atingido. O que se vier a passar no Funchal será determinante para o fim do jardinismo. Podem ser as últimas horas no cadeirão dos interesses...

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ESTÁ NA HORA... VAMOS A ISTO!

UM VÍDEO PROGRAMÁTICO ESPANTOSO DA "MUDANÇA"

CARTA AOS FUNCHALENSES E, PARTICULARMENTE, AO CANDIDATO PAULO CAFÔFO


A poucas horas do acto eleitoral, digo-lhe Paulo, que ninguém teria feito melhor. Passei por muitas campanhas, conheço muitas ruas, impasses, entradas, veredas e becos, domino os constrangimentos sociais e culturais das nossas gentes, sei do que o poder instalado é capaz, conheço o poder do dinheiro, sei o que foi e é o discurso da mentira e da aldrabice, portanto, enquanto cidadão, felicito-o pelo seu trabalho, a sua doação a uma causa. É que o meu bom Amigo não era assessor do governo regional nem deputado, portanto, "candidato a tempo inteiro", teve de manter as suas obrigações profissionais e aplicar todo o restante tempo à defesa da cidade que deseja construir. A família, com toda a certeza, muitas vezes ficou para trás, mas há momentos, digo-lhe agora, que valem a pena, porque se tratou de uma luta pela liberdade e pela felicidade dos outros. O Paulo, a sua equipa e, sobretudo, todos os partidos apoiantes, foram dignos de todos os funchalenses. Quando muitos são capazes de dizer que os políticos são todos iguais, o Paulo demonstrou que não é bem assim. Não ofendeu ninguém, não estimulou picardias desnecessárias e não foi em busca do anormal, apenas procurou transmitir que é possível novos políticos com novas políticas no sentido da construção de uma sociedade mais feliz. O Paulo, em síntese, fez um convite aos funchalenses para que tenham uma cidade feliz. Da sua sinceridade que o seu permanente e confiante sorriso transmitiu, registei uma frase de um cidadão, o Miguel Sá, escrita na sua página de facebook: "Eu voto Cafôfo, porque eu não o conheço. Eu não voto nos outros, porque já os conheço há demasiado tempo! Voto pela diferença e pela mudança. Dou o benefício da dúvida". Para mim, esta síntese de Miguel Sá, marca, indelevelmente, a campanha dos vários candidatos. Candidatos metidos nas suas torres de marfim, escudados em palavras repetidas e em histórias que a História, um dia, escrutinará como ridículas mentiras. 


Aconteça o que acontecer no próximo Domingo, o Paulo, a sua equipa e os seis partidos que o apoiam são, desde logo, os grandes vencedores. Em 150 dias, o Paulo e a equipa surgiram do nada e conquistaram a simpatia de uma larguíssima faixa do eleitorado funchalense. Convenhamos que não é fácil quando se sabe que, nestas coisas de eleições e de candidatos, cada um sempre descobre um mas, como se fosse possível ir a uma olaria fabricar o candidato sonhado por cada um! Foi, portanto, um trabalho de bastidores, de organização, certamente de muita disciplina, muita tolerância, paciência e trabalho incansável feito porta-a-porta por centenas de candidatos e apoiantes. A poucas horas do acto eleitoral, digo-lhe Paulo, que ninguém teria feito melhor. Passei por muitas campanhas, conheço muitas ruas, impasses, entradas, veredas e becos, domino os constrangimentos sociais e culturais das nossas gentes, sei do que o poder instalado é capaz, conheço o poder do dinheiro, sei o que foi e é o discurso da mentira e da aldrabice, portanto, enquanto cidadão, felicito-o pelo seu trabalho, pela sua doação a uma causa. É que o meu bom Amigo não era assessor do governo regional nem deputado, portanto, "candidato a tempo inteiro", teve de manter as suas obrigações profissionais e aplicar todo o restante tempo à defesa da cidade que deseja criar. A família, com toda a certeza, muitas vezes ficou para trás, mas há momentos, digo-lhe agora, que valem a pena, porque se tratou de uma luta pela liberdade e pela felicidade dos outros. O Paulo, a sua equipa e, sobretudo, todos os partidos apoiantes, foram dignos de todos os funchalenses. Quando muitos são capazes de dizer que os políticos são todos iguais, o Paulo demonstrou que não é bem assim. Não ofendeu ninguém, não estimulou picardias desnecessárias e não foi em busca do anormal, apenas procurou transmitir que é possível novos políticos com novas políticas no sentido da construção de uma sociedade mais feliz. O Paulo, em síntese, fez um convite aos funchalenses para que tenham uma cidade feliz. 
Da sua sinceridade que o seu permanente sorriso transmitiu, registei uma frase de um cidadão, o Miguel Sá, escrita na sua página de facebook: "Eu voto Cafôfo, porque eu não o conheço. Eu não voto nos outros, porque já os conheço há demasiado tempo! Voto pela diferença e pela mudança. Dou o benefício da dúvida". Para mim, esta síntese de Miguel Sá, marca, indelevelmente, a campanha dos vários candidatos. Candidatos metidos nas suas torres de marfim, escudados em palavras repetidas e em histórias que a História, um dia, escrutinará como ridículas mentiras. Candidatos incapazes de trazerem no âmago dos seus discursos a novidade, a criatividade e o sentido humano  de que a política deve ser portadora. Tal como Miguel Sá eu não espero nada dos que conheço, também prefiro conceder o benefício da dúvida aos novos, aos que transmitem pureza no olhar, nos gestos e no discurso, sem jogos de interesses escondidos, porque os outros e de tudo o que por detrás deles se esconde há muito conheço. O Dr. Paulo Cafôfo é aquilo que se vê, não deve obediência a ninguém, apenas à sua própria consciência. E esse é um trunfo que outros não podem apresentar.
Ontem, procurei fotografias do dia 25 de Abril, data que marcou a sua apresentação aos funchalenses. Comparei-as com as de hoje. Emagreceu e de que maneira, fruto da sua correria por todo o Funchal. Pela sua postura de homem com dois ouvidos e uma boca, gosto em trabalhar em equipa, conhecimento dos dossiers, honestidade, seriedade, franqueza e visão do futuro e global da cidade, penso que merece ganhar este acto eleitoral. Paulo Cafôfo fez tudo pela sua eleição, reuniu uma equipa de reconhecida competência técnica em vários sectores, espalhou simpatia como nunca aconteceu em campanhas anteriores, foi ao encontro das necessidades das pessoas, estabeleceu prioridades programáticas e, hoje, está nas mãos dos eleitores. Ninguém pode dizer que não existe alternativa. Existe e consistente. E, das duas, uma: ou dizem basta a 37 anos de poder absoluto e a um partido sucedâneo que cheira uma oportunidade para servir de bengalinha dos mesmos de sempre, mudando algumas margens para que tudo fique na mesma, ou apostam na "MUDANÇA" de pessoas para as pessoas. Se a população mantiver os mesmos, embora travestidos, que ninguém se queixe nos próximos quatro anos. 
Eu vou pela MUDANÇA... e o meu Amigo que leu estas linhas?

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

UMA LUTA ENTRE JARDIM E CAFÔFO


Disse o candidato Paulo Cafôfo, no início da pré-campanha: basta de lamúrias. Não vale a pena continuar a chorar pelas esquinas, nas mesas de café e no recato do lar, quando a questão essencial está nas opções programáticas prioritárias dos candidatos. No caso do Funchal as diferenças são abissais: Paulo Cafôfo opta pelas pessoas; Bruno Pereira pela manutenção do regime que conduziu ao desemprego e à pobreza; Paulo Cafôfo tem uma equipa de cidadãos independentes oriundos da designada sociedade civil; Bruno Pereira uma equipa de repetidos, de pessoas que saltitam daqui para ali consoante a onda e os interesses partidários; Paulo Cafôfo deve obediência à sua consciência de cidadão; Bruno Pereira deve obediência a Alberto João Jardim; Paulo Cafôfo é na montra aquilo que tem no armazém; Bruno Pereira disfarça na montra o deserto do armazém partidário, depois de 37 anos de governo autárquico absoluto. 


