sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A MADEIRA NÃO PODE ESPERAR MAIS VINTE MESES DE PERTURBAÇÃO POLÍTICA


O sistema está podre e a laranja também. Há muito que apodreceu. Quem não vê os sinais, não é que seja cego, apenas não os quer ver. Este governo está, claramente, fora de prazo. Se antes governava mal, agora, não governa. Andam todos aos papéis. A Educação é o que se vê, o tempo passa e não se conhece uma ideia portadora de futuro; no Turismo e Transportes, diariamente, a senhora é atacada por todos os lados e apenas levanta o escudo para se proteger; na Saúde e Assuntos Sociais, bom, aí, o secretário nem existe; o do Ambiente e Recursos Naturais, coitado, dá a entender que todos os dias está mais preocupado em aparecer na comunicação social do que em trabalhar; o secretário das Finanças, se o bom senso existisse, "escondidas" que foram as facturas não reportadas, no mínimo, já não estaria em funções políticas; da vice-presidência o que dizer(?), que os milhões em dívida têm a sua assinatura, milhares de milhões esses que estão a custar os olhos da cara aos madeirenses e portosantenses. Quanto ao Presidente do Governo, basta falar com meia-dúzia de Deputados e mais algumas figuras próximas do poder para perceber o que dele pensam. Mais, ainda, e o que dele pensam na Assembleia da República e dentro do próprio partido em Lisboa. Depois, sobressaem as quezílias internas, com "paletes" de candidatos, todos com um discurso a subir de tom, ofensas a este e àquele, expulsões e posições na Assembleia Legislativa que são muito claras relativamente às profundas divergências. A Madeira não pode esperar mais vinte meses de perturbação política.


Ainda ontem, o Dr. Miguel Sousa, ex-membro do governo e vice-presidência da Assembleia (PSD), declarou a sua demarcação relativamente à última década de governação jardinista, assumindo: "uma década muito pesada, que trouxe à Madeira uma dívida extraordinariamente pesada, impossível quase de suster e para qual precisamos de políticas capazes de fazer com que a Madeira não só caminhe com viabilidade económica (...)". Declaração que levou um leitor (Sousa Martins), no DN-Madeira, na página online, a contrapor: "Se este senhor não se revê nos últimos dez anos de governação de AJJ, porque não se demite? Se este senhor não se revê nos últimos dez anos de governação de AJJ, porque votou a favor de todos os programas de governo? Se este senhor não se revê nos últimos dez anos de governação de AJJ, porque votou a favor de todos os orçamentos? Vão mas é dar banho ao cão".

Pois é, o quadro é negro e ainda faltam vinte meses para terminar este mandato. Seiscentos dias! Será que ninguém percebe que este governo não tem as mínimas condições para governar? Que a Democracia tem regras, e que embora seja desejável que os mandatos sejam cumpridos, há momentos que uma análise fina e profunda aconselha a devolver a palavra ao povo? Que relatórios o Representante da República faz ao Presidente da República sobre a autêntica e claríssima deriva política regional? Um governo que só teoricamente tem existência, uma Assembleia desrespeitada, que não funciona, que ainda ontem tinha 126 pontos na "ordem de trabalhos" e vinte e nove votos para discutir, perante este quadro, repito a pergunta, de que está à espera a hierarquia política e institucional? Deixar arrastar no tempo o penoso drama de empresários, trabalhadores, famílias inteiras, jovens e idosos? Há muito que estamos, lentamente, em queda suicidária, com responsáveis institucionais a assobiar para o lado, como se nada fosse com eles. Mas são cúmplices e, tarde ou cedo, serão, obviamente, visados.
Do meu ponto de vista, permitir que aconteça mais um ano e meio de perturbação, apenas significa que os dramas políticos, económicos, financeiros, sociais e culturais continuem a agravar-se e que as soluções sejam adiadas. Julgo que, das duas, uma: ou o governo demite-se ou deve ser demitido. Não existe, nesta posição, qualquer golpe ou atentado à democracia. O que se exige é clarividência face a um poder que está completamente esgotado, que não tem soluções, está à deriva e que, urgentemente, precisa de ser colocado em auscultação popular. Para além do mais, por detrás, estão trinta e oito anos ininterruptos de políticas que conduziram à falência da Região. Não se trata de um governo (embora legítimo) que tomou a responsabilidade governativa há um ou dois mandatos. Existe um passado, existe uma história e existe um presente de conflito que se está a repercutir na população. Por isso, defendo a demissão e eleições em Outubro próximo. Por menos, Santana Lopes foi à vida e Alberto João Jardim demitiu-se em 2007. Lembram-se?
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

TRIBUNAL DE CONTAS


Entendo que perante este quadro só há uma solução: os deputados pararem o trabalho parlamentar, desde os plenários às comissões especializadas (por falta de quórum), como forma de chamarem à atenção dos Órgãos de Soberania. Isto já não vai com conversa, vai pela acção que venha, rapidamente, clarificar quem fiscaliza o quê e quem, se existe ou não sobreposição de competências e quais as causas desta tamanha “falta de pontaria”. Não vê o Tribunal de Contas, repito, que está pôr na lama pessoas de vida política e social LIMPA? Um Procurador ou um Juiz Conselheiro, impoluto, gostaria de ver o seu nome achincalhado na praça pública?


Trata-se de uma inexplicável posição do Tribunal de Contas da Madeira. Telegraficamente: os deputados, dos vários grupos parlamentares, não desviaram dinheiro. As transferências mensais da Assembleia Legislativa da Madeira foram e são directamente remetidas aos partidos, que gerem e contabilizam de acordo com regras nacionais. Os grupos parlamentares não têm personalidade jurídica, pois são órgãos funcionais dos partidos e dependem das comissões políticas. Não existem partidos regionais, pelo que todos os recibos se encontram, em contabilidade única, nas sedes dos partidos, ao nível nacional, de acordo com o número de contribuinte nacional. Todas as contas dos partidos são verificadas pelo Tribunal Constitucional. Pergunto, afinal, o que pretende o Tribunal de Contas da Madeira? Entre os dois tribunais que se entendam! O que não é correcto é que continuem a lançar na lama, deputados que apenas recebem o seu salário e nada têm a ver com a acusação de desvio que lhes é imputada. É óbvio que todas as despesas têm de ser escalpelizadas até ao mais ínfimo pormenor, mas nunca através dos deputados. Não obstante, lamentavelmente, os deputados continuam a ser incomodados para apresentarem documentos de despesa, que não dispõem, e, por isso mesmo, ameaçados com elevadas coimas.
Entendo que perante este quadro só há uma solução: os deputados pararem o trabalho parlamentar, desde os plenários às comissões especializadas (por falta de quórum), como forma de chamarem à atenção dos Órgãos de Soberania. Isto já não vai com conversa, vai pela acção que venha, rapidamente, clarificar quem fiscaliza o quê e quem, se existe ou não sobreposição de competências e quais as causas desta tamanha “falta de pontaria”. 
Ah, o “jackpot”! Os partidos recebem quantitativos que são obscenos, por todas as razões e mais uma: as carências que por aí vão. Totalmente de acordo. Há que mudar, rapidamente, a fórmula de cálculo, mas isso nada tem a ver com a responsabilidade individual dos deputados quanto à contabilização das verbas recebidas e o dever de as justificar. Os partidos é que têm de prestar contas. Irra! Será que isto é difícil de compreender? Curiosamente, as contas de 2006 estão aprovadas pelo Tribunal Constitucional, mas, por aqui, continuam em julgamento? Afinal, quem manda nisto? Não vê o Tribunal de Contas, repito, que está pôr na lama pessoas de vida política e social LIMPA? Um Procurador ou um Juiz Conselheiro, impoluto, gostaria de ver o seu nome achincalhado na praça pública?
NOTA: 
Artigo de opinião, da minha autoria, publicado na edição de hoje do DN-Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

UMA COMISSÃO PARA A NATALIDADE


O Primeiro-Ministro anunciou, ontem, a criação de uma comissão multidisciplinar para estudar o problema da natalidade. Oiça bem, “nosso primeiro”: os portugueses sabem o que fazer para terem filhos. Não precisam que alguém lhes explique ou faça um desenho. 


O “nosso primeiro” deveria saber que esse assunto já está estudado, que existem propostas para que não se verifique a tragédia dos números apurados no ano passado, entre Janeiro e Outubro, onde se registaram mais 18.232 mortes do que nascimentos. A natalidade continua a baixar, situando-se agora em 1,36 crianças por mulher em idade fértil. A mais baixa natalidade da União Europeia.
Maria Filomena Mendes, da Associação Portuguesa de Demografia sublinhou: “O desemprego jovem, que afecta as pessoas em idade de ter filhos, a precariedade e a incerteza em relação não só ao trabalho mas também ao futuro condiciona e muito o projecto de ter filhos”. “A tónica dominante terá que ser a redistribuição do trabalho”, concorda a socióloga Margarida Mesquita, que lançou há dias o livro Parentalidade – Um contexto de Mudanças. Há estudos que mostram que, se as mulheres portuguesas pudessem ter os filhos que desejam, Portugal estaria próximo dos 2,1 filhos por mulher necessários para garantir a substituição das gerações. Aproximar a fecundidade desejada da fecundidade real implicaria, segundo Margarida Mesquita, várias medidas: “Reduzir o horário de trabalho, proporcionar maior estabilidade nos vínculos profissionais e fazer diminuir o stress que pais e mães acusam por sentirem que não têm tempo para os filhos, o que lhes causa culpa e frustração e os impede de avançar para o projecto de terem mais filhos”. Percebeu, “nosso primeiro”? É que isto não vai com menos qualquer coisa no IRS, no IVA para alguns produtos e, entre outros, com um subsídio por nascimento, quando os filhos, hoje, ficam com os pais durante muitos anos. O problema designa-se por Economia. Portanto, a situação só melhorará se o “nosso primeiro” pensar o País e não no roubo a que os portugueses estão, diariamente, sujeitos.
Ilustração: Google Imagens. 

