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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

COITADO, RELVAS NÃO CONSEGUE DORMIR BEM!


"O desemprego e o desemprego jovem tiram-me o sono. Não sou insensível. Insensível são aqueles que no discurso se preocupam com o desemprego e na prática nada fazem". Coitadinho do senhor Miguel Relvas que não consegue adormecer, ele que aconselhou aos jovens para terem os olhos no Mundo. Isto é, de uma forma eufemística disse aos jovens, à força do nosso País, emigrem, não fiquem cá, vão "morrer" para longe. E, curiosamente, falou deste assunto em Penela, no centro-interior de Portugal, onde a desertificação acontece, onde não é necessário o governo sugerir a busca do ganha pão para além das fronteiras, pois os próprios habitantes há muito assim decidiram. Disse o ministro Relvas: vive-se "um tempo de incerteza em Portugal como em toda a Europa" e o país "precisa necessariamente de exportar e precisa de encontrar novos mercados". Precisa, no seu entendimento, de "exportar" também inteligência, os seus recursos humanos e, naturalmente, o que ainda consegue produzir. Ele, Relvas, a quem o desemprego jovem lhe tira o sono, não o choca assistir a tanto jovem, de qualidade, a exercer a sua actividade fora do país, jovens reconhecidos em variadíssimas áreas técnicas e científicas, obrigados que andam a desempenhar lá fora o que este governo não garante cá dentro! Foi Miguel Relvas que disse: quando vejo os jovens lá fora, fica-me a "sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão".


Não tenho e poucos certamente terão algum respeito político pelo Ministro Miguel Relvas. Desde a forma como chegou a "Licenciado" (para mim trata-se do senhor Miguel Relvas) até à sua prática política, sinceramente, não gosto. Relativamente à sua licenciatura, preocupa-me o facto de uma universidade garanta um diploma sem o "aluno" sentar o rabinho na sala de aula a ouvir os docentes, isto é, garanta um título académico baseado em quatro exames(!) e 32 equivalências, por créditos atribuídos ao seu currículo profissional. "A avaliação das "competências adquiridas ao longo da vida" teve em conta os nove cargos que o ministro ocupou seja como membro da delegação portuguesa da NATO, entre 1999 a 2002 ou como secretário da direcção do grupo parlamentar do PSD entre 1987 e 2001. Até contou a avaliação do "exercício de funções privadas, empresariais e de intervenção social e cultural", pelo que o antigo "aluno" da Lusófona adquiriu equivalências a mais 15 disciplinas". É obra! No final disto, onze de média! Como chegaram a este valor, que ponderações e que critérios foram utilizados? Simplesmente, aberrante. Escrevi a 05.07.2012 um texto sobre esta matéria e aí não quero regressar. E se dele volto a falar é apenas pelas suas declarações no decorrer do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), em Lisboa, quando questionado sobre os elevados valores do desemprego entre os jovens, que ronda já os 40%: "O desemprego e o desemprego jovem tiram-me o sono. Não sou insensível. Insensível são aqueles que no discurso se preocupam com o desemprego e na prática nada fazem". Coitadinho do senhor Miguel Relvas que não consegue adormecer, ele que aconselhou aos jovens para terem os olhos no Mundo. Isto é, de uma forma eufemística disse aos jovens, à força do nosso País, emigrem, não fiquem cá, vão "morrer" para longe. E, curiosamente, falou deste assunto em Penela, no centro-interior de Portugal, onde a desertificação acontece, onde não é necessário o governo sugerir a busca do ganha pão para além das fronteiras, pois os próprios habitantes há muito assim decidiram. Disse, nessa altura, o ministro Relvas: vive-se "um tempo de incerteza em Portugal como em toda a Europa" e o país "precisa necessariamente de exportar e precisa de encontrar novos mercados". Precisa, no seu entendimento, de "exportar" também inteligência, os seus recursos humanos e, naturalmente, o que ainda consegue produzir. Ele, Relvas, a quem o desemprego jovem lhe tira o sono, não o choca assistir a tanto jovem, de qualidade, a exercer a sua actividade fora do país, jovens reconhecidos em variadíssimas áreas técnicas e científicas, obrigados que andam a desempenhar lá fora o que este governo não garante cá dentro! Foi Miguel Relvas que disse: quando vejo os jovens lá fora, fica-me a "sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão". 
Miguel Relvas dá-me a ideia de um vendedor de banha da cobra com dois discursos distintos: um para o povo e outro que guia os seus interesses. Espertalhão, conseguiu um diploma que deveria ser devolvido, se Bolonha fosse outra coisa e não aquilo que é; chega a ministro e sugere aos jovens o caminho da emigração; agora, com 40% de jovens no desemprego ou à procura de um primeiro emprego, diz-se com noites mal passadas devido a tão grave preocupação. Mas é este ministro, assobiado em todo o sítio onde aparece, que tem os cordelinhos da governação do País. É este homem, que deseja a privatização de todos os sectores estratégicos do País, que não se lhe vê uma única ideia no sentido de tornar próspera a vida dos portugueses. Por mim, certamente, em nome de milhares de jovens, vá embora, emigre, porque se a vida de emigrante é boa, talvez seja uma forma de começar a dormir bem!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

DRAMÁTICO



O gráfico apresentado na edição de hoje do DN-Madeira é verdadeiramente DRAMÁTICO. O problema é que não vemos o governo regional minimamente preocupado. Vão "empurrando com a barriga", dizendo que Lisboa é a culpada e, como se aqueles números não fossem extremamente preocupantes, continuam por aí a gastar onde não devem. Dificilmente alguém poderá, com alguma exactidão, prognosticar qual a cifra do desemprego até ao final do ano.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

"CONTENCIOSO DAS AUTONOMIAS". APENAS PALEIO PORQUE O PROBLEMA É OUTRO.


Do meu ponto de vista, não existe qualquer "contencioso autonómico". O que existe e sempre existiu foi uma incapacidade política para negociar e gerir a Autonomia numa perspectiva de evolução contínua. De crescer autonomicamente com responsabilidade e sem criar graves problemas ao País a que todos pertencemos. Problemas sobretudo de natureza orçamental. Por isso, quando vêm com a treta do "contencioso das autonomias" parece que por lá estão os maus e, por aqui, os santos! Não é esse o meu entendimento. Se quero ser respeitado tenho que me dar ao respeito. Só assim posso ter moral para falar, negociar, exigir e progredir. Não é que por lá não existam olhos enviesados, não é que por lá, não abundem políticos que não entendam Portugal nas ilhas, a especificidade e o direito de querermos ser diferentes, o problema é outro, a questão é a luta tonta e sem nível que durante anos norteou o discurso político entre a Madeira e a República. Se Alberto João Jardim tivesse um pouco de pudor já tinha abandonado, ou melhor, apresentado a sua demissão, tal como em 2007, agora, por outras razões, entre as quais a sua pública e notória incapacidade para sair do buraco onde nos meteu.

"Contencioso das Autonomias"!
Estamos é a pagar a luta
tonta e sem nível.
Exacto. "Jardim não se demite como em 2007, porque concorda com a Lei das Finanças Regionais". Esta declaração do líder do PS-Madeira, Victor Freitas, acerta no alvo. E porquê? Ele sabe o que andou a fazer durante mais de três dezenas de anos, sabe que, aqui sim, viveu muito acima das suas possibilidades enquanto governante, sabe que andou sempre a "espingardar" com a República, sabe que, em 2007, pela onda que se estava a formar junto da população, as suas hipóteses de vitória eram menores nas eleições seguintes, sabe que, politicamente, mentiu sobre a realidade e sabe, também, que escondeu dos eleitores a verdadeira situação das contas públicas. Ele sabe de tudo isto e muito mais, pelo que não tem agora outro remédio senão amouchar, qual pretensa águia velhinha que não vai além de voos muito rastejantes. A dívida, a gravíssima situação da taxa de desemprego e a galopante pobreza não lhe concedem possibilidades de manutenção de um estado altivo e de nariz empinado. Tem de aceitar tudo, inclusive, a Lei das Finanças Regionais, a tal que vai retirar aos madeirenses 345 milhões em quatro anos. E numa encenação pobre e ridícula, tendo em conta o passado, os deputados na Assembleia da República votaram contra a Lei. Não poderiam fazer outra coisa para salvar as aparências. Quem deve, no plano da governação o que a Madeira deve, é evidente que não está em condições de negociar seja o que for. E o pior, ainda, é o CDS/PP que continua com dois discursos, um na República e outro na Madeira. Eu sei que, politicamente, a situação é incómoda, mas está aos olhos de quem quiser ver, através de alguns indicadores, que a posição do presidente do CDS-Madeira, José Manuel Rodrigues, tem muito que se lhe diga.Trata-se de um discurso tipo uma no cravo, outra na ferradura, isto é, não se coligam, enfraquecendo a oposição, talvez na esperança de um acordo pós-eleitoral com aqueles que nos trouxeram até aqui; por outro, trata-se de um discurso preocupante, quando leio a defesa do "contencioso das autonomias", exactamente, a mesma expressão utilizada por Alberto João Jardim durante largos anos. 
Ora, do meu ponto de vista, não existe qualquer "contencioso autonómico". O que existe e sempre existiu foi  uma incapacidade política para negociar e gerir a Autonomia numa perspectiva de evolução contínua. De crescer autonomicamente com responsabilidade e sem criar graves problemas ao País a que todos pertencemos. Problemas sobretudo de natureza orçamental. Por isso, quando vêm com a treta do "contencioso das autonomias" parece que por lá estão os maus e, por aqui, os santos! Não é esse o meu entendimento. Se quero ser respeitado tenho que me dar ao respeito. Só assim posso ter moral para falar, negociar, exigir e progredir. Não é que por lá não existam olhos enviesados, não é que por lá, não abundem políticos que não entendam Portugal nas ilhas, a especificidade e o direito de querermos ser diferentes, o problema é outro, a questão é a luta tonta e sem nível que durante anos norteou o discurso político entre a Madeira e a República. Se Alberto João Jardim tivesse um pouco de pudor já tinha abandonado, ou melhor, apresentado a sua demissão, tal como em 2007, agora, por outras razões, entre as quais a sua pública e notória incapacidade para sair do buraco onde nos meteu.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