Paulo Cafôfo promete, Bruno Pereira é translúcido: não se compromete a reduzir a taxa de IMI, a comparticipar os medicamentos nas franjas sociais idosas e paupérrimas, com a revitalização do comércio, com o combate ao desperdício, com o pagamento atempado aos fornecedores, com a eficiência energética, com a simplificação, desburocratização e modernização autárquica, com uma politica de mobilidade integrada e não de aparências, com um fundo de investimento cultural, com o Funchal na rede de cidades educadoras, não se compromete em fixar um limite de tempo de serviço à comunidade, enfim, não se compromete. Quando Paulo Cafôfo aponta um caminho, logo aparece Bruno a falar da insensatez das medidas. Estou esclarecido! E porquê? Sempre que se aproximam eleições trago em memória as sábias palavras de Dom Manuel Martins, Bispo Emérito de Setúbal: “(...) as alternâncias são sempre boas. Por muito boa que seja a pessoa que está, a partir de determinada altura alternar é bom. Já tive essa experiência na minha vida. Fui professor, saí, entrou outro, foi óptimo; fui vigário-geral, saí, entrou outro, foi óptimo; fui bispo em Setúbal, saí, entrou outro, foi óptimo. A alternância é magnífica a todos os níveis e em todos os sectores porque traz novidade, dá esperança, imprime outro ritmo de vida”. Concordo, em absoluto. 
Perante isto, os eleitores façam o favor de escolher. Tão simples. Não se esquecendo que se trata de uma opção para quatro anos, isto é, 1460 dias. Se a “Jardim” vencer, a esses juntar-se-ão 13.505 dias de política absoluta! Por mim, chega!
Ilustração: Google Imagens.
Nota:
Artigo de opinião, da minha autoria, publicado na edição de hoje do DN-Madeira, a partir de textos recentemente aqui postados.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

DR. DOMINGOS ABREU, "BRINCAR COM AS PESSOAS", NÃO. LIBERTAR AS PESSOAS, SIM.


Escreveu: (...) Já ao nível das propostas é um vale tudo. Desde pastilhas de borla, passes em saldo e rebaixa nos impostos até à “inovação” de fazer o que já está feito, nada escapa, é o céu na terra. Esquecemos que uma Câmara não é um serviço de saúde, não é dona de companhias de transportes nem tem competências para fazer leis. E mesmo em tempo de contenção de despesas, anunciam-se investimentos impossíveis sem esclarecer onde se vai cortar. E quanto ao IMI, então a coisa é ainda mais ridícula pois, fazendo bem as contas, uma baixa insignificante do valor, beneficiaria sobretudo as classes mais favorecidas, proprietárias dos imóveis mais valiosos. Por último, a cereja no topo do bolo, a ideia de que as autárquicas são um meio de derrubar o governo, seja regional, seja nacional. É brincar com as pessoas. (...)" Então, globalmente, pergunto, que razões levam um cidadão a se candidatar? Se nada têm a propor, por que se candidatam? Porque sempre foi assim, não há razões para que se faça diferente? Então as responsabilidades organizacionais e as prioridades políticas não poderão ser outras? O Dr. Domingos Abreu fala de "pastilhas", mas já observou quantos e quantos idosos deixam no balcão das farmácias receitas por aviar, exactamente porque o seu partido chumbou, na Assembleia da Madeira, na tal casa das leis, todas as propostas, não só nesse sentido, como o de uma contribuição mensal a todos os que não dispõem de meios de subsistência? Sabia? Ora se sabe! E ora se sabe que, nos Açores, isso é prática de há muitos anos. E se a Câmara não é "um serviço de saúde", pois bem, é uma instituição que deve zelar pelos seus munícipes quando outros, a outros níveis, não o fazem. "Passes em saldo", referiu. Por trinta segundos coloque-se na posição de pobre, de pensionista de corda ao pescoço e questione-se. E fala do IMI, esse imposto que tomou proporções tais que nos leva a ser, todos, inquilinos da Câmara. Então não deve baixar até onde for legalmente possível? Com que direito e com que sensatez apoia um imposto que constitui uma pouca-vergonha a juntar a tantas outras que o governo a que pertence tem massacrado os madeirenses e portosantenses. Onde pára o seu conceito de Autonomia do poder local? E mais do que isso: a quem se deve a dupla austeridade na Madeira e tripla no Porto Santo? É à oposição ou a quem anda pelos corredores do poder há 37 anos? Só mais esta: eu pressuponho que não queira ver o seu PSD apeado do poder. Nada tenho a ver com esse desejo, mas que perder o Funchal significa um passo para derrubar o jardinismo, bom, qualquer pessoa, minimamente lúcida no plano político, percebe que será o princípio do fim deste REGIME. Não se chama a isto brincar com as pessoas, mas LIBERTAR AS PESSOAS! Percebeu?

Contra a repetição do passado, 
por uma cidade do futuro, mais solidária,
a alternativa é a "MUDANÇA" com Paulo Cafôfo na Presidência.

Há situações que se vão passando e que vamos tolerando. Outras, porém, causa-nos um nó na garganta. A história ontem narrada pelo DN-Madeira é uma delas. Assisti, ao longo de meses, à propaganda de uma deputada do PSD, quase diariamente em bicos de pés para ser notada em função do desempenho que dizia ter na Ribeira Brava, abafando todos os outros e criticando quem fazia abordagens sobre o 20 de Fevereiro, mas, afinal, há muita porcaria escondida. Ontem deixei este texto na minha página de facebook: "Leio na manchete do DN-Madeira: "Diverso mobiliário doado para famílias desfavorecidas após o temporal de 20 de Fevereiro de 2010, no concelho da Ribeira Brava, continua acondicionado num dos pisos inferiores do parque de estacionamento da freguesia da Serra de Água, sem nunca ter chegado aos respectivos destinatários (...)". Esta situação magoou-me, profundamente. Não quero saber quem são os culpados da situação, se pertencem a esta ou àquela instituição. Raios os partam todos, pela ausência de um mínimo de sentimento, quando há tanta gente que sofreu, ficou sem nada, que passa mal e que precisa de ajuda. E mesmo que todos tivessem recuperado a normalidade nas suas vidas, há sempre, mas sempre, quem precise de ajuda. Basta entrar em certas habitações. Este quadro fez-me lembrar o Nino Vieira da Guiné-Bissau que tinha os armazéns cheios de arroz para distribuí-lo nas suas campanhas eleitorais. O presidente do governo e o candidato à câmara deveriam aproveitar para "inaugurar" esta ausência de humanismo. Já que ontem inaugurou uma horta, descendo ao nível da alface, inaugure hoje o nível mais baixo da falta de solidariedade. Desculpem-me os leitores: que sacanas!".
Escrevi este texto sob uma intensa revolta interior. Como é possível? Ficaram arrecadados, por quê? Não havia gente com necessidades? E mesmo que não fosse na Ribeira Brava, quantas zonas foram afectadas e as pessoas completamente despojadas dos seus haveres? É isso, há situações que toleramos, em outras apetece puxar por uma orelha aos responsáveis, para ver se acordam, se deixam de lado os interesses e se conseguem um pingo de sentido humanista, ao menos transmitir uma ténue prioridade às pessoas. Mas o problema da minha revolta não foi apenas esse. Li o texto e, logo a seguir, um outro assinado pelo Dr. Domingos Abreu, julgo que candidato à Assembleia Municipal pelo PSD. Uma lástima, pela falta de rigor evidenciada. Eu respeito, na íntegra, seja lá quem for, que através de argumentos consistentes defenda o partido a que pertence, mesmo aqueles que outrora tiveram posicionamentos completamente díspares. Aceito e ponto final. Agora, quando vêm com tretas destas: (...) Já ao nível das propostas é um vale tudo. Desde pastilhas de borla, passes em saldo e rebaixa nos impostos até à “inovação” de fazer o que já está feito, nada escapa, é o céu na terra. Esquecemos que uma Câmara não é um serviço de saúde, não é dona de companhias de transportes nem tem competências para fazer leis. E mesmo em tempo de contenção de despesas, anunciam-se investimentos impossíveis sem esclarecer onde se vai cortar. E quanto ao IMI, então a coisa é ainda mais ridícula pois, fazendo bem as contas, uma baixa insignificante do valor, beneficiaria sobretudo as classes mais favorecidas, proprietárias dos imóveis mais valiosos. Por último, a cereja no topo do bolo, a ideia de que as autárquicas são um meio de derrubar o governo, seja regional, seja nacional. É brincar com as pessoas. (...)" Então, globalmente, pergunto, que razões levam um cidadão a se candidatar? Se nada têm a propor, por que se candidatam? Porque sempre foi assim, não há razões para que se faça diferente? Então as responsabilidades organizacionais e as prioridades políticas não poderão ser outras? O Dr. Domingos Abreu fala de "pastilhas", mas já observou quantos e quantos idosos deixam no balcão das farmácias receitas por aviar, exactamente porque o seu partido chumbou, na Assembleia da Madeira, na tal casa das leis, todas as propostas, não só nesse sentido, como o de uma contribuição mensal a todos os que não dispõem de meios de subsistência? Sabia? Ora se sabe! E ora se sabe que, nos Açores, isso é prática de há muitos anos. E se a Câmara não é "um serviço de saúde", pois bem, é uma instituição que deve zelar pelos seus munícipes quando outros, a outros níveis, não o fazem. "Passes em saldo", referiu. Por trinta segundos coloque-se na posição de pobre, de pensionista de corda ao pescoço e questione-se. E fala do IMI, esse imposto que tomou proporções tais que nos leva a ser, todos, inquilinos da Câmara. Então não deve baixar até onde for legalmente possível? Com que direito e com que sensatez apoia um imposto que constitui uma pouca-vergonha a juntar a tantas outras que o governo a que pertence tem massacrado os madeirenses e portosantenses. Onde pára o seu conceito de Autonomia do poder local? E mais do que isso: a quem se deve a dupla austeridade na Madeira e tripla no Porto Santo? É à oposição ou a quem anda pelos corredores do poder há 37 anos? Só mais esta: eu pressuponho que não queira ver o seu PSD apeado do poder. Nada tenho a ver com esse desejo, mas que perder o Funchal significa um passo para derrubar o jardinismo, bom, qualquer pessoa, minimamente lúcida no plano político, percebe que será o princípio do fim. Não se chama a isto brincar com as pessoas, mas LIBERTAR AS PESSOAS! Percebeu?
Por fim, não vou tão longe como várias vezes por aí escutei, em contestação a este poder que nos esmaga, que isto só "com luta armada". Não será necessário. Irá, pacificamente, e pelo voto dos funchalenses. Veremos.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