"NINGUÉM É RESPONSABILIZADO, NINGUÉM É DEMITIDO, NINGUÉM É PRESO"


Numa edição do DIÁRIO marcada por uma entrevista à Bastonária da Ordem dos Advogados, damos conta de duas peças que podem ser confrontadas no quadro da Justiça. Por um lado, a história de um homem que furtou € 9,00 de produtos num supermercado do Funchal; por outro, o abandono de um edifício, segundo aquele matutino, "inaugurado três vezes, para onde estava projectado o Laboratório de Veterinária, em São Martinho (...) entretanto, tudo o que havia de valor foi furtado e vandalizado pelos marginais que usam o espaço, entre outras coisas, para "sala de chuto". Isto é, um sujeito, não sei se por necessidade, roubou € 9,00 e ficou a contas com a Justiça; o governo retirou dos nossos impostos muitos e muitos milhares, e nada lhe acontece! Ninguém é visado e como disse o ex-vereador da Câmara do Funchal, Engº Costa Neves, a propósito do desperdício dos dinheiros públicos, "(...) ninguém é responsabilizado, ninguém é demitido, ninguém é preso". Que interessante Justiça!


Do meu ponto de vista, ambos roubaram: um, produtos que exigem um pagamento; outro, por uma má utilização do dinheiro que é de todos e que muita falta faz em outros sectores e áreas sociais. O governo abandonou um edifício e construiu outro que, mais tarde, na edição do DIÁRIO, de 24.12.2009, veio a saber-se do reparo do Tribunal de Contas, porque "a despesa com os trabalhos a mais totalizou 300.591,10 euros, o que equivale a 6,68% do valor da adjudicação. Isto fez com que a empreitada final tivesse um custo de 4.763.040,86 euros (ou 5.464.462,14 euros com IVA, excedendo em mais de 263 mil euros, sem imposto". De facto, repito, "(...) ninguém é responsabilizado, ninguém é demitido, ninguém é preso". O desgraçado que, ilicitamente, queria apropriar-se de € 9,00, esse, como vulgarmente se diz, irá pelas "canas dentro". Cada um retire as ilacções que entender.
Finalmente, esta situação denuncia total ausência de planeamento de um infra-estrutura para responder, eficazmente, às necessidades, o que, aliás, não constitui assunto ímpar entre muitas mandadas construir por toda a Região. A lista é longa. 
Ilustração: DN-Madeira.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

RELVAS, O "LICENCIADO" EM EQUIVALÊNCIAS, REGRESSA À RIBALTA


Para mim, do ponto de vista político (e não só), o regresso à ribalta do controverso Miguel Relvas era a peça que talvez faltava para compreender muitas coisas. Os dois, Pedro Passos Coelho que o convidou e Miguel Relvas que aceitou, encontram-se no mesmo patamar de credibilidade. Julgo que não há português que se esqueça do atribulado tempo de Relvas no governo. Saiu, ou melhor, foi empurrado pela comunicação social, pela pressão pública e pelo desconforto que, certamente, o governo sentia ao ter aquela peça no seu seio. No que concerne formação académica, o "licenciado" em equivalências deixou um rasto de oportunismo que não é fácil esquecer. Mas eis que Passos Coelho que o mandou embora, agora, o reabilita. Eu só encontro uma expressão para justificar uma situação destas: pouca-vergonha. Digamos que um está para o outro, ou melhor, são faces da mesma moeda. E se assim posiciono-me é porque no exercício da política exige-se total transparência. A participação política não pode estar à mercê de favores, amizades, compromissos, cumplicidades e fidelidades antigas. E neste caso, Miguel Relvas tem uma imagem política e, por via disso, pública, que apenas ajuda a denegrir a avaliação que as pessoas infelizmente fazem dos partidos e dos políticos. Relvas deveria estar a fazer a sua travessia do deserto, deveria estar envolvido nos seus interesses profissionais e ponto final. Na política, não. Só falta regressar à governação. Ridículo.


Em Agosto de 2013 escrevi: "Obviamente que nada tenho de pessoal contra os Relvas deste nosso País. Tenho sim contra os relvas oportunistas, que nos corroem a paciência, que se movimentam nos largos corredores do oportunismo político e que edificam as suas vidas por processos menos transparentes e, politicamente, condenáveis. Os líderes e os subalternos. Esses relvas, existem muitos, chateiam-me, porque o exercício da política exige credibilidade em dose igual à do conhecimento, à seriedade, à honestidade e ao rigor no desempenho. Na política essa relva(s) deveria ser cortada tal como se faz, periodicamente, aos relvados. E quanto à erva daninha, após molhada, arrancada pela raiz para que não fique qualquer hipótese de voltar a germinar. Mas não, face a tanta porcaria acumulada, há senhores que ao contrário de a limparem, continuam a querer acumulá-la, aumentando, por aí, o cheiro nauseabundo da politiquice caseira. Relvas volta à ribalta depois de ter dado um primeiro passo, por convite, para alto comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa. Tudo isto anda, de facto, conspurcado. Que tristeza de políticos e de política!
Obviamente que o problema é do PSD e não meu. Mas sou português e não deixo de lado o dever de uma leitura sobre o que se passa e que influencia a vida de todos nós. E o que se passa é que nós estamos entregues a gente sem um pingo de bom senso, entregues a exploradores e vendidos aos bocados, sempre com aquele discurso que, amanhã, teremos o paraíso. E já lá vão três anos de penosos constrangimentos. Ontem, o discurso do Primeiro-Ministro já foi de preparação para a carga de "pancada" que vem a caminho. Depois de Maio, o mês da teórica saída da "troika" de Portugal, o caminho ainda será mais duro, porque nada ficou resolvido. O povo vai continuar sob o domínio estrangeiro e sob o domínio das correias de transmissão que, cá dentro, se encarregarão de cumprir os desígnios de outros. Entretanto, um destacado militante do PSD-Madeira, o Dr. Filipe Malheiro, assume, hoje, no DN-Madeira, que uma "corja bandalha" tomou conta do PSD-Nacional: "(...) O Governo de Pedro Passos Coelho pode vender a propaganda que quiser, mas a melhoria que eles apregoam em termos de contas públicas não chegaram ao bolso dos cidadãos, às famílias. Nós continuamos a ter miséria, pobreza e desemprego. E isto é que me repugna nestes indivíduos que estão a liderar o PSD e que lamentavelmente foram recuperar essa figura sinistra chamada Miguel Relvas, o que por si só indicia o carácter desta corja que lá está. Esta gente só é afastada do poder se o povo quiser, mas o povo é demasiadamente pacífico". Pois, até estou de acordo, mas a questão também é outra: e por aqui?
Ilustração: Google Imagens.

NO MEU TEMPO DE ESCOLA ERA AO CONTRÁRIO... PEDIA-SE: "VÉNIA CALOIRO!"



Foto DN-Madeira, com o comentário da minha responsabilidade, solicitado pelo DN e publicado na edição de ontem.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

"COMO PODE UMA ESCOLA SEMPRE IGUAL COMPETIR COM A VIDA QUE É SEMPRE DIFERENTE? O DESENCONTRO É INEVITÁVEL"


É tempo de fazer alguma coisa pelo sistema educativo. A um secretário regional pede-se mais do que "abrir e fechar a loja" todos os dias!


