quarta-feira, 30 de junho de 2010

"GUANTANAMO"


Neste "Guantanamo", de facto, não há tiros, algemas ou o castigo do "segredo" para quem mal se porta, mas há o equivalente, construído de forma subtil, moderna e refinada.

Jovem, trabalhador e com qualidade. Detecta-se, facilmente, na frescura das suas ideias, na ambição qb, na determinação e no rigor do pensamento espelhado nas palavras ditas. A páginas tantas, disse-me: "vou embora, estou farto deste Guantanamo". Confesso, senti um aperto na garganta. No fundo, esta terra de senhores falantes ou de ignorância altifalante, segrega, bloqueia, mata, quem, com profissão e colocação, mantém a coluna direita, não se vende a um qualquer cartão partidário, apenas deseja construir o seu futuro, pessoal e profissional, ditado pelas convicções que assume perante a vida. Rebelde (?), não me pareceu, embora uma pontinha desse comportamento deva corresponder ao fogo da alma, à inquietude que se recusa conformar perante situações desconformes. Do meu interlocutor, eu diria, talvez, desajustado, porque não vê e não interpreta o mundo pelos olhares dos outros. A plasticina não corre na sua coluna. Não entra no jogo de "maria-vai-com-as-outras"! Os seus olhares pareceram-me de permanente interrogação: e se não for assim? Isto que parece, não é! Se insistir nisto, é óbvio que estou a contribuir para aquilo! Por aí fora, fiquei eu, mais tarde, a reflectir sobre os seus posicionamentos.
Não esperava ter um encontro tão interessante, tão cheio de vida e tão entusiasmante. Às vezes, penso, nos momentos de alguma desilusão, que eu é que estou desajustado (?), sobretudo quando mergulho no outro lado das coisas e encontro irracionais contrapontos. Aliás, a minha interrogação ganha força no meio de um Parlamento feito para não pensar, que funciona porque a sua natureza institucional assim obriga, mas não, há muita gente que olha para isto e que se sente, qual metáfora, num "Guantanamo" sem arame. Um "Guantanamo" de aparente liberdade, porque as celas existem, as interioridades estão feridas, a castração do pensamento livre obriga muita gente a falar baixinho, os silêncios e os medos andam por aí, as promoções destinam-se aos do circuito da cor, tal como, por oposição, a prateleira é bem visível para os não subservientes. Neste "Guantanamo", de facto, não há tiros, algemas ou o castigo do "segredo" para quem mal se porta, mas há o equivalente, construído de forma subtil, moderna e refinada. São ilhas dentro da ilha, obrigadas a entrar na onda, no rebanho do pastor atento que solta os cães quando algum(a) se atreve a desalinhar. O pastor pede, inclusive, que rezem pela sua saúde "porque o resto é com ele". Como se há 36 anos não soubéssemos que os actos ditatoriais têm origem em uma monumental engenharia política, que tende para a robotização comportamental dos seres humanos que aqui nasceram ou escolheram para viver.
Foi bom falar com este jovem. Para alguns, com toda a certeza, fala de mais. Pelo contrário, digo eu, pensa alto, não se refugia, hipocritamente, na redoma dos interesses, não joga para o baú as sensações e percepções do terror dos silêncios por aí espalhados, esse napalm político que mata a consciência e o pensamento livre. A sua fuga de "Guantanamo", apesar do constrangimento que a metáfora em mim produziu, concedeu-me o redobrado entusiasmo para continuar a dizer alto aquilo que, infelizmente, pela sua idade e estatuto torna-se perigoso. Porque sou mais velho, porque conheço bem esse "Guantanamo" e porque eles têm mais dificuldade para enfrentar-me. Mas sei o que é ser novo, ter ideias, ter imaginação e sonho, ser democrata e sentir-se condicionado. Portanto, vá e regresse mas não perca as suas convicções de Homem que quer exercer a sua profissão em Liberdade e com Responsabilidade.
NOTA:
Opinião, da minha autoria, publicada na edição de hoje do DN-Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 29 de junho de 2010

ATÉ NA MORTE DE JOSÉ SARAMAGO

Esta manhã, na Assembleia Legislativa da Madeira, foram apresentados quatro votos de pesar pela morte de José Saramago (PS, PCP, BE e CDS). O PS apresentou o seguinte requerimento:
REQUERIMENTO
Senhor Presidente,
Considerando:
a) A personalidade José Saramago, único português galardoado com o Prémio Nobel da Literatura;
b) O facto de se encontrarem, para apreciação, vários votos de pesar;
c) Que se justifica que a Assembleia Legislativa da Madeira, apresente, por iniciativa da Mesa um único Voto de Pesar.
O grupo parlamentar do PS-Madeira, nos termos regimentais, requer que o Senhor Presidente, antes de serem colocados à discussão os votos apresentados, submeta este requerimento ao plenário com o seguinte objectivo:
a) A Mesa tomará a iniciativa de elaborar um Voto de Pesar a apresentar na sessão plenária de 30.06.10.
Funchal, 29 de Junho de 2010
O Grupo Parlamentar do PS
A intenção foi a de oferecer maior dignidade a este voto, permitindo que fosse o primeiro órgão de governo próprio, a assumir uma mensagem de unanimidade de todo o povo da Madeira. Este requerimento foi chumbado pelo PSD-M. E o PSD não ficou por aqui, pois votaram contra os votos do BE e do PCP.
É caso para dizer que até a morte é partidarizada.
Basta, meus senhores. Dignidade, precisa-se, urgentemente.
NOTA:
E o que dizer, do voto contra do PSD-M, na Assembleia Municipal do Funchal, quando estava em causa o pesar pela morte de Saramago? Tudo isto é muito mau e denuncia, claramente, ausência de sentimentos e de respeito.
Ilustração: Google Imagens.

CIDADES E LUGARES 657. LONDRES/INGLATERRA

Londres. Locais de relevante interesse histórico.
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segunda-feira, 28 de junho de 2010

CENSURA, CLARA E INEQUÍVOCA!



O sistema, ardilosamente paciente, engendrou novas e mais sofisticadas formas de censura. Há como um cordão umbilical que liga o poder à rede de interesses entretanto montada. Há muita gente que sabe como é que "os gestores das mentes" pretendem que eles se comportem.


CENSURA. A palavra parece ser excessiva, mas não é. Não é a censura de outros tempos, em que todo o texto tinha de passar pelo crivo do censor. Essa avaliação é hoje feita de outra maneira. Nem necessário se torna impor, de forma implacável, fria e desonesta. O sistema, ardilosamente paciente, engendrou novas e mais sofisticadas formas de censura. Há como um cordão umbilical que liga o poder à rede de interesses entretanto montada. Há muita gente que sabe como é que "os gestores das mentes" pretendem que eles se comportem.
Depois, em um mercado tão limitado, obviamente, que o espaço de intervenção liberto da influência do poder é muito limitado, ao que acrescem as responsabilidades pessoais e familiares. "Comprar chatices" é muito complicado e, portanto, neste quadro em que a vida profissional assenta, parece-me lógico que, primeiro, a autocensura e, depois, a CENSURA, surjam como corolário multifactorial. Penso que resta a denúncia, sem dó nem piedade, aberta, frontal e nos sítios certos. No caso da RTP-Madeira, os acontecimentos dos últimos dias, aliás, a longa história que tem neste processo de secundarização, implica (esta é uma opinião meramente pessoal) que seja desencadeado um processo de impugnação da nomeação dos actuais gestores, uma vez que a mesma assentou em pressupostos de contornos ilegais e numa história que, alegadamente, está muito para além do que é visível.
Aliás, a atitude manifestamente contra do Conselho de Opinião da RTP, relativamente à criação de uma "Comissão de Aconselhamento" da RTP-Madeira, constitui um posicionamento muito claro sobre as manobras que levaram ao actual quadro de responsabilidades. E quanto à Entidade Reguladora, neste momento, apenas aguarda pelas explicações do Conselho de Administração da RTP, face às muitas questões que foram colocadas pelo grupo parlamentar do PS-Madeira.
A sensação que começo a ter é que o PSD quer ganhar na "secretaria" aquilo que não consegue ganhar
na argumentação política e nas propostas políticas apresentadas pelo maior partido da oposição. A insegurança é total. Enquanto, de um lado, apenas com sete deputados, saem, todas as semanas, propostas de grande alcance no sentido de ajudar a resolver os problemas da Região, do outro, do lado da maioria, é sensível o silêncio e a incapacidade. E isto incomóda, obviamente. É, por isso, que, apesar dos seus 33 deputados, a fragilidade conceptual em que o governo e a maioria se encontram, leva-os a condicionarem, nos vários patamares, a divulgação das mensagens. No Parlamento, as duas revisões do Regimento em três anos, surgiram como resposta às necessidades de impedir a intervenção da oposição; fora do Parlamento, é o Jornal da Madeira, é a RTP, são as rádios locais, é o estrangulamento do Diário de Notícias e da comunicação social não diária, enfim, há, claramente, uma estratégia montada para que o próximo ano eleitoral possa constituir um passeio.
O Presidente da República não vê isto e, penso eu, se lá formos falar, certamente, que nos remete para o site da Presidência!!!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 27 de junho de 2010

NOTAS SOLTAS E A CENSURA DA RTP

Subtilmente, o caminho vai sendo construído em favor do poder. E já repararam que desde há vários meses que o presidente do governo regional não se refere à televisão?