EM CADA 100... 20 ESTÃO DESEMPREGADOS!



FIM DE ESTRADA

Ontem li um texto do Jornalista Ricardo Duarte Freitas, absolutamente esclarecedor da situação que se vive. Peço-lhe licença para aqui publicar uma parte que considerei significativa. Tem muito a ver com as políticas seguidas, onde a Economia foi esquecida. A preocupação foi construir, a torto e a direito, gastando à grande e à francesa, o que conduziu, sublinha o Jornalista, à "falência da ‘Madeira Nova’, essa fábrica ilusionista que mais desempregados produziu no sector da construção civil". Vale a pena ler.  
"(...) A orografia explica muita coisa, mas não explica tudo. Mais duro do que o basalto é a cabeça de um desgoverno obcecado em tirar proveitos e dividendos da política de asfalto sobre betão armado que foi realmente estruturante durante duas décadas mas que nos últimos anos vem alinhando cadernos de encargos de obras com calendários eleitorais e iludindo o povo. Fizeram-se as estradas que podíamos ter e aquelas que não podíamos pagar. A quem serve o túnel da via expresso em São Vicente, um corredor de mercadorias perigosas com mais de 2.400 metros onde não há uma única boca-de-incêndio sequer? A quem serve os 40 milhões de euros em juros reclamados pelas construtoras? Quem responde pela dívida de 247 milhões e pelas fases de sete empreitadas das vias expresso, paradas no norte e oeste da ilha? No fim de estrada está a falência da ‘Madeira Nova’, essa fábrica ilusionista que mais desempregados produziu no sector da construção civil. O desígnio do desenvolvimento sustentável preconizado durante décadas resume-se hoje a túneis sem luz ao fundo e estradas sem saída. É assustador que uma região com as características geográficas e com a importância turística que a Madeira tem despreze tanto a componente segurança na sua rede rodoviária regional. Como pode a região da União Europeia com mais túneis por área dar-se ao luxo de dispensar-se de cumprir os requisitos mínimos de segurança sugeridos numa Directiva Comunitária? (...)"

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

19,7% DE DESEMPREGO. E AQUI VAMOS!


Então o Sócrates foi culpado pelo estado a que o País chegou (hoje já dizem por aí, volta que estás perdoado), apenas por seis anos de governação, e aqui, a caminho de quarenta anos de poder absoluto, de quem é a culpa? Morrerá solteira? Alberto João Jardim, em todos os actos eleitorais legislativos, não dispôs de maioria absoluta? O PSD-M não teve, por isso, maioria parlamentar para fazer o que quis e entendeu? Não montou uma monumental engrenagem de secretarias, direcções regionais, institutos, sociedades de desenvolvimento, o controlo de todos os municípios e de quase todas as juntas de freguesia, casas do povo, clubes, enfim, tudo o que por cá abanasse não foi controlado? Não dispôs de um Jornal da Madeira para a sua propaganda? Não contou com fundos europeus que, inclusive, levou um secretário a confidenciar-me que "dinheiro é coisa que não falta"? Mais, tal como um dia disse, não dispôs dos Bispos que interessavam à Madeira? Então a culpa é de Lisboa? Que raio de governante este que não assume as culpas, com humildade? Por que não vai vender o seu peixe para outra freguesia? Deixe-nos da mão! Reforme-se da política e vá embora. Já não há quem o aguente. 


Contava...!
E como sempre acontece a culpa é das políticas de Lisboa, disse o presidente do governo regional, agora a inaugurar umas ruelas no Jardim do Mar. "Já se sabe que é preocupante, as coisas como estão, já se esperava isto. Se não há margem para a Região fazer mais investimento, obviamente que essa é a consequência". Ele nem pensa que o zé povinho é capaz de se interrogar: mas, afinal, a Região que tem um espaço geográfico limitadíssimo e uma área habitacional condicionada, onde é que ele, mais cedo do que tarde, lançaria obras? No Paul da Serra? Mais túneis, marinas, piscinas e centros cívicos? Ou será que o que se está a passar é a consequência de uma grosseira falta de planeamento e de uma claríssima falta de respeito pelo cumprimento dos mais elementares princípios do desenvolvimento? Então o Sócrates foi culpado pelo estado a que o País chegou (hoje já dizem por aí, volta que estás perdoado), apenas por seis anos de governação, e aqui, a caminho de quarenta anos de poder absoluto, de quem é a culpa? Morrerá solteira? Alberto João Jardim, em todos os actos eleitorais legislativos, não dispôs de maioria absoluta? O PSD-M não teve, por isso, maioria parlamentar para fazer o que quis e entendeu? Não montou uma monumental engrenagem de secretarias, direcções regionais, institutos, sociedades de desenvolvimento, o controlo de todos os municípios e de quase todas as juntas de freguesia, casas do povo, clubes, enfim, tudo o que por cá abanasse não foi controlado? Não dispôs de um Jornal da Madeira para a sua propaganda? Não contou com fundos europeus que, inclusive, levou um secretário a confidenciar-me que "dinheiro é coisa que não falta"? Mais, tal como um dia disse, não dispôs dos Bispos que interessavam à Madeira? Então a culpa é de Lisboa? Que raio de governante este que não assume as culpas, com humildade? Por que não vai vender o seu peixe para outra freguesia? Deixe-nos da mão! Reforme-se da política e vá embora. Já não há quem o aguente. 
Quando a taxa de desemprego era muito inferior aos 10%, na Assembleia Legislativa foram tantas e tantas as chamadas de atenção, tantos os alertas que a Região caminhava para uma situação insustentável. Negaram, sistematicamente. E lá aparecia o secretário Brazão de Castro, em um titânico esforço de tira daqui e põe acolá, martelando os números, para que a taxa nunca fosse a verdadeira. Foi assim durante anos, mas todos sabíamos que ela crescia e um dia a verdade seria conhecida. O próprio INE desconfiou e chamou a si essa responsabilidade e, hoje, a Madeira está em cima dos 20% (22.636 desempregados). Lamentavelmente irá crescer ao longo deste ano. E o "chefe das Angústias", no meio deste carnaval governativo trapalhão, serenamente, diz que não tem nada a ver com isso, que a culpa é de Lisboa. 
Se este político fosse sério teria de justificar, no Parlamento, esta situação de completa ruptura económica e social. Teria de ir ali não só justificar como apresentar as respectivas soluções. Mas não, fica na quinta, enclausurado, preparando umas bocas, pequenas ou grandes, ou, então, apertando as porcas aos parafusos que se vão soltando na Rua dos Netos. Que tristeza e que modelo de governação infame que trata todos por estúpidos, conduz o povo à pobreza ao mesmo tempo que sacode dos ombros as suas responsabilidades. Quantos dias faltam para a mudança?
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A NORMAL ANORMALIDADE...


O problema é saber se o povo vai continuar a bater palmas a um político e a todo o seu séquito depois de ter ficado entalado, espremido e sem possibilidades de contornar as situações de aflição. Se esse povo, descoberto o logro em que caiu, continuará a abanar a bandeirinha e, de joelhos, nas urnas, deitará o voto naquele que o "entroikou". O problema é saber se o povo vai olhar para a situação, se conseguirá produzir uma síntese e correr, por muitos anos, esta gentinha sôfrega de poder e de benesses à custa dos que pouco ou nada têm. O problema reside aí, na continuação ou na mudança capaz de eliminar os erros, negociar a situação difícil e complexa e, a prazo, devolver um quadro de felicidade ao povo desta terra. Creio que é muito difícil. As raízes são profundas e extensas, no sangue corre uma certa mentalidade de escravo, o analfabetismo existe e a Igreja não ajuda, apenas pede "fé e oração". Mas apesar da dificuldade, apesar do caminho ser muito estreito, penso que é possível romper este círculo vicioso, esta canga que colocaram no povo, este contínuo baile pesado, curvado e de nariz junto aos joelhos. 