Já por várias vezes recorri à frase em título que, em 1970, numa aula de Psicopedagogia, escutei e registei, do meu Amigo Professor Doutor Paula Brito. Passaram-se 44 anos e o visionário Professor continua cada vez mais actual.
Hoje li, no DN-Madeira, um artigo do Dr. Marco Gomes (APEL). A páginas tantas sublinha: "(...) A escola prepara os jovens para o futuro, mas o futuro desenha-se com lacunas do passado: com escolas insuficientemente equipadas, programas desatualizados e controversos, pedagogias pouco inovadoras, professores desmotivados, más condições de trabalho, baixas remunerações, alunos desinteressados…
É deste modo que surge o paradoxo do futuro engolido pelo passado, de um passado que não facilita o acesso ao futuro, nem aos projetos de vida de quem gostaria de ter outro futuro. A escola não deve pensar o futuro como algo já feito. O futuro vai-se fazendo, preferencialmente de forma participada, com o envolvimento dos próprios alunos. Todavia, o que predomina na escola é uma cultura prescritiva de planos e matérias, de normas disciplinares, de provas estandardizadas, de práticas pedagógicas despersonalizadoras e massificadas que se inserem na filosofia da “produção em série”. 
Absolutamente de acordo. É a "Escola sempre igual a competir com a vida que é sempre diferente".
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O PSD-MADEIRA NA CÂMARA DO FUNCHAL E O LONGO CAMINHO DE APRENDIZAGEM DE SER OPOSIÇÃO


O Dr. Domingos Abreu e o Dr. Bruno Pereira (PSD-M) não têm memória curta. Eles conhecem toda a marosca montada, sabem a miséria que por aí vai escondida ou disfarçada desde o centro da cidade até por entre becos, travessas e entradas. E sabem que a fome e muitas carências são esbatidas pelas escolas, paróquias e instituições de solidariedade social espalhadas por todos os cantos. Tem sido isso que tem evitado o colapso e a revolta. E sendo assim, não são sérias as posições assumidas. Certo seria fazerem o "mea culpa" pelo abandono da Câmara e do Governo e contribuírem com propostas que fortalecessem os projectos em curso. Por exemplo, estudando e questionando alguma burocracia no sentido da simplificação dos apoios, mas sem quaisquer distorções e aproveitamentos, de tal forma que os apoios cheguem, de verdade, aos mais necessitados. Pelo que li e pelas posições assumidas, esta oposição na Câmara do Funchal, por um lado, continua a demonstrar mau perder e, por outro, que tem um longo caminho para aprender a ser oposição.


Antes nada fizeram em determinados âmbitos da solidariedade social; hoje, na ausência de argumentos, combatem com aspectos absolutamente marginais. Melhor dizendo, não assumem a discordância, antes vão pelo caminho marginal. Só que, quem está atento, percebe, facilmente, o jogo político. Ora, a Coligação "Mudança", no Funchal, prometeu ajudar os mais carenciados no pagamento dos medicamentos. Trata-se de uma acção social extremamente meritória. Já que o PSD, na Assembleia, desde sempre boicotou todas as iniciativas que visaram ir ao encontro dos pensionistas pobres, a Câmara entendeu que deveria substituir-se a essa falta de solidariedade social. E fez bem. Obviamente que esse apoio, toda a gente percebe, se destina aos que pouco ou nada têm, aos que deixam em cima do balcão das farmácias as receitas por aviar, daí que tenha de existir rigor na definição de quem efectivamente precisa. Ora, o PSD na Câmara, porque lhe faltam os tais argumentos, fala em "excesso de burocracia" e em "ineficácia". O mesmo se passa com o programa destinado a resolver problemas domésticos na casa de pessoas mais necessitadas. Dizem que o "regulamento é tão complexo, a burocracia é tão elevada", que "vai ser difícil encontrar alguém que encaixe" para poder beneficiar desse apoio. Então, pergunto, por que não fizeram durante 38 anos de maioria absoluta na Câmara? A lata e o despudor político chega a um tal ponto que o líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal assumiu que esta vereação "está dessintonizada da realidade". Mas qual realidade? A realidade que o PSD-Madeira deixou? Uma colossal dívida de mais de 93 milhões de Euros, bolsas de pobreza, bairros sociais decadentes e centenas de munícipes a viverem nas margens? Isto, para não falar do desordenamento do território que atirou para as inseguras periferias uma grande parte daqueles para quem a vida foi madrasta. 
O Dr. Domingos Abreu e o Dr. Bruno Pereira (PSD-M) não têm memória curta. Eles conhecem toda a marosca montada, sabem a miséria que por aí vai escondida ou disfarçada desde o centro da cidade até por entre becos, travessas e entradas. E sabem que a fome e muitas carências são esbatidas pelas paróquias, escolas e instituições de solidariedade social espalhadas por todos os cantos. Tem sido isso que tem evitado o colapso e a revolta. E sendo assim, não são sérias as posições assumidas. Certo seria fazerem o "mea culpa" pelo abandono da Câmara e do Governo e contribuírem com propostas que fortalecessem os projectos em curso. Por exemplo, estudando e questionando alguma burocracia no sentido da simplificação dos apoios, mas sem quaisquer distorções e aproveitamentos, de tal forma que os apoios cheguem, de verdade, aos mais necessitados. Pelo que li e pelas posições assumidas, esta oposição na Câmara do Funchal, por um lado, continua a demonstrar mau perder e, por outro, que tem um longo caminho para aprender a ser oposição.

Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A ESCOLA GONÇALVES ZARCO SUBSTITUI-SE À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA


A Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, numa organização do grupo disciplinar de História, está a promover uma iniciativa intitulada "40 anos de Abril, 40 eventos para comemorar a liberdade", anunciou a edição de anteontem do DIÁRIO. É caso para dizer que a Escola e os seus professores responderam aos eleitos do povo na Assembleia Legislativa da Madeira, com iniciativas educativas e de memória, aspecto que os deputados do PSD-Madeira querem fazer ignorar. Excelente. Sem subterfúgios, sem agachamentos, sem silêncios comprometedores, a ESCOLA, como lhe compete, avançou para a reprodução da memória, para os princípios e valores que Abril trouxe. Trata-se de uma importante iniciativa, no quadro da formação política dos alunos e até de muitos professores, nascidos depois de Abril. Muitos desconhecem e não sentiram o Estado Novo, a verdade única, a ausência de liberdade, o medo, as perseguições movidas pela Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE), depois, Direcção Geral de Segurança (DGS), não sabem porque não viveram as agruras de uma guerra colonial devastadora de vidas e de famílias, não sabem e não sentiram a tristeza da emigração, não sabem porque não viveram a pobreza e o analfabetismo, não sabem o que foi a exploração e a colonia, não sabem porque não viveram a subjugação ao Governador do Distrito da Madeira, não sabem porque não viveram sob o domínio da Junta Geral do Distrito, finalmente, não dominam a deriva pós-Abril que alguns senhores, arvorados em donos da Autonomia, fizeram desta terra conduzindo-a à falência.


Abril está por explicar aos mais novos e até aos professores recentemente formados. Está por explicar, em pormenor, a existência do ciclo dos novos colonos, aqueles que disfarçados de autonomistas não são mais do que novos colonos. Está por explicar os ideais de Abril, a pureza dos princípios e aquilo que alguns vieram a fazer, de tal forma que, subvertendo, capturaram a sociedade e viabilizaram os seus interesses. É isto e muito mais que tem de ser explicado, de forma aberta, em tons de formação política. Porque a Escola tem de ser política. A Escola não deve ser partidária. Essa formação, entre muitas outras no âmbito da cidadania, são fundamentais para gerar cidadãos livres, com opinião, seja ela qual for, mas com opinião, sobre tudo quanto os rodeia. Cidadãos que não se verguem a uma verdade quando a verdade é múltipla. Cidadãos capazes de dizer NÃO quando a campainha toca na sua consciência de pessoa livre. Mais do que muita coisa livresca que a escola tenta transmitir, muita que é apenas para debitar no dia da avaliação e para de imediato esquecer, os princípios e os valores a partir da História contada, acabam por eternizar-se e conduzir à formação de uma matriz de Homem livre e não autómato capaz de despertar para a VIDA. Parabéns pela iniciativa, por dois motivos: primeiro, porque foi a Escola onde trabalhei durante muitos anos; segundo, porque estão a dar uma bofetada de luva branca a uma Assembleia que deseja esconder ABRIL.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

PORTUGAL DILACERADO


Os nossos governantes têm-se preparado para anunciar, contentíssimos, que a crise acabou, esquecendo-se de dizer tudo o que acabou com ela. A primeira coisa foi a cultura, que é o património de um país. A segunda foi a felicidade, que está ausente dos rostos de quem anda na rua todos os dias. A terceira foi a esperança. E a quarta foi o meu pai, e outros como ele, que se recusam a ser governados por gente que fez tudo para dar cabo deste país – do país que ele, e milhões de pessoas como ele, cheias de defeitos, quiseram construir: um país melhor para os filhos e para os netos. Fracassaram nesse propósito; enganaram-se ao pensarem que podíamos mudar.
Não queremos mudar. Queremos esta miséria, admitimo-la, deixamos passar. E alguns de nós até aí estão para insultar, do conforto dos seus sofás, quem, por não ter trabalho aqui – e precisar de trabalhar para, aos 65 anos, não se transformar num fantasma ou num pedinte –, pegou nas malas e numa guitarra e se foi embora.



