terça-feira, 31 de março de 2015

BENEFÍCIO DA DÚVIDA?


Da minha parte não dou qualquer benefício da dúvida ao Dr. Miguel Albuquerque nem à equipa que vier a indicar. Não basta alterar um conjunto de figuras na Assembleia e no governo para transmitir a ideia de novo ciclo. O ciclo é o mesmo, perpetuar-se-á, embora pintado de fresco. Umas declarações aqui e outras ali, como aquela do IRS baixar um bocadinho em 2016, fazem parte da encenação pós-eleitoral. As palavras de circunstância não só não alteram a ideologia, como manterão o governo preso ao poder tentacular dos grandes interesses. Pelo contrário, talvez se agravem. Basta que se tenha presente a figura de Alberto João Jardim, o seu incomensurável poder absoluto, pelo menos aparente, o desejo de impor a todo o momento a sua vontade e que, no entanto, demonstrou sempre incapacidade para bloquear ou, no mínimo, controlar os interesses instalados. Falou dos  ingleses como se, por aqui, outros "camones" não fossem mais preocupantes para a economia da Madeira. É um facto. Anunciam a mudança do presidente da Assembleia Legislativa, primeiro órgão de governo próprio, porém, pergunto, alguém se esquecerá que foi o Deputado Tranquada Gomes o eixo fundamental das sucessivas alterações do Regimento, realizadas sempre no sentido de limitar a palavra da oposição? E que as defendeu de forma empolgada?



Ora, um novo governo confrontar-se-á, desde o primeiro dia, com um permanente zumbido oriundo dos afilhados do regime que precisam de dinheiro fresco, como de todos os outros que necessitam de estar na mesa do orçamento. As solidariedades têm um custo político. Obviamente, que no espaço da urbanidade entre poder e oposição, pelo menos para consumo externo, naturalmente que se verificarão mudanças comportamentais. Fui vereador da Câmara do Funchal durante doze anos e, portanto, conheço o estilo. De resto, pior seria impossível. Mas, politicamente, o problema não é esse. A questão central situa-se ao nível das políticas globais e sectoriais. E aí, apesar da necessidade, óbvia, de mostrar diferenças, o novo presidente do governo não constitui garantia de substantivas alterações no perfil da governação. Isto porque o ambiente de base ideológica é o mesmo. Os princípios e os valores padronizadores de uma política estão lá, com o agravante de Alberto João Jardim já ter começado a dizer que esperava mais de Miguel Albuquerque (ao apontar que, em 2011, teve melhor resultado) o que pressupõe, à luz do choque entre ambos, que andará por aí como fiscalizador da sua acção política. Existe, ali, uma espinha na garganta que nem com um sopapo nas costas salta. Serão a sombra e o fantasma que os perseguirão a todo o momento.
E, depois, não há  dinheiro. O cofre está vazio e as prateleiras cheias de dossiês com facturas por liquidar. Alberto João Jardim saiu e deixou tudo armadilhado. A vocação pela obra pública será travada pelas circunstâncias de não existir capacidade financeira para pagar a quem a Região deve e, simultaneamente, proceder à manutenção das infraestruturas ou acabar tanta obra que por aí anda parada. Por tudo isto, entendo que o "estado de graça" será muito breve e as políticas, caracterizadas pela mesma raiz ideológica, não garantirão uma mudança substantiva na governação. 
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 30 de março de 2015

TEIMOSIA, CEGUEIRA OU PURA ESTUPIDEZ?


Vítor Freitas teve tudo na mão. A possibilidade de realizar umas primárias no PS-Madeira; a oportunidade de mostrar grandeza política abdicando da sua candidatura em nome dos interesses maiores da Região; o ensejo de, com inteligência, abrir-se a uma convergência partidária, não de última hora, colocando, como ponto de partida, o jardinismo, no centro do debate; a ocasião de ficar na História como o estratego responsável pela ruptura dos interesses instalados (e são muitos e diversos) e dos silêncios cúmplices que mancham o exercício da democracia. Não quis, portanto, em nome da dignidade política e das ilações que os políticos devem retirar, parece-me óbvio que só lhe restava o caminho da saída de cena.


No início do mês de Janeiro, embora tarde mas ainda no limite do tempo, escrevi: “Um dos significados da palavra teimosia poderá ser o do apego obstinado às suas próprias ideias. É diferente, no âmbito político, de um apego cego ao caminho que se julga ser o melhor. Em múltiplas situações ser obstinado transporta consigo o fermento da determinação e do êxito. Já a cegueira, embora vendo, impede qualquer flexibilidade em busca do caminho desejável. E o que se está a passar no plano político, no quadro de uma oposição responsável, é, claramente, a opção pela cegueira. Há quem não queira ver o descalabro; há quem prefira continuar oposição do que assumir a responsabilidade governativa; há quem, levianamente, esteja nas tintas para um povo que deseja uma alternativa (já demonstrada nas autárquicas), ao colocar, em primeiro lugar, o interesse do grupinho; há quem se assuma como históricos oposicionistas, mas que não mexem uma palha no sentido de dizer não ao previsível descalabro; há quem se julgue traçado para altos voos, mas nunca na terra que os viu nascer; há quem pela frente assuma, de forma clarividente, uma dada situação, mas logo a seguir dê indícios de estar a tratar da sua vidinha. E, entretanto, os dias vão passando e os mesmos de sempre, os que conduziram a Região ao desastre, sentem que o terreno está fofo e que nem será preciso cavar em demasia. Porque esse terreno está livre de embaraçadoras pedras. Bastará um ancinho para achanar e plantar mais uns anos de enganadoras promessas. Acordem, por favor, sentem-se à volta de uma mesa, mais que não seja, pelo respeito que a memória impõe”.
Infelizmente, os resultados do acto eleitoral deram-me razão. A mudança de paradigma político afundou-se em um lago de lama onde se atolaram pequenos interesses. A estilhaçada oposição voltou a perder por única e exclusiva culpa. Embora lamentável, a abstenção não serve de desculpa. Nem minimamente. O apelo à memória de 40 anos de jardinismo e como alimentar a esperança e a capacidade de bloquear o monstro, esbarrou na teimosia, na cegueira e na estupidez. E sendo assim, eu diria que o líder socialista ficou ferido de morte política, porque atentou, de forma grave, contra os anseios de uma grande parte dos madeirenses e portosantenses. Apresentou a sua demissão, mas isso não o iliba da irresponsabilidade política patenteada. Resta-lhe marcar congresso e despedir-se. Não sei, até, despedir-se do próprio parlamento. 
Vítor Freitas teve tudo na mão. A possibilidade de realizar umas primárias no PS-Madeira; a oportunidade de mostrar grandeza política abdicando da sua candidatura em nome dos interesses maiores da Região; o ensejo de, com inteligência, abrir-se a uma convergência partidária, não de última hora, colocando, como ponto de partida, o jardinismo, no centro do debate; a ocasião de ficar na História como o estratego responsável pela ruptura dos interesses instalados (e são muitos e diversos) e dos silêncios cúmplices que mancham o exercício da democracia. Não quis, portanto, em nome da dignidade política e das ilações que os políticos devem retirar, parece-me óbvio que só lhe restava o caminho da saída de cena.
O problema do PS-Madeira, digo-o com muita mágoa, é a perversa imagem que alguns têm da política. Instalou-se uma lógica partidária, quando alguém ganha um congresso, que se resume em três palavras: agora somos nós. E já dura há muito este sentimento que se enraizou, a qual gerou, sucessivamente, a fuga de muitos para outros partidos e movimentos, o silencioso distanciamento de militantes que podiam personificar uma alternativa democrática. Daí que defenda, hoje com veemência, a refundação do partido na Madeira, após primárias abertas a toda a sociedade. É a saída possível para, daqui a quatro anos, encetar um tempo novo que possa conduzir a uma vitória que garanta a verdadeira mudança política, económica, social e cultural onde as pessoas estejam em primeiro lugar. 
Miguel Albuquerque venceu, mais por demérito da oposição e, particularmente, do PS, do que por mérito próprio. Não espero nada de novo, simplesmente porque quando as figuras e a ideologia subjacente é a mesma, os resultados tenderão a não serem diferentes do passado. Resta agora saber como Miguel Albuquerque, que não apresentou programa eleitoral, irá resolver os grandes dramas políticos regionais: dívida, desemprego, pobreza, saúde e educação, entre outros.
Ilustração: Google Imagens.
NOTA
Artigo de opinião, da minha autoria, publicado no Funchal Notícias e no 1º de Janeiro.

sexta-feira, 27 de março de 2015

A PROPÓSITO DE PREPOTÊNCIA


Pedem uma maioria absoluta "(...) não para exercer a prepotência", dizem. Sinceramente, não sei o que isto significa à luz da história de todo o processo, onde todas as maiorias absolutas, prolongadas num tempo excessivo, redundou sempre em controlo político e social. Parece-me, aliás, extremamente perigoso, porque são conhecidos os comportamentos políticos das figuras que hoje se apresentam como imaculadas. E de todos os outros que se escondem atrás da cortina. Que parecendo não estar, estão! E perguntar-se-á, afinal o que significa a palavra prepotência? 