Uma região, com cerca de 260.000 habitantes, dever mais de seis mil milhões de euros, fora as parcerias público-privadas, é coisa muito preocupante, mas já era conhecido. Mas ter facturas por pagar há quase seis anos, isso é politicamente imperdoável. Na prática significa que um fornecedor espera mais de 2000 dias para ver a cor do dinheiro em função de um dado fornecimento. E o que mais deixa estupefacto um cidadão cumpridor das suas responsabilidades é o presidente do governo, ainda ontem, com uma incomensurável lata política, no cortejo trapalhão, ter dito: "alguma vez me viu incomodado com as críticas"? Pois, o dinheiro não é dele, as empresas não são dele e o desemprego é, porventura, da responsabilidade de Lisboa. Ele até nem presidente foi do governo regional! Incomodado devem ficar os pobres desta terra, os que estão a ser duplamente espoliados pelas loucuras políticas cometidas em nome de um crescimento que não se transformou em desenvolvimento humano. Como pode um sujeito absolutamente normal no que concerne à responsabilidade política, assumir que não se incomoda, se calhar que dorme bem, quando há gente aflita no sistema empresarial, gente que não tem outra alternativa senão dispensar trabalhadores engrossando a longa listagem dos condenados à pobreza? Que ausência de sentimento e de fuga às responsabilidades, que displicência evidenciam todos aqueles que erraram e que não fazem um mínimo esforço de correcção da agulha da governação? Raios os partam todos!
O problema é saber se o povo vai continuar a bater palmas a um político e a todo o seu séquito depois de ter ficado entalado, espremido e sem possibilidades de contornar as situações de aflição. Se esse povo, descoberto o logro em que caiu, continuará a abanar a bandeirinha e, de joelhos, nas urnas, deitará o voto naquele que o "entroikou". O problema é saber se o povo vai olhar para a situação, se conseguirá produzir uma síntese e correr, por muitos anos, esta gentinha sôfrega de poder e de benesses à custa dos que pouco ou nada têm. O problema reside aí, na continuação ou na mudança capaz de eliminar os erros, negociar a situação difícil e complexa e, a prazo, devolver um quadro de felicidade ao povo desta terra. Creio que é muito difícil. As raízes são profundas e extensas, no sangue corre uma certa mentalidade de escravo, o analfabetismo existe e a Igreja não ajuda, apenas pede "fé e oração". Mas apesar da dificuldade, apesar do caminho ser muito estreito, penso que é possível romper este círculo vicioso, esta canga que colocaram no povo, este contínuo baile pesado, curvado e de nariz junto aos joelhos. É possível se muitos da nossa sociedade olharem para si próprios, deixarem os egoísmos e libertarem-se desta pouca-vergonha, deste pântano para o qual ele nos conduziu. Se estão à espera de um milagre, através da entrega a outros nomes na praça que apesar de terem lido o mesmo livrinho do chefe durante todos estes anos, apresentam-se como solução, desenganem-se os que assim possam pensar. A farinha é igual, o rol dos amigos o mesmo, os interesses idênticos e as possíveis coligações pós-eleitorais irão dar à mesma praça onde todos convivem e desenham o futuro. Uma mudança impõe políticas diferentes, estratégias diferentes e actores diferentes. Só vejo esse caminho.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

DAS "VIDAS À DERIVA", AO ASSALTO À TELEVISÃO, PASSANDO PELOS SILÊNCIOS CÚMPLICES


Os tais senhores também andam por aqui, passeiam-se há muitos anos na Região. Estão identificados, governam e governam-se. Parecendo "perdidos a velas e a remos", retomam um novo fôlego e toca a controlar o resto da comunicação social. "Serviço Público" independente e capaz de ir ao fundo das questões, isso não, pensam. Isso constituiria colocar em xeque muitos interesses e, sobretudo, abrir os olhos a muita gente. Importante, para além do Jornal da Madeira, é tomar de assalto a televisão, colocar lá quem bem querem e entendem, fazendo da comunicação social os grandes "gestores das mentes" da próxima fase política. Tudo com o aval de Lisboa, com o enervante silêncio do Presidente da República, mas tudo no prosseguimento desse controlo da sociedade que interessa a uns quantos, também aqui, nesta região, aos tais que se estão nas tintas para o desemprego de milhares desde que aumentem a sua riqueza por via directa ou indirecta.


"Vidas à deriva" é o excelente título atribuído pela jornalista Raquel Gonçalves a uma peça sobre aqueles que caíram no desemprego. O texto começa assim: "A frase é de Andreia, educadora de infância no desemprego deste Setembro do ano passado. Com duas filhas para criar praticamente sozinha, diz que já não faz planos. Vive um dia de cada vez, mas não esconde o calafrio daquela data exacta no calendário em que vai terminar o subsídio de desemprego". O quadro arrepia. Basta cerrar os olhos e interiorizar uma situação de desemprego face às despesas de todos os meses; interiorizar que existem filhos, habitação, alimentação, educação, saúde, água, energia, comunicações, televisão, vestuário e calçado, enfim, uma montanha de facturas que vão caindo e não ter possibilidades de equilibrar a balança; interiorizar a penosidade de uma situação desta natureza face à esperança criada e sonhos de uma vida com alguma felicidade; interiorizar a tortura psicológica de depender de outros, pais, avós, vizinhos e instituições de solidariedade social. Basta apenas isto, para nos situarmos na dor que muita gente sente. Gente que não viveu acima das suas possibilidades, mas que os senhores do mundo, assim querendo, atiraram-os, subtilmente, para o inferno da vida. Aqueles têm direito à carne, a toda a carne, os outros que se amanhem com os ossos, se houver! Um dia, estou certo, esta crise será explicada à luz da História, não a história que alguns nos querem contar ou fazer crer, mas uma outra que narrará a monumental, "inteligente" mas perversa engrenagem em que todos caímos. Ofereceram doces, muitos doces, criaram uma atmosfera de facilidades ao mesmo tempo que, matreiramente, foram retirando direitos, um aqui outro acolá, e o povo, melhor dizendo, os trabalhadores, pouco desconfiados, foram aplaudindo, não conseguiram ver longe, ao ponto de hoje estarem claramente encostados à parede. Os tais senhores, como nunca aconteceu, têm, de facto, a faca e o queijo na mão. Hoje, desesperadamente, milhares lutam pela sobrevivência, têm medo do amanhã e, apavorados, calam-se.
Os tais senhores também andam por aqui, passeiam-se há muitos anos na Região. Estão identificados, governam e governam-se. Parecendo "perdidos a velas e a remos", retomam um novo fôlego e toca a controlar o resto da comunicação social. "Serviço Público" independente e capaz de ir ao fundo das questões, isso não, pensam. Isso constituiria colocar em xeque muitos interesses e, sobretudo, abrir os olhos a muita gente. Importante, para além do Jornal da Madeira, é tomar de assalto a televisão, colocar lá quem bem querem e entendem, fazendo da comunicação social os grandes "gestores das mentes" da próxima fase política. Tudo com o aval de Lisboa, com o enervante silêncio do Presidente da República, mas tudo no prosseguimento desse controlo da sociedade que interessa a uns quantos, também aqui, nesta região, aos tais que se estão nas tintas para o desemprego de milhares desde que aumentem a sua riqueza por via directa ou indirecta. 
Ainda no passado dia 06 de Fevereiro aqui escrevi: "oxalá não tenha o Dr. Alberto feito a Ponte para que o "serviço público" seja entregue de mão beijada a quem diz o querer isento, objectivo e de qualidade, todavia à sua maneira, à maneira do Jornal da Madeira". Pelo que corre na praça, Alberto da Ponte (RTP) já terá feito o acordo com Alberto João (PSD). Deveria explicá-lo, urgentemente, na Assembleia Legislativa. São mais sete milhões, diz-se, e uns quantos despedidos! De uma assentada, a ver vamos, serão quatro milhões para o JM, mais sete para a RTP e, enquanto isto, pasme-se, as autarquias da Região apresentam uma média de 379 dias para pagar uma factura. Mas a do Porto Santo leva 864 dias! Como as empresas não suportam prazos desta natureza, as falências vão continuar a acontecer e o desemprego a aumentar. Mas o poder, esse, continuará nas mãos dos senhores que "roubam" embora vestidos a rigor. Esta próxima fase é, indiscutivelmente, a da "gestão das mentes".
É por isto e muito mais, Senhor Bispo António Carrilho, quero eu lá saber da "fé e oração" (a propósito da resignação do Papa Bento XVI), quando há tanta gente a passar mal. Mexa-se, denuncie através da Palavra, toda esta pouca-vergonha. No silêncio será cúmplice da pobreza e da desgraça das famílias.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

PETIÇÕES HÁ MUITAS...