OS TEXTOS DE JARDIM SÃO POLITICAMENTE PATOLÓGICOS


Dei-me à maçada de ler o artigo de ontem de Alberto João Jardim no Jornal da Madeira, naquele jornal pago por todos os madeirenses e portosantenses para que ele possa fazer a sua propaganda sem qualquer contraditório. Diverti-me com tanta asneirada repetida até à exaustão. O homem tem, desde há muito, uma fixação nos ingleses, na maçonaria e nos senhores de Lisboa que impressiona. Diverti-me no plano político, porque a outros níveis de interpretação pareceu-me cada vez mais patológico o seu discurso. Mas, desta parte, que se trate, pois quem sou eu para analisar e transmitir conselhos. Fico, portanto, pela parte que se enche de um certo humor, não fosse trágica a situação na qual nos fez mergulhar. Escreveu: "os partidos políticos estão a ser usados em Portugal para camuflar muita coisa". Se estão, digo eu! Por alguma razão, há gentinha quase há quarenta anos no poder e que não o larga a troco de nada. Escondem, o quê? Que razões levam à eternização nos lugares, fazendo do exercício da política uma profissão? Ele, tal como escreveu, lá saberá. Eu, enquanto cidadão, apenas desconfio e espero que a História descortine todos os contornos da camuflagem. No seu texto redondo, escrito vezes sem conta em edições distintas, lá saiu outra: "(...) Eis a razão porque a República Portuguesa não é uma democracia, mas sim uma partidocracia. Foi retirado poder ao Povo soberano para o entregar aos partidos, mas estes, por sua vez e transversalmente, são dominados por interesses elitistas, financeiros e económicos de sociedades secretas (...)". Absolutamente correcto. Eu que sou oposicionista ao regime que implantou na Madeira, não escreveria melhor sobre a partidocracia imposta aos insulanos da Madeira e do Porto Santo. Quem é que retirou poder ao povo através do medo, da subsidiodependência, do insulto e da agressividade discursiva? E sobre os "interesses elitistas, financeiros e económicos" quem melhor do que ele para disto falar? E quando escreve e defende a "transparência", pergunto, se se estará a referir aos três milhões anuais ao Jornal da Madeira, para de forma anti-democrática impor a mentalidade e os condicionamentos que lhe interessam?



Dei-me à maçada de ler o artigo de ontem do Dr. Alberto João Jardim, no Jornal da Madeira, naquele jornal pago por todos os madeirenses e portosantenses para que ele possa fazer a sua propaganda sem qualquer contraditório. Diverti-me com tanta asneirada repetida até à exaustão. O homem tem, desde há muito, uma fixação nos ingleses, na maçonaria e nos senhores de Lisboa que impressiona. Diverti-me no plano político, porque a outros níveis de interpretação pareceu-me cada vez mais patológico o seu discurso. Mas, desta parte, que se trate, pois quem sou eu para analisar e transmitir conselhos. Fico, portanto, pela parte que se enche de um certo humor, não fosse trágica a situação na qual nos fez mergulhar. Escreveu: "os partidos políticos estão a ser usados em Portugal para camuflar muita coisa". Se estão, digo eu! Por alguma razão, há gentinha quase há quarenta anos no poder e que não o larga a troco de nada. Escondem, o quê? Que razões levam à eternização nos lugares, fazendo do exercício da política uma profissão? Ele, tal como escreveu, lá saberá. Eu, enquanto cidadão, apenas desconfio e espero que a História descortine todos os contornos da camuflagem. No seu texto redondo, escrito vezes sem conta em edições distintas, lá saiu outra: "(...) Eis a razão porque a República Portuguesa não é uma democracia, mas sim uma partidocracia. Foi retirado poder ao Povo soberano para o entregar aos partidos, mas estes, por sua vez e transversalmente, são dominados por interesses elitistas, financeiros e económicos de sociedades secretas, nomeadamente a maçonaria, os quais são impostos ou tentados impor à população, de maneira anti-democrática porque sem a transparência exigida. A transparência que é exigida em Democracia, para que o Povo soberano, com toda a informação a que tem Direito, possa decidir". Absolutamente correcto, sublinho, retirando a estafada historieta da maçonaria que já cheira mal. Eu que sou oposicionista ao regime que implantou na Madeira, não escreveria melhor sobre a partidocracia imposta aos insulanos da Madeira e do Porto Santo. Quem é que retirou poder ao povo através do medo, da subsidiodependência, do insulto e da agressividade discursiva? E sobre os "interesses elitistas, financeiros e económicos" quem melhor do que ele para disto falar, uma vez que conhece, um a um, todos quantos fizeram fortunas à mesa do orçamento? E quando escreve e defende a "transparência", pergunto, se se estará a referir aos três milhões anuais ao Jornal da Madeira, para de forma anti-democrática impor a mentalidade e os condicionamentos que lhe interessam?
O delírio da escrita salta em turbilhão de parágrafo em parágrafo. Reli: "(...) Indivíduos que aparecem publicamente a falar de “democracia”, de “ética”, de “igualdade de classes”, na sombra, mafiosamente, procuram dominar a “res publica” para servir os seus interesses pessoais ou dos grupos a que estão comprometidos". Pimba! Na mouche. Exclamo: estarei face a um auto-retrato? E, logo a seguir, toma lá: "(...) A comunicação “social” dos ingleses e da maçonaria, aliada dos comunistas contra o PSD, depois de ter servido o regime fascista!" Servido o regime fascista? Pergunto, uma vez mais: como se chamava o articulista assíduo do antigo Voz da Madeira, órgão do regime de Salazar, que defendia esse regime com unhas e dentes? 
Lá mais para o final a girândola: "(...) A droga que a “Madeira Velha” e a maçonaria pretendem dar a beber aos Madeirenses e aos Portossantenses, para tragicamente voltarmos a estar nas mãos dos opressores de antes do 25 de Abril". Esta é fantástica. Então, e os novos senhorios? Os novos colonos? Os que se encheram à custa do orçamento? Os que geraram 25.000 desempregados? Os que fizeram despoletar mais instituições de solidariedade social do que o número de freguesias? Os que conduziram a Madeira à bancarrota? Isto é que é jogar para os outros os erros de uma governação tresloucada!
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

"CARTA ABERTA A UNS PEDAÇOS DE MERDA"


O vosso destino, amiguinhos do FMI, eu compreendo. Vocês são aves de arribação, falham aqui, partem para ali. Entendo menos o dos vossos kapos locais: em falhando e ficando, porque continuam seguros no laboratório?

O jornalista Ferreira Fernandes,do DN-Lisboa, escreveu um texto que merece a nossa atenção. É frontal e verdadeiro. 

"Olá, amiguinhos do FMI. Eu sou o ratinho branco. Desculpem estar a incomodar-vos agora que vocês estão com stress pós-traumático por terem lixado isto tudo. Concluíram vocês, depois do leite derramado: "A austeridade pode ser autodestrutiva." E: "O que fizemos foi contraproducente." Quem sou eu para desmentir, eu que, no fundo, só fiquei com o canto dos lábios caídos, sem esperança? O que é isso comparado com a vossa dor?! Eu só estiquei o pernil ou apanhei três tipos de cancro, mas é para isso que servimos nos laboratório: somos baratos e dóceis. Já vocês não têm esses estados de alma (ficar sem emprego, que mau gosto...), vocês são deuses com fatos de alpaca e gravata vermelha como esses três novos que acabam de desembarcar para nos analisar os reflexos. "Corre, ratinho branco!", e eu corro. Vocês cortam-me as patas: "Corre, ratinho branco!", e eu não corro. E vocês apontam nos vossos canhenhos sábios: "Os ratos sem pernas ficam surdos." Como vocês são sábios! E humildes. Fizeram-nos uma experiência que falhou e fazem um relatório: olha, falhou. Que lição de profissionalismo, deixam-nos na merda e assumem. Assumir quer dizer "vamos mudar-lhes as doses", não é? E, amanhã, se falhar, outro relatório: olha, falhou. O vosso destino, amiguinhos do FMI, eu compreendo. Vocês são aves de arribação, falham aqui, partem para ali. Entendo menos o dos vossos kapos locais: em falhando e ficando, porque continuam seguros no laboratório?"
Ilustração: Google Imagens.