Estar acima de todos os outros? Bom, mas, então, na Câmara do Funchal, o Dr. Miguel Albuquerque, fazendo ouvidos de mercador da generalidade da oposição, o Plano Director do Funchal não foi suspenso em determinadas zonas para legitimar erros cometidos? Não será este um exemplo acabado de mando em excesso? E mais, ainda, não será prepotência, embora tenha sido, sucessivamente, chamado à atenção, aquando da discussão do Plano e Orçamento e respectivas Contas de Gerência, gerar uma colossal dívida de mais de noventa milhões de Euros? E a prepotência de ignorar os representes do povo, em sede de Assembleia Municipal, não permitindo a voz livre na tribuna da sessão solene do Dia da Cidade? E a prepotência das decisões que conduziu a cidade a perder muito do seu património histórico, ao mesmo tempo que a cidade das zonas altas foi preterida em relação ao centro do bilhete postal? Pode haver muitos de memória curta, porém, não me esqueço. E aqueles são, apenas, alguns exemplos de natureza política e que configura PREPOTÊNCIA. O rol é, politicamente, muito extenso.
Ilustração: Arquivo próprio.

FINLÂNDIA MUDA DE SISTEMA EDUCATIVO. EM PORTUGAL, CRATO CONTINUA NO SÉCULO XIX!


"A Finlândia vai começar a ensinar por tópicos e muda o paradigma. Sistema de ensino finlandês está prestes a fazer uma revolução nas escolas, substituindo disciplinas por tópicos. Após 40 anos de ensino por disciplinas, a Finlândia sente que está na altura de mudar". Por aqui, Nuno Crato, continua no Século XIX! Está mais preocupado com exames aos professores, aniquilando e desprestigiando o trabalho das instituições superioras de formação. Crato só vê o passado como se os tempos fossem iguais. Tem a obsessão pelos exames, logo no primeiro ciclo, como se eles fossem portadores de "conhecimento poderoso" para o futuro. Infelizmente, continuaremos com altas taxas de insucesso e de abandono enquanto se mantiver esta triste mentalidade. 


"Já é conhecida a eficácia do sistema de ensino finlandês. A sua constante presença nos tops dos rankings educacionais inquieta estudiosos, que já se aprontaram a estudar o fenómeno. Mas a Finlândia já estruturou uma nova forma de ensinar nas escolas: deixarão de existir disciplinas para se lecionar por tópicos. 42 anos após a última reforma no ensino finlandês, esta reforma será uma das maiores já feitas na educação. Apesar do sucesso, os responsáveis pelo ensino finlandês sentiram, em 2013, que o sistema estava a começar a vacilar, ao descerem até 12º lugar, atrás da Estónia, no prestigioso PISA global rankings, que avalia leitura, ciência e matemática. “Os dias de ouro acabaram”, desabafou Finnbay, serviço noticioso finlandês, após os resultados saírem em 2013. Debatia-se em “como voltar ao jogo” e, anos depois, é anunciado este novo sistema de ensino. O novo paradigma de ensino baseia-se em aprender por tópicos. Os jovens finlandeses passarão a estudar União Europeia ao invés de estudarem apenas economia, história, língua e geografia. O objetivo dos responsáveis pelo ensino na Finlândia é eliminar a sensação de inutilidade de um determinado conteúdo. A motivação, o factor prático de um tópico e a coerência são valores máximos no novo modelo finlandês. “Precisamos de um tipo de educação diferente que realmente prepare as pessoas para o mercado de trabalho” justificou o responsável pela inovação da cidade de Helsínquia, Pasi Silander, ao Independent. “Os jovens já usam computadores avançados. No passado, os bancos tinham muitos funcionários a fazer cálculos, mas agora tudo mudou. Temos, portanto, de fazer as mudanças na educação necessárias para a indústria e sociedade modernas.”, acrescentou.
Apesar de tudo, esta reforma também tem sido alvo de críticas. Os professores, habituados a um sistema de ensino por disciplinas, iriam ser forçados a colaborar e depender de outros professores para cumprirem um plano curricular, dispersa pelas diversas áreas. Mas, para Pasi Silander, 70% dos professores das escolas básicas de Helsínquia já podem receber este novo modelo. Um dos adeptos e fundadores desta reforma, Marjo Kyllonen, chama a este novo modelo de “co-teaching” e assegura que existirão vários bónus aos professores de colaborarem nesta mudança. De momento este modelo está a ser testado. Por exemplo, algumas turmas de 16 anos já não têm disciplinas como Literatura Inglesa e Física. “Mudámos mesmo a mentalidade. É ligeiramente díficil convencer os professores a entrar na nova abordagem e a dar o primeiro passo. Mas quem colaborou connosco diz não querer voltar atrás.” assegura Silander. A ideia é ter este sistema aplicado em todo o país por volta de 2020".
NOTA
Texto publicado no "Observador".
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 26 de março de 2015

COMO SE PODE SER CANDIDATO A PRESIDENTE DO GOVERNO SEM UM PROGRAMA?


A pergunta faz todo o sentido. Se não existe programa, não existe candidato. Ou, então, o pseudo candidato é um bluff, porque sabe onde está, não sabe onde quer chegar e não consegue definir os passos que tem de dar para lá chegar. Parece-me óbvio. Um povo que vota em fumo não tem legitimidade para, mais tarde, se queixar. O programa eleitoral, apesar de muitas vezes constituir uma grosseira mentira (atente-se no que disse Passos Coelho antes do acto eleitoral e o que depois fez), obriga o candidato a vincular-se, responsabilizar-se e, mais tarde, responder pelos seus actos, omissões e incumprimentos. Votar pela aparência corresponde à negação do essencial da democracia. Nem nas escolas, para uma simples associação de estudantes, tolera-se a inexistência de um programa de candidatura. De Miguel Albuquerque não sei o que pensa (ou se calhar sei), porque apenas li, não um documento de generalidades, mas de absolutas banalidades.


Tenho em mão um info-mail que me chegou à caixa de correio. Três linhas para a Educação: "1. Melhorar a qualidade do ensino, em diálogo com os professores, técnicos de educação, pais e alunos; 2. Combater o abandono escolar; 3. Alargar os apoios às famílias na aquisição dos manuais escolares e nos apoios sociais". Ora, isto são banalidades no quadro da complexidade do sistema educativo. Não diz rigorosamente nada. Escutei ontem um aluno que, a propósito do dia do estudante, foi de longe mais incisivo sobre o sector educativo. Não vou muito longe, pormenorizando, mas que pensará o candidato do PSD, Miguel Albuquerque, sobre a questão de raiz autonómica e constitucional: "um País três sistemas"? E, neste quadro, quais as traves-mestras de uma política educativa a montante (nas famílias) e a jusante (nos estabelecimentos de educação e ensino) para os próximos anos? E o que é pensa sobre o investimento na Educação Pública  relativamente à privada? Ora, se não há um programa nada se poderá concluir. As linhas para o sector educativo são aquelas e, nos outros sectores, a vulgaridade das palavras constrange. Dir-se-á que estamos no domínio de um vazio conceptual e numa clara navegação à vista. No domínio do cheque em branco. Interessa é repetir uns chavões, consolidar a ideia da diferença de invólucro num produto com defeito de fabrico, tentar ganhar no meio da ignorância altifalante e garantir os lugares para a clientela. Tanto assim é que, em muitos serviços públicos, já falam deste para ali e aquele para acolá. Pouca-vergonha.
Ilustração: Google Imagens - Blogue 

quarta-feira, 25 de março de 2015

O DEBATE, A AUSÊNCIA DO CANDIDATO DO PSD E A DIFERENÇA ENTRE O ESSENCIAL E O ACESSÓRIO


Segui uma grande parte do debate na RTP-Madeira entre os candidatos da "Coligação Mudança" e do CDS-Madeira. Do que assisti, do meu ponto de vista estiveram bem. A cadeira do candidato Miguel Albuquerque (PSD) ficou vazia. E não precisou de lá estar. Lamentavelmente, o moderador, a espaços, acabou por fazer o contraditório. Apenas dois exemplos entre vários: é-me difícil compreender o propósito da insistência na política autárquica do Funchal e, quando esgotada, a viragem para uma dita turbulência política no Porto Santo; ou trazer à colação o Deputado José Manuel Coelho, questionando, com insistência, se será ou não governante! 