O que a petição propõe equivale, por extensão, dizer que o Presidente do Governo, que nunca comparece na Assembleia (para além do programa de governo e do orçamento), há muito deveria estar DEMITIDO. O presidente do governo é, antes demais, um deputado eleito e só depois presidente. Logo, deveria dele partir o exemplo, de resto como acontece no parlamento dos Açores e no parlamento nacional. Para além disto, questiono, o que dizer de uma maioria parlamentar do PSD que nunca quer debater, reajustar e aprovar propostas da oposição, propostas essas de enorme interesse para a população? Que dizer de um Regimento da Assembleia que é um fatinho à medida dos interesses do PSD? Que dizer de uma maioria PSD que marca as sessões quando lhe interessa, quando deveria ser a Mesa da Assembleia a agendá-las? Que dizer de uma Assembleia que permite que seja a maioria parlamentar a apresentar e a impor os regimentos específicos de algumas sessões plenárias? Que dizer das Comissões de Inquérito que, ou são liminarmente chumbadas ou, quando realizadas, são controladas no sentido de não se saber a verdade? O que dizer de um Estatuto Político-Administrativo que não é mexido para preservar os interesses da maioria parlamentar, por exemplo, e este é apenas um exemplo, estabelecer rigorosas incompatibilidades entre o exercício da função de deputado e outras da vida privada? Pois bem, trata-se de uma petição sem pernas para andar quando há tanta porcaria por resolver naquela Assembleia.


Recebi e publico o texto de uma petição, assinada por Luís Gonçalves Fonseca, que circula na NET. Antes do meu comentário, aqui fica:
"Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira
Dr. Miguel Mendonça,
Os subscritores desta petição são cidadãos conscientes da realidade política da Madeira e preocupados com o comportamento que alguns deputados eleitos por todos os madeirenses e porto-santenses insistem em ter e a forma como tratam os madeirenses na Assembleia Legislativa da Madeira.
Os subscritores exigem que seja marcada falta injustificada, quando os deputados abandonem as sessões, seja em votação, seja em qualquer iniciativa, até que percam o mandato.
Temos assistindo constantemente à falta de certos deputados em algumas votações e só depois das propostas estarem aprovadas é que vão reivindicar e fazer demagogia na comunicação social. Se um deputado não estiver de início ao fim nas sessões deverá ser marcada falta injustificada, se o referido deputado não apresentar razões plausíveis para justificar a sua ausência do parlamento, como qualquer trabalhador tem de fazer se faltar ao trabalho. Se um trabalhador desconta no seu salário quando falta, por que razão um deputado não é obrigado a fazer o mesmo? Estas ditas formas de protesto dos deputados não são protestos, são sim uma falta de respeito com todos os madeirenses que exigem que os deputados respeitem o povo que lhes paga os altos salários de deputados. 
Pelo exposto, pede-se que seja alterado o regimento da Assembleia Legislativa da Madeira e que os deputados sejam responsabilizados pelos seus actos.
Os signatários,
Luís Gonçalves Fonseca"
COMENTÁRIO
Desde logo, presumo que o Sr. Luís Gonçalves Fonseca esteja a se referir ao acordo firmado entre toda a oposição no sentido de não debaterem e de não votarem as propostas oriundas do governo da região, quando o secretário regional proponente, ou o próprio presidente do governo, não compareça para apresentar, justificar e debater tais diplomas. Se assim é, ora bem, tenho que lhe dizer que os deputados não estão contra a Madeira. Pelo contrário, eles foram eleitos para estudar, apresentar e debater as propostas. Exactamente o que compete ao governo regional: apresentar diplomas, quando necessário, comparecer na Assembleia para debatê-las e, após aprovação, governar de acordo com a lei. A Democracia impõe que o debate aconteça em sede própria, logo, repito, o Governo tem o dever comparecer na Assembleia para apresentar e sujeitar-se ao debate com a oposição. Quando o governo não cumpre esta regra elementar da democracia, logo, é correcto que toda a oposição abandone o hemiciclo. A maioria dos deputados que suporta o governo, não deve, por princípio, representar o governo. Quem o representa é o membro do executivo e não qualquer deputado eleito. Ademais, é a Assembleia que fiscaliza o governo, sendo, por isso, o primeiro órgão de governo próprio.
O que aquela petição propõe equivale, por extensão, dizer que o Presidente do Governo, que nunca comparece na Assembleia (para além do programa de governo e do orçamento), há muito deveria estar DEMITIDO. O presidente do governo é, antes demais, um deputado eleito e só depois presidente. Logo, deveria dele partir o exemplo, de resto como acontece no parlamento dos Açores e no parlamento nacional.
Para além disto, questiono, o que dizer de uma maioria parlamentar do PSD que nunca quer debater, reajustar e aprovar propostas da oposição de enorme interesse para a população? Que dizer de um Regimento da Assembleia que é um fatinho à medida dos interesses do PSD? Que dizer de uma maioria PSD que marca as sessões quando lhe interessa, quando deveria ser a Mesa da Assembleia a agendá-las? Que dizer de uma Assembleia que permite que seja a maioria parlamentar a apresentar e a impor os regimentos específicos de algumas sessões plenárias? Que dizer das Comissões de Inquérito que, ou são liminarmente chumbadas ou, quando realizadas, são controladas no sentido de não se saber a verdade? O que dizer de um Estatuto Político-Administrativo que não é mexido para preservar os interesses da maioria parlamentar, por exemplo, e este é apenas um exemplo, estabelecer rigorosas incompatibilidades entre o exercício da função de deputado e outras da vida privada?
Pois bem, trata-se de uma petição sem pernas para andar quando há tanta porcaria por resolver naquela Assembleia.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

TIREM ESTE ACTOR DE CENA!


Retirar dez mil a cem mil é uma coisa; roubar cem euros a quem tem mil euros é outra bem diferente. Poder-se-á dizer que ele estava a falar do país, de uma forma global, mas também por aí, sabe-se, que a austeridade acaba por se reflectir nas pessoas. E é isto que este senhor parece não entender ou, se entende, politicamente, é uma nulidade. Politicamente e não só, porque do ponto de vista social, apresenta-se como um egoísta para não dizer desumano.


Ele que vá por esse Portugal fora
e tenha a coragem de dizer isso aos milhões
de pobres e aos desempregados!
Há frases que dão a volta ao estômago. Questionou-se o famigerado António Borges, consultor do governo da República: "O que é a austeridade? A austeridade é viver dentro dos nossos meios". 
Ao ler esta declaração senti, confesso, uma enorme repulsa por este sem vergonha na cara. Não há outra maneira de o dizer. O que aquela declaração significa é que ele pode, com os seus milhares ou, porventura, milhões, mesmo com  algum agravamento fiscal, manter o seu tipo de vida, porque está dentro dos seus "meios", quanto aos outros, os da ex-classe média, os que eram remediados e os pobres e excluídos, esses, não, têm de apertar, aguentar e sofrer porque os seus "meios" não permitem mais. Retirar dez mil a cem mil é uma coisa; roubar cem euros a quem tem mil euros é outra bem diferente. Poder-se-á dizer que ele estava a falar do país, de uma forma global, mas também por aí, sabe-se, que a austeridade acaba por se reflectir nas pessoas. E é isto que este senhor parece não entender ou, se entende, politicamente, é uma nulidade. Politicamente e não só, porque do ponto de vista social, apresenta-se como um egoísta para não dizer desumano.
Ora bem, a quem estamos entregues! Um, o Ulrich, depois de dizer que o povo "aguenta, aguenta" e, mais tarde de ter comparado os sem abrigo com os que têm essa necessidade primária resolvida, vem um tal Borges dizer que temos de viver "dentro dos nossos meios". Mas quais meios? Aqueles que tínhamos e que estão a ser, sucessivamente, roubados como não há memória? Os que dispúnhamos e que nos faziam, ainda assim, estar na cauda da Europa do bem-estar, com mais de dois milhões de pobres? Como vulgarmente se diz, por favor, desampare-me a loja, porque já não há paciência. 
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

PREOCUPANTE INSEGURANÇA


A segurança nos túneis está hoje em causa, mas queira que nunca, repito, nunca, aconteça uma situação delicada no hospital do Funchal. Todos sabem e muitos assobiam para o lado que o hospital é um ponto negro na segurança para quem lá está internado, para quem lá trabalha, para quem o visita e uma dor de cabeça para os bombeiros em situação de emergência. É um hospital cujo projecto inicial andará pelos 60 anos, as fragilidades estão elencadas, pelo que a construção de um novo hospital justificava-se, também, por essa razão. E como o hospital existem por aí tantas situações a merecer cuidados especiais. Mas, não, fingem que está tudo bem, "prà frente... sempre", empurram os problemas com a barriga e quando há problemas é porque Lisboa não mandou o dinheiro!