HORA DE MUDANÇA POLÍTICA

A HORA DA VERDADE


A última sondagem publicada pelo DIÁRIO encheu-me de uma esperança que classificaria de moderada. No Funchal os números apontam que tudo poderá acontecer, desde uma vitória muito clara de Paulo Cafôfo a uma indesejável continuidade do regime que nos trouxe a esta situação. Para mim, não sendo estranho, causa-me perplexidade, depois de 37 anos de poder do PSD, que ainda existam 34% de pessoas que, segundo a sondagem, ainda afirmam votar no PSD. Gera algum espanto, confesso. É evidente que sei da complexa máquina de produzir votos, os múltiplos e intrincados cordões umbilicais que se cruzam entre juntas de freguesia, casas do povo, associativismo, subsidiodependências, poderes privados, a propaganda feita através do Jornal da Madeira, o silêncio do Senhor Bispo em tantas matérias, a apatia do Senhor Representante da República, o deixa andar dos Órgãos de Soberania, a força do discurso mentiroso tornado verdade absoluta, a intencional mentalidade que foi formatada por diversos caminhos que a "inteligência" criou, enfim, aquela percentagem explica senão no todo uma grande parte dos condicionamentos. Não é normal que um povo com milhares de desempregados, que se confronta com a pobreza e com gritantes desigualdades, que todos os dias esperneie face às agruras da vida, continue a entregar ao senhorio a vergasta para gáudio dele e sofrimento das suas vidas. Não é normal, repito. 

Paulo Cafôfo é a grande esperança

O normal seria colocá-los a milhas, experimentando outras oportunidades, trazendo para a liderança pessoas e projectos prenhes de esperança. O normal seria que os milhares de desempregados e respectivas famílias reagissem e, neste momento, Bruno Pereira tivesse uma percentagem quase residual, mesmo com inaugurações e "Tony's Carreiras" pelo meio. E regresso ao princípio, ou as pessoas não foram sinceras quando questionadas pela empresa de sondagens e, se assim for, o PSD será apeado do poder, ou então entramos no domínio patológico do voto. Repito, com algum optimismo moderado, estou em crer que, desta vez, porque se trata de um pico de descontentamento que "cheira" à distância, pelas vulnerabilidades políticas, pelos constrangimentos que invadem toda sociedade fruto da dupla austeridade imposta, pela existência de uma liberdade mitigada, de uma Autonomia perdida, no fundo, pela falência da Região, o povo acabará com os mitos que têm rodeado o exercício da política regional.
Ainda ontem o Padre José Luís Rodrigues escreveu um artigo de relevante importância que pode ser aproximado à Madeira, àquilo que decorre sob os nossos olhos de actores/observadores: "(...) Olho a realidade à volta e retenho o que de pior me surge para dizer, mais do mesmo sempre. No entanto, mais adiante consola-me o sonho dos poetas que nunca desistem mesmo que o mundo os mate, porque os poetas só morrem por causa do mundo, em luta com a ditadura do mundo. Este mundo concreto de homens e mulheres extraordinários, mas outros e outras, carrascos que se alimentam da destruição dos outros, semeando a crueldade do sofrimento e da morte. Mas, é mão destes que também quero morrer. Isto é, na luta imparável com a ditadura do mundo. Não me peçam para desistir dessa luta. (...) eles são políticos, banqueiros, capitalistas, corruptos, vilões da grande injustiça, ladrões, aldrabões, egoístas, gananciosos, corruptos e todos os que matam o «alimento» que é a poesia. (...) A injustiça não tem nenhuma entidade que a combata. Por conseguinte sou também daqueles que defendem que desatar as iras da ditadura do mundo, não é garantia de que as coisas ficarão bem, mas é melhor do que os louvores, as palmas e palmadas nas costas, as condecorações e tantos salamaleques que atribuem os senhores do tempo aos senhores do templo". O mundo de que fala o Padre José Luís Rodrigues é o nosso "mundo", o mundo também da Região, pelo qual temos de ser poetas, pensadores do futuro e lutadores "contra "a ditadura do mundo"... do nosso pequeno mundo!
E no meio disto, vem o Dr. Bruno falar da  "governabilidade da Câmara do Funchal" que não pode ficar à mercê de "arranjos". Repetiu, por palavras mais decentes, o que o seu "chefe" partidário disse junto a um copo de sidra: "não se pode entregar um País na mão de garotada". Quis, certamente, falar da Região, porque o ambiente é de eleições aqui. Subtilmente falou do País. Politicamente, jogou uma espécie de bilhar às três tabelas onde é Doutor! Transmitiu o medo, o sentimento de dúvida, enquanto Bruno Pereira falava de "arranjos"! Mas quais arranjos? Então durante 37 anos o exercício da política não foi de permanentes arranjinhos a todos os níveis? Essa, NÃO!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 22 de setembro de 2013

"MUDANÇA" EM PERSPECTIVA


Com quase 15% que não dizem em que candidato irão votar, Paulo Cafôfo apresenta-se com enormes possibilidades de ser o próximo Presidente da Câmara Municipal do Funchal. Bruno Pereira está em queda e o ligeiro aumento do CDS não lhe garante qualquer expectativa de vitória. Falta uma semana, a semana do tudo ou nada. Com toda a certeza que se verificarão significativas alterações. 

Ilustração: DN-Madeira, edição de hoje.

sábado, 21 de setembro de 2013

"TEMOS DE FAZER UMA REVOLUÇÃO" QUANDO JARDIM PERSONIFICA O PIOR DA MADEIRA!


Ora, esta não é a Madeira Nova que ainda ontem apregoou. Esta é a Madeira Velha que todos os dias cresce, com o desemprego e com os novos pobres. Esta é a Madeira da Junta Geral do Distrito e esta é a Madeira Velha de onde emergiram novos senhorios que controlam e punem, docemente, quem se atreve a sair fora do cânones normais impostos pelo Regime. Estou aqui a falar de REGIME, não de sistema, simplesmente porque este não é democrático. O que Jardim criou na Madeira é um sub-regime do regime democrático. Travestiu-o, enfeitou-o e apresentou-o como a consequência de uma política sincera e imaculada, mas manteve todos ou quase todos os pressupostos que caracterizaram outros tempos. Esta é a Madeira Velha no seu apogeu século XXI, porque a desejada Madeira Nova deveria ser a do crescimento e desenvolvimento sustentáveis, a da pureza da identidade de uma Região construída com inteligência, de verdadeira Autonomia política e administrativa, da diversificação da Economia e, daí, do combate ao desemprego e à pobreza. Jardim pouco se ralou com isso. Quis ganhar a eleição seguinte e não as gerações seguintes. Jardim personifica, assim, o pior da Madeira, uma Região falida, com gravíssimas assimetrias económicas, financeiras, sociais e culturais. Ontem, voltou a "berrar" porque Lisboa aumentou o IMI, o IVA, o IRS e o IRC, só não comparou com o que se passa nos Açores e não disse que estes aumentos se ficam a dever, fundamentalmente, a uma dívida de 6.5 mil milhões de euros, a facturas escondidas, não reportadas, e a tanta megalomania espalhada por todos os cantos das duas ilhas. 