Duas notas nesta manhã de Domingo:
1ª Sondagens
Os tempos são muito difíceis para o governo do Engº José Sócrates. Uma sondagem da Marktest para o Diário Económico e TSF atribui ao PSD 47,7% das intenções de voto, caindo o PS para 24,1%.
Porém, há que salientar que o nível de indecisos desta sondagem é de 41,8%. Na opinião de André Freire, tudo está em aberto: "Apesar deste estudo consolidar a tendência de subida do PSD e a queda do PS, se juntarmos aos indecisos a abstenção [4%] e os votos brancos e nulos [6%] dir-se-á que tudo pode acontecer".
O que me parece lógico é que a diferença entre os dois partidos não tem a expressão que a sondagem apresenta, quando a percentagem de indecisos é tão significativa. Não deixa de ser um indicador muito significativo, mas... cuidado com as leituras percepitadas.
2ª RTP-Madeira
Uma vez mais pela negativa. Se aquilo a que assisti não é censura, pergunto, então o que é?
Ontem, no Telejornal, segui a peça que reportou a presença, no Funchal, do grupo socialista do Parlamento Europeu que, durante dois dias, realizou uma visita no quadro das Jornadas Parlamentares.
Na conferência de imprensa final, falou a Deputada Drª Edite Estrela, enquanto líder do grupo visitante e, a fechar, o Presidente do PS-Madeira, Dr. Jacinto Serrão. Deste nem uma palavra. O Vice-Presidente do governo (e muito bem, por parte da RTP, disse o que tinha a dizer) mas o líder da oposição, nada, rigorosamente, nada, ao contrário de outros órgãos de comunicação social que divulgaram passagens da sua intervenção. Censura? Obviamente que sim. Tudo controlado ao pormenor. Subtilmente, o caminho vai sendo construído em favor do poder. E já reparam que desde há vários meses o presidente do governo regional não se refere à televisão.
NOTA:
A RTP-M acabou de fazer nova CENSURA ao PS-Madeira. Na sessão de encerramento do Congresso da Juventude Socialista, a RTP não esteve presente. Inexplicavelmente. A RTP-Madeira ignorou o partido que governa Portugal, ignorou que o PS é líder da oposição na Madeira e ignorou a presença dos parlamentares europeus na citada sessão. Isto é CENSURA. Não há explicação possível. O Conselho de Administração da RTP em Lisboa deve ser questionado sobre esta matéria. Uma vergonha que desprestigia a obrigação de "serviço público"!
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 26 de junho de 2010

A QUE PONTO CHEGA A INCOERÊNCIA



A mesma figura que pede remodelações na República é a mesma figura que permite que permaneçam à frente da Secretaria dos Assuntos Sociais e da Secretaria Regional da Educação e Cultura, dois governantes, cujos sistemas, classes profissionais, utentes e serviços têm sido pomo de acesa controvérsia...

Já sabia que a situação do Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) iria sobrar para alguém. Como não pode enfrentar o Primeiro-Ministro, por enquanto, saliento, a vítima escolhida foi o Dr. Teixeira dos Santos. Rua com esse senhor porque, ao jeito das atitudes do Bloco de Esquerda (?), está a criar problemas em demasia à Madeira, sublinhou, com outras palavras, o Presidente do Governo Regional. Tem qualquer coisa de espantosa esta declaração. Mas há quanto tempo o PS-M equacionou o problema do CINM, chamando a atenção para a necessidade de sérias negociações? Alguém ouviu? Dei conta, sim, de dois comunicados do governo a desvalorizar as posições do PS-Madeira e até desajeitados e com conteúdos desagradáveis.
O desnorte do governo regional, apesar de tantas visitas a Bruxelas, está aí, mas, como se não tivesse responsabilidades no processo, ora bem, o melhor é "chutar" para a República. E em uma altura extremamente complexa para o País, onde necessário se torna um Ministro das Finanças bem dentro dos dossiês e com um bom relacionamento ao mais alto nível europeu, vem o presidente do governo regional, no seu habitual egoísmo e ausência de responsabilidade, pedir que o Primeiro-Ministro o substitua. "(...) O primeiro-ministro é que tem de decidir: ou afunda-se nas mãos deste Ministro das Finanças ou tem o salto genial de fazer uma remodelação de Governo".
Não deixa de ser interessante que a mesma figura que pede remodelações na República é a mesma figura que permite que permaneçam à frente da Secretaria dos Assuntos Sociais e Secretaria Regional da Educação e da Cultura, dois governantes, cujos sistemas, classes profissionais, utentes e serviços têm sido pomo de acesa controvérsia. Basta ler a comunicação social dos últimos meses (ia dizer anos) para se concluir que "bem prega frei Tomás".
NOTA:
Sobre esta matéria reproduzo aqui um post do Deputado Carlos Pereira, publicado no seu blogue a 14 de Junho:
"Na verdade esta notícia dá vontade de rir, embora seja trágica. Vejamos o se passou e observem este desnorte. Primeiro o PS Madeira alertou para a desatenção e ineficácia do PSD M e do Governo Regional, afirmando a necessidade de actuar em prol do CINM. Depois, o Governo do PSD enviou comunicados a desmentir o PS Madeira (foram logo dois!). De seguida o Presidente do Governo afirmou do alto da sua irracionalidade que estava tudo tratado e iria apresentar, através do Governo da República, uma proposta mais vantajosa num momento mais adequado. Tudo certo, e agora? É fácil, o Senhor Presidente não tem nenhum plano e, cá entre nós, não tem noção do que deve fazer porque o que sai do CINM é SEMPRE liderado pela administração da SDM, o concessionário privado. Um erro colossal que coloca em causa os interesses dos madeirenses. Imaginem que isto chega ao cúmulo do Presidente da SDM se substituir ao GR nos contactos institucionais".

CIDADES E LUGARES 656. LANZAROTE/ESPANHA

Lanzarote. Jardim dos Cactos, uma das últimas obras de Cesar Manrique.
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sexta-feira, 25 de junho de 2010

PREOCUPANTE, MUITO PREOCUPANTE...


Este governo não tem perdão por aquilo que está a fazer a uma empresa (e a outras empresas de comunicação social não diária - Tribuna da Madeira e Cidade) e aos seus trabalhadores. Apetece-me gritar: meus senhores, tenham vergonha!

A situação do DIÁRIO está cada vez mais complicada. Há muito que o problema é sentido e nele tenho-me empenhado, através do Grupo Parlamentar a que pertenço, no sentido de fazer ver, nas instâncias próprias, a vergonhosa perseguição, de natureza política, movida pelo governo regional da Madeira.
Chamemos as coisas pelo seu próprio nome: é ao governo regional, da responsabilidade do PSD, que todas as responsabilidades devem ser assacadas. Uma história de vários anos com uma estratégia minuciosamente estudada e arquitectada para silenciar o "independente", porque escapa-lhe ao seu controlo. Ali, lá vão saindo primeiras páginas e conteúdos comprometedores da governação, porque ali tem havido espaço para a opinião livre de qualquer quadrante, porque ali há gente de coluna, que pensa pela sua própria cabeça e que não se deixa intimidar pelas pressões venham elas de onde vierem. O DIÁRIO configura a nesga onde ainda é possível respirar a liberdade e o pensamento livre.
E como é assim, qualquer sistema ditatorial que, obviamente, não convive bem com os livres-pensadores, só tem um caminho: o da liquidação lenta, a morte a prazo, a perseguição "inteligente", subreptícia, até o estrebuchar final. Tudo feito de uma forma serena, calculista, fria e assassina. E como? Entregando milhões de todos os contribuintes ao Jornal da Madeira, para a sua própria propaganda e, como se isto não bastasse, disponibilizando, sob a forma de "oferta", 15.000 exemplares diários. Mais, ainda, porque a empresa JM não precisa de dinheiro e, por isso, fazendo "dumping" comercial, compromete todos os órgãos de comunicação que precisam que o mercado funcione em igualdade de circunstâncias. Tudo, maquiavelicamente, calculado.
Dois aspectos deixam-se prostrado:
Primeiro, não entendo o silêncio, o arrastar da situação por parte daqueles que têm o dever e a responsabilidade de actuar: o Conselho da Autoridade da Concorrência, a Entidade Reguladora da Comunicação Social, o Presidente da República, a Assembleia da República e os vários grupos parlamentares. Um silêncio cúmplice, salpicado aqui e ali, com uma insípida actuação.
Segundo, constrange-me ter consciência do sufoco porque passam os profissionais que lá trabalham. Conheço muitos deles por quem nutro respeito, consideração e estima pessoal. Conheço alguns com famílias organizadas e que, de um momento para o outro, sem outra saída possível, serão lançados no desemprego. Tudo porque um homem não abdica da hegemonia política que tem nesta terra. Tritura, leva tudo à sua frente, porque os seus interesses estão em primeiro lugar. Pouco ralado está que, neste processo, tenha as mãos sujas.
E a Constituição da República é clara ao consagrar no Capítulo I (Direitos, liberdades e garantias pessoais) do Título II (Direitos, liberdades e garantias):
"O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico, impondo o princípio da especificidade das empresas titulares de órgãos de informação geral, tratando-as e apoiando-as de forma não discriminatória e impedindo a sua concentração, designadamente através de participações múltiplas ou cruzadas".
Está escrito mas constitui letra morta para o Presidente da República e para a Assembleia da República. Nem o facto do Tribunal de Contas criticar o facto do JM ter um défice anual entre três e quatro milhões de euros abala as consciências.
Este governo não tem perdão por aquilo que está a fazer a uma empresa (e a outras empresas de comunicação social não diária - Tribuna da Madeira e Cidade) e aos seus trabalhadores. Apetece-me gritar: meus senhores, tenham vergonha!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