O escritor João Tordo, filho do músico e cantor Fernando Tordo, escreveu uma carta ao pai, de 65 anos, que anteontem emigrou. Fernando Tordo nasceu no mesmo ano que nasci. Ele faz parte das minhas memórias, das letras que cantou, da liberdade que ensaiou, do entusiasmo que derramou por um Portugal decente e de esperança. Deixo aqui essa carta, pelo que ela transmite em tantos domínios da sua análise. Comovi-me em função de um Portugal que não chega e que deixa partir milhares de pessoas com uma idade que deveria ser respeitada. 
"Ontem, o meu pai foi-se embora. Não vem e já volta; emigrou para o Recife e deixou este país, onde nasceu e onde viveu durante 65 anos.
A sua reforma seria, por cá, de duzentos e poucos euros, mais uma pequena reforma da Sociedade Portuguesa de Autores que tem servido, durante os últimos anos, para pagar o carro onde se deslocava por Lisboa e para os concertos que foi dando pelo país. Nesses concertos teve salas cheias, meio cheias e, por vezes, quase vazias; fê-lo sempre (era o seu trabalho) com um sorriso nos lábios e boa disposição, ganhando à bilheteira.
Ontem, quando me deitei, senti-me triste. E, ao mesmo tempo, senti-me feliz. Triste, porque o mais normal é que os filhos emigrem e não os pais (mas talvez Portugal tenha sido capaz, nos últimos anos, de conseguir baralhar essa tendência). Feliz, porque admiro-lhe a coragem de começar outra vez num país que quase desconhece (e onde quase o desconhecem), partindo animado pelas coisas novas que irá encontrar.
Tudo isto são coisas pessoais que não interessam a ninguém, excepto à família do senhor Tordo. Acontece que o meu pai, quer se goste ou não da música que fez, foi uma figura conhecida desde muito novo e, portanto, a sua partida, que ele se limitou a anunciar no Facebook, onde mantinha contacto regular com os amigos e admiradores, acabou por se tornar mediática. E é essa a razão pela qual escrevo: porque, quase sem o querer, li alguns dos comentários à sua partida.
Muita gente se despediu com palavras de encorajamento. Outros, contudo, mandaram-no para Cuba. Ou para a Coreia do Norte. Ou disseram que já devia ter emigrado há muito. Que só faz falta quem cá está. Chamam-lhe palavrões dos duros. Associam-no à política, de que se dissociou activamente há décadas (enquanto lá esteve contribuiu, à sua modesta maneira, com outros músicos, escritores, cineastas e artistas, para a libertação de um povo). E perguntaram o que iria fazer: limpar WC e cozinhas? Usufruir da reforma dourada? Agarrar um "tacho" proporcionado pelos "amiguinhos"? Houve até um que, com ironia insuspeita, lhe pediu que "deixasse cá a reforma". Os duzentos e tal euros. Eu entendo o desamor. Sempre o entendi; é natural, ainda mais natural quando vivemos como vivemos e onde vivemos e com as dificuldades por que passamos. O que eu não entendo é o ódio. O meu pai, que é uma pessoa cheia de defeitos como todos nós – e como todos os autores destes singelos insultos –, fez aquilo que lhe restava fazer.
Quer se queira, quer não, ele faz parte da história da música em Portugal. Sozinho, ou com Ary dos Santos, ou para algumas das vozes mais apreciadas do público de hoje – Carminho, Carlos do Carmo, Mariza, são incontáveis –, fez alguns dos temas que irão perdurar enquanto nos for permitido ouvir música.
 Pouco importa quem é o homem; isso fica reservado para a intimidade de quem o conhece. Eu conheço-o: é um tipo simpático e cheio de humor, que está bem com a vida e que, ontem, partiu com uma mala às costas e uma guitarra na mão, aos 65 anos, cansado deste país onde, mais cedo do que tarde, aqueles que o mandam para Cuba, a Coreia do Norte ou limpar WC e cozinhas encontrarão, finalmente, a terra prometida: um lugar onde nada restará senão os reality shows da televisão, as telenovelas e a vergonha.
Os nossos governantes têm-se preparado para anunciar, contentíssimos, que a crise acabou, esquecendo-se de dizer tudo o que acabou com ela. A primeira coisa foi a cultura, que é o património de um país. A segunda foi a felicidade, que está ausente dos rostos de quem anda na rua todos os dias. A terceira foi a esperança. E a quarta foi o meu pai, e outros como ele, que se recusam a ser governados por gente que fez tudo para dar cabo deste país – do país que ele, e milhões de pessoas como ele, cheias de defeitos, quiseram construir: um país melhor para os filhos e para os netos. Fracassaram nesse propósito; enganaram-se ao pensarem que podíamos mudar.
Não queremos mudar. Queremos esta miséria, admitimo-la, deixamos passar. E alguns de nós até aí estão para insultar, do conforto dos seus sofás, quem, por não ter trabalho aqui – e precisar de trabalhar para, aos 65 anos, não se transformar num fantasma ou num pedinte –, pegou nas malas e numa guitarra e se foi embora.
Ontem, ao deitar-me, imaginei-o dentro do avião, sozinho, a sonhar com o futuro; bem-disposto, com um sorriso nos lábios. Eu vou ter muitas saudades dele, mas sou suspeito. Dói-me saber que, ontem, o meu pai se foi embora".
João Tordo
Resposta de Fernando Tordo ao filho João 
(publicada na página do Facebook)
"Carta ao meu filho João. Magoaram-te. Não a mim, cinquenta anos de tudo e mais alguma coisa. Magoaram-te porque achas estranho que se diga de um tipo, que para mais conheces bem, o que algumas pessoas disseram e continuarão a dizer. Perante a tua carta que a Eugénia e o teu irmão Francisco Maria me encaminharam, o que é que fica? Tentação de devolver os insultos com o vernáculo que bem me conheces e és admirador? Não. O que fica, meu querido filho, é a tua carta. Tenho tanto que fazer, aqui. Por todos vocês. (grande fotografia que a tua irmã Joana me mandou) ela e os meus netos, aqueles sorrisos. Não entristeças, João. Temos dado o melhor de nós e isso não admite gentinha; só aceita dignidade e respeito por vidas que se dedicaram e dedicam não porque têm talento, mas sim porque têm aquele mistério revelado de poderem escrever uma carta como a tua. Beijo do teu pai Fernando".

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

UM PAÍS PARA CINCO A SEIS MILHÕES...


Dizem que os indicadores económicos estão a melhorar, mas, atenção, as reformas terão de continuar. Isto é, o empobrecimento permanecerá na ordem do dia. Paleio interno e sobretudo externo para convencer a populaça que isto está no bom caminho. Que esse percurso é, primeiro, o do sofrimento, do calvário, da pobreza, da emigração e que um dia Portugal, lá mais para diante, será o paraíso, o país do bem-estar social, do pleno emprego, dos horários decentes e compaginados com a família, do lazer e da cultura. Puro engano. Como alguém me dizia, eu pessimista(?), não, sou um optimista com muita experiência! Pois é, estão consecutivamente a enganar-nos, esse futuro, se tal viesse a acontecer, jamais será para alguns milhões dos dez que ainda aqui vivem. Com a população a envelhecer a olhos vistos, com a natalidade a descer de forma tão flagrante, com a desertificação do interior, com as vagas de emigração, com os cortes abruptos nos salários e nos direitos sociais, particularmente na educação, na saúde e na segurança social, com a venda do país aos interesses estrangeiros, interrogo-me se este não será o plano para reduzir, a prazo não muito longo, a população portuguesa para os cinco a seis milhões, tornando, na óptica deles, um país "sustentável"? 


Penso não estar longe da verdade. O plano destes senhores parece-me ser esse, tal é a pressão e a tendência feroz para cortar de qualquer maneira e feitio. Todos os dias assistimos a reportagens que demonstram o abandono dos mais idosos, as sérias dificuldades de uma larga fatia da população em idade de trabalhar e produzir, assistimos à falta de esperança na juventude, mesmo entre aqueles que ainda estão em formação universitária ou outra, à emigração forçada pelas condições internas, portanto, a questão que se coloca é se este quadro acontece por mera insensibilidade, pelas linhas ideológicas dos partidos da coligação governamental, ou se tudo isto assenta em uma estratégia não perceptível, mas que existe. Não acredito que as graves dificuldades que o povo está a enfrentar sejam apenas consequência de opções ideológicas de uma direita política insensível e obstinada que vê nos mercados a salvação! Não me parece ser apenas isso. Há mais, com certeza que sim. 
Ainda ontem acompanhei uma reportagem sobre Fernando Tordo, músico e cantor, que partiu para o Brasil, farto e cheio do que se passa em Portugal. Aos 65 anos foi embora. Depois de caracterizar o que pensa do País, com ironia, questionou-se: terei eu escolhido o dia errado para emigrar, uma vez que soubemos hoje, pela boca do primeiro-ministro, que isto está a ficar um país de enorme esperança? 
O primeiro-ministro continua a falar de uma notável recuperação da economia, do crescimento que está a acontecer, enfim, todos os dias pinta de cores garridas aquilo que só ele e o seu grupo conseguem ver, mas a verdade é que as pessoas estão exaustas, há uma desesperança permanente e só ele e os seus companheiros descobrem sucesso onde o povo não vê. Penso que está na altura de um debate sobre esta matéria. Será que o objectivo visa a diminuição da população? Isto preocupa-me.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

ESTADO DE FALÊNCIA


A segregação social e, pior do que isso, a segregação profissional é geradora de um grave desequilíbrio interior que perturba e constrange. O objectivo dessas mentes sujas e rastejantes, correias de transmissão de princípios intuídos pela força dominante, é apenas a de cortar o "mal" pela raiz ou a de gerar ou manter o medo, o pânico interior, a desestabilização emocional até ao ponto de vencerem pelo cansaço e até pela doença. Há, em tudo isto, uma mordaça invisível, uma atitude pidesca sem interrogatório, uma prisão sem grades, uma angústia interior que liquida a alegria de viver, uma morte da liberdade, lenta mas segura. Há gente que precisa de um qualquer susto para tomar consciência dos valores da vida.