A segurança nos túneis da Região é motivo de grande preocupação. O facto de terem acontecido incêndios em viaturas, enfim, acabam por constituir casos a lamentar, mas não estamos livres que aconteçam. O que me parece muito preocupante é o presidente do Conselho de Administração da Empresa Estradas da Madeira, Engº Francisco Taboada, entrevistado na RTP-M, ter assumido que há falhas no processo de segurança dos túneis por falta de meios financeiros. Não quero entrar em pormenores que seriam de pura especulação da minha parte. Não sou perito nessas áreas e, por isso, abstenho-me de comentários técnicos sobre tais necessidades. Tampouco escrevo sobre a possibilidade da crise estar a gerar menor cuidado com a manutenção das viaturas. Sei, isso sim, das constantes chamadas de atenção dos bombeiros e deixa-me perplexo, enquanto cidadão, que uma obra daquela natureza, os túneis, no respectivo caderno de encargos, não contemple todos os aspectos relacionados com a segurança. Penso que lá devem estar, mas, no mínimo, é esquisito a segurança não estar acautelada! Deduz-se, então, que mais valeu inaugurar do que zelar pela segurança das pessoas. Ontem, segundo li, do incêndio resultaram dezoito pessoas assistidas na urgência hospitalar, o que é grave.
Mas não quero ficar por aí. Estas situações acabam por explicar muita coisa. Entre outras, explica a falência da Região, quer ao nível da rigorosa definição das prioridades na aplicação do dinheiro de todos nós, quer ao nível do princípio mais básico do respeito pela segurança de pessoas e bens. Há um abandalhamento, uma visão desleixada, um deixa andar que nada vai acontecer e, quando acontece, aparece o do costume a dizer que temos de conviver com o perigo. Entretanto, gasta-se à fartasana, ou gastava-se, naquilo que não é importante (a lista é enorme, quase infindável) ou em estruturas organizacionais como a da Empresa Estradas da Madeira (semelhante a tantas outras e que aqui reproduzo o respectivo organograma, constante no sítio da internet), enfim, perdem-se enormes recursos financeiros que, queiramos ou não, acabam por faltar onde se torna necessário. A segurança nos túneis está hoje em causa, mas queira que nunca, repito, nunca, aconteça uma situação delicada no hospital do Funchal. Todos sabem e muitos assobiam para o lado que o hospital é um ponto negro na segurança para quem lá está internado, para quem lá trabalha, para quem o visita e uma dor de cabeça para os bombeiros em situação de emergência. É um hospital cujo projecto inicial andará pelos 60 anos, as fragilidades estão elencadas, pelo que a construção de um novo hospital justificava-se, também, por essa razão. E como o hospital existem por aí tantas situações a merecer cuidados especiais. Mas, não, fingem que está tudo bem, "prà frente... sempre", empurram os problemas com a barriga e quando há problemas é porque Lisboa não mandou o dinheiro!  
Ilustração: Diário de Notícias-Madeira e sítio da Internet da Empresa Estradas da Madeira.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

OFEREÇAM-LHE UM ESPELHO


Não há dia que não se tome conhecimento de situações graves e que explicam a falência, apesar do "chefe" continuar de peito cheio! Das empresas insolventes ao desemprego galopante, da pobreza que cresce ao associativismo que soçobra, do resgate que já custou 13,6 milhões de euros em juros à montanha de facturas por liquidar em todos os sectores da governação, de tudo isto, pergunta-se, como é que gente política da maioria na Assembleia até às centenas de serviços tutelados pelo governo, não conseguem enxergar as causas e consequências para o povo de uma região continuar entregue a um septuagenário incapaz de criar o novo através de adequadas soluções? Como é possível continuarem a rastejar e a manter uma situação a qual só pode acrescentar tragédia à tragédia em curso? Penso ser explicável à luz dos pequenos e grandes interesses pessoais. Mais nada!


"Numa democracia decente o autor de uma discriminação quer em matéria desportiva, quer em matéria de colocação de professores num país decente era demitido. Só em Portugal é que isso não acontece e os responsáveis ainda não foram demitidos". Esta declaração pertence ao presidente do governo regional da Madeira, a propósito de alguma posições do Ministério da Educação (Dr. Nuno Crato) e da Secretaria de Estado do Desporto e Juventude (Dr. Alexandre Mestre). Eu diria mais, não apenas estes dois, mas todo o governo da República que anda a infernizar a vida dos portugueses. Agora, a questão parece-me ser outra. É que, questionar-se-à, se o autor daquela declaração não tem um espelho, mínimo que seja, na quinta e no gabinete onde se senta no pressuposto de cumprir a missão para a qual foi eleito? É que parece que não tem. Quem assim fala deveria questionar-se se são nulos ou quase inexistentes os seus pecados de governação e se a generalidade do povo continua a admirá-lo e a confiar no que anda para aí a fazer. Ora, como isso não acontece, como os próprios pares, em cerca de 50%, já o querem ver pelas costas, como pela República é "persona" sem credibilidade política, portanto, incapaz de ser ouvida e atendida (atente-se, entre outros, ao grave bloqueio à Lei das Finanças Regionais), como a situação da Região é de falência económica, financeira e social resultante de trinta e tal anos de loucuras, de gastar o que tinha e o que não tinha, pergunto há que anos este político não deveria ter sido demitido?
Não há dia que não se tome conhecimento de situações graves e que explicam a falência, apesar do "chefe" continuar de peito cheio! Das empresas insolventes ao desemprego galopante, da pobreza que cresce ao associativismo que soçobra, do resgate que já custou 13,6 milhões de euros em juros à montanha de facturas por liquidar em todos os sectores da governação, de tudo isto, pergunta-se, como é que gente política da maioria na Assembleia até às centenas de serviços tutelados pelo governo, não conseguem enxergar as causas e consequências para o povo de uma região continuar entregue a um septuagenário incapaz de criar o novo através de adequadas soluções? Como é possível continuarem a rastejar e a manter uma situação a qual só pode acrescentar tragédia à tragédia em curso? Penso ser explicável à luz dos pequenos e grandes interesses pessoais. Mais nada!
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

"CRISTO NÃO TEVE EM CONTA A GRANDE PERÍCIA DOS CAMELOS"


No exercício da política não vale tudo e maioria absoluta não significa poder absoluto. E na política o que parece é! Logo, no mínimo, em defesa da imagem pública do próprio governo, torna-se inaceitável que um elemento que fez parte daquele processo, mesmo sem qualquer culpa formada pela Justiça, seja nomeado para um cargo político. É que o processo está em curso, está muito longe de ser resolvido, o povo português está a sofrer na pele os desmandos de uns quantos sôfregos por dinheiro fácil, daí que, não exista uma única defesa para esta nomeação.

É tão grave para quem o nomeou, como é despudorado para quem aceitou. Mais grave ainda quando o primeiro-ministro e o ministro de Economia vêm defender a sua nomeação para o cargo de Secretário de Estado. Ora, o Dr. Franquelim Alves pode ter indiscutíveis qualidades provadas através do seu currículo académico e profissional, porém de uma coisa não se safa, é que pertenceu à administração da área não financeira da SLN – Sociedade Lusa de Negócios, proprietária do BPN – Banco Português de Negócios, isto é, pertenceu à administração daquela pouca-vergonha que todos estamos a pagar. Esse anátema persegue-o e, portanto, deveria ser ele o primeiro a agradecer o convite mas a decliná-lo. Pode dizer que esteve lá pouco tempo, que mais tarde colaborou no desvendar da teia, tudo isso não o iliba, politicamente, de ter lá estado e pertencido a uma organização que hoje se sabe ter sido mafiosa. A história do processo ainda não é conhecida em todos os seus contornos, mas ainda ontem voaram dos impostos dos portugueses mais mil milhões para ajudar a tapar o colossal buraco. No artigo de opinião do deputado Edgar Silva, leio: "(...) Este é um tempo confuso, tão desconcertante e que tanto assusta e magoa de manhã à noite. Fomos enganados... e tudo por culpa de Cristo, da angelical e boa fé de Cristo. Como escreveu Miguel Bauçã: "Finalmente, provou-se, os camelos conseguem passar pelo estreito fundo de uma agulha. Venceram o desafio que lhes lançou Cristo, com uma surpreendente facilidade. Cristo não teve em conta a grande perícia dos camelos". Exactamente isto, os camelos continuam aí, passando pelo buraco da agulha, fazendo fortunas, rindo-se da pobreza dos demais, justificando o injustificável, colocando os seus nos lugares-chave, sem um mínimo de pudor e ética. O caso do Dr. Franquelim Alves encaixa-se neste quadro por maiores e melhores justificações que possam ser dadas. Pode a pessoa em causa ir à Assembleia da República e pintar de cores garridas aquilo que aos olhos dos portugueses é muito cinzento a roçar o preto, pois manda o bom senso que ambas as partes teriam de dizer NÃO a um lugar no governo. 
No exercício da política não vale tudo e maioria absoluta não significa poder absoluto. E na política o que parece é! Logo, no mínimo, em defesa da imagem pública do próprio governo, torna-se inaceitável que um elemento que fez parte daquele processo, mesmo sem qualquer culpa formada pela Justiça, seja nomeado para um cargo político. É que o processo está em curso, está muito longe de ser resolvido, o povo português está a sofrer na pele os desmandos de uns quantos sôfregos por dinheiro fácil, daí que, não exista uma única defesa para esta nomeação. De facto, "Cristo não teve em conta a grande perícia dos camelos".
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

