quarta-feira, 7 de setembro de 2016

COMO É POSSÍVEL "ESTAR NO PELOTÃO DA FRENTE"?


Trata-se de declarações que nos devem obrigar, com serenidade e determinação, que o tema da saída de Portugal da zona Euro seja colocada na ordem do dia. Oiço que seria dramático e leio que constitui uma opção determinante para o futuro de Portugal. Torna-se necessário que o debate se faça, que se coloquem nos pratos da balança as vantagens e desvantagens. Não sou economista muito menos Nobel, mas se várias personalidades apontam para o caminho da saída, pois então que se esclareça de uma vez por todas e de uma forma prospectiva. A indefinição em que andamos e a permanente angústia de vermos um amanhã que não chega, tem de ser, sem receios, devidamente equacionadas. Até porque há evidências que a Europa não quer mudar as suas políticas. Uma das minhas últimas leituras sobre o assunto foi no jornal Público: "O Nobel da Economia Joseph Stiglitz defendeu, em entrevista à Antena 1, a divulgar esta segunda-feira (anteontem), que o melhor caminho para Portugal será sair do euro, já que se permanecer na moeda única irá ter dificuldades no futuro. "Acho que a Europa, como um todo, devia começar a pensar num divórcio amigável com alguns países, para estes pensarem em formas para lidar com a saída. Não será um processo imune a dificuldades (...). Custa mais a Portugal ficar do que sair do euro", disse o economista.




Segundo Joseph Stiglitz, caso Portugal permaneça na moeda única "está condenado", salientando que a Europa "não tem, nem vai ter condições políticas para fazer as mudanças necessárias" e, como tal, aconselha os portugueses a sair do euro. "Acho que cada vez é mais claro que ficar é mais custoso do que sair", referiu, lembrando que a ideia de ficar tem sido defendida "com base na esperança de que haverá uma posição mais suave na Alemanha".
No entanto, Stiglitz clarificou que as políticas de austeridade prescritas pelos alemães "vão continuar mesmo que a teoria económica e até o Fundo Monetário Internacional (FMI) demonstrem, claramente, que a austeridade nunca irá funcionar" O economista lembrou que a saída do euro daria a Portugal condições para "crescer, criar emprego e um processo de restruturação da dívida", sublinhando que, "apesar de ser duro", uma vez a "dívida estruturada, a moeda cresceria".
Joseph Stiglitz, professor na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, foi distinguido com o Nobel da Economia em 2001."
NOTA
Jornal Público, edição de 05 de Novembro de 2016

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