A foto elucida bem a necessidade
de respeito por todos.
Da altivez do passado
seria  bom que passasse a um tempo
 de audição dos verdadeiros
problemas do Povo.
E que saia de cena, rapidamente.

Em Setembro de 2010 publiquei um artigo de opinião no DN-Madeira, subordinado ao título "Estado de Falência". Hoje, ao arquivar alguns documentos, reli-o e aqui o deixo à consideração dos visitantes que por aqui passarem. Este texto tem quatro anos, mas a história continua a ser semelhante. O político em causa não toma juízo.
"Todos, independentemente das suas opções, devem ser respeitados nos planos familiar, profissional, social e político. Só as mentes doentias, perversas, egoístas e sem confiança em si próprias, tudo fazem para esmagar, ocultar os outros, impedindo o seu êxito profissional, a credibilidade, a notoriedade e aceitação social. A obsessão pelo poder levam-nas, subtilmente, a retirar as pessoas dos seus lugares, a bloqueá-las e a passá-las para o "quarto escuro" da vida, mesmo que nada tenham a ver com os movimentos políticos. E que tivessem! A manobra "raffiné", inculta, doentia e tenebrosa, vai ao ponto de pouco se importarem com os danos colaterais. Naquelas cabeças pequeninas, ocas e prenhes de ódio, perpassa-lhes o grotesco que se consubstancia em um quadro de, cuidado, ele(a) é filho(a) de fulano, ele(a) é casado(a) com o político que não é dos nossos, ele(a) não se define, liquide-se a empresa daquele(a) que, com as suas posições, nos faz a cabeça num oito, enfim, há gente por aí, de empresários a jornalistas, ostracizada, magoada, espezinhada nos seus direitos e relegada, inclusive, no plano profissional. Com todas consequências que isso traduz de sofrimento nos planos pessoal, familiar e social. Sei o que escrevo, porque conheço como actuam. E sei o que é estar em uma qualquer cerimónia, de natureza social, e observar os olhares enviesados dos da corte, do tipo, o que é que este gajo(a) faz aqui?
A segregação social e, pior do que isso, a segregação profissional é geradora de um grave desequilíbrio interior que perturba e constrange. O objectivo dessas mentes sujas e rastejantes, correias de transmissão de princípios intuídos pela força dominante, é apenas a de cortar o "mal" pela raiz ou a de gerar ou manter o medo, o pânico interior, a desestabilização emocional até ao ponto de vencerem pelo cansaço e até pela doença. Há, em tudo isto, uma mordaça invisível, uma atitude pidesca sem interrogatório, uma prisão sem grades, uma angústia interior que liquida a alegria de viver, uma morte da liberdade, lenta mas segura.
Há gente que precisa de um qualquer susto para tomar consciência dos valores da vida. Discorro, assim, pelos contactos que mantenho, pelas narrações que me fazem, pelas cartas que me chegam, pelo conhecimento desta “meia-serra” em nome da sobrevivência política. Há situações que são, permitam-me a palavra, um nojo. E o que me repugna é ver gente jovem a apadrinhar a marosca, comportando-se com os mesmos vícios dos adultos perversos, lendo e seguindo a cartilha da difamação e da perseguição, sem um mínimo de reflexão e de atitude crítica. Repugna-me ver adultos que, penso eu, do sistema nada precisam, agitarem a bandeira de um poder que assume comportamentos lesivos da terra, lesivos do bem-estar, lesivos da felicidade a que todos têm direito. "Ilustres" cidadãos que batem no peito, mas mantêm o olhar da indiferença, a visão limitada, também matreira, julgando que o horizonte está mesmo ali e que não existe amanhã depois deles. Preferem alinhar no salve-se quem puder, no egoísmo em toda a sua dimensão, na coluna subserviente e na transformação da mentira na verdade conveniente. Pergunto: como é que há gente desta a viver em paz com a sua consciência?
A Região tem de se ver livre desta engrenagem, através da união das pessoas descomprometidas, dos democratas, dos autonomistas, dos que são portadores de princípios e valores humanistas, de todos quantos entendem que o partido constitui um mero instrumento ao serviço do desenvolvimento e não de grupos de sentimento mafioso".
Ilustração: Foto do DN-Madeira, com a devida vénia e parabéns ao fotógrafo.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

ALERTA VERMELHO NA TAXA DE DESEMPREGO


A edição de hoje do DN-Madeira inclui um quadro que é muito preocupante. A Madeira apresenta uma taxa de desemprego de longa duração que é mais alta que a média do país e da UE. Obviamente que as causas são evidentes: a opção pela não diversificação da economia, a fragilidade dos sectores produtivos, o desinvestimento na política educativa (uma coisa é a escolarização, outra a educação), baixas qualificações profissionais, elevados encargos fiscais para as empresas e, entre outras, a crise financeira, face à qual a Região Autónoma não teve possibilidades de adequada reacção.

Deste quadro resulta que, ao invés do crónico paleio e da politiquice barata, o governo regional da Madeira, desde há muitos anos, deveria ter estruturado o crescimento e o desenvolvimento em estratégias completamente distintas relativamente àquelas que, teimosamente, seguiu.
Em um espaço geográfico limitado e finito optou, fundamentalmente, pela obra física, secundarizando os factores sustentáveis da economia. O resultado não poderia ser outro.
Ilustração: DN-Madeira, edição de hoje.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

UM ENGRENAGEM MAQUIAVÉLICA PERFEITA!


Vamos sabendo das situações de vida deste e daquele, desta e daquela família. O ter vivido com alguma dignidade e ter caído no poço das desventuras. Já não falo, sequer, dos pobres e da pobreza persistente, mas dos novos pobres que olham em redor e se questionam: trabalhei como um mouro, não gastei acima das minhas possibilidades, formei os filhos, precavi-me contra os imponderáveis, afinal, onde é que eu errei? Que injustiça esta de ter de pedir, de regressar à casa dos pais, de entregar a habitação ao banco e ser um dependente? Se aos que eram pobres não lhes foram proporcionados os instrumentos necessários para saírem do círculo vicioso da pobreza, só possível através da EDUCAÇÃO e de uma acção social educativa não mitigada, aos segundos, àqueles que caíram no redemoinho do desemprego e que foram afastados para as margens, sugerem os senhores do poder e escrevinhadores de circunstância, que sejam empreendedores ou que emigrem e procurem o seu espaço. No meio disto temos os jovens, muitos bloqueados porque as limitações orçamentais impedem a continuação dos estudos, muitos outros, já licenciados, que das duas, uma: ou não conseguem emprego ou são mão-de-obra escrava a 300/400 euros por mês, recibo verde, pagamentos por conta, segurança social e todos os outros impostos. Resta-lhes sair, mas hoje, porém, questionam-se, para onde, quando se assiste a uma vaga migratória de uns países para outros, escasseando as hipóteses de trabalho? Jovens que por aí andam, com boa formação, que já experimentaram dois e até três países, sem sucesso. Não me admira, pois, embora as causas possam ser diversas, que 21 licenciados vivam sem-abrigo nas ruas de Lisboa.