MUITO BEM APANHADA


"Para os apostadores na idade que sua excelência completava ontem (oxalá também festejemos esse dia no nosso BI), a roda da sorte trouxe dinheirinho para gastos. Para os bicheiros, que tiveram de pagar chorudos prémios, é que deu mesmo no porco, segundo o dito popular. Aliás, os ditos-cujos bicheiros passaram o dia de ontem a praguejar, assim que souberam da rifa que caíra no 1.º Prémio da lotaria clássica".


NOTA:
Li no blogue Fénix do Atlântico do Jornalista Luís Calisto, um saboroso texto, com muito humor e muito que se lhe diga. Reproduzo-o aqui, com a devida vénia, exactamente por esse humor e pela coincidência do aniversário com os números finais do primeiro prémio da lotaria.
"Sabe-se como são supersticiosos os jogadores da lotaria clandestina. Vêem um gato debaixo da escada e lá se vão uns euros valentes nos números relativos ao bichano. Sonham com um cachorro e vai disto. Ouvem falar na última do vizinho do 5.º e apostam tudo na borboleta. Agora, recorde o leitor a super-manchete do ex-JM de ontem, segunda-feira...
Pois, sua excelência fazia 70 anos, anunciava manhã cedo o 'Izvestia' da Fernão de Ornelas.
Imagine o que os fanáticos do jogo-do-bicho fizeram? Claro: correram às bancas clandestinas para despachar euros e mais euros a troco do vale com a prova da sua aposta no 70. Óbvio.
Agora, vejamos o que havia de dar a lotaria clássica da segunda-feira, que serve de orientação ao jogo clandestino. Atente o Leitor no 1.º prémio nacional:
1.º Prémio 
49070 
€ 600.000,00
2.º Prémio 
25642 
€ 60.000,00
3.º Prémio 
07883 
€ 30.000,00
Ora nem mais: a lotaria oficial parece ter resolvido homenagear 'Meio Chefe' e dar o 1.º prémio a quem apostou na idade que o novel septuagenário fazia: 70 anos.
Irra!
Que se tira disto? Que quem aposta em sua excelência está garantido da vida. Como sempre aconteceu, aliás.
No jogo-do-bicho, o '70' pertence ao grupo 18, popularmente conhecido pelo simpático porco - grupo que vai do 69 ao 72.
Para os apostadores na idade que sua excelência completava ontem (oxalá também festejemos esse dia no nosso BI), a roda da sorte trouxe dinheirinho para gastos. Para os bicheiros, que tiveram de pagar chorudos prémios, é que deu mesmo no porco, segundo o dito popular. Aliás, os ditos-cujos bicheiros passaram o dia de ontem a praguejar, assim que souberam da rifa que caíra no 1.º Prémio da lotaria clássica.
Se tivermos a sorte de chegar aos 70, não nos esqueceremos de jogar no porco, nesse dia. Como a crise estará mais aguda do que hoje, quem sabe se não teremos sorte também?

VERSÃO JORNAL DA MADEIRA NA RTP/RDP! PARA JÁ FOI "INCONCLUSIVO"


O problema é que o presidente da RTP, Alberto da Ponte, ainda ontem desvalorizou as críticas do chefe do executivo madeirense ao centro regional da Madeira, classificando-as de "manifestações normais" de um governante (...) que tem de chamar a atenção para aquilo que entende que deve chamar à atenção e nós temos que ouvir e decidir em consonância com a missão que temos, que é a missão do serviço público nacional". O problema também está aí, na subserviência, na ausência de postura e de coluna, pois ao acobardar-se perante tais declarações, implicitamente, colocou em xeque os trabalhadores da RTP/RDP. Saberá o presidente do Conselho de Administração que o dito senhor nunca respondeu, afirmativamente, aos convites da RTP/RDP para qualquer debate com a oposição? Que só gosta de falar a solo e quase impor as perguntas ao longo das entrevistas? Oxalá não tenha o Dr. Alberto feito a Ponte para que o "serviço público" seja entregue de mão beijada a quem diz o querer isento, objectivo e de qualidade, todavia à sua maneira, à maneira do Jornal da Madeira.

Será isto que o PSD deseja
para a RTP/RDP?
Há gente com uma incomensurável lata. Como diz o aforismo popular "não têm água com que se lave", mas continuam em uma espécie de arroto político a dizer coisas que só permitem uma muito sonora gargalhada. Há qualquer coisa de doentio nas declarações que produzem. Por exemplo, ontem, em comunicado, veio o PSD-Madeira defender: "uma RTP/RDP isenta, objectiva e com qualidade, nunca cúmplice da direita dos socialismos, bem como não esgrimida para combater a emancipação cívica que a autonomia política traduz direito ao povo madeirense". Ora bem, que entendimento terá o PSD sobre a isenção, objectividade e qualidade? Será aquele que, em uma só edição, publica 28, repito, 28 fotografias do Dr. Alberto João Jardim? Será que isenção, objectividade e qualidade é querer no "serviço público" RTP/RDP o mesmo comportamento que constitui a matriz editorial do Jornal da Madeira? Vinte e oito saíram na edição de anteontem, podem alguns dizer que se tratou de um suplemento, mas quantas e quantas edições com dez, quinze e mais fotografias? Quantas? Quantas edições quase pareceram um qualquer pasquim da Coreia do Norte, diariamente, em louvores ao "querido líder"? Quantas?
Gerir o "serviço público" de rádio e televisão
é muito diferente que vender cerveja!
O problema é que o presidente da RTP, Alberto da Ponte, ainda ontem desvalorizou as críticas do chefe do executivo madeirense ao centro regional da Madeira, classificando-as de "manifestações normais" de um governante (...) que tem de chamar a atenção para aquilo que entende que deve chamar à atenção e nós temos que ouvir e decidir em consonância com a missão que temos, que é a missão do serviço público nacional". O problema também está aí, na subserviência, na ausência de postura e de coluna, pois ao acobardar-se perante tais declarações do "chefe" regional, implicitamente, colocou em xeque os trabalhadores da RTP/RDP. Saberá o presidente do Conselho de Administração que o dito senhor nunca respondeu, afirmativamente, aos convites da RTP/RDP para qualquer debate com a oposição? Que só gosta de falar a solo e quase impor as perguntas ao longo das entrevistas? Oxalá não tenha o Dr. Alberto feito a Ponte para que o "serviço público" seja entregue de mão beijada a quem diz o querer isento, objectivo e de qualidade, todavia à sua maneira, à maneira do Jornal da Madeira. Para já o encontro foi "inconclusivo". Até ver.
No meio de tudo isto apenas me apetece pedir um pouco de vergonha na cara a quem exerce cargos ou funções políticas no governo ou no âmbito partidário. Sinceramente, não sei onde certas pessoas vão buscar tanta lata para dizerem que a RTP/RDP está politicamente "comprometida com a oposição" sendo "hostil aos autonomistas social-democratas, num claro desprezo pelas regras democráticas". É que esta gente que assim produz declarações, parte do princípio que todos são cegos, que a maioria não se apercebe da marosca, que apesar do analfabetismo e da incultura as pessoas não sabem ler os sinais, mais que não seja, os do dia-a-dia das suas confrangedoras vidas. Isenção... há cada uma!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

AFINAL, QUEM PRECISA DE ÓCULOS?


"(...) Eis o insustentável mas previsível desfecho de uma política ardilosamente montada, por quem, no velho estilo do tudo sabe, tudo pode, tudo manda, não quer nem sombra de outras intervenções autónomas e personalizadas na vida da Região (...) Assim fizeram ao longo dos tempos todos os que teimaram em perpetuar o seu poder (...) Ele chama a si todas as campanhas eleitorais, define todas as estratégias administrativas, faz todas as promessas. A sua orientação política é piamente cultivada pelos seus pares (...) O Povo deixou-se levar nestas cantigas mas agora não vai perdoar aos verdadeiros responsáveis pela actual situação (...) No meio de tudo isto, uma terra, um povo, uma autarquia, é humilhada, maltratada e votada ao ostracismo, por uma classe política de baixo nível. Machico sempre disse não a esta política (...) Por isso tem pago a factura do seu atrevimento, do seu inalienável direito à diferença" (...). O deputado falava, obviamente, do Dr. Alberto João Jardim e de toda a sua estrutura partidária.