Ora, desde logo, dois aspectos: primeiro, os partidos em presença apresentaram, publicamente, o seu programa eleitoral e de governo. Seria importante esmiuçá-los nos seus conteúdos sectoriais, viabilidades e comprometimentos (o candidato do PSD apenas publicou, até agora, uma lista de banalidades); segundo, o julgamento político das autarquias que o PSD perdeu verificar-se-á daqui a pouco menos de três anos, portanto, é de todo descabido trazê-las para o centro do debate (o que tem sido público é que andam a pagar monumentais dívidas deixadas).
Sou, apenas, um espectador e gosto de seguir um moderador que não traga para a mesa as suas eventuais convicções ou, então, as questões de mesa de café. Quem modera deve ser discreto mas acutilante; oportuno mas não tendencioso; centrar-se no essencial e não no acessório. As "estrelas" são os convidados e é nesses que a minha atenção se centra. De folclore político já vivemos quase quarenta anos.
Finalmente, seria óbvio, como esclarecimento à população, face aos protestos vindos a público que envolveram a Comissão Nacional de Eleições, que, no início do debate, fosse clarificada a posição da RTP-Madeira. Tal não aconteceu, o que deixa a RTP-Madeira, por omissão, numa situação muito desconfortável. Por exemplo, aquele debate surge porquê e, sobretudo, como? O sorteio assim ditou? Não sei.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 24 de março de 2015

LILIANA RODRIGUES - EURODEPUTADA DO PS


"A minha capacidade crítica implica que o voto seja decidido de forma consciente naquilo que é melhor para o país e para a Europa (...) sou uma mulher livre e sem amarras que pensa pela sua própria cabeça e tenho consciência das dificuldades que as pessoas passam"

segunda-feira, 23 de março de 2015

CUIDADO COM LOBOS POLÍTICOS COM PELE DE CORDEIRO


Não foi a primeira vez que o candidato do PSD, Dr. Miguel Albuquerque, teceu considerações relativamente ao desempenho das autarquias lideradas por partidos que assumiram a responsabilidade de governar sete das onze câmaras da Região. Ainda ontem, em Câmara de Lobos, atirou-se à "Mudança" vitoriosa no Funchal, sublinhando a "esclerose executiva" que paralisou (!) o Funchal. Pois, a memória é curta ou oportunista. Para quem deixou o Funchal com € 94.000.000,00 de dívidas, desordenado, assimétrico e com sucessivas machadadas no património histórico, o melhor teria sido estar caladinho. Eu não sinto a paralisação. O Funchal não parou, tal como os outros seis concelhos. Pelo que leio, as dívidas estão a ser saldadas, porque as empresas têm de funcionar e os postos de trabalho são muito mais importantes que qualquer obra que não se enquadre nas prioridades. O candidato do PSD deveria, isso sim, explicar à população aquelas continhas que justificavam a Câmara ter, sucessivamente, saldos de gerência positivos. Dava lucro, dizia! 


Julgo que qualquer cidadão deveria conhecer tais engenharias financeiras antes das eleições legislativas, porque quem as fez na Câmara tenderá a repeti-las no governo. Foi assim que se chegou a mais de seis mil milhões de dívidas e a uma penosa dupla austeridade. Está na designada "massa do sangue" político o posicionamento  do então "chefe" Jardim, que sempre assumiu como necessário fazer obra pública, dar nas vistas e inaugurar, mesmo que o povo esteja mal. Endividar a Região mais do que ela está, parece ser o desígnio de Miguel Albuquerque. É, por isso, que ainda ontem falou da "nossa obra", pelo que, avisou, cuidado a 29 de Março, porque "não podemos brincar aos partidos". Ora, brincar com o povo foi o que aconteceu durante quase quarenta anos de sucessivas maiorias absolutas. Não obstante isso pede, todos os dias, mais uma maioria como se fosse possível fazer um "resert" à memória colectiva, esquecendo, inclusive, que quem o acompanha são os mesmos que permitiram que a Madeira se encontre financeira e socialmente bloqueada. Se há dez anos o candidato do PSD tivesse afrontado e demarcado do poder regional, hoje, teria alguma legitimidade. Da forma como tudo se processou, o que resta tem muito mais a ver com a necessidade de poder de uma teia partidária ardilosamente montada, do que propriamente com questões de projecto político. O candidato do PSD, do meu ponto de vista, serve, claramente, esses interesses paulatinamente instalados. 
Por outro lado, é curioso que, agora, prometa debates quinzenais na Assembleia Legislativa, assunto há tantos anos reclamado, mas a verdade é que durante vinte anos na Câmara Municipal do Funchal, apesar da insistência dos vários partidos, nunca tivesse abrido mão dessa possibilidade democrática de, no "Dia da Cidade" dar espaço para a intervenção de todos os partidos representados na Assembleia Municipal. Nem a mesa da Assembleia Municipal contou alguma vez com uma distribuição representativa das forças partidárias. E quanto a pelouros atribuídos à oposição, bom, aí trancou o sistema a cadeado. Fechou-se, em total concordância com o Dr. Jardim, que nunca permitiu que, na Assembleia Legislativa, a voz dos eleitos se fizesse ouvir. Pergunto, então, que passado de luta e que posicionamentos foram assumidos para que a população acredite nas palavras agora ditas? 
Há aqui uma espécie de lobo com pele de cordeiro. Politicamente, claro. A personagem serve às mil maravilhas aos que estão fora do palco e mesmo àqueles que se apresentam travestidos de "cristãos-novos". Pessoalmente, no plano político, não enganam, porque serão amanhã aquilo que sempre foram. A matriz do comportamento político está lá e, por mais retoques de maquilhagem, não conseguem alterar o que sempre foram. O povo será soberano na sua decisão. Os actos eleitorais devem servir para julgar. Que o povo julgue!
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 21 de março de 2015

"PERGUNTO AO VENTO QUE PASSA (ENTREVISTA OPORTUNA)"


Li uma justificação desnecessária (aqui). Entendo que cada um segue o caminho que quer e entende. À população compete analisar os comportamentos sociais e políticos. Se antes, face ao menu partidário, embora com vestes pressupostamente "independentes", há quem preferisse o prato A ou B e, agora, prefira o C, esse é problema dos próprios. Se a exteriorização pela cor do vestuário político aproxima-se do rosa, azul ou laranja, se é monárquico ou republicano, pouco me interessa. Preocupa-me sim a coerência e a estrutura do pensamento político, a leitura do global e do local à luz da história do processo, a riqueza da experiência vivida, a transparência e se é ou não portador de um projecto. Portanto, uma justificação para quê? Paleio que, ao contrário do pretendido, apenas veio contribuir para a alta definição da personagem política.


Li e senti, confesso, uma enorme repulsa política pela entrevista a si próprio. Ao ponto que se chegou, exclamei! Mas com esta política dos políticos confesso que passo bem. A urticária vai em um ápice, dura o tempo da leitura, porque a minha felicidade é superior ao que se passa na frente dos meus olhos observadores e também porque há muito assumi que tudo tem o seu tempo e que eu já tive o meu tempo político. Conservo, apenas, os meus princípios e valores. Por isso afastei-me da política activa e, quando convidado, respondi: em função da esperança média de vida, se tudo decorrer bem, faltam-me o equivalente a três legislaturas; prefiro passá-las cá fora do que no mundo, muitas vezes conspurcado, do exercício da política. Mas, ao meu jeito, atento e distante da necessidade de vender-me aos bocados, como escreveu Luís Sttau Monteiro, in "Angústia para o Jantar" .  
A trova (de Manuel Alegre) sublinha: "Mesmo na noite mais triste... em tempo de servidão... há sempre alguém que resiste... há sempre alguém que diz não". Para mim basta-me isso como reflexão permanente, mesmo quando os contextos são diferentes, a partir do que foram estes 40 anos de falso crescimento e de desenvolvimento débil, de Autonomia vendida a pataco, de liberdade condicionada à voz do dono, de insultos e provocações de um regime absoluto e extremamente tentacular ao qual muitos se vergaram. Basta-me isso, quando vejo novos alinhamentos oportunistas de uma falsa, repito, falsa "renovação", com velhos políticos na rectaguarda, de batuta em punho, a querem continuar "donos disto tudo", misturados com altifalantes portadores de uma pretensa "coragem e determinação". Portanto, quando se escolhe um "porto de destino" parece-me óbvio que várias questões devam ser colocadas: no mínimo, porquê, como e com quem? 
Não há novo "ciclo político". Essa é a grande mentira embrulhada em celofane laranja. Só existirá um novo tempo quando os culpados saírem pela porta pequena e forem responsabilizados pelos seus actos e omissões. É assim na vida privada e deve ser assim na vida pública. Esconder facturas e ter a Justiça à perna não é, certamente, um bom cartão de visita. Não se pode falar de um novo ciclo político quando, travestidos, os mesmos se encontram à volta da gamela pública, quando a mesma raiz partidária deixa a Região em sofrimento, pobreza e desemprego, atolada em dívidas impossíveis de liquidar, a Educação e a Saúde de rastos e as autarquias sem margem de manobra financeira. Só o Funchal, segundo dados vindos a público, as dívidas ascenderam a mais de 94 milhões de euros. São estes que se perfilam e que à boca cheia falam de um "novo ciclo". Os mesmos que não respeitaram os vários instrumentos de planeamento, aí estão a falar de um "novo ciclo" e a prometerem, levianamente, reduzir a dívida regional a 60% do PIB nos próximos anos. Só não dizem, como! Mas, enfim, há gostos para tudo e estômagos que digerem bem. O meu, confesso, tem uma sensibilidade tal que não consegue. Certas coisas provocam-me asia política.   