Ora, quando leio e ouço a conversa do empreendedorismo fico com uma espécie de urticária. Eu que me interessei, por razões académicas, nos finais dos anos 80 e princípio da década de 90, pela área da gestão, eu que bebi o pensamento de Peter Drucker, Gary Hamel, Michael Hammer, Tom Peters, Rosabeth Moss Kanter, Michael Porter, Dom Tapscot, Warren Benis, entre outros tidos como gurus da gestão, eu que acompanhei outros pensadores em outros sectores e áreas políticas, financeiras e sociais, cruzando a informação de uns e de outros, cedo concluí que estava a ser desenhado e paulatinamente construído um mundo de enganos e de sucessivos desequilíbrios. Aos meus alunos na Universidade da Madeira chamei à atenção para as contradições, fazendo-lhes desenvolver os necessários raciocínios de contraponto. Porque uma coisa era, por exemplo e entre vários, a "Terceira Vaga", de Alvin Toffler (1980), outra as contradições, o que se escondia, adivinhava e a insustentabilidade de alguns dos novos olhares sobre o crescimento, o desenvolvimento, no essencial, relativamente ao Homem no Mundo. 
Ler, por exemplo, "A empresa do futuro chamar-se-á EU, Sa.", assumido por Tom Peters, ou "Nada mais certo no futuro que o emprego incerto", defendido por Peter Drucker, conjugadas estas duas asserções, facilmente poderíamos chegar à tal necessidade de ser empreendedor, custasse o que custasse, de criar o seu próprio espaço através da inovação e da criatividade. Pressuposto, aliás, que sempre acompanhou o Homem. Mas, da generalização de tais posicionamentos, nunca li o outro lado das sínteses que produziram: a necessidade de um bom currículo bancário, capaz de promover o sentido empreendedor e ajustado ao sentido de risco e protecção dos projectos. Em abstracto, era entusiasmante ler, confesso, "As estratégias para vencer", "Dirija o comboio do sucesso", "A anatomia do sucesso", "O elogio da crise", "Deixe os seus rivais loucos", "A psicologia das modas", "Os RH morreram,  vivam os novos RH", "Inovação ou morte", "Tempos loucos, empresas loucas", "Em busca do UAU", "O fim do emprego", "Reinventar o trabalho", "Os líderes do futuro", "A era da segmentação individual", "Uma marca chamada você", "O Mundo no ano 2020", "A competitividade da Europa", "O capital sem fronteiras", "O futuro do capitalismo", "O que vai mudar com o Euro", "As dez questões-chave da reengenharia" entre centenas de artigos que li. O problema era sintetizar os títulos e os conteúdos cruzando-os com outros dados. Hoje, de olhos postos na organização social que nos enquadra, sinto que fomos conduzidos para um beco de difícil saída. Os dados estão aí para provar. Os milionários crescem, os empreendedores fecham portas e jovens e menos jovens emigram.
Obviamente que este novo Mundo convida-nos a não ficar sentado à espera que outros resolvam os nossos problemas de enquadramento profissional e social. A questão, porém, é outra, é a de perceber a relação desequilibrada entre quem tem possibilidades financeiras para inovar, criar e empreender e todos os restantes. Ainda ontem tive conhecimento de uma licenciada em farmácia, a recibo verde, claro, que será despedida por estar a chegar ao final do contrato, pelo que se questiona: não posso abrir uma farmácia, não tenho dinheiro para comprar uma que, eventualmente, esteja à venda, já tentei a emigração, sou escrava dos horários de trabalho, que vou fazer a partir do próximo mês? Empreender em quê? Que futuro me está reservado? Tal como uma arquitecta que conheço, que já andou em vários países, que regressou, que lhe pagavam uns míseros € 300,00 e que, tal como tantos, não tem projectos? E o caso daquele jovem licenciado em Direito, agora advogado, que por existir mais oferta que procura, restam-lhe algumas oficiosas, serviços pagos tardiamente e a preço de saldo? E o professor despedido cujo mister é o ensino, que nem explicações pode oferecer, porque poucos são os que lhe podem pagar? E o pedreiro que nunca fez mais nada do que o relacionado com a construção e que a ausência de obras empurraram-no para o desemprego? Idem, para o carpinteiro, o electricista, enfim, todos os que vivem, que precisam de trabalhar, que podem até desejar criar o seu próprio espaço, mas que não o conseguem face a inúmeras situações com as quais se confrontam! 
É fácil, muito fácil, escrevinhar um livrinho, incentivar o empreendedorismo, apresentar um leque de soluções elaboradas à secretária e frente ao computador, baseado no que outros dizem e em palavras e pensamentos-chave, mas gostaria de ver tais "pensadores", com toda a sua imaginação, criatividade e sentido de risco, no actual contexto de crise, onde encerram mais empresas do que aquelas que se apresentam ao mercado, associarem a prática à teoria que vendem. Gostaria.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

VOCÊ É, POLITICAMENTE, UM PALERMA, UM RIDÍCULO, UM ESTUPOR!


O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho enalteceu aquilo que, para si, é uma vitória: "(...) Ao contrário do que acontecia no passado, estamos hoje a viver mais de acordo com as possibilidades da economia". Hoje não me contenho nas palavras digo-lhe, abertamente: você é um palerma, um político ridículo, um estupor, um malfeitor político, face ao desencanto que vai no povo e em todas as classes profissionais. Para ele não há centenas de milhar no desemprego, não há milhões na pobreza, não houve roubo nas pensões e nas reformas, não se assistiu a um corte radical e obsceno nos salários e nos direitos sociais, não existiu protecção aos poderosos e empobrecimento dos mais vulneráveis. Para ele, a dívida não cresceu e a nossa dependência não é maior! Para ele nada daquilo aconteceu apesar de, hoje, estarmos bem piores. Importante para ele são os mercados especulativos, é a alta finança, aquela corja de rosto tapado que esmifra o povo até ao tutano, o aumento dos milionários à custa de quem nunca viveu acima das suas possibilidades. Se tivesse um pingo de vergonha na cara, um momento de lucidez humanista não dizia o que disse, antes lembrava-se do chumbo ao PEC IV e de tudo quanto prometeu em campanha eleitoral. Não o suporto, nem a ele nem aos restantes deste governo. Ainda anteontem, aquele imberbe ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares, deu a conhecer os cinco critérios facilitadores do despedimento. Ouvi-o, naquele ar arregalado, falar desses critérios, ele que pouco sabe da vida (nasceu um mês depois do 25 de Abril de 1974), cujo currículo é zero, pergunto, que passado tem para vir falar de avaliação de desempenho? De uma coisa estou certo, é que se os critérios lhe fossem aplicados haveria, certamente, extinção do seu posto de trabalho. 


É este ministro que apenas é uma correia de transmissão política da dupla Passos/Portas, que tem co-responsabilidades no desemprego, no corte das pensões e no corte dos direitos sociais (solidariedade) que teve a lata de dizer, há dias, que "(...) as crianças, porque representam o futuro, têm sempre de ser um elemento central da sociedade". Pois têm, mas não através da pobreza e do corte dos direitos sociais. Paleio, lábia é o que estes ministros têm. Razão tem, pois, o General Garcia Leandro (ver entrevista aqui) quando disse que "este governo não percebe nada do que é o Estado, para que servem as Forças Armadas e as Forças de Segurança" (...) "São pessoas que têm muito pouca experiência do Estado, são muito jovens na maioria, muitos fizeram a vida nos partidos políticos e nas juventudes partidárias e de repente cai-lhes ao colo o Estado que não conhecem". E disse mais, a propósito do filme "O Padrinho", um dos seus preferidos, que existem muitos "padrinhos" por aí. De facto existem, no plano externo e no plano interno. É a esta cáfila que estamos entregues, gente que se apoderou do poder, que se organiza no plano dos interesses, que diz para fora uma coisa mas que pratica outra, que pouco ralados estão com o país real, que se estão nas tintas para que a juventude emigre, que os portugueses bolseiros investigadores e cientistas deixem de o ser por bloqueio no financiamento, mas que se apresenta disponível para criar os designados "VISTOS TALENTO" que por objectivo têm atrair a Portugal imigrantes de qualidade, entre outros, no quadro da investigação. Isto é, chutam lá para fora os nossos, cerceando as possibilidades dentro do País, ao mesmo tempo que têm a lata de propor a entrada de estrangeiros. Manuela Ferreira Leite, ainda anteontem, dizia que se tratava de uma "ofensa", porque, por uma lado, dizem, não haver meios para segurar os nossos investigadores, mas existem para os outros. Só há um termo para classificar esta gente: cambada de politiqueiros. Rua!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

PARA ESTE GOVERNO DA MADEIRA, A ESCOLA NÃO É UMA PRIORIDADE



Alunos sem aulas. Não é assunto novo, mas merece uma veemente crítica. Por razões diversas, desde o foro da saúde até à assistência legal à família, há situações que levam algumas turmas a esperar quase um mês pela substituição de um docente. Só ontem a RTP-Madeira chegou a esta não notícia. E lá apareceu o director regional dos Recursos Humanos e da Administração Educativa a confirmar que, de facto, tal acontece. É óbvio que os alunos não ficam "abandonados" na escola, pois as direcções executivas colmatam, de diversas maneiras, tais lacunas. Mas, convenhamos, que se trata sempre de uma situação provisória que, face ao enquadramento genérico do sistema, é susceptível de gerar perturbação. Outro fosse o entendimento da organização pedagógica e a ausência de um professor não seria sentida. Mas essa é outra história onde muito poderia ser explanado, mas fico-me por uma questão que a peça da RTP-Madeira não abordou de forma esclarecida. Aliás, raramente o faz. As "bolas" ou batem na trave ou vão para fora! No essencial, que razões subjazem àquela situação, melhor dizendo, porque é que a contratação de um docente de substituição não acontece na aula seguinte. A resposta é só uma: perda da AUTONOMIA financeira. Nem as escolas o podem fazer nem a secretaria da educação tem autonomia para mexer uma palha! Depende do Plano e Finanças e esta secretaria está amarrada ao Plano de Ajustamento Económico e Financeiro e sendo assim, em síntese, dir-se-á que o "livro de cheques" está no ministério das Finanças. Só que uma abordagem dessa natureza colocaria o governo debaixo de fogo. Na esteira desta situação, para os mais distraídos sobre estes assuntos, a questão é saber o que levou à perda de autonomia. Também só há uma resposta: a incapacidade demonstrada, ao longo de anos, para saber gerir o dinheiro de todos nós. Gastaram em megalomanias, esbanjaram tudo, geraram uma dívida superior a seis mil milhões de euros, não respeitaram as prioridades e, portanto, o "paizinho" teve de fechar os cordões à bolsa e chamar a si o controlo do dinheirinho. Deram cabo da Autonomia e, de tempos em tempos falam de "independência"!