Li, no DN-Madeira, uma carta de um leitor Dr. Emanuel Gomes, Deputado do PSD-M, de resposta a uma outra que terá colocado em causa o "desenvolvimento" de Machico. A páginas tantas, o deputado questiona: "(...) Então diga-nos, senhor José Freitas: que idade tem você e se conheceu Machico antes do PSD entrar na Câmara. Diga-nos ainda se usa óculos e em que loja os comprou. E já agora, diga-nos também, se considera o povo de Machico de burro, porque foi o povo que escolheu o PSD para liderar Machico, e porquê? Será que sabe?
Ora bem, são discussões que não me aquecem nem arrefecem. De qualquer forma, é sempre bem-vindo o debate de posições, sobretudo quando se aprofundam os temas, escalpelizando-os e tentando perceber as razões. Obviamente que quando um dos interlocutores entra pelo campo dos "óculos" e se o povo é "burro" ou não, aí não pode existir debate, apenas sobressai a mediocridade e a conversa de café! Mas ao ler a carta do deputado senti-me, uma vez mais, impelido a vasculhar memórias e trazer aqui parte de um artigo escrito, em 1995, pelo ex-socialista Dr. Emanuel Gomes e hoje deputado pelo PSD:
"(...) Eis o insustentável mas previsível desfecho de uma política ardilosamente montada, por quem, no velho estilo do tudo sabe, tudo pode, tudo manda, não quer nem sombra de outras intervenções autónomas e personalizadas na vida da Região (...) Assim fizeram ao longo dos tempos todos os que teimaram em perpetuar o seu poder (...) Ele chama a si todas as campanhas eleitorais, define todas as estratégias administrativas, faz todas as promessas. A sua orientação política é piamente cultivada pelos seus pares (...) O Povo deixou-se levar nestas cantigas mas agora não vai perdoar aos verdadeiros responsáveis pela actual situação (...) No meio de tudo isto, uma terra, um povo, uma autarquia, é humilhada, maltratada e votada ao ostracismo, por uma classe política de baixo nível. Machico sempre disse não a esta política (...) Por isso tem pago a factura do seu atrevimento, do seu inalienável direito à diferença" (...). O deputado falava, obviamente, do Dr. Alberto João Jardim e de toda a sua estrutura partidária.
Não me canso de transcrever esta passagem de um texto do Dr. Emanuel Gomes. Fá-lo-ei sempre que levantar a voz contra outros de opinião distinta. Simplesmente porque, quando  escreveu aquelas linhas, era adulto, não era um jovem indeciso e em fase de aprendizagem política. Era já maduro. Daí que, pela credibilização do exercício da política, o melhor que certamente terá a fazer é seguir o seu caminho com alguma discrição e sem levantar grandes poeiras em seu redor. Porque há "rabinhos de palha" no discurso político difíceis de enrolar. O deputado teve e tem o direito de optar pelos caminhos e pelas convicções que mais se ajustem aos seus interesses, mas faltar-lhe-à credibilidade discursiva porque viveu e sentiu na pele o que foi governar uma autarquia de Machico intencionalmente estrangulada pelo poder regional. Tanto assim foi que escreveu e publicou. Que razões o levaram a mudar a coluna rígida por uma outra de plasticina, bom, isso aí já não é do meu campo de análise política. Sei, apenas, que quando se levanta na Assembleia e bota discurso, aquelas palavras ditas em 1995 regressam à minha memória como se fossem ditas hoje!
Ilustração: Google Imagens.

LEI DAS FINANÇAS REGIONAIS

Não tenho dúvidas sobre esta proposta do líder do PS-Madeira: Alberto João Jardim (PSD) e José Manuel Rodrigues (CDS) devem assumir os seus lugares na Assembleia da República, nem que seja apenas por uma sessão, a fim de defender uma outra Lei das Finanças Regionais. É nos lugares próprios que a política acontece. De nada vale, à distância, atirar umas quantas pedras, utilizando, por exemplo, o Jornal da Madeira para libertar-se das culpas. Esta Lei rouba os madeirenses e porto-santenses como nunca aconteceu. As suas ausências no hemiciclo de S. Bento, sobretudo a do Presidente do Governo Regional, terá o significado de um político fraco e fragilizado, de um político apavorado e sem credibilidade. A não ser que o próprio PSD/CDS não o queiram por lá. Mas essa é outra história.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O POVO TERÁ MUITA DIFICULDADE EM ACEITAR A POSIÇÃO DO PCP


Há situações que exigem abdicação de leituras marginais e apelam à concentração no essencial; há momentos que temos de perder um pouco para que todos ganhem muito; há momentos para convergir e momentos para divergir. Tudo isto sem perder a identidade partidária, os princípios e valores de base, mesmo quando se trata de uma alargada coligação de partidos com identidades muito diferenciadas. No caso da Madeira, a caminho de quarenta anos de uma ditadurazinha travestida de democracia, perante um quadro sociológico e de monumentais interesses pessoais e partidários muito difíceis de penetrar, mais se justifica perante uma situação de excepção que se crie um entendimento de excepção. Respeito a posição dos dirigentes do PCP-M, mas não concordo com este afastamento, mesmo que mil e uma justificações possam ser encontradas. Embora as circunstâncias sejam diferentes, o PCP sabe que, em Lisboa, Jorge Sampaio coligou-se com todos e venceu a Câmara. Até os monárquicos fizeram parte da coligação para acabar com a hegemonia de Nuno Abecassis. Portanto, o que para mim está em causa é acabar com esta hegemonia do PSD que dura há tempo demais.


Necessário conjugar esforços,
nesta hora dramática para os madeirenses.
Não conheço os pressupostos da negociação interpartidária, no sentido de garantir uma alargada coligação para ganhar o Funchal e garantir um conjunto de outras preocupações políticas. Sei que o CDS/PP se colocou à margem (ainda bem), mas fiquei, uma vez mais, surpreendido com a atitude do PCP. Quando sublinho, "ainda bem", relativamente ao CDS/PP, é porque desconfio que alimentam uma secreta intenção de aliança pós-eleitoral com o PSD, o que significaria mudar alguma coisa para que tudo continue na mesma. Adiante.
Eu que tenho um enorme respeito pelo trabalho político do PCP e, nesse aspecto, porque nutro pelos Amigos Edgar Silva e Leonel Nunes, entre outras figuras com quem me relaciono (estou a pensar no Dr. Rui Nepomuceno),  uma consideração pelo labor, dedicação e defesa de causas, cheguei a considerar que, desta vez,  o posicionamento do partido seria inequívoco na sua adesão ao projecto. Acompanhei esses meus Amigos na Assembleia Legislativa e, tenho presente, as lutas, baseadas em consistentes argumentos, estudos e sobretudo a alma colocada na defesa do povo. Em linguagem mais popular, são pessoas que "não brincam em serviço". É gente de princípios e de valores e que vai por aí fora, custe o que custar, faça chuva ou sol, aos sítios onde há gente sem voz e sofredora. Posto isto, sendo isso o que exactamente formulo na minha leitura de processo, lamento que o PCP ou a coligação CDU não esteja associada à prevista conjugação de esforços. Há situações que exigem abdicação de leituras marginais e apelam à concentração no essencial; há momentos que temos de perder um pouco para que todos ganhem muito; há momentos para convergir e momentos para divergir. Tudo isto sem perder a identidade partidária, os princípios e valores de base, mesmo quando se trata de uma alargada coligação de partidos com identidades muito diferenciadas. No caso da Madeira, a caminho de quarenta anos de uma ditadurazinha travestida de democracia, perante um quadro sociológico e de monumentais interesses pessoais e partidários muito difíceis de penetrar, mais se justifica perante uma situação de excepção que se crie um entendimento de excepção. 
Respeito a posição dos dirigentes do PCP-M, mas não concordo com este afastamento, mesmo que mil e uma justificações possam ser encontradas. Embora as circunstâncias sejam diferentes, o PCP sabe que, em Lisboa, Jorge Sampaio se coligou com todos e venceu a Câmara. Até os monárquicos fizeram parte da coligação para acabar com a hegemonia de Nuno Abecassis. Portanto, o que para mim está em causa é acabar com esta hegemonia do PSD que dura há tempo demais. E daí que considere que o programa e as pessoas que lhes darão corpo seja mais importante que qualquer outra clivagem ou leitura partidária. 
Estou convencido que a coligação ganhará o Funchal e se tal acontecer o PCP não ganhará nada em ser oposição. As convicções políticas concretizam-se sendo poder, mesmo que esse poder não seja absoluto. Mas também pode acontecer uma nova vitória do PSD, mesmo à tabela e, nessas circunstâncias, o PCP, salvo outra opinião, carregará o fardo de ter oferecido de bandeja o poder ao adversário que sempre combateu. Estas são meras leituras porque não disponho de estudos de opinião, tampouco disponho de uma "bola de cristal" para prever a correlação de forças lá para Outubro. Entretanto, podem acontecer eleições legislativas nacionais, sabe-se lá, cujos indicadores serão determinantes. Preferia, por isso, que todos partissem para uma coligação abrangente, com pessoas de reconhecida competência técnica, qualidade política e reconhecimento social. E isso é possível. Mas, enfim, oxalá os funchalenses não percam uma oportunidade de ouro quando o PSD, interna e externamente, evidencia sinais de desagregação.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