sexta-feira, 20 de março de 2015

MEMÓRIA, RESPONSABILIDADE E CORAGEM


Dezenas de estudantes, entre os quais me incluo – e que poderiam ser centenas, não fosse a desadequação da lei, aliada à complexidade burocrática do processo -, votam hoje para as eleições regionais, a 9 dias da data normal e ao sexto dia de campanha. O meu voto está decidido. E não se decidiu em meia dúzia de dias, mas sim ao longo da vivência de 25 dos 39 anos de poder absoluto e com base na avaliação histórica do que nos trouxe até aqui. Aos que votam hoje e a todos os que votarão no dia 29 dirijo três apelos: à memória, à responsabilidade e à coragem. 


Um apelo à memória, para que não fiquem pela espuma dos dias e do passado recente e para que avaliem as ações, opções e convivências de quem hoje se apresenta como salvação única possível. Um apelo à responsabilidade, para que na hora de escolher um caminho para o futuro da Região, o façam conscientes das consequências do caminho errado e dos factos, causas e consequências que nos trouxeram à situação atual – de maior abandono escolar, desemprego e emigração nacional, entre muitos outros fatores. E, finalmente, um apelo à coragem. À coragem de fazer diferente, de acreditar que é possível outro qualquer caminho que não aquele que há 39 anos nos apontam como o único possível. Coragem na hora de deixar de parte o preconceito ideológico gerado durante 39 anos de absolutismo político e social e de dar o benefício da dúvida a quem quer tentar diferente, em alternativa à atribuição da certeza a quem já mostrou que faz igual. Estou certo de que os madeirenses farão pelo melhor - para si e para os seus, para os nossos e para os que virão depois. Querer mais e melhor é o normal neste processo. Mas pedir diferente de nada servirá se todos e cada um de nós não for capaz de mudar na hora de decidir o presente e o futuro da Região. Coragem!
NOTA
Artigo de opinião de João Pedro Vieira, publicado a edição de hoje do DN-Madeira. É aluno da Faculdade de Medicina e presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa.

quinta-feira, 19 de março de 2015

DÍVIDAS AO FISCO E A LISTA VIP


Rua com todos os que fazem da DEMOCRACIA uma caricatura.


Ininteligível no plano da democracia, dos princípios e dos valores que lhe dão corpo. Já não falo se existem ou não figuras incumpridoras, as mesmas que exigem dos outros sacrifícios incomportáveis, de roubo nas pobres carteiras dos portugueses, apenas falo de transparência. Se todos são iguais à face da lei (dizem) pergunto que razão substantiva existe para que uns senhores façam parte de um grupo de direitos reservados?
O comum dos cidadãos questionará: o primeiro-ministro não sabia da tal listinha de pessoas ditas "importantes"? Ora, se sabia, é grave que não tivesse actuado; se desconhecia, denota que não tem controlo do aparelho da governação. E o que terá a dizer o Dr. Paulo Macedo (ministro da Saúde) que foi director-geral dos impostos entre 2004 e 2007? A tal listinha vem já do seu tempo de responsabilidades? E o Presidente da República dirá, agora, que essas são meras questões "político-partidárias"? Ou será que o seu nome se encontra na tal lista de "VIP's"?
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 18 de março de 2015

COLÉGIOS JESUÍTAS DIZEM NÃO AO ENSINO TRADICIONAL


Os outros avançam e nós retrocedemos. Dizem os sucessivos ministros da Educação que desejam combater o abandono e o insucesso, só que, na prática as suas medidas, pela análise dos resultados, têm valido zero. Ao contrário da implementação de medidas tendentes a criar uma escola para os tempos que atravessamos, as políticas têm vindo a reforçar tudo o que caracterizou o passado nascido da Sociedade Industrial. A medida mais evidente do desnorte é a implementação dos exames no 1º, 2º e 3º ciclos. Sobre esta matéria tanto que já foi escrito, traduzindo alertas, experiências e políticas de sucesso desenvolvidas por outros países. Agora, são os colégios jesuítas da Catalunha que estão a eliminar o modelo de ensino baseado em currículos organizados por disciplinas, exames e horários. As salas transformaram-se em espaços de trabalho em que os alunos adquirem os conhecimentos realizando projectos em conjunto. Vale a pena ler o texto que me chegou.


Barcelona, 5 mar (EFE).- Los colegios de jesuitas de Cataluña, en los que estudian más de 13.000 alumnos, han comenzado a implantar un nuevo modelo de enseñanza que ha eliminado asignaturas, exámenes y horarios y ha transformado las aulas en espacios de trabajo donde los niños adquieren los conocimientos haciendo proyectos conjuntos.
Los jesuitas, que en Cataluña cuentan con ocho colegios, han diseñado un nuevo modelo pedagógico en el que han desaparecido las clases magistrales, los pupitres, los deberes y las aulas tradicionales, en un proyecto que ha comenzado en quinto de primaria y primero de ESO en tres de sus escuelas y que se irá ampliando al resto.
"Con el actual modelo de enseñanza tradicional, los alumnos se están aburriendo y están desconectando del sistema, sobre todo a partir de sexto de primaria", ha explicado el director general de la Fundación Jesuitas Educación (FJE) de Cataluña, Xavier Aragay.
El nuevo modelo incluye la creación de una nueva etapa intermedia entre la primaria y la secundaria, que la conforman los cursos quinto y sexto de primaria y primero y segundo de ESO.
Para llevar a cabo el proyecto, que lleva por nombre "Horizonte 2020", los jesuitas han derribado las paredes de sus aulas y las han transformado en grandes espacios para trabajar en equipo, unas ágoras en las que hay sofás, gradas, mucha luz, colores, mesas dispuestas para trabajar en grupo y acceso a las nuevas tecnologías.
En los tres colegios que están experimentando esta novedad han juntado las dos clases de 30 alumnos en una sola de 60, pero, en vez de un profesor por cada 30, tienen tres profesores para 60.
Los tres profesores acompañan todo el día a los alumnos y tutorizan los proyectos en los que trabajan, a través de los cuales adquieren las competencias básicas marcadas en el currículo.
"No hay asignaturas, ni horarios, al patio se sale cuando los alumnos deciden que están cansados", ha explicado Aragay, que, en los seis primeros meses de experimentación, ya ha constatado que "el método funciona" y ha reanimado a los estudiantes.
"Transformar la educación es posible", ha remarcado el director general, que reconoce que el cambio es "radical" y que dos de cada tres de los 1.500 profesores de sus escuelas ha estado a favor.
Según Aragay, "en la escuela es donde más se habla de trabajo en equipo y donde menos se practica", cosa que se soluciona con este método, "que también palía unos currículos excesivos que nunca se imparten completos".
Antes de implementarlo, los jesuitas recogieron 56.000 ideas de alumnos, padres y madres y profesores para mejorar la educación. "Educar no es sólo transmitir conocimientos", ha señalado el director general adjunto de la FJE, Josep Menéndez.
El proyecto impulsa "las inteligencias múltiples y sacar todo el potencial" de los alumnos y que hagan las actividades de aprendizaje según sus capacidades.
"Hemos transformado la educación para que el alumno sea el protagonista, para que haya verdadero trabajo en equipo y los estudiantes descubran cuál es su proyecto vital, qué quieren hacer en la vida y enseñarles a reflexionar, porque van a vivir en una época que les va a desconcertar", ha argumentado Aragay.
Los alumnos comienzan la jornada con 20 minutos de introspección y reflexión para plantearse los retos de la jornada y finalizan con otros 20 minutos de discusión sobre si han conseguido los objetivos.
Las asignaturas han sido sustituidas por proyectos. "Por ejemplo, si hacemos un proyecto sobre el imperio romano, pues aprendemos arte, historia, latín, religión y geografía", ha detallado Menéndez, y si hay que aprender raíces cuadradas para llevar a cabo otro proyecto, los alumnos pueden acudir a las unidades didácticas.
"Aprenden mucho mejor si ven que lo que aprenden tiene una aplicación práctica", ha defendido Aragay.
Los proyectos, en los que también se implican padres y madres, se realizan un 33 % en catalán, un 33 % en castellano y un 33 % en inglés.
Aunque no hay asignaturas, para cumplir con lo establecido legalmente también ponen notas, pero puntúan primero las competencias de cada alumno y luego, mediante un algoritmo, las transforman en notas por materias para que consten en el expediente.
Según Aragay, en los seis meses de experiencia han encontrado casos de alumnos que "antes se inventaban que tenían fiebre para no acudir a clase y ahora quieren venir aunque tengan fiebre".
Con esta nueva pedagogía, que también aplican a los más pequeños de P3 y P4, "en vez de mirar el BOE o el DOGC, miramos la cara de los niños y les ayudamos a desarrollar su proyecto vital, a descubrir sus talentos, a encontrar sentido a lo que hacen, a lo que quieren conseguir, a saber interpretar, a reflexionar, a cuestionar. Junto con la familia e internet, intentamos construir personas".