O "chefe das angústias" continua de mal a pior. Ontem desatou a pedir uma "revolução". Que a faça, sozinho, e que nos deixe em paz. Por aqui, do que precisamos é de gente decente, com bom senso, gente de rigor, de trabalho sério, gente de sorriso largo, humilde e próximo das pessoas, gente capaz de estabelecer pontes de um diálogo que nunca existiu, gente capaz de negociar e que saiba olhar esta Região para além dos olhos fixados em um qualquer acto eleitoral. Disse, lá do alto: temos de "fazer mais Madeira livre"! Mas o que é isso de Madeira livre? O jornal do partido? Não sei, porque nunca explicou o seu pensamento político, para além daquela obsessão pela revisão constitucional, o que significa uma Madeira livre. Livre de quem? Ah, do Diário e da família Blandy, dos jornalistas do serviço público de rádio e televisão, de todos quantos não lhe são subservientes, tornando estes 740 km2 num imenso gulag dos tempos modernos onde se escraviza sem escravizar à moda antiga. 
Ora, esta não é a Madeira Nova que ainda ontem apregoou. Esta é a Madeira Velha que todos os dias cresce, com o desemprego e com os novos pobres. Esta é a Madeira da Junta Geral do Distrito e esta é a Madeira Velha de onde emergiram novos senhorios que controlam e punem, docemente, quem se atreve a sair fora do cânones normais impostos pelo Regime. Estou aqui a falar de REGIME, não de sistema, simplesmente porque este não é democrático. O que Jardim criou na Madeira é um sub-regime do regime democrático. Travestiu-o, enfeitou-o e apresentou-o como a consequência de uma política sincera e imaculada, mas manteve todos ou quase todos os pressupostos que caracterizaram outros tempos. Esta é a Madeira Velha no seu apogeu século XXI, porque a desejada Madeira Nova deveria ser a do crescimento e desenvolvimento sustentáveis, a da pureza da identidade de uma Região construída com inteligência, de verdadeira Autonomia política e administrativa, da diversificação da Economia e, daí, do combate ao desemprego e à pobreza. Jardim pouco se ralou com isso. Quis ganhar a eleição seguinte à custa do efémero cimento e não as gerações seguintes. Jardim personifica, assim, o pior da Madeira, uma Região falida, com gravíssimas assimetrias económicas, financeiras, sociais e culturais. Ontem, voltou a "berrar" porque Lisboa aumentou o IMI, o IVA, o IRS e o IRC, só não comparou com o que se passa nos Açores e não disse que estes aumentos se ficam a dever, fundamentalmente, a uma dívida de 6.5 mil milhões de euros, a facturas escondidas, não reportadas, e a tanta megalomania espalhada por todos os cantos das duas ilhas. 
Disse, segundo li, que "não tem intenções de parar" porque "é preciso fazer uma revolução contra aqueles que causaram o desemprego". É, uma vez mais, a Madeira Velha no seu melhor. Primeiro, o REGIME, depois as pessoas. Porque quem gerou o desemprego não foi Lisboa, mas as políticas que ele próprio patrocinou ao longo de 37 anos de governo absoluto. Aprendeu com o antigo regime, teve uma escola e ultrapassou os seus professores. Para mal de todos os madeirenses e portosantenses. Temos uma oportunidade de MUDANÇA. Aproveitemo-la.
Ilustração: DN/Google Imagens.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A ESCOLHA É SIMPLES: OU JARDIM OU PAULO CAFÔFO


Nestas eleições para o Funchal a escolha parece-me ser simples: ou Jardim ou Paulo Cafôfo. Simplesmente porque Bruno Pereira é uma espécie de clone político de Jardim. Foi por ele escolhido, tem a sua bênção, portanto, não pode haver ilusões no que ao regime diz respeito. O próprio pai do Dr. Bruno Pereira disse, fez agora um ano, que Jardim liderava um "regime democrático musculado" e, na esteira do que também sublinhou e bem, que "os líderes carismáticos têm um denominador comum que é a vontade de quererem ser as figuras principais, absorvendo tudo e todos". Bruno Pereira não tem qualquer hipótese, passe a publicidade do "clearasil", pois será absorvido como as borbulhas. Já o foi ao candidatar-se. A candidatura do Dr. Paulo Cafôfo, neste contexto, não apenas pelas sondagens, mas pelo que ela representa de transversalidade na sociedade, é aquela que pode romper com o regime e determinar uma primavera política regional há muito ansiada. É também transversal pela presença de seis partidos apoiantes e é transversal pela composição e formação da equipa que acompanha o candidato, com uma média de idades de onde se percebe a capacidade de fazer a ponte entre os mais jovens e os mais idosos. Respeito, obviamente, os restantes partidos, mas das duas, uma: ou os eleitores querem a "MUDANÇA" e, para isso, terão de reforçar o apoio a quem se apresenta nesse sentido, ou entregam o voto a outros partidos, permitindo que Alberto João Jardim continue a liderar e a fazer o que quer e entende do Funchal e, no fundo, das nossas vidas. A continuidade de Jardim significa o reforço do controlo da vida colectiva e hipoteca da Região. A presença de Bruno Pereira, neste contexto, é apenas instrumental.


Na política não se pode estar com um pé aqui e outro ali. Tampouco utilizá-la quase como uma profissão. Alberto João Jardim é um "profissional" da política. Outros seguem-lhe o caminho. Há gente que prefere isso, mas denota óbvias fragilidades sobretudo de consciência. Não se trata de um estado de intolerância e de confronto permanente seja lá com quem for e, sobretudo, no caso em apreço, com o líder partidário, julgo eu, legitimamente eleito. Não é isso que está em causa. O problema é de coluna política, de quando são ultrapassados os limites ter capacidade para levantar a voz e dizer em alto e bom som que o seu caminho não é aquele. No limite, muda de partido, recolhe a casa, desliga-se da política activa, combate o erro por mera atitude de cidadania, mas nunca, nunca, encolher-se e servir o senhorio, o dono, o capataz, aquele que viola a consciência. 
Ora, nestas eleições para o Funchal, a escolha parece-me ser simples: ou Jardim ou Paulo Cafôfo. Simplesmente porque Bruno Pereira é uma espécie de clone político de Jardim. Foi por ele escolhido, tem a sua bênção, portanto, não pode haver ilusões no que ao regime diz respeito. O próprio pai do Dr. Bruno Pereira disse, fez agora um ano, que Jardim liderava um "regime democrático musculado" e, na esteira do que também sublinhou e bem, que "os lideres carismáticos têm um denominador comum que é a vontade de quererem ser as figuras principais, absorvendo tudo e todos". Sendo assim, o Dr. Bruno Pereira não tem qualquer hipótese, passe a publicidade do "clearasil", pois será absorvido como as borbulhas. Já o foi ao candidatar-se. 
A candidatura do Dr. Paulo Cafôfo, neste contexto, não apenas pelas sondagens, mas pelo que ela representa de transversalidade na sociedade, é aquela que pode romper com o regime e determinar uma primavera política regional há muito ansiada. É também transversal pela presença de seis partidos apoiantes e é transversal pela composição e formação da equipa que acompanha o candidato, com uma média de idades de onde se percebe a capacidade de fazer a ponte entre os mais jovens e os mais idosos. Respeito, obviamente, os restantes partidos, mas das duas, uma: ou os eleitores querem a "MUDANÇA" e, para isso, terão de reforçar o apoio a quem se apresenta nesse sentido, ou entregam o voto a outros partidos, permitindo que Alberto João Jardim continue a liderar e a fazer o que quer e entende do Funchal e, no fundo, das nossas vidas. A continuidade de Jardim significa o reforço do controlo da vida colectiva e a hipoteca da Região. A presença de Bruno Pereira, neste contexto, é apenas instrumental. 
Vive-se um momento que pode ser histórico para os empresários, dos grandes aos pequenos, para os milhares de desempregados, para as famílias, para os profissionais liberais, para os estudantes, para os pobres e excluídos, para todos aqueles que, ao longo de quase quarenta anos, foram sujeitos a humilhações públicas, à mais reles ofensa, à ordinarice, às mais subtis perseguições, que se sentiram utilizados como peças descartáveis, que sentiram o medo nas suas vidas. Não é que no dia 30 de Setembro tudo fique diferente, mas poderá ser, e será certamente, estou convencido, o primeiro dia de um longo caminho a percorrer onde seja devolvida a esperança, a credibilidade e o respeito por todos. Espero que no dia 29 de Setembro vença a DEMOCRACIA, vença a MUDANÇA, para que sejamos, paulatinamente, retirados deste pântano onde nos atolaram. 
Ilustração: DN/Google Imagens.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

AINDA EXISTE REPRESENTANTE DA REPÚBLICA?


É caso para perguntar: por anda o Representante da República? E se isto pergunto é porque a instituição é, do meu ponto de vista, aquela que poderia fazer respeitar as regras do jogo democrático. Continuar a fazer de conta que não vê nada, não é, certamente, um bom caminho, por um lado, porque dá a entender à população uma espécie de subtil colagem ao poder, por outro, que a função não se justifica no quadro do solene compromisso do Presidente da República: cumprir e fazer cumprir a Constituição. Aliás, entre os Órgãos de Soberania, continua a assistir-se a um jogo de agachados, ninguém intervém, ninguém chama à atenção e, entre outros, o Jornal da Madeira continua a sua saga de impunidade absoluta em plena campanha eleitoral, num período sensível que deveria ser observado como de todos em igualdade de circunstâncias. Uma lástima. Assiste-se a uma atitude anti-democrática de inaugurações públicas e privadas, visitas aqui e acolá com cobertura mediática, dando palco a políticos que os utilizam para promoverem campanhas partidárias, responderem a outras candidaturas, sabendo que o contraditório pura e simplesmente não existe. E perante isto, o silêncio, dois tampões nos ouvidos e uma venda nos olhos. Não querem saber de nada, como se esta não fosse uma Região de Portugal. Como se isto por aqui fosse uma espécie de terra de ninguém, um lugar onde pode imperar a lei da selva. 



