terça-feira, 10 de janeiro de 2012

UMA CONFISSÃO QUE DEVERIA SER MOTIVO PARA IMEDIATA DEMISSÃO


Ficou claro que o governo deve às farmácias porque inverteu, deliberadamente, o leque das prioridades da governação. E, depois, vem com aquela lengalenga que a culpa é do Ministro das Finanças, que não adiantou o dinheirinho do IRS e do IVA, blá blá, blá blá, quando, mesmo com o adiantamento, o problema da dívida e de muitas outras dívidas amontoadas, obviamente, que seriam sensíveis em Fevereiro, Março ou Abril. O problema é de fundo, o problema não é de um qualquer adiantamento, tipo penso rápido, o problema tem uma profundidade e uma gravidade que não se resolve empurrando-o com a gorda barriga do governo.

Eu penso que melhor seria que não tivessem falado. Melhor seria que tentassem resolver os assuntos, desmultiplicando-se em contactos, do que virem para uma conferência de imprensa com subterfúgios e lengalengas esfarrapadas. O secretário das finanças da Madeira ao assumir que a Região precisa de dinheiro como de "pão para a boca", não pode dizer que a crónica dívida, neste momento, de 77 milhões de euros à Associação Nacional de Farmácias, fica a se dever ao facto de, durante muitos anos ter havido outras prioridades, nomeadamente, as das obras públicas. Uma declaração destas deveria ser motivo para que o povo, digo o povo, o demitisse imediatamente. Então, a estrada, a piscina, o pavilhão, o centro cívico, a marina do Lugar de Baixo, enfim, esse largo conjunto de obras públicas, algumas megalómanas, obras do regime, foram prioritárias relativamente à SAÚDE? Não, essa é demais. Apesar de ser uma verdade pública e notória, por decoro, por respeito à Constituição da República, por respeito a esse vasto leque de pessoas pobres e dependentes, o Senhor Secretário Regional das Finanças, com esta confissão, deveria arrumar a secretária e apresentar o seu pedido de demissão.
Ficou claro que o governo deve às farmácias porque inverteu, deliberadamente, o leque das prioridades da governação. E, depois, vem com aquela lengalenga que a culpa é do Ministro das Finanças, que não adiantou o dinheirinho do IRS e do IVA, blá blá, blá blá, quando, mesmo com o adiantamento, o problema da dívida e de muitas outras dívidas amontoadas, obviamente, que seriam sensíveis em Fevereiro, Março ou Abril. O problema é de fundo, o problema não é de um qualquer adiantamento, tipo penso rápido, o problema tem uma profundidade e uma gravidade que não se resolve empurrando-o com a gorda barriga do governo. O problema não se resolverá no dia 16 ou em outro qualquer dia de assinatura do acordo com a República. Nesse dia não sairá do Tejo um contentor cheio de dinheiro para estancar o problema da Região. Desengane-se quem assim pensa. A assinatura do acordo apenas constituirá um momento de clarificação nas relações financeiras, nunca uma solução imediata para os graves problemas face aos quais a Região está envolvida. Os constrangimentos continuarão, a aflição dos empregadores não será esbatida, a pobreza não desaparecerá, as escolas não verão as suas dívidas saldadas, os seis milhões de euros de dívidas aos professores não serão liquidados, os muitos milhões das obras feitas e não pagas não serão pagos, na empresa Horários do Funchal não entrarão os onze milhões que o governo deve, as piscinas não começarão a funcionar porque o gás está pago, enfim, por aí fora, essa extensa e quase infindável lista de dívidas. Ora, desengane-se, repito, quem assim pensa, porque o problema é grave e, por isso mesmo, as dificuldades vão continuar a agravar-se, simplesmente porque os montantes em dívida estão fora das possibilidades das receitas da Região.
Ora, perante um quadro de desastre, única e exclusivamente da responsabilidade de quem governou a Região durante trinta e cinco anos, pasmo como é que a população se mantém tão amorfa que permita que uns governantes, cegos pelo poder, continuem a negar a realidade e a jogar para outros responsabilidades que são próprias. Aquela conferência de imprensa foi patética e ofensiva para milhares de madeirenses e porto-santenses que não têm meios para pagar os medicamentos dos quais dependem. E o secretário dos assuntos sociais saberá o que está a dizer quando aponta como solução, neste momento, a unidose? Quem atribui, quem controla, quem fiscaliza e quem se responsabiliza? Isto é de loucos! Continuo a pensar que isto não acaba bem.
Ilustração: Google Imagens.

6 comentários:

António Trancoso disse...

Caro André Escórcio
É claro que isto não pode acabar bem! Porém,não seria de admirar,que a SEITA de malfeitores, que se apropriou,em benefício próprio, dos destinos da Região,não venha a remeter-se ao papel de "virgem ofendida",incapaz de reconhecer a obscenidade provocatória dos seus ilusórios e falsos comportamentos!
E,no entretanto,que faz, o Presidente de "Todos os Portugueses",para suster a continuação do CANCRO político que corrói o tecido sócio-económico desta Região Portuguesa!?!
Estará à espera que a paz social se encontre,irremediavelmente,
comprometida, para se libertar da sua atávica,banal,bacoca e indecisa postura!?!

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
É verdade, ainda hoje, no facebook escrevi:
"Perante tudo o que se está a passar, perante o silêncio do Presidente da República, perante o descalabro regional em todos os sectores e áreas da governação, seria interessante perceber, também, o silêncio ou as diligências do Senhor Representante da República para a Madeira."

Vilhão Burro disse...

Senhor Professor
O que o sr. Representante quer é que a gente seja todos amiguinhos e que andemos aos abraços e beijos com a cambada que se governou, e quer continuar a governar-se, à custa do pagode. Eu já disse que isto,mais cedo que tarde,vai acabar à foiçada,olá se vai...

Fernando Vouga disse...

Caros amigos André Escórcio e António Trancoso

Os silêncios do PR não são de estranhar vindos de um homem que se doutorou em "gestão de... silêncios"!

Quanto às dívidas às farmácias, é bom notar qoe o GR mantém a arrogância do costume. Ameaça as ditas de retaliação, fornecendo os medicamentos directamente aos utentes e assim vingar-se dos farmacêuticos.
Só faltou esclarecer um ponto: será que há por aí algum fornecedor suficientemente parvo para vender fiado ao GR?

João André Escórcio disse...

Gestão dos silêncios... que excelente metáfora

Pica-Miolos II disse...

Caros Senhores
Pouco fala...pouco diz.
Porque se se atreve a DIZER alguma coisa de jeito acerca das poucas vergonhas que por aí grassam...muito teria de explicar-se!...
Já nos tribunais,em julgamento,há quem opte pelo direito de ficar em silêncio... O tabu é um refúgio muito confortável!...