O PRÍNCIPE E O CAMPONÊS


Num reino não muito distante, havia um elegante e nobre príncipe que se sentia aborrecido no seu castelo. Desejando espairecer, montou a cavalo e foi passear pelos campos. Avistando um camponês procurou atenuar o tédio interpelando-o: “Sabeis quem sou?” O camponês parou o seu trabalho, olhou-o e respondeu: “Tal como sabeis que sou um camponês porque visto estes trapos e lavro a terra, também sei que sois um nobre, ou mesmo um príncipe, pelas vestes que envergais, pela pureza do vosso cavalo e por terdes vagar para passeios.” Surpreendido mas não convencido, e para continuar a afastar o seu pesado aborrecimento, o príncipe retorquiu: “Achais então que é somente a aparência que nos distingue? Troquemos de roupas e de lugar e observemos como reage quem passa”. E assim fizeram. O príncipe em trapos de camponês a fingir lavrar a terra e o camponês em finas sedas montado no belo cavalo do príncipe. Cada transeunte que por ali passava desfazia-se em atenções, cortesias e reverências para com o camponês em vestes principescas e ignorava por completo o príncipe em trapos de camponês.


Pois é! Numa sociedade como a nossa, em que cada macaco deve ficar no seu galho e os nascidos lagartixa não devem chegar a jacaré, o berço em que nascemos tenderá a ser um fator determinante do nosso sucesso, e isto porque a sociedade, seguindo apenas as aparências, não avalia verdadeiramente o valor de cada um de nós nem nos dá as mesmas oportunidades. Como diz Sérgio Godinho na canção “quatro quadras soltas”: “Quando se embebeda o pobre; Dizem, olha o borrachão; Quando se emborracha o rico; Acham graça ao figurão”. É este preconceito que continua a condenar os filhos do povo a servir os nascidos em berço de ouro. Tenho rejeitado essa fatalidade no meu percurso de vida e gostaria de ver a sociedade madeirense fazer o mesmo já no próximo dia 29 de Março. Nesse dia será definida a Madeira que teremos nos próximos anos e ser-nos-á dada a oportunidade, única, para afastarmos preconceitos e continuar a mudança que se iniciou em 2013. Depois de 40 anos monocolores, dominados por uma elite estranha à raiz da nossa sociedade e comprometida apenas com os seus próprios interesses, devemos à Madeira e ao nosso futuro a responsabilidade de fazer esta mudança.
NOTA
Artigo de opinião do Doutor Hélder Spínola, publicado no DN-Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 17 de março de 2015

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS REGIONAIS - A FRASE



"Nos últimos dias tenho assistido a esse adversário falar de credibilidade. Credibilidade não tem quem faz uma dívida desta dimensão (quase cem milhões), não tem credibilidade quem sofre quatro programas de resgate quando era presidente da câmara, credibilidade não tem quem se alia a Jaime Ramos para conquistar o PSD e agora mantém elementos desse grupo económico nas listas de deputados” (...)  “Em matéria de credibilidade estamos conversados dr. Miguel Albuquerque" - Declaração política do candidato da "MUDANÇA", Vitor Freitas.
Ilustração: Google Imagens.

A MENTIRA SEMPRE TEVE PERNA CURTA



Não suporto a mentira política. Nem as outras, claro. Mas quando um cidadão, investido em funções que são políticas, mente à população, só tem um caminho a seguir: arrumar a secretária e apresentar o seu pedido de demissão. É assim que manda a dignidade política. Dizer que não “há, nem houve, intenção do corte do fornecimento de água aos Municípios do Funchal e de Santa Cruz” e constatar que foi exactamente ao contrário, através da leitura da cópia de um ofício, publicado na edição de hoje do DN-Madeira, numa peça do jornalista Orlando Drumond, leva-me a concluir que a grosseira mentira teve perna muito curta. O presidente do conselho de administração da ARM – Águas e Resíduos da Madeira, não tem condições políticas para liderar esta empresa. Pode ser um excelente técnico, não duvido, mas exige-se verticalidade e responsabilidade nas decisões. 
São as pessoas que assim se comportam que tornam a política um espaço desacreditado. E são estas pessoas que desejam continuar à frente dos destinos da Madeira. Chega!

segunda-feira, 16 de março de 2015

PARLAMENTO JOVEM... TEMPO PERDIDO


É tempo perdido, porque o governo, no seu conjunto, não ouve e o secretário faz ouvidos de mercador. No essencial, o Parlamento Jovem cumpriu a tradição. Cumpriu o número. Seria interessante, face aos debates e sugestões dos anos anteriores, verificar o que a secretaria da Educação tomou em consideração, no âmbito específico da Educação e, nos outros sectores, o que o governo entendeu por relevante. Na Educação foi zero!


Através do DN-Madeira, em uma peça do Jornalista Jorge de Sousa, acabo de ler que os jovens propuseram: "(...) redução do número de alunos por turma, para um máximo de 20, redução da carga horária lectiva e melhor distribuição pelos períodos da manhã e da tarde, acções de formação para os pais e encarregados de educação, maior componente prática nos currículos, recursos a novas tecnologia na sala de aula e maior componente de actividades extra-curriculares, foram algumas das muitas medidas propostas no Parlamento Jovem (...)". O secretário ouviu mas estou certo que as preocupações entraram a 100 e saíram a 200! Não vai mexer uma palha. Aliás, se não adiantou nada neste últimos quatro anos, não será agora, em tempo de de governo de gestão que irá fazer. E poderia ter feito se pegasse, no essencial do "Projecto de Decreto Legislativo Regional que aprova o Regime Jurídico do Sistema Educativo Regional" (chumbado pelo PSD em 2009), um documento proposto pelos deputados do PS-Madeira. Está lá  tudo ou quase tudo, no mínimo, um documento que constitui um excelente ponto de partida para uma escola de sucesso. 
Ilustração: DN/Madeira

sábado, 14 de março de 2015

O POVO TEM RAZÕES DE SOBRA PARA DAR LUGAR A UMA NOVA GERAÇÃO DE POLÍTICOS


Chega! É demais, 40 anos sempre com a mesma gente a governar. As mesmas atitudes, os mesmos comportamentos, os mesmos tiques e os mesmos alinhamentos. Quatro décadas depois, baralharam e tentam dar de novo, só que as cartas são as mesmas, velhas e conhecidas. De tão antigas que, pelas costas, se conhecem os reis, os valetes, as damas e os ases! Chamam a isto "renovação" quando na fila estão todos ou quase todos os que sempre apadrinharam os erros. A maioria deles viveu no silêncio, foi incapaz de cortar a eito, de dizer o que pensa, e através de simples actos de cidadania e de independência, colaborar com uma alternativa política. Os que passaram pela Assembleia, no hemiciclo, foram mansos, tolerantes, aplaudiram e engoliram em seco tudo o que o "chefe" ordenava, ao mesmo tempo que, cobardemente, ofendiam pessoas de grande dignidade. Tiveram medo da sua própria sombra. E muitos deles estão novamente na fila. Outros, por fora, perto do gamelão, pacientemente, souberam esperar pela sua hora. Foram escrevendo e publicando umas coisas, exactamente no sentido de fazer caminho aos seus mais profundos interesses, sem nunca colocarem em causa o essencial. Foram, ao mesmo tempo, independentes e dependentes. Pareciam socialistas e até democratas-cristãos, mas a hipótese de uma onda favorável fê-los venderem-se às circunstâncias. Diziam mal pelas esquinas, nas mesas de café e nas tertúlias, mas vergaram-se pondo de lado princípios e valores que diziam defender. Assunto que não é novo. Quantos ditos "esquerdistas" nos idos anos 70 (e até antes) "emendaram-se" vendendo a alma ao diabo! Chega! Basta de hipocrisias e de comportamentos que visam legitimar quem conduziu a Madeira à ruína. Directa ou indirectamente esta auto-proclamada "renovação" esteve lá, comeu o que o sistema proporcionou, curvou-se, andou entre os pingos de chuva e nunca se lhes ouviu uma posição frontal, uma denúncia face às megalomanias que estão a custar uma dupla e penosa austeridade.