Mas não é apenas este aspecto que provoca náusea política. É, ainda por cima, a mentira dita de forma séria, dirigida às franjas da sociedade que, infelizmente, o regime condicionou e que exprimem muitas dificuldades para perceber o que se esconde para além das palavras. Por exemplo, ainda anteontem, o presidente do governo falou da necessidade de "reaquecer o sector da construção civil". "Reaquecer" o quê? Parafraseando, eu diria que nem dinheiro têm para "aquecer" as águas das piscinas! 
O mais interessante é Alberto João Jardim, na mesma edição do JM, mas em artigo de opinião, assumir: "(...) Porque é tontice, continuar a fazer a figura triste de enfiar o que todos vêem ser uma aldrabice". Exacto, digo eu, Dr. Jardim, as suas palavras encaixam-se exactamente nessa política de aldrabice, de atirar poeira para os olhos, de querer manter-se na crista da onda à custa das atitudes matreiras e de mil e um enganos ao povo. Eu diria mais, o Dr. Jardim tem, neste quadro, um doutoramento em aldrabice política, sabe do que fala quando escreve: "(...) Há gente que só gosta de "música" para os ouvidos, mesmo sabendo que nada daquilo é realizável. É como uma bebedeira psíquica. Votam, ébrios, no seu "clube político" e, passada a carraspana, são os primeiros a berrar contra aquilo que é fruto da sua própria irresponsabilidade (...)". Julgo que ninguém conseguiria dizer melhor. Significa isto que, não apenas utiliza os meios de forma anti-democrática, como utiliza o discurso da sua aldrabice em proveito político próprio. 
Sem dinheiro no cofre, com uma gigantesca dívida, com o "livro de cheques" nas mãos do ministério das Finanças, com um povo encostado à parede, este homem continua sem saber o que diz: "(...) neste momento, o nosso objectivo é terminar as obras que estão por terminar". Isto é, quando a grande prioridade se situa na Educação, nos Assuntos Sociais e Saúde e na Economia geradora de postos de trabalho e no pagamento das dívidas aos fornecedores, a sua aposta continua a ser a política do cimento, exactamente aquela que conduziu a Região ao colapso. Melhor dizendo, numa altura que se torna necessário diversificar e apostar em sectores que possam gerar riqueza, o governo insiste numa política de obra pública como se o espaço territorial habitável da Madeira não fosse finito. 
É, por isso, e tudo o que não se sabe, que a MUDANÇA se justifica. Chega de paleio e de atitudes que caracterizam a "aldrabice". Chega de ameaças, como a de ontem aos jornalistas (na RTP/RDP "vão todos para a rua"). O discurso tem de ser outro, de correcção do passado, de uma ida às causas e, pacientemente, nelas trabalhar. O discurso e a atitude política não pode nem deve confinar-se ao próximo quadro comunitário de apoio, para gáudio de meia-dúzia e contínuo empobrecimento da maioria da população. Há que ter atenção ao sector da construção civil onde se regista muito desemprego, porém, um caminho de futuro não pode seguir as mesmas lógicas políticas do passado. Quem repete o passado não pode esperar outros resultados se não os que esse passado proporcionou. 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

PAULO CAFÔFO - 24 HORAS PARA SENTIR A CIDADE (III)

PAULO CAFÔFO - 24 HORAS PARA SENTIR A CIDADE (IV)


"Vamos ganhar a Cidade do Funchal" - Paulo Cafôfo.

PAULO CAFÔFO - 24 HORAS PARA SENTIR A CIDADE (II)

PAULO CAFÔFO - 24 HORAS PARA SENTIR A CIDADE (I)

UMA CARTA QUE FOI UM TIRO CONTRA O CDS-PP


Não sei se se trata de uma relação de causa-efeito, mas a carta do leitor ontem publicada no DN-Madeira, pelo Dr. Ricardo Vieira (ex-lider do CDS local) pareceu-me uma deliberada resposta à posição do Dr. Cabral Fernandes (ex-líder do CDS local). O Dr. Cabral Fernandes entendeu dizer, publicamente, que não apreciava a posição do seu partido, porque o essencial destas eleições autárquicas, para além da capacidade dos candidatos, obviamente, é tentar acabar com 37 anos de jardinismo. E transmitiu a ideia que o CDS-M não tinha percebido essa dimensão ao afastar-se da coligação pela "Mudança". Por isso mesmo, porque está em causa um regime velho, caduco e que se mostrou destruidor dos equilíbrios que a Região deveria ter (basta olhar para os indicadores e para a dupla austeridade) votará na "Mudança". Do meu ponto de vista, tem toda a razão. A sua decisão coloca em evidência a sua inteligência política que se apresenta muito para além dos interesses meramente partidários. O Dr. Ricardo Vieira, pelo contrário veio falar de "contra-senso", denunciando que se arrepia quando pensa numa "coligação onde se deitam na mesma cama inimigos viscerais". E diz mais, o que para mim é espantoso: "o aliciamento de derrubar o que resta do partido maioritário não é razão suficiente nem necessária para deitar fora memórias e valores!". E aqui questiono, politicamente, o Dr. Ricardo Vieira, mas quais memórias e quais valores? Esquece-se das ofensas feitas contra a sua pessoa? Já não digo contra o seu partido, mas contra a sua pessoa? Esquece-se das ofensas relativamente ao seu Pai? Esquece-se da dívida pública de mais de 6.3 mil milhões de euros (fora as PPP) e o que ela significa de sofrimento para todos os madeirenses e portosantenses? Esquece-se do caudal de ameaças, perseguições, ofensas, insultos e prateleiras, ao longo de tantos anos, contra tantas pessoas de reconhecido mérito da nossa sociedade? Esquece-se o Dr. Ricardo Vieira do que está a acontecer a quase todo o tecido empresarial? Mas se, eventualmente, está a referir-se às "memórias e valores" do seu partido político, ainda assim questiono, então, que razões substantivas levaram a coligar-se com o PS-M naquele ano autárquico de 1989? Ano que, por pouco, essa coligação não ganhou? E em 2001? Pela proximidade ideológica, certamente que não foi!

Desejará o Dr. Ricardo Vieira
continuar a assistir a actos como este,
o de rasgar o DN por não lhe ser subserviente?

Depois, com toda a sinceridade, considero que constitui uma ofensa aos membros da Coligação "Mudança", pessoas oriundas da sociedade, a esmagadora maioria sem passado político e partidariamente activo, falar de um "albergue espanhol" do qual emerge, segundo referiu, a confissão da "incapacidade para, por si sós, lá chegarem". Trata-se de um deslize da sua parte porque, creia, que não é, Dr. Ricardo Vieira, nem uma coisa nem outra. O Dr. Ricardo Vieira sabe, mas tenta esquecer, a monstruosa teia de interesses, controlos e de medos gerados na Madeira que têm cristalizado qualquer hipótese de crescimento de uma alternativa. Portanto, essas pessoas merecem respeito pois não pertencem nem integram um albergue nem são incapazes. Pelo contrário, são pessoas de valor, desprendidas, experientes e que interpretam a política como um serviço público à comunidade. Não estão ali por carreirismo, porque é capaz de dar jeito às suas vidas pessoais e profissionais. Basta olhar e identificar que todos têm a sua profissão e sucesso familiar e profissional. E sendo assim, o que o Dr. Ricardo Vieira deveria aplaudir é o facto de seis partidos terem aberto as suas portas à sociedade, conjugando os pontos comuns e ultrapassando as naturais diferenças. Esse é o grande exemplo de abertura e de cidadania que marcará estas eleições. Vergar-se, Dr. Ricardo Vieira, NUNCA. Se a coligação não sair vitoriosa todos eles regressarão às suas vidas profissionais de onde, aliás, nunca saíram. 
Por fim, espero que PSD e CDS "não se deitem na mesma cama"!
Tenho pelas duas figuras aqui referidas, o Dr. Cabral Fernandes e o Dr. Ricardo Vieira, a maior consideração e estima pessoal, mas não poderia deixar de dizer, pública e democraticamente, a minha discordância pela "carta do leitor" escrita pelo Dr. Ricardo Vieira.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

UMA PROPOSTA PARA A SECRETARIA REGIONAL DA EDUCAÇÃO: OUVIR QUEM SABE PARA PROJECTAR UM CAMINHO!

QUE DEUS NOS AJUDE... PEDEM OS PROFESSORES!