Lamento, profundamente, que assim esteja a acontecer, porque este quadro, associado a tantos outros sectores, áreas e domínios, que evidenciam substantivas carências financeiras, está a bloquear projectos prioritários na construção do nosso futuro colectivo. Só a educação pode romper com a pobreza e pode devolver a esperança de uma sociedade equilibrada. 
A questão administrativa tem, por isso, uma raiz política, devido a um governo que nunca soube definir, com rigor, o sentido das prioridades políticas, económicas, sociais e culturais, simplesmente porque relegou para último plano de análise os princípios norteadores do desenvolvimento. Tem razão o meu Amigo Dr. Carlos Pereira que, ainda hoje, na sua página de facebook escreveu: "(...) Finge-se que nada se passa. Convenciona-se que nada de diferente pode acontecer e há mesmo quem acredite que a situação que vivemos é uma fatalidade. É uma tristeza este marasmo e esta apatia que nos absorve as energias e esconde as soluções. Enquanto o partido da maioria entretém-se com fantasias e espuma, o governo desse partido sufoca o povo com opções para esconder as suas responsabilidades e culpas que, ainda por cima, ameaçam morrer solteiras!".
Entretanto, porque para este governo o cimento e o "alcatrão" funcionam tal como o "bloom" está para o drogado pobre, toca a aproveitar algum dinheiro disponível nos cofres nacionais, para continuar a política de "obras", concretamente, de estradas, algumas que nunca deveriam ter sido iniciadas. Os alunos, esses, que levem o papel higiénico para a escola, os pais que encontrem solução nos explicadores e resolvam as carências em casa por ausência de uma séria e ponderada acção social educativa. Fico por aqui do tanto que me apetecia dizer a uma secretaria da Educação e dos Recursos Humanos, cujos políticos, se honestos, deveriam colocar os seus lugares à disposição. Porque há limites para tudo.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A CLARIVIDÊNCIA DE XANANA GUSMÃO


Estas são frases do Primeiro-Ministro de Timor-Leste Xanana Gusmão: "(...) estou chocado com "a situação portuguesa" porque "a população está a sofrer" (...) "o Mundo anda muito errado e perdeu a noção do humanismo e o sentido da existência" (...). Questionado se desconfia dos métodos de ajuda dos mercados, Xanana foi peremptório na resposta: "não desconfio, sei" (...) "em 2000, tive um encontro com Mahathir (antigo primeiro-ministro da Malásia) e vi como é que aplicaram remédios a todas as doenças e nada resolveram" (...) Referem-se à democracia como: "Calcem este sapato de democracia" (...) só que é um calçado com a mesma medida para todos,  que não respeita as diferenças" (...) o "sistema está moribundo e o shut down do governo americano bem o mostrou e obrigou a que o Congresso tivesse de levantar o teto da dívida" (...) o que me "choca são os triliões de euros e de dólares que se evadem. Ou seja, este sistema está a produzir os grandes e os ricos. Não é correto" (...) "o modelo da União Europeia falhou" (...) "Choca-me no sentido de a população estar a sofrer e fico alarmado que cada país tente resolver por si o seu problema. E em cada país vejo as pessoas responsáveis a disputar o papel de herói. Não dá para ser assim nestas ocasiões, temos de tentar todos juntos resolver porque quem sofre é o povo". O líder da resistência timorense concluiu, por isso, que "o Mundo anda muito errado e perdeu a noção do humanismo e o sentido da existência".


Porém, neste cantinho ocidental da Europa, temos um outro primeiro-ministro que pensa exactamente o contrário, pois quanto mais esmifrar o povo melhor. É capaz de pensar: olha-me este vem para aqui com lérias! Pelas suas políticas nem se apercebe que o povo sofre. O deus mercado exige que centre a sua atenção nos poderes financeiros e o povo que se dane. Como se esse caminho fosse o único capaz de solucionar os dramas internos. Obviamente que não é. Somos, sim, vítimas de um  processo engendrado em outros poderosos fóruns. Xanana tem razão, "o Mundo anda muito errado e perdeu a noção do humanismo e o sentido da existência". E a dupla Passos/Portas (PSD/CDS) alinham naquilo, ao contrário de, nos espaços certos de intervenção, mostrar que não podemos continuar com esta política de esmagamento. Não é por acaso, repito, que "o Mundo anda muito errado e perdeu a noção do humanismo e o sentido da existência".
A propósito, ainda esta semana li um curioso texto que, apesar de constituir um mero pormenor, traduz a vergonha política daqueles que tentam dominar os outros influenciando as politicas que não desejam para si próprios. Na Alemanha baixaram a idade da reforma para os 63 anos, mas em Portugal, no mesmo espaço comunitário, já vai nos 66 anos! Neste mesmo país, um grupo de 100 académicos e políticos estão já a pedir um horário de 30 horas semanais, sem um corte nos salários, noticiou o jornal alemão Tageszeitung, com o argumento que uma semana de trabalho mais curta é a melhor forma de lidar com o aumento da taxa de desemprego no país, contribuindo também para o aumento da produtividade dos trabalhadores. Ao longo de vários anos irão lá chegar, enquanto Portugal aumentou para 40 horas o trabalho semanal. O plano alemão, que foi concebido por políticos de partidos de esquerda, filósofos e académicos, sugere que "a semana de trabalho de 30 horas pode ser introduzida gradualmente ao longo de vários anos. Defendem, também, que a redução do horário de trabalho irá melhorar significativamente a produtividade dos trabalhadores: "(...) precisamos de um projecto de sociedade como um todo para reduzir o horário de trabalho. Isto já não pode ser apenas uma questão política de negociação colectiva", defendeu na carta aberta o professor universitário de direito comercial Hein-Josef Bontrup.
Ora bem, pode-se então deduzir que aquilo que é bom para os outros a nós não nos serve! Daí que, convicção minha, precisamos de muitos "Xananas" sendo totalmente dispensáveis figuras ignorantes que apenas agem como correias de  transmissão dos poderes ocultos.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

ESTES SUJEITOS NÃO TÊM CONSERTO


Para a comemoração dos 40 anos de Abril, o PSD-Madeira, intencionalmente, esquece-se que a Assembleia é a casa da democracia, que o 25 de Abril espelhou, naturalmente, vários posicionamentos ideológicos da sociedade que se reuniram em torno de partidos políticos e, portanto, que é ali, na Assembleia, que as diversas representações do POVO devem tomar a palavra. Os deputados não têm de ouvir estranhos à Assembleia, pois eles são a voz do povo. A maioria parlamentar (ou para lamentar) esquece-se que não é dona da Assembleia e que a democracia tem regras. Desta situação só se pode deduzir que mais esta pouca-vergonha apenas configura censura, bloqueio à liberdade e ao livre pensamento. Trata-se de gente que decide, que se aproveitou de Abril, que continua a se aproveitar, mas que continua a enfermar dos vícios do Estado Novo. A censura é que tem um formato diferente, a cerceação da liberdade tem contornos mais "sofisticados", pelo que o bloqueio ao livre pensamento traduz esta forma anti-democrática de sobreviverem no plano político. Só que vem aí uma maré que os varrerá, completamente. Entretanto, o Presidente da República continua imbecilmente calado!

Querem um Povo, cego, surdo e mudo!

Nos últimos dias fomos confrontados com duas situações que me levam a dizer que este PSD-Madeira não tem conserto. Por um lado, o presidente do governo, confrontado com as consequências dos temporais teve o desplante de dizer que "(...) Aquilo que é da responsabilidade do Governo, o Governo vai fazer". No que diz respeito aos equipamentos que estão na alçada da Câmara Municipal de Machico e da Junta de Freguesia do Porto da Cruz, "(...) o Governo não se mete" (...) "até para dar cumprimento ao voto dos cidadãos", numa clara alusão à derrota que o PSD sofreu nas últimas eleições Autárquicas. depois, pareceu-me que de forma mal contada, o vice-presidente veio emendar a mão; por outro, o facto da maioria parlamentar ter decidido que a comemoração dos 40 anos do 25 de Abril de 1974 seria realizada no salão nobre da Assembleia com a presença de uma figura convidada para o efeito. Estes dois momentos denunciam, claramente, que esta gente não aprendeu nada com os resultados eleitorais de 29 de Setembro de 2013, não aprendeu nada nestes últimos trinta anos, e, por isso, não consegue ver o óbvio, isto é, não consegue perceber o crescente descontentamento da generalidade da população que já não os suporta. Guiam-se pelo livrinho laranja e ponto final.
Na primeira situação, perante as consequências dos temporais que devastaram certas zonas da Região, quando se esperava uma imediata compaginação de esforços no sentido de resolver os problemas que ultrapassam, em muito, a capacidade de intervenção municipal, o presidente do governo demostrou mau perder, ausência de sentido democrático, abandono do povo quando mais precisa, prepotência, arrogância, falta de noção que é um político fora de prazo, enfim, sinais de demência política numa ditadura disfarçada. Bem esteve o actual presidente da Câmara Municipal de Machico, Ricardo Franco que sublinhou: "(...) A Câmara de Machico debate-se com graves problemas financeiros, na sequência da governação dos anteriores executivos, que endividou a Câmara de uma forma que nós não podemos corresponder a outros tipo de situações prementes no Município", porque até "os trabalhos normais, como a limpeza, já é uma dificuldade, quanto mais agora com uma situação extraordinária inesperada de uma intempérie que provocou os prejuízos que provocou" (4,5 milhões de Euros). E disse mais: "(...) "noutras alturas a postura do presidente do Governo foi diferente", e apontou o exemplo do ex-Primeiro-Ministro de Portugal, José Sócrates que "sendo de uma orientação partidária política diferente, veio "estender a mão" da solidariedade à Região, e nessa altura criou condições financeiras, com a Lei de Meios, para recuperar as desgraças de correntes do 20 de Fevereiro".
É à volta desta mesa
que o PSD impõe as regras.
A mesa anti-democrática!
No segundo caso, a comemoração dos 40 anos de Abril, o PSD-Madeira, intencionalmente, esquece-se que a Assembleia é a casa da democracia, que o 25 de Abril espelhou, naturalmente, vários posicionamentos ideológicos da sociedade que se reuniram em torno de partidos políticos e, portanto, que é ali, na Assembleia, que as diversas representações do POVO devem tomar a palavra. Os deputados não têm de ouvir estranhos à Assembleia, pois eles são a voz do povo. A maioria parlamentar (ou para lamentar) esquece-se que não é dona da Assembleia e que a democracia tem regras. Desta situação só se pode deduzir que mais esta pouca-vergonha apenas configura censura, bloqueio à liberdade e ao livre pensamento. Trata-se de gente que decide, que se aproveitou de Abril, que continua a se aproveitar, mas que continua a enfermar dos vícios do Estado Novo. A censura é que tem um formato diferente, a cerceação da liberdade tem contornos mais "sofisticados", pelo que o bloqueio ao livre pensamento traduz esta forma anti-democrática de sobreviverem no plano político. Só que vem aí uma maré que os varrerá, completamente. Entretanto, o Presidente da República continua imbecilmente calado!
Ilustração: Google Imagens.  