Não me afasto um milímetro desse objectivo maior e esse é o de quebrar 40 anos de jardinismo e de sucessores absolutamente jardinistas, embora travestidos como convém. Estão lá todos reunidos, com algumas sensíveis quezílias na disputa dos lugares, pasme-se, mesmo antes do acto eleitoral, ávidos por um lugarzinho ou pela manutenção do lugarzinho. Tenho respeito pelas pessoas, mas não me peçam respeito político por pessoas que nunca se deram ao respeito político. Gente que esteve nas tintas para os instrumentos de planeamento, que chumbou válidas propostas dos seus opositores, na Assembleia e nas autarquias, condescendeu com os ataques miseráveis a todos aqueles que levantavam a voz da denúncia, que nunca se lhe ouviu uma posição sobre a ilegitimidade do Jornal da Madeira e que se encolheu perante a utilização dos meios públicos para fins eleitorais. Basta ler "Jardim a Grande Fraude" para se perceber a extensão do jardinismo que é muito maior que o seu criador.
Ambiciono um governo para as pessoas e não para as referidas "negociatas". Esta terra existe há mais de 500 anos. Todos os insubstituíveis morreram. Há que dar lugar a uma geração de políticos que não faça do exercício da política uma profissão.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 13 de março de 2015

UMA VERGONHA CHAMADA NUNO CRATO


No âmbito do exame da Cambridge, Preliminary English Test for Schools Portugal (PET), os docentes de Inglês que, agora, em regime de obrigatoriedade, vão ter de aplicar e corrigir a prova, terão de realizar um exame da Cambridge para avaliar a sua proficiência linguística!


Tratando-se esta prova (PET) de um serviço que o MEC, entidade pública, presta a uma entidade privada (Cambridge), obrigar os professores das escolas públicas a servirem os interesses que estarão por trás de todo este processo já é, para a FENPROF, algo inaceitável. Porém, obriga-los, não só a prestarem serviço àquela empresa, como a submeterem-se a exames que a mesma impõe é absolutamente inadmissível e constitui um autêntico abuso. Não se pode aceitar que o MEC submeta professores, devidamente habilitados a exercerem a sua atividade nas escolas que tutela, a esta nova “PACC” supervisionada pela Cambridge. Esta é uma situação que a FENPROF reputa de totalmente inadmissível, abusiva e lesiva dos profissionais de Inglês, devidamente credenciados pelo ensino superior para lecionarem a disciplina.
Já não bastava estes docentes serem obrigados a realizar todo o trabalho suplementar e gratuito que esta prova obriga, em cima dos seus horários de trabalho já tão sobrecarregados… Vem agora o Ministério da Educação e o IAVE impor uma nova tutela aos professores de Inglês: a Cambridge English Language Assessment! É este departamento da Cambridge que decide quem pode aplicar e corrigir o exame de Inglês nas escolas portuguesas! Não tarda será ele que decidirá quem pode ou não dar aulas de Inglês em Portugal! 
A FENPROF reitera o que já antes afirmou: estamos perante um intolerável abuso de poder por parte da administração, de uma enorme falta de respeito pelos professores e pelas escolas, mas igualmente pelas instituições de ensino superior portuguesas.
A FENPROF tudo fará para pôr cobro a mais este desvario do MEC e de Nuno Crato e apela aos professores, às Associações de Professores de Inglês e às instituições de ensino superior que tomem posição contra tão ultrajante e vergonhosa situação. Os gabinetes jurídicos dos Sindicatos de Professores que integram a FENPROF estão a apoiar os seus associados que pretendem reclamar contra este abuso, podendo, inclusivamente, levar o caso à barra dos tribunais. Entretanto, esta nova peça será enviada à Procuradoria-Geral da República para que a integre no processo que, a este propósito aí decorre desde o ano passado, quando a FENPROF apresentou queixa contra o MEC.
O Secretariado Nacional da Fenprof

SINDICATO DE PROFESSORES DA MADEIRA: 37 ANOS DE LUTA PELA DIGNIFICAÇÃO DO ENSINO


Ontem, ao final da tarde, o SPM comemorou 37 anos de luta pela dignificação da classe docente. Na oportunidade foram distinguidos com a insígnia de prata os associados com 25 anos de vinculação sindical. Parabéns.


Clique na foto para ampliá-la.

quinta-feira, 12 de março de 2015

UM PRESIDENTE DA REPÚBLICA QUE MANDA PALPITES. INCISIVO DEPOIMENTO DO CONSTITUCIONALISTA REIS NOVAIS.

A INVENTONA ALBUQUERQUE


"Ontem a Madeira acordou feliz porque o IV regime do CINM tinha sido aprovado e com ele uma nova esperança para a economia da RAM emergia. Foi por pouco tempo. Logo na primeira conferência de imprensa, a entidade privada que gere o CINM, através do, mais que óbvio, Francisco Costa, surgiu sentado ao lado de Ventura Garcês (para quem se esqueceu, foi o Secretário Regional do PSD-M que ajudou a esconder 2000 facturas num montante extraordinário de 1200 milhões de euros) para centrar o discurso num emaranhado de propaganda política para angariar votos para o dia 29 de Março. Pergunta-se. Se a ideia era uma conferência de propaganda, o que fazia por lá num tom que tem tanto de sorumbático como de aproveitamento, Francisco Costa. Eu explico.


Na ausência de comunicados pagos para inventar bodes expiatórios, perante o fracasso da sua gestão, como muito bem tem lembrado o deputado do PSD-M Miguel de Sousa, o representante de um dos maiores grupos empresariais da RAM, mas ao mesmo tempo, beneficiário directo na matéria, faz o seu caminho para impedir a natural e necessária regionalização da SDM. Como se diz por aí, faz pela vida. Mas connosco não! Defendemos que é preciso libertar a Madeira do interesse privado que tem condicionado o CINM, enquanto poderoso instrumento de criação de emprego e diversificação da economia. Esta medida que defendemos é, ao mesmo tempo, higiénica, porque assegura que a orientação da política fiscal fica nas mãos da Região, como devia ter sido, mas também de salvaguarda, porque evita futuros erros de irresponsabilidade graves, como a leviandade que retirou mais de 1000 milhões de euros à Madeira, pela insensatez de ignorar os efeitos da Zona Franca no PIB da RAM.
Mas como uma má noticia nunca vem só, a cereja em cima de um bolo completamente escangalhado, chegou no inicio da tarde de ontem. O candidato do PSD-M a presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, a propósito deste tema e na ânsia de cavalgar os resultados do CINM, optou por mentir aos madeirenses.
Inventou uma história da carochinha, de uma hipotética negociação com Bruxelas, dura e longa, numa fantasia interminável. Mais acrescentou que, se não fosse o apoio do seu fiel amigo e homem de confiança Passos Coelho, os resultados não teriam sido tão bons (como efectivamente foram, sublinho eu!). Foi Sol de pouca dura este ensaio de propaganda primário. Umas horitas depois, o porta voz da Comissão Europeia, desmente Albuquerque, Passos, José Manuel Rodrigues, Paulo Núncio e por aí fora, num cortejo deprimente de mentirosos oportunistas. Afinal, a Comissão não aprovou nada, porque na sequência de uma alteração legislativa (ao Regulamento Geral de Isenção por Categoria) ocorrida em Junho de 2014, no quadro europeu, a Comissão não tinha de aprovar. Ora, se não tinha de aprovar, se era uma decisão do país, resta uma certeza e uma pergunta. A certeza é, que não existiram negociações porque nada foi aprovado; a pergunta é, porque razão o Governo do PSD e CDS levou 8 meses a decidir por esta importante solução, que esteve disponível a partir de Junho do ano passado, permitindo que o CINM fosse seriamente prejudicado, optando por fingir negociações com Bruxelas?
Termino lembrando que os madeirenses estão fartos de mentiras e este comportamento que alguns políticos insistem em manter, é o caminho para onde não devíamos voltar".
NOTA
Artigo de opinião, da autoria do Deputado Carlos Pereira (PS), publicado na edição de hoje do DN-Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 11 de março de 2015

JARDIM AGRADECE AJUDA DO BISPO DO FUNCHAL


O ainda presidente do governo regional da Madeira agradeceu, hoje, a ajuda do Senhor Bispo da Diocese do Funchal. Ajuda! Qual ajuda, perguntar-se-á?


