quarta-feira, 27 de julho de 2016

ÓDIOS PARTIDÁRIOS QUE MATAM A SERIEDADE DO EXERCÍCIO DA POLÍTICA


Os deputados do PSD-Madeira na Assembleia da República parecem ter ficado felizes pela Madeira, alegadamente, poder vir a não receber um determinado quantitativo dos fundos da União Europeia. Ao contrário de fazerem coro político com o deputado do PS-M, ampliando a voz na justa reivindicação, resolveram entrar pelo buraco da politiquice barata. Ora, aos olhos do povo, cansados de ver questiúnculas partidárias sem qualquer interesse, parece-me evidente que ninguém se engrandece ao se posicionar nesse entretenimento politiqueiro que nada resolve. É o próprio jornalista do DN que sintetiza: "(...) Em causa está o facto de a Região apresentar um PIB que é claramente inferior ao que serviu de base ao cálculo do valor de apoios que está a receber. O deputado socialista (Carlos Pereira) referiu-se à existência de uma janela de oportunidade para a renegociação do valor. Essa janela é o processo de revisão, encetado pela Comissão Europeia neste ano", devido à alteração das regras de cálculo (Eurostat). Essa renegociação, repito, renegociação, poderia(á) conduzir a Região a ganhar uma parte de 800 milhões disponíveis. Despoletada a situação, dependeria, como é óbvio, do governo liderado por Miguel Albuquerque multiplicar-se em contactos nesse sentido. E se bem me recordo houve declarações políticas do governo regional a assumir que estava atento a esse processo. Eu, que apenas leio e acompanho, fiz essa leitura. 

Deputados
Sara Madruga, Rubina Berardo e Paulo Neves (PSD)

Os deputados do PSD, infelizmente, não conseguem libertar-se da canga que o histórico sistema partidário os colocou. Ou, então, manifestando desnorte, terão ficado perturbados pelo facto dos deputados Carlos Pereira (PS) e Paulino Ascensão (BE) terem sido, de longe, entre deputados madeirenses, os mais activos na Assembleia da República durante a sessão legislativa que agora termina. (aqui). Não se trata, portanto, de "contas mal feitas", mas de uma oportunidade que o governo regional não soube aproveitar ou não está a aproveitar. Aliás, há uma longa história de perda de fundos que não dignifica a acção governativa do PSD e que atinge, segundo julgo saber, mais de mil milhões de euros. Mais, ainda, o mesmo deputado (Carlos Pereira) que falou da possibilidade da Região reivindicar uma parte daquele montante, ao longo dos anos tem acertado com tudo o que às finanças regionais diz respeito. 
Deputado Carlos Pereira (PS)
Lembro-me, por exemplo, quando o governo regional falava e jurava a pés juntos que a dívida da Madeira, em um primeiro momento, não ultrapassava os mil milhões, depois, pressionado, cerca de dois mil milhões, já o Dr. Carlos Pereira dizia, "contas feitas", que a dívida se situava em 6,3 mil milhões. Foi preciso, mais tarde, lembram-se senhoras e senhor deputados, o ministro Vítor Gaspar vir confirmar que, no final do primeiro semestre de 2011, o valor total da dívida era de 6.328 milhões de euros, o que significava 123% do PIB da região utilizando o PIB de 2009. Recordo esta frase: "A situação da Madeira é de crise e insustentável”. Facto que levou o secretário das Finanças de então, Ventura Garcês, assumir que as contas do ministro estavam "tecnicamente erradas". Lembram-se? Porém, sabe-se que a realidade foi a denunciada pelo deputado Carlos Pereira e que, na sequência disso, ficámos a pagar uma dupla e penosa austeridade. Ou será que os deputados do PSD-M desconhecem que ainda por aí anda um processo judicial designado por "Cuba Livre" por não ter sido reportada a verdade? E os outros é que fazem mal as contas e “de forma reiterada, tentam chamar a si proveitos de algo que não pode ser conseguido”? Estou esclarecido.
Regressando ao início e ao que interessa, o exercício da política não se concretiza com ódios partidários, muito menos pessoais, mas buscando, nas diferenças, o melhor para o país, neste caso, para a Região. Tudo o resto são tiques aprendidos face aos quais devem libertar-se. 
Ilustração: Google Imagens.

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