segunda-feira, 4 de julho de 2016

POLITICAMENTE JUNTINHOS... EMBORA DISFARCEM


Os leitores conhecem o provérbio "pimenta no rabo dos outros é refresco". Dele me lembrei quando escutei a ex-ministra das Finanças Maria Luis Albuquerque dizer, a propósito das hipotéticas sanções europeias a Portugal por causa do défice excessivo: "(...) se eu fosse ministra das Finanças estas questões, seguramente, não se colocavam". Ora bem, a Senhora que não tem espelho que se enxergue, nem notou: primeiro, que lhe fica mal, muito mal, dizer o que disse. É verdade que "presunção e água benta, cada qual toma a que quer", mas fica-lhe mal, até pelo simples facto do défice excessivo ser, exactamente, consequência do tempo de governação da sua responsabilidade; em segundo lugar, a Senhora demonstrou, inequivocamente, que este assunto não seria objecto de discussão se o governo português continuasse na linha política desta Europa ultraliberal. O hipotético "castigo" não é tanto por causa do défice excessivo, mas porque, politicamente, os senhores(as) desta Europa e do FMI não gostam de quem os afronte com soluções de governo distantes dos cânones por eles(as) ditados.


Parece-me óbvio que não haverá sanções, porque isso equivaleria a União Europeia, que tudo controla, sancionar-se a si própria. Mas haverá uma feroz chamada de atenção. O que para mim é muito grave, pois isso significa uma intolerável ingerência na política interna do nosso país. Irrita-me, sobremaneira, esta abusiva intervenção. Mas Maria Luis Albuquerque alinha, aceita, ao mesmo tempo que vai dizendo que não se justificam penalizações. Ela, o Dr. Passos Coelho e a Drª Assunção Cristas, sabendo o que fizeram (ou o que não fizeram) durante quatro anos, politicamente, "para a fotografia pública" colocam-se contra as penalizações, mas lá saltou uma voz para dizer mais ou menos isto: connosco este seria um não assunto! É, por isso, que "pimenta no rabo dos outros é refresco". Não suporto gente política deste calibre, que surfam as situações, que pendem para o lado dos ventos, que sem vergonha alguma dizem coisas como se o povo fosse desmiolado. 
Algumas frases resumem o que penso e defendo. A primeira, do ex-ministro das Finanças Doutor Teixeira dos Santos: "Depois de tantos elogios da ‘troika’ ao Governo anterior, será irónico e cínico se a Comissão Europeia vier a propor a aplicação de sanções a Portugal"; a segunda, da Deputada Catarina Martins, do Bloco de Esquerda: "A Comissão Europeia não tem que sancionar o nosso país, tem sim é de ressarcir o nosso país pelo dano que foi causado"; uma outra, do Deputado João Galamba do PS: "A última coisa que precisamos neste momento é de incendiários. Já chega a situação complicada no Reino Unido"; finalmente, as palavras do Deputado Jerónimo de Sousa, frontalmente dirigidas a Wolfgang Schäuble: "mais um episódio de chantagem, de arrogância, de ingerência. (…) Não é preciso responder à letra, mas um pouco de brio patriótico é exigível às instituições, designadamente ao Governo da República para dizer lá no seu país manda ele e em Portugal mandam os portugueses".
Ilustração: Google Imagens.

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