Inicia-se, hoje, o novo ano lectivo escolar. Tenho falado com vários professores e a síntese que faço é que transborda apreensão. Não encontrei um face ao qual tivesse ficado com o sentimento de um regresso desejado. Sabem o que lhes espera: dificuldades acrescidas a todos os níveis, burocracia, estabelecimentos de educação e de ensino sem dinheiro, crescente aumento de problemas sociais para gerir e esbater, indisciplina e até alguns focos de violência. Sinto os professores exaustos, sem esperança e confrontados entre o que aprenderam na formação universitária, a experiência adquirida ao longo da vida profissional e a teimosia de uns cérebros políticos que de Educação sabem tanto como eu de astronomia! Uma vergonha o que se está a passar. Esta manhã, a "via-sacra" do secretário começa às nove e, sucessivamente, passará por quatro estações, leia-se escolas, e terminará, imagine-se, no Lombo do Atouguia, numa Missa mandada celebrar pela Delegação Escolar da Calheta. Não sei se a Missa traz consigo uma imagem de frontal ironia dos professores, ao jeito de celebração pelo funeral da Educação, ou se se trata de um acto no sentido "que Deus nos ajude!"

E os professores vão nisto?

Julgo que deve ser pela última razão. Creio que os professores, subrepticiamente, não fariam tamanha maldade. Que Deus nos ajude a nos safarmos desta secretaria e deste secretário, destas políticas desastrosas, desta burocracia que inferniza o mais sereno dos professores, desta falta de dinheiro que coloca à míngua os estabelecimentos de educação e de ensino, destas políticas que colocam professores no desemprego, destas políticas que bloqueiam carreiras anos e anos sucessivos, mandando à fava aquilo que foi a miragem da Autonomia Político-Administrativa da Região e, neste quadro, da autonomia, gestão e administração dos estabelecimentos de educação e ensino, desta secretaria que paga a conta-gotas dívidas que tem aos professores. A Missa talvez se justifique, por fé, a que "Deus nos ajude" e que lance o perdão sobre políticos que tornam a vida dos docentes insuportável. Ora, se este foi o pensamento primeiro da Delegação Escolar, pois bem, a presença do secretário torna-se fundamental, para ouvir e redimir-se dos pecados políticos da sua secretaria. Acho, até, que a Missa deve ser solene e cantada e, já agora, no acto penitencial, o secretário "reconheça e confesse os seus pecados em arrependimento sincero". Mais ainda, que na Missa, o rito penitencial se estenda ao Ministro da Educação, dizendo, bem alto e com fervor, o que Paulo Baldaia, da TSF, sublinhou há dias: "A escola pública é uma questão estrutural da vida em sociedade. Expliquemos isso ao ministro, para ele deixar de brincar com coisas sérias." 
Bom, estou a ir longe demais, porque a Igreja não deve ser pomo de chacota. Mas há gente que se põe a jeito. Só tenho uma dúvida, ou se calhar não tenho: esta Missa, no início do ano lectivo escolar, seguida de um jantar por apenas € 2,00 (para ajudar a paróquia), terá alguma coisa a ver com o processo eleitoral autárquico? Oh senhor secretário, por favor, tenha vergonha, nem esse é um acto educativo, pois transporta a mais séria e profunda hipocrisia, o cinismo refinado, o aproveitamento de um acto religioso, seguido de jantar, não para libertar as pessoas, mas para as condicionar. Seja como for, pelo início do ano escolar ou pelas autárquicas, trata-se de um atrevimento. Pergunto: e os professores vão nisto! Os meus Colegas vão nisto?
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

AS ELEIÇÕES NO FUNCHAL E O FIM DO JARDINISMO


O fim do jardinismo passa, inevitavelmente, por uma "Mudança" na Câmara do Funchal. Toda a correlação de forças ficará substancialmente alterada. A vitória da "Mudança" não só obrigará a uma recomposição dos alinhamentos, mas também ajudará à clarificação do que por aí anda escondido. No Funchal, na capital, a vitória da "Mudança" constituirá o fim de um regime político que sobreviveu pela mentira dita de forma séria, de um Jornal da Madeira, pago por todos para defesa de uns quantos, do medo que, subtilmente, instauraram, e por aquela estúpida e cretina atitude de centrar em um inimigo externo, a República, todos os erros de uma governação megalómana, controleira e com tiques autocráticos. Setembro de 2013 pode ser o ano da purificação do ar político regional. Estas eleições que se aproximam podem determinar o florescimento de uma liberdade que anda condicionada, de uma democracia a meio-gás, no quadro do respeito por todos e por cada um. A "Mudança" pode significar uma espécie de grito de Ipiranga, porque todo o sistema entrará em colapso. 

Políticas para um novo tempo

Aliás, Jardim já não tem margem de manobra para fazer ao Funchal e em outros concelhos o que fez, por exemplo, em Machico, há uns anos, onde estrangulou a Câmara, penhorando o seu orçamento para pagamento de dívidas criadas pelas administrações do PSD, bloqueando contratos-programa e impondo absurdos compromissos. Em Machico demonstrou, claramente, quem ele era no plano político. Há frases que ficaram a marcar uma época de vingança por não ter saído vencedor: "nem mais um tostão para Machico" e "Machico é África" (página 212, do livro, Olhares múltiplos sobre um homem de causas - 50º aniversário sacerdotal do Padre Martins Júnior). Nessa altura vingou-se na população por esta ter seguido um outro caminho. Jardim, hoje, como vulgarmente se diz, politicamente, "não pode com uma gata pelo rabo". E se um gato, também se diz, tem sete fôlegos, este tem um para respirar e a muito custo! Portanto, aquele ar tendencialmente altivo, até 2015, ano de Legislativas Regionais, vai tender para um miar fininho. Vai ter de negociar, terá de ouvir, terá de compreender que não existem imprescindíveis e insubstituíveis, que tudo tem o seu tempo e que o futuro não se compadece com rotinas e interesses menores. Jardim, no plano político, está no fim da linha, no precipício, no plano inclinado onde resvala e onde a tudo se agarra para tentar alguma segurança. Como imagem vejo-o agarrado com uma só mão a um tronco de eucalipto depois de ter secado tudo à sua volta. Desesperado, não tem o bom senso de inverter a sua imagem, pelo contrário, continua a atirar sobre tudo e todos, mesmo quando assiste, debaixo dos seus olhos, ao descontentamento gerador de uma guerra-fria entre os seus pares. 
O tempo esgota-se.
Dia 29, pode ser o início de uma
nova e esperançosa vida
Penso ser neste quadro que se impõe uma "Mudança". Os seis partidos que se juntaram estão animados desse sentimento (Partido Socialista, Bloco de Esquerda, Partido dos Trabalhadores Portugueses, Movimento do Partido da Terra, Partido dos Animais e da Natureza e Partido da Nova Democracia)  e pena tenho que a CDU e o CDS não tivessem conjugado o que une em detrimento do que, ideologicamente, separa. Bastaria que olhassem, frontal e serenamente, para o monstro que foi construído pelo PSD e tivessem consciência que sendo o povo muito mais que os projectos de cada partido, impunha-se uma comunhão de esforços no sentido de um serviço à comunidade. Mesmo assim, ditam os estudos de opinião, que a espinha dorsal da maioria já foi quebrada, bastando agora o clique final para uma vitória que ponha termo a 37 anos de poder absoluto. 
Ainda Sábado último assisti à apresentação do programa da "Mudança". Foi tão bom ver tantos, de seis partidos, com ideologias divergentes, aqui e ali, juntos e animados em trabalhar pelo Povo. Foi tão bom olhar em redor e perceber que há muito mais a unir do que a separar. E foi saudável sentir o ânimo, o entusiasmo, o querer, o sentimento que a cidade merece mais e melhor. Eu acredito que desta será e que um novo tempo começará a ser construído com bom senso, respeito, rigor, diálogo e muita confiança no futuro.
Ilustração: Google Imagens.

HÁ MOMENTOS QUE DEFINEM A POSTURA DE UM CANDIDATO



Um rosto, uma equipa e um programa. Um rosto que transmite confiança; uma equipa de excelência porque diversificada e que brota da sociedade e um programa que define o essencial das políticas a desenvolver. Estão de parabéns os seis partidos (PS, BE, PTP, MPT, PND, PAN) que se coligaram para iniciar um trabalho sem mentiras, aldrabices e em prol de uma sociedade feliz. Começa a fazer-se tarde e, por isso, necessário se torna que novos actores políticos coloquem em prática um conjunto de medidas correctoras do passado e, fundamentalmente, apostadas naqueles que aqui vivem.

domingo, 15 de setembro de 2013

"MUDANÇA" - A EXCELÊNCIA DE UM PROGRAMA ELEITORAL



A Coligação pela "MUDANÇA", apoiada por seis partidos (PS, BE, PND, PTP, PAN, MPT), apresentou, na tarde de ontem, o seu programa para quatro anos. Trata-se de um documento de excelência que vale a pena ser lido. Cada linha de compromisso transporta-nos para um novo tempo de fazer política. Uma política para as pessoas, no quadro de uma cidade onde ninguém fique para trás. Vale a pena ler o documento, aqui.