UMA FOTOGRAFIA VALE MAIS QUE MIL PALAVRAS


Da mesma forma que não gosto de um político distante, enredado no seu mundo, daqueles que falam e ninguém entende, também detesto todos aqueles que não são exemplo, que transmitem uma imagem rasca que não ajuda na transformação da mentalidade. Irrita-me os que apupam, daquela e de tantas outras maneiras. Os que "apupam" na Assembleia chumbando todas as propostas oriundas da oposição; os que "apupam" em posições públicas contra todos aqueles cidadãos que têm a frontalidade de dizerem o que pensam; os que "apupam" os homens e mulheres de ciência que chamam a atenção dos caminhos errados; os que "apupam" os benévolos do associativismo quando reivindicam o cheque por contratos-programa assumidos e não liquidados; os que "apupam" os empresários que, desesperados, pedem o pagamento dos bens e serviços prestados; os que "apupam" através do Jornal da Madeira, enfim, aquelas "bocas de charroco" irritam-me porque contrárias às atitudes de bom senso e com dignidade.



Não posso dizer que, no plano pessoal, nada tenha contra este senhor. Tenho. Mas pouco me rala e adianta. É para o lado que melhor durmo. Aprendi a apagar as coisas menos boas da vida para que brilhem as melhores. Portanto, tudo quanto disse e fez, faz muito tempo, passa por mim como a água nas penas de um pato. Aliás, sempre passou, porque, felizmente, não tenho coluna de plasticina. Agora, do ponto de vista meramente político, concretamente da sua práxis política ao longo de quase quatro décadas, aí sim, porque joga com a vida de muitos milhares, o problema assume outros contornos. Aliás, muito tenho escrito sobre esta personagem política e não quero aqui voltar a dizer o que penso, pois seria chover no molhado. 
Ora, ao passar pelas fotografias de arquivo que alimentam este espaço de comunicação, esta que recortei não sei em que ano e de que órgão de comunicação social (peço desculpa ao fotógrafo pela sua utilização), dei com uma que diz quase tudo. Povo, muito povo ao fundo, o "palhinhas" regional e o gesto de um apupo, vulgar nas suas manifestações. O povo humilde, que a escola não libertou e esta política enclausurou, dirá que o presidente é como a gente!
Esta fotografia é a antítese do que é expectável um líder ser portador. O exemplo nobre e superior fica completamente esmagado pela atitude populista. Sempre foi assim, dirão muitos, mas não deixa de ser chocante. Da mesma forma que não gosto de um político distante, enredado no seu mundo, daqueles que falam e ninguém entende, também detesto todos aqueles que não são exemplo, que transmitem uma imagem rasca que não ajuda na transformação da mentalidade. Irrita-me os que apupam, daquela e de tantas outras maneiras. Os que "apupam" na Assembleia chumbando todas as propostas oriundas da oposição; os que "apupam" em posições públicas contra todos aqueles cidadãos que têm a frontalidade de dizerem o que pensam; os que "apupam" os homens e mulheres de ciência que chamam a atenção dos caminhos errados; os que "apupam" os benévolos do associativismo quando reivindicam o cheque por contratos-programa assumidos e não liquidados; os que "apupam" os empresários que, desesperados, pedem o pagamento dos bens e serviços prestados; os que "apupam" através do Jornal da Madeira, enfim, aquelas "bocas de charroco" irritam-me porque contrárias às atitudes de bom senso e com dignidade.
Apenas uma nota nesta manhã de Domingo e a propósito de fotografias que valem mais que muitas palavras.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A REFORMA DO ESTADO NÃO PODE SER FEITA CONTRA AS PESSOAS


A designada Reforma do Estado é muito mais do que uma mesa de negociação destinada a surfar sobre os problemas, por eles passando como gato sobre brasas, quase se adivinhando o que realmente desejam como produto final. A história recente dos discursos de mentira e aldrabice quando confrontados com as atitudes políticas posteriores, demonstram que da parte da maioria não existe seriedade e que não são políticos confiáveis. Dizem hoje uma coisa para logo mais aplicar outra diferente. Sobretudo o Dr. Passos Coelho é uma vedeta nesse estilo que bole com qualquer português minimamente informado. Já aqui publiquei as suas sistemáticas contradições, portanto, tem razão o líder do maior partido da oposição quando se coloca de pé atrás relativamente ao convite para integrar uma comissão cuja maioria tem uma agenda definida. Do meu ponto de vista, se Passos Coelho deseja uma "Reforma do Estado", na qualidade de primeiro-ministro não precisa, para já, dos restantes partidos, pois enquanto líder do governo, pode e deve começar a cortar, não nas pobres pessoas, mas onde o Estado é de facto gordo, onde está inchado e se impõe adequado tratamento.


Concordo com o Dr. António José Seguro quando sublinha: se o primeiro-ministro quer discutir a "Reforma do Estado", então retire da discussão os quatro mil milhões dos previstos cortes na despesa social. Em contraponto, o primeiro-ministro disse que são coisas distintas e que o PS está a encontrar um álibi para não participar na discussão. Ora, parece-me óbvio, diga o que disser o primeiro-ministro, para a tripla Passos/Portas/Gaspar o que está em causa é mesmo uma clara intenção do governo de coligação conjugar o verbo cortar nos direitos sociais. Está lá, consciencializado, que temos de "empobrecer", ainda mais, não nas tão badaladas "gorduras do Estado", mas onde a abordagem é mais fácil, isto é, na carteira dos contribuintes. Não estão satisfeitos, por exemplo, com os cortes em mais do dobro do que foi previsto pela Troika para o sector da saúde, eles querem ir mais longe, querem cortar ainda mais, querem impor uma dupla e por vezes tripla tributação esquecendo-se que a justiça fiscal deve ser feita em sede de IRS e por aí ficar. No IRS os portugueses já pagam acima das suas possibilidades. Verbos sacar e empobrecer, para não dizer roubar e extorquir, invade-lhes a cabeça com uma total falta de sensatez relativamente a um povo que sendo pobre já deu, nestes últimos anos, tudo o que tem. 
A designada Reforma do Estado é muito mais do que uma mesa de negociação destinada a surfar sobre os problemas, por eles passando como gato sobre brasas, quase se adivinhando o que realmente desejam como produto final. A história recente dos discursos de mentira e aldrabice quando confrontados com as atitudes políticas posteriores, demonstram que da parte da maioria não existe seriedade e que não são políticos confiáveis. Dizem hoje uma coisa para logo mais aplicar outra diferente. Sobretudo o Dr. Passos Coelho é uma vedeta nesse estilo que bole com qualquer português minimamente informado. Já aqui publiquei as suas sistemáticas contradições, portanto, tem razão o líder do maior partido da oposição quando se coloca de pé atrás, relativamente ao convite para integrar uma comissão cuja maioria tem uma agenda definida. Do meu ponto de vista, se Passos Coelho deseja uma "Reforma do Estado", enquanto primeiro-ministro não precisa, para já, dos restantes partidos, pois na qualidade de líder do governo, pode e deve começar a cortar, não nas pobres pessoas, mas onde o Estado é de facto gordo, onde está inchado e se impõe adequado tratamento. A "Reforma do Estado" não deve visar direitos sociais, não deve cortar no "serviço público", nas abusivas e desconexas privatizações cujo fim último é perceptível, deve ir tão longe quanto possível naquilo que não existindo ninguém dá por falta! 
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

DE MESTRE DO INSULTO A MESTRE DA OCULTAÇÃO

A mentira continua. É inadmissível. Há relatórios elaborados, de avaliação sobre o Plano de Ajustamento Económico e Financeiro da Madeira, mas o Governo Regional anda a escondê-los. Os madeirenses e porto-santenses têm direito a saber toda a verdade, não apenas por exigência que decorre do regime democrático, mas porque são os madeirenses e porto-santenses que estão a pagar as dívidas resultantes das loucuras políticas dos sucessivos governos liderados pelo Dr. Alberto João Jardim.