INVESTIR NA EDUCAÇÃO


Uma criança de 8 anos que recebeu estímulos cognitivos aos 3 conta com um vocabulário de cerca de 12.000 palavras – o triplo do de um aluno sem a mesma base precoce. E a tendência é que essa diferença se agrave.

É inaceitável o agravamento dos valores a pagar pelas famílias madeirenses, com filhos na rede pública de creches e jardins de infância. Em um momento de grave crise, com indicadores de pobreza na ordem dos 30%, com mais de 15.000 desempregados, com um tecido empresarial aflito e que não consegue dar resposta no emprego, com muitos a tomarem o caminho de emigração forçada, desestruturando, ainda mais, as famílias, venha o governo impor aumentos nas mensalidades. Para além do mau senso do governo em função da oportunidade, ignora o que significa, a prazo, o investimento nas primeiras idades.
A posição do Partido Socialista é muito clara nesta matéria e está consubstanciada na gratuitidade dos primeiros três escalões correspondentes ao abono de família. Tal gratuitidade justifica-se não só pelas dificuldades económicas da população, mas também quando está estudado que tentar “sedimentar num adolescente o tipo de conhecimento que deveria ter sido apresentado a ele dez anos antes sai algo como 60% mais caro”, sublinha o estudo de James Heckman, Prémio Nobel da Economia. Os números são espantosos. “Uma criança de 8 anos que recebeu estímulos cognitivos aos 3 conta com um vocabulário de cerca de 12 000 palavras – o triplo do de um aluno sem a mesma base precoce. E a tendência é que essa diferença se agrave. Como esperar que alguém que domine tão poucas palavras consiga aprender as estruturas mais complexas de uma língua, necessárias para a aprendizagem de qualquer disciplina? Por isso as lacunas da primeira infância atrapalham tanto. Se a base for ruim, o edifício desmoronará”.
O governo não entende esta mensagem, agrava os valores, cria as condições para o abandono, esquecendo-se que, quem pouco tem, não pode pensar em uma educação a vinte anos, pois tem de pensar a vida ao mês e à semana. Esquece-se que a ausência de investimento nas primeiras idades está associada a uma série de indicadores futuros, como a taxa de retenção, desistência e qualificação que, na Região, em 2007/08, foi de 20,3% no 3º ciclo do Ensino Básico e de 26,6% no Secundário (Público, 13.06.10). Estes são valores que representam um custo enorme para o desenvolvimento.
NOTA:
Texto de uma "Carta do Leitor" que hoje publiquei na edição do DN-Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

RTP - O CONTROLO ABSOLUTO



Eles sabem discernir entre o certo e o errado, entre o equilíbrio e o favorecimento, entre um serviço público e uma estação de natureza privada, embora esta esteja obrigada a deveres éticos. Infelizmente, parece terem optado pela "gestão das mentes".


Dia para dia piora a situação. O controlo é absoluto e é sensível aos olhos de qualquer cidadão minimamente atento. Quase dois milhões e meio de orçamento justificavam um serviço público de melhor qualidade e distante de qualquer sintoma de favorecimento. Do meu ponto de vista não existe outra leitura que não essa, fundamentalmente porque as pessoas, gestores a todos os níveis, inteligentes que são, sabem discernir entre o certo e o errado, entre o equilíbrio e o favorecimento, entre um serviço público e uma estação de natureza privada, embora esta esteja obrigada a deveres éticos. Infelizmente, parece terem optado pela "gestão das mentes".
Ontem, no jornal da noite, o quadro repetiu-se de forma descarada. Dois exemplos:
1º A peça que deu conta da situação da dívida às farmácias, na ordem dos 105 milhões de euros, teve, no Secretário Regional dos Assuntos Sociais, a desvalorização do facto, porque, assumiu, decorrem negociações. O Presidente da Associação Nacional de Farmácias fala, hoje, em "desastre público", mas o Dr. Jardim Ramos, repito, desvalorizou uma situação que é muito grave, porque a dívida não só não é atenuada como se agrava. É "questão que não se coloca" - disse. Curiosamente, ou talvez não, o líder da oposição, não foi ouvido nem achado sobre esta matéria. Em qualquer parte não é assim, nos assuntos de grande relevância social, o líder da oposição é chamado a pronunciar-se. Veja-se, por exemplo, o caso que decorre relativamente ao pagamento das portagens no espaço Continental. O governo pronuncia-se e, logo de seguida, outros fazem o contraponto. Aqui, não, basta a voz oficial. A democracia e a alternativa podem esperar.
2ª Na inauguração do Centro Educativo da Madeira, o Presidente do Governo sublinhou que aquele constituiu "um momento feliz". Disse da sua felicidade mas, estranhamente, a RTP-M não se lembrou que este mesmo governante assumiu que não queria crianças presas e que o atraso de cinco anos deveu-se à teimosia do governo regional em não aceitar uma gestão partilhada daquele centro educativo. Situação que foi clarificada pela Directora-Geral da Reinserção Social, Drª Leonor Furtado, na recente visita dos Deputados da Madeira àquele Centro. Curiosamente, ou talvez não, repito, o líder da oposição assistiu ao acto de inauguração, mas não foi ouvido. Interessante!
Tão grave quanto isto, esta manhã, nas notícias da RTP-M aquelas duas peças foram repetidas até à exaustão e toda a restante actividade política dos partidos da oposição, uma vez mais, foi secundarizada, isto é, nem uma iniciativa correspondeu aos interesses da estação que tem a responsabilidade de serviço público. Importante foi apresentar, repetidamente, o Dr. Brazão de Castro a receber um grupo folclórico de emigrantes em Londres. É caso para dizer que ninguém pára a propaganda!
Entretanto, ontem à noite, no desfile das marchas de S. João, como se nada estivesse combinado, sucessivamente, falaram o Vice-Presidente do Governo, o Presidente da Câmara, o Secretário da Educação, o Presidente da Sociedade de Desenvolvimento, enfim, só faltou a presença do Dr. José Manuel Marquitos, Vice-Presidente do Conselho de Administração da RTP, em Lisboa, um dos responsáveis pelo desnorte que se vive na RTP-Madeira. Deveria ter vindo porque, assim, completava o ramalhete.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

AS CRIANÇAS ESTÃO EM VIAS DE EXTINÇÃO


É por isso necessária a tal "revolução" prática e de mentalidades, que acabe, por exemplo e desde logo, com essa mistificação da "Escola a Tempo Inteiro" e com esses "horários cruzados" que constituem boas respostas para problemas errados. As pessoas, governantes, sublinho, infelizmente, não sabem o que andam por aí a semear.