"MIGUEL RELVAS NOS JOGOS OLÍMPICOS"


Depois do cartaz do “Vai Estudar Relvas” ter estado na Volta à França em bicicleta e nos Jogos Olímpicos de Londres (2012) os apupos, desta feita orais, chegaram aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016). No passado dia 11 de Setembro de 2013 um grupo de emigrantes portugueses protagonizou um protesto contra o ex-ministro chamando-lhe “aldrabão” e “ladrão”, “vai estudar” “nem aqui te dão o diploma”. A gravação da manifestação está no YouTube para quem quiser ver.


O meu Amigo Professor Doutor Gustavo Pires, da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, escreveu um artigo no 1º DE JANEIRO, o qual subscrevo na íntegra. 
"Aquilo que previmos num texto de 5 de Agosto aquando da nomeação de Miguel Relvas para o cargo de Alto-comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa no Brasil está a acontecer e, se os portugueses forem pessoas de bem, vai continuar a acontecer e cada vez com mais intensidade não só relativamente a Relvas como a todos esses figurões que, à esquerda e à direita, nas mais diversas instituições, se servem do sistema à custa de desgraçarem o País e os portugueses.
Como português devo dizer que sinto uma profunda vergonha por tudo aquilo que está a acontecer ao desporto em Portugal sobretudo ao Movimento Olímpico. Para mim, o desporto sempre foi uma coisa séria, popular mas respeitável que, da educação desportiva aos Jogos Olímpicos, deve ser implementada com a máxima dignidade e honra. Ora, o que se está a passar no desporto português não tem nem dignidade nem honra. Por isso, felizmente, explodiu uma “bomba relógio” no Rio de Janeiro e esperamos que venham a rebentar muitas mais, através de manifestações espontâneas de cidadãos indignados mas completamente livres das tutelas partidárias ou sindicais que são tão responsáveis pela a situação em que nos encontramos quanto os estuporados governos que têm desgraçado o País.
Assim sendo, para além de qualquer estatuto profissional de sobrevivência, aqueles que de uma forma livre, a título individual ou colectivo, aceitam associar o seu nome ao que se está a passar, independentemente de: poderem dizer que não sabiam; afirmarem que não foram informados blá, blá, blá…; terem sido campeões olímpicos ou; terem ganho os prémios mais prestigiados das artes ou das letras, estão a pôr em causa a consideração social a que têm direito. Porque, “diz-me com quem andas…”.
Quando Miguel Relvas é proposto para Alto-comissário da Casa Olímpica não se trata nem deixa de tratar de uma decisão tomada para além dos “estados de alma” de quem quer que seja. Pretender justificar uma incómoda decisão de contornos éticos perturbantes através de uma posição institucional parece-me, no mínimo, falta de coragem. Porque, propor Relvas para Alto-comissário da Casa Olímpica trata-se é do estado de alma de uma instituição cujos princípios e valores deviam, corajosamente, estar acima de qualquer crítica.
Há mínimos de decoro que não devem ser ultrapassados. Porque, quando são ultrapassados, para além de significarem uma afronta à inteligência dos portugueses, significam também que há pessoas que não têm categoria para liderarem as instituição de que são responsáveis.
Vocês não se indignam com a impunidade que percorre Portugal? Eu, muito."
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 14 de setembro de 2013

FILHOS DA MÃE...!


Filhos da mãe! Ladrões e que cambada de insensíveis nos rodeiam. Perdoem-me as palavras. Para eles não há pessoas, não há sentimentos, não há humanismo, não existe a capacidade de saberem dizer NÃO. Apenas desempenham a obediência cega a outros poderes que impõem as regras de como devemos viver. Sublinho, viver no empobrecimento compulsivo. Estamos (muitos povos europeus) rodeados e subjugados a uma cambada de malfeitores externos e internos, que esmagam sem dó nem piedade, comendo toda a carne e deixando uns restos de osso para que os demais se entretenham. Viveram acima das vossas possibilidades, dizem, com aquele ar de tubarões insaciáveis, por isso, paguem a factura do deboche das vossas vidas. Que malandragem política! Mas quem é que viveu acima das possibilidades? Os quase três milhões de portugueses pobres? A classe que já foi média, que comprou casa, pagou impostos e que fez das tripas coração para suportar todos os encargos da vida familiar, onde se incluem os da educação superior dos filhos? Foram aqueles que tiveram de emigrar, que se espalharam mundo fora, porque o País não lhes garantiu o mínimo? Ou quem viveu acima das suas possibilidades foram todos aqueles que utilizaram as instituições, não as fiscalizaram e dividiram os poderes, dos maiores aos mais insignificantes, numa roda de interesses comuns? E a engrenagem das políticas europeias conducentes a este estado de abandono dos povos para gáudio dos grandes senhores das finanças? Filhos da mãe!


Assistir ao telejornal causa engulhos. Não o regional, porque aqui nada se passa(!), pois quase tudo é ternurento, soft e hilariante, sobretudo quando fala o presidente do governo, o Manel com os senhores agricultores e umas pessoas, sempre os mesmos, que mais parecem avençados, sempre a contar o mesmo lado da história. Mas, enfim, é para esse lado que melhor durmo! Mas, por lá, normalmente, são deprimentes as primeiras notícias. Já me conduziu a dizer um ou outro palavrão, em uns casos pelas declarações dos governantes, perfeitos idiotas, ofensivos e escabrosos nas medidas que tomam, no embuste que transmitem com ar compenetrado e sério. Isto para não falar de alguns comentadores e de alguns polititólogos sem memória e cultura histórica e sem capacidade para cruzar toda a informação disponível. Alguns, sublinho, porque outros há que transmitem pensamento que vai muito para além da conversinha de café. Com esses aprende-se a reflectir. Mas, como ia a dizer, causam engulhos a sequência das primeiras peças. Não são apenas aquelas imagens de tragédia e morte que infelizmente acontecem e que merecem dos pivots uma chamada de atenção por serem susceptíveis de ferirem a sensibilidade dos espectadores. Há imagens e declarações de gentinha de fato e gravata, arvorados em inteligências superiores, que se comportam como trapaceiros, sem dizer um único palavrão, que ofendem a sensibilidade de quem os ouve. Um aparece a dizer que os reformados e pensionistas vão ter de desembolsar mais 10% a partir de Janeiro (logo se verá se o Constitucional deixará passar!), ofendendo todos aqueles que têm estado sujeitos a sucessivas penalizações, a roubos descarados, rasgando contratos e falseando as modestas expectativas criadas para o outono da vida. Logo a seguir, entra um Rosalino, com um ataque aos funcionários públicos, no quadro da mobilidade especial. Depois, o regresso às aulas, com professores a terem de fazer, diariamente, 100, 200, 300, 400 e até 600 quilómetros para cumprirem o seu horário de trabalho. Na peça seguinte, um casal, de meia idade, desempregado, com uma filha pré-adolescente, que transmite a angústia de não poderem dar o essencial à filha. Dói ouvir da sua boca que gostaria de atingir o ensino superior, mas que certamente lá não chegará. Ouvi-la dizer que o que mais lhe custa é ver os pais sem emprego, o que significa sem dinheiro! Olhar para a imagem da mãe com os olhos rasos de lágrimas, quase a escorrem cara abaixo. Então, pergunto, isto não fere a sensibilidade de quem assiste? Então esta sequência de peças não gera uma bola no estômago a quem ainda pode desfrutar de uma refeição normal e assiste ao drama dos outros sem poder agir?
Filhos da mãe! Ladrões e que cambada de insensíveis nos rodeiam. Perdoem-me as palavras. Para eles não há pessoas, não há sentimentos, não há humanismo, não existe a capacidade de saberem dizer NÃO. Apenas desempenham a obediência cega a outros poderes que impõem as regras de como devemos viver. Sublinho, viver no empobrecimento compulsivo. Estamos (muitos povos europeus) rodeados e subjugados a uma cambada de malfeitores externos e internos, que esmagam sem dó nem piedade, comendo toda a carne e deixando uns restos de osso para que os demais se entretenham. Viveram acima das vossas possibilidades, dizem, com aquele ar de tubarões insaciáveis, por isso, paguem a factura do deboche das vossas vidas. Que malandragem política! Mas quem é que viveu acima das possibilidades? Os quase três milhões de portugueses pobres? A classe que já foi média, que comprou casa, pagou impostos e que fez das tripas coração para suportar todos os encargos da vida familiar, onde se incluem os da educação superior dos filhos? Foram aqueles que tiveram de emigrar, que se espalharam mundo fora, porque o País não lhes garantiu o mínimo? Ou quem viveu acima das suas possibilidades foram todos aqueles que utilizaram as instituições, não as fiscalizaram e dividiram os poderes, dos maiores aos mais insignificantes, numa roda de interesses comuns? E a engrenagem das políticas europeias conducentes a este estado de abandono dos povos para gáudio dos grandes senhores das finanças? Filhos da mãe!
Ilustração: Google Imagens.