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

AS "LARGAS DEZENAS DE MILHÕES DE EUROS" E AS OUTRAS PRIORIDADES!


Há dias escutei o secretário da Educação dizer que a dívida do governo ao associativismo desportivo rondaria "largas dezenas de milhões de euros". Não fiquei espantado, porque sei da existência de vários anos de atraso nos compromissos assumidos em vários domínios. Ora, poderia aqui equacionar estas dívidas que sufocam associações e clubes relativamente aos seus planos de actividade; e poderia, também estabelecer e confrontar um rol de prioridades invertidas, desde o caso dramático do sistema de saúde, onde o "caos" está denunciado, até ao sistema de educação, onde as faltas são muitas, passando pelo sistema social onde o desemprego e a fome campeiam. Mas isso corresponderia chover no molhado, tantas foram as vezes que a questão das prioridades políticas, económicas e sociais foram equacionadas. Fico, por isso, pela política desportiva, de resto, uma vez mais. E a pergunta que me assalta é tão somente esta: o que tem andado o secretário da Educação a fazer desde que tomou posse? É que vai para três anos de mandado e não se lhe conhece uma única atitude, uma ideia, um projecto, qualquer coisa que determine passos para um futuro diferente. De memória, a única coisa que me ficou destes três anos, foi o "despedimento" de três directores regionais do desporto.

Um dorme...


O que significa que esta secretaria anda aos papéis, não sabe onde está, onde quer chegar e que passos políticos terá de dar para chegar a um qualquer objectivo. O sistema, se já era mau, tende a ficar pior, por ausência de uma qualquer estratégia política. O secretário continua a empurrar com a barriga a montanha de problemas que os seus antecessores geraram, apesar de, repetidamente, avisados. É tal o desnorte que anunciou, há poucos dias, embora com o cofre vazio, o apoio ao automobilismo, deixando claro que se trata de um "(...) sinal de que o Governo apoia este fenómeno que galvaniza tantas pessoas". "Fenómeno", palavra que aplica sempre que aborda o desporto, só se for do "Entrocamento" (não percebo onde está o fenómeno) e quanto ao "galvanizar tantas pessoas" deveria o secretário saber que é sua missão, não uma política de espectadores, mas uma política de prática desportiva efectiva destinada a milhares. 
... outro não sabe o que fazer!
Apenas fala do "fenómeno"!
Seria desejável que este responsável político tivesse duas preocupações essenciais no seu mandato: primeiro, pagar o atrasado, pois que se trata de contratos-programa assumidos e que devem ser liquidados, libertando muitos dirigentes desportivos que acreditaram na boa-fé e hoje andam de corda ao pescoço, já não bastassem as agruras sentidas nas suas vidas; em segundo lugar, a definição de uma política de fundo, consubstanciada em Decreto Legislativo Regional acompanhado de um Regime Jurídico do Financiamento ao Desporto,  que está muito para além do designado Plano Regional de Apoio ao Desporto (PRAD). Pois bem, se não sabe para onde caminha como poderá definir os apoios? Alguém saberá o que o secretário pretende para o desporto educativo escolar, sobre o qual tem responsabilidades acrescidas? Alguém conhecerá a sua posição relativamente ao sistema desportivo e dentro deste a sua posição no que concerne à área profissional (empresarial)? Alguém conhece as políticas de interface entre a escola e o associativismo? Alguém domina o que ele pretende para a política de utilização das infraestruturas? Alguém sabe, em pormenor, o que ele pretende do rendimento elevado, da participação nacional e internacional? Se algum documento existe (seria lamentável que não existisse) talvez seja apenas do conhecimento interno. Para o exterior nada se sabe ou melhor, conhecem-se as demissões, as dívidas, as pressões, as protecções e os sistemáticos lamentos, desde o que se passa no desporto escolar ao desporto de natureza federada. Pouco mais do que isso. 
Eu sei que o labirinto é extremamente complexo. O secretário está no centro e por onde caminhe esbarra com uma saída fechada. O monstro que criaram ultrapassou a criatura! Mas é seu dever procurar a solução que, obviamente, ultrapassa uma legislatura. Para corrigir o desvario, se a intenção não for drástica, qualquer governo precisará de alguns anos. Mas tem de caminhar em um sentido sob pena dos problemas eternizarem-se. O que me parece é que este secretário não tem unhas para tocar esta guitarra. 
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

MUDAR O "CHIP"


Pede-nos o primeiro-ministro que mudemos o "chip". E o "chip" tem nome: empobrecimento. No essencial, quer que assumamos o "circuito integrado" do governo, sobre o qual possa, com mais qualquer coisinha, resolver o seu "hardware" ideológico e programático. Fica resolvida a situação. Mudando o "chip" fica tudo, ou quase tudo resolvido: habituamo-nos a viver como o programador entende que deve ser o comportamento dos portugueses, silencia-nos porque nos torna autómatos. Ele quer que repitamos a sua vontade, a vontade dos senhores, na lógica do come e cala-te. Na opinião do primeiro-ministro não é o seu "chip" que está bloqueado, não é o seu programa que está infestado de vírus, são os dez milhões que têm de integrar um outro circuito, entre os quais contam-se mais de três milhões de pobres e excluídos que nunca tiveram acesso ao seu próprio "chip"!

O "chip" de Passos Coelho.
Todo o País a funcionar como ele quer.
Ele programa e a "máquina"
proporciona-lhe a resposta

Isto vai acabar mal. Sento-me à frente da televisão e assisto a um conflito generalizado dos mais pobres contra os mais ricos. O levantamento popular está em curso e parece-me imparável. O balão está a encher e o sistema não tem válvulas de escape.  As razões são diversas, é certo, mas com um denominador comum, exactamente o que o músico Pedro Abrunhosa, um dos elementos apoiantes do "Manifesto contra a Crise - Compromisso com a Ciência, a Cultura e as Artes em Portugal", sintetizou: "o grande capital descobriu que não precisa da Democracia para nada". O problema essencial é esse. E é por isso que Passos Coelho, político só aparentemente democrata, pede para que mudemos de "chip". O "chip" de que fala é o que deixa correr o programa de empobrecimento, a ausência de direitos sociais, o espezinhamento das leis laborais, o que não permite que os jovens e menos jovens aqui desenvolvam os seus talentos, atirando-os para a emigração, é o "chip" que permite aceitar com um sorriso nos lábios o confisco de pensões e de reformas e com efeitos retroactivos, é o "chip" que aceita retrocessos civilizacionais nunca vistos.   
Passos Coelho é uma versão Jardim embora menos atrevida. Aqui, Jardim "vendeu" o mesmo produto aos madeirenses e portosantenses sem falar em linguagem tecnológica. Partiu do princípio que as pessoas não iriam perceber o significado da palavra. Mas o "chip" foi colocado (leia-se assumido) há 38 anos em milhares de eleitores da Região. Permitiram que o especialista, o "vigia da quinta" (expressão do  Padre Martins Júnior), com a sua lábia, conseguisse "vender" o seu "circuito integrado". E deu no que deu! Uma sociedade pobre e dependente numa região assimétrica; uma sociedade em conflito silencioso, que sofre, que murmura e que acabou por perder a Autonomia pela qual tantos lutaram antes de 1974. Enfim, Passos que se acautele e que tome a decisão de mudar o seu próprio "chip".
Ilustração:  Google Imagens.