Ontem, no programa "Parlamento" da RTP-M, para o qual fui convidado a participar, a Jornalista Daniela Maria, iniciou o debate questionando-me sobre as razões que me levavam a defender uma "revolução" do sistema educativo regional. É evidente que se trata de uma questão profunda que nos levaria a uma longa conversa, já que a mesma arrasta consigo um leque vastíssimo de aspectos relacionados não só com a organização do sistema educativo, aos níveis regional autónomo e de estabelecimento de educação e ensino, mas também com a estrutura curricular e até programática.
Trata-se, repito, de uma questão muito complexa que a Jornalista percebendo as variáveis em jogo, tentou abordar mas que, os imperativos de limitação do tempo disponível do programa, não permitiu ir muito longe. Mas o assunto foi ali tocado e confesso que fiquei feliz por ter sido a questão inicial, o que significa que o debate desse lato conjunto de preocupações está a ficar sobre a mesa do debate. O ambiente começa a ser favorável a um despertar de consciências adormecidas por anos a fio de rotinas.
Entretanto, hoje, li uma muito interessante e oportuna entrevista com o Dr. Eduardo Sá, Psicólogo Clínico (Revista Focus). O título não poderia ser mais sugestivo: "As crianças estão em vias de extinção". A páginas tantas, sublinha Eduardo Sá: "(...) cada vez mais as crianças estão a passar por um conjunto de situações que não são muito razoáveis" (...) Cada vez mais as crianças não são crianças. As crianças têm hoje uma relação com o brincar que é cada vez mais uma relação de fim-de-semana e brincar é uma actividade muito séria para que seja feita apenas ao fim de semana. Passam cada vez mais horas na escola, o que não é adequado... aquilo que me preocupa é que mais escola, sobretudo como ela está a ser vivida, signifique menos infância e quanto menos infância mais nos arriscamos a construir pessoas magoadas com a vida. Quanto mais longa e mais rica for a infância mais saudável será a adultez (...) os pais estão muito enganados ao pensarem que mais escola significa mais educação (...) neste momento a infância começa a ser perigosamente a escola e de repente há toda uma vertente tecnocrática como se o que estivesse em primeiro lugar fosse toda a formação e depois viver a vida. Isto é um absurdo".
A revolução passa um pouco por aqui. Ao invés de pensarmos em caminhar no sentido de uma nova organização social que considere, por exemplo, os horários de trabalho e o tempo para a vida familiar, estamos a caminhar no sentido de entregar à escola a responsabilidade da educação que pertence, em primeiro lugar, à família. A escola está, paulatina e alegremente, a caminhar no sentido do "armazém de crianças" de que falava, recentemente, o Dr. Daniel Sampaio. Temos uma escola cheia de "coisas", isto é, de iniciativas, mas que não servem para nada, não acrescentam nada, apenas roubam o tempo para jogar (jogo num sentido lato) como falava Jean Chateau no notável livro A Criança e o Jogo: A criança mais disponível é a que mais joga.
É por isso necessária a tal "revolução" prática e de mentalidades, que acabe, por exemplo e desde logo, com essa mistificação da "Escola a Tempo Inteiro" e com esses "horários cruzados" que constituem boas respostas para problemas errados. As pessoas, governantes, sublinho, infelizmente, não sabem o que andam por aí a semear. Oiçam o Psicólogo e metam na cabeça, meus Senhores: "mais importância às crianças significa mais e melhores adultos" (...) os pais são os manuais mais importantes para as crianças e se os pais não perceberem isso estão a dar à escola a importância que ela não deve ter".
Ilustração: Google Imagnes.

terça-feira, 22 de junho de 2010

CIDADES E LUGARES 655. LANZAROTE/ESPANHA


Lanzarote. Terra de César Manrique, o Arquitecto das Ilhas (e não só). Esta foi a sua casa, hoje Fundação, onde se encontra a sala José Saramago.
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O MELHOR CAMINHO PARA SAIR PELA PORTA DAS TRASEIRAS


A referência a Deus e à reza, é dirigida, cirurgicamente, aos sentimentos profundamente religiosos do Povo. É muito mais do que uma expressão vulgarmente dita. Ela tem uma intencionalidade política. É Ele ("Nosso Senhor") o guia que tem, neste bocado de terra, um guia do Seu Povo. E, portanto, rezem para que me mantenha neste lugar.


Todos nós devemos ter a noção do tempo. É o ciclo da vida que nos impõe essa noção de tempo para actuar e servir e o tempo para recuar e permitir que outros imprimam novas dinâmicas, neste caso, de natureza política, económica, social e cultural. Tudo tem o seu tempo. Não apenas por um problema de idade, mas um problema de bom senso e até de capacidade. Infelizmente, há pessoas que assim não entendem e fazem da sua vida política uma espécie de bateria "duracell", conjugada com uma "política do eucalipto". É por isso que isto está assim. Dizem que o exercício da política não é uma profissão mas, no fundo, comportam-se como se ela fosse. E se lhes retirarem esse compromisso que impõem a si próprios, sentem que morrem aos bocados, pela falta do alimento que o poder lhes faculta.
Isto a propósito do que ouvi o Senhor Presidente do Governo Regional dizer: saio "quando o povo quiser" (...) tenho "novas responsabilidades em cima de mim após os trágicos acontecimentos do dia 20 de Fevereiro" (...) "tenho a consciência que não é depois de uma certa idade que vou fazer a vontade aos meus adversários" (...) pelo que "não saio quando os meus adversários quiserem. Saio quando o povo quiser. Assim é que é a democracia" (...) só peço que "rezem para Nosso Senhor continuar a me dar saúde" (...) "se eu tiver saúde, o resto é comigo".
Muito interessantes estas declarações. Desde logo, coitado do Povo, enredado que anda na teia que foi tecida ao longo de 36 anos, uma teia de colossais dependências, que o conduzem, muitas vezes, a não ter ou poder desfrutar de outras opiniões. O Povo é hoje a consequência do que ele sempre procurou, um povo humilde, sem estoicidade e pouco valente em matéria de direitos e de observação do Mundo. Ele sabe que é assim, ou como vulgarmente se diz, "com a verdade me enganas". Outra: fazer a vontade à oposição, essa é excelente, essa transmite o sentimento que se sair o PSD perderá as eleições, porque é ele que aguenta a instabilidade interna. Finalmente, a referência a Deus e à reza, é dirigida, cirurgicamente, aos sentimentos profundamente religiosos do Povo. É muito mais do que uma expressão vulgarmente dita. Ela tem uma intencionalidade política. É Ele ("Nosso Senhor") o guia que tem, neste bocado de terra, um guia do Seu Povo. E, portanto, rezem para que me mantenha neste lugar.
Pessoalmente, desejo-lhe o máximo de saúde e uma vida longa mas, por favor, é tempo de não jogar com os sentimentos das pessoas, tampouco com a administração e gestão de uma Região que precisa, urgentemente, de novos e mais qualificados actores políticos. O "resto" não é consigo, Senhor Presidente, porque está aos olhos de todos o ponto a que chegámos, no desemprego, na pobreza, na falta de referências, etc. etc..
Tudo tem o seu tempo e o autor daqueles palavras já teve o seu. Arrisca-se a sair pela porta das traseiras...
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O CONTROLO REMOTO


Esta é a nossa cultura, falar de tudo mesmo sem perceber.


Queiroz passou de besta a bestial... num ápice. 7-0 frente à Coreia do Norte prova que se fala sem conhecer. Hoje, na edição do DN-Madeira, publiquei este texto. Um texto, a propósito, penso eu.
"Não tenho acompanhado a par e passo o Mundial de Futebol. Segui umas partes, quando calha, vou sabendo dos resultados e, de quando em vez, apanho os comentários que vão sendo produzidos. É evidente que, após esta primeira ronda de qualificação, buscarei o espectáculo que o alto rendimento é capaz de produzir e que me encanta. E nesse aspecto, oxalá, Portugal esteja entre os melhores. Faz parte da nossa auto-estima enquanto Povo sentirmo-nos representados ao mais alto nível, sobretudo por aqueles que nasceram em Portugal.
Mas, como vinha dizendo, tenho apanhado uns comentários, em directo, nos jogos, ou naqueles programas que o meu “zapping” obriga a passar e a escutar. Invariavelmente, fico com aquela sensação, aliás, sempre foi assim, que este é um Povo que não tem hábitos de prática desportiva (77%) mas que percebe daquilo como ninguém. O Queiroz assim e o Queiroz assado, a táctica, este e aqueloutro no lugar de uma dada opção técnica, enfim, concluo eu, mata-se uma pessoa a fazer uma Licenciatura e cursos e mais cursos pós-graduação, adquire uma notável folha de experiências e de competências e, depois, piores que as vuvuzelas, uns senhores, e senhoras, também, cujo “desporto”, não vai além da corrida para apanhar o autocarro, ditam a sentença: toma lá que disto pouco percebes. Não acho razoável. Dirão, alguns: é o futebol, meu amigo! Talvez. Mas é também uma questão de formação, de educação e de cultura. Acrescento: esta é a nossa cultura, falar de tudo mesmo sem perceber.
Eu que gosto de ver o espectáculo e de vivê-lo, espero pelo dia que o meu controlo remoto possa dispor da possibilidade de escolher apenas o som ambiente ou o ambiente mais os comentários. Muitas vezes, certamente, escolherei a primeira função".
Ilustração: Google Imagens.