É evidente que se percebe o significado da palavra "ajuda". No dia 05 de Maio de 2008 (aqui) escrevi um texto elogioso para com D. António. Aconteceu cerca de um ano após a sua nomeação para liderar a Diocese do Funchal. O texto referia-se a uma homília na Paróquia da Nazaré onde, relativamente à marginalidade jovem, disse que se encontrava "confuso". Nesse texto, depois de uma série de considerações, sublinhei: "(...) D. António Carrilho é evidente que não está confuso. Ele conhece os números do Rendimento Social de Inserção, o número de pensionistas, o número de famílias desestruturadas, o número de jovens licenciados sem emprego, o número de idosos que aguarda um lar ou que está na situação de altas problemáticas, ele sabe o que as paróquias fazem para matar a fome de crianças e adultos e, de resto, o que todas as instituições directa ou indirectamente ligadas à Igreja fazem para esbater as carências sentidas. Eu sei e muitos madeirenses sabem que o hino fala de paz e pão mas que é aqui onde existem as maiores desigualdades, onde a riqueza produzida é distribuída de forma escandalosamente desigual. D. António Carrilho sabe que se vive numa Região onde há mais direitos do que justiça, por isso, toda a comunidade, julgo eu, espera do seu múnus pastoral uma atitude inteligente e firme no combate à sociedade que estamos a construir que só pode gerar "desorientação", "caminhos de marginalidade" e "jovens que vivem mergulhados na droga e na criminalidade".
A 30 de Março de 2013, depois de cinco anos à frente da Diocese, deixei aqui uma outra opinião:
"Não basta dizer que "perante as imagens de sofrimento, o discípulo de Cristo não pode ficar insensível ou indiferente. É necessário, pois, cultivar um coração compassivo, sensível à dos que sofrem". Pois, Senhor Bispo, esse sentimento é o que milhares têm e defendem, mas que resolve? Resolverá alguma coisa? Ora, o Bispo sabe, ora se sabe, que isto não vai com "compaixão", com um sentimento de pesar que nos causam os males alheios, isto vai com atitudes certas de quem tem o poder político nas mãos. Resolve-se com posições firmes, consistentes, humanistas e de respeito pelas prioridades. Porque o meu coração "não é insensível em face dos problemas dos outros" é que escrevo e tento denunciar a pouca-vergonha. Mas eu não tenho púlpito, eu não tenho a chefia da Diocese, eu não possuo a força de uma rede hierárquica capaz de colocar em sentido os responsáveis pelos dramas humanos. E o Senhor Bispo do Funchal, que não deve ser partidário, tem o dever de "(...) ajudar as pessoas a perceberem que elas podem fazer mais do que acham que podem", todavia no sentido da luta pela sua dignidade e não no sentido que deduzi das palavras ditas. Senhor Bispo, com toda a sinceridade, mude o seu discurso, claramente, por omissão, mais partidário do que assente na Palavra de Cristo. Enfrente a realidade e seja VERDADEIRO. É a única coisa que lhe peço, enquanto cristão".
Ora bem, Alberto João Jardim, foi, afinal, agradecer o quê? O silêncio? O facto do Bispo não ser incómodo? Porque a Diocese está armadilhada e controlada pelos subsídios? Isto, enquanto cresce a pobreza e a desigualdade? Fico por aqui. Simplesmente porque a Palavra e o Exemplo de Cristo merecem uma outra resposta.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 10 de março de 2015

O PRESIDENTE CAVACO SILVA "É UMA ESPÉCIE DE GÉNIO DA BANALIDADE" - JOSÉ SARAMAGO


Dão um livro as histórias, as gafes, as omissões e as posições partidárias do actual Presidente da República, posições essas que não abonam o distanciamento exigido a um presidente que deveria ser de todos os portugueses. Hoje estamos a pagar os seus dez anos de Primeiro-Ministro com maioria absoluta, período que deveria ter sido crucial para o desenvolvimento do país. Os 31 diapositivos que podem aqui ser seguidos demonstram as suas responsabilidades políticas ao longo da história recente. José Saramago considerou-o, politicamente, um "génio da banalidade". 


Do meu ponto de vista, seguramente, é! Mas, pior que isso, é a sua clara ausência de independência nos assuntos correntes do Estado. Por exemplo, entre as mais recentes, reduzir as dívidas de Passos Coelho a "lutas político-partidárias", recusar a ideia de que emigração é sempre "uma perda irreversível para o país", condecorar um autarca cujas contas foram chumbadas pelo Tribunal de Contas durante alguns anos, assumir que não considerou o BES um banco seguro o que levou muitos portugueses à ruína e, finalmente, posicionar-se sobre a escolha que os portugueses farão em 2016, relativamente ao seu sucessor, ao sublinhar a necessidade de experiência na política externa imprescindível a um chefe de Estado, denuncia que não está à altura da função de mais alto magistrado da Nação. Mas é o que temos... um homem "que nunca se engana e raramente tem dúvidas" - disse. 

segunda-feira, 9 de março de 2015

CAVACO SILVA: MEIO MILHÃO DE EUROS PARA AS SUAS FUTURAS INSTALAÇÕES!


O assunto que abordo não constitui notícia. Há muito que se sabe que vão ser gastos quase meio milhão de euros na adaptação de um gabinete de "trabalho" quando Cavaco Silva deixar a Presidência da República. Entendo que qualquer presidente, após o seu desempenho, excelente, medíocre ou péssimo, deve manter uma certa dignidade no quadro do Estado. Mas há limites que não devem ser ultrapassados. No caso português, cujo povo tem sido espoliado com o beneplácito de Sua Excelência, um país endividado até à medula, um país de pobreza crescente, com fome e de emigração forçada, parece-me óbvio que roça o escândalo gastar quase meio milhão de euros nas instalações de um cidadão que, ainda por cima, não só não deixa saudades à maioria dos portugueses, mas também, de quem se questionará, se não fez enquanto presidente, o que fará pelo povo enquanto ex-presidente? 
De um palácio cor-de-rosa passará para um convento cor-de-rosa. Do Palácio de Belém irá para uma parte de um Convento Dominicano em Alcântara. Por estas e por muitas outras os cidadãos têm razões de sobra para olharem para alguns políticos com crescente desconfiança. Lamento.

domingo, 8 de março de 2015

UM GOVERNO DE GESTÃO COM "GATO ESCONDIDO COM O RABO DE FORA"


Divulga a edição de hoje do DN-Madeira, em uma peça do Jornalista Élvio Passos, que o "SESARAM, Serviço Regional de Saúde da Região, quer "oferecer" unidade hospitalar". Lê-se que estão "a preparar o caminho para que a Unidade de Medicina Nuclear do Hospital Dr. Nélio Mendonça seja entregue a privados". Coexistem aqui uma série de questões que devem ser, no plano político, colocadas e respondidas. Desde logo a Região está a sete meses de eleições legislativas antecipadas, encontrando-se este governo em gestão. Perguntas face às quais os eleitores devem ser esclarecidos: o que se esconde por detrás desta medida? Qual o posicionamento do candidato do PSD sobre esta matéria? Está, politicamente, envolvido? 


Qual a "verdade" substantiva desta opção? Como justifica o governo os investimentos e protocolos realizados face à alteração do paradigma de funcionamento? Em função da capacidade instalada na Região, de natureza privada, significará aquela opção que se preparam para recuar em todas as áreas que, permitam-me o termo, "rebentaram" com a resposta de qualidade e o conhecimento técnico e científico existente na Região? E se assim é, no plano político, quem são os responsáveis?
Sempre defendi que o serviço público ao direito à Saúde não está no sítio onde é prestado, mas na existência de resposta às necessidades da população. Neste pressuposto, ao governo deve competir a regulação a preços vantajosos para o Orçamento Regional. Parece-me óbvio. O que não é aceitável é inaugurar com pompa e circunstância, propagandear as vantagens da centralização, matar empresas, gerar desemprego especializado e, agora, depois do sector público tomar uma opção política, fazer uma nova opção estratégica. Isto é, depois de tudo "prontinho" recuar e entregar tais serviços a uma empresa. Politicamente, tudo isto não pode ser escondido. Tem de ter uma resposta convincente e transparente, porque os eleitores devem ser esclarecidos de todas as eventuais manobras e interesses.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 7 de março de 2015

CRIANÇAS QUE CHORAM


A mãe teve de faltar ao trabalho para apoiar o filho que frequenta o 2º ano do 1º ciclo. Motivo: a proximidade de "fichas de avaliação". Sublinho: "fichas de avaliação". Consequência para a criança: sintomas de dores de cabeça, vómitos e ansiedade. Paralelamente, medo, cansaço e desmotivação. Porquê? A professora briga, briga muito. Um dia a mãe foi chamada à escola para lhe dizerem que o filho não sabia desenhar bem (tinha seis anos e frequentava o 1º ano). A mãe terá perguntado o tipo de desenho. "Olhe, por exemplo, não sabe desenhar um leão". A mãe respondeu: "eu também não sei, qual é o problema de desenhar um leão "mal feito"? A interlocutora terá ficado aborrecida com a resposta. Segundo li, a criança já  dispõe de um professor, aos sábados, para ajudar no processo de aprendizagem.


