quarta-feira, 13 de julho de 2016

UMA SANSÃO DE 0% É RIDÍCULA, MAS, POLITICAMENTE, É UMA IGNOMÍNIA DESTA EUROPA



Cada vez estou mais farto desta União Europeia. Não propriamente da União, mas de uma certa jagunçada unida para levar a água ao seu moinho triturador dos povos. Sinto-me cada vez mais afastado e revoltado face a esta pouca-vergonha, qual remoinho onde mergulhámos. Diziam e influenciaram-nos, lembram-se, pateticamente, que estávamos no "pelotão da frente" da moeda única, deixando de lado as diferenças de produtividade e tudo quanto este aspecto influenciaria. A situação hoje é de debilidade, porque à crise fabricada externa e intencionalmente (muitos ganharam com ela), junta-se uma espécie de abutres, de garras e bico afiados, sem qualquer pejo em alimentar-se de quem já pouco tem para dar.    



A decisão do Ecofin de "apoiar a recomendação da Comissão Europeia de accionar o processo de sanção a Portugal, que pode ir até 0,2% do PIB", pelo facto de ter ultrapassado o défice de 3% (3,2%) em 2015, confirma, entre outras, duas coisas: primeira, que a possibilidade de uma sanção de 0%, sendo ridícula, é, politicamente, uma ignomínia desta Europa a um Estado membro; segunda, mesmo que a "sanção", repito, ridiculamente, seja de 0%, não deixa de constituir um grave e público puxão de orelhas ao governo português na perspectiva de, oiçam bem, aqui mandamos nós! Não interessa que outros, ao longo de todo o tempo, inclusive a Alemanha (5) e a França (10), tenham ultrapassado os limites do défice. Consta-me que 23 dos 28 já o ultrapassaram sem que nada lhes tivesse acontecido. Estranho? Talvez não. Mesmo que não queira, acabo por me aproximar da tese que há olhares enviesados relativamente à solução governativa em Portugal e que, em Espanha, a instabilidade política também conduza a olhares desconfiados e preocupados aos senhores desta Europa de políticos menores.  
E se for de 0% (?) o paradoxal "castigo", parece-me óbvio, não deixará dúvidas, será acompanhada, certamente, de uma recomendação: têm de apresentar novas medidas de austeridade ou seja lá o que for. No decorrer de 2016, a vacina terá de ser aplicada. Têm de cortar, cortar e cortar, têm de roubar aos pobres para favorecer os ricos. De que vale, questiono, o povo argumentar que andou, desde 2009, permitam-me a expressão, a "levar na corneta", que foram extorquidos por todos os lados entre 2011 e 2015, encostado à parede, sobretudo as populações vulneráveis, jovens e idosos, aposentados e pensionistas, que o mundo laboral foi desregulado e é hoje, genericamente, um mundo cão de precariedade e que, consequência dessas políticas, aumentou o desemprego e a emigração e a melhoria não se verificou? De que vale dizer que somos pobres mas honrados e que vários milhões sobrevivem? De que vale, quando estes senhores(as) da Europa dos Comissários são peças dentadas de outras invisíveis, não correias de transmissão da vontade dos cidadãos, mas dos movimentos financeiros, construtores de uma Europa onde uns são mais iguais que outros? Em uma Europa que esmaga, tritura e impõe as regras que quer e entende, de que vale a lamúria da injustiça quando têm, no actual quadro político, a faca e o queijo na mão?
Uma coisa é certa, estou disso convencido, esta União Europeia insensível, de cócoras para os mercados, submissa e rastejante, distante dos povos e bem instalada, caminha, infelizmente, para o colapso, porque não são os milhões que, diariamente, aqui chegam, como dádiva, vergarão a dignidade da esmagadora maioria que sofre. Um dia o elástico rebenta!
Ilustração: Google Imagens.

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