CIDADES E LUGARES 654. LANZAROTE/ESPANHA

Lanzarote. Ilha onde JOSÉ SARAMAGO viveu os últimos anos da sua vida. Uma ilha de indescritíveis encantos. Clique sobre a foto para ampliá-la e, depois, sobre cada foto para ver o pormenor. Posted by Picasa

RTP: ASSIM SE PRODUZ A PROPAGANDA


Ver a Escola pelo prisma da construção civil é ter uma visão trolha desse mesmo sistema. O sistema é muito mais do que inaugurações, hinos e discursos de circunstância. A Escola é o que lá se faz, são os programas e os currículos, é o seu número de alunos por espaço e por turma, é a noção exacta do essencial relativamente ao acessório...



A RTP-Madeira não está controlada. Como vulgarmente se diz... cá nada!
Ontem tive a oportunidade de seguir uma peça sobre a construção de escolas. Escutei que, nos últimos anos, foram construídas não sei quantas (os números do Jornal da Madeira não se compaginam com os da televisão, curioso!), depois colocaram umas senhoras que trabalhavam a terra a dizer que naquele tempo era pior, etc. etc., imagens de uma escola nova e pronto, assim, subtil e desenquadradamente, a propaganda lá vai passando. Problemas actuais na Educação: zero! O Estatuto da Carreira Docente, o "penalty" que a Secretaria Regional da Educação marcou contra os educadores e professores, através das alterações ao ECD aprovadas na última Quarta-feira, na Assembleia, o chumbo à proposta de Regime Jurídico do Sistema Educativo, proposto pelo PS, a não contagem do tempo de serviço para reposionamento na nova estrutura da carreira, a iníqua prova pública de passagem ao 6º escalão, os péssimos resultados vindos a público ao nível da retenção e desistência (Ensino Básico) que colocam a Madeira na pior posição do País, com 20,3%, ao contrário dos Açores que apresentam 15,3%, enfim, nada disto é importante. Não é importante sequer que os Conselhos Executivos não tenham um cêntimo para investir no projecto educativo e estejam a abarrotar de dívidas. Fundamental é contrapor com cimento (obras) como se o sistema se esgotasse em materiais de construção civil. Um peça ao serviço do governo, com todas as características de encomenda, ou, talvez, "obra" da tal Comissão de Aconselhamento da RTP-Madeira. Infelizmente, RTP e Jornal da Madeira, parecem de mãos dadas neste processo de branqueamento de uma Escola que, a continuar assim, continuará a não ter futuro.
O problema não está, de facto, nos edifícios, meus senhores. O problema está, fundamentalmente, na organização do sistema. Está na sua plena integração com o sistema social, com o sistema político, com o sistema cultural e com o sistema económico. Ver a Escola pelo prisma da construção civil é ter uma visão trolha desse mesmo sistema. O sistema é muito mais do que inaugurações, hinos e discursos de circunstância. A Escola é o que lá se faz, são os programas e os currículos, é o seu número de alunos por espaço e por turma, é a noção exacta do essencial relativamente ao acessório, são os alunos de onde vêm e a ligação à família, o seu sistema de valores, os princípios, o rigor, a disciplina, a sua identidade única, a sua abertura ao exterior numa relação constante e assente no dar e receber.
Pobre RTP-M que se presta a favores desta natureza! E tanto que tinham e têm para fazer, por iniciativa própria, no sentido de descobrir os motivos de tanta polémica. Mas isso não interessa, obviamente, à douta Comissão de Aconselhamento.
NOTA:
Há dias foi sobre o ARMAS, logo a seguir sobre o Parque Desportivo da Água de Pena.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 20 de junho de 2010

CIDADES E LUGARES 653. LANZAROTE/ESPANHA



Lanzarote. A Ilha onde JOSÉ SARAMAGO se "refugiou". Revisitei-a em 2008 e fotografei lugares quase ímpares. Adorei aquela Ilha.
Clique sobre a foto para ver o pormenor. Depois, desloque o cursor sobre a foto que pretente ampliar e volte a clicar. Posted by Picasa

AS ATITUDES FICAM COM QUEM AS PRATICA



"O médico que só sabe de Medicina nem de Medicina sabe". Parafraseando, o notável Professor Abel Salazar, por aproximação, eu diria do Professor Cavaco Silva que quem apenas sabe de economia e finanças, nem de economia e finanças sabe.


A ausência do Presidente da República nas cerimónias funebres do Escritor José Saramago, caracteriza bem quem o Povo escolheu para o cargo de mais alto Magistrado da Nação. Esta atitude, inqualificável, trouxe-me à memória as palavras do Professor Doutor Abel Salazar (1889/1946), Catedrático de Histologia e Embriologia, que um dia sublinhou: "O médico que só sabe de Medicina nem de Medicina sabe". Parafraseando, o notável Professor, por aproximação, eu diria que quem apenas sabe de economia e finanças, nem de economia e finanças sabe.
O Presidente da República cumpriu o serviço mínimo exigido, isto é, assinar um documento de "elogio" fúnebre, naturalmente elaborado pelos seus assessores, explicado mais tarde pelo Professor Marcelo Rebelo de Sousa, Conselheiro de Estado, que "(...) ele não está presente fisicamente, mas está presente espiritualmente, representando os portugueses. Eu penso que a mensagem do Presidente é mais importante do que a sua presença". Absolutamente, inacreditável.
É este presidente que recebe a selecção de futebol de Portugal antes da partida para o Mundial, que transmite um sinal de a "cultura da bola" é mais importante que uma última homenagem a um Homem, único Nobel português da Literatura, e com uma dimensão universal. No fundo cola-se à ideia lançada na edição de hoje do "L’Osservatore Romano", jornal do Vaticano, que considera Saramago um "populista e extremista” de ideologia anti-religiosa e marxista. Cola-se, de forma medíocre, baixa e sem nível, porque, no seu pensamento, esta é uma leitura pessoal, por um lado, tem os olhos colocados nas eleições de Fevereiro próximo e, porventura, quer agradar a alguns sectores da Igreja Católica, por outro, mostra-se incapaz, enquanto Presidente de todos os portugueses, esquecer erradas e ignorantes questiúnculas antigas enquanto Primeiro-Ministro (a célebre e infeliz posição do sub-Secretário de Estado Sousa Lara que vetou a candidatura do livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", a um prémio literário", apadrinhada por Cavaco Silva.
Pelo Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa passaram, ao longo do dia de ontem e manhã de hoje, ex-presidentes da República, ministros, a Vice-Presidente do Governo de Espanha e políticos em geral, só se verificou a falta do mais alto representante do País. Se dúvidas não tinha, com esta atitude, definitivamente, assumo que não merece o lugar que ocupa e, por isso, o melhor que faria era não recandidatar-se à Presidência. Pessoalmente, quero em Belém um Presidente que a todos nos representente, de forma independente e distante de rancores. E por aqui fico, do muito que me apetecia dizer.
NOTA 1:
À minha grande Amiga Violante e seu marido Danilo Matos, um forte abraço de grande solidariedade neste momento díficil na gestão das emoções.
NOTA 2:
O Presidente encontra-se de férias nos Açores. Lembro que interrompeu as férias, há dois anos, para fazer uma declaração política relativamente ao Estatuto Político-Administrativo dos Açores. Curioso... não soube agora interrompê-las por razões de Estado!

sábado, 19 de junho de 2010

JOSÉ SARAMAGO



JOSÉ SARAMAGO partiu. Ficou a notável obra e as intervenções por um Mundo melhor.
Muitos deveriam ouvir esta sua intervenção... em defesa da DEMOCRACIA.

36 ANOS DE CHUMBO!



"A maioria só deixa avançar 'votos de pesar' ou 'louvores' a figuras destacadas - e mesmo assim não aprova todos eles. O parlamento, sendo a casa do debate, não debate. É centro de democracia e padece a ditadura".