Esta narração preocupa-me, independentemente de um conhecimento concreto de quaisquer outras variáveis. Podia tratar-se de uma criança do 3º, 4º, 5º ou 6º ano que a minha análise seria a mesma. Desde logo, pela existência de "fichas de avaliação". Para que servem? Em que justificação científica e pedagógica assenta a sua realização? A meritocracia? E quem as determina já pensou, por exemplo, que esse dito "princípio" traz no seu bojo a exclusão? E quem as determina já se interrogou que se torna um paradoxo, nas idades destinadas às perguntas, andar para aí a exigir as respostas que estão no manual? E quem as determina já equacionou em que pressupostos se gera o conhecimento, bem como outros formatos de avaliação, não no sentido quantitativo e qualitativo, mas de busca dos sinais que podem estar na origem de algum desajustamento? E quem as determina, por instantes, interrogou-se que a Educação não é um fatinho, de tamanho único, que deve servir a todos, independentemente dos seus percursos? Essas "fichas de avaliação", afinal, destinam-se aos alunos ou à própria avaliação dos professores? E os professores já se interrogaram que não podem ser uma espécie de "Maria vai com as outras", pelo que não devem ter coluna de plasticina e, portanto, que é seu mister criar ambientes que propiciem aprendizagens significativas? Depois, a Escola Básica serve para quê? Para criar um alicerce consistente sobre o qual edificamos os pilares do conhecimento poderoso, ou a Escola Básica é uma corrida impregnada de um certo darwinismo onde sobrevivem os que apenas têm bom estatuto económico e cultural? Leio em Sérgio Niza (Escritos sobre Educação, pág. 396): "(...) Diferenciação é a identificação e a resposta a um leque diverso de capacidades de uma turma, de forma a que os alunos, numa determinada aula, não necessitem de estudar as mesmas coisas ao mesmo ritmo e sempre da mesma forma".
O problema de tudo isto, gerador de sofrimento, é que a Madeira tem um secretário da Educação (para não falar de vários que o precederam) do qual não se lhe conhece uma única ideia para o sistema educativo. Anda com a historieta da "Carta da Convivialidade" (ao fim de doze anos de projecto há cada vez mais indisciplina e focos de violência) e com a ilusória "Capacitação de Alunos" (destinada à recuperação de alunos dos 5º e 6º anos). Trata-se de actuações claramente a jusante dos problemas. Por um lado, porque a detecção de desconformidades na aprendizagem deve ocorrer logo no pré-escolar e não aos 11/12 anos, o que exige, também, um trabalho concertado ao nível das políticas de família; e quanto à questão da convivialidade que essa só se resolve com uma organização diferente do sistema educativo e uma grande autonomia dos estabelecimentos de educação e de ensino. O secretário não entende que, ao contrário da dispensa de professores, sairia mais barato ao sistema e ao orçamento regional, a sua integração em uma perspectiva de intervenção pedagógica precoce do que, à posteriori, confrontar-se com o insucesso e o abandono da Escola. Isso está estudado por tantos investigadores e até existe um notável trabalho, de base científica e económica, do Prémio Nobel da Economia (2000) James Heckman. Ele estudou e quantificou os efeitos multiplicadores futuros de cada euro investido nas primeiras idades. Não há melhor aplicação do que canalizar o dinheiro para a formação dos jovens nos primeiros anos de vida. “Insisto nisso porque são os países que já estão nesse caminho, justamente os que se tornam mais competitivos e despontaram na economia mundial”, salienta o Nobel. Pergunto: o secretário da Educação desconhece esse estudo, entre muitos outros?
Em um quadro destes, sumariamente descrito, o professor acaba por ser uma vítima do processo. De regresso ao início, à situação que deu o mote a este texto, escrito ao correr do pensamento, uns adaptam-se enquanto outros acabam por denunciar comportamentos impróprios e impensados que marcam, negativamente, os alunos. O professor, hoje, é, genericamente, uma pessoa só, envolvida numa complexidade burocrática. Ele é uma peça de uma engrenagem que o empurra não no sentido do acto de educar e de despoletar a curiosidade com amor, mas de cumprir as tarefas que enquadram a sua própria sobrevivência profissional. Daí não estranhar a longa lista de professores seguidos no plano da Psiquiatria e não estranhar, por isso mesmo, os comportamentos consequentes. De qualquer forma, pensemos antes de cometer o erro! A criança é a mais indefesa de todo o processo e os pais sofrem tanto quanto elas.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 6 de março de 2015

PARCEIRO SOCIAL OU PARCEIRO PARTIDÁRIO?


Todos sabem que não há almoços grátis. O que gostaria de perceber é o que leva um presidente do sindicato da Função Pública, Dr. Ricardo Gouveia, aceitar um almoço na Quinta Vigia para exprimir, segundo o DN-Madeira, "o sentimento de gratidão de toda a população (de toda a população?) por aquilo que foi a governação do presidente do Governo, no cargo desde 1978 e agora de saída. Ricardo Gouveia foi ainda mais longe revelando que o Sindicato considera Alberto João Jardim "uma das principais figuras, se não a principal figura depois da época dos Descobrimentos por aquilo que fez". Espantoso! Quando um sindicato assume uma posição destas parece-me óbvio que deixou de ser um parceiro social para tornar-se num parceiro partidário. 


A curiosidade levou-me a abrir o sítio da Internet do respectivo sindicato. Leio: "Os trabalhadores não são culpados da crise. Já pagámos mais do que devíamos. Basta de ataques ao salário e trabalho" e "Contra a austeridade cega e destruidora do trabalho". Em que ficamos? Não será a Região da Madeira AUTÓNOMA e responsável pelo desastre que é a sua economia? Responsável pelos altíssimos níveis de desemprego, pelas carreiras congeladas, pela supressão do subsídio de insularidade, pelo vergonhoso formato da avaliação de desempenho? Responsável pelo PAEF? Para que serve a Assembleia Legislativa da Madeira? Apenas para adaptar e mal a legislação nacional? Conhecerá o sindicato o descontentamento entre professores, médicos, enfermeiros, funcionários da Justiça e trabalhadores em geral que servem a função pública?
Os elementos de cada sindicato podem ter as opções partidárias que quiserem e entenderem, mas isso não deve implicar com a "independência em relação às entidades patronais, Estado, partidos políticos ou quaisquer organizações de natureza política, partidária ou religiosa", tal como é referido nos princípios orientadores constantes no texto de apresentação da página no referido sítio da internet. Em que ficamos? Que pensarão os associados? É que não basta ser sério... têm de parecer! E por aqui fico.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 5 de março de 2015

TODOS SÃO IGUAIS MAS HÁ UNS MAIS IGUAIS QUE OUTROS


Quantos já tiveram de pagar multas ou coimas por um ligeiro atraso nas obrigações fiscais? Coimas que, muitas vezes, não são suaves! Ora, segundo escutei, o cidadão Pedro Passos Coelho foi reincidente durante alguns anos. Obviamente que não pode argumentar desconhecimento da lei, até porque sempre teve responsabilidades políticas. E não devia ter atacado quem atacou, ainda por cima quando se encontra em prisão preventiva. Teve resposta imediata: "Sócrates acusa Passos de “acto desprezível” que o deixa “perto da miséria moral”. 


Para que conste: em Outubro de 2006, na Suécia, a ministra da Cultura demitiu-se no meio de grande polémica: Cecilia Stego Chilo não tinha pago durante 16 anos a taxa sobre a licença de televisão (2.861 euros, em valores desse ano), nem feito as contribuições sociais para a sua empregada doméstica. No momento da demissão, a ministra afirmou que a falha em cumprir estas obrigações "não era aceitável". Perante este quadro, no plano político, o mínimo que se esperava do cidadão Pedro Passos Coelho era um pedido de desculpa aos portugueses (massacrados) e não o de sublinhar que não era “um cidadão perfeito” pois “muitas vezes me atrasei nos prazos ou entreguei as coisas apenas na altura em que o Estado me exigiu”. E os outros?