Li, na edição de hoje do DN, com entusiasmo, um notável artigo do Jornalista Luis Calisto, onde caracteriza a Assembleia Legislativa da Madeira e, por extensão, o estado da DEMOCRACIA local. Poucos o fizeram ao longo destes 36 anos. Trata-se de uma análise lúcida, verdadeira e profunda de um madeirense que olha para a sua terra, com os olhos e o rigor da independência, e abala consciências sobre os perigos que todos estamos a correr. Um texto que fica na História, pois constitui um marco de reflexão para o futuro. Aqui fica uma parte do texto.
"Os deputados PSD alvejam as iniciativas da oposição como quem abate tordos cativos na armadilha. Os 'projectos de decreto' sucumbem um a um, sem verificação prévia da sua valia, e tratem do que tratarem: Estatuto da Carreira Docente, regime jurídico de comparticipações financeiras ao Desporto, subsídio de insularidade ao funcionalismo público, combate à evasão e fraude fiscal, carreiras e remunerações na Função Pública, acção social escolar, taxas a cobrar pela utilização do domínio público aeroportuário, jogo de Casino, taxas, clarificação do regime jurídico do CINM e impacto da praça no PIB regional, contribuição especial na extracção de inertes - é trabalho do PS que, com as iniciativas da restante oposição, fica para a estatística dos 'rejeitados' - salvo escassas excepções. A sorte da solicitação de 'debates parlamentares' não é melhor, porque a maioria foge a matérias complexas: desastre na Ribeira dos Socorridos, meios de combate à corrupção, concessões à Vialitoral e Viaexpresso, análise das transferências do Estado, negociação de fundos europeus 2007-2013, Marina do Lugar de Baixo, transportes marítimos entre a Madeira e o Porto Santo, Quinta do Lorde, extracção de inertes nas ribeiras do Faial, endividamento da Região, reconstrução pós-20 de Fevereiro, comunicação social, situação na Saúde. A oposição "não tem moralidade" para solicitar estes debates, costuma dizer a maioria. E está o assunto resolvido. 'Interpelações ao GR', versando temas como a situação do JM, Europa, Estatuto da Oposição, Sociedades de Desenvolvimento, desemprego, estado da Região e por aí fora, tudo igualmente rejeitado ou lançado às calendas gregas, salvo as excepções para disfarçar".
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sexta-feira, 18 de junho de 2010

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA SOBRE EDUCAÇÃO



Nas últimas semanas foram desastrosas para a EDUCAÇÃO. O PSD-M chumbou o Regime Jurídico do Sistema Educativo Regional apresentado pelo PS e alterou, substancialmente, e nas costas dos docentes, o Estatuto da Carreira Docente, sem, todavia, ouvir os parceiros sociais. Lamento.

O JORNAL DA PROPAGANDA


Até os funcionários públicos, mais de 2000, que trabalham, na Madeira, na Segurança Social, são pagos pelo Orçamento da República.

É manchete do Jornal da Madeira de hoje: "13.000 recebem ajuda para os medicamentos". Para quem não sabe o que se passa, lê o título e o texto e acredita, sem pestanejar, que se trata de um encargo assumido pelo Orçamento da Região. No fundo, que se trata de um grande esforço da Região para ir ao encontro dos menos favorecidos. Quando nada disto é assim. Todos estes encargos (era o que faltava se assim não fosse) são pagos pela Segurança Social do Governo da República e nem um cêntimo sai do Orçamento Regional. Trata-se, portanto, de cumprimentar com o chapéu dos outros, numa política de manipulação da informação. O texto do JM salienta:
"A Segurança Social madeirense apoia, neste momento, 12.939 pessoas (cerca de 5% da população madeirense) na compra de medicamento, o que equivale a uma despesa de cerca de 420 mil euros. Em 2008, foram 11.342, entre pessoas portadoras de doenças crónicas e idosos sem condições financeiras suficientes.
A presidente do conselho de administração do Centro Regional de Segurança Social da Madeira, Bernardete Vieira, realça que o Governo Regional dá bastante importância àquele item. Isto apesar de ser uma medida que passa ao lado de muita gente. «Mas, gastamos muito nisso. Uma pessoa que tenha uma doença e que não tenha dinheiro para adquirir os medicamentos pode vir aqui abrir o processo. Os reformados também, desde que não tenham condições financeiras para comprá-los», explicou".

É evidente que é para isto que o Jornal serve. É este o sentido editorial da mentira, na manipulação e da descarada propaganda. O Centro de Segurança Social da Madeira é evidente que é um instituto público que tem uma tutela da Secretaria Regional dos Assuntos Sociais, só que aquele e outros tantos apoios, são integralmente suportados pela Segurança Social Nacional. É óbvio que assim seja. São cerca de 48.000 os madeirenses que dependem da Segurança Social Nacional. Até os funcionários públicos, mais de 2000, que trabalham, na Madeira, na Segurança Social, são pagos pelo Orçamento da República.
Ilustração: Google Imagens.

UM DELÍRIO


Nisto de brincadeiras há sempre uns melhores que outros. A do turismo pode mesmo ser a estrela da companhia: diz que aumenta transportes públicos mas já não aumenta; afirma que a crise no turismo vai passar ao lado da Madeira, mesmo com os piores resultados de sempre debaixo dos seus olhos; e até não hesita em afirmar que "o mosquito de Santa Luzia é bom porque permite à Madeira competir com destinos exóticos"...Uma criatividade insuperável.


A meio deste folclore indescritível há ainda umas figuras importantes. Não são matraquilhos mas parecem: movem-se ao sabor de um movimento errante e irracional mas presos ao ritmo de um velho gasto e obcecado.
Estas individualidades não preenchem apenas o ramalhete, são um sexteto especial. Prontos para "aprontar" o que for preciso. Esta espécie de super-herois da governação madeirense actuam de forma peculiar. Há uma no Turismo, outro na saúde, ainda outro no emprego, um nas obras do governo, ainda um na agricultura e finalmente um para controlar a mercearia. São corajosos quanto baste e estão sempre prontos para serem engraçados. E até, imaginem, fazerem algumas palhaçadas. Nisto de brincadeiras há sempre uns melhores que outros. A do turismo pode mesmo ser a estrela da companhia: diz que aumenta transportes públicos mas já não aumenta; afirma que a crise no turismo vai passar ao lado da Madeira, mesmo com os piores resultados de sempre debaixo dos seus olhos; e até não hesita em afirmar que "o mosquito de Santa Luzia é bom porque permite à Madeira competir com destinos exóticos"...Uma criatividade insuperável. Já o do emprego é discreto, mas afoito: o desemprego cresce, dizem as estatística mas, vendo bem as coisas, se calhar até baixou, justifica o governante com a leitura penosa de algumas páginas escritas há alguns anos sobre o mesmo tema, com alterações apropriadas. Manipulador? Não, brincalhão! Por outro lado, o das obras do governo, que de palhaço não tem nada, já não se mete nestas argoladas. Prefere falar a sério: "...o Presidente do Governo prometeu um túnel na Serra de Água porque falou a quente..." Está visto, a função deste é definir a temperatura das tiradas do seu chefe. Só o faz na parte da manhã. Na parte da tarde há variáveis que baralham o termómetro, portanto, nem arrisca. Esperto, não vá ser despedido por conveniência! Estes singelos exemplos não atrapalham o homem que gere a mercearia. Desde que receba as instruções direitinhas pouco interessa que o que diz não faça sentido e que até se contradiga a si próprio, como aconteceu com a redução de 5% dos salários dos políticos. Mas, destes todos o meu favorito é o Senhor da geatria. Sempre que o vejo recordo-me do filme "voando sobre um ninho de cucos" em particular o rebelde e contagioso Jack Nicholson, mas em câmara lenta! Nem sei com se lembram se criticar o estado da saúde. Uns ingratos".
NOTA:
Excerto de um texto de opinião do Deputado Dr. Carlos Pereira, publicado na edição de hoje do DN. Vale a pena ler.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

DESPORTO: 5 ANOS DE ATRASO DE ENCARGOS ASSUMIDOS E NÃO PAGOS


Em uma terra pobre e dependente, prometeram e deram o que tinham e o que não tinham. O resultado é este: fragilidade absoluta ao nível do desporto educativo escolar e associativismo desportivo com dívidas até ao céu da boca.

Não constitui novidade para ninguém. Tenho vindo a denunciar essa situação e, há muitos anos, que saliento que o desfecho só poderia ser este. As dívidas dos clubes têm uma origem e essa sustenta-se em uma política desportiva desastrosa, alimentada por irresponsabilidade e pelo princípio de que o desporto tem de estar ao serviço da política e não ao serviço do desenvolvimento. Interessaram-se mais pela representatividade externa do que propriamente por uma prática entendida como bem cultural. E em uma terra pobre e dependente, prometeram e deram o que tinham e o que não tinham. O resultado é este: fragilidade absoluta ao nível do desporto educativo escolar e associativismo desportivo com dívidas até ao céu da boca.
Ficaram alguns resultados desportivos de qualidade, dirão alguns. É verdade. Só que os resultados sempre foram e serão efémeros, enquanto que o investimento de base acaba por ter efeitos multiplicadores, inclusive, no aparecimento dos resultados desportivos. Ademais, em uma terra de graves assimetrias, o Desporto de rendimento elevado ou com uma matriz de representação externa, não pode constituir uma prioridade no investimento. Há, obviamente, outras prioridades a considerar. Basta ter em atenção a pirâmide das necessidades de Maslow e, se isso não bastar, olhar para a disponibilidade financeira da Região e para as extremas dificuldades do tecido empresarial que, aliás, não são de agora. Sempre denunciaram fragilidades e, portanto, sensíveis incapacidades para apoiarem, com direito a contrapartidas, os clubes e associações desportivas da Região.
Em 2007, apresentei, em nome do grupo parlamentar a que pertenço, um projecto de Decreto Legislativo Regional sobre as "Bases da Actividade Física, do Desporto Educativo Escolar, do Desporto Federado e Regime Jurídico de Atribuição de Comparticipações ao Associativismo Desportivo da Região Autónoma da Madeira". Um projecto que foi chumbado pelo PSD. No Artigo 11º (Princípios Gerais) enunciava:
1. São princípios gerais da política de actividade física e desportiva regular da Região Autónoma da Madeira:
a) A realização de instrumentos de planeamento integrados, globais e sectoriais, que diagnostiquem as necessidades e estabeleçam as prioridades, com base em critérios de distribuição territorial equilibrada, os critérios de desenvolvimento sustentado e respectivas estratégias da oferta de infra-estruturas e equipamentos desportivos;
b) A optimização, diversidade, qualidade e segurança das infra-estruturas e equipamentos desportivos;
c) A consecução do bem-estar e saúde da população através de programas que visem a assunção da actividade física autónoma nos hábitos culturais e estilos de vida activos;
d) A criação de condições de acessibilidade à prática desportiva para cidadãos portadores de deficiência;
e) A formação integral dos jovens, através da adopção, divulgação e prática dos valores formativos e educativos do desporto;
f) Promover a difusão dos valores do olimpismo nos programas de educação desportiva nos estabelecimentos de ensino.
g) O apoio ao associativismo desportivo, em geral, e ao escolar, em particular;
h) A valorização da competição desportiva concelhia e regional dos sectores escolar e federado;
i) A conquista, salvaguarda e dinamização da actividade física e desportiva nos grandes espaços naturais;
j) O aperfeiçoamento e desenvolvimento dos níveis de formação científica dos recursos humanos no desporto;
k) O apoio de natureza financeira, material e de recursos humanos especializados ao desporto de alto rendimento.
l) O estudo e fomento do património cultural que os jogos tradicionais encerram;
m) O apoio a eventos desportivos nacionais e internacionais, susceptíveis de serem considerados de interesse público e promocionais da prática desportiva.
n) O turismo desportivo;
o) A cooperação com os espaços insulares europeus e com os países de acolhimento da diáspora madeirense;
p) O estímulo à criação de emprego especializado.
As promessas de solução do grave problema financeiro dos clubes e associações, cujos dirigentes reuniram ontem com o Secretário da Educação, obviamente que não serão satisfeitas a curto prazo. Demorará muito tempo, quando se sabe, entre outros sectores e áreas, que as escolas se debatem com problemas de financiamento. E esses são prioritários. O dinheiro não é elástico e, por isso, alguém vai ter que esperar. Enquanto esperam, lamentavelmente, o rol das dívidas vai aumentar até ao estoiro final. Lamento, profundamente, porque quem apostou nesta política não foram os dirigentes desportivos... alguém os empurrou para esta situação.
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SILÊNCIO SOBRE O SISTEMA DE SAÚDE


Negar os públicos desconfortos que se passam no Sistema de Saúde da Madeira tem duas leituras: por um lado, a demissão do primeiro órgão de governo próprio, enquanto órgão fiscalizador do governo; por outro, atentar contra as classes profissionais envolvidas que reclamam uma outra atitude dos governantes.

É regimental pelo que constitui, portanto, uma prerrogativa dos Grupos Parlamentares da Assembleia Legislativa da Madeira, requerer a constituição de comissões eventuais de inquérito sobre um qualquer sector da governação. Negar, quando há justificações plausíveis, é evidente que denuncia, claramente, a tentativa de evitar, no lugar certo, que os assuntos sejam devidamente enquadrados e analisados. Negar os públicos desconfortos que se passam no Sistema de Saúde da Madeira tem duas leituras: por um lado, a demissão do primeiro órgão de governo próprio, enquanto órgão fiscalizador do governo; por outro, atentar contra as classes profissionais envolvidas que reclamam uma outra atitude dos governantes. Não estou sequer a fazer aqui qualquer juízo de valor, se assiste ou não razões para as queixas que circulam na comunicação social, o que aqui coloco em causa é negação de um inquérito político que deveria ocorrer para se apurar as razões de tais desconfortos. Todos os grupos parlamentares e representações parlamentares da oposição votaram a favor da proposta apresentada pelo grupo parlamentar do PS, só o PSD votou contra, com a justificação, segundo depreendi, que isso causaria "agitação social e instabilidade social". Interessante justificação!
Aqui fica o essencial do texto que sustentou o pedido de inquérito parlamentar, elaborado pelo Deputado Bernardo Martins:
"Desde há muito que o Sistema Regional de Saúde, com uma inusitada frequência, vem sendo pomo de contestação por parte dos seus profissionais. Entre outras, a mais recente declaração do Senhor Presidente da Ordem dos Enfermeiros na Madeira, publicada na edição do DN-Madeira de 06 de Junho de 2010, denuncia, claramente, a existência de uma alegada agenda oculta no sistema regional de saúde. E sendo assim, consideramos que há uma absoluta necessidade de conhecer toda a verdade sobre tudo quanto se está a passar. São casos a mais. Casos de exclusão de pessoas, perturbação nos serviços, desinteligências, desconfortos, tudo o que um sistema desta natureza não deve ter.
Hoje, é inegável a existência de um mal-estar que coloca o normal funcionamento do sistema. Tais declarações, quando oriundas de profissionais com responsabilidades no sector da saúde, acabam por gerar uma complexidade em cadeia com óbvias repercussões no serviço prestado ao utente. Assim, em face do exposto:
Propomos que, no âmbito da ALRAM, seja criada uma Comissão Eventual, que a partir da informação entretanto recolhida, do sentimento existente de que são prova os testemunhos públicos, importa analisar e avaliar o sistema, desde logo, aos seguintes níveis:
1. Organização geral do Sistema de Saúde.
a) Actual quadro organizativo em função de uma resposta adequada.
b) A estratégia prevista para o SESARAM que garanta melhor serviço público aos cidadãos.
c) A política de gestão dos recursos humanos (médicos e enfermeiros), onde se incluem as declarações de vários médicos e enfermeiros que, alegadamente, configuram intencionais afastamentos dos seus serviços.
d) A avaliação das denúncias efectuadas pelo Presidente da Ordem dos Enfermeiros e Presidente do Sindicato dos Enfermeiros, caracterizadoras de uma tendencial privatização do sistema de saúde.
2. Avaliação dos encargos assumidos e não pagos pelo sistema, qual a sua dimensão e calendarização dos pagamentos.
3. Qual a verdadeira expressão numérica das pessoas integradas nas designadas Unidades de Domicílio Virtual (AP), quais os transtornos no normal funcionamento dos serviços e soluções a adoptar a curto prazo.
4. Razões substantivas que conduzem ao sistemático adiamento de construção de um novo hospital.
Assim, e tendo presente as consequências no plano de um serviço público de qualidade, consideramos que se torna urgente a constituição de uma Comissão Eventual para efectuar todos os trabalhos externos e consultas institucionais necessárias de modo a responder, de forma concreta e consistente, a estas e outras questões que, no desenvolvimento dos trabalhos venham a ser consideradas pertinentes".
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CIDADES E LUGARES 651. TARRAGONA/ESPANHA

Tarragona. Catedral. Posted by Picasa

terça-feira, 15 de junho de 2010

DEBATE SOBRE O ESTADO DA EDUCAÇÃO NA REGIÃO



O Estado a que a Educação chegou na Madeira necessita de um Pacto Educativo que, desde logo, envolva o governo, os partidos políticos, os parceiros sociais, investigadores, enfim, pessoas que tenham alguma ou muita coisa para dar ao sistema. Não há outra forma de corrigir um longo percurso de enganos e de ausência de uma política estratégica.


Foi muito mau o que hoje se passou na Assembleia Legislativa. Tratou-se de um pseudodebate realizado em 83 minutos. Oitenta e três minutos, com a ausência do Secretário Regional da Educação e sem tempo para colocar perguntas ou reformular as mesmas.
Na oportunidade, produzi a seguinte intervenção:
Senhor Presidente
Senhoras e Senhores Deputados,
Educação na Região não vale mais de 83 minutos. É o tempo destinado a debater um sector de enorme relevância para o futuro da Região. Oitenta e três minutos que correspondem a um minuto e quarenta e cinco segundos por deputado. Isto significa, senhoras e senhores deputados que não vamos debater a Educação, estamos a fazer de conta que a Educação será debatida.
E isto acontece em um momento particularmente complexo em que as velhas formas de actuar, os velhos formatos não conseguem dar resposta aos desafios do futuro; num momento de conflito entre o governo, os parceiros sociais, os professores e o Senhor Representante da República, agora, por um iníquo Estatuto da Carreira que, há cinco anos, bloqueia os direitos à progressão; num momento em que o PSD se negou a discutir de forma séria, aberta e profunda um Regime Jurídico do Sistema Educativo para a Madeira, com total falta de respeito pelas entidades que elaboraram pareceres; num momento em que se encerram estabelecimentos de educação sem uma justificação convincente; num momento de falência financeira dos estabelecimentos de educação e ensino, com facturas por pagar, algumas há mais de dez meses e que colocam em causa os próprios projectos educativos; num momento de ambiente social muito complexo em que há sinais de um agravamento nos direitos da acção social educativa; num momento de resultados escolares que colocam a Madeira em posições muito desagradáveis nos “ranking´s nacionais; num momento de insucesso e de abandono; num momento que crescem os sinais de indisciplina e de violência no espaço escolar, enfim, num momento que necessário se tornaria debater, com alma, o estado da Educação na Madeira, o PSD determina, por força da sua maioria, que a Educação não vale mais de 83 minutos de debate.
Esta Assembleia Legislativa, este primeiro órgão de governo próprio da Madeira Autónoma, demite-se, assim, da sua função de conjugador das diferentes opiniões, de estabelecedor de uma plataforma válida entre o seu corpo eleito, o governo e a sociedade, para aqui estarmos num pseudodebate de resultado nulo.
Senhor Presidente, a Educação vale muito mais do que 83’. Hoje já estamos a pagar a ausência de projecto, estamos a pagar a ausência de qualificação profissional, estamos a pagar o desacerto entre a frágil formação dos nossos jovens e as necessidades deste tempo novo, exigente, onde tudo tem de ser construído com qualidade, com rigor, com disciplina e com projecto de cunho humanista. Estamos a pagar a factura da incompreensão, das teimosias político-partidárias, do modelo absoluto, da verdade absoluta, da arrogância absoluta que deriva de uma maioria auto-suficiente, compaginada com uma Secretaria Regional da Educação, incapaz de perceber que um sistema quando se fecha sobre si próprio é gerador de galopante entropia. Este sistema não comunica, é avesso a dar e a receber, não permite adaptações conceptuais e, por isso mesmo, está a morrer como prova a incapacidade para resolver os problemas do dia-a-dia. E se perante as tarefas diárias mostra-se incapaz, o que dizer das tarefas de projecto para o futuro?
O Estado da Educação na Região é de falência. Entristece-nos ter de o afirmar, depois de 36 anos ininterruptos de um só partido com essa responsabilidade. O estado de falência está aos olhos de qualquer pessoa, basta que se atente nas palavras dos professores e nos alertas dos parceiros sociais. Seria bom que tomassem em consideração uma intervenção aqui feita, a semana passada, por um deputado da bancada da maioria, completamente desalinhado com a voz oficial; ou, então, das palavras de um intitulado “delfim”: a Educação não é marginal ou residual do desenvolvimento. Para o desenvolvimento é fundamental actuar no âmbito da cultura e do conhecimento. Quis com isto o autarca dizer que o caminho que está a ser seguido tem de ser revisto. Porque não há cultura, nem conhecimento, nem aquisição de competências se o sistema educativo não souber regenerar-se, adaptar-se através de novos processos organizacionais, de uma nova cultura, de uma nova mentalidade e de uma nova humildade que predisponha para o diálogo e para a concertação de esforços.
O Estado a que a Educação chegou na Madeira necessita de um Pacto Educativo que, desde logo, envolva o governo, os partidos políticos, os parceiros sociais, investigadores, enfim, pessoas que tenham alguma ou muita coisa para dar ao sistema. Não há outra forma de corrigir um longo percurso de enganos e de ausência de uma política estratégica. O que se sabe é que o actual quadro não interessa ao futuro da Região, aos professores, aos pais e encarregados de educação. Todos vamos perder com este rumo.
É urgente que se faça um Pacto, pois, em Educação, os resultados demoram muitos anos a aparecer. Qualquer mudança exige tempo e quanto mais tempo a Madeira perder mais distante estará dos patamares de sucesso. Está em causa, entre outros, o sentido organizacional do sistema aos níveis central, local e de estabelecimento de educação e ensino; está em causa a definição entre o que é essencial e o que é acessório; está em causa a definição de um sentido de missão e a definição da vocação da escola; está em causa o estabelecimento de princípios e valores, o rigor e a disciplina; está em causa a formação inicial dos docentes e o seu acompanhamento nos primeiros anos de leccionação; está em causa a ligação da escola à família o que implica uma actuação integrada a montante do sistema; está em causa, pela enésima vez, aceitar que o investimento na Educação se reveste de natureza prioritária.
O Pacto Educativo é importante, porque é sensível o esgotamento político das equipas que, há anos, repetitivamente, laboram sobre os mesmos erros.
O Pacto é determinante porque se assiste a existência de uma cristalização nos comportamentos, nas atitudes, na capacidade de gerar o novo. Esta mentalidade dominante, que faz ouvidos de mercador a todos quantos se pronunciam sobre a educação, é a causadora de bloqueio, de atraso, de uma escola virada para ontem e não para o futuro. O governo sempre esteve mais interessado em controlar a Escola, controlar os Conselhos Executivos do que propriamente lhes proporcionar a liberdade e a autonomia na criação de identidades próprias.
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, é caso para questionar, afinal, perante a teimosia e tantas certezas, o que faz a Secretaria Regional de Educação, o que fazem os Directores Regionais, os Directores de Serviço, os Chefes de Divisão, os juristas, os adjuntos e os assessores? O que fazem em benefício do sistema, não apenas na solução dos problemas de enquadramento profissional da classe docente, mas também para que o sistema se torne numa alavanca de melhoria das competências das crianças e jovens da Região, no sentido de as tornar capazes de enfrentarem os desafios do futuro?
Senhores Deputados, mal vai um governo que aparece aos olhos do Povo a solucionar problemas da bola e descura, completamente, os problemas da outra “bola”, a cabeça. Da aspiração, legítima, em “exportar inteligência”, confrontamo-nos, hoje, com a necessidade de importar inteligência, deixando cada vez mais a um canto os madeirenses e porto-santenses a quem o governo deveria gerar as condições, a montante, na sociedade, e a jusante, na escola, susceptíveis de combaterem o atraso no conhecimento, nas competências e na cultura que os vários indicadores disponíveis apresentam.
O governo está a descurar o problema da Educação. Confunde escolarização com trabalho educativo, secundariza o professor enquanto elemento fundamental do processo ensino/aprendizagem e olha para a escola com os olhos virados para ontem quando deveria colocá-los no amanhã. E tão grave quanto isto, este governo, esta Secretaria da Educação mata a nossa Autonomia, essa capacidade de aqui procurar definir um pensamento acerca do futuro, de aqui estruturar, com inteligência negocial, um quadro de referências estratégicas que, paulatinamente, assegurem um futuro melhor.
Senhores Deputados, é muito complexa esta tarefa. Não contem connosco para facilitismos, pois continuaremos apostados em defender uma Escola pública moderna e de qualidade que constitua referência na Região e no País.
NOTA:
Leio no Jornal da Madeira, no dia que se "debateu" o Estado da Educação na Região, uma peça jornalística (nada de propósito, credo!!!) com o título "Governo Regional abriu 83 escolas em 15 anos", fora o redimensionamento e modernização de outras. Ora, uma política educativa séria não se esgota na construção das infra-estruturas. Para isso a Madeira dispôs de muitos e muitos milhões de financiamento europeu, entre outros. Obrigatoriamente, tinham de surgir novas instalações. É óbvio. O problema que se coloca é o de saber que tipo de instalações e sobretudo, quais as características deste sistema aos níveis organizacional, curricular e programático. No fundo, o que se está a fazer no interior das escolas. Porque construir infra-estruturas constitui a parte mais fácil do processo. O que não faltam é empreiteiros desde que haja dinheiro.
E aquilo que se está a fazer não garante futuro. Os resultados falam por si. E cai por terra essa peregrina defesa que há 30 anos tínhamos mais analfabetismo! Hoje, o analfabetismo é outro, meus senhores. Tentem perceber isso. Falem com os professores, falem com os parceiros sociais, falem com os investigadores e analistas. Falem e vão perceber o que se passa.
Ilustração: Google Imagens.